abril 27, 2004

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Hoje estaríamos comemorando nosso segundo aniversário de casamento. Apesar da imensa gratidão que temos um pelo outro por sermos parte de um relacionamento tão precioso em nossas vidas, hoje não estamos celebrando.

Porque hoje, pela terceira vez nesta semana volto do hospital. E não há nada mais a fazer a não ser aceitar a perda do nosso primeiro bebê.

A dor, o desolamento, a imensa tristeza têm devastado nossos dias, nossos planos, nossos sonhos. A cada instante, a cada gota de sangue, a cada contração, perdemos alguém que há algumas semanas já havíamos acostumado a amar.

Não há muitas palavras que nos tragam muito conforto, não há sequer uma intenção minha de procurar compaixão aqui. Por isso peço, encarecidamente, que nos poupem de comentários sobre adoção, que ainda somos novos, que o feto era muito novo, que isso acontece, que ainda era muito cedo, porque não, não é isso que queremos ouvir neste momento, nem é isso que vai nos fazer sentir melhor.

Se hoje escrevo aqui algo tão íntimo e delicado e pessoal, é porque é simplesmente impossível deixar de pensar, lamentar e viver o que estamos passando.

Estamos vivenciando nosso luto e não sabemos quando ou se um dia essa dor vai mudar. No entanto, no dia do aniversário do nosso casamento, podemos ter a certeza de que atravessamos uma fronteira em nosso relacionamento. E quem passa por essa fronteira nunca mais é o mesmo. Estamos mais unidos que nunca, estamos mais forte individualmente apesar da imensa perda que despedaçou nossos corações. Mas estamos juntos, repartimos agora essa mesma perda, em iguais pesares, em nossa vida em comum.

Por muito tempo escrevi aqui como a vida vinha se apresentando, com bons e maus momentos, com relevos e planícies, com sorrisos e lágrimas. Como em todo livro, como em toda estória, há sempre um conflito, um drama que enriquece a trama, o ápice da crise.

E neste momento, alcanço esta fase da minha vida escrita aqui. E em como todo bom livro (porque, afinal, eu espero que minha vida tenha sido uma boa leitura até aqui) há sempre aquele momento em que a gente precisa descansar o livro, colocar um marcador na página e refletir em tudo o que foi lido. Meu momento de fazer isso chegou nesta página.

Aqui coloco meu marcador. Não sei quando volto a escrever aqui. Não sei quantas páginas mais serei capaz de escrever depois do conflito. Mas agora tudo o que posso pensar é em respeitar nosso momento de luto, de desilusão e já de tantas saudades.

Que o nosso pequeno, a quem chamávamos de Little M, vá voando feliz para o céu, de onde irá acompanhar nossas vidas aqui na Terra.

Vá Little M e seja feliz com o amor tivemos e que sempre teremos por você. Já sentimos muitas saudades e nunca, jamais esqueceremos de ti.

"Would you know my name
If I saw you in Heaven?
Would it be the same
If I saw you in Heaven?

I must be strong
And carry on,
'Cause I know I don't belong
Here in Heaven.

Would you hold my hand
If I saw you in Heaven?
Would you help me stand
If I saw you in Heaven...?

I'll find my way
Through night and day,
'Cause I know I just can't stay
Here in Heaven.

Time can bring you down,
Time can bend your knees.
Time can break your heart,
Have you begging please,
Begging please...

Beyond the door
There's peace I'm sure,
And I know there'll be no more
Tears in Heaven..."

Escrito a mão pela Marcia às 3:37 PM | mais em M&M Family | Comente este fragmento(83)

abril 23, 2004

Muitos chefes em minha cozinha

Esta vida moderna às vezes se torna por demais exigente e demanda demais minha atenção ultimamente. É claro que é sempre em nome da segurança, da economia e da funcionalidade, mas muitas vezes me sinto patronizada, comandada, chefiada por eletrodomésticos estressados.

Tô aqui com minha vida tranqüila e minha cabeça de vento e tem sempre algum eletrodoméstico me atazanando os pacovás (onde ficam os pacovás, afinal de contas?? pensando bem, melhor nem perguntar). Tô ali na cozinha, linda, livre, leve e faminta para fazer qualquer coisinha e chegam os bosses apitando na minha cabeça, com deadline pra anteontem!

Se estou descongelando algo no microondas, na metade do tempo ele começa piiii, piiii, piii... e o letreiro nada simpático já vai logo mandando: "vire-do-outro-lado, vire-do-outro-lado, vire-do-outro-lado..." Nem um "por favor", "por obséquio", "por gentileza", nada. O que aconteceu com as boas maneiras, hum? Até eu perceber que o microondas está falando do alimento em não de minha pessoa, vou ali virar o tal para descongelar o outro lado. Mal abro a porta e o visor já começa piscar com outro mandato: "feche-a-porta, feche-a-porta, feche-a-porta..." De vez em quando eu respondo bem alto pro visor: "COMÉ QUE CÊ QUER QUE EU VIRE O PRATO SEM ABRIR A PORTA, INTÃO?!?!?" Humpf. Tenho paciência não. Daí eu viro o prato, mal fecho a porta e lá vem o visor comandando: "press-start, press-start, press-start..." E lá vou eu também: "EU SEEEI. EU SEI! HELLO-OU?"

Paciência, não.

Abro a geladeira, querida e silenciosa. Pego isso, pego aquilo, jogo fora aquele pacote plástico com um gremilin verde-musgo dentro que outrora fora um pé de alface, abro um pote de geléia pra ver se ainda tá boa, chacoalho a caixa de suco para ver quanto ainda tem e de repente piiiiiiiiii, piiiiiiiiiii, piiiiiiiiiii, piiiiiiiiiii... a geladeira que antes estava tão comportada agora se esgoela para que eu feche a porta neste instante, sem demora, já.

A máquina de lavar roupa, que por sinal fica na cozinha também, terminou o ciclo? Ah, por que não então fazer um pi-pi, pi-pi, pi-pi, pi-pi interminável e alto até a escrava correr e girar o botão para desligar? Por que não?

O forno terminou o tempo de assar? Vamos lá, todos juntos: piiii, piii, piii, piii... Abriu o forno e a fumaça do assado foi pro teto? Lá vem o todo poderoso supremo detector de fumaça a todos pulmões: PIIIIIIII PIIIIIIIIII PIIIIIIIIII PIIIIIIIII.

Argh. Não dá. Ou eu tô passando muito tempo na cozinha ou esses eletrodomésticos neuróticos precisam de um floralzinho de Bach. Assim não pode. Assim não dá.

:o)

Escrito a mão pela Marcia às 9:15 AM | mais em Food Talk | Comente este fragmento(22)

abril 22, 2004

Referendum

Durante esta semana o que mais se ouve e se lê nos noticiários é sobre a votação popular para a implementação de uma constituição da Comunidade Européia. Blair, que sempre foi contra, de uma hora para outra deu para apoiar a votação, arriscando mais uma vez sua carreira política.

Ao trazer a decisão do voto para a população, Tony Blair estaria garantindo alguns votos nas eleições em 2005. Na verdade ele pouco está interessado na opinião da população e sequer está preocupado nas implicações que uma constituição entre diferentes culturas pode trazer para a nação.

A maioria dos jornais está alertando para o fato de que é claro que a sua decisão de fazer um plebiscito é para seu benefício próprio. Resta saber o que vai acontecer se o resultado das eleições for um grande NÃO.

Para que a constituição seja ratificada é preciso que todos os 25 países da Comunidade Européia aprovem. Estamos nos primeiros passos desse processo e um plebiscito não vai fazer muita diferença para os muitos debates e emendas que o tratado ainda vai ter. Mas seria o primeiro passo para uma campanha eleitoral de Blair.

Malandro. :p

Escrito a mão pela Marcia às 8:04 AM | Comente este fragmento(7)

abril 19, 2004

Londinium

Clique & Amplie

Sobre a Millenium Bridge: de um lado a catedral St. Paul, do outro o Tate Modem

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Se na época de Sherlock Holmes existisse metrô, esta seria a estação que ele usaria

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O Shakespeare's Globe e a badalada estação Covent Garden

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Vitrine da loja de chá em Covent Garden e uma galeria em Waterloo

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Nosso querido e famoso Benzão e eu na porta da House of Lords
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Escrito a mão pela Marcia às 7:24 AM | mais em On the Road Again | Comente este fragmento(14)

abril 18, 2004

Em Débito

Sei que ando meio ausente aqui e que ainda estou devendo as fotos de Londres, mas é que esses dias estão sendo completamente atarefados. Ando bem ocupada, mas ocupada com coisas deliciosas!

Na segunda espero ter mais tempo para escrever aqui e postar as fotos.

Escrito a mão pela Marcia às 7:11 AM | Comente este fragmento(5)

abril 16, 2004

Melhorou

Mr.M está bem melhor e pediu para agradecer a todos vocês pela solidariedade com o trato intestinal dele. Ele passou o dia praticamente em jejum, mas tomou bastante líquido. Não quis soro caseiro, tomou bastante Lucozade (igual ao Gatorade) e fez muito bem a ele. Logo voltou a ficar corado e com mais disposição. Comeu uma banana e não passou mal. A tarde fomos caminhar e respirar um pouco de ar puro e ele já estava se sentindo novo. Jantou um pouquinho a noite e dormiu bem. Hoje já está trabalhando de novo. :o)

Eu fico com uma pena enorme dele porque ele é bem saudável, nunca fica de cama. Em 11 anos trabalhando na mesma empresa ontem foi a primeira vez que ele faltou por não se sentir bem. Mas também quando fica enjoado, é pior que criança. Me acorda só para ouvir: "ôôô tadinho, ôô bichinho..." E a cada cólica parece ser o caso para uma peridural. Mas... que homem não é assim, não é mesmo? :o)

Escrito a mão pela Marcia às 8:50 AM | Comente este fragmento(6)

abril 15, 2004

Tadinho...

Tadinho. Mr. M passou mal a noite inteirinha, não conseguiu dormir, nem parar de ir no banheiro. Tadinho. Hoje ele está todo fraquinho, sem energia, desidratado. Tadinho. Não vai trabalhar hoje, nem tem condições. Eu estou fazendo o possível para ele se sentir melhor. Já tomou chá de camomila, mas não quer comer nadinha. Acho que é melhor. O corpo dele parece estar fazendo uma bela faxina de primavera. Tadinho...

Escrito a mão pela Marcia às 8:45 AM | Comente este fragmento(6)

abril 14, 2004

Hawking

Ontem a BBC apresentou uma dramatização da juventude do cientista-físico-matemático-teórico-gênio Stephen Hawking. Muito bem produzido, o drama é envolvente não apenas pela biografia em si, mas pela excelente atuação do protagonista Benedict Cumberbatch .

Nascido em Oxford, Hawking entrou para a Universidade de Cambridge para estudar cosmologia depois de ter se graduado com honras em Ciências Naturais. Em sua carreira, fez inúmeros estudos sobre as leis naturais que governam o universo até ao ponto de comprovar como as Leis de Einstein chegam à Teoria do Big Bang e do Buraco Negro. Esse resultado foi a mais importante descoberta de todo o século 20.

No entanto, mais que seus esforços na área teórica e científica é ver Hawking lutando, desde seus 21 anos, contra a síndrome degenerativa que vem limitando cada vez mais seus movimentos musculares, sua fala, sua liberdade. Porém, não há síndrome que impeça de exercer um dos mais brilhantes cérebros do nosso tempo.

Escrito a mão pela Marcia às 2:20 PM | mais em What's on Telly | Comente este fragmento(4)

abril 13, 2004

Lamentável

Passamos o feriado de Páscoa inteeeeiro -- e o feriado aqui tem um dia a mais, na segunda de Páscoa -- sem um ovinho de Páscoa sequer. Nadinha, nem Kinder Ovo nem MiniEggs. Nada.

Eu queria tanto um que estava a venda no Marks Spencer, embrulhadinho com celofane azul-piscina, fitona, grande, com bombons de trufas. Claro que no dia que fomos comprar, já não tinha mais nenhum, todos esgotados.

Tinha um da Lindt também, com bombons Lindor dentro, mas o precinho de £12.50 não estava nada apetitoso e espero que até amanhã o mesmo ovo já esteja em liquidação de no mínimo 75%, senão não dá. Os de supermercado eu não queria porque são sem graça, vêm em caixas com o nome do chocolate em questão: Kitkat, Snickers, Twix, etc. E eu não sou fã de chocolate com amendoim, caramelo ou marshmellow. E os que minha irmã fez ainda não chegou aqui no hemisfério de cima.

Daí que passamos a Páscoa sem ovo de chocolate. Humpf. Como pode? Como pode??

Escrito a mão pela Marcia às 4:49 PM | Comente este fragmento(8)

De Volta

Estamos de volta sãos e salvos. Não apenas nós, como também nosso computador que entrou em pane na quarta-feira e não voltou mais do coma. Tivemos que trocar fonte, placa mãe, CPU, tudo. Gastamos mais do que podíamos mas enfim, estamos de máquina nova agora.

Em Londres foi tudo bem, nos divertimos bastante, tiramos algumas fotos.

Mas depois eu conto, porque preciso instalar um montão de coisas neste computador, a casa está uma zona, o alarme de incêndio disparou hoje de manhã sem motivo causando pânica em mim, meu e-mail não está funcionando como deveria, tenho um montão de recado pra ler e (eventualmente) responder, aniversários atrasados para dar parabéns. Ufa.

Voltei mas num tô aqui ainda, viu?

Escrito a mão pela Marcia às 8:09 AM | Comente este fragmento(2)

abril 7, 2004

Tentativas de Atentados

Como minha querida amiga Samara tocou nesse assunto, resolvi fazer um post. Eu evito as vezes de falar sobre isso a todo instante porque para quem está de longe parece muito mais grave, sério e inescapável. Minha família se preocupa, meus amigos se preocupam, todo mundo acha que o fim do mundo está aqui na minha porta. Talvez esteja mesmo, mas talvez não.

Desde o 9/11 vários, vários esquemas de atentados foram descobertos em Londres. Um sem número de suspeitos foram presos, outros tantos interrogados. A cada mês uma nova bomba em produção é descoberta em Londres. Neste mês foram encontrados gases letais que seriam usados no metrô londrino. No mês passado encontraram kilos de fertilizantes que serviriam para a fabricação de explosivos. Nos outros meses não foi diferente. Mas graças a deus, nada aconteceu.

A impressão que dá é que algo muito grave está prestes a acontecer em solo britânico. Mas obviamente que essa impressão é algo levado muito a sério pela Scotland Yard -- que diga-se, trabalha fenomenalmente bem -- e para a polícia inglesa. Investigações a todo instante, em todos os cantos, sem que ninguém perceba. De uma hora para outra, lá estão eles desvendando planos de ataque e prendendo suspeitos terroristas.

No entanto, é difícil prever atentados, no lugar e no horário certo de acontecer. Há o risco, claro que há. Quem vive em Londres vive em estado de alerta. De uma certa forma, os grupos terroristas sabem desse controle intenso e, infelizmente, acabam atacando alvos menos preparados como foi no caso de Bali e Espanha.

Não há como saber até quando essa situação vai durar. Terroristas não negociam, não fazem acordo de paz. E o ódio é passado de geração para geração.

Mas hey! Ninguém tenha pena de nós aqui, não. Porque apesar desse risco verdadeiro de um atentado, a vida aqui continua como sempre foi. A maioria da população se recusa a se entregar ao medo. Todo mundo aqui anseia pela paz, mas até que isso se torne realidade, não dá para ficar enfurnado num abrigo nuclear a espera do pior. E a vida segue em frente, garanto a vocês.

No mais, em minha experiência pessoal de sofrer três assaltos a mão armada, posso dizer tranqüilamente que tenho meu medo é maior ao andar nas ruas de São Paulo do que ser vítima de um atentado em Londres. Imensuravelmente maior.

Na Páscoa, iremos passar o final de semana em Londres e, apesar dos riscos, estamos indo para aproveitarmos o encantamento que essa cidade tem dos dois lados do rio Tâmisa. Porque Londres está lá. Porque viver é sim preciso.

Escrito a mão pela Marcia às 4:23 PM | Comente este fragmento(19)

Um novo hobby

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Agora tenho um novo hobby, que tem me divertido deveras. Eu digo, um tanto. Good Lord.

E o hobby não é nem de seda, tá? :p

Escrito a mão pela Marcia às 3:52 PM | mais em An ordinary life | Comente este fragmento(8)

Notícias em Português

Nessa minha busca pelo vídeo da Daiane, assisti a alguns trechos de reportagem do Jornal Nacional que a Globo.com disponibiliza. E é engraçado que, apesar de ler jornais online em português e tudo mais, agora é estranhíssimo assistir aos telejornais brasileiros. Uma saudade imensa da voz da Fátima Bernardes e do William Bonner. E os jornalistas brasileiros todos falam de maneira que já me desacostumei. Não estou falando da língua, mas da forma em que são feitas as pausas, o som da voz, a música em background. Tudo que antes era tão comum para mim e hoje é completamente diferente, estranho e delicioso.

Os telejornais da BBC e do Channel Four são muito bons, mas sempre extremamente sisudos, formais e sem graça. Falta empatia, falta cabelo arrumado, falta aquela voz que você reconhece de longe. Isso a TV brasileira consegue fazer como ninguém, transformar um mero jornalista, um mero apresentador, num membro da família de cada lar. E disso eu sinto falta. Sinto muita falta.

Escrito a mão pela Marcia às 9:20 AM | Comente este fragmento(5)

abril 6, 2004

Daiane dos Santos para Expatriados??

Alguém aqui por obséquio teria um link para assistir à performance da Daiane dos Santos na Copa do Mundo de Ginástica Olímpica? Eu tentei mas só encontrei um link da Grobo sobre a carreira da Daiane, mas sobre a apresentação mesmo, só para assinantes. Bloody bugger Globo! Será que ninguém mais além dessa emissora tem direito ao broadcast de interesse nacional...? Será que todos os outros brasileiros que não puderam assistir à diginíssima transmissão deles têm que se contentar com as migalhinhas? Queria tanto ver a Daiane... não é justo, não, não, não.

Escrito a mão pela Marcia às 12:46 PM | Comente este fragmento(8)

abril 5, 2004

O Caso das Colheres Desaparecidas

Nós éramos uma família feliz, que tinha seis colheres de chá nesta casa, além de duas colheres de plástico duro da Häagen Dazs, que eu guardei porque achei-as lindas, compridas e coloridas.

Primeiro foram-se as colheres de plástico. De uma hora pra outra não as vi mais, mas não liguei muito por serem descartáveis mesmo. E agora, para o meu total desespero, sumiram duas colheres do meu jogo de talheres Tramontina Italy!!! Sumiram. Evaporaram-se! Ninguém sabe, ninguém viu. Já procurei em todo canto, dentro do filtro da lava-louças, em outras gavetas, no meio das panelas, entre as almofadas do sofá. Nada. Nenhuma pista.

A hipótese provável é que elas estavam dentro de algum potinho de iogurte ou sobremesa e acabaram indo para o lixo de mãos dadas. Humpf... Gosto tanto dos meus talheres, não estou muito feliz de ter perdidos minhas colheres de chá. As quatro restantes são poucas, muito poucas para uma casa britânica.

Humpf...

Escrito a mão pela Marcia às 2:19 PM | Comente este fragmento(8)

abril 3, 2004

Já acabou...? Ainda não?! Humpf.......

HAHAHA! Cêis viram aquele molequinho entediado até a morte, bocejando, checando o relógio e torcendo a cabeça durante o discurso de George W. Bush?? Hehehehe. Se não viram ainda, clique aqui para ver algumas imagens! São trinta trechos mostrando o tédio e a total falta de interesse no que aquele velho orelhudo estava falando. Para quem tem Real Player ou Windows Media, dá para ver o vídeo aqui.

Nos EUA, o incidente está sendo chamado de Invigorating America's Youth. Hohoho.

Escrito a mão pela Marcia às 9:44 AM | Comente este fragmento(8)

Grand National

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Hoje acontece um dos mais tradicionais eventos da Inglaterra: a anual corrida de cavalos chamada Grand National. Eu me lembro que de vez em quando a TV no Brasil mostrava uma notícia ou outra sobre o evento, sempre destacando o glamour das mulheres e seus chapéus exóticos.

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E hoje de manhã um comentarista da BBC fez o seguinte esclarecimento para o benefício da humanidade: "a grande maioria das pessoas acha que o público do Grand National é composta basicamente por elegantes membros da aristocracia. Mas na verdade, são um bando de gente comum usando roupas ridículas".

HOHOHOHOHOHOHOHOHOHOHO!

:p

Escrito a mão pela Marcia às 9:08 AM | mais em Little Britain | Comente este fragmento(4)

abril 1, 2004

House of Lords

Algo que me surpreende e me enche de admiração aqui no Reino Unido é ver como o Parlamento, ou House of Lords, funciona. E como funciona bem, na maiorida das vezes. Obviamente que, como todo governo de qualquer parte do mundo, está longe de ser perfeito ou de ter políticos perfeitos. E longe de mim querer comparar o sistema parlamentar inglês com o sistema republicano brasileiro. São dois mundos diferentes, duas realidades distintas.

Porém, me enche os olhos quando assisto aos inflamados confrontos na House of Lords, chamados de Starred Questions, onde o partido do governo fica frente a frente com a oposição para responder à quatro questões na segunda e na quinta, e cinco questões na terça e na quarta de cada semana.

Todos os ministros do atual partido governista sentam de um lado e os ministros da oposição sentam do outro. Então um dos minitros da oposição fica em pé e exige respostas e justificativas de uma determinada ação feita pelo governo, sobre um determinado assunto. O ministro governamental responsável pela questão então se levanta para responder, enquanto que o da oposição deve se sentar e ficar calado até que o outro ministro termine de falar e volte a sentar. É então a vez do ministro da oposição ficar em pé novamente e rebater as justificativas do governo. E assim sucessivamente. A cada parte é dado o direito à resposta, respeitosamente.

Dessa forma, a todo instante, todas as ações do governo são revistas, debatidas, criticadas ou examinadas. Não importa se Tony Blair é o Primeiro Ministro porque na House of Lords ele não é o rei da cocada preta. Deve justificar e explicar aos ministros e principalmente à nação o porquê de seus atos, mostrar evidências, provar quando necessário, ser julgado se for preciso.

Além de ser o lugar dos mais importantes debates políticos do Reino Unido, o House of Lords funciona também como corte judicial, a Suprema Corte de Apelação. Cabe à Casa praticar também as votações contra ou a favor que dê poderes ao atual governo para agir em questões polêmicas, como foi a invasão ao Iraque.

E esse é um bom exemplo para mostrar que nem sempre a House of Lords age de acordo com a vontade da nação. Nem sempre funciona bem, nem sempre suas ações tem o desfecho desejado ou esperado.

Mas de uma certa forma, é impossível deixar de admirar a seriedade de alguns políticos que lutam diariamente para fazer o Parlamento funcionar como se deve, de forma democrática, respeitosa e civilizada. É óbvio que não fazem mais que a obrigação, mas não deixa de ser admirável.

Notem que em nenhum momento fiz qualquer referência ou comparação com outra forma de governo de qualquer outro país. Há prós e contras de cada forma de governar, levando em conta a realidade de cada sociedade. Esta é a forma que funciona no Reino Unido desde o século 14, muito antes do Brasil sequer ser descoberto. A House of Lords é parte da mais velha democracia parlamentar do mundo. Neste aspecto, há muito o que se aprender com os ingleses.

Escrito a mão pela Marcia às 12:17 PM | mais em Little Britain | Comente este fragmento(17)