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Que não vença o melhor

Não basta mais torcer para o Rubinho Barrichello. Agora é preciso torcer para que o carro não quebre, que ele não saia da prova, que ele ultrapasse todo mundo e que finalmente a Ferrari deixe-o cruzar a linha de chegada sem dar passagem para o Schummy.

Me senti ofendida e desrespeitada por ter assistido -- e torcido -- todas as 71 voltas, para depois a Ferrari decidir que quem deve vencer não é o melhor. Sim, nesta prova Rubinho foi o melhor, ninguém -- nem Schumacher -- chegou a ameaça-lo, desde a largada.

Não é a primeira vez que isso aconteceu. Já não é mais esporte, se é que um dia foi.

Na entrevista coletiva -- não sei se no Brasil apareceu esta coletiva -- Rubinho carregava uma toalha, porque obviamente estava chorando, mas também uma decepção claramente estampada em seu rosto, apesar de falar as palavras que a Ferrari mandou. Schummy, ao seu lado, visivelmente desconfortável, completamente envergonhado por vencer desta forma, recusou responder algumas das perguntas. No fim da prova, as câmeras mostraram Ralf Schumacher encarando feio, balançando a cabeça negativamente para o irmão, como quem diz: "que palhaçada!" e a TV inglesa reprisou mais de dez vezes a cena, como se fosse a imagem da própria opinião. Os comentaristas ingleses também lamentaram profundamente que a Ferrari tenha tirado o direito do
Rubinho vencer, disseram que foi uma atitude anti-esportiva para se dizer o mínimo. E olha que inglês não gosta de criticar diretamente.

Foi vergonhoso.