fevereiro 23, 2015

Days of February





























  • Fevereiro foi um mês frutífero para os vírus do resfriado nesta casa. Aqui eles encontraram três acomodações e resolveram se instalar e se reproduziram, criaram mutações, se reinventaram, tomaram conta de cavidades, mucosas, brônquios e onde mais puderam passar.
  • Li meu novo livro, Apples for Jam, na cama, entre um chá e outro, entre um kleenex e outro e mais outro, marcando páginas e receitas, mas principalmente me deliciando com as memórias e fotos da autora. A maioria dos meus livros de culinária foram comprados por causa das fotos ou da capa. Eu até tenho boa intenção de seguir as receitas, mas acabo me perdendo nas composições e estilos das fotos, imaginando a atmosfera da refeição, das conversas na mesa, do vinho bom, do sol entrando pela janela iluminando as cores dos legumes assados. Daí percebo que já está muito tarde para fazer qualquer receita. Ao menos dá tempo de abrir o vinho...
  • Neste mês brincamos muito na cozinha da Família Playmobil (presente da Batian e do Ditian de Miss S). Eu arrumo a mansão dos Playmobils (presente do Uncle Julio) mais do que arrumo nossa casa. A vida deles parece tão cheia de êxitos: três cachorros que não fazem cocô, um pizzaiolo particular, o pai que cozinha só de cueca, a mãe que fica do lado dando palpite, a avó que vira a garrafa em plena hora do almoço. That's life.
  • E Miss S finalmente está começando a se interessar em livros com histórias mais elaboradas. Mr.M já havia declarado que estava meio que cansado de ler tudo rimando e eu concordo. Os livros de Julia Donaldson sempre foram os preferidos de Miss S, mas realmente chega uma hora que a gente cansa das frases repetitivas e rimas constantes. Como diz Mr.M: "get on with the story!"
  • Houve uma semana de férias da escolinha (half-term holidays), mas quase nem percebemos porque ficamos de cama por três dias. Dias de ficar de pijama e roupão, dias de muita TV e Netflix, dias que me apaixonei por Fargo (o filme original e a série de TV com Martin Freeman ♥︎ ).
  • Dias em que fizemos muffins de banana com chocolate. É uma receita que já fiz várias vezes. Rende uns 15 muffins, mas geralmente faço 12 grandões porque a forma só tem 12 buracos. Depois de assados e frios, congelo boa parte para usar quando chega aquele horário crítico em que nada está bem (almoço já é um passado distante, jantar ainda está longe de chegar). Então faço chá, descongelo um muffin e tudo fica momentaneamente bem outra vez.
  • Muffins de banana e gotas de chocolate

    1/2 xícara de óleo vegetal
    1/2 xícara de açucar mascavo
    1 1/2 colher de chá de fermento
    1/2 colher de chá de bicarbonato de sódio
    2 colher de chá baunilha
    3 bananas grandes, bem maduras
    1/4 xícara de mel
    2 ovos grandes
    2 xícaras de farinha de trigo integral
    1 xícara de gotas de chocolate

    Pre-aqueça o forno em 180ºC e coloque forminhas de papel na forma de muffins.

    Numa tigela amasse bem as bananas, junte todos os ingredientes menos a farinha e as gotas de chocolate. Misture bem. Junte a farinha aos poucos, mexendo delicadamente a cada adição. Acrescente as gotas de chocolate. Despeje a massa nas forminhas e asse por 20-25 minutos.

    Escrito a mão pela Marcia às 9:57 AM | mais em An ordinary life | Comente este fragmento(6)

    janeiro 26, 2015

    Deep into Winter

















































    Hello dear reader. Quase final de Janeiro, meio que tarde para desejar Feliz Ano Novo? Talvez. Então espero que o Ano Novo esteja sendo gentil com você até agora e que assim seja, na medida do possível, por todo ano.

    Janeiro por aqui tem sido de retorno à rotina. As celebrações do final de ano foram deliciosas, mas assim que voltamos pra casa Miss S perguntou se podíamos guardar todos os enfeites de Natal. Desmontamos a árvore, tiramos e guardamos todas as decorações. E Miss S enfim declarou: "I like normal".

    Como aqui as férias de inverno só duram duas semanas, logo no começo de Janeiro entramos em nossa rotina de escola, trabalho, e (o mais recente) Clube de Esportes. No entanto, o único que não está colaborando nessa volta à rotina tem sido o clima impiedoso em nossa região montanhosa. Fortes ventos, fortes chuvas, temperaturas negativas e muita neve. E como aqui não é nenhuma capital, nenhuma rua é tratada, nenhuma calçada é limpa. Na tentativa de levar Miss S pra escola, vimos tantos carros patinando desesperados nas ladeiras da vizinhança. Vários, vários carros abandonados nas ruas principais, que deveriam ter sido tratada mas não foram. Ônibus pararam de circular, trens foram cancelados. E assim sendo, desistimos de ir pra escola e voltamos pra casa, Miss S andando com neve até o joelho.

    Ela achou tudo uma aventura, obviamente, e ligou pra Grandma para contar: "I was so excited to go to school but there was no bus and we couldn't walk!!! Ok, bye." O que me fez querer escrever pro PM Cameron e pro DPM Clegg perguntando se eles sabem o trabalho que foi para fazer Miss S ficar na escola sem chorar, sem ficar triste, sem sentir minha falta. O trabalho que foi fazer ela entender que a escola é um lugar seguro e cheio de coisas legais para aprender. O trabalho que foi para ela deixar de ficar triste e começar a curtir as atividades, a confiar nas professoras e a finalmente começar a brincar com duas amiguinhas. E o quão importante foi manter essa rotina até um dia ela declarar: "you know, Mum, I like school now". Não, eles certamente não têm idéia do quanto foi difícil chegar a esse ponto. Se soubessem, teriam mandado a prefeitura limpar as malditas ruas e calçadas para não quebrar essa sagrada rotina de Miss S. Fim da reclamação, Mr. Cameron.

    Ao contrário dos anos anteriores em que Miss S tinha medo da neve, este ano foi uma festa. Fez snow angels, construiu boneco de neve e castelos de neve, brincou de guerra de bolas de neve, comeu flocos de neve caindo do céu. Tudo pela primeira vez, tudo com aquele encantamento das primeiras vezes. Dois sonhos, meu e dela, realizados.

    E descobriu o prazer de sair da neve gelada e entrar na casa quentinha e tomar um chocolate quente. Até então ela nunca tomava leite de vaca, que sempre foi um desafio pra nós. Agora ela adora tomar chocolate quente porque (surprise) tem gosto de chocolate. Também descobriu o deleite de tomar banho e colocar um pijama pré-aquecido no radiator e se cobrir com um roupão de fleece fofinho, assistindo ao seu desenho preferido na Netflix, na cama. Ah! my girl.

    Este inverno tem sido de muitos resfriados consecutivos e consequentemente de muita sopa, daquelas que ficam borbulhando na panela por horas e horas até tudo ficar macio e acolhedor e quentinho. E muito steel-cut oats porridge, com uma colherada de custard, uvas passas e Maple Syrup, depois das minhas caminhadas matinais. E muito chá, sempre, sempre, aquecendo as mãos e minha alma.

    Eu não sou de reclamar das estações, gosto de cada uma delas. Mas ando já sonhando com a primavera e os seus dias mais longos. Já planejando o que plantar este ano. Ainda temos uma longa espera até semear. Há mais geadas e neve a caminho. Há muito inverno ainda pela frente. I shall put the kettle on.

    Escrito a mão pela Marcia às 3:50 PM | mais em An ordinary life | mais em That British Kingdom | Comente este fragmento(10)

    dezembro 29, 2014

    A Tea Party for Miss Sophie





































    Oh, what a good time we had! A festa de aniversário foi adorável. Miss S se divertiu com tudo o que preparamos pra ela e sorriu o dia inteiro, encantada com cada surpresa que surgia. Eu me diverti imensamente planejando a decoração do bolo dela (inspirado neste bolo)! Como não amar miniaturas de casas de bonecas? Como não suspirar com a tigelinha com três ovos, gemas e claras, dentro? Comecei a juntar os itens da decoração desde o Outono e mantive tudo em segredo até a véspera da festa. Assim que o bolo foi decorado, Miss S fez muitas e muitas visitas à mesa "só pra dar uma olhadinha" ( = mexer nas miniaturas Schleich e bagunçar os mini-chapéus).

    Para o almoço, Martin e eu fizemos uma sopa de frutos do mar, peixe Halibut e tomates San Marzano, chamada Cioppino. E oh, naquele dia ensolarado porém gelado, depois de toda empolgação daquela manhã, sentar à mesa com a família, uma boa sopa e uma taça (ou duas ou três) de Prosecco, foi provar pequenas colheradas do paraíso.

    E depois do almoço foi a hora da tão esperada vela no bolo! E houve três velas diferentes, para não corrermos o risco de ter velas de menos ou de formatos insuficientes. E Miss S cantou Happy Birthday com todos nós, olhando para cada um de nós ao redor dela, e depois soprou a vela sozinha, como ela queria, com a determinação e o fôlego dos novíssimos 4 anos.

    Nós amamos cada momento, cada brilho no olhar, cada sorriso daquele dia especial. Oh wonderful, wonderful little miss, we love you so much! Four. The best four years of our lives.



    Escrito a mão pela Marcia às 6:37 PM | mais em M&M Family | Comente este fragmento(9)

    dezembro 19, 2014

    It's beginning to look a lot like Birthday Party













    Bolo encomendado, decorações embrulhadas e encaixotadas, tudo pronto para a festa de aniversário acontecer na casa dos pais de Mr.M. Mas não pudemos deixar de enfeitar nossa casa também pro aniversário de Miss S, pra ela se sentir celebrada, comemorada e ainda mais querida.

    Hoje é o último dia de aula na escolinha. Amanhã é o último dia do clube de esporte. E logo a gente pega a estrada e desencaixota tudo e decora e canta e faz a festa. Falta pouco, little miss. I can't wait!

    Escrito a mão pela Marcia às 10:13 AM | mais em M&M Family | Comente este fragmento(4)

    dezembro 15, 2014

    Magical Santa





    Recentemente a questão de permitir Miss S acreditar ou não em Papai Noel nos trouxe uma série de dúvidas e questionamentos. Seria certo fazê-la acreditar numa inverdade ou, caso contrário, seria certo priva-la de uma fantasia fundamental para a infância dela?

    Obviamente sempre quisemos ser muito honestos com ela, sem excessão. E fazê-la acreditar na história de Papai Noel nos parecia ir contra nossas convicções. Porém alguns argumentos nos fizeram mudar de idéia. Tudo depende da forma de explicar posteriormente à fatídica pergunta: Papai Noel existe ou é agente da Scotland Yard?

    Crianças naturalmente necessitam de fantasia. Acreditar nas histórias dos livros e filmes é uma forma de lidar com as várias questões, medos e preocupações da vida delas. É parte essencial da formação da auto-confiança, moral, caráter delas, junto com a disciplina da família. Acreditar em uma certa magia, em mundos que não existem, fazem os problemas ficarem mais fáceis de serem compreendidos. Trazem o conforto quando o mundo lhe sobrecarrega. Fazem o invisível possível. Crianças precisam de fantasia.

    E adultos, no fundo, também esperam uma certa magia dessa época do ano. Talvez não em forma do bom velhinho, mas em forma de uma transformação, seja ela qual for. A esperança de que algo seja melhor, que uma situação se resolva ou seja diferente. Mesmo que a razão e a realidade falem o contrário, há ainda uma pequena luz desejando que a vida melhore magicamente, mesmo que seja impossível enxergar no momento. Acreditar no invisível na expectativa de uma vida melhor é o que nos move adiante.

    E isso nós queremos pra ela. Que ela acredite, além de tudo, em coisas que ela não pode ver, mas que sem dúvida nenhuma existem: amor, esperança, generosidade, possibilidade.

    E então decidimos que sim, Papai Noel há de visitá-la nas noites de Natal, bem no aniversário dela, ora por que não? No entanto, nós deixamos claro que todos os Papais Noéis que ela vê nos Christmas Markets, nas ruas, nas lojas, são apenas pessoas vestidas, fingindo ser o Papai Noel. Porque ninguém nunca o viu, ninguém nunca o vê. E essa é a parte que tomamos mais cuidado. E quando chegar a hora de responder a questão, espero explicar que nós a fizemos acreditar em algo que ela não pode ver, mas que nem por isso seja irreal. Papai Noel, ou Santa pra ela, é um símbolo de esperança. E se isso existe, então Santa também existe e existirá para sempre entre nós.

    Ou se for mais fácil, digo mesmo que ele é agente da Scotland Yard e por isso é que ela tem que estar na listas dos bem-comportados.

    Escrito a mão pela Marcia às 9:17 PM | mais em M&M Family

    dezembro 10, 2014

    Joy of the Season

































    Miss S já está no segundo Advent Calendar deste ano. O primeiro ela abriu para esperar o comprido mês de Novembro passar e agora está no segundo, propriamente, na espera do dia 25 chegar. É uma longa espera para uma menina de quase quatro anos de idade.

    Mas a ansiedade nem é pelo presente, já que até o momento ela não quis pedir nada. Ela quer que o Papai Noel venha visitar, escreveu a cartinha, mas não pediu nada específico. A expectativa maior é mesmo pela festa, pela preparação da véspera, pela família reunida, pelo bolo, pelos cartões na janela, pela cantoria de Happy Birthday pra ela, só pra ela. Isso tudo -- ah aí sim -- ela não vê a hora de ter.

    Eu gosto desta época em que estamos exatamente agora. De assistir à empolgação dela, de responder às perguntas sobre a vela ("eu vou ter vela no bolo? eu vou poder soprar sozinha?"), de ouvir as musiquinhas de Natal aprendidas na escola, das artes com quantidades extra de glitter e estrelas. Já decoramos nossa porta com guirlanda, nossa prateleira com tinsel. Já temos uma árvore de Natal, que Mr.M foi comprar assim que acordou num sábado, às 6 da manhã. Às 6h20 ele estava de volta com um pinheiro natural (ahhh o perfume do pinheiro natural...). Eu e Miss S acordamos e vimos a árvore de Natal nos esperando no conservatory. Miss S ficou tão surpresa que disse que o Papai Noel é que havia trazido especialmente pra nós enquanto dormíamos e pulou, pulou, pulou de alegria. Não tivemos coragem de contar a saga da alvorada do pai dela.

    Agora não temos muito a fazer a não ser esperar a data comendo mince pies, bebericando Red Mulled Wine (em qual outra época do ano você pergunta "shall we microwave our wine?"), ouvindo Let it Snow, Let it Snow, escrevendo um cartão por vez. Logo chega a hora de fazer as malas e toda a correria da ceia e da festa de aniversário vão tomar nosso tempo. Mas por hora os presentes estão embrulhados e escondidos; os dias estão bem curtos e bem frios, com previsão de neve. Ao contrário das crianças de quatro anos que querem apressar o calendário, esse período de espera pelo dia 25 é o meu momento secreto favorito. Minha época favorita, desde 2010.

    It's the most wonderful time of the year, indeed.

    Escrito a mão pela Marcia às 3:23 PM | mais em M&M Family | Comente este fragmento(6)

    outubro 20, 2014

    Leaning into Fall

























    Eu gosto desta frase, "leaning into Fall". Porque tem o sentido de "entrando no Outono" e "se curvando ao precipício". Dramas implícitos, discretos.

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    Quando o Outono chega por aqui a mudança de estação é tão marcante, tão visível, tão táctil. Folhas douradas, amarelas, vermelhíssimas, púrpura, marrom. Folhas por todas as ruas, calçadas, parques, gramados, por todos os cantos e superfícies. Eu fico de olho grande nas pilhas de folhas que se formam na cidade, imaginando todo aquele material orgânico riquíssimo que eu poderia catar e colocar na minha composteira. Mas deixo-as lá para as crianças brincarem, para que todo mundo ouça o barulho delas sob os pés em cada passo.

    No começo de Outubro estivemos num parque que tinha muitas árvores de castanhas. E o musgo verdinho sob as árvores estava coberto de folhas, salpicados por frutas espinhudas, já com as castanhas expostas e semi-devoradas pelos esquilos, que pulavam de árvore em árvore. Eu poderia sentar e ficar admirando as cores e a beleza daquela composição por horas e horas.

    No meio de Outubro, minha amiga Laelya veio nos visitar aqui em casa e passamos dias deliciosos na companhia dela. Miss S até hoje fala que tem saudades da minha amiga. Eu também sinto saudades e sinto tanta falta de ter meus amigos por perto.

    No fim de Outubro tivemos uma semana de folga. Primeiras férias "half-term" de Miss S. Não fizemos nada de especial, além de visitar a família, comer bem e tomar litros de chá quentinho. Falando em chá, experimentei num café o chá Brew Tea Co e foi uma revelação: chá de folhas inteiras, aroma e sabor impressionantes, preço idem. Mesmo para quem está acostumada com o respeitável Yorkshire Gold. O chá acompanhou uma sopa quentinha de legumes da própria fazenda onde fica o café, com pão feito lá também.

    E numa manhã comum de Outubro, lá pelas sete da manhã, Miss S estava acordada mas sonolenta na cama dela, enrolada no edredon. Ainda tínhamos tempo para um pouco de preguiça antes de ir pra escola. Na janela do outro quarto vi o céu amanhecendo, azul desenhado com as nuvens rosadas e douradas pelos primeiros raios de sol. Tirei Miss S da cama e a levei pra janela do outro quarto. Admiramos o céu colorido por um tempo e depois a levei de volta pra cama quentinha dela. Ela se cobriu e falou pra mim: "thanks for showing me the sky, Mummy". The little things.

    Escrito a mão pela Marcia às 4:08 PM | mais em An ordinary life | Comente este fragmento(8)

    setembro 2, 2014

    Minestrone on the way





    Uma de nossas últimas colheitas do nosso jardim:

  • Tomates Sungold, que pelo segundo ano consecutivo não nos decepcionou. Fartura, sabor, doçura, fácil de cuidar, tudo o que a gente espera de um tomateiro.
  • Cebolinha verde, sempre tão fácil de cultivar, sempre bom ter disponível na horta. Estas que colhi vieram originalmente do supermercado. Após usar as folhas deixei as raízes num pote com água até crescerem novamente. E depois as transplantei na horta, easy peasy.
  • Feijões Borlotti, que apesar do Grande Ataque das Lesmas 2014, nos deu o suficiente para uma sopa.
  • Por último, mas não menos importantes, as Cenouras!!! Primeira vez que tive um certo sucesso com elas, graças à adição de bastante areia misturada na terra adubada para as raízes crescerem sem impedimento. Sophie se divertiu colhendo da terra. É uma surpresa tão gratificante puxar com força aquelas folhas magrinhas e ver sair do solo a cenoura colorida, comprida, maior do que ela esperava. Ela mesma quis lavar cada uma com a água da mangueira. É um encanto que nunca fica velho e espero que ela sempre se lembre desses momentos.
  • Ainda temos mais alguns feijões, tomates Costoluto Fiorentino, tomates Brandwine, parsnips e brocolli crescendo e amadurecendo. As duas abóboras Kabocha pararam de crescer, mas devo colher mesmo pequenas. E os milhos também estagnaram, não sei se chegaram a produzir grãos. Enfim, de agora em diante o que vier é lucro porque os dias já estão ficando mais curtos e mais frios aqui no Norte. Pelo menos por hora podemos fazer um minestrone com a generosidade do jardim.

    Escrito a mão pela Marcia às 11:26 AM | mais em Tales of the Garden | Comente este fragmento(6)

    agosto 21, 2014

    A road never travelled

    Little Miss S já não é mais tão little. E frequentemente ela me lembra: "I'm not a baby anymore, Mum" (note o "Mum" e não mais "Mummy"). E realmente essa observação é correta e cada vez mais presente ao nosso redor. Não temos mais cadeirão, berço, portões de segurança há muito tempo. Quase não usamos mais o carrinho; o assento do carro está no Grupo 3 usando o cinto de segurança do próprio carro. A privada está sendo usada com adaptador e eu ouço a frase "Mum, I've finisheeeeed" várias vezes por dia.

    A cama de Miss S agora é tamanho solteiro. Recentemente ela teve seu primeiro corte de cabelo com um profissional e tomou as últimas doses de vacinas infantis.

    E por mais que eu tenha tentado evitar pensar em escolas, este ano foi inevitável. Eu sabia que o dia iria chegar, mas preferia não pensar em excesso. Colocamos o nome dela na lista de espera de uma Nursery e finalmente ela foi aceita e vai começar a frequentar no próximo termo (Set-Jul), três vezes por semana.

    No início eu estava apreensiva (a palavra bonitinha que traduz freaking the hell out) com a idéia de Miss S ficar entre estranhos, sozinha pela primeira vez na vida dela. Troquei muitos emails com a diretora da Nursery, explicando o caso de Miss S e a ansiedade excessiva que ela sente ao redor de estranhos. A diretora nos convidou para conversar na escolinha. Fomos nós três e assim que chegamos Miss S entrou, tirou os sapatos (!) e começou a explorar os brinquedos.

    Conversamos bastante sobre a timidez e ansiedade de Miss S. Eu perguntei se poderia ficar um pouco com Miss S nos primeiros dias até ela se acostumar com o ambiente. A diretora foi sem dúvida muito atenciosa e compreensiva, explicou sobre as expectativas (dos pais e da criança), traçou um plano de adaptação e disse que sim, claro eu posso ficar com ela no começo.

    No entanto, eu sei que no fundo tudo o que a diretora precisava mesmo me dizer era: "Cut the cord, bitch. Cut. The. Damn. Cord." Ela não o fez, óbvio. Ao invés disso, ela perguntou a Miss S se ela queria conhecer os animais da escolinha. Miss S arregalou os olhos, segurou na mão da diretora e foi com ela conhecer o Brian, caracol africano. Depois conheceu os porquinhos da Índia, Nibbles & Squeak. E por fim, para o total deleite dela, foi apresentada a dois peixinhos dourados. Tudo isso enquanto eu fiquei na sala preenchendo a papelada. Miss S voltou na sala, eu achei que ela já estava sentindo a minha falta, mas só queria mesmo os sapatos de volta pra ir ao jardim do lado de fora.

    Desde essa visita Miss S não fala em outra coisa a não ser que quer ir pra escola. Ela tem repetido várias vezes que da próxima vez ela vai dizer "bye bye to Mummy". Eu continuo com o pé atrás dessa declaração. Amanhã é o dia em que começamos a adaptação, uma hora por dia até começar o ano letivo propriamente. Apesar do combinado, eu vou aproveitar essa oportunidade e realmente tentar dar um beijo, dizer bye-bye e cut the cord. Vamos ver.

    É um caminho nunca antes percorrido para nós. E é o caminho dela, sem mim, sem o Daddy.

    My little big girl, espero e torço para que você encontre dentro de si a confiança que precisa para desbravar o mundo com suas próprias pernas. Porque há caracóis africanos e porquinhos da Índia para conhecer. E amiguinhos e professores. E lanches e brincadeiras e day trips. É o começo de algo grande, my little miss. Go, sweetheart.

    You have brains in your head.
    You have feet in your shoes
    You can steer yourself
    any direction you choose.
    You're on your own. And you know what you know.
    And YOU are the guy who'll decide where to go.

    Oh, the Places you'll go -- Dr. Seuss









    Update: E o grande dia chegou. Caminhamos devagar juntas até a escola. Entramos na sala, havia umas cinco crianças já fazendo atividades. A 'tia' dela, Miss D, foi um amor desde o primeiro segundo. Mas Miss S segurou firme na minha mão e apontou pra porta. A 'tia' Miss D tentou distraí-la, mas Miss S continuou apontando para a porta. Achei que ela fosse chorar, que queria ir embora. A 'tia' perguntou se por acaso ela queria que a Mummy fosse embora. Eu ri, né, imagina, que absurdo, claro que não. E pra minha consternação, Miss S agarrou meu pescoço e disse "Bye Bye Mummy". E eu fotografei na memória o momento em que ela largou da minha mão e pegou a mão da tia Miss D e as duas foram fazer algo divertido num outro canto da sala. Eu saí da sala rapidamente, deixei-a na escola, sem lágrimas (dela!). Entrei num café, sentei com uma xícara de chá e contei pro pai dela que se esforçou pra não chorar no escritório. Quando voltei para buscá-la eu vi pela janela Miss S sentada com as outras crianças na mesa, comendo fougasse de alho. Ela estava sorridente, falante, contando pra tia Miss D que ela vai voltar no dia seguinte e no outro e no outro e no outro.

    We came a long way, my darling, well done. I couldn't be prouder.


    Escrito a mão pela Marcia às 7:27 PM | mais em M&M Family | Comente este fragmento(19)

    agosto 9, 2014

    One potato, two potatoes, three potatoes, four...

    Plantas de batatas não são muito fotogênicas. Que elas não me levem a mal, as folhagens são fartas, as flores são púrpura. Mas não são fotogênicas como os brilhantes tomates, os verdíssimos Cavolo Nero, as reluzentes abobrinhas. Não, simplesmente não há nada para enquadrar em detalhes, sorry dear.





    As plantas de batatas em nosso jardim crescem em sacos próprios pra elas. No início colocamos uma camada de terra, duas ou três batatas-sementes e cobrimos com mais uma camada de terra. Assim que as folhas começam a crescer cobrimos totalmente com mais uma camada de terra e assim sucessivamente por mais duas ou três vezes. Batata não é algo particularmente barato de se plantar, é preciso muita terra adubada. Mas também é só disso que elas precisam.

    Colher batatas porém é uma das tarefas mais gratificantes da horta. Porque por meses e meses você rega a planta e não vê nada, não dá para checar nada durante esse tempo. E quando o dia da verdade chega você não sabe o que esperar, sucesso ou fracasso. Primeiro cortamos todas as folhas, que vão pra compostagem. Alguns jardineiros simplesmente tombam o saco ou o vaso. Eu vou retirando as camadas de terra aos pouquinhos e descobrindo no processo as jóias que vão surgindo. Mais ou menos como abrir presentes de Natal, só que melhor pela promessa de batata assada com gravy.









    Este ano temos duas variedades crescendo, em quatro sacos: Albert Bartlett Apache e Rooster. Minha primeira colheita foi dessas coloridas Apache. 1.800kg, nada mal para três batatas-sementes.





    E para celebrar a colheita, uma trilha sonora correspondente:








    One potato, two potatoes, three potatoes, four

    Five potatoes, six potatoes, seven potatoes more

    Hey!



    Escrito a mão pela Marcia às 4:29 PM | mais em Tales of the Garden | Comente este fragmento(10)