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Distúrbio

Há mais ou menos dois anos, convivo com um distúrbio conhecido como zumbido no ouvido ou tinnitus.

É como se tivesse uma cigarra em cada ouvido, aquele apito agudo, intermitente, 24 horas por dia. Há tempos não sei o que é silêncio total, o zumbido é alto.

Meu primeiro e único diagnóstico foi feito no Hospital Edmundo Vasconcelos, ex-Gastroclínica. O médico otorrino que me atendeu fez os exames de Audiometria e Bera. Foi constatada uma perda auditiva de 20% no ouvido direito, mas meu nervo auditivo não apresenta problemas. Nenhum tratamento foi prescrito. Quanto ao ruído, o conselho que recebi do médico foi: "Você deve aprender a viver com isso. Não há cura".

Nunca mais fiz qualquer exame. Nunca gostei, na realidade, de tocar neste assunto. Por muito tempo tentei pesquisar o assunto no Brasil, mas existem pouquíssimas informações. Mas desde que cheguei à Inglaterra, me incomodo com o fato de não entender as pessoas falando comigo em inglês. É claro que inglês britânico não é lá muito simples de entender, mas sinto que grande parte é porque não consigo ouvir direito, o ruído é sempre mais alto que qualquer voz.

E então comecei a pesquisar sobre o assunto novamente, em sites britânicos e americanos.

Descobri que na verdade, o problema não tem cura mesmo, os médicos sequer têm idéia de onde se encontra o ruído-fantasma. É quase certo que o zumbido no ouvido não é uma doença e sim um sintoma. Pode ter começado por inúmeras razões. O principal fato é que houve uma perda na minha audição e os neurônios cerebrais tiveram que fazer uma reorganização. Algo na sinapse de alguns neurônios está incorreta e por isso o cérebro "ouve" o zumbido. Não há como corrigir isso.

Porém há tratamentos e terapias para minimizar o distúrbio. Formas de fazer o cérebro desviar a atenção do ruído. E não basta boa vontade, é preciso fazer exercícios de relaxamento e audição de outros ruídos até conseguir fazer o cérebro desviar. Não é fácil, mas é possível. O mais complicado é encontrar um profissional que entenda muito bem desse distúrbio, principalmente quando acomete jovens, cujo tratamento deve ser completamente diferente já que as células respondem mais rápido. E estou a procura de um médico desses.

O que mais me assustou enquanto fazia as pesquisas foi ter encontrado diversas vezes, em diversos lugares diferentes, a frase: "Se o seu médico otorrino lhe disse alguma vez 'você deve aprender a viver com isso, não há o que fazer', não acredite. Há muito o que ser feito, há diversas formas de minimizar seu sofrimento antes de se conformar". Fiquei pensando se em algum livro de medicina deve estar escrito: "se seu paciente apresentar tinnitus, diga a ele: ''você deve aprender a viver com isso, não há o que fazer' e mande-o para casa". Porque é muita coincidência. É tão errado dar falsas esperanças tanto quanto é errado erradicar qualquer esperança.

O que aquele médico otorrino não entendeu é que quero ao menos tentar melhorar, não conviver a contra-gosto com o distúrbio.

Enfim, estou apenas no começo desse caminho agora.

Apesar da minha repugnância aos aparelhos auditivos, Martin procurou e encontrou no website da Siemens que existe um aparelho que trata da perda auditiva ao mesmo tempo que controla o zumbido. Mas não temos idéia de como adquiri-lo pelo preço altíssimo. Há outras opções, continuo pesquisando até encontrar o médico que possa realmente prescrever um que me ajude.

Não é facil escrever aqui sobre isso. Mas sinto que precisava admitir para mim mesma que preciso cuidar deste distúrbio.

Agora faço parte de um fórum, com pessoas com o mesmo problema e isso também está ajudando bastante. São os primeiros passos de um longo caminho, que pode chegar a lugar nenhum. Mas já vale pela intenção dos passos.