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julho 30, 2004

Looking for Trouble

As promised, here are the most recent pictures of that one who must not be named. All pictures were taken in Botshabelo.

Conforme o prometido, aqui vão algumas fotos daquele que não deve ser nominado. Todas as fotos foram tiradas em Botshabelo.

Click here to see him having his cup of tea

Click here to see him checking a SMS message in his mobile phone

Hohohoho, I think I'd better go to the court now.

Escrito a mão pela Marcia às 8:10 AM | mais em M&M in South Africa | Comente este capítulo (7)

julho 29, 2004

Bad days, bad dinner, bad mood

Estamos na reta final. Finalmente o equipamento foi instalado e testado. Tudo está funcionando absolutamente como deve. E sejamos muito justos aqui: foi graças a dedicação, esforço e comprometimento sério e inesgotável de toda equipe inglesa que este projeto finalmente alcançou esse resultado.

Martin e Chris voltaram a ter horários mais civilizados desde ontem. Mesmo assim ainda é nítido o cansaço físico e o esgotamento emocional deles.

Quanto a mim, estou absolutamente impaciente agora. Cansei de repetir pra mim mesma que falta pouco e blablabla. Quero ir pra casa, mas também não quero deixar aqui as coisas boas que já fazem parte da nossa vida: as conversas com a Delia, a companhia deliciosa do Bruno, da Phoebe e do Sylvester, a proximidade divertida com todos os colegas do Martin.

Sei que assim que a gente colocar os pés na Inglaterra, vai ser difícil reencontrá-los, cada um segue sua vida, nunca mais se vê. E não estou exagerando.

Passei tanto tempo me acostumando a ficar sozinha na nossa casa, agora que a gente veio pra cá e teve essa convivência saudável e bem-humorada com eles todos, vou sentir muita falta.

Mas quero ir pra casa agora. Andaram acontecendo algumas coisas bem desagradáveis por aqui. Uma delas é que roubaram dinheiro, cartões de crédito e o celular da Delia, aqui dentro da pousada. A outra é que o marido dela teve um acidente com a pickup 4x4, ele está bem mas o carro foi bem atingido e está no conserto. Então o ambiente não está um dos melhores.

Para completar meu humor, ontem no jantar tivemos a infelicidade de ter escolhido o mesmo restaurante que os clientes-chatérrimos da empresa (cidade pequena é mesmo uma m*rda). Eles acabaram insistindo em juntar as mesas e tivemos uma noite horrível com gente burra, invejosa no pior sentido e desagradável. E como se não fosse o bastante, ainda tive que ouvir de um deles: “Márcia, now tell me: what about kids? When are you going to have a baby?” não consegui responder nada, Martin que se prontificou a falar “Soon” e pronto. De volta ao nosso quarto, claro, desabei em lágrimas. M*rda.

Hoje também não estou lá muito feliz principalmente com tudo isso na cabeça.

Amanhã é sexta-feira, dia que eu e Delia vamos tomar cappuccino em algum lugar bacana que não lembre que estamos em Middelburg. Quem sabe meu humor não muda um pouco.

Quero agradecer mais uma vez pelos recados aqui, pelo apoio e pelo gentil oferecimento de ajuda de muitos de vocês, muito obrigada, fico bastante feliz!! Martin e Chris também leram todos os recados cheering them up e se divertiram bastante. Thanks a bunch!

Escrito a mão pela Marcia às 10:04 PM | mais em M&M in South Africa | Comente este capítulo (5)

julho 25, 2004

Poor Things...

Hoje é domingo, mas faz muito tempo que não sei mais a diferença.

Desde a segunda-feira passada, entende-se segunda, terça, quarta, quinta, sexta, sábado e hoje Martin e Chris estão trabalhando desde às 5h30 da madrugada (leia-se cinco e meia da manhã) até as 7h30 da noite (sete e meia da noite), poor things. Sete dias consecutivos despertando muito antes do sol, longos dias de trabalho sem almoço e retorno de corpos exaustos e enfraquecidos ao anoitecer, poor things.

A gente sai para jantar, conversa por mais ou menos uma hora e meia e o dia se encerra para eles. Eles estão a pura imagem da escravidão impiedosa, expondo as marcas das chibatas em cortes profundos. Desolação e desesperança penduradas nas olheiras, poor things.

Para melhorar a situação, eles haviam pedido para uns peões cortarem o excesso de um cabo (de 5cm de diametro), só a ponta que estava sobrando. Eles cortaram. 16 metros. Como alguém pode achar que 16 metros é sobra? Daí o cabo tá curto, tem que pedir outro, produção da insdústria parada, querem cortar os cabos dos peões agora. E nóis continua por aqui, sem saber quando ou se um dia vamos voltar a ver a luz da civilização. Poor things


Public Appeal:

Martin and Chris think I’ve been unfair and unsympathetic with them just because I said they’d better be in a rest home than a guesthouse as they do little but say “oh dear, I’m tired”. They told me off last night (particularly one of them who must not be named but it’s not Martin) until reduce me to tears. So here I am trying to make up with them.

I AM TRULY HONESTLY MADDLY SORRY FOR YOU BOTH AND I HOPE THINGS GET BETTER IN NO TIME AND WE ALL CAN LEAVE MIDDELBUGGAR AND GO BACK TO OUR SWEET HOME ENGLAND.

If you have time, please leave a sympathy message for Martin and Chris too. They are SO desperately in need! Any message to cheer them up or just to say “oh poor things, poor things” will be very appreciated. Cheers!

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last update 26/07/04: this post was the talk of our dinner tonight. That one who-must-not-be-named is threating to sue me for slander and to keep me in Middelburg for the rest of my life. I'll soon post a petition here and you people can send e-mails to him (he LOVES e-mails!!) to plead against his decision.

Name: Chris ******* (surname to be updated soon)
e-mail: hisemailaddress@whatever.co.uk (to be updated soon)
telephone: +44 000 000 (to be updated soon)
picture: (to be posted soon, hohohoho)


Chris: Whatever! :-p

Escrito a mão pela Marcia às 5:19 PM | mais em M&M in South Africa | Comente este capítulo (16)

julho 21, 2004

Quase Dois Meses

Uff. Estamos completando quase dois meses vivendo em Middelburg. Praticamente um ato heróico. Chris, o engenheiro-chefe do projeto em que Mr.M está trabalhando chegou da Inglaterra na sexta-feira passada e está hospedado aqui na pousada.

Eu já falei dele aqui, foi ele quem fez de tudo para que eu pudesse vir acompanhar Mr.M nesta viagem. E tem sido bem divertido, Chris é super bem-humorado e simpático, nós três damos muitas risadas e fazemos todas as piadas possíveis sobre a vida aqui em Middelburg. Ele conhece bastante de São Paulo, já comentou comigo sobre o Ibirapuera, o litoral de Santos, os restaurantes Familia Mancini, Barbacoa, Ganesh, até do Simba Safari ele falou. E ele fala do Brasil com absoluta paixão, diz que ama o Brasil, que adora o povo brasileiro e morre de saudades da comida de lá. Para o Martin a presença dele tem sido também um alívio porque toda a burocracia e politicagem agora sai das mãos dele e ele pode se concentrar melhor no trabalho que precisa fazer.

Esta semana e a semana que vem são as mais críticas de todo o projeto em que eles estão trabalhando. O equipamento está sendo instalado e a produção da indústria está parada especialmente para isso. Então tudo tem que funcionar direitinho e todos os engenheiros estão de plantão.

Recebemos algumas notícias vindas do Reino Unido. A primeira é que provavelmente ficaremos aqui até que o nosso visto se encerre, em meados de Agosto, para que Mr.M possa cuidar de eventuais ajustes no equipamento instalado. A outra é que vamos poder enviar uma parte da nossa bagagem pela DHL para a Inglaterra.Vai ser fantástico porque a gente veio com as bagagens no limite do peso (ridículos 23kg por pessoa) e precisamos voltar com tudo aquilo e mais o que andamos comprando aqui.

Fiz alguns passeios com a Delia na semana passada. Fomos à Witbank e também a Dullstrom, para almoçar, tomar um cappuccino e ver lojas. Não comprei nada, mas adorei as lojas em Dullstrom, impressionante encontrar uma cidade no meio do nada (bem, na verdade a região é popular pela pesca de Truta) cheia de lojas de decoração, móveis de design assinado, uma porção de coisinhas bem bacanas e chiques, restaurantes finos e bistrôs bem aconchegantes.

No domingo passado levamos Chris à Botshabelo e vimos antílopes, impalas, avestruzes, baboons e macaquinhos. Fizemos uma pequena caminhada, vimos o pôr-do-sol e nos encantamos com a cor do céu, azul, rosa e laranja. Acho que ele gostou.

Que mais que eu tenho pra contar... Nossa geladeirinha vai bem, ando comendo sanduíche de atum e maionese, nham! E temos Ice Tea geladinho, queijo Babybel, leite.

Brunoviski, Phoebster e Sillyvester estão bem também. Phoebe não caçou mais nenhum passarinho, apesar das tentativas. Minha amiga Marcia Aguiar me explicou que os daschunds são excelentes cães de caça, por isso esse instinto tão forte na Phoebe. Bruno porém não vê necessidade de caçar já que seu pratinho tem sempre ração e toda quinta-feira tem churrasco na pousada e garantia de t-bones gentilmente doados pelos hóspedes. Melhor então usar os dentes pra morder a Márcia até ela ficar com a mão toda furada e falar: “Bruno-NO”. Ah sim, a quem tinha perguntado, eu falo com eles em inglês, mas eles só entendem Afrikaans, de modo que as vezes eles me olham sem compreender. Syl continua blasé, mas é super querido. Já não me morde mais quando eu faço fussy-fussy-cute-cute na barriga dele de surpresa. Quando a gente precisa sair e colocar ele para fora do quarto ele se transforma numa gelatina, uma massa amorfa que escorrega entre os dedos, o preguiçoso.

Terminei de ler o quarto e último livro. Gostei muito, Joanne Harris é bastante competente para criar personagens cheios de personalidade, adorei. Para a minha salvação, Chris me emprestou um livro que ele comprou no aeroporto e vou começar a ler hoje. Chama-se Land of Fire, de Chris Ryan. O gênero do livro (guerra das Malvinas) não é lá meu cup of tea, mas vou ler.

Agora que sei que vamos poder enviar coisas pela DHL vou poder comprar mais livros, de mais páginas. Oh sim, da outra vez tive que escolher livros que não fossem muito pesados, ficava comparando o peso nas duas mãos. Realmente quem deve ter me visto escolhendo os livros assim não teve uma boa impressão dos meus critérios literários. Da póxima vez vou tentar comprar alguma novela de 800 páginas, assim dura mais tempo. Imensas saudades da Borders...

Estou sem créditos no celular e, portanto, não posso acessar a Internet. Espero que Mr.M se lembre de comprar mais créditos e me tirar desta miséria implacável, esta seca cruel e desumana...

Ah! Colori meu cabelo novamente! Usando a mesma marca, L’Oreal Excellence, na mesma cor castanho mogno. Não ficou perfeito porque eu não apliquei muito com medo de manchar as toalhas da pousada. Mas ficou ok, tô contente.

É isso. Temos mais quatro semanas pela frente aqui na África do Sul. Meu chazinho de camomila está quase acabando, no wonder. Vou ali sentar no sol, respirar ar fresco e brincar com o Bruno. Só mais um mês. Uff.


Escrito a mão pela Marcia às 9:11 PM | mais em M&M in South Africa | Comente este capítulo (13)

julho 14, 2004

Improvements

YAY! Nós temos uma geladeira, hoooray!!
A Delia colocou um frigobar no nosso quarto e eu estou tão, tão feliz!
Vai fazer a maior diferença para nós.

Eu colocava uma coisinha ou outra na geladeirona da pousada, mas não ficava muito à vontade. Tem uma geladeira lá na cozinha só para bebidas, que a gente se serve e marca o que pegou para pagar depois. E outra com todos os mantimentos da pousada. Ambas são supercheias e organizadas e eu não me sentia muito bem colocando minhas coisinhas lá, a cada dia elas apareciam num lugar diferente e eu tinha que ficar fuçando tudo.

Agora nós podemos colocar o que bem entendermos na nossa geladeirinha no quarto!! Ontem fomos ao supermercado Spar para nos abastecer. Compramos presunto, queijo, atum, leite fresco, salsichas de hot-dog e cervejas. Tá tudo arrumadinho no frigobar. Compramos também pão, biscoito de chocolate, Kit-kat, mexericas e Ice Tea. Bons almoços daqui pra frente! EBA! Miojos nunca mais!

Outro dia eu fui à loja Woolworths, que tem um mini-supermercado dentro bem chique, e vi que tinha uma seção especial chamada “Italy Festival”. Fui lá dar uma espiada e o que eu encontro?? Um potinho de Pesto importado de Roma, hooooray!! Comprei um vidrinho e um pacote de espaguete. Eu não costumo comprar pesto em potinho, adoro fazer em casa fresquinho (facílimo de fazer, a receita taí do lado), mas aqui estamos num estado de calamidade pública. Então o potinho de pesto pronto é mais que bem-vindo!! Hummmm... acho que vou fazer no final de semana.

Ah, para quem havia perguntado quem era na foto do post Wild Wild Life, quero esclarecer que é a Phoebe. O Bruno viu ela caçando, depois foi lá cheirar a presa, fez cara de nojo e foi dando ré até ficar bem longe, o medrosinho. A Phoebe é mais quieta mas também a mais corajosa. Eu fiquei impressionada, daschounds são pequenos, perninhas curtas, não são feitos para serem cães de caça. Mas a Phoebe tem certeza que ela é um Husky Siberiano, deixa ela. No dia que ela comeu o pobre pássaro ela dormiu o resto do dia todo, foi como se tivesse comido um peru de Natal sozinha, a gulosa. Lety, não precisa ter medo da foto não porque não tem nada de muito nojento, não tem sangue nem órgãos saindo pra fora não. Mas agora cê já imaginou tudo isso, né...?

De resto tudo continua bem por aqui, na medida do possível. Continuo de bag full de Middelbuggar, mas estou mais paciente agora. Decidi não mais sair da pousada sozinha, pronto. Só saio com a família da pousada ou com o Martin. Temos mais um mês pela frente. Nosso visto dura até 21 de Agosto e espero (i hope, i hope, i hope) estarmos em casa antes disso. Estou na metade do último livro, estou quase acabando o jogo Tomb Raider The Angel of Darkness. Estou quase perdendo os sentidos também. Uff.

Mas sei que vai valer a pena quando a gente sair de férias e eu puder finalmente ver um leão!! Can’t wait.

Escrito a mão pela Marcia às 7:21 PM | mais em M&M in South Africa | Comente este capítulo (18)

AIDS na África

A África é ainda o continente campeão de índices de HIV positivo e AIDS. Outro dia vi na TV uma propaganda bastante tocante, mostrando casas de bingo vazias, asilos sem ninguém, um funcionário raspando da placa “desconto para idosos”. Depois uma criança de uns quatro anos pergunta para mãe: “Mãe, o que são vovô e vovó?” Daí a campanha se encerra explicando que em 2010, se a AIDS não for controlada, o continente africano não vai ter população acima dos 40 anos de idade. Uau.

Escrito a mão pela Marcia às 7:20 PM | mais em M&M in South Africa | Comente este capítulo (9)

Artesanato Útil

Gentem, que esqueci de contar. Quando fomos à Jo’burg eu fui dar uma olhadinha no artesanato africano e encontrei algo inusitado. Ainda existem muitas tribos neste continente. E a grande maioria são bem selvagens, vivem todos pelados. Daí que eu estava olhando o artesanato, achando tudo lindo e me deparei com um negocinho parecendo uma mini-peneirinha de palha. Enquanto eu estava tentando decifrar o que era o negócio, Mr.M surge ao meu lado e pergunta:

“Cê sabe onde é que vai isso aí?”

e vira a embalagem para me mostrar a foto explicativa. Tinha um homem e uma mulher de uma tribo. A mulher peladona, com umas penas aqui e ali. O homem peladão a não ser pela tal peneirinha de palha bem posicionada no instrumento reprodutivo dele para proteger de arranhões, ô moço precavido!!!

GAAAHHHHHHahahahahahaha...


:-p

Escrito a mão pela Marcia às 7:19 PM | mais em M&M in South Africa | Comente este capítulo (7)

julho 13, 2004

Blyde River

O passeio do final de semana foi muito bom!

Desde a escolha da pousada às paisagens magníficas.

A gente não percebe, mas Middelburg fica num altiplano de mais de dois mil metros de altura. E para chegar a região de Sabie, fomos descendo a serra. Só então é possível ver as montanhas. Engraçado ter que descer para ver as montanhas. A diferença no relevo é espantosa, as formações rochosas formam ondas e tudo parece macio.

Ficamos num dos chalés da pousada, lá tínhamos três camas, uma cozinha completa, banheiro, varanda com churrasqueira e uma lareira bem legal, que acendemos e dormimos com o barulhinho da lenha estourando.

Jantamos na pousada mesmo e para a nossa total alegria o restaurante tinha um menu predominantemente britânico! Meu prato foi um clássico bretão chamado Steak & Ale Pie, que é uma torta recheada de carne assada, cebolas e molho de cerveja Guinness, acompanhada de purê de batata. Bliss! Martin escolheu um Lamb Indian Curry, curry de cordeiro, de tanta vontade que ele estava de comer um prato indiano que ele tanto adora. Comemos bem, vou te falar. Estava tudo divino.

No dia seguinte, o café da manhã seguiu a boa qualidade também. Mr.M atacou um full house, ovos, bacon, salsicha, tomates, torradas, aquela coisa toda. E eu me esbaldei com Poached Eggs Benedict, que são ovos pochê delicadamente deitados sobre fatias bacon, folhas de espinafre e metades de muffins ingleses. E um tiquinho de molho holandês cobrindo. Café, suco e fruta também. Ainda bem que a gente tinha o dia todo para queimar as calorias!

A primeira atração do dia foi visitar o God’s Window. Eu esperava bem mais por causa do nome presunçoso e tal. Gostei de ver a imensidão do vale que se avista do alto, mas acho que já fiquei mais impressionada com as vistas da Serra da Bocaina, entre SP-MG-RJ. Vai ver era só a janela do Vosso quintal ou coisa assim.

Depois fomos à um lugar bem especial chamado Bourke’s Luck Pot Holes. Lá as rochas foram naturalmente escavadas pelo rio, formando esculturas magníficas, imagens de realmente impressionar. E as cachoeiras também são fantásticas, a espuma da água braquinha nas rochas absolutamente negras, lindas!

Em seguida visitamos o canyon em si, Blyde River Canyon. Imenso, as montanhas em curvas sinuosas, o rio plácido correndo sem pressa no vale, uma vista que dava vontade de ficar sentada o dia todo, só admirando, sem dizer nada, sem pensar nada.


Cada estação tem seus prós e contras. No inverno é mais fácil avistar animais porque a vegetação está seca, as árvores estão peladas. No entanto, as cachoeiras estão mais magras e o rio também está mais baixo. E não há tanto verde e flores decorando as montanhas. Mesmo assim, as paisagens que vimos foram muito impressionantes.

Depois do canyon começamos nosso caminho de volta. Foi cansativo, é preciso rodar bastante de carro para ver tudo. Mas foi um ótimo passeio para nós.

E como as imagens podem falar mais do que eu possa descrever, aqui vão algumas. Infelizmente não posso publicar muitas porque demora muito para fazer o upload, mesmo em baixa resolução, e meus créditos vão simbora. O horário que visitamos não era o melhor para se tirar fotos, a luz estava impedosa e a leve névoa da manhã de inverno ainda estava na superfície, atrapalhando a nitidez da imagem.

Eu sentada no parapeito da janela do Homi

GodsWindow.jpg


As rochas esculpidas de Bourke’s Luck Pot Holes

PotHoles.jpg
PotHoles2.jpg


Blyde River Canyon, o terceiro maior canyon do mundo

BlydeCanyon2.jpg


:o)

Escrito a mão pela Marcia às 7:29 PM | mais em M&M in South Africa | Comente este capítulo (8)

julho 10, 2004

M&M in Blyde River Canyon

Eba! Desde que fomos à Jo’burg Mr.M trabalhou sem parar, sem folga nem no final de semana. E neste final de semana finalmente ele vai poder ter um dia e meio livre, começando no sábado depois do almoço e o dia todo do domingo, hooooray!! A gente quer fazer o máximo porque este deve ser uns únicos finais de semana que ele vai ter de folga até a gente voltar para a Inglaterra. A parte mais importante do projeto em que ele está trabalhando começa na outro domingo, então provavelmente ele vai estar de plantão o tempo todo.

E para comemorar e aproveitar bastante todo esse merecido tempo livre, nós vamos nos mandar de Middelbuggar, HOORAY!!!

Vamos visitar um lugar bem lindo, chamado Blyde River Canyon Nature Reserve. Não é uma área de fauna predominante (apesar de ser possível avistar alguns animais), mas sim de estonteantes paisagens, cachoeiras, lagos e formações rochosas. Martin já esteve lá uma vez e ele diz que é um dos lugares mais bonitos que ele já foi. E lá se encontra também o terceiro maior canyon do mundo, eu estou louca para ver.

Nos hospedaremos por uma noite no vilarejo de Sabie, numa pousada chamada Misty Mountain, bem lindinha, com vista para as montanhas. Entre os lugares que queremos visitar, além do canyon, está um chamado God’s Window (Janela de Deus). Se a gente tiver sorte quem sabe o dono da janela num vai estar por lá passando um paninho no parapeito, num é mesmo?

Então até a volta!

“On the road again...”

Escrito a mão pela Marcia às 9:44 AM | mais em M&M in South Africa | Comente este capítulo (8)

Wild Wild Life

Na foto abaixo é possivel ver a cena de um animal selvagem devorando sua presa, uma imagem que testemunhei há poucos dias atrás.

Aviso: NÃO clique no link se você não gostar de fotos do gênero ou se você não tem estômago forte ou se você estiver almoçando no momento.

Clique aqui para ver a foto

Pelo visto, aqui neste continente cada um caça o seu pão de todo dia...

Escrito a mão pela Marcia às 9:43 AM | mais em M&M in South Africa | Comente este capítulo (4)

Oh my G...


Outro dia estávamos assistindo à TV aberta. A gente não costuma ver TV aberta aqui no quarto porque a maioria dos canais não são lá muito interessantes. Quando a gente quer ver TV via Satélite temos que ir na sala de estar da pousada. Eu geralmente assisto um pouco às tardes porque daí eu posso ver o Discovery, NatGeo, Animal Planet, BBCFood, BBCPrime, etc.

Mas voltando, estavamos assistindo à um filme na TV aberta. Era o filme Sweet Home Alabama. O filme em si não me chamou atenção nenhuma, mas um infeliz detalhe me deixou indignada.

Toda vez que no filme algum personagem dizia “Oh My God”, o “god” era censurado pela TV. Então ficava “Oh my G...”. E assim sucessivamente com todas as outras palavras do gênero:
“for h... sake!” (for heaven’s sake);
“h… smokes” (holy smokes);
“what a h…?” (what a hell?);
“h... forbid!” (heavens forbid);
oh J… C… (oh Jesus Christ).

Enfim, qualquer palavra que tivesse conotação religiosa era cortada do áudio. Martin me explicou que isso é norma da tv sul-africana, ninguém pode transmitir filmes ou programas com palavras religiosas sem que essas sejam cortadas. Uns dizem que é para respeitar as diferentes culturas religiosas que o país têm e não ofender a nenhum credo. Outros dizem que os próprios católicos do país é que não gostam de ouvir tais palavras serem usadas em vão.

Eu não gostei. É certo que existem diferentes credos aqui, mas isso não impede ninguém de aceitar que outras culturas usam expressões religiosas nas interjeições. Pra quê tirar o áudio quando o que foi dito é tão óbvio? Qualquer cultura deve ter sua liberdade para se comunicar do jeito que está acostumada a fazer. E cabe a qualquer outra cultura entender e respeitar essa diferença, mesmo que não concorde.

Então vamos dizer que eu sou hippie e que acredito na Paz e no Amor. Então não quero saber de americano falando “love” em vão nos filmes hollywoodianos. Pronto. Paz todo mundo já fala em vão mesmo, mas Amor tá banido. Não quero, tá banido pra vida toda. Sem i love you, sem oh my love, sem do you love me. Tudo censurado, não aceito, corta tudo fora. É a mesma lógica.

Ah cansei.

Só pra terminar e resumir minha opnião, vou copiar aqui um trecho do livro que minha amiga Mary leu, Terrorismo Cultural, do antropólogo social Thomas Hylland Eriksen:

"(...) fascismo é ter amigos íntimos, uma cidade natal e uma família, mas não ter capacidade de entender que outras pessoas, em outros locais, possam ter amigos, uma cidade natal e família - e ter uma vida rica e interessante, mesmo sendo diferente."

Pronto, falei.

Escrito a mão pela Marcia às 9:37 AM | mais em M&M in South Africa | Comente este capítulo (3)

julho 5, 2004

O Primeiro dos Big Five!

Loskop – O Retorno

Eu vi! Eu vi! Eu vi! Eu vi o primeiro dos Big Five*, HOORAY!!!
Não foi o leão ainda.
Mas foi o senhor tonelada, o fortão, o mais pesado, o feroz, o que parece saído da época jurássica, o destemido e temido RINOCERONTEEEE!!

Eu vi, eu vi! E tirei fotos, muitas fotos.

Ontem Martin teve que trabalhar e eu estava entediada até a alma de ficar na pousada em pleno domingão ensolarado e quente. Não era nem dez da manhã quando a Delia veio bater na porta do quarto. Eu e Sylvester fomos atender. E ela me convidou para ir com ela e com o outro hóspede alemão (que não era o Gehard, mas eu não sei o nome deste moço) à Loskop. Aceitei (não sou silly nem nada), corri pro chuveiro, troquei de roupa e desci para encontrar com eles, na pick-up 4x4 (e fui a primeirona a estar pronta, a apressada).

Eu não fui com grandes expectativas desta vez porque sabia o quanto foi difícil ver qualquer animal lá em Loskop quando fomos na primeira vez. E no começo, quando começamos o safari, não me empolguei muito. Vimos alguns kudus, algumas impalas e tal. E rodamos, rodamos, rodamos. Daí a Delia começou a entrar num caminhos mais ousados, que só os 4x4 conseguem e a gente começou a ver outros animais, entre eles uma família de macacos babuínos e também black beest, que são parecem o Fera, da Bela e a Fera.

Mas nada de rinoceronte. Seguimos os cocôs deles novamente, parando para analisar o frescor do mesmo. Se ainda estiver molhadinho, com moscas e ainda mantendo o formato original, então quer dizer que eles estão por perto. Se já estiver meio seco, sem moscas e esfarelando, sinal que já faz umas horas que eles foram no banheiro. Eu achei muito simpático da parte deles de fazer cocô no meio da estrada, assim a gente pode parar para analisar.

Rodamos mais e mais e a Delia começou a parar uns carros para perguntar se eles haviam encontrado algum rinoceronte. A maioria dos turistas estavam mais pedidos que nós e ninguém tinha visto. Até que cruzamos com um carro de um casal que mora nas localidades e eles foram bem simpáticos dizendo que haviam visto um nas margens do lago, mas para chegar até lá era preciso pegar uma outra estradinha quase invisível por causa da grama alta.

Ficamos todos empolgados e prestando atenção no solo para ver se encontrávamos a tal estradinha. Encontramos e seguimos por alguns metros, sem ver nada na frente a não ser mais e mais grama que chegava na altura da pick-up. Até que... tcharam! Alcançamos a borda do lago, onde a grama é bem mais rasteira e lá estava ele, enorme, gigantesco, comendo tranqüilo sua graminha, sem se preocupar conosco. Horray! O primeiro dos Big Five que eu vejo em seu habitat natural, yaaaaayyy!!!

Chegamos muito muito perto dele, ele não se incomodou com a nossa presença, pude tirar bastante fotos! Dava até pra ver as marcas da pele dele. E aquele chifrão duplo no focinho, maravilhoso! A Delia explicou que aquele era o white rhino e que o black rhino tem a boca completamente diferente, como se fosse bicudo. Esse que vimos é mais comum.

Ficamos um bom tempo ao lado do belezinha e ele continuou comendo sem pressa, às vezes olhava pra gente, depois voltava a comer grama. Só quando viramos o carro para passar pelo lado direito dele que ele se mostrou ameaçado. Balançou a cabeça pra cima e pra baixo e chutou a areia. Daí a Delia entendeu e deu ré e foi pelo lado esquerdo dele. E ele balançou o rabinho e voltou a comer sossegado.

Deixamos o belezinha em paz e fomos para outras áreas, parando os carros para avisar onde havíamos encontrado o rinoceronte.

Mais ainda estava por vir.

Demos a volta no lago e, numa subida, vimos uns cocôs bem fresquinhos. Paramos o carro para olhar em volta e sem precisar de nenhum esforço, vimos outros rinocerontes no alto do morro, uma mãe e um filhotinho. Mas eles estavam longe, meio escondidos entre as árvores e de costa para nós, então não tirei fotos. Mas foi legal ser finalmente recompensados pelo tanto de exames fecais que fizemos!!

Pouco depois, no mesmo lugar onde Martin e eu ficamos maravilhados ao ver uma família imensa de impalas bebendo água no grande lago outro dia, viramos à esquerda para procurar mais animais.

Logo vimos o Pumba, o javali warthog. Mas este era um cinza bem clarinho. Acho o warthog bem engraçado, talvez porque me lembre o Pumba, e ele anda todo apressadinho, tem um cabeção e uma bundinha minúscula, é hilário. Daí vimos uma espécie de lagarto enorme, escorregando entre a grama e então mais para frente... surprise, surprise!!

Algo que eu definitivamente não estava esperando ver tão cedo e que me deixou completamente estarrecida, mais do que o rinoceronte. GIRAFAS!! Três girafas surgiram no horizonte, longas, elegantes, coloridas, magníficas!! Eu fiquei completamente sem palavras, tão feliz de ter visto as girafas!!! Na verdade eu nem sabia que era possível vê-as em Loskop foi uma total e fantástica surpresa!!! Era um casal e um filhote e eles estavam comendo folhinhas de uma árvore e descansando. Também chegamos bem perto delas, mas bem mais devagar para não assustá-las.

Foi fenomenal. Uma pena que Mr.M não pôde estar conosco, mas ele já viu boa parte dos Big Five quando morava aqui.

Depois das girafas, tomamos o caminho de volta, sem precisar ficar olhando em volta, a gente nem ia ligar de atropelar uma ou outra impala, hohohohoho, de tão satisfeitos que estávamos!! O dia que tivemos em Loskop vai ser um daqueles que vão ficar pra sempre na memória e no hard disk.

Clique & Amplie
Todas as fotos foram tiradas com uma lente de 210mm, eu não estava tão perto quanto parece

Eis o primeiro dos Big Five que vi, o Rinoceronte Branco:

Loskop-Rhino1.jpg
Loskop-Rhino2.jpg


E a grande e agradável surpresa do dia, as Girafas. Elas me dão aquela intensa sensação de que sim, estou na África.

Loskop-Girafes.jpg


E o querido warthog. Notem que este warthog tem a mesma cor que o tronco da árvore. Assim, se ele deitar quietinho, o predador pensa que é só um tronco de árvore caído.

Loskop-Warthog.jpg


*Big Five: leão, onça, búfalo, rinoceronte e elefante

Escrito a mão pela Marcia às 7:58 PM | mais em M&M in South Africa | Comente este capítulo (21)

E os Dias Passam


Já estamos em Julho, o clima aqui está mais imprevisível que antes. Às vezes faz sol e muito calor, às vezes fica tudo nublado e venta bastante. Tivemos chuvas nesses últimos dias, o que foi um alívio porque o ar estava muito seco e cheirando à fumaça das queimadas.

A família da Delia voltou das férias em Moçambique. Pelo que eles nos contaram, não foi lá uma boa experiência. É a terceira vez que eles vão para lá, mas foi a primeira vez depois da guerra civil que durou 20 anos. Eles disseram que o nível de miséria lá está um absurdo, muita gente esmolando nas ruas, falta de saneamento básico, violência, aquilo tudo qua a gente conhece. Então eles aproveitaram muito pouco, fizeram alguns passeios, viram vários animais bem bacanas, mas estavam loucos para voltar para casa. Nós ficamos felizes com a volta deles, a landlady que estava aqui era super boazinha, levou até bolo de chocolate no nosso quarto, uma beleza! Mas nada como ter os próprios donos da casa aqui, tudo funciona melhor e a gente se sente mais segura.

Na sexta-feira passada tivemos uma boa tempestade com raios e trovões, com queda de energia e muita água. Estávamos todos os hóspedes juntos na pousada, jantando um informal espaguete a bolognesa que a Delia havia preparado para nós como pura cortesia. E tivemos uma noite ótima ao redor da mesa da cozinha, conversando sobre um monte de coisas, nós, a família da pousada, Gehard, um alemão bem simpático que está aqui há dois anos, dando aulas de computação para negros que vão entrar nas indústrias. E também um outro hóspede que veio de Cape Town. Depois do jantar nos divertimos mostrando as nossas fotos para a Delia e o Ian, marido dela. Eles morreram de rir com as fotos dos cães e do Sylvester.

Eu tenho saído muito pouco da pousada. Quando muito vou até o supermercado e volto. Estou almoçando aqui, mas meu cardápio não é mais miojo. Comprei presunto, queijo, salame e pão, e a cada dia faço um sanduíche diferente. A noite jantamos juntos e aí sim consigo me alimentar melhor, principalmente quando a gente janta na pousada, que sempre serve carne, saladas, legumes e arrozinho, apesar da montanha de molho que vem acompanhando tudo. E eu continuo tomando um comprimido de multi-vitaminas todos os dias, então acho que sobrevivo.

Ando sentindo muitas saudades da nossa casinha, das nossas coisinhas, da nossa cidade, do mundo pós-idade-média, aiai... Tem muita coisa legal para se ver por aqui, mas eu não passeio todos os dias, não tenho sequer para onde ir durante a semana. Por mais que muita gente pense que estou vivendo um sonho de turismo, isto aqui está longe de ser um mar de rosas. Muito longe. Não vejo a hora que o Martin finalmente termine o projeto e a gente possa sair de férias e conhecer realmente o que há de melhor nesta região. Enquanto essa hora não chega eu fico pacientemente enchendo meus dias de coisas que me fazem bem, mas não posso negar que há dias em que eu preferia estar na nossa casa.

Quando voltarmos, certamente eu vou sentir saudades de muita coisa daqui, como o solão e céu azul quase diário, os animais, a família da Delia, as empregadas fazendo tudo pra nós, os passeios magníficos. Mas de Middelburg em si, da cidade propriamente dita, eu vou ter pouquíssima coisa a sentir falta.

Ao contrário de qualquer outra cidade um pouco mais civilizada, em Middelburg não existe transporte público. Brancos sem excessão andam de carro, negros se viram, a maioria caminha ou andam de lotação. Não posso dar um pulinho na cidade vizinha, não posso nem sequer andar mais que um quarteirão por aqui, por segurança. Sem contar essa discórdia racial, a arrogância extrema de alguns brancos e a antipatia tenebrosa de alguns negros, nesta minúscula cidade parada no tempo. E dou graças a deus que a pousada seja tão aconchegante e simpática, senão já estaria nadando pelo Oceano Índico a caminho da Inglaterra, ou fazendo uma curva no sul e nadando no Atlântico para visitar o Brasil.

Obviamente que valorizo muito a chance de ver o que vejo aqui, viver o que vivo aqui, passar os dias com o Martin como passo aqui, conhecer boas pessoas como conheci aqui. Mas isso não me impede também de ficar de saco cheio de vez em quando. A indignação e o desconforto faz a gente questionar e aprender muito também. Mais do que ser Polyanna, mais do que fingir que tudo é lindo e maravilhoso o tempo todo. Porque não é, nunca é. A maioria dos colegas do Martin, além do próprio, sabe do que eu estou falando. Tem horas que dá vontade de viver na Àfrica do Sul pra sempre. Tem horas que dá vontade de sair correndo.

Hoje eu me permito reclamar. Quem for da opinião contrária, está convidadíssimo a passar seus dias em Middelburg. Não de passagem em férias, veja bem, mas umas boas seis semanas consecutivas. Give me a break today

Escrito a mão pela Marcia às 7:41 PM | mais em M&M in South Africa | Comente este capítulo (8)

Mal Acostumados

Bruno, Phoebe e Sylvester estão completamente estragados, mimados e folgados, desde que cheguei aqui.

Sylvester ama o Martin, vive pedindo carinho pra ele, faz purrrrrrrr, lambe a mão dele e sobe no ombro para deitar na nuca dele, se derrete todo. Como eu adoro fazer fuuuussy-fussy-fussy-fussy-fuuuuusy na barriga dele de surpresa toda vez que ele está dormindo quieto de barriga pra cima, eu não sou a preferida dele. Mas ele gosta de vir dormir no meu colo de vez em quando, lambe minha mão também e passa o dia inteiro dormindo no nosso quarto, enquanto fico por aqui.

Phoebe também adora dormir no chão do nosso quarto, onde bate o sol até a tardezinha. Quando esfria ela logo procura meu colo ou a poltrona, o que estiver vago. Ela morre de frio, está sempre tremendo e procurando um lugar quente para ficar. A paixão dela, além do gato, é o aquecedor elétrico, ela deita bem do ladinho, colocando o focinho bem bem bem perto do metal para ficar bem quentinha. Ela não liga muito para brincadeiras, mas é ótima para enterrar e desenterrar ossos, uma arqueóloga! E parece que adora fotografia. Faz pose, caras e bocas pra câmera.

E finalmente Bruno é meu grande companheiro querido. Fica extremamente feliz de me ver, suas perninhas de daschound nem conseguem dar conta de tanta pressa de correr até mim, então ele vem num galope, pulando com as patas da frente e de trás juntas e movendo o corpo feito uma foca. E pula, me arranha, morde, late, corre atrás de mim quando eu finjo fugir dele, faz um escândalo se eu não me abaixo para fazer fussy-fussy-fussy na cabeça dele, bagunçando as orelhas. Mas não gosta da câmera, morre de medo quando a gente aponta a lente pra ele e vai embora. Também tem medo da lixa de unha e mais atualmente, do tripé. Ele é o valentão dos três, late pro jardineiro, pras faxineiras, pra crianças chatas, pros hóspedes pentelhos. Outro dia ele resolveu bater as patas na nossa porta em plena madrugada, para me chamar pra brincar. Foi um sufoco fazer ele perder esse mal-costume, mas agora ele já aprendeu.

A presença desses três, cada qual com sua personalidade e seu jeito de mostrar carinho por nós tem sido muito valiosa para mim. Meu tempo com eles não vai ser longo, então aproveito para fazer muita bagunça, estragando toda a boa educação de antes. Mas eles sabem que só comigo que eles podem fazer bagunça. Com os outros hóspedes e com a família da pousada eles são bem comportados. A Delia disse que o Bruno vai sentir muito a minha falta quando a gente voltar para a Inglaterra. E eu respondi que nem tanto quanto eu vou sentir a falta dele. Quantos quilos será que ele pesa...?

Escrito a mão pela Marcia às 7:40 PM | Comente este capítulo (6)

julho 3, 2004

Novos Amigos

Estes são os meus novos amigos que aquecem e alegram os meus dias aqui na Àfrica. Com vocês:


Bruno (ou Brunoviski Banana)

Bruno.jpg



Phoebe (ou PhoeBBC)

Phoebe.jpg



Sylvester (ou Syl)

Sylvester.jpg

Escrito a mão pela Marcia às 7:31 AM | Comente este capítulo (19)

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