maio 31, 2004

Hakuna Matata (o maior post de todos os tempos)

31/05/2004
Tentando publicar

Vamos tentar novamente. Gravei os post que havia escrito off line num CD-Rewritable. Agora vou tentar ir no cybercafé para copiar, colar e publicar. Se você estiver lendo este post é sinal de que deu certo.

Para qum gosta de ler na seqüência cronológica, o começo, desde a nossa chegada, está lá embaixo, começa no dia 23 de Maio.


31/05/2004
Loskop

Visitamos um parque natural chamado Loskop. A grande atração do parque são os rinocerontes, mas não conseguimos avistá-los. A vegetação estava alta, ultrapassando a altura do nosso carro e foi difícil encontrá-los. Seguimos todos os cocôs deles, mas mesmo assim isso foi o mais perto que chegamos deles.

Vimos dois macacos babuínos, duas famílias de javalis iguais ao que Asterix e Obeliz costumavam caçar, vários impalas e antílopes. No meio do parque existe um lago imenso, de azul intenso, contrastando com as montanhas vermelhas que o cerca e combinando com o azul do céu. Lá encontramos um grupo enorme de cervos bebendo água, uma vista fantástica!

Foi uma pena não ter visto nenhum rinoceronte. Nem leão.


31/05/2004
Tecnologia no deserto

Eu bem que tento usar o cybercafé (se é que se pode chamar aquele lugar de tirar fotocópias de tal). A conexão é discada e cobrada por minuto. Daí tem um reloginho digital do lado do monitor, contando quanto você precisa pagar.

Mas a conexão é tão lenta que desanima até a nerd aqui. Para carregar a página do Yahoo!, o browser fica pensando, pensando, pensando e o reloginho vai marcando mais e mais Rands (a moeda sul-africana) para pagar, por minutos a fio, te juro. Então eu fico ali sentada na frente de uma tela em branco que não carrega nunca e vendo o reloginho aumentando o valor cada vez mais rápido.

Pra dizer a verdade, achei um roubo. Mas não temos muita escolha. Na pousada só tem uma linha telefônica e eles usam para fax e e-mails também e eu não quero ficar ocupando a linha deles quando eles precisam cuidar dos negócios.

Então por enquanto uso a Internet só uma vez por semana. *sigh*

No sábado, Mr.M voltou do trabalho e disse que tinha um presente pra mim. Ele tirou do bolso uma folha de papel dobrada e me entregou. Ele havia imprimido os comentários do meu blog no escritório para eu ler! Não podia existir presente melhor!

:o)


30/05/2004
Cadê o Penalti?

Lembra quando eu comentei sobre a diferença de tratamento entre as raças? Pois é, acontece dos dois lados, dependendo em que grupo você se encontra. Eu trato todo mundo igual, não sou branca nem negra, nem azul, nem cor de rosa. No entanto, aos olhos de todos aqui, sou branca. Mais uma vez quero tomar o cuidado de dizer que não tomo partido de nenhum dos lados aqui ou em qualquer outro lugar, nem dos brancos, nem dos negros. Sou a favor da educação dos filhos para a consciência de que ninguém deve ser julgado pela cor da pele.

Mas como disse antes, a sociedade aqui – principalmente nesta pequena cidade de Middleburgh – viveu por anos e anos, senão centenas de anos, num regime de segregação. Hoje alguns discriminados de ontem querem de certa forma dar um troco, numa guerra entre raças sem fim.

E pela primeira vez senti essa diferença de tratamento, mas de forma sutil, que dava até para se confundir com um engano. Estava eu no KFC para fazer meu almoço e fiquei no fim da fila para fazer meu pedido. Além de mim, havia apenas mais umas três pessoas branquelas no lugar, na hora do almoço. A grande maioria era de negros. Quase chegando na minha vez, percebi que um moço negro olhou pra mim e entrou na minha frente na fila. O atendente, que também era negro, viu e atendeu ao moço primeiro. Eu não me importei muito. Mas daí veio uma mulher e fez o mesmo. E o atendente serviu a ela antes de mim. Daí pela terceira vez, um outro moço negro saiu da fila que estava e entrou na minha frente para ser servido primeiro.

E então eu entendi. Negros ali têm preferência. Porque quem atende lá são todos negros e se alguém tem que esperar para ser servido, que sejam os brancos. Mudei de fila, consegui fazer meu pedido, comi e saí. Eu não me atrevo em fazer barraco nenhum. Mais ou menos como ser a única torcedora vestindo a camisa do time de futebol no meio da torcida do time rival. Ali, eu fazia parte do outro time e eu não iria gritar pênalti.

É claro que este é um caso banal, entre muitos outros casos verdadeiramente sérios que ocorrem aqui. E é claro que foi apenas uma bobagezinha, frente às atrocidades que muitos negros sofreram na história deste país. Mas foi algo realmente interessante de ver e viver, apesar de não ser agradável, obviamente. Eu nem achei ruim, nem nada. Apenas percebi, quase na verdade não acreditei. Enquanto comia meu pedaço de frango com suco de maçã, fiquei pensando e me perguntando: “isso aconteceu mesmo?” e fiquei imaginando a que ponto esse problema cultural deve chegar, em outros aspectos da vida.


30/05/2004
Uma semana

Nossa primeira semana na África do Sul passou voando.

Estou com a vida feita mansa na pousada. Delia, a dona da pousada, tem feito de tudo para que eu me sinta bem aqui, já me levou para fazer compras com ela e também passamos uma manhã num café bem bonitinho (para os padrões de Middleburg) tomando cappuccino e lendo revistas. Ela é sul-africana, descendentes de holandeses e a primeira língua dela é Afrikaans, a segunda é inglês. Com a Delia aprendi onde encontrar bons produtos, onde ficam os lugares mais bacanas, onde é melhor evitar andar sozinha a qualquer custo.

A pousada tem cerca de cinco empregadas para dar conta de toda limpeza. Então temos quarto limpo e cama feita por elas todos os dias e também o pivilégio de ter nossas roupas lavadas e secas ao solão forte do meio-dia e passadas com o maior capricho por uma senhora muito eficiente. Até o cordãozinho da minha calça foi passado! Mr.M e eu temos até underwears passadas a ferro! Um luxo.

Eu também não cozinho aqui, mesmo que quisesse não dá. A pousada serve refeições, todas preparadas pela Delia. Estamos sobrevivendo apenas com as comidas de restaurante. Ontem encontramos um restaurante italiano bem bacana, com lareira, vinhos excelentes e comida um pouco mais européia.

A comida africana não é má, mas a base é sempre carne vermelha e tudo servido com muito molho. Molho pra tudo, molho demais, mesmo quando não indica no menu.

Vi lá no centro uns tipos de açougues só para carne seca e defumada, chamados de Biltong. Tenho uma leve impressão que eles fazem feijoada aqui, mas ainda não vi nenhum sinal dela. Outro dia também dei uma volta sem pressa nenhuma pelo supermercado daqui só pra ver o que eles têm. Fiquei surpresa ao encontrar os mesmos bons produtos e marcas do que temos no Brasil: sabão Omo, produtos Parmalat, absorventes Sempre Livre e Intimus Gel (hoooray!!), biscoito Oreo (que eu adoro comer com leite, bem no estilo americano), feijão carioquinha, além de muita goiaba, manga, mamão. Tudo o que não encontro no Velho Mundo.

Bruno aprendeu a subir as escadas que vai pro nosso quarto, mas precisa de carona para descer, o coitadinho morre de medo de descer aquelas escadas. Agora temos dois cães e um gato hospedados com a gente aqui neste quarto superpopuloso.

Ah sim, e ontem também dei meu espetáculo na rua, com o Martin. Num desnível do asfalto onde o nosso carro estava estacionado, meu pé esquerdo virou e se arrastou pela valeta e a canela bateu na guia, torcendo ainda mais meu pé. Caí na calçada jogando a sacola que carregava pro alto, tudo espalhado, aterrissei de bunda e de mãos, um horror. A dor foi tanta que por uns segundos meu pé ficou completamente insensível. Chorei na calçada enquanto o Martin tentava ver se tinha quebrado algo. Mas foi só uma torção mesmo. Estou mancando, mas logo melhoro. Ui.


27/05/2004
Internet à Vista

A pousada em que estamos é ótima, bem simples e aconchegante. Porém o único defeito é que não há telefone em nenhum dos quartos. E com isso nossos planos de conectar à Internet com o laptop foi por água abaixo.

Numa das minhas andanças pela cidade, encontrei um cybercafé. Entrei cheia de entusiasmo, mas o servidor não estava funcionando. Damn. Vou tentar novamente hoje a tarde.


27/05/2004
Confraternizando

Dois dos chefes do Martin, Chris e Tony, chegaram da Inglaterra ontem, aqui em Middleburg. E todo o grupo foi convidado para um jantar especial de confraternização. Martin ainda recebeu a gentil recomendacão de me avisar que eu seria muito bem-vinda para participar do jantar também.

Eu estava meio ansiosa porque eu seria a única mulher no meio de um monte de blokes engenheiros. Mas fui. Principalmente porque eu deveria beijar o chão de Chris, que fez de tudo, tudo, tudo para que hoje eu estivesse aqui na África do Sul com o Martin. Essa viagem para cá já estava programada bem antes de eu ficar grávida, mas só o Martin viria, eu não. Eu sabia que não viria mesmo depois de saber da gravidez e estava me preparando para ficar longe do Martin por um bom tempo.

Quando perdemos o bebê, Martin se ausentou no trabalho por vários dias enquanto eu estava no hospital e teve que contar a Chris sobre a nossa situação. Chris tem dois filhos pequenos e foi bastante solidário com o Martin. E então ele fez a proposta, se o Martin não desistisse de vir para a Àfrica do Sul, mesmo nessas circunstâncias, então ele cuidaria de tudo para que eu pudesse vir junto. Nas palavras de Chris, quem estava fazendo o favor era o Martin e isso era o mínimo que ele poderia fazer para ajudar.

Então ontem foi com muita satisfação que conheci e apertei a mão de Chris. E de todos os outros colegas do Martin também. Estávamos em dez pessoas, sendo eu a única do sexo feminino.

No fim, adorei conversar com todo mundo. A grande maioria dos engenheiros já trabalharam por dois, três anos no Brasil (em Espírito Santo e em Minas Gerais) e todo mundo queria contar as experiências, as coisas engraçadas que aconteceram no Brasil. Acabei me divertindo bastante.

Tony é o big boss todo poderoso desse projeto em que eles todos estão trabalhando. Mas é o típico chefe que gosta de discursos aprendidos nos cursos de gerenciamento e qualidade total. Pelo que parece, ninguém tava muito feliz com a presença dele por aqui, poor soul. E enquanto ele estava fazendo o discurso agradecendo a todos pelo envolvimento, esforço, blablabla, ele olhava para todos, inclusive para mim, hahahahaha. E eu, tontona, ficava balançando a cabeça afirmativamente, concordando com tudo, hohohoho. E claro, brindei com toda a equipe também. Martin disse que daqui a pouco vou estar assinando os projetos e dando ordem aos peões. Me aguardem.

Depois Tony conversou um pouco comigo, foi bastante simpático, perguntou sobre a minha adaptação no Reino Unido. Ele é grego, morou 16 anos aqui em Middleburg e está morando há 6 anos na Inglaterra. Temos as mesmas dificuldades, os mesmos estranhamentos de viver entre ingleses, foi interessante bater papo sobre isso. Mas Martin não queria ficar muito de papo com o big boss e logo me puxou pra perto de Dave e Mike e demos bastante risadas com eles. Mike me ensinou a nunca mais pedir rump steak em restaurantes porque é diferente da Inglaterra, muito dura e cheia de nervos. É melhor pedir sempre fillet, nunca rump. Obviamente ele só me disse isso depois que meu prato já havia chegado, com o rump steak.

Mas enfim, a noite foi bem gostosa, adorei conhecer melhor alguns colegas do Martin, coisa que não acontece quando estamos na Inglaterra. Me senti bem confraternizada!


26/05/2004
Botshabelo

Ontem os donos da pousada nos convidaram para um passeio noturno delicioso, numa reserva natural perto da cidade, chamada Botshabelo. Fomos eu, Martin e Dave, que é inglês e colega de trabalho de Mr.M, além do casal donos da pousada, que empacotaram, entre outras coisas, duas garrafas de bom vinho tinto sul-africano.

Não tiramos nenhuma foto porque era praticamente impossível com a falta de luminosidade suficiente para fotografar animais em movimento. Mas registramos tudo na memória e foi um passeio maravilhoso.

Usamos uma pick-up 4x4, com refletores e lanternas especiais e adentramos uma área de vegetação bem seca e cheia de pedras vermelhas. Lá avistamos bem de perto grupos de zebras, impalas, veados, antílopes, entre muitos outros animais chifrudos que eu não sei o nome.

Fizemos duas paradas no alto da reserva para apreciar a imensidão do céu exageradamente estrelado e também a vista noturna da região de Middleburg, brindando com o bom vinho.

De volta ao carro, continuamos nosso passeio e vimos também uns pássaros bem engraçados, que parecem uma miniatura de avestruz, vimos uma lebre e um “ant-eater”, comedor de formigas, mas bem diferente do nosso tamanduá. Este parecia um tatu, mas sem pêlo, sem casco, peladinho feito porco e com narigão. Dizem que é extremamente raro ver um anteater, então acho que tivemos muita sorte!

Leões porém, nenhum. Ainda.

25/05/2004
Novas Companhias

Os cães se chamam Bruno e Phoebe. O gato se chama Silvester.

Bruno é o típico cão que adora uma festa, abana o rabo pra tudo, pula animado, morde minha mão pra brincar. Vem correndo ao meu encontro todo vez que me vê, deita no meu colo para dormir e esconde o focinho entre meu braço e minhas costelas, do mesmo jeitinho que a Bianca costumava fazer quando era filhote.

Phoebe é mais recatada, não faz festa nenhuma, mas gosta de um carinho também e é a única dos dois cães que é valente para subir todas as escadas que dá para o nosso quarto. Silenciosa, ela vem me visitar, ou visitar Silvester, quando estamos na varanda. Aliás, a única coisa que faz Phoebe abanar o rabo enlouquecidamente é o gato Silvester. Ela ama o gato, lambe seu pêlo e brinca com ele, dá mil cheirinhos na orelha dele.

E finalmente, Silvester é o ancião da casa. Martin diz que ele parece o Old Deteuronomy. Só dá as caras de manhã depois que o sol esquenta, mais ou menos como eu. E vem sempre na varanda do nosso quarto tomar sol e por aqui fica, apenas mudando de posição quando o darn sol insiste em se mover. Pelo o que entendi com o seu olhar, este quarto é na verdade dele. Silvester está apenas gentilmente nos cedendo o lugar por uma temporada de longo prazo.

Eu sei que eu não deveria, mas já criamos laços, eu, Bruno, Phoebe e Sil. Sei que vou morrer de saudades quando chegar a hora de partir, mas é simplesmente impossível não amar a presença deles nos meus dias por aqui.


25/04/2004
Há bem pouco tempo atrás

Hoje também faz um mês que perdemos nosso bebê. Um mês. Os dias passaram rápido, é quase difícil de acreditar que há um pouco mais de um mês eu estava grávida. Foi a maior e a mais rápida felicidade que tive.

Antes eu sempre dizia ao Martin que preferia não engravidar do que engravidar e perder. Mas agora que tudo isso aconteceu, eu mudei completamente de idéia. Eu amei estar grávida, mesmo que por um curto espaço de tempo. Amei sentir um serzinho crescendo dentro de mim, com seu coraçãzinho tão minúsculo batendo apressado. Amei conversar com a minha barriga, amei as mudanças que via no meu corpo, amei tudo intensamente, verdadeiramente.

Mesmo sofrendo tanto com a nossa perda, sinto que aquela gravidez foi muito valiosa e amada. E valeu a pena sim estar grávida, mesmo com a perda, mesmo com a dor, mesmo com o vazio que agora toma conta.


25/04/2004
Primeiras Impressões

Terceiro dia na África do Sul. Ainda não vi nenhum leão.

Estamos no outono, mas o clima é de um deserto: sol e calor de dia e noites frias e com geada. Estou simplesmente amando todo esse solão que há anos não via. Usando protetor solar 30, posso aproveitar para deixar meu branco-fantasma um pouco mais corado, vestindo camiseta regata e shorts. Quando o sol se põe preciso colocar blusas de fleece e casaco.

Já dei umas voltas pela cidade, não ha muito o que ver por aqui, mas dá para reparar em muita coisa interessante. A grande maioria da população aqui é de negros, cerca de uns 90% pelo menos. Brancos em sua maioria são descendentes de holandeses. As línguas faladas aqui são: inglês (a mais comum, falada por todos), afrikaans (a língua usada pelos holandeses), swahili (a língua sul-africana) e zulu (usada pelos negros).

O inglês usado aqui porém é extremamente complicado para mim (e até para o Martin também). A pronúncia é completamente diferente, o “a” vira “o” e eu preciso pedir para as pessoas repetirem 435 vezes até eu entender. Sem contar com as palavras que a gente não usa na Inglaterra, mais ou menos como a diferença entre o inglês americano e britânico. Tem sido como aprender inglês tudo de novo.

Mas mais do que a língua, claro, há outro aspecto da África do Sul que não dá para deixar de reparar: a segregação. Hoje a África do Sul vive com os frutos do fim do Apartheid, com Nelson Mandela governando, com a democracia instituída. Há 20 anos eu jamais poderia ter visto as imagens que vejo hoje quando vou ao restaurante, com negros e brancos almoçando lado a lado, pacificamente.

O fim do Apartheid trouxe sem dúvida um certo nível de igualdade das raças, acabou com a injustiça absurda daquela sociedade repartida entre brancos-reis-da-cocada e negros-sem-direito-a-nada.

Porém, bastam poucos segundos observando ao seu redor para entender que o fim do Apartheid não significa o fim da segregação racial. Claramente, a maioria dos brancos não se misturam com negros e muito menos se acham iguais a eles. E de uma certa forma, o fim do Apatheid trouxe sérias complicações sociais, intensificando a discórdia. Por lei, hoje todas as empresas precisam ter um número mínimo de funcionários negros. Isso significa que boa parte dos brancos foram demitidos de seus empregos para dar lugar aos negros. E nas escolas, o ensino que antes era um direito exclusivo dos brancos, hoje atende a todos. No entanto, para que os alunos negros acompanhem às aulas o ensino passou a ser mais lento e menos exigente.

Para os negros, o fim do Apartheid trouxe a esperança de avanço, de evolução, de igualdade, de justiça. Para os brancos, trouxe desemprego e qualidade de ensino inferior, divisão do que antes era exclusivo. E não é preciso ser Einstein para entender o tipo de problema que essas mudanças andam causando numa sociedade que viveu por anos e anos num sistema de racismo extremo.

E que fique bem claro aqui que não há algo que eu mais abomine do que discriminação e racismo. As minhas impressões que escrevo aqui são baseadas no que vejo e percebo, sem querer fazer apologias de certo e errado, vítimas e mal-feitores, nem nada. Estou apenas escrevendo aqui o que têm me chamado a atenção ao viver na realidade deles ao invés de apenas imaginar, como fazia antes.

O Apartheid era uma vergonha, mas seu fim não trouxe todas mudanças esperadas. Porque simplesmente não se pode mudar um ser humano culturalmente marinado de pre-conceitos com uma simples nova lei no papel. E o que se percebe aqui é que, apesar dos novos direitos e deveres, a sociedade continua dividida, ressentida e desigual.

Por mais que a gente esteja acostumado com os problemas de racismo no Brasil, na Europa ou onde for, é impressionante perceber aqui na África como é intenso o sentimento de desigualdade que ambos os lados, brancos e negros, têm por aquele cuja diferença está apenas na cor da pele. Tão real, tão explícito e tão triste.


23/05/2004
Hakuna Matata!

Com os pés em solo africano!

Depois de um longo e cansativo vôo, de muitas turbulências, comida horrével e assentos que não reclinavam porque eram encostadas com a parede do banheiro, chegamos na África do Sul na manhã do domingo. É engraçado perceber que na verdade a Inglaterra é muito próxima da África, porém alcançar a África do Sul são outros quinhentos. Ou melhor, outras 10.000 milhas. O tempo de vôo partindo de Londres é o mesmo que ir para o Brasil, cerca de 11 horas.

No momento em que o avião pousou, pouco antes das seis da manhã, o horizonte estava azul com uma faixa avermelhada em toda sua extensão. Assim que o avião estacionou para o desembarque, o sol grande e vermelho surgiu, dando as melhores boas-vindas que podíamos esperar.

Pegamos o carro alugado e partimos para Middleburg. Minha primeira impressão, observando a região próxima ao aeroporto de Johannesburg e também durante todo o percurso até Middleburg, é uma só: como este país lembra o Brasil! O clima, os meninos limpando pára-brisas nos faróis, flanelinhas nos estacionamentos, vendedores de laranja pela estrada.

Chegamos na pousada onde estamos hospedados completamente exaustos, desgastados ao extremo porque nenhum dos dois conseguiu dormir uma hora sequer durante o vôo.

A pousada é lindinha, os donos são uns amorecos supersimpáticos. E atenção. Prestenção aqui: a pousada tem dois cachorros e um gato!! Dois daqueles salcichas pretinhos. E um gato que parece mais maduro, tem a boca meio deformada, mas é bem amistoso e bonzinho.

Tomamos um banho e dormimos por mais ou menos duas horas. Acordamos com fome e fomos fazer um tour pela cidade. Eu já contei aqui que o Martin morou aqui por quase um ano? Pois. Ele conhece bem a cidade, apesar de não vir aqui desde 1996. Mas também não é preciso muito esforço para conhecer bem a cidade. É minúscula. Eu nem sei direito por quê existem pousadas aqui. Parece que é por causa dos parques nacionais da região e das indústrias que recebem business people.

Middleburg é bem pequena. Tem uma rua principal de comércio básico e muitos, muitos fast-foods: McDonalds, KFC, Nando’s, pizzarias, burgers, burgers e mais burgers. Ontem almoçamos no Nando’s, que é um fast-food português de frango grelhado e molho peri-peri. Uma delícia, mas como todo fast-food, muita gordura e calorias pro meu gosto. Martin já havia me alertado que alimentação saudável e low-fat aqui é um conceito que ainda não foi assimilado.

Demos uma volta pela cidade, assistimos à Formula 1 na TV de um pub, Martin me mostrou onde ele vai trabalhar e também me levou para ver onde ele morou da outra vez.

À noite fomos jantar com dois colegas dele, Ray e Dave, num restaurante afro-mexicano, especializado em steaks, bifão. Tava bom, pedi um “slimmer’s steak”, que nada mais é que um pedaço de alcatra marinado e grelhado, mas sem batata frita, nem anéis de cebola fritos. Extremamente slimmer. E eu podia me servir no buffet de saladas. A maioria das saladas, para o meu desespero, estava temperada com maionese. Mas lá num canto havia também alface, pepino e tomates sem tempero nenhum. Ufa. E havia azeite, vinagre e sal a disposição. E, claro, toda a seleção de molhos para a salada cujo ingrediente pricipal é a maionese. Acho que estou perdida. Vou voltar para a Inglaterra cantando “Umpa Lumpa, Umpa dee doo...

Voltamos para a pousada e nos arrumamos para dormir, éram nove da noite. Dormimos bem, a cama é muito parecida com a nossa e tivemos um sono pesado e merecidamente relaxante.

Este foi nosso primeiro dia na África do Sul. Não avistei nenhum leão ainda, no such luck. Mas sinto que bons momentos nos aguardam aqui.

Escrito a mão pela Marcia às 11:35 AM | mais em M&M in South Africa | Comente este fragmento(35)

maio 28, 2004

Pe na Africa

Hello! Estamos com todos os pes na Africa do Sul.
Chegamos bem, esta tudo bem, a nao ser pelo fato de nao ter Internet para nos ainda! Um horror. Estou num cybercafe, depois conto detalhes.

Estou escrevendo online, queria trazer tudo pra ca, mas nao deu, a conexao eh pessima, to pagando horrores soh para esperar a conexao discada carregar uma pagina.

Mas enfim, estamos bem!
Um beijo para todos voces.


Escrito a mão pela Marcia às 1:45 PM | mais em M&M in South Africa | Comente este fragmento(16)

maio 22, 2004

Próxima Parada


O próximo post vai ser escrito daqui:

South Africa.jpg

Estamos partindo. Bye for now, England!
Até lá!

:o)

Escrito a mão pela Marcia às 9:59 AM | mais em M&M in South Africa | Comente este fragmento(19)

maio 20, 2004

So Grateful

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Pessoas amigas, muito obrigada pelos votos de boa viagem, pelo carinho nas palavras e pelo incentivo em cada letra escrita nos comentários durante essas últimas semanas. Obrigada mesmo.

Estou surpresa com a quantidade de comentários maravilhosos que tive nos últimos três posts, cada um com uma forma de mostrar carinho, apoio, amizade e mais um monte de coisas boas.

Por causa do meu tempo escasso aqui arrumando tudo antes de partir, por causa dessa hayfever maldita que atacou meu nariz e por causa dessa nossa conexão que de uma hora pra outra deu para ficar bichada, infelizmente não vou conseguir responder a cada um com toda a atenção do mundo, como gostaria.

Só quero responder a alguns comentários que não dá pra deixar de fora:

Mary queridoca, a história toda dos correios não foi diretamente pra você não, viu? Foi geral mesmo. Assim que a gente estiver estabelecido em algum lugar fixo lá na África onde os leões não nos devorem, eu entro em contato contigo, passo o endereço e espero sinais de fumaça. Já agradeço de muitão pelo presente lindo, colorido e alegre que você comprou! Muito obrigada, Mary.

Cristina querida, HAHAHAHA... cê sabe que esta história do Zimbabwe começou porque você dizia que eu não tinha nada de japonesa, então passei a convencer você que eu vinha do Zimbabwe. Ô que saudades do tempo que a gente podia inventar tanta besteira pra falar...

Cido querido, por mais que a mala esteja transbordando, vai ter sempre um lugar bem especial para guardar todos os seus abraços de amigo e toda essa energia positiva que você transmite. Muito obrigada, viu?

Verônica, adorei o "a-moça-de-uma-roupa-só-mais-feliz-do-mundo!" Obrigada, que assim seja!!

Pessoas todas, um grande beijo pra vocês, muito obrigada por estarem aqui por mim, quando mais precisei.

Beijos eternamente agradecidos!

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As flores? São para você.

:o)

Escrito a mão pela Marcia às 4:28 PM | Comente este fragmento(13)

maio 19, 2004

Tudo o que Couber

Luggage.jpg
Então faltam 3 dias para a gente partir para o continente africano. Talvez a gente fique por lá por dois meses, mas talvez três ou quatro, ninguém sabe. E com isso, preciso empacotar minha mala com provisões para pelo menos uns dois meses. Porém, a companhia aérea com a qual vamos voar, acredita piamente que eu não preciso levar casacos, nem blusas, nem o segundo sapato, nem a segunda calça, nem nada, mesmo indo no inverno (oh dear, winter again...). Porque a companhia aérea só nos dá o direito de carregar uma peça de bagagem cada um, de no máximo 23Kg. Sabendo que minha mala vaziazinha da silva pesa 7Kg, reduzimos o total para 16Kg. Tudo o que eu preciso para passar um trimestre em outro país precisa pesar até 16Kg. Oh well.

Por isso, minha idéia de chegar na África do Sul linda, leve e loira com um carregador atrás de mim empurrando um carrinho com minhas malas Louis Vuitton empilhadas em ordem de tamanho não vai ser possível (não que eu tivesse uma mala Louis Vuitton também, sequer tenho uma necessaire do camelô com a mesma marca). Então cá estamos tentando fazer as malas no estilo minimalista less is more. Eu vou ser reconhecida para sempre na África do Sul como aquela-com-aquela-mesma-roupa-todos-os-dias.

Em todas nossas viagens sempre fomos adeptos à filosofia travel light. Adoro todos os conselhos de como diminuir sua bagagem e como carregar menos peso. Mas férias é uma coisa, semi-mudança-temporária é outra.

No entanto, mais do que pensar no que levar, também estamos preocupados com o que vai ficar. Nosso apartamento fechado por todo esse tempo, nossas plantas, nossas contas a pagar e um mundo de outros detalhes. Rob, nosso vizinho do andar térreo, é colega de trabalho do Martin e ele vai ficar de olho no nosso apartamento durante esse tempo. Nossas correspondências estão sendo direcionadas para outro endereço.

(AH! IMPORTANTE: quem for enviar qualquer correspondência para mim durante esse tempo, por favor utilizem apenas meu nome de casada, Márcia Leggett, porque elas só serão redirecionadas se o nome estiver correto, caso contrário vão voltar ao destinatário. Já o envio de caixas, presentinhos (que pretenciosa...) e outras remessas maiores vai ter que esperar até a gente voltar porque esse tipo de entrega é feita por outra empresa e a gente não vai poder usar o redirecionamento pra isso. Tô dizendo tudo isso porque meu aniversário está chegando e eu não vou estar aqui, *wink wink* hohoho...)

Fora isso, tenho que pensar nos pequenos detalhes como por exemplo limpar a geladeira e o freezer inteirinhos para poder desligá-los em breve e também para não encontrar nenhuma surpresa desagradável e fedida na volta. Limpar e arrumar a casa toda, lavar e passar as roupas que vamos levar. Cancelar consultas, agendar pagamentos, anotar dados que posso precisar. Os dias têm sido agradavelmente cheios.

Estou feliz de ir para lá. Animada, entusiasmada e cheia de esperanças. Estou levando apenas dois livros de leitura (e peso) bem leve: Man and Boy (Tony Parson) e The Girl with a Pearl Earing (Tracy Chevalier) e sei que vão ser ótimas companhias quando eu precisar.

Acho que para nós dois vai ser importante mudar de ambiente, receber novas energias, recarregar nossos ânimos. Há dias em que estamos super bem, mas há dias também em que basta um comercial de fraldas para nos fazer desabar e cair em lágrimas. E tudo parece que aconteceu ontem mesmo... Talvez seja mesmo um bom momento para estar longe de tudo que nos cerca aqui, só por um tempo. Talvez seja mesmo um bom momento para fazer as malas e colocar nelas tudo o que couber: otimismo, serenidade, crenças, carinho e esperança, toda esperança de dias melhores.

Porque eles virão, os dias.

Escrito a mão pela Marcia às 12:16 PM | mais em On the Road Again | Comente este fragmento(27)

maio 14, 2004

A Próxima Página

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Desde que parei a leitura com aquele marcador de página, tanta coisa aconteceu em nossas vidas. Tanto já mudou, tanto foi mexido. Talvez então seja a hora de reler tudo o que passamos nesses últimos dias, talvez seja a hora de sentar e escrever. E ler.

Mas antes de começar preciso aqui registrar meu agradecimento a todos os recados deixados aqui, lemos um por um, Martin pedia para eu traduzir cada um deles, me emocionei com muitos, amei todos. Muito obrigada. Aos meus amigos e familiares que nos enviaram e-mails, que perguntaram por nós, que nos ligaram, que compartilharam conosco experiências próprias, que estiveram bem presentes esse tempo todo também quero agradecer intensamente, com todo nosso coração. Muito Obrigada, em nome de nós dois.

Os primeiros dias logo após a perda do nosso bebê -- e que fique estabelecido aqui em minhas páginas que perdemos um bebê, nossa primeira criança. Não perdi uma "gravidez" simplesmente, não "sofri um aborto" simplesmente. Engravide, ame, perca e saiba do que estou falando -- enfim, os primeiros dias foram de choque, de torpor, de tristeza, de dor física e de lágrimas incessantes, incrédulas, impotentes, intermitentes, inconsoláveis.

Era olhar minha barriga e chorar, era tropeçar na banheirinha do bebê e chorar, era lembrar da sala escura do ultrassom e chorar, era pensar nas conversas com o bebê e chorar, era ver o Martin chorando com as mãos sobre o rosto e chorar. E chorar, e se indignar e sentir pena de nós e sentir saudades do bebê. Nossos sonhos despedaçados, nossa alegria esmigalhada, nossas vidas esburacadas. Tudo em pedaços pelo chão, tudo sem salvação, tudo sem volta.

Para completar, meu nível de hormônio de gravidez estava alto apesar da perda, e então ainda pairava em nossas cabeças a possibilidade de ter uma gravidez (outra) ectópica que precisaria ser detectada e removida o mais rápido possível para não colocar minha vida em risco, em caso de uma ruptura da trompa. Foram dias de muitos exames de sangue e controle rigoroso dos meus níveis de hormônio hCG. E de descontrole de nossas lágrimas. Nada foi encontrado. E meus níveis de hCG começaram a cair dia após dia. Era uma boa notícia para os médicos, que estavam animados com os resultados e tranqüilos de constatar que não havia mais o risco de gravidez ectópica e que meu corpo estava fazendo tudo naturalmente. Ao contrário de nós, que sabíamos que era daquela forma que aos poucos nosso bebê estava partindo para não mais voltar.

Porém, a equipe médica foi fantástica o tempo todo conosco e nos ofereceram o suporte valiosíssimo de uma entidade inglesa que dá apoio aos casais que sofreram a perda de um bebê. E então entraram em cena a equipe da Miscarriage Associantion , que nos ouviu, nos acolheu, nos entendeu, nos confortou.

Fomos inundados de informação que precisávamos, com as palavras certas, com a compreensão que queríamos naquele momento. Com eles aprendemos a não julgar nossos sentimentos, com eles aprendemos que perder um bebê no começo da gravidez é sim motivo para sentir profundamente, é sim motivo para ficarmos devastados e tristes tanto quanto for preciso, pelo tempo que for preciso, sem precisar ser "forte", sem precisar se "conformar". E principalmente aprendemos que a perda de um bebê não se "supera" como muita gente espera de nós. Ninguém "supera" a morte de um filho ou de uma filha. Apenas se aprende a conviver.

A partir de então, nossas vidas tomaram outro rumo. Deixamos nossas emoções virem de todas as formas: raiva, cansaço, irritação, tristeza, depressão, isolamento e uma imensa sensação de luto. Todas essas emoções vieram, algumas ainda estão por aqui, outras foram embora. Foi um momento importantíssimo para nós dois (porque muita gente esquece que o Martin é parte disso tudo também), fomos fiéis aos nossos sentimentos, nos demos o direito ao luto, à dor, aos soluços.

Seguindo o conselho dos terapeutas, fizemos aqui em casa um pequeno altarzinho. Com flores coloridas, velas brancas, mini-muffins de chocolate, um chocalho em formato de ursinho, um livrinho de estórias chamado "Mr. Bear Says Goodnight" e todos os testes positivos de gravidez. Foi nosso funeral simbólico, nossa singela homenagem para Little M. E foi tão bom poder fazer algo bonitinho e colorido no meio de tanta dor.

Logo o hospital também entrou em contato e nos deram um formulário para preencher com os dados do bebê e também para escrever um pequeno texto ao mesmo. Fizemos nossa mensagem e enviamos à capela do hospital. Agora os dados e a mensagem vão ficar gravados no Book of Remembrance e em outubro vai ser celebrada uma missa a todos os bebês que foram para o céu no ano de 2004 até então.

Aos poucos a idéia da perda começou a ficar mais leve e menos dolorida. Aos poucos começamos a sorrir outra vez.

Num dos finais de semana passado Martin reservou um quarto de hotel de frente para o mar em St. Austell, em Cornwall, um lugar de uma beleza incrível, com praia de encostas enormes. Passamos dois dias longe de tudo, visitamos o Projeto Eden (curiosamente, o nome do começo), caminhando de mãos dadas pelo mar cristalino, vendo as ondas quebrando nas rochas pontiagudas. Na praia, escrevi "Little M" na areia e pensei naquela pequena alma indo aos céus tão suavemente quanto as ondas que apagavam o nome na areia. E acho que lá em Cornwall marcamos o fim e o começo de uma nova era em nossas vidas.

Pro resto de nossas vidas jamais esqueceremos de tudo o que aconteceu. E em nenhum momento vamos deixar de amar Little M. Mas precisamos continuar no caminho de nossas vidas.

Outro dia Martin abriu uma garrafa de vinho, colocou em duas taças e propôs um brinde. Eu olhei pra ele meio confusa e perguntei a quê estaríamos brindando. E ele respondeu: "to the future". E pelo futuro brindamos.

Porque ainda acreditamos num futuro. Hoje temos esta história em nossas vidas que ninguém há de apagar. E temos um anjo nos céus. Sinto que nos tornamos um casal milhões de vezes mais maduro, mais especial. Sinto que ainda teremos outros excelentes motivos para sermos felizes. Correção: mais felizes. Sinto que em algum lugar existe um futuro que merece ser brindado e recebido com muito amor.

E diante de tantas surpresas inesperadas na vida, hoje vejam só como nos encontramos: estamos preparando nossas malas, arrumando nossa bagagem. Estamos de mudança temporária para a África do Sul, onde Martin vai trabalhar por uns dois ou três meses. Não sei exatamente o que esperar dessa mudança, mas há algum tempo deixei de esperar ansiosamente pelo o que ainda não veio. Nossas vidas não caminham mais rápido nem mais devagar só porque a gente quer, apenas um dia de cada vez.

Daqui uma semana estaremos em outro país, outro continente, outra cultura. Talvez sem Internet, talvez sem o conforto do nosso lar. Mas juntos. Juntos. Para recomeçar.

Cornwall-LittleM.JPG

Para viver.

Escrito a mão pela Marcia às 8:55 AM | mais em M&M Family | Comente este fragmento(44)