agosto 15, 2015

Just a broken arm

No dia 10 de Julho, um pouco antes da hora de ir pra cama, Miss S caiu e quebrou o braço direito. Assim simples, aqui em casa, sem ter feito nada de mais. Estava carregando um pregador de roupas em cada mão (ela queria fazer uma cabana com tecidos) e foi procurar mais pregadores no conservatory. Tropeçou, pisou numa bexiga, foi pro chão.

Chorou, chorou, deitou no sofa. Não quis em hipótese alguma dizer onde doía. E muito menos nos deixou tocar o braço. Por fim se acalmou e dormiu no sofá. Tentei carregá-la pra cama, mas ela protestou veementemente com olhar de pânico. Colocamos um colchão no chão e ela vagarosamente se moveu pra lá e dormiu até o amanhecer. Decidimos que era melhor deixar ela dormir aquela noite ao invés de ficar horas e horas na fila do pronto-socorro, sem dormir, sem poder deitar ou descansar.

Assim que ela acordou nós já estávamos prontos para levá-la para o pronto-socorro. Mas foram horas, literalmente horas, para que ela se levantasse do colchão e entrasse no carro. Não podíamos carregá-la porque era claro que o movimento piorava a dor. Quase chamamos uma ambulância, mas essa idéia foi tão pavorosa pra ela, que finalmente ela ergueu o corpo e nós rapidamente a colocamos em pé. Andamos bem devagar até o carro e tiramos o car seat para ela poder entrar com mais facilidade.

No hospital ela vomitou de nervoso, mas em pouco tempo se acalmou novamente. O pronto-socorro das crianças é separado dos adultos. A sala de espera tem televisão passando CBeebies, mesa com papeis para colorir, brinquedos, livros, jogos e uma enfermeira "play leader", que se encarrega de deixar as crianças entretidas. Fizemos uma colagem com papel de seda e lantejoulas, colorimos uma vaca, jogamos Guess Who?. Fora 3 horas de espera.

Na sala de raio-X Miss S chorou de dor para manter o braço na posição necessária. Depois de mais duas horas de espera (num total de cinco!), finalmente a médica nos mostrou que Miss S havia fraturado o úmero horizontalmente, acima do cotovelo. Oh my heart. As enfermeiras engessaram o braço, o que deu a Miss S um enorme alívio por mantê-lo imóvel e não mais correr o risco de mover de forma que ela sentisse dor. O humor dela melhorou instantaneamente. E melhorou ainda mais quando a médica deu um adesivo e a enfermeira "play leader" deu um certificado de coragem e um livro com CD da Cinderela, porque Miss S estava vestindo uma camiseta da princesa.

Recebemos a instrução de tomar um extremo cuidado com aquele gesso porque era provisório, não era rígido e qualquer tombo ou batida poderia mover a fratura novamente. Depois de três dias, voltamos ao hospital para ela trocar por um permanente. Esperava a mesma bagunça daquela massa branca, mas atualmente a imobilização é feita com faixas de fiberglass umedecidas com resina de secagem ultra-rápida. Num instante fica pronto, sem sujeira, bem mais leve e o melhor de tudo: pode-se escolher a cor! O enfermeiro perguntou que cor ela queria e Miss S, que não abriu a boca o tempo todo no hospital, respondeu bem alto e em bom tom: "Pink!!!"

E pink foi feito. Com esse gesso ela pôde voltar pra pré-escolinha nos dois últimos dias de aula. E assim começamos nossas férias de verão. Com o braço direito engessado (ela é destra), descobrindo o que era possível fazer ou não com um braço só.

Comprei uma capa especial impermeável para cobrir o gesso na hora do banho e também uma faixa extra de suporte cheia de florezinhas coloridas. E um pacote de 12 camisetas regatas, que foram excelentes para ela vestir facilmente no verão. Houve muito pouco que ela não pôde fazer. Correu, dançou, brincou nos parques, fez caminhada, desenhou bastante com a mão esquerda, fez artes, foi no cinema pela primeira vez (assistimos a Minions), me ajudou no jardim, fez cupcakes. Não pôde brincar na água, na areia, nem fazer acrobacias. Nem colocar a fantasia de Snow White. Mas de resto brincou bastante sem reclamar quase nenhuma vez.

O que não esperávamos, porém, foi a reação dela quando, depois de três semanas e meia e muitos outros raios-x, ela finalmente retirou o gesso. Ela estava bem tranquila e sorridente quando a enfermeira estava cortando o gesso. Mas assim que o gesso foi removido totalmente, Miss S começou a chorar assustada. A enfermeira nos explicou que é normal, que os músculos atrofiaram um pouco e a sensação é estranha.

Ela colocou a faixa de suporte novamente e voltamos para a sala de espera para ver o ortopedista. Miss S não parava de chorar e pedir para ir embora porque ela não queria tirar outro raio-x. Explicamos várias vezes que não ia doer como da primeira vez porque o braço havia sarado, mas ela não queria ouvir.

O ortopedista examinou o braço e os movimentos, checou o raio-x da consulta anterior e disse que poderíamos ir pra casa sem precisar tirar outro raio-x e voltar em três semanas. Miss S ficou tão, tão aliviada que não parava de falar: "Fiquei tão feliz! O médico me fez tão feliz porque não precisei tirar raio-x. Ufa. Sabia que não precisava tirar raio-x. Tô tão feliz... I'm "pocoyo-blast-off" happy! Pheew... [ad infinitum]"

No entanto, nos primeiros dias ela estava aterrorizada em usar o braço ou sequer remover a faixa de suporte. Usou a faixa o tempo todo e não queria tomar banho porque precisaria tirar essa faixa. O melhor plano foi mantê-la distraída com as brincadeiras e aos poucos ela começou a usar o braço sem perceber. Nós elogiávamos toda vez que ela movimentava ou usava o braço e aos poucos ela começou a se sentir mais segura e depois de uma semana já brincava sem a faixa e sem medo. Bem em tempo para a nossa viagem à praia.

Toda essa experiência me fez refletir que embora Miss S seja uma criança cuidadosa, que nem gosta de brincadeiras bruscas, que nem gosta de escalar Monkey Bars, acidentes acontecem. Em qualquer lugar. Em casa. Às vezes não há como prever ou evitar. Simplesmente acontece e não é culpa de ninguém. Outra reflexão veio na sala de espera do pronto-socorro do NHS. A espera é longa, mas a triagem é justa. Quanto mais grave o caso, mais urgente é o atendimento. O que coloca qualquer um em perspectiva. Esperar tantas horas é uma inconveniência apenas. E um alívio imenso: foi apenas um braço quebrado.





























Escrito a mão pela Marcia às 8:14 PM | mais em M&M Family | Comente este fragmento(4)

julho 31, 2015

July harvest


































Nossa colheita está sendo bem menos farta do que o ano anterior. Os primeiros tomates estão começando a amadurecer. As ervilhas que no ano passado colhemos o suficiente para dividir com os vizinhos e congelar o restante, este ano estagnaram e mal teremos o suficiente para uma colherada. O mesmo com os pepinos, que pela terceira vez consecutiva não teremos o que colher. Por outro lado as batatas estão rendendo bem e as cebolas, que plantei pela primeira vez, estão promissoras. Os feijões estão bem devagar. As maçãs estão bem pequenas. Cavolo Nero estão abundantes, mas esses sempre são bem fáceis de cultivar, assim como os rabanetes. Estou, na verdade, na expectativa de uma colheita melhor durante o inverno. Na horta coberta há flores de Bruxelas (mesma planta que a couve, mas ao invés de redondinhas, viram floretes), brócolis, parsnips, couve, couve e mais couve. Tudo na esperança de ser colhido na época do Natal em diante, quando a colheita de qualquer coisa fresca é apenas uma vaga lembrança.

A minha planta de rhubarb que comprei bem pequena já está dando o ar de sua graça gigantesca e as folhas estão enormes. É uma planta fenomenal de assistir. Um dia está só com um brotinho. No dia seguinte o broto explode e abre uma folha imensa, desdobrando feito um origami bastante complexo. Tão rápido e tão fascinante.

As cenouras da nossa horta são pequenas, bifurcadas, tortas. Imperfeitas. Mas -- oh my heart -- ver Miss S puxando as folhas com força para finalmente descobrir se são cor-de-laranja, púrpura ou brancas; se divertindo com o tamanho variado, com o formato inesperado. Sentindo o aroma da cenoura fresca, da terra molhada.

Outro dia estávamos comendo uma das cenouras e comentei com Mr.M que o sabor não estava lá essas coisas. E Mr.M respondeu que não importa, que o que importa é que Miss S está observando, entendendo. E então passei a ver nossas cenouras com outros olhos. Imperfeitas, bifurcadas, de sabor mais ou menos. Mas aos olhos de Miss S, que plantou a semente, um triunfo.

























Escrito a mão pela Marcia às 6:15 PM | mais em Tales of the Garden | Comente este fragmento(4)

junho 5, 2015

Rhubarb, rhubarb



"Deus te livre, leitor, de uma idéia fixa; antes um argueiro, antes uma trave no olho.
[...]Era fixa a minha idéia, fixa como... Não me ocorre nada que seja assaz fixo nesse mundo: talvez a lua, talvez as pirâmides do Egito, talvez a finada dieta germânica."

- Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cuba



Há pouco tempo a idéia fixa que me acometeu foi de fazer "fish tacos" mexicanos. Fiz várias receitas, vários tipos de peixes, empanados, fritos, assados. Vários tipos de tortillas, de farinha branca, farinha integral, farinha de milho (a melhor). E toda possibilidade de extras: pimenta chipotle, salsa, guacamole, milho, feijão, sour cream. Até que enfim, encontrei meu preferido e me dei por satisfeita.

E eis que agora minha obsessão voltou-se para esta planta: o humilde rhubarb ou, em português, ruibarbo, nome que nunca me acostumo. So, rhubarb it is.

Nunca antes havia me empolgado com os talos de rhubarb por conta de uma primeira experiência em forma de um crumble de rhubarb mal feito que comi de um supermercado muito barato (snob bitch, I'm aware).

Mas agora depois de sete (sete!) anos morando em Yorkshire, é impossível ignorar quando chega a estação dos rhubarbs. Nossa região está entre o Triângulo do Rhubarb (seriously), que é famosa pelos "rhubarbs forçados", plantas que ficam no escuro e crescem mais tenras, rosadas e doces. São tradicionalmente colhidas sob luz de vela. Há uma grande comoção entre os britânicos quando chega a estação desses talos. A grande maioria dos blogs de jardineiros que leio já postaram fotos das suas plantas e receitas de crumble, geléia, sorvete, torta, bolos e até "champagne" de rhubarb. E de tanta empolgação ao meu redor, aos poucos minha curiosidade com os talos rosados foi crescendo até se tornar essa idéia fixa que me persegue.

Numa visita aos jardins do National Trust Nostell Priory, fiquei um tempão admirando as plantas de rhubarb na horta imensa do ex-monastério. Não eram rhubarbs "forçados", mas naturalmente selvagens. As folhas são enormes e os talos bem avermelhados.





No café desse lugar havia um bolo de rhubarb e laranja, feito com rhubarb do jardim. Pedimos duas fatias e um pote de chá (e sorvete pra Miss S). O bolo era daqueles que marcam para sempre na sua memória gulosa. Daqueles que você se arrepende de não ter comprado o bolo inteiro e não apenas duas míseras fatias.

Rhubarb em si é azedo, não há como escapar. Mas também não há por quê escapar. É a atração principal, aquele azedinho irresistível, feito pitanga, de aroma levemente floral. E esse azedinho adocicado cortando a riqueza de um bolo feito com muita manteiga, ovos, farinha de amêndoas, eu lhes digo... combinação divina. Me conquistou para todo sempre.

Procurei muitas receitas e finalmente encontrei na revista BBC Good Food um bolo muito parecido com o do Nostell Priory.

























Rhubarb and orange cake, BBC Good Food Magazine

400g ruibarbo, picado
50g açúcar

230g açúcar
225g manteiga amolecida
suco e raspas de 1 laranja
225g farinha de trigo com fermento
100g farinha de amêndoas
1 colher de chá de fermento
3 ovos médios

1. Misture o ruibarbo com 50g de açucar e deixe macerar coberto por 30 min. Unte uma forma de aro removível da 23cm e aqueça o forno em 180ºC (160ºC fan/gas 4).

2. Bata o restante do açúcar com a manteiga, raspas e suco de laranja. Adicione a farinha de trigo, a farinha de amêndoas, o fermento e os ovos (um a um). Bata até obter uma massa homogênea. Misture o ruibarbo. Despeje na forma e alise a superfíce.

3. Asse no centro do forno por 1h até 1h15m, cobrindo com alumínio caso o topo começar a escurecer demais (mais ou menos na metade do tempo). Teste com o palito, retire do forno e deixe o bolo na forma por 15 minutes antes de remover. Esfrie e sirva.

Nota: Na receita original pede-se para colocar amêndoas fatiadas no topo ainda cru. Eu não recomendo fazer isso porque amêndoas queimam rapidamente. Se realmente desejá-las, coloque-as uns 10 minutos antes do final e vá checando. Meus pedaços de ruibarbos foram todos pro fundo da forma e o bolo ficou levemente úmido demais no fundo. Mesmo assim, bastante saboroso, perfumado, dourado, azedo, doce, rico. No entanto, não é um bolo que devo fazer sempre e metade já foi pro freezer porque: 225g de manteiga! Jaysus...


E é claro que a idéia fixa não ficou apenas na cozinha e tive que comprar a minha própria planta para o jardim. Comprei na imensa horta comunitária do meu bairro, que é organizada pela ex-moradora da nossa casa, veja só. Fomos lá, batemos papo com ela, contamos sobre as obras da casa, das mudanças no jardim, da ampliação da família. A planta ainda é pequena (custou só dois dinheiros da Rainha), só vou poder colher os primeiros talos na primavera de 2017, considerando que a planta ainda esteja viva até lá. E se até lá minha idéia fixa também continuar presente, muitos outros experimentos surgirão nestas empoeiradas páginas, caro leitor. Tenham esperança no emplasto Brás Cuba.










Escrito a mão pela Marcia às 6:36 PM | mais em Greedy Cow | mais em Tales of the Garden | Comente este fragmento(5)

maio 18, 2015

Pops of Colour

O inverno aqui é sempre tão longo, os jardins ficam por tantos meses basicamente em cores marrom, algum marrom avermelhado, algum verde das sempre-vivas, contrastando com o interminável fundo cinza do céu. E só. Por meses e meses.

Quando a primavera finalmente chega abrindo botões de narcisos, crocus, hellebores e tulipas, britânicos postam mais fotos dessas flores do que paulistanos postando a primeira chuva depois da longa estiagem. A primavera é, acima de tudo, a celebração do fim do marrom e cinza. Como se precisássemos desesperadamente relembrar das outras cores, da inúmeras nuances e tons e combinações possíveis.



Tulipas Apricot Beauty





Tulipas que Mr.M comprou, totalmente cheia de babados,
totalmente adoráveis













White Bells, eras atrás plantei muitas sementes de Bluebells
e finalmente uma planta germinou. Branca, but I'll take that.





Diacentra. Flores vermelhas em formato de coração.
A espécie chama-se Valentines. Mais clichê impossível. E eu adoro.





Nossa queria Amelanchier Robin Hill
foi a primeira árvore a florescer em nosso jardim.









Macieira Crab Apple. Como sempre exagerada nas flores e frutos.
Se ao menos os frutos fossem comestíveis sem precisar fazer litros de geléia...





Macieira Scrumptious. Grandes expectativas este ano
depois de dois anos sem frutos.



Escrito a mão pela Marcia às 1:04 PM | mais em Tales of the Garden | Comente este fragmento(6)

maio 6, 2015

Blue splendour

No feriado de Maio fizemos um programa típico de britânicos de certa idade avançada: fomos visitar uma floresta repleta de flores Bluebells. Foi a primeira vez que vi as flores em seu esplendor máximo. Algo que desejo repetir por muitas primaveras.

Desta vez fomos ao Cotton Manor Gardens, que fica bem perto de onde os pais de Mr.M moram e tem jardins bem planejados, galinhas, patos e flamingos andando soltos pelos gramados. E Miss S disse que o dono da casa (que nos recebe na entrada), parece com o pai do Prince George. So, there.



The British Bluebell
(não confundir com o Spanish Bluebell, que não é curvado)





































Me and my girl



Escrito a mão pela Marcia às 9:56 AM | mais em That British Kingdom | Comente este fragmento(7)

abril 22, 2015

Slugs be Gone









Dear reader, how do you do? Há alguns meses atrás estávamos, eu e Miss S, plantando sementes e conversando sobre a colheita do ano passado e o Grande Ataque das Lesmas 2014, que exterminou a maioria das nossas plantas. E Miss S levantou num pulo, bradando: "I know!" e saiu em busca de papel, canetinha, canudo e fita adesiva.

E então, meus amigos leitores e jardineiros esperançosos, Miss S fez esta placa: Proibida a Presença de Lesmas. Dá pra ver no desenho dela a lesmona de olhão esbugalhado em frente às minhas plantas de brócolis (ainda cobertas parcialmente de neve em Março)? Dá prá ver a barra proibitiva? Dá pra ver o xis que diz "não!"? Pois então. Tá proibida de se aproximar ou invadir nosso território de cultivo. Por que eu não pensei nisso antes? Anos gastando cerveja, pó de café, casca de ovo, fita de cobre. Tudo o que eu tinha que fazer era deixar claro para os moluscos que isso aqui não é restaurante buffet do tipo all-you-can-eat. Vão fazer farofa no jardim vizinho, if you please.







Se as lesmas sabem ler ou não ainda não sabemos. Mas sei que desde o advento da nova placa meus brócolis cresceram em paz e nos deram muitas refeições gratificantes. Esse tipo de brócolis é muito famoso e muito esperado pelos britânicos. São chamados de Purple Sprouting Broccoli. São pequenos floretes individuais, bem tenros e doces, porque passaram o inverno inteiro criando açúcar natural para evitar o congelamento. A estação deles é bem curta, por isso são aguardados com muito entusiasmo por aqueles que gostam. Para quem planta esse tipo de broccoli é um extremo exercício de paciência. Plantei as mudas de brócolis no verão do ano passado e só esta semana que estou colhendo os primeiros floretes. Ainda devo colher mais uma leva de cada planta e é isso, acabou, tenho que cortar a planta, colocar na compostagem e plantar uma nova muda se quiser colher na primavera do ano que vem.

Já tinha decidido que não iria plantá-los novamente porque tomam muito espaço por muito tempo. Mas depois de provar os floretes mudei de idéia rapidamente. Vale a pena a espera, o tempo, o espaço. Principalmente porque a planta não precisa de nenhum cuidado. Ainda mais com minha mais recente e ultra-eficiente barreira contra lesmas.
















Escrito a mão pela Marcia às 9:58 AM | mais em Tales of the Garden | Comente este fragmento(6)

fevereiro 23, 2015

Days of February





























  • Fevereiro foi um mês frutífero para os vírus do resfriado nesta casa. Aqui eles encontraram três acomodações e resolveram se instalar e se reproduziram, criaram mutações, se reinventaram, tomaram conta de cavidades, mucosas, brônquios e onde mais puderam passar.
  • Li meu novo livro, Apples for Jam, na cama, entre um chá e outro, entre um kleenex e outro e mais outro, marcando páginas e receitas, mas principalmente me deliciando com as memórias e fotos da autora. A maioria dos meus livros de culinária foram comprados por causa das fotos ou da capa. Eu até tenho boa intenção de seguir as receitas, mas acabo me perdendo nas composições e estilos das fotos, imaginando a atmosfera da refeição, das conversas na mesa, do vinho bom, do sol entrando pela janela iluminando as cores dos legumes assados. Daí percebo que já está muito tarde para fazer qualquer receita. Ao menos dá tempo de abrir o vinho...
  • Neste mês brincamos muito na cozinha da Família Playmobil (presente da Batian e do Ditian de Miss S). Eu arrumo a mansão dos Playmobils (presente do Uncle Julio) mais do que arrumo nossa casa. A vida deles parece tão cheia de êxitos: três cachorros que não fazem cocô, um pizzaiolo particular, o pai que cozinha só de cueca, a mãe que fica do lado dando palpite, a avó que vira a garrafa em plena hora do almoço. That's life.
  • E Miss S finalmente está começando a se interessar em livros com histórias mais elaboradas. Mr.M já havia declarado que estava meio que cansado de ler tudo rimando e eu concordo. Os livros de Julia Donaldson sempre foram os preferidos de Miss S, mas realmente chega uma hora que a gente cansa das frases repetitivas e rimas constantes. Como diz Mr.M: "get on with the story!"
  • Houve uma semana de férias da escolinha (half-term holidays), mas quase nem percebemos porque ficamos de cama por três dias. Dias de ficar de pijama e roupão, dias de muita TV e Netflix, dias que me apaixonei por Fargo (o filme original e a série de TV com Martin Freeman ♥︎ ).
  • Dias em que fizemos muffins de banana com chocolate. É uma receita que já fiz várias vezes. Rende uns 15 muffins, mas geralmente faço 12 grandões porque a forma só tem 12 buracos. Depois de assados e frios, congelo boa parte para usar quando chega aquele horário crítico em que nada está bem (almoço já é um passado distante, jantar ainda está longe de chegar). Então faço chá, descongelo um muffin e tudo fica momentaneamente bem outra vez.
  • Muffins de banana e gotas de chocolate

    1/2 xícara de óleo vegetal
    1/2 xícara de açucar mascavo
    1 1/2 colher de chá de fermento
    1/2 colher de chá de bicarbonato de sódio
    2 colher de chá baunilha
    3 bananas grandes, bem maduras
    1/4 xícara de mel
    2 ovos grandes
    2 xícaras de farinha de trigo integral
    1 xícara de gotas de chocolate

    Pre-aqueça o forno em 180ºC e coloque forminhas de papel na forma de muffins.

    Numa tigela amasse bem as bananas, junte todos os ingredientes menos a farinha e as gotas de chocolate. Misture bem. Junte a farinha aos poucos, mexendo delicadamente a cada adição. Acrescente as gotas de chocolate. Despeje a massa nas forminhas e asse por 20-25 minutos.

    Escrito a mão pela Marcia às 9:57 AM | mais em An ordinary life | Comente este fragmento(7)

    janeiro 26, 2015

    Deep into Winter

















































    Hello dear reader. Quase final de Janeiro, meio que tarde para desejar Feliz Ano Novo? Talvez. Então espero que o Ano Novo esteja sendo gentil com você até agora e que assim seja, na medida do possível, por todo ano.

    Janeiro por aqui tem sido de retorno à rotina. As celebrações do final de ano foram deliciosas, mas assim que voltamos pra casa Miss S perguntou se podíamos guardar todos os enfeites de Natal. Desmontamos a árvore, tiramos e guardamos todas as decorações. E Miss S enfim declarou: "I like normal".

    Como aqui as férias de inverno só duram duas semanas, logo no começo de Janeiro entramos em nossa rotina de escola, trabalho, e (o mais recente) Clube de Esportes. No entanto, o único que não está colaborando nessa volta à rotina tem sido o clima impiedoso em nossa região montanhosa. Fortes ventos, fortes chuvas, temperaturas negativas e muita neve. E como aqui não é nenhuma capital, nenhuma rua é tratada, nenhuma calçada é limpa. Na tentativa de levar Miss S pra escola, vimos tantos carros patinando desesperados nas ladeiras da vizinhança. Vários, vários carros abandonados nas ruas principais, que deveriam ter sido tratada mas não foram. Ônibus pararam de circular, trens foram cancelados. E assim sendo, desistimos de ir pra escola e voltamos pra casa, Miss S andando com neve até o joelho.

    Ela achou tudo uma aventura, obviamente, e ligou pra Grandma para contar: "I was so excited to go to school but there was no bus and we couldn't walk!!! Ok, bye." O que me fez querer escrever pro PM Cameron e pro DPM Clegg perguntando se eles sabem o trabalho que foi para fazer Miss S ficar na escola sem chorar, sem ficar triste, sem sentir minha falta. O trabalho que foi fazer ela entender que a escola é um lugar seguro e cheio de coisas legais para aprender. O trabalho que foi para ela deixar de ficar triste e começar a curtir as atividades, a confiar nas professoras e a finalmente começar a brincar com duas amiguinhas. E o quão importante foi manter essa rotina até um dia ela declarar: "you know, Mum, I like school now". Não, eles certamente não têm idéia do quanto foi difícil chegar a esse ponto. Se soubessem, teriam mandado a prefeitura limpar as malditas ruas e calçadas para não quebrar essa sagrada rotina de Miss S. Fim da reclamação, Mr. Cameron.

    Ao contrário dos anos anteriores em que Miss S tinha medo da neve, este ano foi uma festa. Fez snow angels, construiu boneco de neve e castelos de neve, brincou de guerra de bolas de neve, comeu flocos de neve caindo do céu. Tudo pela primeira vez, tudo com aquele encantamento das primeiras vezes. Dois sonhos, meu e dela, realizados.

    E descobriu o prazer de sair da neve gelada e entrar na casa quentinha e tomar um chocolate quente. Até então ela nunca tomava leite de vaca, que sempre foi um desafio pra nós. Agora ela adora tomar chocolate quente porque (surprise) tem gosto de chocolate. Também descobriu o deleite de tomar banho e colocar um pijama pré-aquecido no radiator e se cobrir com um roupão de fleece fofinho, assistindo ao seu desenho preferido na Netflix, na cama. Ah! my girl.

    Este inverno tem sido de muitos resfriados consecutivos e consequentemente de muita sopa, daquelas que ficam borbulhando na panela por horas e horas até tudo ficar macio e acolhedor e quentinho. E muito steel-cut oats porridge, com uma colherada de custard, uvas passas e Maple Syrup, depois das minhas caminhadas matinais. E muito chá, sempre, sempre, aquecendo as mãos e minha alma.

    Eu não sou de reclamar das estações, gosto de cada uma delas. Mas ando já sonhando com a primavera e os seus dias mais longos. Já planejando o que plantar este ano. Ainda temos uma longa espera até semear. Há mais geadas e neve a caminho. Há muito inverno ainda pela frente. I shall put the kettle on.

    Escrito a mão pela Marcia às 3:50 PM | mais em An ordinary life | mais em That British Kingdom | Comente este fragmento(10)

    dezembro 29, 2014

    A Tea Party for Miss Sophie





































    Oh, what a good time we had! A festa de aniversário foi adorável. Miss S se divertiu com tudo o que preparamos pra ela e sorriu o dia inteiro, encantada com cada surpresa que surgia. Eu me diverti imensamente planejando a decoração do bolo dela (inspirado neste bolo)! Como não amar miniaturas de casas de bonecas? Como não suspirar com a tigelinha com três ovos, gemas e claras, dentro? Comecei a juntar os itens da decoração desde o Outono e mantive tudo em segredo até a véspera da festa. Assim que o bolo foi decorado, Miss S fez muitas e muitas visitas à mesa "só pra dar uma olhadinha" ( = mexer nas miniaturas Schleich e bagunçar os mini-chapéus).

    Para o almoço, Martin e eu fizemos uma sopa de frutos do mar, peixe Halibut e tomates San Marzano, chamada Cioppino. E oh, naquele dia ensolarado porém gelado, depois de toda empolgação daquela manhã, sentar à mesa com a família, uma boa sopa e uma taça (ou duas ou três) de Prosecco, foi provar pequenas colheradas do paraíso.

    E depois do almoço foi a hora da tão esperada vela no bolo! E houve três velas diferentes, para não corrermos o risco de ter velas de menos ou de formatos insuficientes. E Miss S cantou Happy Birthday com todos nós, olhando para cada um de nós ao redor dela, e depois soprou a vela sozinha, como ela queria, com a determinação e o fôlego dos novíssimos 4 anos.

    Nós amamos cada momento, cada brilho no olhar, cada sorriso daquele dia especial. Oh wonderful, wonderful little miss, we love you so much! Four. The best four years of our lives.



    Escrito a mão pela Marcia às 6:37 PM | mais em M&M Family | Comente este fragmento(9)

    dezembro 19, 2014

    It's beginning to look a lot like Birthday Party













    Bolo encomendado, decorações embrulhadas e encaixotadas, tudo pronto para a festa de aniversário acontecer na casa dos pais de Mr.M. Mas não pudemos deixar de enfeitar nossa casa também pro aniversário de Miss S, pra ela se sentir celebrada, comemorada e ainda mais querida.

    Hoje é o último dia de aula na escolinha. Amanhã é o último dia do clube de esporte. E logo a gente pega a estrada e desencaixota tudo e decora e canta e faz a festa. Falta pouco, little miss. I can't wait!

    Escrito a mão pela Marcia às 10:13 AM | mais em M&M Family | Comente este fragmento(4)