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agosto 30, 2004

Visitas em casa

Os pais do Martin estão aqui em casa desde o sábado. Eles vieram passar o fim de semana prolongado aqui (hoje é feriado) e vão ficar por mais alguns dias desta semana. Então estamos todos muito ocupados, levando eles para todos os cantos e estou com pouco tempo para atualizar aqui. Sei que ainda estou devendo as fotos das feras, assim que eu puder venho publicá-las.

:o)

Escrito a mão pela Marcia às 5:26 PM | Comente este capítulo (3)

agosto 27, 2004

Penosos

Não são só os mamíferos que habitam o Kruger Park. Há mais de 500 espécies de pássaros voando livres por lá. Os mais impressionantes, na minha humilde opinião, são os Fish Eagles, que dançam graciosos no céu com suas cabeças brancas e asas pretas. São também considerados a Voz da África, pelo característico grito. A foto abaixo foi tirada da outra borda do lago, perdoem-me pela minusculosidade.

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À esquerda o joão-grandão Goliath Heron, que mede 1m40! E o Bateleur Eagle, à direita.

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E tem também o Southern Ground Hornbill, que chega a medir 1m de altura, andam pela grama em bandos e de perto parecem uma drag queen de cílios postiços! :o)

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Escrito a mão pela Marcia às 12:32 PM | mais em M&M in South Africa | Comente este capítulo (10)

Pescoços e Penteados

Nosso primeiro safari com guia foi pela manhã, às 5:30am. Foi bom. Vimos essas girafas enormes, uma delas (esta à direita) tinha uma cicatriz bem grande no pescoço. Deve ter sido atacada por um carnívoro, que geralmente avança na jugular da presa. Uma sobrevivente.

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O segundo Big Five a aparecer foi o búfalo. De todos, este era o que a gente fazia menos questão de ver. Como diz o Martin, uma vaca com um péssimo penteado ("a cow with a bad hair"). À direita, o blue wildebeest, que é um animal bem tímido e assustado apesar da aparência de touro. O wildebeest às vezes é visto entre hordas de zebras, de quem ele deve ter emprestado esse casaco listrado. :o)

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Macacos também estão sempre em bandos e muitas vezes ficam nas margens da estrada. À esquerda, um macaco vervet e à direita, um chacma baboon. Baboons são animais perigosos e agressivos, com seus caninos longos e fortes braços. Este da foto estava particularmente mau-humorado porque a insistente chuva estava deixando seu pêlo bagunçado.

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Escrito a mão pela Marcia às 12:03 PM | mais em M&M in South Africa | Comente este capítulo (4)

agosto 26, 2004

Rara, ágil e bela Cheetah

De todos os animais que provavelmente não veríamos, a cheetah estava no topo da lista. Por ser rara, por estar em perigoso risco de extinção, por existir apenas 200 em uma área tão vasta, nem passava pelas nossas mentes que teríamos a sorte de econtrar com uma. Mas aconteceu. Nosso primeiro felino, a mais ágil espécie de todos os animais.

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A Cheetah chega a alcançar 100km por hora. Mas não é um animal agressivo, tem dentes e mandíbulas pequenas, precisa 'voar' no pescoço para sufocar a presa e se alimentar.

Estávamos a uma considerável distância dela, não havia como aproximar, nosso zoom estava no máximo. Ela estava tranqüila, deitadinha e assim ficou por vários minutos, enquanto assistíamos atônitos. Olhou para nós algumas vezes, espreguiçou e depois saiu da nossa vista, entre a savana.

Foi um dos nossos melhores momentos. E era apenas o segundo dia em Kruger.


Escrito a mão pela Marcia às 11:38 AM | mais em M&M in South Africa | Comente este capítulo (5)

Pesados

Este foi o primeiro elefante que vimos, no nosso primeiro dia. Solitário. O primeiro Big Five no Kruger. Ficamos horas assistindo ao pesadão comendo folhas e galhos. Foi a primeira grande emoção de ver um dos maiores animais da face da terra em seu ambiente natural.

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Mal sabíamos que logo outro atravessaria na frente do nosso carro. A foto tremida mostra exatamente a nossa surpresa, o susto, o fascínio de estar cara a cara com quem tem muitas toneladas a mais.

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Escrito a mão pela Marcia às 11:18 AM | mais em M&M in South Africa | Comente este capítulo (2)

Chifrudos

Os primeiros animais que qualquer visitante avista assim que passa por um dos portões principais do parque são as impalas. Não é preciso ter sorte, nem é preciso esforço, não requer nenhuma habilidade. Avistar impalas é a única garantia. Porque não tem como não cruzar com elas. Os machos têm chifres em forma de S e brigam entre si para definir quem é o dominante. Cada macho dominante tem cerca de seis ou sete fêmeas, o que explica a determinação das brigas.

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Outro chifrudo que encontramos foram os waterbuks, uma espécie de antílopes de chifres anelados bem longos e um círculo de pelos brancos na traseira, parecendo um alvo.

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E também vimos alguns klipspringers, bem menores que as impalas, de chifres pequenos e pontudos, bastante tímidos e não tão fáceis de encontrar.

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Escrito a mão pela Marcia às 10:56 AM | mais em M&M in South Africa | Comente este capítulo (1)

Mais sobre nossa visita ao Kruger National Park

O Kruger National Park fica na borda leste da África do Sul, fazendo fronteira com Moçambique e Zimbabwe. A área do parque se estende por cerca de 350km de comprimento e 90km de largura.

Com toda essa extensão, é preciso de tempo para conhecer todo o parque. E para isso, é preciso também ter um lugar para ficar. Pensando nisso, foram criados dentro do parque os rest camps, que recebem os visitantes em acomodações que vão desde tendas e trailers até resorts privados bem luxuosos.

O Kruger é dividido basicamente em três partes: sul e central, onde predominam as savanas; e norte, com florestas e suas árvores Baobás (pena que não vimos nenhuma).

O sul é chamado de 'Circus' por causa do número de visitantes e de animais. O centro é chamado de 'Zoo' por causa dos predadores e presas. E finalmente o norte é chamado de 'Wilderness' pela relativa ausência de ambos.

Nós nos concetramos no 'Circus', para aumentar nossa chance de ver os leões. Ficamos no rest camp chamado Skukuza, que é de longe o que tem a maior e melhor infra-estrutura de todo parque: restaurantes, lojas, correio, médicos, supermercado, tudo. Uma mini-completa-cidade.

A nossa acomodação foi num bangalô de luxo, mas não se impressione com a palavra 'luxo' dentro do Kruger Park (a não ser nos resorts). Os rest camps foram criados apenas para servir de área livre para você estender seu saco de dormir. Então 'luxo' é ter uma suíte com chuveiro de água quente, TV a cabo e ar condicionado. Mas luxo mesmo para nós foi ter o bangalô com vista para o Rio Sabie, onde recebemos a gentil visita de um búfalo, vários hipopótamos, um macaco vervet e alguns rascals. Perfect!

Há várias regras e deveres no parque. A primeira e mais importante é que em hipótese nenhuma e em nenhuma circunstância você deve sair do carro. Não importa se você está há horas rodando e precisando urgentemente usar o banheiro, não importa se o pneu furou ou se a câmera caiu pra fora da janela. Não pode sair do carro. Enquanto você está dentro, os animais geralmente não ligam ou preferem ficar longe. Mas basta um pé no terreno deles e chifres, dentes e garras se voltam contra você, estúpido, indefeso e ridículo ser humano.

A segunda regra é dirigir no máximo a 50km/h no asfalto e 40km/h nas estradas de terra. Isso é para evitar o atropelamento de espécies que têm todo o direito de atravessar as estradas quando bem entenderem. Quanto mais devagar, na verdade, maiores são suas chances de avistar algo interessante. No mais, pra quê ter pressa?

A terceira e não menos importante regra é respeitar o horários dos portões, que geralmente se abrem às seis da manhã e fecham às seis da noite. Nós sabíamos dessa regra, porém imaginávos que era só aplicável aos portões do parque, não dos rest camps. Qual não foi nossa surpresa quando estávamos voltando para Skukuza e uma barreira de guardas nos pararam, holofotes na nossa cara e interrogatório sobre o que diabos estávamos fazendo fora do rest camp àquela hora (6:20pm). Foi no finzinho daquela tarde que vimos a hiena caminhando diretamente na traseira do nosso carro. Valeu a pena mas levamos bronca, pedimos desculpas e ficamos de castigo na manhã seguinte para provar que estávamos mesmo acomodados em Skukuza.

Na recepção de cada rest camp é possível agendar seus passeios e pagar por eles. Agendamos uma caminhada e três safaris, todos com guias. Os outros safaris fizemos por conta própria. Todo o parque possui estradas asfaltadas e algumas outras estradas de terra. São fáceis e não exigem tração nas quatro rodas. Mas um veículo mais 'alto' ajuda para enxergar por cima da grama e dos arbustos. Você pode fazer a rota que quiser, é aí que a sorte ajuda ao escolher o lugar certo na hora certa.

Os rangers, esses sim, são essenciais. Eles lêem as pegadas, escutam os sinais, observam a folhagem mordida e vão atrás dos grandes predadores. Joseph foi o nosso brilhante ranger em Skukuza e foi ele que nos levou de encontro com os leões e a onça, a quem seremos eternamente gratos.

Dos equipamentos que levamos, sem dúvida nenhuma, o melhor deles além da câmera foram os binóculos. Absolutamente necessários e impossível pensar em ir ao Kruger sem eles. Com eles pudemos ver detalhes fantásticos dos animais que nem sempre querem ficar muito próximos. Além disso, uma lente zoom para a câmera. Usamos uma de 220mm, mas sentimos a falta de mais uns bons 100mm no mínimo. E com image stabilizer, se possível. Não tínhamos, mas estamos satisfeitos com as fotos que fizemos.

Em seguida, começo a postar finalmente as fotos. Um pequeno registro de parte das nossas mais fantásticas memórias. Entre as Pirâmides de Giza, Table Mountains e as cachoeiras de Victoria Falls, o Kruger National Park é um dos grandes magníficos tesouros que a África guarda em seu solo. Um delicado e frágil ecossistema que sobrevive sem nossa intervenção e que merece todo nosso respeito e proteção.

:o)

Escrito a mão pela Marcia às 10:36 AM | mais em M&M in South Africa | Comente este capítulo (2)

agosto 25, 2004

Ainda fora do ar

Tô tentado, tô tentando. Mas ainda estou bem atrapalhada em casa. E não sou a única. Mr.M pegou as chaves erradas outro dia e ficamos no estacionamento do centro da cidade sem ter como abrir a trava da direção do carro. Tivemos que voltar pra casa de taxi, pegar as chaves certas e voltar pro estacionamento. Can you believe it?

Aliás, nosso carro parece saído da casa da Família Adams, tamanha quantidade de teias de aranha do lado de fora!! Em todos os vãos tem teias e elas são tão bem projetadas que nenhum vento arranca-as de onde estão. Lavar o carro é algo fora de questão neste ano para Mr.M.

Quando chegamos passei hooooras tentando limpar meu blog dos spams. Horas. Estava tão cheio!! Três meses sem poder controlar, isto aqui virou um ninho de propaganda abusiva. Tsc. Instalei e atualizei o MT-BlackList e usei o de-spam do programa, que é muito bom. Desde então, até agora o blog tem sido spam-free, com pouquinhas excessões controláveis. Argh.

Mas o e-mail é mais complicado, né? Acho que vou ter que mudar de endereço de novo, me cansa a beleza ter que usar o webmail antes de baixar pelo Outlook. Me cansa.

E o Orkut, meu deus, esqueci tudo: senha, password, frase de lembrar, tudo. Aos que me incluiram, fico muito agradecida, assim que eu lembrar um desses acima, eu acesso a página novamente, ok?

Desfizemos as malas, até que enfim. Já lavei boa parte das roupas e tive um acesso de jogar um monte de roupa velha fora. Depois de passar três meses com os mesmos pares de roupas a gente percebe quanta roupa a gente não usa. Fiz três sacolas: uma para jogar no lixo, uma para caridade e uma para guardar por mais um ano antes de mandar embora. Preciso de espaço no armário.

Minhas plantinhas sobreviveram! Rob veio aqui aguá-las uma vez e eu também havia deixado garrafas de prástico cheias de água enterradas de ponta cabeça. Funcionou. Quando chegamos elas estavam todas caídas, aguei bem e logo elas voltaram à vida! Êba!

Que mais... Ah, andei cozinhando novamente. No domingo fiz salada de tomates, muzzarela e manjericão fresco, acompanhados de berinjela e pimentão amarelo grelhados. Na segunda fiz espigas de milho cozidas e mais salada de tomate-muzza-manjericão. Na terça Mr.M perguntou: "já podemos comer carne novamente?" Hohohohohoho. Daí nos esbaldamos com sanduíches de linguiça, nhaaam! hoje acho que vou fazer feijão, não sei ainda. Mas sei que vou fazer mais salada de tomates! (Compramos uns tomates fantásticos vindos da Holanda e eu deixo fora da geladeira para ficar bem vermelhinho, suculento e cheiroso...).

Fomos na minha consulta com o otorrino hoje de manhã e estou cadastrada para ter meu aparelho auditivo instalado, hooray! Tudo por conta do sistema de saúde público. Êba.

Assim que eu tiver mais tempo (leia-se, quando Mr.M voltar pro trabalho), vou escrever mais sobre o Kruger Park (que vale a pena) e postar as fotos que vocês tanto querem ver. Mas vou postando aos poucos, conforme for contando nossos passeios. Fotos dos leões vão ser as últimas! Huahuahua...

Vou ali fazer o almoço antes da gente sair de novo para Mr.M cortar suas longas madeixas de rapunzel perdida em Middelburg por noventa dias...


:o)

Escrito a mão pela Marcia às 11:57 AM | mais em M&M in South Africa | Comente este capítulo (7)

agosto 23, 2004

Land of Hope and Glory

Estamos em casa!

Chegamos no sábado de manhã, depois de um vôo tranqüilo, quase sem turbulências, comida ótima e uma fileira de três assentos só pra nós dois!

Nosso apartamento está do mesmo jeitinho que deixamos três meses atrás. Nem estava empoeirado, nem nada. Abrimos as janelas, ligamos a energia e a água de volta. Fomos até o centro da cidade para comprar jornal e algo indiano para jantar. Às sete da noite eu já estava desmaiada no sofá, em sono pesado.

No domingo fomos fazer nossa grande compra de supermercado no Sainsbury's, meu preferido de todos. A compra foi imensa, nossa geladeira estava desligada e a dispensa completamente esvaziada. Fiquei tão feliz com tudo que compramos: frutas, verduras e legumes bem frescos, nenhuma comida pronta, nenhuma pizza, nem nada disso. Tudo fresco, tudo simples, tudo que sentimos tanta falta.

À noite fomos ao apartamento do Rob e da Linda, que moram no andar debaixo do nosso. Eles nos convidaram para um jantar e também para conhecer o Luke, o bebezinho recém-nascido deles. Levamos um vinho sul-africano e vários presentinhos que havíamos comprado para eles. Rob preparou um prato da Indonésia, delicioso!! Foi uma noite bem agradável, carreguei o Luke e ele riu e sorriu bastante olhando pra minha cara de pateta! :o)

Mr.M está de folga do trabalho até a quarta-feira e estamos aproveitando para nos adaptar de volta à nossa vidinha na Inglaterra. Por enquanto está sendo estranho, tudo estranho. Não sei mais o que tem dentro das gavetas, não sei mais se está tudo caro ou não, não lembro mais onde ficam algumas lojas. É estranho ter Internet (que rapidez é essa??) a qualquer hora, ter telefone, poder sair na rua sozinha.

É bom, é muito bom estar de volta. No domingo de manhã acordei confusa, tentando lembrar como foi que eu deitei do lado errado da cama. Só então me dei conta de que não estava mais na pousada e que estava na nossa cama, no nosso quarto. Suspirei e dormi de novo.

Ainda penso muito na África do Sul, em tudo o que vivemos lá, as saudades da Delia e de toda família da pousada, os cachorros, o gato, as feras todas. É bom recordar, é bom rir de novo com as palhaçadas que fizemos lá, é bom guardar tudo isso na nossa memória.

É tão bom olhar para trás, daqui de tão longe, e termos orgulho do que vivemos.

"(...) Thy fame is ancient as the days,
As Ocean large and wide:
A pride that dares, and heeds not praise,
A stern and silent pride:
Not that false joy that dreams content
With what our sires have won;
The blood a hero sire hath spent
Still nerves a hero son."

- Land of Hope and Glory, British Patriotic Song


Escrito a mão pela Marcia às 10:10 AM | mais em M&M in South Africa | Comente este capítulo (19)

agosto 18, 2004

Quarto Dia

Ontem a noite choveu bastante e hoje de manhã fizemos o nosso último safari guiado sob chuva, em carro aberto. Apesar de sermos providos de cobertores e ponchos impermeáveis, com o movimento do carro é impossível não se molhar.

Logo no começo encontramos com um grupo de elefantes, tinha um bebezinho entre eles, bem pequeno. Assistimos ao macho dominante do grupo arrancar uma árvore usando a trompa e as patas. Elefantes se alimentam basicamente de folhas, gramas, lascas de tronco e raízes. Por isso é importante controlar a população deles, para evitar a destruição total da mata. Foi bem legal ficamos bem perto deles, a poucos palmos de distância!

O resto do safari foi tranqüilo, hiena, girafas, búfalos e macacos baboons foram alguns dos animais que vimos.

Quase no final, a gente já estava guardando a câmera e o binóculos e já nem estávamos mais procurando animais intensamente. Numa curva, demos de cara com dois leões vindo em nossa direção. HOORAY! Desta vez era um leão e uma leoa, andando no asfalto. Segundo o guia (que aliás aqui são chamados de rangers, por causa do grande conhecimento que eles têm em perseguir os animais), os leões não gostam de andar na grama molhada e preferem usar as estradas. Eles passaram bem do ladinho do carro, Joseph (nosso ranger) pediu para todos manterem os braços e as cabeças dentro do carro enquanto eles passavam. O macho fingiu que não estava nem aí, mas a leoa deu uma boa olhanda em nós (uau, emocionante!) e depois apressou o passo dela. Seguimos atrás deles por quase cinco minutos, depois nosso ranger dirigiu até ficar de frente para eles novamente e os dois entraram na mata. Foi inesperado esse encontro com os leões nesta manhã, uma agradável surpresa que coroou nosso último dia de safari aqui no Kruger National Park.

Chegamos de volta no rest camp ensopados de chuva e encharcados de brilhantes momentos.

Amanhã deixaremos o parque pelo caminho mais longo e demoraremos cerca de 3 ou 4 horas até a saída. Não faremos um safari, mas dirigiremos devagar, parando conforme encontrarmos algum animal. Assim que alcançarmos o portão Crocodile Bridge, pegaremos a estrada que nos leva de volta a Middelburg, onde a Delia nos espera para um churrasco de despedida (tão legal ela).

Como havia falado para o Martin, geralmente quando estamos no final das férias a gente fica um pouquinho triste de voltar pra casa. Mas não desta vez. Só de nos dar conta do final das nossas férias uma onda de alegria nos enche a alma: estamos indo de volta pra casa!

:o)

Escrito a mão pela Marcia às 7:23 PM | mais em M&M in South Africa | Comente este capítulo (9)

agosto 17, 2004

Terceiro Dia

Morning Game Drive

Nosso primeiro safari guiado desta manhã foi razoável, rodamos muito para poder ver os animais. Encontramos um casal de jackal, que é uma espécie de cão selvagem. Eles não quiseram ficar perto de nós por muito tempo e saíram correndo. Vimos mais girafas, três juntas, elas andaram bem na frente da pick-up. Depois vimos hipopótamos fora d’água, macacos baboons, antílopes waterbuck e algumas águias lindas.

Na volta, encontramos o terceiro Big Five: o Búfalo! Os chifres deles me lembra um penteado de cabelo bem ultrapassado. São grandes e impressionantes. E tão fortes que são necessários cerca de seis ou sete leões para matar um deles!

Quando chegamos ao rest camp de volta, perguntei ao guia o quão difícil é encontrar um leão. E ele me respondeu: MUITO difícil. Não tem como seguir, não há nada que garanta que você possa encontrá-los e eles também não gostam de ser encontrados. Então depende mais da sorte mesmo. Vimos algumas pegadas deles na areia hoje de manhã, a marca de uma patona! É frustante saber que eles estão por aqui, mas ainda não nos encontramos...


M&M Drive

Tomamos um café da manhã super simples e voltamos para a estrada, com nosso próprio carro. Desta vez não vimos muita coisa de diferente, apenas wildebeest, falcões e águias. Mas o que mais nos impressionou foi ter visto um elefante furioso. Havia uma família ao lado de uma das estradas e vários carros parados. Um deles tentou ultrapassar o tráfego e uma das elefoas ficou extremamente irritada e ameaçou o carro, urrou e levantou as duas patas dianteiras e jogou a tromba para o alto. O carro apressadinho, em pânico, deu ré e a elefoa se acalmou. Nós estávamos mais distante, estacionados num banco de areia, assistindo ao circo todo. Depois entramos em várias estradas de terra, vimos mais algumas girafas e voltamos. Nada de felinos.


Afternoon/Night Drive – Success HOORAY!!

Sim, nós encontramos o LEÃO!! The Lion King!! E não foi só um, foram dois!! DOIS LEÕÕÕES!!

Mal tínhamos começado o safari guiado da noite, eram umas 5:10pm e ainda estava bem claro, quando vários carros nos pararam para dizer que haviam visto dois leões parados ao lado da estrada. Até chegarmos lá fomos torcendo com todos os dedos cruzados para que eles continuassem lá paradinhos, até a gente chegar.

E os Leões ficaram nos esperando, deitadinhos, olhando para a estrada, cabeça erguida e toda auto confiança do mundo. MAGNÍFICOS. A emoção de vê-los é difícil de colocar em palavras. Um misto de incredulidade, de felicidade, de alívio e de conquista tão grande e tão inesquecível! Eram dois machos ainda jovens, de uns cinco ou seis anos, mais ou menos. A juba deles ainda está começando a se formar. Tivemos uma vista muito privilegiada, estávamos há meros 10 metros de distância e o momento em que os nossos olhares se cruzaram é algo que sempre vou guardar comigo daqui pra frente.

Seguimos a diante em nosso safari e encontramos um grupo enorme de elefantes, contei 20 deles! Quando o carro estava manobrando para voltar para uma outra estrada, eis que surgem novamente os dois leões na nossa frente. Eles tinham saído de onde estavam e foram para perto do rio, aproveitando para dar uma olhadinha em nós outra vez.

Encontramos com uns búfalos e hipopótamos mais adiante.

Rodamos mais alguns quilômetros e depois de vários contatos pelo rádio e holofotes procurando como loucos, encontramos o mais inesperado animal dos Big Five: a Onça Pintada!! Ela estava caminhando por trás de arbustos bem densos e pensamos que o relance mínimo da sua pele pintada seria o máximo que veríamos. Mas logo ela deu o ar de sua graça e veio para a estrada, tirando todo nosso fôlego. Ela caminhou a diante e fomos seguindo atrás por mais ou menos um minuto, até ela voltar para a mata e desaparecer da nossa vista. ESPETACULAR.

Talvez eu não consiga descrever aqui toda a emoção que foi esse safari noturno. Estou bem cansada de novo e amanhã mais uma vez acordaremos às 4h45 da madrugada. Fiquei feliz por não ter visto os grandes felinos logo de cara. Foi mais saboroso conquistar esse presente depois de termos nos esforçado tanto e ter praticamente nos conformado de não vê-los. Foi encantador, foi comovente, foi absolutamente, imensuravelmente, inesquecivelmente fantástico. Vimos todos os Big Five + a cheetah, acabei ganhando a aposta. Na volta brindamos ao nosso sucesso, à nossa sorte e às nossas mais maravilhosas memórias que levaremos daqui da África do Sul.

Escrito a mão pela Marcia às 9:25 PM | mais em M&M in South Africa | Comente este capítulo (7)

agosto 16, 2004

Segundo Dia

Hoje não vou escrever muito porque estou muito cansada depois da caminhada guiada que fizemos hoje a tarde. E também porque amanhã nós vamos acordar às 4:45am para fazer nosso primeiro safari guiado.

Mas tenho que registrar aqui que hoje vimos um animal que vale por todos os Big Fives juntos: a Cheetah, o felino mais ágil que existe. Um casal muito simpático parou nosso carro para dizer que eles haviam visto uma cheetah numa estradinha de terra próxima de onde estávamos. Seguimos as indicações e lá estava ela, deitadinha na terra. Ficamos um bom tempo admirando, incrédulos da nossa boa sorte. Existem apenas 200 cheetas em todo Kruger Park, contra os 1500 leões e 150.000 impalas. Ela levatou, sentou, espreguiçou, olhou para nós, sentou de novo e depois foi embora, nos deixando abismados com sua beleza.

E mais tarde vimos o segundo Big Five: o Rinoceronte. Mas ele estava dormindo e nem queria se levantar para tirar uma foto.

Entre outros, vimos novamente vários elefantes e girafas. Na volta da nossa caminhada vimos também um casal de Hyenas com três filhotinhos bem fofos (e perigosos).

Jantamos muito bem, encontramos um restaurante aqui no rest camp que serve em buffet e a comida é ótima. Até que enfim algo decente em nossos pobres estômagos (contei que passei mal por quatro dias seguidos? Pois.).

Amanhã não sei o que esperar. Temos dois safaris guiados, um de madrugada e outro no começo da noite. Se a boa sorte ainda estiver do nosso lado, contarei aqui.

Escrito a mão pela Marcia às 7:05 PM | mais em M&M in South Africa | Comente este capítulo (7)

agosto 15, 2004

M&M in Kruger National Park

Chegamos hoje, por volta das 12:30 no tão esperado, tão sonhado e tão querido Kruger National Park!

Entramos pelo Numbi Gate e dirigimos com calma por mais ou menos 50km, até alcançarmos o bangalô onde estamos hospedados. Durante o percurso vimos vários animais: impalas (os bambis, estes são como pombos, aparecem em todo canto!), kudus, waterbucks (espécies de antílopes) e pássaros das mais diversas espécies.

Demos entrada no nosso bangalô, fizemos um almoço super rápido e fomos fazer nosso primeiro safari por conta própria, com nosso carro. Logo no começo vimos um casal de Warthogs. Depois paramos onde uma pick-up do parque estava parada. Eles haviam visto uma onça, mas nós não conseguims ver, apesar de termos tentado.

Rodamos mais um pouquinho e tcharam! Vimos nosso primeiro Big Five do Kruger: o Elefante! Um sozinho, comendo folhas perto do rio. Mais pra frente, um susto: outro enooooorme elefante vindo em nossa direção no meio da estrada!! Gigantesco, um macho bem seguro de si. Martin parou o carro, mas foi dando ré sempre que ele se aproximava demais. Foi lindo! Logo ele entrou uns passos para dentro da mata e num segundo não se via nenhum sinal dele, impressionante. Paramos o carro perto do rio e ouvimos um urro bem alto. Uma família de sete elefantes, um casal e vários filhotes estavam fazendo a refeição por lá.

Depois de mais alguns metros pra frente, uma Girafa literalmente pulou na estrada, atravessou e sumiu entre as árvores, linda, pescoçuda e coloridona! O sol já havia se posto e estava começando a escurecer

Já estávamos no caminho de volta, faróis acesos e não dava pra ver quase nada na mata. Quase chegando no nosso rest camp, passamos sobre uma ponte e vimos um certo movimento no rio. Martin parou e deu ré devagar, a ponte é estreitinha e só cabe um carro. A estrada estava vazia e aproveitamos para checar quem é que estava se movimentando no rio. A princípio pensamos que eram jacarés, mas não! Eram Hipopótamos! Vários, vários, mergulhando e voltando para a superfície. Enormes, mas com vários filhotinhos também.

Eu estava curtindo os hipos, quando percebi algo movimentando atrás do carro. Chamei a atenção do Martin.

“Tem alguma coisa vindo atrás do carro”

Martin olhou pra trás mas não conseguiu distinguir.

“Aonde? O que é?”

Daí eu vi de novo algo vindo em direção à traseira do carro.

“Atrás, tem algo vindo em nossa direção”

Martin apertou o freio.

“O que será que é?”

E eu pude ver no meio da luz vermelha.

“Um felino! É um felino vindo!”

Por um segundo achei que era uma leoa. Martin manteve o pé no freio e logo pudemos ver o que era: uma Hiena Pintada! Andando calmamente, olhos fixos no carro, sem mudar o rumo. Ficamos olhando para ela imóveis, sem respirar. Eu sempre pensei que hienas fossem pequenas, do tamanho de um cachorro no máximo, até menor que um pastor alemão, eu achava. Que surpresa ver aquela hiena de quase um metro de altura!! Ela passou bem perto do carro, a cabeça na altura do retrovisor, depois correu para dentro da mata. Hienas têm as mandíbulas mais poderosas do reino animal e são os únicos capazes de digerir ossos. Absolutamente incrível!! Meus olhos se encheram d’água, que emoção ver um animal tão potente, tão forte, nos respeitando, nos deixando ali atônitos e maravilhados. Foi a melhor parte do nosso dia, sem dúvida nenhuma, por tudo o que envolveu: surpresa, apreensão, encantamento.

Amanhã faremos mais safaris sozinhos porque infelizmente não conseguimos vagas nos safaris com guias. Então a gente realmente não sabe o que esperar. Antes de chegar no parque nós fizemos uma aposta. Martin apostou que veremos quatro dos Big Five. Eu, que sou boa otimista, apostei nos cinco (leão, onça, elefante, búfalo e rinoceronte). Mas o dia de hoje nos mostrou o quanto essa tarefa é difícil. Um elefante com todo seu corpão simplesmente desaparece em segundos atrás da mata, é algo realmente inacreditável.

Agora tenho grandes dúvidas que veremos mais Big Fives. Mas também não tem problema, estamos curtindo um pouco de tudo que o parque oferece, além dos peludos e chifrudos. Muitos pássaros magníficos (vimos um que parecia uma garça gigante de 1m44, quase minha altura!!), insetos esquisitíssimos (inclusive uma largatixa de rabo azul neon!) e vários outros mamíferos lindos (que eu não sei o nome)!

Enfim, nosso primeiro dia foi fantástico! Estamos torcendo para que a gente ainda possa contar aqui mais e mais momentos marcantes!!

Um beijo a todos vocês com muita saudade!

Escrito a mão pela Marcia às 9:44 PM | mais em M&M in South Africa | Comente este capítulo (7)

agosto 13, 2004

Últimos dias em Middelburg

Estamos no final da nossa saga em Middelburg. Hoje é o último dia em que o Martin vai trabalhar aqui. O último dia em que estamos aqui por dever.

Foram dias intensos nesta cidade. Dias de choque cultural, dias de apreensão, dias de boas surpresas, dias de sustos, dias de risadas, dias de cansaço, dias de paciência.

Martin sobreviveu bravamente aos desastres e aos inúmeros outros horrores nas mãos desse cliente. Trabalhou mais do que em qualquer outro momento da carreira dele, se dedicou por inteiro e por completo em tudo. Dos oitenta dias de trabalho, ele teve apenas três dias de folga. Acordou de madrugada por dias a fio sem reclamar, sem fazer corpo mole. Resolveu problemas, encontrou soluções que ninguém estava enxergando e hoje é um dos que olham para o equipamento funcionando como deve com a satisfação do trabalho bem feito. Well done, Martin. I’m really proud of you, my love.

Para mim, os dias em Middelburg foram agridoces, a bittersweet symphony. Quando me lembro do dia em que cheguei aqui na pousada, mal reconheço quem era. Vivemos tantas coisas aqui, fomos tão testados, tanta coisa foi mexida dentro de nós.

Dos doces momentos posso listar facilmente sem hesitar:

· a amizade com a Delia
· a companhia infinita do Bruno, da Phoebe e do Sylvester
· os safaris e trekkings em Botshabelo
· o encontro com o meu primeiro Big Five, rinoceronte, e também com as girafas, em Loskop
· as manhãs tomando cappuccinos nos cafés privados e reservados
· o céu azul intenso e o sol brilhando todos os dias
· as tempestades cheias de trovões e raios magníficos
· a convivência, as risadas, as brincadeiras e palhaçadas com o Chris
· os almoços com o Martin quando ele deveria estar trabalhando
· os jantares com todos os outros colegas dele, que me faziam todas as gentilezas por ser a única mulher entre um bando de engenheiros
· o vinho sul-africano a preço de banana


E dos momentos azedos, que logo serão esquecidos, os principais foram:

· Racismo exacerbado e explícito em todos os cantos
· Assaltos acontecendo a cada instante nas pousadas
· Não poder sair sozinha nem para ir até o final da rua
· Cliente-jumento fazendo a vida de toda equipe britânica um pesadelo sem fim
· Comida extremamente mal-preparada e o mesmo menu em todos os restaurantes
· Falta de linha telefônica, internet e comunicação em geral


Antes de partir, Chris havia me perguntado se eu faria tudo de novo, caso tivesse uma chance de escolher. E eu respondi que sim, faria sim tudo de novo, viria sim para Middelburg. Porque sempre no final a gente aprende. Queira ou não, a gente aprende. A experiência aqui foi muito importante, muito enriquecedora, algo que vou guardar pela minha vida. Se eu tivesse ficado na Inglaterra teria perdido tudo isso.

Agora estamos de passagem marcada para voltar pra casa e há em mim um misto de saudades da minha vida aqui e um estranhamento da minha vida lá. Porque não dá para simplesmente continuar a vida de onde havíamos parado. Não é uma continuação, não é uma ‘volta ao normal’. Porque não somos mais os mesmos de quando saímos. Martin, que já viveu isso várias vezes na carreira dele, me disse que é mesmo bem difícil tentar “retomar” a vida de volta à Inglaterra. Tudo é estranho, tudo está fora do lugar, as coisas que já davamos como certas aqui na África do Sul não existirão mais lá na Inglaterra. A vida correu adiante por lá também enquanto estávamos aqui. É estranho, muito estranho.

Mas não preciso nem dizer o quanto também estamos loucos para voltar para casa. Só de imaginar o avião pousando em Heathrow me enche os olhos d’água. Estamos ambos muito esgotados, por diferentes razões, mas ambos bem cansados depois desses três meses vivendo aqui.

Antes de embarcar, porém, nós vamos aproveitar nossas tão merecidas férias!! Vamos passar cinco dias hospedados em um dos bungalôs dentro do Kruger National Park. O quarto tem vista para o Sabie River, onde várias espécies de animais vão tomar sua água fresca. Acho que vamos ter dias bem especiais por lá. Quero poder relaxar com o Martin, fazer nossos passeios, caminhar de mãos dadas, respirar no meio da natureza selvagem. Depois a gente volta para esta pousada da Delia, passa uma noite aqui e no dia seguinte seguimos para o Aeroporto de Johannesburg em direção à Heathrow!

Enfim, no balanço geral, valeu muito a pena conhecer Middelburg sim, apesar de todos os problemas que enfrentamos. Foi uma excelente decisão ter vindo para a África do Sul juntos.

O Chris acredita que assim que a gente passar uma ou duas semanas de volta à Inglaterra a gente vai olhar para trás e pensar, “não foi tão ruim assim”. E acho que ele tem mesmo razão. Tudo o que aconteceu de ruim vai acabar desbotando e as coisas boas vão continuar colorindo nossas memórias daqui. Assim espero. Por hora, a gente quer é dizer byebye, Middelburg!

Escrito a mão pela Marcia às 6:46 AM | mais em M&M in South Africa | Comente este capítulo (11)

agosto 10, 2004

Farewell, Chris!

Amanhã é o dia em que Mr. Chris, também conhecido como MonkeyMan, vai finalmente voltar para a Inglaterra. Como ele disse uma vez que adorou ter tido seus quinze minutos de fama no meu blog, este post é para torná-lo então uma celebridade. Desculpem-me aos que não lêem inglês, mas não vou traduzir senão o post vai ficar imenso e também o google pode fazer isso para quem realmente fizer questão de ler nosso byebye ao Chris.

Tomorrow is the day when Mr. Chris, also known as MonkeyMan, is going back to England for good. He once told me that he enjoyed his fifteen minutes of fame in my blog, so this post is dedicated to make him a celebrity.

I still remember so well of his first day here. We went to the Ginelli’s restaurant (or “Umpa’s” as we call it because that place has nothing Italian whatsoever) and I asked him when he was planning to go back to England. He replied: “Tomorrow if I could. But I’m staying for two weeks.” Well, he stayed for a month and went through a fire, a breakdown, client’s tantrums and thousand of others miseries. A real survivor.

But let’s not forget that for days and days I was a poor victim of all toothpicks, bottle caps, paper airplanes, wet wipes and mint sweets thrown at me merciless by this gentleman. Not to mention my blindness caused by the water & lemon war, and also my injuries from the endless pushes and falls.

He is the one who made my own presence in Middelburg possible when Mr.M told him about the loss we’ve been through, just before this trip. Although I was hugely grateful for him in the beginning now I’m not sure if I should prosecute him for human cruelty. But it’s not Chris’ fault that Middelburg is like this, so I want to say a BIG THANK YOU for helping us when we most needed.

Now let’s get serious for a change.

Chris, I don’t think we need to tell you this but in case you are too slow to figure it out I want you to know that it was really great to have you with us during all those rough weeks. Martin and me truly enjoyed getting to know you better and getting on your nerves too. We’ll miss the little silly things we used to do together, but we won’t miss you knocking at our door at five in the morning and neither we’ll miss you singing Another Brick in the Wall at the King’s Head pub.

We wish you a good and safe journey back home and a wonderful return to your sweet beautiful family.

Cheers good old Chris!

Márcia & Martin

Escrito a mão pela Marcia às 8:10 PM | mais em M&M in South Africa | Comente este capítulo (9)

agosto 8, 2004

Feliz Dia dos Pais pro Seu Jorge

Pai, sua filha está perdida no meio do nada na África do Sul e impossibilitada de fazer uma ligação para matar as saudades que são maiores que este continente.

Mesmo assim quero dizer que estamos pensando em você hoje e que estamos enviando todo nosso amor diretamente sobre o Atlântico até chegar no seu coração (em outras palavras, não mandamos nenhum presente este ano).

Assim que a gente voltar para a civilização eu ligo para falar com todos vocês pelo tempo que a gente quiser.

Um beijão e Feliz Dia dos Pais!!

Escrito a mão pela Marcia às 8:52 AM | Comente este capítulo (2)

agosto 7, 2004

Olé!

Como previu minha amiga Cristina, o time bretão deu seu olé digno de salva de palmas e chuva de rosas na arena. No mesmo dia que o breguete despencou da parede, todos eles foram para a indústria às seis da manhã, ouviram palavrões, ficaram de castigo, foram mandado para todos os lugares menos nobres, mas não perderam a determinação: fazer o troço funcionar de novo. Às onze da noite do mesmo dia, eles voltaram para a pousada absurdamente exaustos, mas com a satisfação no pouco brilho que ainda resta no olhar deles de uma certeza: missão cumprida.

Em um dia, eles desmontaram, encomendaram partes, apressaram a entrega, montaram tudo outra vez e testaram. O equipamentro ficou em teste a noite inteira, e está funcionando as good as new. Nem quando o nosso radinho de pilha vai pro conserto fica pronto no mesmo dia. O que dirá de uma máquina de cem metros de comprimento que produz toneladas de aço inoxidável por hora.

Martin voltou com as mãos, o rosto e os braços cobertos de graxa, de pó e de fuligem, assim como todos os outros que não quiseram esperar nenhum peão para fazer por eles e colocaram as mãos, o corpo e a alma na tarefa. A noite, estávamos famintos e não tinha mais nenhum lugar aberto e todo mundo da pousada já estava dormindo. Dividimos meio pacote de batata frita em três. Além da fome, Martin respirava pesadamente quando me contava que tinha sido o pior dia de toda a carreira dele, tadinho.

Mas a resposta que vêm desses ingleses tem sempre o mesmo tom que as comédias de sua terra natal: simples, sarcástica, sutil e precisamente direta ao ponto. Não só todo o time foi brilhante consertando tudo no mesmo dia, como também eles foram ontem a noite resolver um problema que nem era deles, cheios de toda deliciosa ironia que só os ingleses conseguem, como quem diz “deixa que eu faço, provavelmente você iria quebrar mesmo”. Hohoho.

Sobre a hipótese de sabotagem, essa foi a minha primeira suspeita também. Essa idéia foi levada em conta com muita seriedade, principalmente quando o fogo envolveu bombeiros e tal. Mas a causa foi clara e o cliente assumiu a culpa de tudo. Quanto segunda quebra, é algo difícil de se fazer criminalmente. São cabos enormes, de diâmetro gigantesco, presos na parede de concreto. Não dá para simplesmente ‘afroxar um parafuso’ e fazer tudo cair.

A sede da empresa na Inglaterra está a par de tudo o que anda acontecendo por aqui. Não há muito que eles possam fazer, pricipalmente porque o imbecil daquele sulafricano que está lá e fica mandando notinhas inúteis pra cá é amigo íntimo de um dos big bosses. E também o único interesse que a empresa tem é de terminar esse projeto e esquecer de vez esse cliente. Falta tão pouco que ninguém quer criar caso, muito pelo contrário, muito da dedicação de todos é motivada pela vontade de sair daqui.

Anyway, está basicamente tudo pronto para que a equipe toda deixe Middelburg na semana que vem. Nós dois seremos um dos últimos a sair. Claro que nós ainda não podemos dar como certa a data da nossa partida, mas estamos torcendo para que até lá nenhum problema mais aconteça.

Estamos até pensando em fazer uma plaquinha escrita “GET LOST” para colocar na nossa porta e evitar que Mr.Chris venha nos acordar com mais tragédias de novo.

Eu estou com grandes esperanças que tudo dê certo daqui para frente. Já estou me despedindo aos poucos das coisas boas que vou deixar aqui: aproveitando mais da companhia da Delia, do Bruno, da Phoebe e do Sylvester, além de aproveitar mais um pouco desse azul celeste incrível, desse sol dourado todo dia e também das risadas dos nossos fins de noite.

Já estamos pensando nas nossas férias, fazendo planos e programando os dias. Teremos poucos dias porque todos esses problemas acabaram consumindo os dias em que a gente estava reservando para as férias, antes de vencer nosso visto. Estamos numa tal exaustão mental que já nem me importo tanto com o leão quanto antes. Mas nesses poucos dias de férias, iremos certamente em busca deles. Mesmo que a gente não os encontre também não faz mal. Agora a gente quer mesmo é ir pra casa...

Escrito a mão pela Marcia às 3:10 PM | mais em M&M in South Africa | Comente este capítulo (5)

agosto 5, 2004

When it rains, it pours...


Nobody said it was easy
No one ever said it would be this hard
Oh take me back to the start...”

The Scientist - Coldplay


Eu juro que pensei que não poderia acontecer nada pior que um incêndio e que tudo fosse correr bem melhor desde o desastre. How näive I was...

Talvez este post fique muito, mas muito parecido com um outro anterior, mas assim foi como aconteceu. Ontem tivemos um jantar de confraternização com todo time bretão: Brian, Mike, Ray, Malcomn, Simon, James, Les, Chris, Martin e eu. Comemos, bebemos, rimos e brindamos ao esforço, a paciência e a dedicação inesgotável de todos eles que estão aqui. “We’re getting there”, foi como saudamos a proximidade dos últimos dias em Middelburg. Voltamos por volta das onze da noite, cansados mas satisfeitos por tudo estar correndo bem depois do grande incêndio.

Exatamente como no outro dia, fomos mais uma vez acordados com o Chris batendo à nossa porta. Não dava para acreditar que era sério. Mas era. Ainda é. Um dos cabos que sustenta parte do equipamento soltou-se da parede de concreto. Falando assim parece algo simples, mas na verdade é muito pior que o incêndio. Se antes o cliente assumiu a completa culpa pelo fogo, agora é o momento em que a equipe britânica tem que assumir pelo estrago porque esse tipo de problema é um erro no design, na medição de resistência. Este projeto foi desenhado por vários engenheiros, mas o único engenheiro-desenhista que está aqui é o Martin e eu não posso nem imaginar toda a pressão que ele está vivendo hoje.

Desde muito cedo toda equipe foi para a indústria para resolver o problema e fazer novos cálculos e reparos. Mas como estamos num lugar que não deve ser levado a sério, assim que o cliente-bundão chegou já foi berrando todos os palavrões possíveis, culminando num verbal “get the fucking out of my site”. Percebam a situação que o sujeito criou: o fulano mandou toda a equipe ir para o escritório e não sair de lá até serem chamados. Todo mundo de castigo. Já dá pra ter uma idéia?

E não é porque Martin é o moço que mora comigo nem nada, mas tanto ele quanto os outros membros da equipe não são ‘café pequeno’, não. A experiência e o nível de profissionalismo deles todos são impressionantes, não é algo para ser ignorado e colocado atrás da porta. Mas o machão do cliente que mal sabe falar direito botou de castigo toda essa gente que já havia assumido o erro e já estava de mangas arregaçadas para trabalhar e solucionar o problema. Tá lá um bando de adultos de excelente formação de braços cruzados porque o fedidão tá com pirraça. Quem perde é o próprio cliente, claro. Que benefício isso vai trazer? Eu sempre falei isso e repito: trabalhar com gente burra é a pior coisa do mundo. E não falo de formação, não, porque tem muita gente competente sem diploma. Falo de burrice mesmo, antice, jumentice, i-óin. O horror.

Enfim, este é o cenário que nos encontramos nesta manhã. Perguntei pro Martin se o problema é solucionável, se dava para reparar o estrago. E ele respondeu: “easily”. E é isso que mais frusta. Se dá para resolver tão facilmente, deixa a equipe trabalhar, consertar, fazer tudo funcionar como deve o quanto antes. Eles já assumiram o erro, a empresa vai pagar, já sabem o que fazer para reparar, o que mais que o cliente quer? Que a Rainha Elizabeth venha aqui pedir perdão? Ah, pro inferno!

Esta vida é realmente árdua. Talvez por isso que cachorrinhos e gatos são tão fofinhos. Eles já sentiram que não tô boa hoje e me cercaram de focinhos carinhos e ronrons amigos. Queria levá-los para confortar Mr.M hoje...

Temos duas garrafas de vinho ainda fechadas aqui no quarto. Sinto que não vai ser o suficiente esta noite, considerando obviamente que eles não façam plantão noturno hoje também. Assim que a gente realmente sair desta cidade, das duas uma: ou a gente sai mais forte, ou sai alcóolatra. Uff...

Escrito a mão pela Marcia às 11:37 AM | mais em M&M in South Africa | Comente este capítulo (10)

agosto 2, 2004

Moving On

Passado o grande choque, agora temos mais idéia da real extensão do incêndio. Foi grave, foi imenso, mas nem tanto quanto à primeira vista parecia. O equipamento todo mede mais de cem metros de comprimento. Uma das partes foi completamente destruída e vai ser preciso montar outra vez. Mas o restante foi salvo.

Vi as fotos ontem, realmente impressionante, tudo derretido, aço retorcido, concreto corroído, paredes negras pela fumaça. Foi uma sorte que ninguém tenha se machucado.

O cliente não se pronunciou para apontar a culpa em ninguém. Não é oficial ainda, mas a causa do incêndio foi por negligência deles, havia material inflamável onde não deveria.

No entanto já veio do Reino Unido uma nota de um sujeito sul-africano que antes morava em Middelburg e agora mora na Inglaterra e acha que tem a Rainha na barriga, que a equipe britânica não sabe o que está fazendo e por isso que o incêndio aconteceu. Fácil falar assim quando a sua própria bunda está sentada na Inglaterra e não ralando aqui em Middelburg por todos esses meses, longe da família, longe da vida em si. Gente assim me irrita profundamente. A resposta uníssona de todos que estão aqui foi uma só: F**K OFF!

Mas enfim, enquanto uns perdem tempo escrevendo notinhas extremamente desnecessárias e completamente inúteis, quem está aqui parte para a ação. Ontem mesmo eles iniciaram o processo de avaliação, desmontagem e substituição de tudo o que é preciso. Toda a equipe britânica está preocupada em solucionar o problema, ao invés de caçar um culpado. Hoje nem parece que faz pouco mais de 24 horas do incêndio e as coisas já progrediram bastante. Se isso não é saber o que está fazendo, então não sei o que pode ser.

Não sei que implicações esse incidente vai trazer para a nossa estadia aqui. Pelo o que percebi, o incêndio e suas conseqüências são problemas únicos e tão somente do cliente. Martin e seus comparsas continuam com o trabalho deles, fazendo os testes e medições que precisam no restante do equipamento que não foi afetado.

Aliás, ontem a gente pensou ‘ah quer saber, foda-se’ e fomos jantar no pub King’s Head, que se esforça para ter um ‘ar inglês’, mas é um desastre. Mas pelo menos o garçom já nos conhece e traz cerveja de graça e no domingo tem uma banda ao vivo que toca umas músicas bem velhinhas para a alegria do idoso Chris, que fica cantando Pink Floyd e afins.

Fizemos bagunça pra variar e fingi que não ouvi a banda tocando Tears in Heaven. Daí eu me virei por um minuto e quando vi, minha taça de vinho ainda cheia tinha um avião de papel, duas balas e uma flor dentro! Como pode? Coloquei sal na cerveja do Martin e joguei água no Chris. O garçom nos vê entrando e já vai colocando uma montanha de guardanapos na nossa mesa, só agora entendi porquê...

Daí a banda começou a tocar “I see your red door and I want to paint it in black...” Uau, não é que estou também ficando idosa? Cantei junto e bati palma. Eu vi mais alguns copos chegarem na nossa mesa, mas a partir daí tudo parece meio embaçado na minha memória. Só me recordo de ter chegado na pousada somehow e os dois tentando me empurrar no laguinho dos peixes. E daí entramos na pousada e eu não conseguia mais parar de rir e os cachorros acordaram e pensaram que eu queria brincar e latiram e pularam excitadíssimos e me derrubaram e me lamberam o rosto e eu não conseguia me livrar deles e ficar de pé. Martin quase teve um ataque cardíaco de tanto rir, mas conseguiu me puxar até o quarto, para minha dignidade.

Ufa. Se é para ser assim a cada vez que um incêndio acontece, então burn it, babe, burn, hohohoho. Ai, é o vinho.

Escrito a mão pela Marcia às 9:11 PM | mais em M&M in South Africa | Comente este capítulo (15)

agosto 1, 2004

A Hell of Day...

Na sexta-feira saí com a Delia para visitar um café novo que foi inaugurado aqui perto. O lugar era lindo, decoração fantástica, mesas cobertas de veludo e com pilhas de livros abertos no centro, rosas frescas perfumando o ambiente. Tudo bem bacana, bolos e tortas maravilhosas e um cappuccino delicioso. Tivemos uma manhã bem agradável.

A tarde porém, foi bem diferente. Assaltaram a pousada vizinha, agora já são três pousadas assaltadas em menos de duas semanas. A polícia veio, mas não pôde fazer muito. Os muros da pousada em que estamos começaram a ser erguidos, mais cercas elétricas serão instaladas. O número de gente desempregada na cidade é tão grande que não é nenhuma surpresa que essas coisas aconteçam.

A noite, Martin e Chris voltaram do trabalho às nove e meia da noite, cansados e extremamente mau-humorados com os clientes que passaram o dia todo apontando o dedo para eles e berrando a todos os pulmões. Tivemos um jantar sem muita conversa e sem muito ânimo. Eu pensei comigo “amanhã tudo vai ser diferente”.

E assim foi. No sábado Martin fez uma porção de novos cálculos e provou por A + B que tudo foi feito estritamente dentro do planejado e que todos os problemas que os clientes estavam apontando estavam vindo da própria incompetência da empresa deles. Os clientes então se calaram, enfiaram o rabo entre as pernas e a equipe inglesa pôde saborear o doce sabor da vingança.

Foi excelente para a moral deles todos, que estão comendo o pão que o diabo pisou com esse cliente. Todos eles voltaram para casa antes das quatro da tarde e nós três pudemos nos divertir bastante. Saímos para jantar, pedimos uma garrafa de vinho Pinotage para comemorar e brindamos “ao bom dia e por melhores dias a frente” (“for the good day and for better days ahead”). Fizemos um monte de palhaçadas no restaurante, com direito a guerra de balas e de lenços umedecidos que viraram chicotes. Rimos tanto que mal conseguíamos respirar. Voltamos para a pousada e continuamos brincando e rindo e rindo e rindo, até a hora de dormir.

Hoje, domingo, o único compromisso deles seria ir para uma reunião de manhã e voltar antes do almoço. Estávamos combinando de passar o resto do dia em Botshabelo.

Porém, o desastre desabou.

Acordamos com alguém batendo em nossa porta às cinco da manhã. Eu estava certa de que era o Bruno querendo brincar, nem me mexi. Mas Martin acendeu a luz e foi atender. Era o Chris. Ele estava nos acordando para avisar que havia recebido um telefonema da empresa com a notícia de que o equipamento que eles acabaram de instalar estava em chamas. Eles saíram daqui às pressas e Martin já me ligou de lá dizendo que o estrago foi enorme. Boa parte do equipamento está perdida. O prejuízo é gigantesco e obviamente que o cliente está com unhas e dentes querendo culpar a equipe inglesa. Chris está neste momento em reunião na boca dos leões enquanto Martin está com outros engenheiros investigando a causa do incêndio.

Eu estou aqui sem saber o que pensar ou o que esperar. It’s just SO unfair. E não estou dizendo isso porque quero ir pra casa, nem nada. Estou mesmo é muito TRISTE por toda equipe que trabalhou durante todo esse tempo sem descanço, sou tesmemunha do trabalho árduo que eles vêm fazendo, em plantão constante, se entregando completamente ao projeto.

Para eles, ver o equipamento se transformar praticamente em cinzas está sendo devastador para se dizer o mínimo. F***ing hell.

Martin and Chris, I’m really sorry for you and all the UK team... May the ‘better days’ we toasted for last night still come to us...

:-(

Escrito a mão pela Marcia às 7:34 AM | mais em M&M in South Africa | Comente este capítulo (11)

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