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De Volta ao Lar

Não há como escrever aqui o quanto foi difícil ter que abraçar minha família no aeroporto e partir. Senti muito mais desta vez, foi milhares de vezes mais difícil. Porque eles todos estavam lá, nos olhando, já com muitas saudades. Não sou boa em despedidas. Pensei em ligar para todos amigos e não liguei para ninguém. Não liguei porque já estava sendo bem difícil o suficiente. Espero que todos entendam. Na sala de espera Martin e eu choramos, mas ao mesmo tempo estávamos felizes, já que não há aeroportos que nos separem mais. Foram dias maravilhosos e assim vou guardar na lembrança do meu coração. Adoramos cada instante, cada minuto foi muito especial. O tempo passou voando, duas semanas voam com asas de concorde.

Aproveitamos ao máximo a companhia da minha mãe, do meu pai, da minha irmã Débora e do Cláudio, do meu irmão Júlio, da Maristela e da linda Juliana, da Bianquinha que dormiu conosco o tempo todo, do primo sempre muito amigo Maurício, do Marcelo, da Nete, do Lucas e Matheus, da minha tia querida Elza e do meu tio Paulo, do primo Hiroshi. Senti falta do meu irmão Claudinei, da Angélica e do pequeno Kauan, mas oportunidades de nos encontrar não faltarão, ainda precisamos conhecer a bela Fortaleza!

Fomos ao Brasil com uma mala e voltamos para a Inglaterra com três, além de duas bagagens de mão. Trouxe algumas roupas que não couberam na mala no dia da mudança, trouxe livros, CDs, algumas guloseimas brasileiras, duas pingas Ypioca, Tupperwares novinhos (ótimos para levar em festas de tias e trazer muita comida, eita) e muitas coisinhas de decoração. Compramos novos peixinhos flutuantes de vidro (deveria ter comprado mais três, ficou sobrando espaço no aquário ainda), compramos algumas roupas novas e CDs de softwares.

O vôo de volta -- para compensar a ida que foi um inferno -- foi bem tranqüilo, conseguimos assentos na porta de emergência, o que significa nenhum banco a nossa frete e espaço de sobra para esticar as pernas. A refeição -- só porque eu havia falado que era um horror para todo mundo -- estava maravilhosa! Até o pãozinho, que geralmente serve como instrumento letal, estava fofinho e quentinho. Uma delícia. Mas não há nada que minimize o desconforto de voar por 11 horas, de (tentar) dormir sentados, de usar banheiro minúsculo, de chacoalhar nas turbulências. Aterrissamos em Londres num calor insuportável, mais de 27ºC, sem vento e seco. Passei pela imigração sem qualquer problema desta vez, apenas disse que sou casada com um inglês e meu passaporte foi devolvido sem mais perguntas, nem quiseram ver a certidão de casamento que eu havia colocado junto com o visto. Eles devem pensar: "se um polido inglês escolheu ela para casar, então ela não deve ser de todo mal". Mas enfim, acabou aquele stress todo de ter que provar que não sou clandestina.

Pagamos o hotel cinco estrelas em que nosso carro ficou hospedado e viajamos cerca de duas horas até chegar em
Bournemouth. Entramos em casa exaustos, nem conseguíamos conversar direito, as frases não faziam o mínimo sentido. Fiz um macarrão com atum (tava muito calor!!), agüei as plantas, cochilamos, fomos comprar leite, jantamos pizza congelada e caímos na cama. Acordamos hoje depois das onze da manhã.

Apesar da grande saudades de todo mundo que está no Brasil, é muito bom poder dormir na nossa caminha, é muito bom estar de volta ao lar, com meu queridíssimo Martin ao meu lado. Aqui é meu lar. Estou feliz de estar de volta. Meu coração está no Brasil e aqui em casa ao mesmo tempo. É bom voltar. Para qualquer um dos países. Sempre. :o)