abril 17, 2014

Slow to Bloom

Apesar de um ou dois dias de sol e temperaturas amenas, a maioria dos dias aqui em Wuthering Heights continua na máxima de 10ºC e mínima de 0ºC. E vento, claro. Porque se não ventasse tanto, tanto, TANTO aqui, Heathcliff seria um cavalheiro amável e caridoso e Catherine jamais assombraria sua casa, soprando em sua janela. But alas.

Nossa cerejeira começou a dar flores. Nossa Amelanchier começou a perdê-las.









No conservatory, sementes ainda estão a passos lentos. Algumas desistiram de germinar. Os tomates precisam ser replantados, mas ainda está muito frio para mudá-los pro jardim. O pé de feijão está crescendo bem, rumo ao gigante. Batatas foram plantadas em sacos, lá fora. É tradicional plantar batatas durante a Páscoa. Este ano estou plantando muitas sementes de flores, algo que nunca fiz nos anos anteriores. A falta de cores no jardim por tantos meses frios e cinzas tinha que trazer consequências de alguma forma.













Finalmente usei nosso próprio composto. Durante a reestruturação do jardim ano passado jogamos fora nossa caixa de compostagem que estava quebrada e inútil. E guardamos o composto em dois sacos plásticos de 30 litros cada. Como eu ainda não sabia nada de compostagem fiz muitos erros: proporções erradas, pedaços de plantas muito grandes, não reguei quando secou, não remexi quando precisou, não fiz nada, deixei tudo por conta da Garden Goddess Who Will Bestow Upon Us.

E toda essa negligência obviamente teve seu custo e nesse caso o preço foi a demora. Demorou muitos anos até que todo material fosse decomposto. Mas esta semana finalmente usei o composto em um dos canteiros que estou reformando. O composto estava bem fofo, cheirando a terra fresca molhada. Esse tipo de composto feito em casa é dedicado a enriquecer o solo de nutrientes, atrair minhocas e humus e, portanto, bastante precioso.

Agora quero recomeçar a fazer composto, com mais atenção e esforço. Já comecei a juntar cascas e restos da cozinha (exceto alimentos cozidos ou carnes), tudo picadinho para decompor mais rápido. Ainda não tenho uma nova caixa de compostagem, mas um recipiente qualquer no jardim vai quebrando o galho, literalmente.









E por fim, mas não menos relevante: Pepe the Blackbird está de volta e já é pai novamente. Dear Pepe, eu sei que não sou sua mãe. Mas você não vem nos visitar desde o verão passado. Quase um ano sem notícias, sem saber se você estava vivo ou morto. Um telefonema, um email, custava?






Flores na cerejeira, sementes brotando, composto pronto, Pepe voltando. Esperas recompensadas. I'm a slow learner, a slow bloomer too.


Escrito a mão pela Marcia às 9:40 AM | mais em Tales of the Garden | Comente este fragmento(0)

abril 5, 2014

Bad oranges and recycled candles

No final de semana anterior a esse que passou foi o aniversário de Mr.M e também Dia das Mães. Meu pai e a minha sogra passaram por cirurgias naquela mesma semana e, apesar de tudo ter corrido bem com dois, não fizemos nenhuma celebração por aqui. Já estávamos satisfeitos que ambas as cirurgias foram bem-sucedidas.

Eu ganhei um cartãozinho desenhado pelas próprias mãos de Miss S. Pedi para ela explicar o desenho e ela esclareceu:

"This is Daddy. He's sad because he ate a bad orange and a bad banana."
("Este é o Daddy. Ele está triste porque comeu uma laranja podre e uma banana passada.")





Oh dear! Então compramos um bolo de chocolate, laranjas e bananas frescas. Não tínhamos velas, mas Miss S resolveu o problema e colocou as velas dos seus poucos aniversários anteriores no bolo.





Apesar de Mr.M ter feito 10 anos mais do que as velas do bolo mostravam, ninguém notou a diferença. Happy Birthday, dear Martin.





No jardim, duas novas convidadas chegaram. Amelanchier Grandiflora Robin Hill, que chegou já medindo 2 metros. Ela dá flores rosadas na primavera, frutos comestíveis (parecidos com blueberries) no verão e folhas vermelhas no outono. Too good to be true. Como ela veio do sul, já está toda bela e florida, enquanto que as árvores de toda região continuam peladas.





A outra é mais uma árvore frutífera, Greengage Oullins Gage, uma fruta tradicional do outono aqui, que só recentemente comecei a apreciar. Bem parecida com a ameixa, mas as frutas são verdes, levemente amareladas quando maduras, bem docinhas. Nossa árvore é "minarette", bem pequena para ser cultivada em vaso. Não sei quanto tempo vai levar para dar frutos, já que essa espécie Oullins Gage é meio lenta.





Mas quando derem vão ser assim:





Espero que ambas decidam ficar por aqui.

Escrito a mão pela Marcia às 3:40 PM | mais em M&M Family | mais em Tales of the Garden | Comente este fragmento(4)

abril 3, 2014

The game, Mrs Hudson, is ON

Sir Arthur Conan Doyle foi um dos primeiros escritores que marcaram minha vida, quando eu ainda nem adolescente era. O primeiro livro de sua autoria que li era pequeno, de poucas páginas, chamado "Um estudo em vermelho". A história era complexa, a segunda parte era tão complicada, que tive que reler várias vezes para entender que ainda era a mesma história. Porém, desde o primeiro capítulo quando Dr. John Watson descreve quem então seria seu melhor amigo e parceiro, Sherlock Holmes entra em sua vida com seu violino, seu chapéu estranho, seu cachimbo, sua teoria da dedução, para nunca mais sair. E você se vê em meio ao fog de Londres da era Victoriana, com cabriolets e cascos de cavalos fazendo barulho nas ruas de paralelepípedos. E em meio aos assassinatos em série sem aparente solução do mistério.

Li e reli todas as outras obras de Conan Doyle, durante diferentes eras da minha vida, sempre com a mesma perplexidade de acompanhar os casos sendo meticulosamente desvendados e solucionados. Conan Doyle, aliás, foi convidado várias vezes para fazer consultoria em casos verídicos da Scotland Yard e pessoalmente resolveu dois mistérios de dois prisioneiros inocentes.

Com todo meu respeito por Conan Doyle, sempre tive muitas suspeitas ao assistir adaptações de seus livros em filmes.

E quando a BBC começou a apresentar a série Sherlock, baseada na obra original ambientada nos dias de hoje com Internet, GPS, exame de DNA e nicotine patches, eu fiquei distante. Não era possível que qualquer produção tão audaciosa poderia dar certo. Mas um detalhe me fez mudar de idéia: Mark Gatiss (que escreveu The League of Gentleman, Psychoville, CBBC Horrible Histories e Dr. Who) é um dos co-produtores e co-escritores, com Stephen Moffat (Dr.Who, Jekyll). Gatiss faz também o papel de Mycroft Holmes.

A série é genial. No sentido literal. A escrita é bastante inteligente, detalhada, numa velocidade beirando a Asperger's (Sherlock Holmes foi inspirado em um cirurgião que, acredita-se atualmente, tinha Síndrome de Asperger; mas na época, 1887, um diagnóstico ainda estava séculos de distância). Todas as adaptações pro século XXI estão bastante convincentes. E a pitada de humor britânico vindo do cérebro da elite da The League of Gentlemen é sutil, irônica, sarcástica e deliciosa.

Outros dois detalhes que me fizeram assistir, well. Martin Freeman + Benedict Cumberbatch:








O papel de Benedict Cumberbatch obviamente é mais exigente, alguns monólogos são extremamente longos e rápidos em um só take. Mas Ben é fantástico em papéis de personagens excêntricos, um pouco estranhos, um pouco diferentes e incrivelmente brilhantes.

Martin Freeman tem sido a maior revelação de toda a série e recebeu o BAFTA de melhor ator coadjuvante em 2012. Seu papel é ser a parte humana, ordinária, ignorante da história. O papel dele é nos refletir. Nesta nova série John Watson é sobretudo um traumatizado ex-soldado, ex-médico de guerra, vulnerável e solitário. E que encontra em Sherlock a adrenalina e o companheirismo que oxigena o vazio de sua vida civil. Freeman contracena com o melhor de seu talento: suas expressões faciais dizem mais do que qualquer diálogo. E Mark Gatiss sabe disso. Numa das mais tristes cenas que assisti na tv britânica nos últimos tempos, Martin Freeman expressa sua dor sem lágrimas, sem dramas. Só ele olhando fixo para a lápide, engolindo a seco a tragédia. A mão repousando no mármore frio. Os olhos baixando o olhar, fechando e nos carregando com ele em seu infinito desamparo.





Acredito que se Sir Arthur Conan Doyle imaginasse que um dia existisse algo chamado TV e que um dia doze milhões de pessoas em sua ilha estariam assistindo à adaptação de um de seus livros, talvez ele assistisse também, talvez não sem ressalvas. Talvez ele ficaria satisfeito de ver que finalmente Dr. Watson ganhou o papel merecido, não de coadjuvante, mas de co-líder da trama. Talvez ele teria se divertido e se arrepiado na mesma medida com Moriarty. Talvez ele teria se comovido ao perceber que seu personagem Sherlock Holmes, inicialmente um sociopata, fora acolhido com tanta admiração por tantos leitores ao redor do mundo, atravessando séculos, por tantas gerações. Talvez, por um momento, ele teria se orgulhado.

Escrito a mão pela Marcia às 12:15 PM | mais em An ordinary life | Comente este fragmento(4)

março 24, 2014

The elusive spring

Março é um mês difícil. Equinócio da primavera nos faz acreditar que o clima mudou. Um mísero dia de sol sem vento enganou a joaninha e eu. Achávamos que o inverno estava pra trás. Joaninha se posicionou na planta do lado sul do jardim para se banhar no calor dos raios de sol. E eu fui correndo comprar florezinhas primrose Apple Blossom Pink, pra colocar um pouco de cor no jardim ainda pelado de folhas.










Daí brum! Vento, chuva, vento. Todos os dias. A chuva parou, o vento não. Ontem tivemos temperatura de -3ºC e chuva de granizo a tarde inteira. Estranha, esquisita essa chuva de granizo que não pára. Geralmente quando chove granizo logo muda pra chuva normal, mas ontem não. Foi gelo, gelo, gelo. Minhas flores crocus mal nasceram e já foram apedrejadas. Clima vândalo.

















Em nosso conservatory, já comecei minha produção pra horta deste ano. Março é o mês de plantar sementes por aqui. Nesta época em que tudo ainda está adormecido no solo é uma gratificação ver as sementes brotarem, crescerem e se transformarem em refeição, como no caso das sementes de salada aqui embaixo:













E um dos meus pequenos prazeres desta fase do plantio é replantar os brotos assim que as folhas verdadeiras começam a nascer. Trabalho calmo e repetitivo que eu poderia fazer o dia inteiro.









Não sei o quão interessada pelas plantas Miss S vai estar este ano. "Plantamos" feijão no algodão molhado, do mesmo jeitinho que plantei uma vez com minha sobrinha Juliana, num potinho de Danoninho, lá na casa da Batian e do Ditian. Todos os dias a gente rega o feijão, percebe que ele está inchando, ficando diferente. Todas as vezes lembro da Juliana.

Plantamos ervilhas Sugar Snap (que a gente come com a casca) e girassóis, que são fáceis de germinar e o tempo de espera não é tão longo. Precisamos de um pouco mais de luz, um pouco mais de calor e um pouco menos de gelo para que tudo comece a ficar mais interessante pra Miss S. E pra pobre da joaninha e pra mim.

















Escrito a mão pela Marcia às 8:23 AM | mais em Tales of the Garden | Comente este fragmento(6)

março 10, 2014

Between the pages is a lovely place to be

Há tanto tempo eu não me perdia entre páginas de uma ficção bem escrita.

Na verdade há tempos que eu não lia algo não-ficção. Mas também há tempos que eu andava meio desencantada com a literatura moderna. Não que eu tivesse lido uma montanha de best-sellers pra julgar. Não li. Apenas, provavelmente, tenha escolhido uma série de livros errados. Muita escrita ruim, muitos enredos duvidosos, muitos desfechos decepcionantes.





Mas então minha amiga Rita escreveu um livro de contos com a amiga dela, Luciana. E a Rita gentilmente enviou uma cópia pra mim (obrigada mais uma vez, Rita!). O envelope veio cheio de selos coloridos e a dedicatória de letrinha caprichada, cheia de carinho. Eu li Contos do Poente. Pelo título achava que seriam vários contos sobre pequenos detalhes da vida: pedras no fundo de riachos, cestas com ovos frescos, flores crescendo na grama longa, chuva repentina levantando cheiro de terra molhada. Daí eu li o primeiro conto. Bam. Segundo. Bam. E todos os outros contos. Bang, hell's bells! Entre a prosa bem escrita, descritiva e sonora (acompanhadas das complexas belas ilustrações da Joana) há cicatrizes profundas, corações desidratados, labirintos desconexos, uma multitude de sentimentos camuflados, experiências comoventes e retalhos de memórias costurados com pontos tortuosos de agulha já sem ponta. Confirmando a grande verdade que cada indivíduo nesta vida trava batalhas das quais não temos a menor idéia. Tocante por ser exatamente assim, inesperado e imprevisível, apesar da doçura infinita das escritoras.





E outro livro que eu estava curiosíssima para ler depois de toda repercusão (mais de 4.000 reviews na Amazon americana e 600 na Amazon britânica), com o aval de Stephen King na contra-capa, era The Goldfinch, de Donna Tartt. Eu comecei a ler um pouquinho agora, um pouquinho mais tarde, um pouquinho daqui a pouco. E depois de um tempo em já estava carregando o pesado livro por toda parte, na expectativa de encontrar tempo para mais uma página, mais um capítulo dessa Desaventuras em Série versão adulta. Quando dei por mim foram-se mais de 400 páginas lidas num período curtíssimo. Ainda não terminei (são 784 páginas) porque estou economizando páginas, um pouco por noite antes de dormir, sabe aquela pão-durice? Eu não quero terminar e ter que dizer adeus ao Theo Decker.

Só agora percebo o quanto senti falta de sentar com uma xícara de algo quente (builder's tea ou café com leite) e me perder voluntariamente na história de tal forma que quando ergo os olhos do livro já não sei mais onde estou ou quem sou. E de lamentar o fato de que os personagens não existem na vida real. E de perceber que meu chá esfriou, intocado.

Escrito a mão pela Marcia às 11:38 AM | mais em An ordinary life | Comente este fragmento(6)

fevereiro 18, 2014

Winter that never came

Eu nem me sinto no direito de reclamar deste inverno quando tanta casas no sul do país ainda estão alagadas com as enchentes desde Dezembro. Dezembro, caro leitor, imagine. Este está sendo um inverno de neve zero, temperaturas altas, ventos de 144km/h e muita chuva, enchentes nunca antes vistas, ondas gigantescas na costa.

Até poucas semanas atrás ainda torcíamos por um pouco de neve. Agora cansamos, queremos mesmo é que o inverno que nunca veio assuma a sua ausência, dê uma desculpa qualquer e finja que ninguém notou.

Afinal eu tenho planos. Eu tenho pacotinhos de sementes. Tenho visões da minha horta cheia de legumes e verduras. Frutas nas árvores. Café da manhã, almoço e jantar ao ar livre. Flores silvestres inesperadas. Folhas verdes. Joaninhas, passarinhos, abelhas.

Já comecei o que pude começar. Um pouco de sementes de batatas, um pouco de semente de flores Cosmos. Uma camada de composto fresco na horta. Os alhos que plantamos no Ano Novo já estão brotando, assim como as tulipas e os bulbos de crocus. A couve Cavolo Nero continuou crescendo durante todo o inverno. Nosso solo está saturado de água de chuva, o que prejudica até as pobres minhocas. Poças de chuva já perderam a graça da novidade. Botas cheias de lama já perderam seu charme. Mas eu não me sinto no direito de reclamar. Meus pés estão secos, meu chão está seco, não produzimos nada no solo que não seja apenas por hobby. Então reclamo apenas o suficiente para manter um certo britishness que me cabe. E aguardo dias menos aguados.






























Escrito a mão pela Marcia às 4:11 PM | mais em Tales of the Garden | Comente este fragmento(2)

fevereiro 3, 2014

The things I've heard

Miss S: Mummy are you a boy or a girl? (Mummy, você é menina ou menino?)
Me: What do you think Mummy is? (O que você acha que a Mummy é?)
Miss S: You are a girl. (Você é menina)
Me: What about Daddy, is he a boy or a girl? (E o Daddy, ele é menino ou menina?)
Miss S: Daddy is a boy. (Daddy é menino)
Me: How do you know he's a boy? (Como você sabe que ele é menino?)
Miss S: Daddy is a boy because he looks like Bob the Builder. (Daddy é menino porque ele parece com Bob the Builder)





Miss S pulando no sofá, apesar dos meus pedidos para parar porque ela vai cair do braço do sofá.
Miss S: Mum, Mummy, Mummy, Mum!!! Want to watch me jump??? (Mum, Mummy, Mummy, Mum!!! Quer me ver pular?
Me: No!!! (Não!!!)
Miss S: I’ll take that as a yes (Vou considerar isso como um sim.)

Eu na cozinha fazendo o jantar, cuidando de duas panelas, Miss S sozinha na sala de estar.
Miss S: Mummy, come here! Mummy!!! Mummy come quick, Mummyyyy!!!! (Mummy, vem aqui! Mummy!!! Mummy vem aqui rápido, Mummyyyy!!!!
Me (desligando o fogão, correndo pra sala): What? What’s happening? (o que foi? o que aconteceu?)
Miss S: I’ve lost my bogie... (eu perdi a meleca do meu nariz...)

Miss S termina de usar o penico, limpa e puxa a calça pra cima. E conclui:
Miss S: Another excellent job! (Mais um excelente trabalho!)


Escrito a mão pela Marcia às 1:58 PM | mais em M&M Family | Comente este fragmento(9)

janeiro 23, 2014

Butter in a jar

Por alguma razão irracional eu sempre considerei a manteiga algo de produção complicada que envolvia uma fazenda, uma casa grande, vários serviçais, um pilão e talvez uma vaca.

Eu não poderia estar mais errada, com a exceção da vaca. Fazer manteiga em casa, quando se tem creme de leite, é tão fácil, tão simples, tão gratificante. E se você tiver uma criança que precisa gastar energia, fazer manteiga pode ser a brincadeira que você precisava. Por alguns minutos.

Você precisa de:





Creme de leite fresco (daqueles de fazer chantilly - double/whipping cream)
Um frasco vazio esterilizado
Água gelada, uma tigela, uma espátula

Modo de preparo:

Coloque o creme de leite no frasco vazio, deixe um bom espaço para que o creme dance dentro dele. Feche bem e chacoalhe, my friend, chacoalhe.

Shake it up baby, now:




Twist and shout:




E quando você perceber que está sendo usada, passe a jarra para outra pessoa chacoalhar.




E então, caro leitor, depois de muitos chacoalhões e braços mais fortes, a alquimia se faz e o creme de leite se transforma em manteiga e buttermilk.









Escorra o buttermilk em outro recipiente e use para fazer panquecas ou bolos.

A manteiga agora precisa de um banho. Numa tigela coloque a manteiga e água gelada. Esprema a manteiga com uma espátula, nas laterais da tigela. Jogue a água fora, coloque mais água gelada e esprema de novo. Repita até que a água se mantenha limpa e transparente. Essa etapa é importante porque se a manteiga ainda tiver buttermilk, ela azeda e estraga mais rapidamente.





Depois do banho, acrescente o sal (uma pitada basta). Leve para gelar por uma hora.





E pronto, manteiga.









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Muito obrigada aos meus (mais de 5!) caros leitores que deixaram recadinhos no post anterior. Não foi a minha intenção me fazer de coitadinha solitária feito Gasparzinho, queria mesmo era expressar como estava aliviada e satisfeita por pagar alguém para fazer o upgrade por mim. De qualquer forma, é muito bom saber que os olhos de vocês percorrem meus parágrafos, ler sobre suas próprias experiências. Vocês são bem-vindos. Obrigada.

Escrito a mão pela Marcia às 5:43 PM | mais em Greedy Cow | Comente este fragmento(19)

janeiro 22, 2014

A little upgrade

Era uma vez um tempo em que eu fazia meus próprios upgrades do sistema que eu uso pra blogar. Eu mesma baixava o que precisava, transferia pro servidor, fazia ajustes no template. Lia fórums para corrigir meus erros, lia as documentações disponíveis e assim me virava. Até que um dia eu tive uma filha. The end.

Eu sabia que meu sistema estava atrasado várias versões, mas como ainda funcionava e como eu não escrevia com frequencia, ele me bastava. Até que o sistema ficou tão obsoleto que teve seu fim em Dezembro de 2013. A empresa, Movable Type, até que deu um longo prazo para que todos pudessem fazer o upgrade. O prazo foi de um ano. E eu obviamente nem sabia disso porque estava ocupada lendo que um Gruffalo tem joelhos ossudos e dedos virados e uma verruga venenosa na ponta do nariz.

Enfim, eis que desde o último post eu não podia mais acessar o sistema para blogar. Minhas opções eram: fazer o upgrade ou migrar para outro sistema. Nenhum dos dois eu teria tempo ou energia para vasculhar códigos e fazer sozinha. Contratei então a ajuda de uma pessoa que sempre ajudou muitos usuários no Movable Type Forum. E ahhh! O upgrade feito em poucas horas, meus templates corrigidos, anti-spam instalado, o chão limpo e as janelas lavadas.

Obviamente que uma terceira opção seria retirar o blog do ar, guardar meus backups, encerrar a conta no meu servidor. Mas a idéia de perder este espaço me deu um aperto no coração; já abri mão de tanta coisa, tanta coisa nesta vida.

Então pelo menos por mais um tempo manterei este meu canto cor de café com leite, minhas escritas irregulares, minhas cartas para Miss S, minhas fotos ruins com contraste demais. E meu contato com os (vejamos... cinco?) caros leitores que ainda passam por aqui e dividem a vista da minha janela.

Por hora, tudo o que eu precisava era de um simples upgrade.

Escrito a mão pela Marcia às 4:00 PM | mais em An ordinary life | Comente este fragmento(49)

dezembro 30, 2013

Magical Beautiful 3

Minha doce menininha de 3 anos,

O seu dia especial finalmente chegou. O tão esperado dia dois e cinco.
Você acordou e perguntou pro seu Daddy que dia era. Quando ele disse você deu um pulo e exclamou surpresa: "It's my birthday!!!" E ganhou beijos e abraços e amor.

Havia balões cor-de-rosa pendurados na porta do quarto. Havia uma trilha de mini-bombons em cada degrau da escada. Quando finalmente chegamos na sala de estar, Grandma e Grandpa já estavam lá nos esperando. Você viu os presentes na árvore de Natal mas o olhar grandão e brilhante foi direto ao pratinho que havíamos deixado para Father Christmas e as renas, na noite anterior. E ficou espantada com as migalhas e as raspas de cenoura, contando para todos nós: "Look, he ate the mince pie and drank the juice! Look at the carrot, it's gone! Look, the reindeer ate it! But they didn't take the ribbon..." (Olha, ele comeu o mince pie e bebeu o suco! Olha a cenoura! A rena comeu tudo! Mas eles não levaram o laço...)

Father Christmas trouxe exatamente o presente que você esperava e ainda lhe deu algo bem especial para você continuar acreditando na magia do Natal: um dos sinos das renas, igualzinho ao do filme Polar Express. Seu sorriso nem cabia em seu rosto feliz!

Comemos panettone e café e você distribuiu pequenos presentes. Quando os outros convidados chegaram preparamos sua festa. Abrimos e estendemos nossa mesa, decoramos com toalha nova, vasos com rosas e vários itens de picnic, que é a sua refeição mais preferida de todos os tempos. Até o sol apareceu e encheu a mesa de uma luz alaranjada maravilhosa enquanto lanchamos. Se eu pudesse ter um pedido de Natal atrasado, seria recuperar todas as minhas fotos desse dia que perdemos quando o cartão da câmera se corrompeu.

Estouramos champagne Moet (porque como li por aí, brunch sem bebida alcoólica é apenas um triste e atrasado café da manhã) e brindamos à sua saúde. Depois cantamos parabéns com seu bolo colorido que fizemos juntas no dia anterior. Você bateu palmas e cantou dançando, soprou as velas, vibrou hooray!

Você ficou comigo em casa enquanto os outros saíram para caminhar no vento inclemente da nossa região. E quando todos estavam de volta começamos a preparar o jantar de Natal.

O peru, que nunca foi nosso preferido, ficou excelente, feito inteirinho pelo seu Daddy. A grande diferença este ano foi ter separado as coxas e sobrecoxas do peitão. Assim as pernas foram cozidas em confit de canard e o peito assado separado para não ressecar. Fizemos gravy (molho do peru), pigs in blanklets (mini-linguiças enroladas em bacon), stuffing (recheio do peru feito de carne linguiça misturada com pão, ervas, damasco, cranberries e castanhas - geralmente colocado dentro do peru, mas nós preferimos fazer separado pra ficar crocante), couves de bruxelas, couve vermelha, batatas, Yorkshire pudding, molho de cranberries. Minha melhor lembrança do jantar não foi da refeição em si, mas de nós três, Daddy, Grandma e eu, cozinhando juntos e você dando gargalhadas brincando com Auntie J e Grandpa na sala.

E como era de se esperar, depois do jantar você já estava exausta, hiper estimulada e chorosa. Mas todo mundo entendeu, afinal era o seu grande dia, o seu tão esperado dia e você não queria que terminasse. Você dormiu quando era quase meia-noite, aproveitou bastante cada segundo, seja se encantando com a tradição, seja abrindo presentes, brincando conosco, dançando, celebrando mais um aniversário.

Este ano foi um ano de tirar o fôlego. Um ano que você nos fez rir tantas vezes com seus comentários tão extraordinários. Um ano que Daddy passou vários dias viajando a trabalho e nós duas tivemos nossos próprios desafios. Um ano que você declarou sua independência da fase de bebê, em todos os sentidos. Um ano em que você nos ensinou de uma vez por todas que você vai alcançar os estágios de desenvolvimento quando chegar a hora. Nem cedo, nem tarde. No começo deste ano nós achávamos que você nunca seria capaz de dormir a noite inteira. Que você nunca ia deixar de mamar. Que você nunca ia parar de ter tantrums. Que você nunca ia deixar a fralda. E eis que quando cada hora chegou você fez tudo isso sozinha. Ao contrário do que muitos livros nos fazem acreditar, você não precisou de nenhuma "estratégia" ou nenhum "incentivo". Você precisou simplesmente crescer.

Nós nos orgulhamos tanto de você, Miss S, do jeitinho que você é. Doce e rebelde, inteligente e com pouco senso-comum, divertida e tímida, ativa e geek, dona do sorriso mais ensolarado e brilhante do mundo.

We love you so very much, dear Sophie. Happy 3rd magical birthday, sweetie.






































Escrito a mão pela Marcia às 1:37 PM | mais em M&M Family | Comente este fragmento(15)