Bichinhos, insetos e afins
Tava lendo no blog da Giorgia sobre aqueles bichinhos que aparecem no arroz japonês e me lembrei da minha infância um tanto pitoresca. Eu adorava (hoje apenas gosto) de tudo quanto é bichinho pequeno. Apesar de todo o arroz ter sido estragado, eu adorava ficar assistindo os bichinhos pretos andando e se afundando no arroz branco, ficava imaginando o que ele estava fazendo, aonde ele pensava que ia.
Joaninhas eram uma fascinação para mim, coloridas, aladas, lustradas. Sentia-me sortuda toda vez que encontrava uma joaninha. Morávamos numa casa praticamente no meio do mato e era fácil encontrar muitas joaninhas numa planta com pequenas flores amarelas. Era só prestar atenção que a gente encontrava uma joaninha. Assim que encontrava uma, eu a colocava numa caixa de fósforo e levava pra casa. Arrancava as asinhas internas (cruel, eu sei, muito cruel) para que ela não voasse e continuasse minha amiguinha (!!!!). Adorava que ela passeasse na minha mão, na mesa, no chão. Depois de brincar, eu soltava a coitada sem asas, manca, cansada e estressada novamente no jardim de casa e ia dormir feliz, veja só.
Aahh, mas minha verdadeira paixão eram as formigas! Formigas eram o máximo do máximo. Tinha até a espécie predileta: as formigas pretas da casa do meu primo Maurício. Elas eram lisinhas, tamanho bom, não picavam forte e facílimas de encontrar no quintal da casa dele. Maurício, minha irmã e eu brincávamos juntos por horas e horas e horas com as formigas. Primeiro a gente pegava umas plantas dos vasos do meu avô, geralmente pétalas de suculentas. Macerávamos as pétalas num potinho de Danoninho até formar um caldo verde. Íamos em busca dos nossos "pacientes" doentes que precisavam ser tratados com o "remédio" que havíamos criado. As pobres pacientes eram as formigas que passeavam em fila no varal. Cada um pegava seu "paciente" com muito cuidado para não matá-las antes. Segurávamos a formiga pela cabeça e derramávamos o caldo verde na boca delas, para que "bebessem" o remedinho. De vez em quando dávamos pétalas das suculentas para elas morderem (e mordiam mesmo) ou um pouco de açúcar. Algumas ficavam bem ruinzinhas, sabe? Nem andavam mais e daí a gente mandava para a UTI: secava a coitadinha com papel higiênico, esticava as perninhas e as anteninhas dela com palitos de dente e ficavam os três esperando que ela se movesse. Algumas realmente conseguiam sobreviver e começavam a dar alguns passos. Êêêêê, era uma vitória para todos nós, fazíamos muita festa! Soltávamos a bichinha no jardim da minha tia para ela viver feliz (???). Algumas infelizmente passavam desta para melhor e nos restava esculpir pequenas caixinhas de isopor para fazer o enterro da pobrezinha infeliz. Me lembro que uma vez, desenterramos uma das caixinhas de isopor para tentar ver o esqueleto da formiga e não encontramos nada (Maurício nega este acontecimento até hoje, mas eu me lembro bem!). Concluímos que a tal formiga não tinha morrido, estava só fingindo e depois escapou da caixinha. Êêêêê, ficávamos satisfeitos e íamos brincar de novo. Formigas eram fontes inesgotáveis de brincadeiras para nós. :o)
Definitivamente, todos os insetos e demais bichos de minúsculo porte deram vivas pela invenção do Atari!! :o)
