« setembro 2004 | Main | novembro 2004 »

outubro 31, 2004

Still ill

ill.gif
Escrito a mão pela Marcia às 8:59 PM | Comente este capítulo (7)

outubro 29, 2004

Flu

Flu.jpg

Absolutamente nocauteada pela gripe. Passei a maior parte do dia com uma febre tão enlouquecedora que me derrubou. 38ºC é demais pra mim. E porque eu estava muito muito mal, acabamos não indo à missa na capela do hospital para o Memorial Service aos bebês. E fiquei muito muito triste.

:o(

Escrito a mão pela Marcia às 10:30 PM | Comente este capítulo (8)

FELIZ ANIVERSÁRIO, MÃE!

Baloes.jpg

Hoje é aniversário da minha mãe, Dona Wal.
Feliz aniversário pra você, mãe!
Muitos beijos.

:o)

Escrito a mão pela Marcia às 8:54 AM | Comente este capítulo (6)

outubro 28, 2004

Agrados sob Medida

GreenBlacks.jpg

Ganhei de Mr.M ontem uma barra de Cooking Chocolate 72% da Green & Black's! Às vezes me surpreendo como Mr.M presta atenção nas coisas que vão me agradar em cheio, quando menos espero. Como meu desespero por micro bolos de chocolate ainda não passou, ele voltou pra casa com mais matéria prima para eu continuar minhas experiências. Fiquei tão contente, adorei a surpresa, a embalagem é super chique e eu não canso de olhar pra aquela barra e ficar imaginando o que fazer com ela. Ainda não a usei, não decidi ainda o que fazer, talvez o mesmo bolo, talvez outra sobremesa. E para evitar o risco de eu abrir essa barra e comer tudo (mesmo sendo 72%) e depois chorar que não tenho chocolate pra cozinhar, ele trouxe também uma barrinha de Lindt normal e já abrimos ontem. A vida é mais fácil com Mr.M por perto.

Thanks dear.

Escrito a mão pela Marcia às 3:43 PM | mais em Food Talk | Comente este capítulo (7)

outubro 27, 2004

Terrible Mood

scratch.gif
Escrito a mão pela Marcia às 11:12 AM | Comente este capítulo (8)

outubro 25, 2004

Mini Foods

Choveu muito no final de semana todo. No sábado saímos para o centro da cidade embaixo de chuva forte e vento chatérrimo, voltamos ensopados. No domingo tivemos mais sorte e saímos quando o céu abriu e até o sol deu as caras. Quando voltamos a tempestade desabou mas também já era hora da corrida de F1 em Interlagos e a gente não ia sair mesmo. Tivemos um bom final de semana, enfim.

Na semana passada fiz alguns testes gastronômicos aqui em casa. Primeiro testei a receita que tanto estava querendo com minhas forminhas de papel, enquanto não tenho as de silicone (já falei isso, né? sorry). Então. Fiz uma fornada de mini-chocolate-bites, micro bolinhos de chocolate absolutamente sem escrúpulos de tão irresistíveis. Receita é da brilhante Clotilde, que gentilmente publicou a mesma em seu delicioso food blog Chocolate & Zucchini e ainda me deu as dicas para fazer as pequenas doçuras. Thanks, Clotilde!

ChocBites.jpg

Essa aí de cima foi a primeira fornada. Ficou bom e acabou rapidinho. A parte de cima fica bem sequinha e crocante e dentro continua fofinho e derrete na boca em segundos. Exatamente como eu esperava que ficassem, sucesso total.

A segunda fornada, porém foi um completo desastre. Achei que os bolinhos ainda precisavam ficam um pouco mais consistentes, juntei mais um ovo e um tico a mais de farinha. Foi um desastre completo. A massa ficou muito líquida e, com o calor do forno, transbordou das forminhas que ficaram praticamente um prato raso. Felizmente eu já havia previsto o desastre e havia forrado a forma principal com papel manteiga. Mas daí eu já estava morrendo de pressa de tirar do forno e acabei fazendo os bolinhos entrarem em colapso.

Queria fazer a receita mais uma vez, desta vez com as quantidades certas, já que no experimento fiz apenas meia receita. Ainda não sei se espero minhas formas chegarem ou se faço um bolão, como é a receita original. O importante é que fique bom, gostoso e principalmente que continue delicioso nos dias seguintes também, caso sobre um pouco ou caso seja necessário fazer um dia antes.

Enfim, foi bastante divertido fazer o teste, mesmo com o desastre que se seguiu.

Depois de tanto chocolate passei o resto dos dias da semana stuffing my face (como disse Mr.M) com mini (sim, ainda com mania de miniaturas) pitta breads e low-fat-low-cal houmous.

Houmous.jpg

Hmmmmm. Adoro. Principalmente quando coloco os pittas na torradeira e deixo eles estufarem bem gordinhos e depois coloco uns pinguinhos de azeite ultra-virgem por cima do houmous, junto os dois e como com grandes mordidas. Nham!

O próximo experimento deve ser um prato salgado que há dias não me sai da cabeça: Pão de Abobrinhas. É quase um bolo, quase um pão, quase uma torta. Bem úmida e com o aroma e o sabor inconfundível das abobrinhas. Preciso tentar. Não tenho forma de pão, então provavelmente vou assar pequenas mini broas de pão de abobrinhas. Bliss!!

:o)

Escrito a mão pela Marcia às 4:51 PM | mais em Food Talk | Comente este capítulo (11)

outubro 21, 2004

The Song that Rocked the World

"It's Christmas time
There's no need to be afraid
At Christmas time
We let in light and we banish shade
And in our world of plenty
We can spread a smile of joy
Throw your arms around the world
At Christmas time
"

Acabamos de assistir a um especial da BBCThree (êêêêê, viva à TV via Peneirão!!!), sobre o projeto Band Aid nos idos 1984. Quase não acredito que já faz 20 anos que a reunião dos maiores artistas pop dos anos 80 para arrecadar fundos à Ethiopia aconteceu em UK. Me lembro TÃO bem, mas tão tão bem de como AMEI a idéia, o projeto, a música Do They Know it's Christmas?, o compacto que comprei com meus poucos trocadinhos poupados com muito custo, meus grandes ídolos todos ali juntos cantando para o mundo que havia uma porção de gente morrendo de fome do lado de fora da sua janela.

"But say a prayer
Pray for the other ones
At Christmas time it's hard
But when you're having fun
There's a world outside your window
And it's a world of dread and fear
Where the only water flowing
Is the bitter sting of tears
And the Christmas bells that ring there
Are the clanging chimes of doom
Well tonight thank God it's them instead of you
"

O especial Band Aid - The Song that Rocked the World foi bastante emocionante. A grande maioria dos artistas que participaram deram seus depoimentos, todos tão mais velhos (assim como eu também estou), mas ainda muito tocados com o que significou fazer parte daquela caridade.

"And there won't be snow in Africa
This Christmas time
The greatest gift they'll get this year is life
Where nothing ever grows
No rain nor rivers flow
Do they know it's Christmas time at all"

Bob Geldolf (o idealizador de tudo e um ser humano que respeito muito pelas idéias que defende com dentes e unhas), Sting, Bono Vox, Simon LeBon do Duran Duran, John Taylor também do Duran Duran (e naquela época eu o achava o homem mais lindo do mundo), Paul Young (ainda vivo, diga-se de passagem), George Michael (naquela época, o segundo homem mais lindo da Terra), Boy George (o primeiro gay que conheci na minha vida, hohoho), além de Phil Collins, Spandeau Ballet ("i know this... might be... truuuue")... Céus, eu não conheço absolutamente ninguém dos atuais Top of The Pops, mas damn eu conheço esses todos de 20 anos atrás!!! Hohoho.

"(Here's to you) raise a glass for everyone
(Here's to them) underneath that burning sun
Do they know it's Christmas time at all?"

Enfim, foi ótimo relembrar dessa época. Em uma semana o Band Aid arrecadou mais de 1 milhão de Libras. Mas mais importante que isso, eles abriram os olhos de boa parte do mundo para o que acontece em países miseráveis numa época de repressão, de ditadura, de Margaret Tatcher, de ausência de Internet, de falta de liberdade em muitos cantos do planeta.

Fizeram a diferença, salvaram muitas vidas. Um dos idealizadores do projeto, Midge Ure, voltou à Ethiopia, no mesmo lugar onde antes havia os campos de concentração em que as crianças desnutridas morriam a cada segundo, um quadro desesperador e triste. Ainda há muita miséria por lá, mas a diferença é enorme. Ure encontrou com as mesmas famílias que havia conhecido na época, hoje morando em casas humildes mas com mais dignidade, comida na mesa, crianças brincando pelos campos verdes já com doze, treze anos de idade, quando antes não sobreviviam nem o primeiro ano. O país ainda está longe de estar bem, mas ao menos não é aquela imagem tão desconcertante de antes.

Inúmeras outras entidades de caridade surgiram depois dessa bem-sucedida empreitada, ajudando não apenas à Ethiopia, mas Serra Leoa, Uganda, Angola, Afeganistão, Iraque, entre outros países necessitados, inclusive é claro, regiões do Brasil.

Valeu sim, muito a pena ter cantado com eles:

"Feed the world
Let them know it's Christmas time
Feed the world
Let them know it's Christmas time again
"

:o)

Escrito a mão pela Marcia às 10:50 PM | mais em What's on Telly | Comente este capítulo (11)

outubro 19, 2004

Delicatessen e TV

Ontem foi uma segunda-feira atípica e deliciosa. Martin tirou o dia de folga e tomamos café da manhã juntos, com cappuccino pra ele e latte pra mim. Um pouquinho mais tarde, eu ainda estava tagarelando a respeito das formas de petit-four e Mr.M teve a idéia de darmos um pulinho bem rápido em Westbourne, que fica a uns dez minutinhos daqui.

Fomos à minha lojinha querida com bilhões de coisinhas indispensáveis pra cozinha. Não encontrei nenhuma forma de silicone, mas também estava tão entretida com o mundo de outras mini-distrações que nem liguei. Acabei desenterrando um tubo de forminhas de brigadeiro entre o monte de outros moldes de papel. Pelo menos elas vão servir para eu fazer os testes com a receita que quero fazer, até comprar definitivamente minha forma francesa.

Cups.jpg

E quando eu já estava mais que satisfeitas com meus copinhos de papel, meus olhos logo bateram em algo que reconheci de imediato, já que minha mãe Dona Wal tem uma semelhante, porém bem melhor.

Este molde que mais parece uma feroz mandíbula é para fazer uma iguaria japonesa muito apreciada aqui em casa, chamada gyoza. São pequenas trouxinhas de massa bem fininha, com recheio de vegetais, que primeiro são fritas e depois cozidas no vapor e ficam absolutamente crocantes e derretentes na boca, mmmmmm.

Gyoza.jpg

Paguei nossas quinquillharias por menos de 3 Libras e saí da loja já querendo voltar. Mas o melhor ainda estava por vir.

Em Wesbourne há uma delicatessem linda chamada The Fridge, especializada em ingredientes e comidinhas finas. Um verdadeiro paraíso pra quem gosta de comer com os olhos antes de usar os dentes. Vários tipos de azeitonas, anchovas, queijos de todos os tipos, patês incríveis, chutneys ambiciosos, geléias glamorosas, um espetáculo!

Nós tinhamos entrado lá só para dar uma olhadinha, apesar da fome quase horário de almoço e da profusão de cheiros, cores e vidrinhos que falavam sussurrando no meu ouvido: "cooooompre-me".

Ah, quem disse que a gente resistiu a esses vidrinhos absolutamente cheios de presença aqui?

Jam.jpg

Este foi o primeiro que me conquistou, com seu potinho arredondado, papel recobrindo lindamente e o lacinho dourado-avermelhado arrematando tudo. Quando finalmente li do que se tratava não tive mais dúvida, ele voltaria para nossa casa conosco: Geléia de Morango com Champagne.

Pate.jpg

O segundo potinho conquistou Mr.M, que ama um bom patê bem feito. Eu gosto de patê também, mas não como muito por causa da alta concentração de Vitamina A. Mas este Patê de Pato com Armagnac, com pouquíssima carne de fígado também me cativou em cheio.

Voltamos e tivemos um almoço com fatias de pão torrado sobre os quais espalhamos generosas camadas do novo patê. Uma delícia.

E logo chegaram os instaladores da SKY TV, motivo pelo qual Mr.M estava em casa para supervisionar tudo. Em menos de uma hora eles instalaram nossa antena parabólica e nos conectaram a um mundo completamente novo para nós.

Couch Potatoes, é o que somos a partir de hoje.

:o)

Escrito a mão pela Marcia às 2:46 PM | mais em Food Talk | Comente este capítulo (13)

outubro 18, 2004

Eu Preciso de Silicone

Há semanas que eu estou com essa idéia fixa de mudar de forma, de partir para o silicone e de ser outra a nível de pessoa humana siliconada.

Ahn? Nãããoooo, cêis leram tudo errado!

O silicone em questão são das formas para fazer bolos, tortas e pãezinhos. Estou absolutamente apaixonada pelas formas flexíveis, que certamente serão o futuro daqui pra frente. Nada de formas de alumínio barulhentas e grudentas, nada de untar com manteiga, nada de perder meio bolo grudado no fundo. Nunca mais. As formas de silicone estão sendo consideradas a melhor invenção da parafernália de cozinha depois do desencaroçador de azeitonas.

E há tempos estou a procura de umas forminhas de silicone com minúsculos nichos para fazer também minúsculas sobremesas! Porque as vezes a gente quer só uma coisinha doce pra comer e se a gente faz um bolo ou uma torta inteira, então a gente acaba comendo mais do que o necessário e engordando mais do que o desejado. Andei vasculhando todas as lojas virtuais ou reais, procurando minhas pequenas jóias.

A maior autoridade no assunto de formas de silicone responde pelo nome Demarle, o inventor das Flexipans. Demarle é uma marca amplamente encontrada nos EUA e na França, mas aqui em UK nadica. E nos outros países é possível encontrar as forminhas em formato de petit-four, florentines, pirâmides, madeleines, briochetes e uma outra infinidade. O máximo que encontro aqui nesta cidadezica são os formatos muffin e mini-muffin. Ingleses são realmente sem graça de vez em quando. O mais complicado, porém, é que a Damarle vende seus produtos através de reuniões domiciliares, no estilo Tupperware e, se eu for esperar alguma acontecer, eu posso morrer sentada.
:-/

A LeCreuset, famosa pelas suas maravilhosas panelas de ferro, também já reconheceu a importância do silicone e este ano lançou no mercado sua linha de formas. Mas como tudo da LeCreuset, o preço a se pagar é tão pesado quando suas cassarolas.

E como essa idéia fixa grudou em mim feito caramelo em ponto de bala mole, estou a alguns passos de encomendar uma bandeja de petit-fours semi-esféricos do nosso vizinho mais próximo, a França.

Flexipan.jpg

Mas enquanto ela ainda não chega, fico aqui pensando na infinidade de bite-size bolos, cremes brulée, quiches e todas as miniaturas que eu conseguir fazer com meu novo brinquedo.

É de vital importância que essa forma de silicone chegue antes do Natal. Importantíssimo. *pisc*

:o)

Escrito a mão pela Marcia às 9:46 AM | Comente este capítulo (6)

outubro 15, 2004

Tesouradas

Cortei meu cabelim hoje, hooray! Fazia muito tempo que não punha meus pés no cabelereiro, a última vez foi antes da viagem pra África do Sul. Eu andava tendo uma aversão de ir cortar meu cabelo porque não tinha um profissional que chegasse nem perto da qualidade dos que temos em São Paulo. Um pouco por falta de opção, resolvi deixar meu cabelo crescer. Mas eu precisava cortar um pouco, deixar os fios arrumadinhos pelo menos.

Daí hoje fui cortar com o moço Anthony e minha desconfiança se confirmou. Preciso mesmo ir cortar com um cabelereiro do sexo masculino (seja lá qual for a opção sexual do mesmo). Porque a maioria das mulheres que cortaram meu cabelim liso-sem-chapinha, liso-até-a-morte, devem certamente descontar toda a frustração e inveja na minha cabeça, armadas de instrumentos afiadíssimos, fazendo repicados hediondos que na hora até fica bonitinho, mas depois parece um telhado de sapé.

Então hoje, pela primeira vez em anos, saí do salão muito satisfeita com o corte e com o profissional. Não mudou muito, mas está bem mais arrumado e com aparência mais 'saudável'. Ufa, que alívio.

Mas eu até entendo o lado dessas cabelereiras. Como toda mulher, eu também sonho em ter um cabelo totalmente diferente, cheio de cachinhos naturais em longos anéis rolando pelos ombros. Se eu fosse cabelereira e Cachinhos Dourados viesse cortar comigo, eu ia passar a máquina na cabeça dela, bem joãozinho, nem os Três Ursos iam mais querer saber dela, ah se ia. Huahuahua.

Em tempo: isso tudo aí em cima é brincadeira, ok? Não acho sequer que eu tenha um cabelo pra invejar. E também não rasparia a cabeça de Cachinhos Dourados. E por que é que eu tô aqui me explicando, meu Deus?? :-/

Minha cabeça está certamente mais leve, mas deve ser por conta do encolhimento cerebral.

:o)

Escrito a mão pela Marcia às 6:19 PM | mais em An ordinary life | Comente este capítulo (10)

outubro 14, 2004

Fungos

Num dos finais de semana passados, nós fomos caminhar em New Forest, que é uma das principais áreas florestais aqui do sul. Havia chovido alguns dias antes e a vegetação estava incrivelmente verdinha e viçosa, enquanto que a luz já dava sinais de que o outono se aproximava com aquela intensidade mais amena, refletindo um dourado apaixonante. Mas o que mais chamou a nossa atenção foi a quantidade e a profusão de diferentes tipos de cogumelos que encontramos por lá. Uns são comestíveis, outros são venenosos, outros são alucinógenos. Havia uma maneira de descobrir, mas não ousamos, hoho.

NewForest1.jpg NewForest3.jpg

NewForest4.jpg NewForest5.jpg

NewForest6.jpg NewForest7.jpg

NewForest2.jpg NewForest8.jpg

:o)

Escrito a mão pela Marcia às 3:47 PM | mais em On the Road Again | Comente este capítulo (9)

outubro 13, 2004

Chuvas de Outono

Hoje choveu muito. Bastante mesmo. E eu precisava ir ao correio sem falta hoje para despachar uns documentos. Mas com a chuva e o vento forte, fiquei presa em casa comendo meu novo mingau de aveia e chocolate, que apesar do nome CocoPops, é muito bom. A chuva parou um pouquinho, mas o céu ainda estava negro. Esperei mais um pouco, almocei, papeei com a Mary (desculpa o atraso, viu queridoca?) e choveu de novo.

Agora a tarde as nuvens foram todas embora, o sol brilhou e o céu azulou. Fui correndo pro correio, que fica a uma distância de quinze minutos andando no meu passo apressado. Peguei fila lenta, despachei tudo e quando saí o céu já estava com algumas nuvens ameaçadoras de novo. Voltei correndo para não ser pega na chuva no meio do caminho. Ufa, consegui.

Outono é assim mesmo nestas terras, até aonde sei. Chove um pouco, pára, chove mais um pouco, pára. Até chegar o inverno quando então não pára de chover nunca mais até maio. Oh dear.

:o)

Escrito a mão pela Marcia às 3:23 PM | mais em Little Britain | Comente este capítulo (6)

outubro 11, 2004

The Superman

reevewelling.jpg

Triste, triste dia que amanheceu hoje com a tocante notícia da morte do ator Christopher Reeve.

Coincidentemente ontem a noite assistimos aqui em casa ao episódio de Sm@llville onde ele contracena com Tom Welling (foto acima) e brilhantemente explica para Clark Kent que se ele quiser respostas nunca vai encontrar tentando ler as estrelas porque as respostas estarão sempre dentro de si mesmo e só o tempo vai fazê-las aflorar. E depois do filme ficamos comentando sobre o ator, sobre a luta dele para beneficiar milhões de tetraplégicos no mundo, um projeto que foi vetado na justiça americana graças a George W. Bush. Mas muito antes do acidente que o deixou paralisado, Reeve já era ativista para dezenas de outras causas, entre elas a Anistia Internacional, na qual ele se prontificou a protestar contra o regime de Pinochet, no Chile, e mesmo sendo ameaçado de morte, levou em frente sua luta pelos direitos humanos.

Depois do acidente, seus esforços se concentraram para o desenvolvimento de pesquisas médicas sobre as injúrias da coluna cervical e sobre os reparos das funções neurológicas. Criou a Fundação Christopher Reeve de Paralisia e arrecadou fundos de diversas partes do mundo para melhorar a qualidade de vida dos que sofrem do mesmo problema. Segundo ele, é preciso que aguém não aceite sua condição, não aceite ser paralítico, para fazer as coisas mudarem, para exigir do governo e da medicina mais esforços. "Que esse alguém seja eu. Eu quero andar novamente".

Há dois anos ele recuperou os movimentos dos dedos dos pés e das mãos. Sinceramente, eu achava que ainda o veria avançando, recuperando e vencendo. Mas infelizmente, ele se foi aos 52 anos de idade. Não foi andando, mas voando, the superman.

Escrito a mão pela Marcia às 11:06 AM | Comente este capítulo (6)

outubro 7, 2004

Ray Mears - Bushcraft and Beyond

Eu sei que eu já falei dele aqui muitas vezes e sei que algumas pessoas já estão cansadas de ler a mesma coisa que eu conto aqui. Mas, hohoho, ser tirana do próprio blog que dizer que eu posso repetir quinhentas vezes o mesmo assunto e ninguém me pára, hohohoho.

Enfim, eis que a BBC passou durante o mês passado a novíssima série de Ray Mears' Bushcraft. E não tem, minha gente, não tem como não se maravilhar e não assistir a tudo com os olhos arregalados, a boca aberta e a mente escancarada.

Ray Mears é especializado em ensinar Wilderness Bushcraft, que a grosso modo quer dizer "técnicas da selva" ou como ele mesmo chama, "a arte do possível". E seus conhecimentos vão além de básicos conceitos de sobrevivência. Ray Mears nos envolve no estudo sobre a natureza e a cultura indígena que nos cerca de forma simpática, rica e extremamente impressionante.

Há muitos tempo a gente sabe que esfregando dois gravetos é possível fazer fogo. Mas será que sabemos mesmo como fazer isso na prática? E de forma humilde, simples e direta Ray Mears explica e mostra como efetivamente fazer fogo. E a forma que ele nos ensina parece que está dentro da nossa sala de estar, conversando e fazendo uma receita fácil e deliciosa. Em quase todos os programas que apresenta ele aparece fazendo uma fogueira esfregando gravetos. É simplesmente hipnotizante.

Ele ensina, enfim, tudo aquilo que esquecemos. Como ler nas árvores em que direção da bússula estamos, como fazer abrigos com folhas e troncos de árvores, como encontrar o que comer, como "fazer" água para beber. E sei que muitos devem estar pensando "mas pra que diabos eu preciso saber disso?". Precisar não precisa, até o dia que você precisar. No ano passado a BBC passou a série Ray Mears Extreme Survival, que mostrava justamente isso, como nós, seres do mundo moderno, somos vulneráveis e ignorantes quando estamos perdidos. Foram vários programas dedicados à mostrar como pessoas comuns são vítimas de sua própria falta desses conhecimentos básicos. Um carro que quebra no deserto, uma tempestade de neve inesperada, a queda de um aeroplano no meio da floresta, um naufrágio perto da praia, ou até mesmo coisas mais simples como se perder numa trilha na mata ou na montanha. A frase que Ray Mears sempre repete é: ter os conhecimentos da vida selvagem é ser livre.

Para mim, conhecimento nunca é em vão, mesmo que a gente nunca use, mesmo que hoje a gente tenha um mundo de tecnologia para nos ajudar, saber e entender como a natureza funciona ao nosso redor é simplesmente encantador, um privilégio sem preço e uma diversão garantida.

Mas o melhor dos programas dele, para mim, é quando ele se encontra com tribos indígenas das mais diversas e remotas partes do mundo. Ele é extremamente carismático, mesmo entre índios completamente hostis ao mundo civilizado. Geralmente no começo ele fica só observando os indígenas, sem se intrometer, respeitando o cotidiano deles. Logo ele começa a arregaçar as mangas e a ajudar nas tarefas da tribo cortando árvores, caçando, pescando. E então simplesmente algo acontece e os índios passam a gostar dele como membro da tribo. No final estã todos se despedindo com lágrimas e abraços honestos e Ray acaba sempre ganhando algum presente feito com muita dedicação pela tribo. É comovente.

Nesta nova série em particular, Ray Mears' Bushcraft visitou a Amazônia, mas ficou na borda venezuelana, não no Brasil. Lá ele se encontrou com a tribo local e conviveu com eles por várias semanas aprendendo as técnicas bem diferentes, como a pesca por anestesia natural, onde os índios usam a seiva de raízes para jogar no rio e fazerem os peixes ficarem anestesiados e subirem para a superfície. O programa foi todo produzido dentro da floresta, em acampamentos feitos entre as árvores e refeições colhidas na natureza.

Foi bem bacana, mas o que mais me emocionou foi quando Ray Mears perguntou delicadamente aos índios que o acompanhavam se eles sabiam como fazer fogo com gravetos. Meio constrangidos, os dois tentaram mas não conseguiram e por fim confessaram que os antepassados deles sabiam mas hoje eles não sabem mais. E então Ray Mears com todo cuidado do mundo disse que o trabalho dele é de ensinar as pessoas essas técnicas esquecidas e que seria uma honra imensa mostrar para eles como se faz um fogo. Eles olharam meio desconfiados e descrentes que aquele branquelo poderia ensinar alguma coisa a eles. E Ray Mears estava todo cheio de dedos porque segundo ele, sul-americanos têm algo no sangue que os torna apaixonados pela sua própria masculinidade e é preciso muito tato para mostrar a eles que não saber alguma técnica não é nenhuma fraqueza e sim um conhecimento a ser adquirido. Eles aceitam e logo Ray Mears está a frente mostrando como cortar, como esfregar, como colher a brasa e como finalmente fazer a fogueira. O primeiro deles se dedicou bastante, seguiu todas as instruções e conseguiu colher bastante brasa. Ray colocou-as num montinho de serragem de madeira e pediu para eles assoprarem sem parar. E no meio da fumaceira, tcharam, o fogo se fez! Os dois arregalaram os olhos sem acreditar que haviam feito tudo com as próprias mãos! Sorriram, riram e pularam. No dia seguinte, os dois índios estavam ensinando a todas as crianças da tribo. Satisfeito, Ray Mears teve a certeza de que pelo menos por mais uma geração aquela tribo seria capaz de produzir seu próprio fogo.

Na semana passada, o programa foi na Tanzânia, continente africano. Ele já havia feito um programa lá, em 1994. E quando eles estavam filmando no acampamento, um velho índio da tribo Hadza se aproximou timidamente. Era um dos amigos que Ray Mears havia feito dez anos atrás e que tinha andado até lá para reencontrá-lo, quando soube que a equipe estava de volta. A partir daí eles passaram toda a produção juntos, fazendo as trilhas e caças conforme os costumes da tribo. O velho índio ensinou como fazer um arco e flecha, como encontrar água no seco solo africano. As mulheres da tribo ensinaram como fazer pão, como encontrar frutas na selva. No final, Ray Mears havia uma surpresa para a tribo. A equipe montou um monitor e chamou todos da tribo para assistirem à surpresa. Eles todos senteram no chão, curiosos e sem saber o que veriam na caixa quadrada. E eis que Ray Mears passa o vídeo do programa que eles haviam feito em 1994. Todos eles arregalam os olhos e riem ao verem a si próprio na tela. Na tribo, como em qualquer outra, não há album de fotografia, não há imagens passadas para relembrar. E para eles, verem a si próprios dez anos atrás é impressionante, para se dizer o mínimo. Quando o programa termina, muitos deles estão chorando e todos se despedem de Ray Mears com abraços e apertos de mão que dizem mais do que eles podem nos dizer.

A mistura de um pouco de tudo isso, conhecimento, cultura, lágrimas, carisma, amizade, risos e diversão é que faz desse programa tão especial.

Depois de testemunhar a eficiência de Ray Mears de fazer a sobrevivência possível nas mais difíceis situações, eu não tenho dúvida da minha resposta para quando alguém me perguntar quem eu levaria para uma ilha deserta, hehe. Pelo menos com Ray Mears por perto sei que sobreviveria.

Raymears.gif

:o)

Escrito a mão pela Marcia às 11:08 AM | mais em What's on Telly | Comente este capítulo (10)

outubro 4, 2004

Loved and Never Forgotten

Broken.jpg

Hoje recebemos uma carta da capela do hospital nos convidando para participar da cerimônia que vai acontecer no final deste mês para relembrar de todos os bebês que foram para o céu neste ano corrente.

Vai ser celebrada uma missa, os nomes de todos os bebês serão lidos pelo reverendo em voz alta e uma vela para cada um deles será acesa. Toda a equipe de médicos, enfermeiras e midwives da Early Pregnancy Unit que cuidou de nós vai estar presente. É o momento que a gente pode reencontrá-los e também entrar em contato com pais que passaram pela mesma dor.

Apesar de sermos agnósticos, eu acredito que há sempre um espaço em toda a ciência para a existência Deus. Então quero muito fazer parte da missa, para acender uma vela na capela e sorrir quando o nome 'Little M' for lido. Mas relembrar, isso não vai ser preciso. Porque não há um dia sequer em que eu não lembre do nosso bebê e não deixe de pensar em como nossas vidas poderiam estar completamente diferentes agora. A cada simples dia é um dia em que eu penso, lembro e amo.

We'll never forget you, little M.

Escrito a mão pela Marcia às 6:05 PM | mais em M&M Family | Comente este capítulo (11)

outubro 1, 2004

Relendo e Relembrando

Aos pouquinhos estou arrumando os arquivos do blog. A maior parte fiz enquanto estive em Middelburg/SA, que foi limpar todo o conteúdo de imagens perdidas que estavam no sapo.pt. Ontem finalmente importei os arquivos limpos pro blog. Agora estou passando um pente fino nos posts para rearranjar os links quebrados e apagando outros links que nem existem mais.

O processo é lento porque eu não resisto a dar uma lidinha no que andei escrevendo anos atrás. Algumas vezes me emociono, quando leio sobre a Bianca, por exemplo, ou quando lembro do dia do nosso casamento. Outras vezes dou risada das minhas próprias bobeiras passadas.

E é interessante para mim perceber como eu escrevia diferente, como me comunicava cheia de dedos. Aquele medo bobo de não querer falar das coisas que a Inglaterra tem de melhor do que o Brasil para não ser considerada esnobe. Meu cuidado para não dar a idéia errada de mim mesma. A necessidade de provar que fiz a escolha certa, que fiz por merecer.

E céus, como eu escrevia!! Uma multidão de posts por dia. Hoje mal consigo escrever duas vezes por semana.

Mas enfim, quem é que não gosta de reler diários passados, não é mesmo? Mesmo para se achar ridícula depois, mesmo que seja para rir do que antes parecia tão sério. E diários são pra isso mesmo. Reler e relembrar. Olhar para trás e enxergar sua própria história.

Ainda falta muito a arrumar no blog. E na minha vida também.

Alguém ainda se lembra quando eu usava esses gifs aqui: ??
E que o layout era vermelho com uma ilustração do Snoopy no cabeçalho??

Hehehe...

Escrito a mão pela Marcia às 7:16 PM | mais em An ordinary life | Comente este capítulo (5)

« setembro 2004 | Main | novembro 2004 »