agosto 9, 2014

One potato, two potatoes, three potatoes, four...

Plantas de batatas não são muito fotogênicas. Que elas não me levem a mal, as folhagens são fartas, as flores são púrpura. Mas não são fotogênicas como os brilhantes tomates, os verdíssimos Cavolo Nero, as reluzentes abobrinhas. Não, simplesmente não há nada para enquadrar em detalhes, sorry dear.





As plantas de batatas em nosso jardim crescem em sacos próprios pra elas. No início colocamos uma camada de terra, duas ou três batatas-sementes e cobrimos com mais uma camada de terra. Assim que as folhas começam a crescer cobrimos totalmente com mais uma camada de terra e assim sucessivamente por mais duas ou três vezes. Batata não é algo particularmente barato de se plantar, é preciso muita terra adubada. Mas também é só disso que elas precisam.

Colher batatas porém é uma das tarefas mais gratificantes da horta. Porque por meses e meses você rega a planta e não vê nada, não dá para checar nada durante esse tempo. E quando o dia da verdade chega você não sabe o que esperar, sucesso ou fracasso. Primeiro cortamos todas as folhas, que vão pra compostagem. Alguns jardineiros simplesmente tombam o saco ou o vaso. Eu vou retirando as camadas de terra aos pouquinhos e descobrindo no processo as jóias que vão surgindo. Mais ou menos como abrir presentes de Natal, só que melhor pela promessa de batata assada com gravy.









Este ano temos duas variedades crescendo, em quatro sacos: Albert Bartlett Apache e Rooster. Minha primeira colheita foi dessas coloridas Apache. 1.800kg, nada mal para três batatas-sementes.





E para celebrar a colheita, uma trilha sonora correspondente:








One potato, two potatoes, three potatoes, four

Five potatoes, six potatoes, seven potatoes more

Hey!



Escrito a mão pela Marcia às 4:29 PM | mais em Tales of the Garden | Comente este fragmento(5)

agosto 1, 2014

One man's glut is another man's dinner

A frase acima é um velho ditado jardineiro que diz "a abundância de um homem é o jantar de outro".

Nosso vizinho tem um jardim enorme, cinco hortas e uma greenhouse. Todas as vezes que eles viajam de férias durante o verão, eu e Miss S somos encarregadas de regar as hortas deles, sobretudo os tomates que ficam na greenhouse. Eles até compraram um mini-regador pra Miss S, que fica lá na greenhouse esperando por ela. Regamos duas vezes por dia nos dias mais quentes, abrindo e fechando a ventilação da estufa, de acordo com a necessidade.

Invariavelmente, todo ano eles nos dão parte da produção deles: tomates, abobrinhas, pepinos, cebolas, o que eles tiverem em abundância. Nós recebemos com muito prazer, tudo recém-colhido e fresco. Eu aprendo muito com eles porque a gente vive trocando experiências nas conversas pela cerca que divide ambos os jardins.

Este ano, finalmente tive algo em abundância na horta. Ervilhas Sugar Snaps cresceram mais do que eu esperava. Colhi todas, congelei algumas, comemos muitas delas. E reservei dois pacotes para dar aos nossos vizinhos. As plantas de ervilhas deles foram completamente destruídas pelas lesmas este ano e eles ficaram bem contentes de receber as nossas. Dividir teve um sabor mais doce que as próprias ervilhas.













E uma colheita que abriu um sorriso em minha alma emburrada foi a de alho. As quatro plantas que estavam na raised bed cresceram bem e deram cabeças de alho enormes e bem firmes e perfumadas. Porém, as doze plantas de alho que estavam crescendo num vaso grande decidiram não criar bulbos. As doze plantas ficaram só nas folhas mesmo. No ano que vem me lembrem de plantar 48 dentes de alho também.

De qualquer forma, plantar alho é sempre lucrativo, um único dente dentro da terra produz uma cabeça com mais de dez dentes, 1000% de lucro.





A espiga de milho continua crescendo devagar, agora temos outras duas espigas apontando para fazer companhia, mas não temos muitos dias de sol até o Outono chegar. Planos de fazer um curau estão suspensos.





Feijão borlotti finalmente decidiu dar as caras mesmo tendo sido vítima do Grande Massacre das Lesmas no começo da primavera. Porém ainda não há o suficiente para encher uma colher de sopa. Planos de fazer uma feijoada estão suspensos.





Tomates estão indo bem até agora. Poderiam estar melhores se eu lembrasse de alimentar com Tomorite com mais regularidade.





A grande expectativa tem recaído sobre os tomates Costoluto Fiorentino, que são tomates do tipo beef steak, grandes, cheios de personalidade. Demoraram uma eternidade para fertilizar e finalmente temos alguns frutos crescendo.





Há outras plantas não-fotografadas em míseras quantidades ridículas. Meia dúzia de cenoura, meia dúzia de parsnips, três brócolis, duas beterrabas, três abobrinhas. E ainda não investiguei para saber a situação das batatas, se vamos ter colheita ou fiasco.

Enquanto isso meu vizinho colheu um carrinho de mão lotado de cebolas, já trançou e pendurou-as na garagem para consumir durante todo o inverno. E nos deu meia dúzia de abobrinhas, que cortamos em palitos, empanamos à milanesa, assamos no forno e devoramos avidamente no jantar, fazendo jus ao sábio ditado.



Escrito a mão pela Marcia às 6:10 PM | mais em Tales of the Garden | Comente este fragmento(4)

julho 22, 2014

A basket full

Finalmente tivemos nossa primeira colheita decente para fazer uma refeição. Couve kale, Cavolo Nero, tomates, alface e ervilhas estão abundantes. Comemos tudo ontem no jantar (menos as flores Cosmos, que enfeitaram o vaso), acompanhados de arroz e feijão preto.

Pela terceira vez estou tentando cultivar milho, temos uma única espiga crescendo, num total de seis plantas. Ano que vem me lembrem de plantar 48 plantas de milho. De qualquer forma estou bastante satisfeita de cuidar da única espiga de milho, assim como da única maçã que restou na árvore. Minha abóbora Kabocha continua crescendo, agora com direito a rede de suporte. Não é a única, mas as outras estão crescendo bem devagar e acredito que não vai dar tempo delas amadurecerem antes do Outono chegar.

Ainda me falta a experiência e a disposição de semear sucessivamente e manter um fluxo contínuo de colheita. Por enquanto minha produção tem sido meramente decorativa, se fôssemos depender dela estaríamos famintos.





















Escrito a mão pela Marcia às 9:48 AM | mais em Tales of the Garden | Comente este fragmento(5)

julho 8, 2014

Blooming Colours



Wollerton Old Hall Rose





Poppy









Cosmos





Marigold





Morango 'Alice'





Autumn Raspberries



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A rosa cor de pêssego da primeira foto foi meu presente de aniversário dos pais de Mr.M. É uma English Rose de uma família de cultivadores especialista em rosas, chamada David Austin Roses. Ela tem esse formato arredondado e um perfume delicioso.

Poppy (papoulas) são flores-simbolo das duas Grandes Guerras Mundiais. Ganhei um pacotinho na revista Gardener's World e entre as típicas poppies vermelhas, cresceu essa cor-de-rosa e branca, que eu nunca tinha visto antes.

As berries estão crescendo em pequena quantidade, nossa colheita se resume a uma ou duas por vez. As poucas cerejas que sobreviveram estão sendo devoradas avidamente pelos pássaros blackbirds que não têm planos de dividir nenhuma comigo. Como o paladar deles é menos exigente, eles comem antes delas amadurecerem, então não sobra nada pra mais ninguém.


Escrito a mão pela Marcia às 11:47 AM | mais em Tales of the Garden | Comente este fragmento(4)

julho 4, 2014

Garden Hopefuls

Eu ainda tenho esperanças de comer alguma coisa que plantei este ano. Lettuce hope (sorry!).



Ervilhas 'Sugar Snaps'





Abóbora 'Kabocha'





Tomates 'Sungold'





Alface Arctic King





Couve 'Red Russian' entre as flores Cosmos




Escrito a mão pela Marcia às 3:51 PM | mais em Tales of the Garden | Comente este fragmento(4)

junho 30, 2014

June comes to a close

Junho chegou ao fim. Não posso dizer que sentirei falta deste mês. Ever. Apesar de alguns momentos bons (fomos pra praia em Bamburgh novamente, completei 41 anos, Miss S completou 3 e 1/2, fez muito sol), minha mente, porém, esteve distante, desconcentrada, decentralizada, half a world away.

O jardim está uma abundância de caos, seis das seis plantas de pepino morreram por conta das lemas dentro do solo, que comeram as raízes. Comprei uma variedade de ervilhas que cresce muito alta, então a fraca estrutura que eu havia feito desmoronou; as plantas continuam vivas, dobradas no meio, e as ervilhas estão crescendo. Vagens, asters e marigolds foram devoradas pelas lesmas também. Feijões estão crescendo bem devagar por falta de regar. Berinjelas decidiram não crescer mais. Cerejeira pegou scabs. Macieira tem só três frutos.

Há campanhas por todo país pedindo para plantarmos flores silvestres para alimentar as abelhas. As vezes me pergunto se vale o meu esfoço quando meus vizinhos têm jardins três vezes maiores que o meu (e com grama mais verde também). Mas quando vejo as abelhas nas minhas flores sempre reafirmo que se elas não precisassem do meu jardim não estariam aqui. E este ano, uma comunidade de bumblebees fez ninho em uma das casas de passarinho que temos. Muitas, muitas delas, entravam e saíam o dia todo. Agora foram todas embora, de repente.

Não tenho tirado fotos. Talvez por isso também não tenho postado aqui. Meio sem sentido porque isto aqui nunca foi um poço de fotos decentes. Mas ultimamente eu só escrevia quando tinha algo para mostrar. O que nem sempre é fiel ao momento ou à realidade. Uma abertura na lente faz tudo parecer perfeito. Ervas daninhas e desordem ficam desfocadas, quase inexistentes dentro da projeção na cabeça de quem lê.

Tenho escrito offline sobre absolutamente nada. Eu não sei, talvez nunca soube escrever uma história com começo, conflito e fim. Eu não consigo imaginar plots elaborados. Talvez saiba escrever, mas não saiba contar uma história. Writer, not storyteller. Eu escrevo diálogos enormes e meus personagens não sabem pra onde vão.



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Mas continuo, como Snoopy continuou, embora nunca tenha saído do parágrafo "it was a dark and stormy night".

Enfim, que Junho se encerre deixando pra trás as tempestades e que Julho chegue com novos dias melhores.

Escrito a mão pela Marcia às 1:57 PM | mais em An ordinary life | Comente este fragmento(10)

junho 6, 2014

Never Forget

Hoje aqui no Reino Unido, na Europa e, espero, em todo o resto do Universo, relembramos os 70 anos do Dia D. Em 6 Junho de 1944 tropas britânicas, americanas e canadenses invadiram a costa da Normandia, na França, para impedir o avanço nazista.

Uma manobra controversa, mas que culminou no recuo das tropas alemãs e subsequente vitória dos Aliados sobre Hitler.

Viver em um país com memórias das Grandes Guerras Mundiais é um privilégio em termos de fatos históricos disponíveis. Por todos os lados há lembranças, há marcas de bombardeamentos que nunca serão restauradas para que nunca sejam esquecidas. Há histórias de familiares que participaram, que se feriram, que viveram, que principalmente, não voltaram. Há lembranças de racionamento de alimentos, da importância de cultivar sua própria horta, de colher frutos silvestres, de fazer seu próprio pão. Há discursos inspiradores de Churchill e Eisenhower e há homenagens de tantos inúmeros poetas.

De tudo o que a mídia vem divulgando nestas últimas semanas, a que mais me tocou foram as fotos interativas criadas pelo fotógrafo Peter Macdiarmid (link abaixo). Nelas podemos comparar (clicando em cada foto) os exatos lugares onde a invasão aconteceu em 1944 com os dias de hoje.


D-Day landings now and then



1944




2014



E vendo essas fotos e comparando com nossas vidas atualmente, a citação de John Maxwell Edmonds, no epitáfio do cemitério do 2º Batalhão Britânico, se faz ainda mais significativa:

When you go home, tell them of us and say
For their tomorrow, we gave our today.

(Quando você for pra casa, conte a eles sobre nós e diga
Que para o futuro deles, nós demos o nosso dia de hoje.)


Escrito a mão pela Marcia às 8:59 AM | mais em That British Kingdom | Comente este fragmento(2)

maio 20, 2014

Secret Kingdom

No final de Abril passamos uns dias em Northumberland e acredito que encontramos um pedaço de um reino secreto aqui do Norte, propositadamente pouco divulgada, numa região categorizada como Outstanding Natural Beauty (Proeminente Beleza Natural). Estou tentando evitar hipérboles para descrevê-la, mas as hipérboles abundam.

Afinal, não é em qualquer parte do mundo que você pode ter um castelo do século VI na beira de uma praia limpíssima, com focas selvagens nadando no mar e belíssimos rock pools (piscinas naturais?) surgindo na maré baixa, revelando um mundo magnífico de criaturas aquáticas. Eu avisei, hipérboles.

Fomos à Northumberland exatamente pelas suas rock pools, algo que tínhamos certeza que nós três iríamos adorar. Passamos horas e horas fuçando pedras, algas e conchas. Encontrar hermit crabs foi nossa atração favorita (seguido de um good old fish & chips).

Miss S já esteve em outras praias bem sem graça (Whitby e Maryport) mas desta vez foi a primeira vez que ela realmente teve o gosto de brincar na praia propriamente. Fez castelos de areia, correu das ondas, catou conchinhas, caminhou um bocado, escalou rochas, comprou sorvetes de todos os sabores possíveis.

O tempo ainda estava incerto, nublado, foggy. A temperatura máxima não passou dos 9ºC. Mas não fez a menor diferença. Ir à praia completamente vestidos é algo natural e normal na costa britânica, algo que muito me agrada.

Era possível pegar um barco para ir a uma remota ilha cheia de pássaros Puffins (cartão postal de Northumberland) e focas. Mas deixamos para uma próxima vez, quando Miss S vai aproveitar melhor.




















*Hermit Crabs foram devidamente devolvidos aos seus habitats














Escrito a mão pela Marcia às 9:49 AM | mais em M&M Family | mais em That British Kingdom | Comente este fragmento(1)

maio 9, 2014

May is green

Não importa como foram Março e Abril. Maio não espera, Maio não decepciona. Em Maio, faça chuva ou faça chuva, as árvores finalmente explodem em folhas novas, a grama cresce a olhos vistos.

Em nosso jardim estamos assim em Maio:



The Ugly

Continuo fazendo minhas camadas de compostagem. Uma parte de verdes (grama cortada, cascas e restos de frutas, legumes, verduras, saquinhos de chá, pó de café, casca de ovos)



Para uma parte de marrons (papel picado, caixas de ovos, papelão flexível picado, galhos triturados).





The Pretty


Minhas tulipas Apricot Beauty, plantadas no gelado Outono do ano passado.



Macieira Scrumptious. Este ano não deu muitas flores porque podei os galhos severamente no inverno.



Macieira Crab Apple Laura. Nem me lembro se já falei dela aqui. Ela foi comprada junto com a outra macieira para ajudar na polinização. Todo ano ela dá flores e frutas em abundância, que sempre acabam desperdiçadas (crab apples são bastante azedas e ácidas, cheias de pectina para fazer geléias). Passou anos em vaso, mas decidi plantá-la ao lado de sua parceira.



Japanese Acer Osakazuki sobreviveu ao inverno. Exale.





The Good


Brotos crescendo lentamente.



Vagens.



Batatas.



Raised bed enchendo novamente: alho, couve, ervilha, rabanetes. Swiss Chard e beterrabas que passaram o inverno inteiro ali, pequenos tocos quase sem nenhuma folha, agora cresceram e se encheram de folhagem nova e brilhante. Vale a pena tê-las só pelas cores



Colheita: salada todo dia.



Colheita: couve.





The Bad

Não há nada para ver na foto seguinte porque Miss S encontrou uma tesoura e cortou a planta de abobrinha que estava crescendo felizinha e ingênua ali.



A mesma mãozinha arrancou da Raised Bed vários rabanetes que ainda estavam crescendo e uma beterraba. Como se não bastassem lesmas, temos também Sophiead Horribilis atacando o jardim.




Escrito a mão pela Marcia às 8:39 AM | mais em Tales of the Garden | Comente este fragmento(8)

abril 27, 2014

A Dozen Years



Happy 12th Anniversary, my dear dear dearest Martin.

Words cannot describe how happy this picture makes me.






Escrito a mão pela Marcia às 6:03 PM | mais em M&M Family | Comente este fragmento(5)