Para onde ir?
Concordo que Rubinho poderia ter trocado de equipe para tentar ter um pouco mais de respeito e dignidade, ao invés de renovar por mais 2 anos. Mas para que equipe correr? A grande verdade é que atualmente não há páreo para a Ferrari. A Willians passou a corrida toda de ontem com uma diferença grande atrás das Ferraris. Mesmo os feras Montoya e Ralf mal enxergaram os vermelhinos na frente deles. A McLaren de David Couthard terminou em sexto lugar. As outras equipes há muito tempo não sentem o gosto da champagne do pódium.
Então, acredito também que não é fácil decidir sair da Ferrari e ir para uma equipe com um carro que não alcança os líderes. E ser eternamente considerado um pé-de-chinelo. Entre chegar em segundo lugar e não chegar, eu preferiria chegar em segundo. Aliás, mercenariamente falando, com um salário US$ 5,5 milhões por ano, eu deixaria o Schumacher passar mesmo, até dava tchauzinho. :o)
Aqui na Inglaterra e em toda a Europa, Rubens -- como o Rubinho é chamado -- é muito respeitado. Lendo os jornais e
assistindo ao noticiários, é fácil perceber a admiração da imprensa pelo trabalho dele. Nunca vi isso no Brasil, muito pelo contrário. Assim que acabou a corrida, acessei os sites de notícias do Brasil para saber como estava sendo a repercussão. A maioria das manchetes era "Barrichello cede primeiro lugar a Schumacher". Sendo que aqui na Europa, as manchetes
acusavam a Ferrari pela postura injusta, defendendo a boa atuação do Rubinho. Uma das manchetes era "Ferrari rouba a vitória de Barrichello" ou "Barrichello: o vencedor moral".
Seria bom se um dia o povo brasileiro começasse a dar mais valor ao que é da própria terra. Rubens Barrichello não é Ayrton Senna, nem nunca vai ser, nem mesmo quer ser. É preciso entender isso.
