maio 2, 2008

Alchemy


Merguez Sausage with Dijon, mayo and caramelized onions

Belly Pork a.k.a. Heart Attack on a Plate

Amalfi Lemon Tart


Impressionadíssima com a qualidade dos produtos, principalmente dos limões amalfitanos, que têm um aroma maravilhoso sem serem ácidos ou azedos demais.

E não, não comemos tudo no mesmo dia. E sim, o nível de colesterol no sangue continua normal, obrigadapassebem.


Escrito a mão pela Marcia às 12:28 PM | Capítulo Food Talk | Comente este fragmento (8)

abril 27, 2008

The Rescue of Charly the Donkey

Charly era um pobre burrinho de pelúcia que morava numa loja de presentes há alguns metros do nosso apartamento. Todos os dias passávamos pela vitrine da loja e suspirávamos de pena e compaixão pelo pobre Charly. Porque Charly, em seu destino cruel, estava ali na vitrine sentadinho, quietinho, porém com um dos raquíticos bracinhos esticado sobre um bloco, bracinho este que estava sendo pisado cruelmente por uma boneca grande, balofa e mal-vestida. Todos os dias lamentávamos por Charly. O bracinho ali preso embaixo do pézão da boneca vilã que nunca se movia, nem se comovia com a dor alheia. Há umas semanas atrás, o vitrinista sádico resolveu colocar sapatos na tal boneca, aumentando ainda mais a miséria do pobre indefeso burrinho, que agora tinha um pezão ensapatado em cima de seu frágil bracinho. E Charly ali na vitrine ficava, por semanas a fio, sem esperanças no olhar, sem acalento no coração e sem circulação sanguínea no braço pisoteado.

No entanto, na celebração do nosso sexto aniversário de casamento, Mr.M aparece no apartamento todo serelepe, sem parar de rir pra si mesmo, dizendo que tinha um presente para nós. Pediu que eu fechasse os olhos enquanto ele foi buscar o tal presente no carro. Voltou correndo e rindo. Abri os olhos e vi uma sacola com o nome da loja acima citada e de imediato comecei a rir também, sabendo o que esperar.

O que eu não esperava, porém, é que Mr.M havia enfaixado o bracinho do pobre Charly antes de mandar embrulhá-lo para presente, com tipóia (alça de fratura) e tudo para apoiar o bracinho fraturado. Awww. Eu chorei e ri, chorei e ri muitas vezes. Não apenas de alívio de ter Charly resgatado, mas de uma imensa felicidade de perceber como Mr.M me conhece tão bem, como é capaz de me comover com gestos tão simples, como seu bom-humor é sempre inesgotável e ilimitado, como nós dois somos capazes de rir e de nos divertir com essas pequenas e pitorescas histórias que acontecem ao nosso redor. It's a dull life indeed.

Welcome home, dear Charly.



Happy 6th Anniversary, Martin.

"I got flowers in the spring
I got you to wear my ring
And when I'm sad, you're a clown
And if I get scared, you're always around

I got you to hold my hand
I got you to understand
I got you to walk with me
I got you to talk with me
I got you to kiss goodnight
I got you to hold me tight
I got you, I won't let go
I got you to love me so"


Escrito a mão pela Marcia às 3:28 PM | Capítulo M&M Family | Comente este fragmento (22)

abril 25, 2008

Four


NA009164.jpg

But how many times can i walk away
and wish "if only... "
how many times can i talk this way
and wish "if only... "
keep on making the same mistake
keep on aching the same heartbreak

i wish "if only... "
but "if only... "
is a wish too late...

-- Cut Here, The Cure

Escrito a mão pela Marcia às 11:24 PM

abril 23, 2008

Heaven by Post



Amalfi Lemons. Limões da Costa Amalfitana, Itália.
Porque algumas coisas ainda são melhores importadas.




Merguez Sausages. Linguiças de Cordeiro.




Soon to be crispy, crackling, delicious.




Jack O'Shea. Eu e Heston Blumenthal usamos o mesmo açougueiro. :)



Tudo da magnífica Natoora. Tudo orgânico, artesanal, cultivado ou criado com extremo respeito aos animais, ao meio-ambiente e ao paladar daqueles que notam a diferença.

Escrito a mão pela Marcia às 11:23 AM | Capítulo Food Talk | Comente este fragmento (4)

abril 18, 2008

Rice and Beans

Depois de ter confessado aqui uma parte da rotina deste nosso lar e ter ficado com a nítida sensação, após ler os comentários, de sermos o único casal alienígena, verdes, de olhos esbugalhados e com pares de antenas na cabeça da face da terra a jantar às seis e meia, descobri que a bacaníssima Fer do Chucrute também serve o jantar no mesmíssimo horário! Me sinto humana novamente, ainda que anciã, mas hey, não falta muito e estarei jantando às cinco de canudinho e manta de lã no colo, assistindo à Antiques Road Show.

Mas enquanto esse dia não chega, os jantares por aqui continuam como sempre. E desde que nos mudamos aqui para Sheffield tenho feito menus semanais. Control freak, eu sei, mas explico. Nosso supermercado mais próximo é o Waitrose. Não temos a menor paciência de atravessar a cidade, gastar combustível, enfrentar trânsito infernal, estacionamento desorganizado e caixas mal-humoradas só para comprar no outro supermercado barato e anti-ético (cof Tesco cof) da cidade. Então é no Waitrose que vamos. Fazemos nossas compras lá uma vez por semana. E se eu não fizer uma lista rigorosa de tudo o que vamos consumir na semana, sem mais nem menos, nosso carrinho transborda de supérfulos e a conta vai pra estratosfera. O Waitrose é recheado de tentações e eu sou uma pessoa fraca, que se encanta com tudo o que encontra pela frente, de confit de canard à aliche enlatado.

Durante a semana, vou tendo idéias via foodblogs, revistas Delicious, livros, programas de culinária. E vou rabiscando o menu. Depois faço a lista dos ingredientes que preciso desse menu, acrescento as coisas que faltam pela casa e pronto. O mais importante detalhe é ir sempre com Mr.M porque é ele que controla a fluidez do carrinho pelas gôndolas, me puxando e lembrando que não, palmito não está na lista. Rats.

Muitas vezes Mr.M também dá palpites no menu, geralmente porque nos finais de semana a cozinha é dele. E quase toda semana eu pergunto se há algo que ele gostaria de comer em particular na semana que vem, uma tarefa extremamente complicada já que ele sequer sabe o que quer comer daqui meia hora, o que dirá daqui uma semana. No entanto, sempre, sempre recebo como resposta: "Can we have rice and beans on Monday? I like rice and beans on Mondays."

E então arroz com feijão se faz, quase todas as segundas-feiras, nesta casa. Às seis e meia.

Escrito a mão pela Marcia às 11:18 AM | Capítulo An ordinary life | Comente este fragmento (11)

abril 10, 2008

Missing - Have You Seen Them?


Perdida. Desaparecida sem pistas. Minha faca de mesa do meu querido conjunto Tramontina Italy. Conjunto este adquirido item por item no Brasil, um a um a cada mês, comprados aos poucos enquanto durava a construção do meu apartamento-de-morar-sozinha. Quando completei o jogo necessário, já tinha as chaves do apartamento e já tinha planos de nunca morar lá. E comigo o jogo de talheres veio.

Em jantares diversos em que os talheres fizeram parte, não era incomum deles receberem elogios. A gente sempre teve o prazer de responder "Ah, são do Brasil, lindos, né?" As facas são pesadas e bem afiadas como devem ser; os garfos são elegantes, com belas curvas; as colheres são charmosinhas. As peças são simples, bem desenhadas, delicadas. Mas pelo jeito elas carregam em meio ao seu aço ioxidável a triste praga da vida curta.

Há uns quatro anos, dei parte do sumiço das colheres de chá do mesmo conjunto, colheres essas que nunca foram encontradas. Aliás, junto com a faca está faltando também mais uma colher de chá que substituía uma das colheres perdidas. A busca já foi feita em cada centímetro cúbido do domicílio e o caso já está em vias de ser arquivado. Não se sabe se ambos desaparecimentos estão relacionados um ao outro. O que sei é que meu conjunto está ficando cada vez mais e mais e mais escasso, assimétrico, desigual. Um quadro deveras desesperador. Tsc.


Escrito a mão pela Marcia às 5:03 PM | Comente este fragmento (6)

abril 7, 2008

Springtime Snow



Quando me falaram que eu veria muito mais neve aqui em Yorkshire do que no sul, eu achei que era um grandíssimo exagero.

No sábado saímos de Sheffield em direção à Leeds, de manhã. Fazia 6.5ºC, céu ensoralado. Em quinze minutos, o céu escureceu, a temperatura caiu para -1ºC. Quinze minutos, prestou atenção? Começou a chover granizo, depois passou para sleet (neve com chuva) e depois começou a never forte. Achei que a nova era glacial havia começado.

Sem contar que tivemos um White Easter este ano, nevou o feriado inteiro da Páscoa. As montanhas daqui da região ficaram parecendo estações de ski, impressionante.


Escrito a mão pela Marcia às 1:08 PM | Capítulo Little Britain | Comente este fragmento (7)

abril 4, 2008

The Half Past Six Appointment

Nós jantamos cedo aqui no recinto dos M&M. Eu poderia dizer que é uma influência asiática da minha parte de jantar antes do sol se pôr, mas minha querida família jantava até que bem tarde, só depois que todos estivessem de volta dos respectivos trabalhos.

Mas aqui, entre os M&M, o jantar é servido cedo, sempre foi assim. Seis e meia é o horário padrão. Às vezes nos finais de semana, quando a gula é maior, jantamos mais cedo ainda. Nós dois nos sentimos melhor assim, dormimos melhor, nunca temos nenhum problema digestivo.

Quando morávamos em Taiwan, onde aliás a maioria da população janta bem antes das seis, eu assistia à TV japonesa NHK e acompanhava todos os torneios de Sumô. É uma luta fascinante, se você prestar atenção no que acontece ao invés de ficar fazendo piadinha da parca indumentária dos lutadores. E num dos torneios, um dos treinadores explicava que os lutadores de sumô seguem rígidos regimes de regras e condutas. Uma delas é ir dormir imediatamente após o jantar. Essa prática, segundo o treinador, faz com que a massa corporal aumente consideravelmente em pouco tempo. Dead right, todo mundo sabe o tamanho que esses lutadores podem alcançar.

Mas divago. Não é essa a razão pela qual jantamos cedo. Fazemos simplesmente porque é o horário que nos dá fome, horário que a comida fica pronta.

No entanto, a BBC tem criado um certo tumulto na minha organização doméstica ordinária, me forçando a rearranjar todo meu esquema à prova de catástofe. Porque todos os dias, às seis e meia em ponto, a BBC2 está apresentando a magnífica competição Greatest British Menu e eu tenho que ficar grudada à TV em cada um dos seus minutos. Os maiores e mais vitaminados chefes da Grã Bretanha estão competindo por uma chance de preparar um jantar único no topo do edifício "Gerkin" em Londres, num evento que vai ter como anfitrião o deus-na-terra, gênio-de-todos-os-tempos, Heston Blumenthal.

E nesta competição, só chefs de verdade, da mais alta competência. Nada de chefs-celebridades ou pseudo-chefs ou quem-posa-de-chef-mas-não-sabe-nada (hello Nigella, tudo bem?). Não, nada disso. A competição é séria, os chefs são respeitadíssimos, de reputação merecidíssima. A primeira série dessa competição em 2006 teve como prêmio criar e servir o menu para o aniversário da Sua Majestade, a Beth. Este ano a família real não vai ganhar a boca livre, mas imagino que criar um menu para Heston Blumenthal deve ser um privilégio muito mais gratificante.

Estamos no momento na segunda parte da competição. Durante esta semana, acompanhamos dois deles, Sat Bains e Glynn Purnell, mostrando seus processos de criação. É fascinante, para se dizer o mínimo, assistir a eles pesquisarem, criarem, testarem, recriarem todos os elementos para extrair o máximo de sabor de cada ingrediente em questão. E vê-los em ação no obsessivo cuidado com as cores, as texturas, os aromas, o visual.

Só então é possível compreender porque fine dinning é apresentado da forma que é, porque custa o preço que custa, porque não é para qualquer leigo. Fine dinning não é para encher a pança, mas para ter o privilégio de experimentar a profusão de sabores únicos que um chef conseguiu criar em cada lâmina, em cada gota, em cada centímetro cúbico da mais pura essência de sabor. É, basicamente, consumir uma obra de arte.

O programa é bem produzido, dura apenas meia hora e vai continuar ainda por muitas semanas pela frente até o final. O horário é meio ingrato, não apenas porque causa uma disrupção no meu horário de servir o jantar, mas porque também muitos ainda estão no trabalho ou a caminho de casa. Para quem pode acessar aqui em UK, o BBC iPlayer é a salvação.

Então, todos os dias, lá pelas sete da noite, estou faminta à beira de inanição, cheia de vontade de provar uma pitada que seja dos pratos criados pelos chefs da competição, cheia de idéias inconcebíveis, cheia de boas intenções culinárias. Nosso jantar é enfim servido, um milhão de vezes mais simples do que os pratos da TV, mas apreciado com um gosto diferente, prestando atenção no que as papilas gustativas têm a dizer, comentando o sabor disso ou daquilo, percebendo o que ficou bom, o que ficou não-tão-bom.

Outro dia servi uma salada nova, que nunca tínhamos provado antes, umas folhinhas redondinhas, parecidas com agrião, mas de um verde mais clarinho. Falei pro Martin advinhar o que era. Ele comeu uma folha e respondeu: "ervilha". Spot on, eram folhas de ervilha, pea tops. Nada mal, considerando que ele não é fã de saladas. A foodie in the making.

Escrito a mão pela Marcia às 11:27 AM | Capítulo What's on Telly | Comente este fragmento (7)

março 20, 2008

A Happy Bunny

Feliz Páscoa é...

...Mr.M voltar para casa um dia antes do previsto, depois de uma longa temporada na China.

Bom equinócio da primavera para você também.



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Escrito a mão pela Marcia às 2:29 PM | Comente este fragmento (9)

março 13, 2008

Souvenirs from Cumbria

Fotos velhas e empoeiradas. Alguns vidros já estão vazios, algumas frutas revestidas em chocolate são hoje apenas vagas lembranças.






Não procuro cartão postal, nem artesanato local, nem camisetas. Meus souvenirs são outros.

Escrito a mão pela Marcia às 11:42 AM | Capítulo Food Talk | Comente este fragmento (2)