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Macko Jacko, o Monstro

Ontem na ITV1 passou um programa de duas horas chamado "Living with Michael Jackson", que a mídia já estava falando há tempos que seria uma entrevista inédita e com exclusivo acesso à sua vida privada. O jornalista responsável pela entrevista foi o britânico Martin Bashir, famoso pelas confissões arrancadas da Princesa Diana. Bashir ficou hospedado na Neverland, a "casa" onde Michael Jackson mora.

Estávamos supercuriosos para ver o programa, saber que o ele iria falar sobre tantas coisas estranhas de sua vida. Era a chance de Michael se explicar e mostrar a todo mundo que ele não é nenhum monstro, que não é nenhum ser doente, esquisito e paranóico.

A entrevista começou bem, com o popstar falando sobre a violência que sofreu na infância, sobre o ódio pelo pai, sobre dinheiro e fama. Ele mostrou alguns cômodos da casa, o parque de diversões no jardim, as árvores centenárias. O entrevistador notou que os personagens de Peter Pan é o tema determinante da decoração interior da casa e pergunta qual é a analogia.

Jackson responde que a casa é Neverland, a terra de Peter Pan onde nenhuma criança cresce. E complementa: "Eu não quero crescer. Eu sou Peter Pan". E na mesma hora o jornalista rebate: "Não, você é Michael Jackson".

Michael mostra pela primeira vez seus filhos, Prince Michael I e Paris. As duas crianças passam o programa inteiro usando
máscaras de borboleta. Segundo o pai, é para manter em sigilo a imagem das crianças e proteger sua privacidade. Prince tem
cinco anos, pele muito branca e cabelos (já) oxigenados. Paris tem quatro anos, cabelo castanho crespo e pele bem branca também. Bashir pergunta para Prince "onde está sua mãe?" e o menino responde sem titubear: "eu não tenho mãe". Michael afirma que eles são seus filhos legítimos e que a mãe simplesmente deu as duas crianças como um presente para ele e não os visita mais.

Tudo ia bem na entrevista até chegar no ponto crucial: a cirurgia plástica. E a partir daí o programa descamba para o ridículo, com o popstar afirmando que sofre de vitiligo, doença que embranqueceu sua pele, que as suas feições mudaram naturalmente com o seu crescimento e que ele fez apenas duas cirurgias no nariz para ajudar sua respiração. Martin Bashir questionou e insistiu no assunto, dizendo que sua boca, seus olhos, seu rosto inteiro mostrava que muita intervenção cirúrgica havia sido feita. Ele nega absolutamente tudo.

Os dois embarcam para Berlim onde Michael Jackson recebe uma premiação e onde também acontece o encontro do jornalista com o
terceio filho do astro: Prince Michael II. Martin Bashir está no mesmo quarto de Michael, quando este, completamente excitado
com o assédio dos fãs na rua, começa a pular, a acenar sem parar, escreve dedicatórias nos travesseiros e atira-os pela
varanda. Até que então ele pega o filho recém-nascido, cobre o rosto da criança com uma fralda e pendura-o para fora da varanda do quarto do hotel. Todos prendem a respiração, Bashir está branco de susto. Michael volta saltitante para dentro do quarto, quer mais e mais assédio.

No dia seguinte, escândalo nos jornais, intimação na polícia, serviço social batendo na porta. Michael balança a criança no colo nervoso, tão rápido e forte que a criança mal consegue fixar a boca na mamadeira. E pela primeira vez ele afirma que o filho em seus braços foi gerado através de uma "mãe de aluguel". Ele escolheu as características físicas das mães, doou seu semen, fez o contrato e gerou a criança. Ele nunca encontrou ou viu a mãe da criança.

Com a avalanche de jornalistas querendo explicações sobre o incedente em Berlim, a entrevista escorre pelo ralo. Michael fica na defensiva, não responde a mais nada, nega todas as evidências. Inclusive as acusações de pedofilia. Ele afirma que continua recebendo crianças na Neverland e que seu melhor amigo Gavin, um garoto de 12 anos, costuma dormir no mesmo quarto e, muitas vezes, na mesma cama. Indignado, Bashir entrevista o garoto, que afirma dormir sempre no mesmo quarto que Michael porque quer estar sempre perto dele. E diz que seus pais estão tranqüilos com isso. Michael acusa Bashir de querer dar uma conotação sexual inexistente ao fato e encerra a entrevista.

No final, pudemos reafirmar a certeza de que Michael Jackson é mesmo um ser doente, esquisito e paranóico.