junho 29, 2005
Aftershock
Um dia depois do possível fatídico choque, meu cérebro apresenta fusíveis queimados.
Esta manhã tivemos consulta no dentista. Mr.M, que voltou ao país, primeiro e eu algumas horas depois. Saí com ele para aproveitar a carona já que os ônibus aumentaram os preços das passagens e eu tô fazendo boicote solitário.
Mr.M fez a consulta, saiu, pagou, me deu um beijo e foi pro trabalho. Eu fiquei andando aqui e ali, fucei um monte de lojas, aproveitando que estava tudo vazio por causa do horário. Depois fui na minha consulta no dentista.
E enquanto muitos se preocupam com a dor da anestesia, com o barulho da broca, com as pontadas nos nervos, eu estava lá semi deitada na cadeira preocupada com outra coisa: onde deixo minha língua?
Toda vez que tomo anestesia na boca, boa parte da minha língua acaba ficando amortecida e eu não faço a menor idéia de por onde ela anda e como se comporta enquanto eu fico ali com a mandíbula quase se soltando do crânio. E enquanto o dentista faz o serviço e a assistente usa o aspirador e o outro instrumento para puxar minha bochecha, tudo o que eu penso é que minha língua vai daqui a pouco tocar na broca e o consultório todo vai virar cenário de Hitchcock com sangue em todas as paredes. Ou então que minha língua vai tocar na nova obturação e vai ficar pra sempre grudada lá. Ou que minha língua vai, mal-criadamente, arrancar a novíssima obturação e vou ter que fazer e pagar tudo de novo. Ou, ainda pior, minha língua vai involuntariamente dar uma passeio e acaba lambendo lascivamente o dedo envolto de luva de latex do dentista, que vai pensar que eu estou com outras intenções além de ter minha arcada dentária cimentada. Valha-me God.
Mas enfim, o tratamento de hoje durou 40 minutos e eu saí de lá sem olhar muito pra cara do dentista, que é um velho senhor meio confuso, já que não tinha como saber se minha língua foi mal comportada durante esse tempo todo. Ele me levou até a recepção, disse um "see you again soon" e uma piscadinha. Eu, hein? E quem disse que o circo todo tinha se encerrado por ali? Nãããoooo. Porque na recepção eu tive que marcar mais um horário para tratar o outro dente. E agora vocês imaginem a minha pessoa, anestesiada de um lado inteiro da minha boca, quase babando, um dia depois de ter sido chocada por um raio, com a língua em plena atividade libertinosa, tentando explicar pra mocinha que eu queria marcar a próxima consulta para o dia "10th August". Saía algo como "Densss auust, pleasss". Paguei, catei o papel com a consulta marcada sabe-se lá pra quando, já que nem me atrevi a ver o que a mocinha havia entendido.
Comprei pão, salada e iogurte, suspendi meu boicote e passei por mais um mico tentando me comunicar com o motorista do ônibus. E finalmente, merecidamente, cheguei no prédio. E então... ei, cadê a chave? Oh hell. Esqueci dentro do apartamento, já que Mr.M havia fechado com a chave dele quando saímos. Bloody bloody hell. Faz poucos minutos que Mr.M veio me salvar e me colocou apartamento adentro. É uma boa sorte que ele tenha chegado no país.
Ufff... Dia mais confuso...
junho 28, 2005
Ziiiizzzziiióóóinnnnnnnnn!!
Acabei de levar um baita de um choque elétrico! Nada de tão grave, claro, senão não estaria aqui contando a história.
Estava eu usando o laptop, ligado na tomada, com os dedos da mão direita no touchpad. Tempestade lá fora vinha se formando há horas e eu já estava para fechar a tela e ir descansar um pouco. De repente, não menos que repentinamente, vejo um clarão entre meus dedos e uma forte fisgada no músculo da mão.
Na mesma hora, o raio pela janela. E bruuoooooooooom, trovão. Puta choque maldito fio duma égua, pardon my french. Ooouuch. Laptop parece salvo, só eu mesmo que tomei toda a carga. E, com Mr.M viajando pela zooropa, pensei mesmo que iria morrer laranja e seca e seria encontrada só duas semanas depois. Ouuuch.
Tô chocada...
junho 26, 2005
Celebrations
Obrigada a todos os recados, telefonemas queridíssimos, e-mails e cartões fofos!
Tive um aniversário bem bacana por conta de vocês todos também, thank you so much.
Passamos o dia em Poole, almoçamos num restaurante de frutos do mar, onde me esbaldei com langostines, carangueijo, salmão e mexilhões. Chegamos em casa ao entardecer e passamos o resto da noite entre meus presentes.
Para finalizar, assistimos na VH1 ao show do Queen, com Fred Mercury, em Wembley e cantamos juntos e batemos palmas em:
"All we hear is (clap clap) radio ga ga (clap clap)
Radio goo goo (clap clap) radio ga ga (clap clap)
All we hear is (clap clap) radio ga ga (clap clap)
Radio blah blah (clap clap)
Radio what's new (clap clap)
Radio (clap clap) someone still loves you..."
Woohoo! Great day.
:o)
junho 25, 2005
My 32th Birthday

32 anos
Um marido
Um lugar para chamar de lar
Nenhuma dívida
Um diploma
Duas línguas
Um dom
Uma dúzia de bons amigos
Uma amiga sueca querida
Meia dúzia de bons familiares
Dois pais queridos
Dois aparelhos pink
Uma festa de casamento linda
Três árvores plantadas
Um bebê no céu
Duas cãzinhas lá também
Cinco minutos de fama na TV
Uma viagem dos sonhos realizada
Dois olhos de um leão olhando nos meus em plena savana
Um boneco de neve do meu tamanho (uau!) construído a oito mãos
Uma certificação de mergulhadora PADI
Um mergulho por dentro de um navio naufragado (spooky)
Um mergulho a noite (scary)
Dez outros mergulhos autônomos belíssimos
Uma arte de fazer pão aprendida
Um musical dos meus sonhos assistido
Uns bons shows de bandas britânicas assistidas
Dois livros de autores que eu gosto autografados
Dez letras de música de Carmina Burana decoradas, em latim
Uma dezena de crônicas publicadas
Uma centena de crônicas na gaveta
Um diário rabiscado
Uma porção de outras coisas conquistadas
Nenhum arrependimento
Trinta e dois anos.
junho 24, 2005
Do Blowg
"Culpas nem pensar. Li uma frase que dizia que culpa era uma mala muito pesada que a gente carregava durante a vida e para se livrar dela bastava depositá-la no chão e continuar andando.
(...) Quem quiser gostar de mim que goste, mas jamais por uma coisa que eu não sou. E eu não sou mais um monte de coisas."
Marina W, sempre com o coração tão firme na ponta da caneta.
Eu também não sou mais um monte de coisas.
Pressies
Hooray! Hooray!
Já ganhei meus primeiros presentes! Chegaram os presentes que meus pais mandaram, os que os pais do Martin mandaram e os que a irmã do Martin mandou. Eba! Eba! Já dei uma espiada por dentro dos pacotes, mas ainda não os abri oficialmente, hoho.
E ontem Mr.M voltou pra casa com pacotes que eu não pude ver. E também não sei onde ele escondeu. Eba! Eba! O que será? Não pareceu grande, mas sei que ele foi numa loja que tinha um supermercado Sainsbury's por perto, hoho, porque ele trouxe o jantar de ontem de lá, além de sobremesas de chocolate Gü, nhaaaaam.
Já coloquei todos os cartões para enfeitar nossa sala.
Amanhã é o grande dia de ver tudo o que ganhei, oba! Ganhar presente é muito bom, muito bom!
:o)
E o Holiday Skin está funcionando que é uma belezura. Duas aplicações e já me sinto um gingerbread man!
Me: You see, I'm tanned!
Mr.M: You're not tanned, you need a shower.
Me: Mean...
:-p
junho 23, 2005
A Laranja
Estava conversando com Judi, minha amiga inglesa, e comentei que nunca fui tão branca como agora. E então ela me perguntou se eu não conhecia o tal do Holiday Skin. Ãhn? Por um segundo imaginei uma pele sobressalente para vestir na praia, mas ela me explicou que trata-se desse produto da foto acima. Creme hidratante da Johnson's com um tico de bronzeador artificial.
Fiquei curiosíssima, procurei na Boots e nada. Depois procurei novamente e só tinha em estoque para tipo de pele normal para escura. Não é meu caso. Fui ontem no dentista e na saída acabei encontrando o tal "Holiday Skin Body Lotion - Normal to Fair Skin". Yay! Comprei e paguei com pontos do meu cartão Boots.
Tô agora toda feliz usando! :o)
Por enquanto, nada muito além de cor de pêssego.
Me: Look, I'm gonna get tanned!
Mr.M: You're not gonna get tanned, you'll be orange.
Me: I will not! You just wait and see.
Mr.M: (laughs)
Me: You're just jealous because I'll be all nice and tanned and you'll be white as a ghost.
Mr.M: And you'll be orange as an orange ghost.
Me: Mean.
:op
junho 21, 2005
A Novela
Por mais que se tenha um cuidado de preservar a vida privada, por mais que no começo a intenção é só dar notícias aos "mais próximos", por mais que o conteúdo seja mais "jornalístico" e informativo, praticamente nenhum blog está imune de se tornar uma novela.
Porque a essência de um diário persiste, perfura a fina película de segurança e se aventura publicamente num emaranhado de acontecimentos inevitáveis da vida.
Não que isso seja ruim, don't get me wrong, mas é indiscutível que cada leitor de blog, como eu, gosta de ler, interagir, saber um pouco mais de quem ali alimenta a história real contínua. E a coisa boa disso tudo é encontrar assim de graça, uma leva de pessoas fenomenais, interessantes, divertidas, adoráveis, que estão ali sempre para tirar um sarro, discordar, refletir, questionar, contar a própria história.
Porém, se existe algo que torna qualquer novela, romance ou conto ainda mais excitante é o conflito. Não existe nada que prenda mais a atenção de um leitor do que o ápice de um conflito, onde tudo desaba ao redor, onde a ordem se perde e aquilo o que era certo já não existe mais. Quando o personagem fica despido de tudo, se desespera, se dobra em dois e cai de joelhos.
Qualquer história, qualquer ficção que se preze, não é nada mais que uma sucesão de conflitos. Se um personagem é feliz e satisfeito do começo ao fim, não existe história, nem publicação, nem leitores interessados no livro. E é aí é que entra a grande diferença.
Um blog não é uma ficção. Parece óbvio, mas acredite, há muitos por aí que ainda não aceitaram o conceito. Há muitos que esperam pelo conflito, torcem por isso até, ousaria a dizer. Há muitos que se incomodam que todo dia é o mesmo café com leite, pão com manteiga. Há muitos que aliás, odeiam abrir um blog e ler ali que tudo continua ensolarado, florido e perfumado. Odeiam, têm enjôos e calafrios. Não estou me referindo às saudáveis discussões, às trocas de opiniões opostas ou às críticas. Me refiro àqueles que têm repugnância do estilo de vida e do irritante sorriso do rosto alheio. Por que esses muitos continuam a abrir os mesmos blogs que odeiam é uma questão de um milhão de dólares, que jamais entenderemos.
Mas há. Eles existem. Desgostam tanto que tentam criar os conflitos por conta própria, em tom de discórdia, de autoritarismo, de rancor e de toda amargura que possuem. A felicidade alheia incomoda. Feito um espelho que reflete o que falta em suas próprias vidas, de uma forma ou de outra. E no desespero de se livrar desse incômodo tentam quebrar o espelho em cacos pequenos. Atacam como se pudessem mudar o rumo da história do personagem. Mudar não pelo bem do personagem em questão, mas mudar para o seu próprio conforto, para sentir que o que faz da vida é certo se todos fizerem exatamente igual. Ou então afirmar que se alguém tem uma vida pior do que a sua própria, então a não é tão ruim assim.
Se esquecem porém, que o protagonista de um blog é também o seu escritor. E um escritor que não escreve para o seu público, mas para si, de si próprio, egocentricamente como todo diário o é. Cabe a quem lê e desgosta fechar e procurar outro na estante tão vasta.
Mas esta não parece ser a opção, sabe-se lá a razão de tal fascínio masoquista. E após uma certa quantidade de ataques gratuitos, mesmo fazendo uso incansável da tecla "delete", mesmo bloqueando IPs, mesmo fingindo ignorar, quem escreve acaba partindo para um fatídico capítulo em que a felicidade fica do lado de fora.
"Felicidade protegida", torna-se o mote de cada post a partir desse capítulo. Nada de planos, nada de empolgações exageradas, nada de muitos confetes. E infelizmente, em quatro anos blogando, percebi que não apenas o meu, mas dezenas de fantásticos blogs que há muito tempo acompanho também já entraram no capítulo "happiness-free". O que é uma grande pena porque eu curtia muito ler como cada um retratava sua própria vida e agora eles vêm com esse lacre de proteção.
Praticamente todos passam pelo mesmo processo de primeiro argumentar, depois insistir, depois ignorar e por fim simplesmente decidem não escrever nada que realmente seja pessoal, importante, empolgante, fascinante só para poupar de ver as pedras voarem. Porque cansa. Chega uma hora que cansa. E a novela se encerra.
Complementando: pessoas do bem, obrigada pelos comentários todos. Não estava me referindo a este blog, mas todos os blogs que eu leio e que parecem seguirem a mesma linha de proteção. Ninguém quer ser alvo de ataques sobre algo que preza muito. Não é mais a questão de deixar "eles" vencerem ou perderem, é simplesmente falta de paciência mesmo, querer preservar o que no final das contas importa para cada um de nós que escreve. Deve ser o preço da popularidade, hohoho. Me aguardem na próxima Caras! Até onde eu sei, este blog continua. Sente aí que a água pro chá tá fervendo. :o)
junho 20, 2005
Sammy still in UK...
...but not here anymore.
Hoje de manhã fomos a Corfe Castle para a Samara ver as ruínas do castelo medieval e também o belíssimo vilarejo que o cerca. Escalamos um morro do lado do castelo, até o topo. Ficamos admirando a vista lá de cima, depois fomos à nossa tea room preferida e tivemos um bom almoço com sandubas e salada.
Voltamos via Sandbanks e avistamos toda a costa, antes de pegar o ferry boat. Breve parada em casa e depois levamos a Samara pro aeroporto. Agora ela já deve estar chegando para fazer mais uma viagem dos sonhos delas, nas terras escocesas. E nós ficamos por aqui já cheíssimos de saudades dos bate-papos e da deliciosa companhia dela.
Samara querida, foi excelente ter você aqui conosco. Obrigada pelos presentes, pelas conversas, pela alegria contagiante de sempre e por ter feito esta escala em seu roteiro para nos ver. Faça uma ótima viagem pelo resto do velho mundo e volte para casa safe and sound.
junho 19, 2005
Sammy in UK - Parte 3
E a surpresa de hoje acabou não sendo surpresa porque acabamos contando durante o café da manhã onde iríamos levar a Samara hoje. Eu não estava certa se ela ia gostar de ir ou se as expectativas dela eram diferentes, então resolvemos contar de antemão.
E por ela ser uma pessoa bastante interessada em todas as mitologias e histórias druídicas, achamos que ela ia curtir bastante nosso destino de hoje: Stonehenge. E, acredito, não estávamos nem um pouco errados.
Passamos a manhã ao redor do grande círculo mágico, apenas a dois dias do solstício de verão. Foi bem especial, como é sempre. Stonehenge é intrigante, interessante, impressionante, curioso, espantoso, fabuloso.
Ficamos lá até quando minha pele pôde agüentar e depois seguimos para Salisbury. Visitamos a famosa catedral do século 12, almoçamos um salmão com ervas divino, acompanhado de muita salada. Demos uma volta na cidade, vimos patos e cisnes, entramos em algumas lojas só pelo desespero de um ar-condicionado. 30 graus em Salisbury e eu e o Martin voltamos com umas boas áreas queimadas, ui.
Amanhã temos mais um passeio pela manhã, antes de levar a Samara para o aerporto. Já jantamos pizza, vimos aquelo vergonhoso GP dos EUA que nem deveria ter acontecido, agora estou aqui pescando na frente do laptop, cansadíssima e com sono. Acho que foi o excesso de sol. Yaaawwnn.
Sammy in UK - Parte 2
A Samara chegou bem de Londres, ainda cheia de gás e energia, mesmo para quem caminhou dois dias inteiros e ainda carregou bagagens dignas de geologista nas costas. Antes de vir pra cá ela havia me perguntado se a gente queria algo de Barcelona e respondi que um pouco de sol seria ótimo. Dear me, ela não só trouxe o sol torrante que ardeu na minha pele branca-OMO-Progress por baixo de filtro solar FPS100, como também um calor digno do verão mediterrâneo. Ah sim, e junto com tudo isso ela ainda me trouxe uma echarpe mag-ní-fi-ca, estounteante de linda, toda impressa com figuras de Picasso, tá? E também bijous pinks para combinar com meus aparelhos auditivos porque ela é superatenta a tudo e vinho Rioja para Mr.M, que ama vinho tinto.
O dia de hoje, well ontem, foi cheíssimo. Caminhada. Esquilos. Amendoins. Mais esquilos. Lojas. Picnic. Sol. Praia. Caminhada. Escalada. Vista. Sol. Caminhada. Pub. Drinks. Cheers. Marks Spencer. Caminhadas. Mais esquilos. Acabaram os amendoins. Caminhada. Jantar Indiano. Vinho branco. Cheers.
E terminamos o dia assistindo a dois programas da BBC absolutamente fantásticos para os anciões aqui: Live Aid - Against All Odds, bacanérrimo com a participação não só de Bob Geldof, mas de praticamente todos os artistas, jornalistas, produtores e empresários que fizeram parte do festival. Muitas informações do caos que foi a organização, fofocas do backstage, sangue, suor e rock n'roll. Inclusive Bono Vox, que comentou sobre a própria atuação de sua banda: "bad music and terrible haircuts". E também confessou que Fred Mercury e sua banda o encostou na parede e disse: "We've decided that we like you!" E depois de se desvencilhar de Mercury ele, Bono, virou para Lary Mullen e disse: "meio bichinha, o Fred Mercury, né?!" E Larry respondeu: "Queen!!!" E Bono: "Oh!" Hohohouhohuhouhohuhohuhohuhohuoo...
Foi um excelente final de noite de um dia delicioso! Amanhã, well hoje, tem mais. Preciso ir dormir. Good day.
junho 17, 2005
Sammy in UK
Hoje minha querida amiga Samara desembarca aqui em nossa cidade para passar o final de semana conosco. E nós estamos aqui contando as horas para poder abraçá-la bem forte na estação.
A Samara é minha querida amiga de São Paulo, acabou de concluir seu mestrado em Barcelona, na Espanha, que durou seis meses e agora está com o pé na estrada pela Europa. Ela já deve estar agora perambulando por toda Londres e depois vai fazer uma escala aqui em nosso lar, nos enchendo de alegria.
Amanhã devemos passear pela nossa cidade, mostrar nosso litoral, fazer pic-nic e conversar bastantão. No domingo temos uma surpresa reservada para ela.
Não preparei nenhum menu especial ainda. Hoje teremos pasta ao ragú e pão de alho, regado com um vinho que euzíssima escolhi, Côtes-Du-Rhônes, safra 2001. Ahh como eu gostaria de entender de vinho para saber se tô falando bonito ou não, hohoho. E num dos dias a gente vai fazer um jantar indiano, espero que fique bom.
Enfim, a Samara é visita especialíssima, queridíssima e muitíssimo bem-vinda aqui em nosso lar.
Welcome to UK, dear Samara!!
:o)
junho 15, 2005
Say AAAHH
Fui ao dentista hoje de manhã. Check-up geral.
Exame dos dentes e gengivas, teste de câncer bucal (!!), raios-X e fotografias intra-orais. O saldo foi de dois dentes para obturar e uma visita ao higienista para limpeza geral.
O dentista foi muito simpático, disse que meu quadro geral está bom, que tenho feito bom uso do fio dental mesmo com os dentes tão apertados um no outro. Fiquei contente, odeio ter que ir ao dentista. Não tenho medo, agüento bem a dor (quem já teve que usar aparelho fixo sabe que nada mais pode ser pior), mas odeio nonetheless.
Esta é a primeira vez que vou a um dentista inglês, na Boots. Fiquei impressionada com o consultório ultra-moderno. Logo que entrei, sentei e tinha um monitor em tela plana bem na minha frente. Pensei "whoa, Internet!!", mas não, não era pra eu navegar nas webs, a tela ia mostrando o que a assistente do dentista ia registrando na minha ficha e também imagens da câmera. Além dos cuidados básicos de higiene como luvas, máscaras, objetos descartáveis e instrumentos em autoclave, absolutamente tudo o que o dentista tocava estava envolto de uma larga fita adesiva descartável: puxadores, manivelas, maçanetas, tudo. Assim que entrei para minha consulta a assistente estava colando os adesivos novinhos em tudo quanto era coisa e achei que ela era um pouco obsessiva compulsiva, mas depois entendi.
Começo meu tratamento na semana que vem. Fora isso, o dentista me recomendou mais "gentileza" para escover meus dentes porque aparentemente ando exagerando na esfregação e empurrando a gengiva. Fez também um orçamento extra para um extreme makeover nos dentes da frente, com porcelana. Mas as cifras são um pouco exorbitantes para o momento. Oh well, mais tarde penso nisso.
Say cheese!
junho 14, 2005
Domestic Cheater
Querido diário, estou aqui para registrar meu mais recente record, já que hoje eu acabei de passar:
1 capa de edredon king-size de algodão
1 capa de edredon king-size de puro linho
(note to self: nunca mais nesta vida deixar Mr.M escolher e comprar nada de puro linho, principalmente nada que meça mais de 2 metros de comprimento, a não ser que o mesmo se proponha a passar todas as vezes)
1 lençol de cobrir king-size de algodão
2 fronhas Oxford de algodão
2 fronhas de puro linho
2 cortinas de linho
2 cortinas de organza
Esta foi o meu momento de maior interatividade com a tábua de passar e seu digníssimo ferro a vapor, em toda minha vida doméstica. Lavei os lençóis de baixo, aqueles com elásticos na ponta para colocar no colchão, mas estes eu não passo porque faço parte daquela religião que não acredita em passar lençóis de baixo que vão amassar de qualquer forma. A mesma religião que acredita que não se deve passar camisetas durante o inverno, já que ninguém as vê por baixo de toneladas de blusas e casaco.
Com toda essa minha religiosidade, restrinjo-me a passar apenas as camisas sociais de Mr.M e algumas calças. O resto, sempre que possível, têm a marca iron-free ou easy-to-iron nas etiquetas e pouco (ou nada) me preocupo. Portanto, a conquista de hoje é muito maior do que minha média de passação anual.
Ufffff. Vou agora sentar um pouco e elocubrar sobre a conjectura do mundo moderno e seu reflexo na absolvição de Michael Jackson.
Nah, vou comer bolo assistindo a Countdown.
:o)
junho 13, 2005
Aid to the Poor
Em seu discurso, o próximo Primeiro Ministro britânico, Gordon Brown, declarou que agora é a hora da ousadia. Chegou a hora dos oito países mais ricos do mundo fazer um plano para aliviar a miséria que assola o mundo.
Deixando de lado todo aquele cético blablablá que é obrigação moral, que não vai adiantar nada, que os corruptos é que vão encher o bolso, que já é tarde demais, que os pobres vão ficar é folgados e coisa e tal, não há como negar que é um imenso marco na história do mundo moderno. Nunca em nenhum outro momento da história houve um acordo para que a dívida externa de 18 países fosse apagada do caderninho de fiado do FMI.
E também não há como negar que atitudes individuais, aquelas que começam apenas com uma vontade, podem tomar formas definidas e chegar aos grandes escalões que fazem as mudanças acontecerem. Estou me referindo às organizações como o DATA, de Bono Vox; Live 8, de Bob Geldof e Midge Ure; Make Poverty History, ActionAid, Oxfam, Fair Trade entre muitos outros que não apenas pediam dinheiro, mas que enchiam os ouvidos dos governantes, que insistiam a todos a fazerem o mesmo, que faziam discursos inflamados em qualquer ocasião, mostrando que uma ferida tão grande no mundo não pode ser curada com um simples Band-Aid, mas sim com tratamento intensivo e constante.
Mesmo que essa negociação não seja perfeita, mesmo que haja desvios e mesmo que estejamos há milhas de distância da cura para a miséria, ainda assim é indiscutível que uma ação dessas é louvável. Não porque os países do G8 são bonzinhos ou desinteressados monetariamente, longe disso, mas porque há seres humanos que vão sentir o alívio da dor excruciante que a fome provoca, há seres humanos que vão poder morrer dignamente, ainda que pela AIDS. E seja em qualquer ação imperfeita, atitude incompleta, remediamento errado, salvar uma vida ou aliviar uma dor vai sempre valer a pena.
Tony Blair e Gordon Brown são os grandes líderes dessa negociação e da parte dos que moram aqui no Reino Unido é hora de prestar atenção e exigir que eles façam bem a parte deles em tudo isso. Se eles têm o poder, cabem aos que os colocaram no cargo exigir que façam bom uso dele. E pelo menos isso eu admiro nos britânicos, que embora não percebam, participam mais ativamente na política de sua nação do que eu sequer imaginava.
Well done, Brits.
junho 12, 2005
O Namorado
Lembrei da data logo pela manhã, quando mudei o dia no calendário de bloquinhos. Lembrei também do nosso primeiro Dia dos Namorados quando eu estava no Brasil, ainda trabalhando e tentando to meet the ends e Martin estava aqui na Inglaterra, nós dois separados por um oceano inteiro de distância, sem saber ao certo o que faríamos, para onde iríamos, o que seríamos.
E me lembro que meu dia estava sendo um daqueles que poderiam ser pulados, que meu cansaço já excedia meu pobre corpo. E concentrada em que eu estava fazendo meu trabalho, atendi ao telefone sem muito ânimo e ouvi: "Flores pra você na recepção do prédio". De boca aberta entrei no elevador e desci os doze andares, ainda meio confusa. E de boca aberta fiquei, junto com os olhos arregalados quando vi o tamanho do imenso buquê de flores brancas e rosas e azuis que foi me entregue. Subi de volta com o buquê que mal cabia nos meus braços e abri o bilhetinho ali dentro do elevador. "For my Little Fox, happy Dia dos Namorados. From Martin." Aawwww...
Outras datas vieram e se foram, mas eu nunca me esqueço da emoção daquela supresa completamente inesperada, da sensação de acolhimento, da certeza de que fazíamos tanto sentido juntos.
Meu namorado virou meu noivo, que virou meu marido. E não, não somos eternos namoradinhos que se alimentam de amor e suspiros sugar-free. Somos um casal com suas neuras, suas responsabilidades, suas crises, suas diferenças, suas desigualdades, suas incertezas, suas batalhas, suas esperanças, seus sonhos, sua realidade. E um companheirismo sem tamanho. Um bom-humor mútuo sem parâmetros ou hora para terminar. E um comprometimento intenso por nossa pequena família que só a nós cabe.
A melhor parte do nosso namoro foi decidir fazer o upgrade.
:o)
junho 11, 2005
A Rush and a Push
They said:
'There's too much caffeine
In your bloodstream
And a lack of real spice
In your life'
I said:
'Leave me alone
Because I'm alright' "
Este é Morrisey, senhores do conselho.
junho 7, 2005
Gordon Ramsay's Kitchen Nightmares
Gordon Ramsay é um dos chefs britânicos mais respeitados do arquipélago, ostentador de nada menos que sete Michelin Stars e dono do restaurante mais badalado de Londres, no prestigiadíssimo hotel Claridge.
Além de sua indubitável eficiência gastronômica, Ramsay é também famoso por seu perfeccionismo extremo e feroz atitude com seu staff. De cada cinco de suas palavras, três são palavrões. Ele não dá moleza, xinga mesmo, olha nos olhos sem medo e diz na cara de quem precisa os mais diversos palavreados ofensivos possíveis.
Mal-educado? Desrespeitoso? Boca-suja? Antes de ver qualquer programa com ele, eu achava que certamente ele era um babaca, que ninguém xinga desse jeito a troco de nada. Eis que no ano passado assisti pela primeira vez a um programa com Ramsay, no Channel 4. E eis que este ano o mesmo canal fez mais uma série desse programa e não tenho mais nenhuma dúvida de que estava redondamente enganada. Gordon Ramsay é fantástico.
No programa Gordon Ramsay's Kitchen Nightmares, o chef visita restaurantes à beira do abismo, às portas da falência e, em duas semanas, estuda o que há de errado, ensina desde os donos do restaurantes, até os garçons, gerentes e chefs de cozinha o que precisa ser feito para trazer o restaurante de volta aos trilhos.
E hell, ele sabe o que faz. E sabe o que fala. E nenhum dos seus palavrões soam errados ou fora de lugar. Mas absolutamente coerentes. Quando vê que há alguma comida sendo feita porcamente e requentada no microondas, Ramsay não faz rodeios com a equipe da cozinha. Ele aponta pro prato e diz: "This is fucking bullshit". E se vê algum ajudante de cozinha fazendo corpo mole e dando muitas desculpas para não trabalhar, na hora ele encara o fulano e manda: "Get your fucking arse moving or fuck off". Mas toda essa gentileza de sua parte não vem de graça. Ramsay ouve o que cada um da equipe tem a dizer, o que tem a reclamar. E explica, ensina, conversa francamente, mostra que são capazes, mostra que são bons profissionais e que precisam ter paixão pelo que faz ou estão perdendo o tempo deles, do restaurante e dos clientes.
Muitos restaurantes encontram seu caminho de volta e fincam suas raízes no mercado, depois do intenso treinamento com Ramsay. Outros partem para o "vou fazer do meu jeito e provar que o Gordon estava errado" e dançam fenomenalmente, fechando as portas para sempre.
De qualquer forma, para nós telespectadores, tudo é eletrizante e fascinante porque afinal não é nosso arse que está na reta. E é impressionante como os pequenos restaurantes, com donos mais humildes, ouvem atentos todos os conselhos, seguem a risca e se dão bem. Outros maiores, que carregam uma certa carga de orgulho ferido, geralmente batem de frente com Ramsay, xingam de volta, não aprendem nada e preferem seguir no caminho direto ao abismo. É triste e nós ficamos no sofá indignados. Mas são esses conflitos e essas atitudes inesperadas que fazem o que aqui chamamos de "good TV".
Tão "good TV" que Gordon Ramsay foi convidado no ano passado a fazer um programa similar nos EUA. Mas o programa foi todo dirigido para que Gordon gritasse mais, xingasse mais, fizesse o inferno com um staff escolhido, numa espécie de "reality show" na cozinha. E como qualquer programa britânico que é reproduzido nos EUA, eles nunca entendem qual é o ponto...
:o)
junho 5, 2005
E a idade avança...
Você sabe que já está ficando pra lá de gagá quando no meio do preparo de um molho de tomate com pimentão assado vê que o marido bretão deixou um quarto de um tomate sobrando na tábua. Com dó de jogar fora, você coloca o pedaço de tomate na sua boca e começa a tirar a pele do pimentão assado com muito cuidado. E então quando o último pedacinho de pele do pimentão se solta você percebe que ainda não mastigou o tomate que está na sua boca!
Uma coisa de cada vez, se me faz o favor.
Pelo menos eu ainda consigo digitar sem babar. Apenas uma questão de tempo, eu sei.
Domingo em Pijamas
Ainda chove. Pára e volta. Mas chove.
Meu nariz continua coçando. Acho que sei o que foi. Na sexta-feira o jardineiro do prédio veio finalmente cortar a grama do jardim da frente e do fundo. E a grama estava alta, cheia de mini-margaridas e weed. E as janelas do apartamento estavam escancaradas. Deve ter entrado uma nuvem de pólen aqui dentro. E mesmo passando o aspirador, alguns pólens engraçadinhos devem ter ficado escondidos prontos para pularem em mim.
Mas estou muito bem, na verdade. Nada que se compare a hayfever que Mr.M sofre, quando fica com os olhos lacrimejando, espirrando sem parar e zonzo de anti-histamínicos. Até agora ele está imune, ainda bem.
Ontem não fizemos muita coisa. E hoje parece que não vai ser muito diferente. Quase meio-dia e ainda estou no meu mais querido pijama. Adoro tomar café da manhã com capuccinno, pão com manteiga e pijama. Sem pressa, sem planos.
Mas minha preguiça tem hora para terminar. Daqui a pouquinho Mr.M vai estar me arrastando para caminhar em algum canto, com chuva ou sem. Pronto, mal escrevi estas linhas e tá ele aqui do lado abrindo a janela para verificar as nuvens e dizendo "we need to go somewhere".
E eu só quero ir ali comprar um jornalzinho porque nenhum jornal que se preza faz assinaturas dominicais, que era o que eu sempre quis na vida. Ter jornal na porta só aos domingos, ai ai. Assim eu poderia ficar de pijama até a hora de dormir. Porque sou a única que pensa nessas idéias neste mundo??
junho 3, 2005
Advinhe quem chegou...
Ontem passei o dia todo com a sensação de não ter nariz.
Normalmente sinto que tenho apenas meio nariz por causa do desvio de sépto que tenho. Respiro só por um lado.
Mas ontem nada. Tudo bloqueado. Sem muco, mas a sensação de inchaço, de trancamento.
Hoje, espirros. Coceira. Assoando o nariz. Espirros.
Sim, eis que ela chega. Devagar e folgada.
Hayfever.
Blé.
Nem tudo nesta primavera são flores. Metade dela são pólens.
Update: só porque eu reclamei agora está caindo o maior pé d'água de todos os tempos, lavando o ar dos pólens. Ufa. Aliás é uma delícia voltar a ouvir a chuva lavando a janela. :o)
junho 2, 2005
Pensamentos vazios de uma manhã fria
Desde às 06h50 estou acordada, vestida e alerta. Estou esperando uma entrega que deve ser feita esta manhã e, se eu não levantasse da cama logo que Mr.M saísse pro trabalho, ia cair no sono de novo.
E ontem fiquei acordada até a meia-noite assistindo ao último capítulo de Desperate Housewives. Não foi uma série que acompanhei com muito entusiasmo, muitas vezes nem liguei de perder um ou outro capítulo. Mas o season finale foi muito bom e cheio de ganchos para a próxima temporada.
Hoje termina a trocentésima temporada de ER e eu que não assisti a nenhum episódio dessa nova fase devo ver este de hoje porque chama-se "Goodbye Dr. Carter", o último dos médicos da primeiríssima temporada a sair da série.
A quarta temporada de Sm@llville também está quase acabando, faltam apenas três episódios para encerrar e eu não sei o que vai ser da minha vida depois disso. Somebody saaaaave me.
Estamos em plena redecoração do nosso studio que agora está virando um também um quarto de hóspedes decente. Com isso nossa sala de estar está cheia de coisas pelo chão que a gente não sabe onde colocar. Mas está ficando bem legal.
Ontem fiz o tal gratinado de batatas e espinafre com creme mascarpone. Muito bom. E fácil: cozinha a batata, cozinha o espinafre, junta os dois, adiciona o creme mascarpone e o creme de leite, parmesão por cima e forno.
Estamos sem câmera de novo. Pela segunda vez ela foi pro conserto, desta vez porque o botão parou de focalizar. E agora a garantia já está vencida e temos que pagar pelo conserto, que não é nada barato.
É junho, hooray!! Meu aniversário de 32 anos está se aproximando, hooray hooray!! É estranho muitas vezes relacionar meu aniversário com o verão. Estava tão acostumada a ter meu aniversário morrendo de frio, bebendo vinho com meus amigos. Hoje passo meu aniversário em pleno calorão, com luz do sol até as nove e meia da noite, bebendo vinho com Martin.
zzZZzZzzZzzzzz....
