maio 29, 2003

Preparativos

Estou ansiosa pela final de semana! Ontem comprei um brinquedinho para a Holly, vááários mordedores bem bacanas presos num trenzinho que toca "Ol' Macdonald". Comprei também dois travesseiros liiindos, foooofos e graaandes! Nós temos dois travesseiros daquele Dunlopilo de latex, que para mim são altos e firmes demais. Agora temos outras opções para deitar a consciência!

Hoje interditei um dos banheiros, o social. Lavei e desinfetei o banheiro tooooodo e não deixo ninguém usá-lo até as visitas chegarem. Me aguardem que logo vai ser a cozinha a ser interditada.

A cesta de legumes chegou também, cheia de verduras desta vez, um batalhão de folhas para lavar. E 50p mais cara, não sei aonde é que aconteceu essa inflação, que eu perdi. Ainda preciso passar no supermercado para comprar mais comida para a semana toda. Ainda não sei o que vou preparar, preciso me decidir... No sábado vou fazer o Roast Beef com toooodos os acompanhamentos. E é só o que eu tenho planejado até o momento, preciso me inspirar (risoto? espaguete? torta? take away?).

A todo instante fico me policiando e pedindo para mim mesma não tentar ser perfeita, nem me sentir culpada pela desarrumação da casa ou pelo cardápio sem imaginação. E assim faço uma coisinha a cada dia e pronto.

Escrito a mão pela Marcia às 4:55 PM | Comente este fragmento(4)

maio 28, 2003

Visitas Ilustres

Teremos um final de semana de casa cheia! O pai e a mãe do Martin estão vindo neste sábado para passar as férias de alguns dias aqui em casa. Estou muito contente porque vou ter companhia nos dias em que o Martin for trabalhar!

E nossos padrinhos de casamento, Rob e Louise, vão chegar aqui no sul na sexta-feira a caminho da França e nos reuniremos para um jantar em Poole. Vai ser a primeira vez que encontraremos com a bebezinha Holly, que já está com seis meses. Lembram-se dela? Uma vez comentei aqui dos problemas respiratórios que ela passou quando era apenas uma recém-nascida, mas agora ela já está super saudável, linda e alegre.

É bom ter visitas aqui em casa! Quer vir também? :o)

Escrito a mão pela Marcia às 8:18 AM | Comente este fragmento(6)

maio 26, 2003

De Folga

Hoje é feriado aqui, o segundo deste mês e o antepenúltimo do ano. E está um dia bem bonito, com sol, calor e céu azul. Uma delícia. :o)

Escrito a mão pela Marcia às 9:21 AM | Comente este fragmento(6)

maio 23, 2003

O último capítulo...

...da novela de vistos se encerrou hoje.

Yes, nós temos um visto!

Acabei de receber agorinha pelo correio meu querido passaporte com meu visto definitivo e permanente estampado. E também uma carta do Home Office dizendo que agora eu posso permanecer indefinidamente no Reino Unido, que simpáticos eles.

Pheeeeeeww... por mais que eu saiba que tenho tudo certinho, até chegar o passaporte estampado não consigo ficar tranqüila. Principalmente agora que há uma revolta social contra asilados, a situação não é a das fáceis para imigrantes.

Mas, enfim, aqui estou agora.

Em 2001 dei entrada no meu primeiro visto, que foi o Entry Clearance for Marriage, que durou seis meses, prazo em que nosso casamento aconteceu. Um mês antes de vencer esse visto, tive que mandar todos meus documentos para receber o visto Further Leave to Remain, que me permitiu ficar aqui por todo o ano de 2002. E em então em 2003, solicitei o visto Indefinite Leave to Remain, que chegou hoje e finalmente me legaliza como residente do Reino Unido.

Com esse visto, a partir de agora, não posso passar mais que dois anos consecutivos fora do país. Mas também não preciso mais enviar mundos e fundos para o Home Office para provar que meu casamento não é arranjado e que não vou usar o Public Fund para me manter.

Só quem já passou por esse caminho estressante, desgastante e burocrático sabe o quanto vale a pena conquistar um visto definitivo. Não me arrependo de ter sido tão perfeccionista neste ponto de planejar adiante, organizar os documentos, separar e etiquetar tudo, solicitar os vistos dentro dos prazos. Valeu a pena.

Sou uma residente britânica de hoje em diante. Hooray! :o)

Escrito a mão pela Marcia às 10:40 AM | Comente este fragmento(19)

maio 22, 2003

Repouso

Hoje preciso descansar. Passei a noite inteira feito uma rainha: sentadinha no trono. Dormi pouquíssimo e tive um mal-estar horrível. Agora vou fazer minha canja e meu chá de camomila. Já estou melhor, mas estou cansada...

Escrito a mão pela Marcia às 3:52 PM | Comente este fragmento(3)

maio 19, 2003

Nó no Português

A querida leitora Márcia Aguiar corrigiu um erro horrendo de português num dos meus mal traçados posts. Eu havia escrito "dispensa" quando o certo deveria ter sido "despensa". E o pior é que eu estava crente que estava tudo certinho, muito ruim, eu sei.

Mas uma coisa que eu acho muito engraçada é como ando errando algumas grafias em português. Geralmente eu percebo o erro assim que digito a palavra na tela, então apago e escrevo de novo. Mas se eu fosse publicar aqui todas as palavras que eu erro na primeira vez que digito, iria causar um infarto fulminante e depressivo no pobre Professor Pasquale, que foi meu professor Gramática e Língua Portuguesa.

Apesar de pensar com meus botões o tempo todo em português (meus botões não são poliglotas afinal), apesar de ler muitos blogs e sites de notícias em português todos os dias, apesar de escrever e-mails e posts para o blog todos em português, agora faço erros que jamais cometeria há dois anos.

Sempre fui redatora publicitária, então sempre tive que tomar muito cuidado com a grafia e a gramática de cada frase para não ter encarar um fotolito estragado, ou pior ainda, uma tiragem inteira destruída. Escrever corretamente era mais que minha obrigação, mas eu o fazia porque sempre foi meu prazer respeitar esta língua tão bonita que é o português.

Outro dia eu estava escrevendo algo e de repente reparei que havia escrito "eu fasso" (sic). Que horror! De alguma forma, viver aqui e falar uma outra língua está dando um nó no meu português. Já desconfiava e agora ando suspeitando mais ainda. Talvez porque o som e a grafia em inglês me faz usar "dois s (ss)" ao invés da "cedilha (ç)" ou talvez porque a mesma palavra em inglês é escrita de forma diferente ou, enfim, talvez porque meu célebro realmente virou polianalfa, analfabeto em várias línguas.

Ó skies! :O

Escrito a mão pela Marcia às 9:54 PM | Comente este fragmento(12)

Espera do NHS

Em fevereiro deste ano fui ao meu médico pedir para ele marcar uma consulta num otorrino para mim (aqui não é o paciente que marca as consultas com os especialistas e sim o clínico geral). Na mesma hora ele me colocou na fila de espera do hospital que vai me atender.

Somente hoje, depois de três meses de espera, que consegui uma vaga para uma consulta em junho.

Este é o único lado não-tão-bom do sistema de saúde público daqui, a espera por uma vaga. De resto, não tenho o que reclamar. Vou poder fazer minhas consultas e exames audiométricos todos de graça em um bom hospital e estou muito satisfeita com isso. Até o tratamento vai ser subsidiado. Eba! :o)

Escrito a mão pela Marcia às 1:36 PM | Comente este fragmento(3)

País do Samba Todo Dia

Recebemos uma mala direta da British Airways, com promoções de alguns vôos internacionais. Entre eles, um nos chamou a atenção. Dizia mais ou menos assim:

"Aproveite o melhor do carnaval no Rio de Janeiro por apenas £499. Oferta válida de 01 de Setembro à 01 de Dezembro."

E quem me chamou a atenção para o erro foi Mr.M, que percebeu que no período da oferta não tem carnaval nenhum para aproveitar. Tsc, tsc.

Escrito a mão pela Marcia às 1:14 PM | Comente este fragmento(3)

maio 18, 2003

Domingo Canseira

Depois de duas semanas sem ir à academia, hoje foi difícil recomeçar. A academia estava em reformas e nesse tempo aproveitamos para sedentarizar (?), nem uma caminhada básica fizemos. Mas apesar do cansaço de hoje, depois de fazer todas as séries que pareciam pesar o dobro, saímos de lá nos sentindo bem melhores. Pensei que nunca iria chegar o dia em que eu fosse assumir que senti falta da academia. Uff... :o)

Escrito a mão pela Marcia às 12:03 PM | Comente este fragmento(1)

maio 17, 2003

Sábado no Forno

Acordamos cheios de preguiça hoje e o tempo lá fora está chuvoso, chuvoso, chuvoso... Tomamos um café e aproveitei para assar um brownie, daqueles de caixinha. Agora Mr.M está de avental, com o meu livro do Cordon Bleu nas mãos, tentando fazer um pãozinho. Logo mais esta casa vai ser invadida por aquele aroma delicioso do fermento com o glúten assando no forno. Huuummm.... :D

Escrito a mão pela Marcia às 11:29 AM

maio 16, 2003

Despensa

Nesta casa consumimos cereal matinal,

Cereal.JPG

e um pouco de chá também,

com um pingo de leite, se lhe agrada.

Escrito a mão pela Marcia às 2:22 PM | Comente este fragmento(3)

Nestlé no Brasil

Como a Luciana havia perguntado, o Brasil já fez parte sim da lista de países onde a Nestlé realizou as ações de incentivo ao leite em pó, há vinte anos atrás (dado assumido pela Nestlé no seu próprio website), mas graças as novas leis brasileiras de defesa de consumidor e códigos que regulamentam a propaganda e a publicidade, muita coisa mudou.

Atualmente, porém, a Nestlé sofreu um processo no Brasil por não ter divulgado em uma de suas campanhas, que o leite em pó Ninho não deve ser usado como substituto do leite materno, salvo recomendação médica. Isso é uma norma para qualquer empresa de leite em pó integral e a Nestlé não poderia simplesmente ter "esquecido" de incluir essa informação. Eis a campanha que foi processada:

Quanto às outras ações, elas nem sempre foram evidentes a ponto de serem colhidas "provas", eles não são ingênuos. A campanha envolve doações de "kits de leite Nestlé" em hospitais, premiação para agentes de saúde que promovem os leites Nestlé, informações que não deixam claro os riscos envolvidos no aleitamento artificial e, em muitos países, os rótulos são em inglês sem tradução para a língua local.

Talvez para você que esteja lendo tudo isso aqui essas ações sejam normais e inofensivas. Afinal, você tem acesso à informação, entende para quê servem os anticorpos, sabe ler os rótulos, tem plano de saúde. Mas pense na população miserável, carente de assistência e informação, moradores de favela, de desertos, de córregos. É certo criar a imagem de que seu filho, sem os vitaminados leites Nestlé, não irão crescer fortes e saudáveis como os bebezinhos rosinhas e loirinhos das campanhas? É esse o ponto. Porque os bebês amamentados só no peito podem SIM crescerem fortes e sadios, principalmente por causa dos anticorpos que vêm da mãe, algo que nenhum leite em pó é capaz de fazer.

De acordo com a UNICEF, no State of the World's Children 1991, em áreas sem saneamento básico as chances de um bebê, que toma mamadeira com leite em pó, morrer de diarréia são 25 vezes maiores do que um bebê amamentado no peito. Além disso, a UNICEF estimou que a grande maioria das famílias pobres super-diluem o leite em pó para render mais, causando mais desnutrição ainda.

O protesto que o Baby Milk Action faz junto com os países do boicote não são voltados para você que trabalha e não pode amamentar, ou para você que não conseguiu amamentar no peito e decidiu usar a mamadeira. Não se sinta culpado por usar o Nan, Nestogeno ou o Ninho. Não, essa confusão toda não é para você que sabe ler, que sabe levar seu filho para vacinar, que sabe usar sapatos, que bebe água filtrada e clorada, que pode ir comprar remédio na farmácia.

O protesto e o boicote é contra a intervenção da Nestlé em países SEM sistema de saúde, de população analfabeta e pobre. É deles que estamos falando. Quando a Organização Mundial da Saúde (OSM) estima que mais de 1.5 milhão de bebês morrem por ano por falta de aleitamento materno, é deles que estão se referindo.

Já basta a miséria, ninguém precisa de perigosos e irresponsáveis incentivos para piorar a situação. A Nestlé simplesmente não precisa fazer isso, seus produtos se vendem por si só, pela excelente qualidade. A falta de escrúpulos dessas ações é que surpreende e tira o brilho de uma empresa tão reconhecida.

São quase vinte os países que aderiram ao boicote, entre eles, países em pleno desenvolvimento como a Suíça, Suécia e Canadá, incluindo ainda o apoio da UNICEF e da OSM. Eles não podem estar de todo errados.

O leite materno é de graça, seguro e melhor para todos os bebês, ninguém tem dúvida disso. Mas leite materno não faz business.

Escrito a mão pela Marcia às 9:51 AM | Comente este fragmento(3)

maio 15, 2003

Boicote à Nestlé

Por um bom tempo eu me perguntava porque não encontrava minha querida Farinha Láctea Nestlé ou mesmo o Neston, para comer de manhã, nesta terra tão fria e chuvosa. Afinal, a Nestlé é uma multinacional tão popular, que é praticamente impensável não encontrar seus produtos nos supermercados.

Há pouco tempo fiquei sabendo que na verdade, o Reino Unido todo não comercializa nenhum produto alimentício infantil da Nestlé, porque faz parte de um grande boicote que envolvem os países: Austrália, Bulgária, Canadá, Republica dos Camarões, Finlândia, França, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Mauritius, México, Noruega, Filipinas, Espanha, Suécia, Suíça, Turquia, UK e alguns estados dos EUA.

A razão deste boicote é que a Nestlé promove em países subdesenvolvidos, uma campanha vergonhosa, alegando que todo leite materno (sim, aquele que vem dos peitos das mães) é fraco, insuficiente e sem valor nutritivo, em comparação com o super-vitaminado leite em pó Nestlé. E que mesmo quem amamenta no peito, precisa oferecer o leite em pó como completementação.

Essa campanha viola as regras da Organização Mundial da Saúde, no Código de Marketing de Substitutos para o Leite Materno, que não permite que nenhuma campanha publicitária desencoraje o aleitamento materno, principalmente em países em desenvolvimento, por causa do risco de contaminação da água e das condições precárias de saneamento básico.

Porém, a advertência dada pela OMS e pela UNICEF de nada adiantou e a Nestlé continua com suas ações agressivas de marketing em países como Uganda, Paquistão, Ghana, Filipinas e Europa oriental. A Índia foi o único país que conseguiu levar a Nestlé à corte, onde a empresa foi declarada culpada e continua sendo processada.

Tendo em vista que uma multinacional do porte da Nestlé é capaz de fazer em nome do capitalismo, vários países se uniram na campanha Baby Milk Action e partiram para o boicote, com total apoio governamental, desde 1996.

O Comitê Internacional de Boicote à Nestlé está preparado para receber qualquer significante explicação da multinacional, demonstrando mudanças nas suas políticas e práticas mercadológicas. Até agora, o único pronunciamente dado pela Nestlé foi em forma de um planfeto super-chic, com design super clean, mas com um texto nojento, afirmando que suas atividades comerciais são absolutamente éticas e responsáveis. E encerram dizendo: este boicote não abala nossa empresa.

Então tá.

Escrito a mão pela Marcia às 5:49 PM | Comente este fragmento(7)

maio 14, 2003

Tem sol pra hoje?


Como vocês podem notar na previsão do tempo para os próximos dias, só veremos a cor do sol na próxima semana. Se precisarem de mim hoje, estou lá fora. :o)

Escrito a mão pela Marcia às 9:37 AM | Comente este fragmento(2)

maio 13, 2003

Terror em Moscou

Ontem passou um documentário excelente no Channel 4, produzido pelo premiado diretor Dan Reed, que me deixou petrificada.

Lembram-se daquele seqüestro que aconteceu num teatro em Moscou, onde 41 Chechenos fizeram mais de 200 reféns, no ano passado? O documentário mostrou o "lado de dentro" desta história trágica, através de imagens gravadas pelas câmeras internas do teatro, relatos dos sobreviventes e gravações das ligações telefônicas.

O que mais surpreendeu, obviamente, foi a dramática gravação do que se passou nas 57 horas de terror dentro do teatro. O documentário mostrou desde a entrada do primeiro atirador Checheno no palco até o desenrolar trágico do seqüestro. Nunca na história um seqüestro foi gravado com tantos detalhes em todo seu progresso.

Os chechenos estavam ali para exigir que as tropas russas fossem retiradas da Chechênia e que o genocídio terminasse de uma vez por todas. Sob a liderança de Movsar Barayev, estavam 22 homens e 19 mulheres, todos fortemente armados, carregando duas bombas do tamanho de um cilindro de mergulho. Duas mulheres estavam usando cintos-bombas de 2kg, além de granadas pelo corpo, eram as viúvas-negras suicídas.

O discurso de Barayev para os reféns dizia que eles estavam ali prontos para morrer em nome de Alah e que, para isso, infelizmente todos os presentes iriam morrer também.

Todo o documentário é entrelaçado com os relatos comoventes dos sobreviventes, que lembravam os momentos de desespero, de desilusão, de tensão, de reflexão da morte iminente, da apatia. Entre os reféns, estavam crianças e adolescentes também, que já nem choravam. Um deles, o mais novo entre as crianças, perguntou para a mãe como ele iria reconhecê-la no paraíso. Ela segurou a mão dele e disse que não ia ser preciso, que ela estaria com ele sempre, para onde quer que fossem.

Passado as 57 horas, após ameaças de execução e morte de três reféns, finalmente as tropas russas entraram em ação. Um gás foi introduzido nas saídas de ar-condicionado e logo uma nuvem cinza tomou conta do teatro. Os atiradores, percebendo a ação, correram para o subsolo. No teatro, ficaram apenas as viúvas-negras tomando conta dos reféns. Mas em poucos segundos, a grande maioria das pessoas foram nocauteadas pelo gás em um sono profundo.

As tropas russas invadiram o teatro e mataram todos os terroristas, que estavam inconscientes, sem machucar qualquer soldado ou refém. E o que era para ser um sucesso de planejamento militar, se mostrou um colossal desastre. O gás administrado em tal quantidade era potencialmente letal. Antídotos estavam preparados do lado de fora para serem injetados nos reféns. Mas não havia médicos o suficiente para dar as injeções. Este extraordinário contratempo levou a vida de 129 reféns, que se sufocaram com suas próprias línguas. De uma certa forma, o plano dos chechenos havia dado resultado e o triunfo miraculoso do exército Russia foi enterrado sob uma pilha de inocentes mortos.

O garoto que havia perguntado a mãe como ele a reconheceria no paraíso morreu nas mesmas circunstâncias, no hospital. Sua mãe, sobrevivente, ainda segurava sua mão e disse estava indo ao seu encontro. Saiu correndo do hospital, parou um carro na estrada, pediu que a levasse até uma ponte. Pagou o motorista com sua aliança e se jogou da ponte, num rio cheio de gelo. Foi salva, mas até hoje ela diz não se sentir feliz por isso.

Outra russa, que perdera o marido e a filha no seqüestro, diz que entende agora as razões que levam uma mulher a se tornar suicide-bomber. Ela diz que hoje odeia os chechenos com todas as suas forças, odeia até as crianças chechenas e que se não fosse pelo filho menor, hoje ela estaria toda amarrada em bombas para explodir na Chechênia.

Diante desse mútuo ódio generalizado entre Rússia e a Chechênia, um acordo de paz se tornou uma upotia tão grande quanto a dor da perda de ambas as partes.

Para ler em detalhes: www.channel4.com/culture/microsites/T/terror_in_moscow/index.html

Escrito a mão pela Marcia às 11:10 AM | Comente este fragmento(8)

maio 12, 2003

Dores

Ai.
Cólica menstrual inédita.
Forte e ininterrupta.
Ui.

Geralmente eu não tenho cólica nenhuma, só dor de cabeça. Mas este mês a cólica veio e trouxe amigos, parentes e conhecidos. Ui.

Meu conforto é ter um moço bonito que põe a mão na minha barriga e traz chá de camomila com açúcar. Eita! :o)

Update: a dor de cabeça veio para animar a festa. Salve simpatia.

Escrito a mão pela Marcia às 9:21 AM | Comente este fragmento(7)

maio 11, 2003

FELIZ DIA DAS MÃES, MANHÊ!

Quero desejar um Feliz Dia das Mães para a Dona Walkíria, nossa querida mãe que nunca deixou faltar o essencial para sua família: amor, carinho, apoio e doce de abóbora com coco!

Mãe, que a cada dia você encontre novos e novos motivos para ter sempre um sorriso no rosto e um calorzinho no coração! Um beijo grande e um abraço apertado de nós dois aqui!

E TENHA UM DIA DAS MÃES MARAVILHOSO!

Escrito a mão pela Marcia às 11:02 AM | Comente este fragmento(1)

maio 10, 2003

Nuvem na cabeça

Argh! Hoje o dia aqui está horrível, uma chuva tenebrosa, um vento tão frio, que até parece que o inverno voltou.

Sem contar que tivemos que fazer compra no supermercado ASDA hoje, pleno sábado, dia em que todas as famílias de toda a cidade resolvem fazer o mesmo. Muitos carrinhos, muitas crianças se esgoelando, muitas filas nos caixas, muitos maridos impacientes (meu inclusive) e muita pouca sanidade restando.

Mas pelo menos a casa está abastecida novamente. E temos um pão da fazenda fresquinho para comer hoje! Como sinto falta do pãozinho fresco de padaria de São Paulo... Meu cobertor cor de café-com-leite já está no sofá e é para onde vou daqui a pouquinho, tomar conta do controle remoto que no momento está nas mãos da oposição. :o)

Escrito a mão pela Marcia às 6:03 PM | Comente este fragmento(3)

maio 9, 2003

Horizonte da Homeopatia

Há um programa muito muito bom que passa na TV chamado Horizon. É uma espécie de Globo Repórter melhorado, vamos dizer assim, com reportagens e investigações. A grande diferença é que é patrocinada pela BBC, que por sua vez recebe um dinheirão de todos nós telespectadores e tem mais é que fazer programas bons. Pensou que a TV era de graça? Nananinanão, nós pagamos uma digna facada chamada TV License, mas isso é assunto para outra hora.

Enfim, o Horizon se beneficia ao ter apoio para fazer excelentes reportagens e faz isso muito bem. Geralmente abordam temas científicos, mas tudo explicado de forma simples e compreensível, ao mesmo tempo em que trazem à tona novos questionamentos e algumas prováveis respostas.

Este são alguns dos temas já apresentados pelo Horizon:

• Quem afundou o Kursk?
• A queda do World Trade Center
• Mega-Tsunami: a onda da destruição
• Anatomia de uma avalanche
• Gêmeos siameses
• Por dentro do sarcófago de Chernobyl
• Narcolepsia
• Quem construiu Stonehenge?
• O dia em que a Terra quase morreu
• Deus no cérebro

E muitos outros assuntos já foram abordados desde a estréia do programa em 1997.

Um dos assuntos que mais gerou polêmica e discussão foi sobre um programa dedicado à eficácia da homeopatia. Apesar de milhares de médicos e pacientes no mundo inteiro estarem convencidos de que a homeopatia pode curar, os cientistas continuam a acreditar que isso é impossível do ponto de vista efetivo.

Como a homeopatia funciona? O princípio básico é oferecer ao paciente uma pequena dose daquilo que está provocando os sintomas. Por exemplo, se a cebola irrita nossos olhos e nariz e nos faz chorar, então essa substância irritante pode ser dada a um paciente com rinite ou alergia, para aliviar os sintomas.

No entanto, a maioria das substâncias usadas na homeopatia são potecialmente venenosas, por isso os homeopatas diluem as mesmas em água ou bebida alcoólica por várias e várias e várias vezes.

É aí que os cientistas acreditam que tudo vai literalmente por água abaixo porque nenhuma solução diluída tantas vezes é capaz de funcionar. Por sua vez, os homeopatas acreditam que a água possui "memória" e pode lembrar as soluções que foram nela diluídas.

Até hoje ninguém apresentou qualquer prova científica explicando como os remédios homeopáticos funcionam, nenhum teste feito até o momento foi conclusivo. Isso fez com que o investigador James Randi lançasse o seguinte desafio: o primeiro que provar por A + B que os remédios homeopáticos funcionam, vai receber como prêmio 1 milhão de dólares. Nenhum pesquisador se prontificou.

Então pela primeira vez na história do programa, o Horizon decidiu conduzir seu próprio experimento científico. Juntou times de cientistas das maiores e mais respeitadas instituições do Reino Unido e trouxe o próprio James Randi e o vice-presidente da científica Royal Society para acompanharem os testes, sob as mais rigorosas condições.

O primeiro passo foi criar o remédio homeopático. No laboratório da Univesity College of London, o professor Peter Mobb produziu uma solução homeopática histamínica ao diluir uma gota do princípio ativo em 99 gotas de água. Para provar a experiência, foi necessário também diluir uma gota de água pura em 99 gotas de água pura também.

No final dessa fase, temos 10 tubos: 5 com histamínicos diluídos em água, 5 com água diluída em água. Uma gota de cada um desses dez tubos serão ainda diluídos em outras 99 gotas de água, que por sua vez, terão uma de suas gotas também diluídas em outras 99 gotas de água, assim por diante até que os 10 tubos completem 5 ciclos de diluição.

Ao final do quinto ciclo, o histamínico já foi diluído dez mil milhões de vezes. Há ainda algumas poucas moléculas deles na água, mas não muitas.

Uma nova cientista entra em cena e pega esses mesmos dez tubos e dilui uma gota de cada um deles novamente, num sexto ciclo. E repete os ciclos de diluição até chegar num décimo quinto ciclo, da mesma forma que todas as soluções homeopáticas são feitas. Todos os tubos (com histamínicos ou água pura apenas) passam pelo mesmo processo.

A solução homeopática e a água pura estão prontas para a hora da verdade. Os dez tubos finais estão enfileirados e, em cada um deles, é adicionado uma amostra de células humanas. Se a solução homeopática é mesmo eficaz, deve reagir nas células humanas.

O resultado final: o programa Horizon continua a ser apresentado nas quintas-feiras, porque não, nenhum dos produtores do programa ficaram milionários. A análise estatística confirmou que não houve diferença entre a solução que começou com o histamínico e a solução que começou como água pura.

A narração do programa termina dizendo que essa experiência não vai inibir nenhum paciente de usar a homeopatia ou deixar de acreditar nela. Mas a ciência está convencida: a homeopatia não funciona.

Para quem estiver interessado em saber mais detalhes sobre este ou outros assuntos apresentados no Horizon, ou para quem quiser contestar a idéia, acesse o site: www.bbc.co.uk/science/horizon/

Que coisa, não? :o)

Escrito a mão pela Marcia às 11:46 AM | mais em What's on Telly | Comente este fragmento(19)

maio 7, 2003

Social

Ontem a noite fomos à cerimônia de inauguração do novo escritório onde Mr.M trabalha. Tivemos que nos vestir todos cheios de pompas e foi uma noite bastante agradável. Foi um jantar de três cursos mas, para meu gosto, a comida estava bem mais-ou-menas. Entre um prato e outro, houve a apresentação de três comediantes que estavam se fingindo de garçons e foi bastante engraçado, rimos de balde.

Conversei bastante com duas esposas dos colegas do Martin: a Helen e a Debbra. Já conhecia as duas antes, elas inclusive foram no nosso casamento e foi delicioso bater papo com elas outra vez. Helen é irlandesa e deixou seu país para morar com o marido. Debbra é inglesa e também largou seu bom emprego para acompanhar o marido na nossa cidade. Então tivemos muitos assuntos em comum para conversar. Principalmente a total falta de mercado de trabalho em Bournemouth, a saudade da família e como o novo Sainsbury's em CastlePoint é lindo, hohohohoho...

Nos divertimos bastante neste evento e foi ótimo poder conversar com outras pessoas ao vivo e a cores. :o)

Escrito a mão pela Marcia às 8:41 AM | Comente este fragmento(4)

maio 6, 2003

Teste de QI

No domingo passado a BBC realizou novamente o Test the Nation, que é um programa onde o país inteiro está convidado a participar para medir o QI nacional. Basta responder a 70 perguntas de múltiplas escolhas, a respeito de linguagem, memória, lógica, matemática e percepção.

Pela segunda vez, Mr.M e eu fizemos. A grande maioria da população mundial tem QI entre 90 e 100 pontos, variando de acordo com a idade.

Nossa pontuação final foi:

Média Nacional (Inglaterra): 104 pontos
Mr.M: 122 pontos
Márcia: 109 pontos

Eu fiquei satisfeita com meu resultado, principalmente porque fiz o teste numa segunda língua. :o)

O teste de QI, porém, não prova quase nada, não é um teste de inteligência. Apenas analisa a capacidade das pessoas de resolverem problemas, através de soluções analíticas. Quer fazer o mesmo teste também? Clique aqui (em inglês).

Escrito a mão pela Marcia às 9:03 AM | Comente este fragmento(2)

maio 5, 2003

Bank Holiday

Hoje é feriado aqui e está um dia nublado, mas sem vento e a temperatura está agradável. Então...... off we go! :o)

Escrito a mão pela Marcia às 9:51 AM | Comente este fragmento(8)

maio 2, 2003

Assim não dá!

Andamos por tudo quanto é canto de Londres e nada de topar nem com o Morrisey, nem com o Ian McCulloch, nem com o Hugh Grant, que coisa! Aonde esse povo compra pão e leite? Que metrô que eles tomam? Que horas que eles saem fazer supermercado? Ô inferno! :p

Escrito a mão pela Marcia às 3:55 PM | Comente este fragmento(10)

maio 1, 2003

M&M perdidos em Londres

A melhor coisa que fizemos desta vez que fomos para Londres foi não ter feito nenhum planejamento. O único passeio que tínhamos previsto era para o Science Museum, que é tão interessante e fascinante que agrada tanto a engenheiros mecânicos como Mr.M quanto pessoas mais desavisadas como eu. Há também uma área para crianças, cheias de coisas para mover, tocar, girar, uma delícia. Há inclusive uma área que explica todos os "mistérios" de como funcionam os nossos aparatos domésticos. Aprendi passo a passo como a descarga funciona.

Ah sim! E para quem tem por volta de 30 anos, vou contar algo muito dramático e depressivo: o videogame ATARI já é peça do Science Museum, na área de brinquedos.

Este foi nosso primeiro passeio em Londres, assim que chegamos, ainda com as mochilas nas costas, porque o check-in do hotel era apenas às duas da tarde.

Depois de horas caminhando pelos cinco andares do museu, almoçamos famintos num restaurante italiano. Exaustos, demos entrada no hotel Holiday Inn. Hotel bem básico, mas ótimo para as nossas necessidades: cama confortável, chuveiro e banheira, serviço de chá, serviço de quarto e próximo ao metrô, na linha Piccadilly Circus.

Cochilamos por alguns minutos, tomamos um banho e saímos para dar uma volta ao redor do hotel. Acabamos caindo na maravilhosa Tottenham Court Road, que é uma rua especializada em lojas de móveis e decorações. Cada lugar incrível, móveis ultra-modernos, decorações divertidas, tudo muito lindo, amamos!

Fomos para um pub local e depois jantamos num restaurante indiano, que faz juz ao nome: Hot Spicy. Argh!

No domingo, foi o dia do nosso aniversário de casamento! Fomos tomar café da manhã num café perto do hotel, antes de seguir para o Hyde Park, um lugar tranqüilo para se fazer o que a gente mais precisa de vez em quando: nada.


Demos uma passada num lugar chamado Notting Hill, a área mais internacionalizada de Londres, repleta de estrangeiros. Não gostei muito de lá não, muito cheio, muito bagunçado. Passamos na lojinha brasileira, mas estava fechada. Andamos até o Rodízio brasileiro, mas o preço de £17,50 por pessoa nos fez dar meia volta.

Fomos então nos perder pela Leicester Square. Almoçamos num restaurante japonês especializado em noodles, o Wagamama! Pedimos uma porção de gyoza e agora Martin é fã da iguaria! Servidos com um caldo bem suave, os noodles estavam deliciosos, cobertos por fatias finíssimas de carne de porco assada, brotos de bambu, pak-choi e cebolinha verde.

A seguir descemos até a Trafalgar Square, linda com suas fontes azuis, aqueles leões pretos enormes, o obelisco, a visão do Big Ben láááá no fundo. Um lugar de turistas mesmo, sem dúvida.

E eis que nos vimos na frente do National Gallery. Entramos. Indescritível. Lindo demais. Rico demais. O que mais me impressionou foram obviamente as obras mais importantes da humanidade. Ver Sunflowers, de Van Gogh; The Arnolfini Portrait, de Jan Van Eyck; Peace and War, de Rubens; entre outras tantas telas famosas, que eu só conhecia nos livros de História da Arte, foi realmente emocionante. Saber que na frente dos seus olhos estão as tintas que um dia Michelangelo, Rubens, Renoir, Van Gogh e Leonardo da Vinci puseram as mãos é algo indescritivelmente fantástico.


Mas nem só os clássicos são belos. Nos impressionamos também com um artista australiano chamado Ron Mueck, que faz esculturas super-realistas de figuras humanas, que deixam o público realmente de boca aberta, pela perfeição da cor da pele, da composição dos pêlos, dos poros, das rugas e dobras, uma obra admirável.

Saímos do museu e andamos em direção a Piccadilly Circus. Toda vez que eu penso em Londres, a imagem deste cruzamento da Picaddilly Circus é que me vem a mente. Prédios antigos, double-deckers, telões de plasma, muito trânsito, muita gente.


Ainda sem destino, andamos pela Regent Street, visitamos a loja de brinquedos Hamleys e acabamos descobrindo a rua paralela, Carnaby Street, famosa pelas lojas descoladas e mudérnas, uma graça de rua, toda de paralelepípedos, mesinhas na calçada, enfeites coloridos por todo canto. Descansamos os pés no pub Shakespeare's Head, que é todo decorado com trechos de suas obras.

Voltamos para o hotel para um banho e trocamos de roupa para o nosso jantar especial. A escolha foi do Martin: um restaurante belga em Convent Garden, que é outro lugar que adoramos ter conhecido, assim, quase que por descoberta. A área é linda, também toda de paralalepípedos, com restaurantes bem bacanas, teatros, mercado local, docerias, pubs com mesas ao ar livre. Num vão entre as lojas, estava acontecendo o ensaio de alguns cantores de ópera e a delicada música dava para ser ouvida de todos os cantos. Estávamos procurando o restaurante, andando pelas ruas de Covent Garden e eis que subtamente um elegante e magnífico prédio de arquitetura absurdamente estonteante surge na nossa frente: era o Royal Opera House, que está no momento apresentando a ópera Madama Butterfly e o balé de Nureyev.

Encontramos nosso restaurante: o Belgo Centraal. Comemos muita carne regada com cerveja belga, que estavam ambos deliciosos. Apesar do requinte dos pratos servidos, o Belgo Centraal é característico de uma grande tendência dos restaurantes considerados trend em Londres: localizado no basement, ao invés do nível da rua. Ou seja, você entra no restaurante, desce lances de escadas, atravessa a cozinha e aí sim encontra o lugar das mesas propriamente dito, quase num porão mesmo, com mesas comunitárias, decorações contemporâneas destacando entre os tijolos aparentes. Bacana, mas não muito romântico. Mas enfim, a refeição estava excelente, a sobremesa divina e tivemos uma maravilhosa noite.

Dormimos o sono dos justos, quase sem acreditar que fizemos tudo isso num dia só. No dia seguinte, era o dia da nossa partida. Arrumamos nossas mochilas, fizemos o check-out e saimos em baixo de chuva de volta ao Covent Garden, porque queríamos conhecer melhor o lugar. Tomamos café da manhã por lá, passeamos um pouco e seguimos para South Bank, onde fizemos minha tão esperada atração: demos uma volta no London Eye! Apesar da chuva, avistar toda Londres de uma altura de 135 metros, numa das mais modernas arquiteturas e engenharias voltadas ao turismo do mundo foi inesquecível! Valeu a pena cada segundinho quase voando, com ampla visão do Velho Mundo.

Com essa chave de ouro virada, pegamos nosso trem e voltamos para casa, exaustos, felizes e muito, mas muito satisfeitos com nossa mini-férias em Londres. E com a sensação de que ainda há tanto para se ver e fazer por lá nas próximas vezes...

Escrito a mão pela Marcia às 10:02 AM | mais em On the Road Again | Comente este fragmento(7)