Outro lado do casamento
Como havia dito antes, o casamento que fomos em Dublin era dos nossos amigos Dave e Helen mas também da irmã da Helen, a Jane e seu noivo canadense David. Foi o primeiro casamento duplo que fomos.
O momento dos discursos é o mais esperado durante a recepção -- depois da comida, claro -- porque é a hora em que o pai da noiva, o noivo e o padrinho fazem suas palavras fluirem com todo sentimento que envolve essa consagração do amor. Eu sempre, sempre me emociono e fico com os olhos molhados ao ver homens crescidos, maduros e barbados com a voz falhando, com o nó na garganta transformando em lágrimas, com as pausas entre as frases para enxugar o rosto, enquanto todo mundo aplaude em solidariedade.
O pai das noivas fez um discurso muito bonito, brincou, elogiou suas meninas, deu boas vindas aos novos filhos. Dave, fez o discurso todo à Helen (nessa hora o noivo chama a noiva de "minha esposa" pela primeira vez e todo mundo aplaude), e disse também o quanto esperou esse momento em que ele finalmente pudesse oficializar a vontade que ele tem de passar o resto de toda sua vida ao lado dela. E Alan, o bestman, fez também um discurso bem engraçado e emocionante ao seu amigo Dave, parando sem voz com o choro que veio ao relembrar do companheirismo, carinho e apoio que a amizade com Dave sempre trouxe, nos momentos em que ele e sua família mais precisou (Alan tem uma menina de 3 anos que nasceu com um cancer, mas agora já está 100% curada e estava na festa toda saltitante e linda).
Foram ondas de aplausos para todos esses discursos, todo mundo adorou, brindou, riu, chorou.
Porém... o mesmo não se pode dizer quando chegou a vez do marido da Jane fazer o discurso dele. Para começar ele foi logo saindo da head table onde ficavam os noivos, padrinhos e damas de honra, para circular pelas mesas enquando fazia seu discurso porque segundo ele, precisava quebrar um pouco as normas britânicas e fazer do jeito canadense. Começou bem, insultando todo mundo. Foi falando sem freio, disse que não tinha preparado nada, mas que queria falar um monte de coisas e ia cumprimentando uns e outros e todo mundo ficou seguindo com os pescoços torcidos por onde ia o cidadão, que não parava de andar e de falar alto, coisas nada a ver com o casamento ou sequer sua esposa.
Daí o discurso começou a descambar para piadinhas infames e totalmente sem graça e como ninguém ria, ele teve a brilhante idéia de tirar do bolso um pacote de baralhos (??) e disse que queria que alguns convidados participassem do truque de mágica. Daí escolheu uns seis gatos pingados que ficaram completamente sem graça e pediu que eles memorizassem umas cartas que depois ele iria advinhar (??). E isso levou tanto tempo que ninguém mais estava a fim de prestar atenção. Os pais da noiva visivelmente constrangidos, Dave e Helen com os cotovelos na mesa e as mão no queixo, o resto dos convidados só tentando entender qual era o ponto que o moço queria chegar, eu me perguntando quando é que iam servir o bolo, e a única que ainda carregava um forçado sorriso amarelo era a esposa Jane.
O truque terminou bem infantil (assim como começou) e totalmente sem graça ("as cartas que vocês memorizaram está entre um desses números: Ás, 2, 3, 4, 5, 6..."). Ninguém riu, nem aplaudiu, só se ouviu uns "dãnnn", hohoho. Daí ele voltou pra mesa dos noivos e soltou um "i love you babe" pra esposa e acabou. Os aplausos foram pura cortesia.
Sinceramente esse cidadão perdeu uma boa chance de ficar quieto. Tudo bem que ele queira ser engraçadinho ou queira entreter a leva britânica que não sabe se divertir do jeito canadense, mas sei lá, faz isso durante o baile, mais tarde, informalmente, com todo mundo meio bêbado. Durante a recepção, o que mais se espera são as declarações apaixonadas do marido para a mais nova esposa. São essas as memórias que toda noiva espera ter, mesmo com palavras simples e singelas, mas muito longe de truque de mágica barato. Mas enfim, cada um com seu cada um. Tenho nada com isso.
Daí serviram a sobremesa com três docinhos: um mini-cheesecake de laranja, uma caixinha de chocolate com creme de morango e uma tortinha de baunilha. E quase me esqueci de tudo.
O bolo?? Nem comi, não cabia mais nem um farelinho na minha barriga.
:o)

Ségrio said:
Ô Marcinha, têm horas que a simplicidade é o melhor de tudo. Um abraço!
Marie LaStrange said:
Por essas e outras não quero casamento na igreja. Acho bonitos os discursos, mas por mais que se tenha boa intenção, sempre se pode errar. O rapaz citado exagerou e *muito* na inovação, talvez por ser de outra cultura e não ter entendido o sentido da coisa. Se e somente se a noiva sabia das intenções dele previamente, devia ter dado uma puxada de freio. Mas nada que substitua o bom e velho "self-simancol", haha. Beijos,
Daniela said:
Ai que chato. Eu ia sair da sala. Não ia aguentar de vergonha. Imagina, o cara que apronta e quem fica com vergonha sou eu.
O pior é que eu fico.. :(
O meu namorado que não invente uma dessas :)
Marcia de Souza said:
E isso mesmo Marcinha, o ceremonial do casamento foi criado por uma razao, e sempre tem um mala que nao pega o espirito da coisa e estraga tudo. O que vai ficar e a parte emocionante. E esse cidadao deve ser um mala em qualquer ocasiao. Beijocas.
suyaen said:
Marcinha, obrigada pela receita! Beijoca!
Luciana said:
Marcinha,
também cheguei de férias ontem e só agora pude ler sobre todas as suas viagens. Quanta coisa boa aconteceu para voces nestes últimos dias, hein?!! Que legal!! Voce e seu Mr M merecem!
Aproveito para desejar a voces um 2005 com muita saúde e cheio de coisas boas. Que o amor de voces continue crescendo e inspirando muita gente.
Um abraco carinhoso.
Cynthia said:
Quando eu assistia o desenho "Bob & Margaret", achava que a caracterização dos canadenses como "folgados" e "hóspedes abusados" era um exagero. Mas, pelo que você contou agora, já começo a achar que de exagerado não tem nada...
Marcia said:
Se fosse comigo acho que me escondia embaixo da mesa! Ainda bem que meu marido é uma das pessoas mais discretas do mundo. Marcinha aproveito este comentario para agradecer a receita de Pasta ao Molho de Abobrinha, muuuuuito boa! Se tiver mais alguma receita a base de legumes ou verduras vc mandaria pra mim?
aline said:
Marcia,
Eu detesto esse tipo de situação! Qdo alguém faz algo muito inconveniente e fica aquele clima péssimo no lugar...Eu me sinto tão mal! Imagino o seu constrangimento, da familia e da pp infeliz que casou com esse "mala"!
Beijos
alinE
Mary said:
Querida, tem horas em que a tradicão, pura e simples, é a melhor receita né não? Olha, dei sua receita de bread and butter pudding lá no Montanha. Quando tiver um tempinho, dá uma conferida pra ver se não esqueci algo (ou escreve coisa errado)? Lembrei da receita de cabeca... Beijocas!
Mauricéia said:
Todo casamento tem alguma coisa engraçada, eu fui em um em que o padre falou por quase 2h e os coitados dso noivos em pé e morrendo de calor, perdi a conta de quantas músicas foram cantadas.
Tem cada uma q são duas, vô te conta.
Boa semana.
Isabella said:
Oi Marcinha,
Nossa... realmente o marido de Jane mandou muito mal... poxa uma hora tão esperada, que tem todo um clima e uma magia envolta e o cara faz isso?! Pobre Jane...
Beijokas, Isabella
Vivi said:
Oie Marcinha...
Realmente esse rapaz poderia ter ficado calado, ou "colado" a palavras do ouro noivo...ia ficar mais bonito do que fazer essas palhaçadas...imagino a noiva dele como ficou...Eu fiquei imaginando meu amor falando essas palavras bonitas pra mim no dia do meu casamento...Love é muito romântico e sei que vai fazer uma dessas coisas - rsrsrsrs
Um bjão amiga e inté mais.