Aprendendo a aceitar o que vem de bom na minha vida
No sábado, talvez como auto-flagelo, andei o percurso: Avenida Paulista-Rua Augusta-Rua Estados Unidos, Rua Estados-Unidos-Alameda Campinas-Avenida Paulista, Avenida Paulista-Avenida Vinte e Tres de Maio. Nem me senti muito cansada, fui andando e repensando tudo o que havia ouvido na terapia...
Coisas que ainda tenho que resolver dentro de mim, me incomoda muito o fato de estar na "dependência" financeira do Martin. Muito. E preciso mudar, já que o prognóstico é de eu virar uma dona-de-casa-perfeita-impecável-e-completamente-infeliz ou então chegar a uma depressão tão grave de... sei lá. Enfim, não quero nada disso acontecendo na minha vida e estou buscando respostas dentro de mim que me expliquem o porquê dessa enorme dificuldade de aceitar isso.
Da parte dele, sempre tão gentil, isso é fato: se eu estou largando tudo aqui, então tudo o que tivérmos lá, será meu e dele, dividido, tudinho. Muito dos meus tormentos vem da individualidade que eu criei esses anos todos e de repente preciso de alguém, preciso de dinheiro que não vem do meu trabalho. E não é fácil solucionar isso...
Quero sorrir e ser feliz e dar graças aos céus por ter uma vida confortável com ele. Mas não consigo ser assim. Por que...? E
ele é muito longe de ser rico, ganha apenas um pouco mais que eu. A diferença é que lá o dinheiro é mais valorizado, o poder de compra é maior. Então, não quero a imagem de golpe-do-baú. Que coisa. Sei e ele sabe muito bem também, que isso nunca me ocorreu. Na verdade preferia que ele recebesse um salário mínimo aqui no Brasil, ao menos estaríamos mais perto.
Mas não. Por um acaso ele mora lá. Estudou muito, longe da família, conseguiu se formar com os títulos mais altos da profissão dele, batalhou um emprego, trabalha muito e adora o que faz. Recebe o equivalente por esse esforço.
Eu só preciso aceitar o fato de que também lutei tanto quanto ele pela minha profissão, pelo pequeno patrimônio que construí até hoje. E que agora, ao deixar tudo isso para trás, devo olhar para a nossa renda como fruto de uma luta por um relacionamento que vale a pena. Acho que é isso, não estou certa... mas gosto desse pensamento.
Por isso que gosto de escrever, a gente ordena as idéias e reflete em tudo o que está escrevendo...
