A Novela
Por mais que se tenha um cuidado de preservar a vida privada, por mais que no começo a intenção é só dar notícias aos "mais próximos", por mais que o conteúdo seja mais "jornalístico" e informativo, praticamente nenhum blog está imune de se tornar uma novela.
Porque a essência de um diário persiste, perfura a fina película de segurança e se aventura publicamente num emaranhado de acontecimentos inevitáveis da vida.
Não que isso seja ruim, don't get me wrong, mas é indiscutível que cada leitor de blog, como eu, gosta de ler, interagir, saber um pouco mais de quem ali alimenta a história real contínua. E a coisa boa disso tudo é encontrar assim de graça, uma leva de pessoas fenomenais, interessantes, divertidas, adoráveis, que estão ali sempre para tirar um sarro, discordar, refletir, questionar, contar a própria história.
Porém, se existe algo que torna qualquer novela, romance ou conto ainda mais excitante é o conflito. Não existe nada que prenda mais a atenção de um leitor do que o ápice de um conflito, onde tudo desaba ao redor, onde a ordem se perde e aquilo o que era certo já não existe mais. Quando o personagem fica despido de tudo, se desespera, se dobra em dois e cai de joelhos.
Qualquer história, qualquer ficção que se preze, não é nada mais que uma sucesão de conflitos. Se um personagem é feliz e satisfeito do começo ao fim, não existe história, nem publicação, nem leitores interessados no livro. E é aí é que entra a grande diferença.
Um blog não é uma ficção. Parece óbvio, mas acredite, há muitos por aí que ainda não aceitaram o conceito. Há muitos que esperam pelo conflito, torcem por isso até, ousaria a dizer. Há muitos que se incomodam que todo dia é o mesmo café com leite, pão com manteiga. Há muitos que aliás, odeiam abrir um blog e ler ali que tudo continua ensolarado, florido e perfumado. Odeiam, têm enjôos e calafrios. Não estou me referindo às saudáveis discussões, às trocas de opiniões opostas ou às críticas. Me refiro àqueles que têm repugnância do estilo de vida e do irritante sorriso do rosto alheio. Por que esses muitos continuam a abrir os mesmos blogs que odeiam é uma questão de um milhão de dólares, que jamais entenderemos.
Mas há. Eles existem. Desgostam tanto que tentam criar os conflitos por conta própria, em tom de discórdia, de autoritarismo, de rancor e de toda amargura que possuem. A felicidade alheia incomoda. Feito um espelho que reflete o que falta em suas próprias vidas, de uma forma ou de outra. E no desespero de se livrar desse incômodo tentam quebrar o espelho em cacos pequenos. Atacam como se pudessem mudar o rumo da história do personagem. Mudar não pelo bem do personagem em questão, mas mudar para o seu próprio conforto, para sentir que o que faz da vida é certo se todos fizerem exatamente igual. Ou então afirmar que se alguém tem uma vida pior do que a sua própria, então a não é tão ruim assim.
Se esquecem porém, que o protagonista de um blog é também o seu escritor. E um escritor que não escreve para o seu público, mas para si, de si próprio, egocentricamente como todo diário o é. Cabe a quem lê e desgosta fechar e procurar outro na estante tão vasta.
Mas esta não parece ser a opção, sabe-se lá a razão de tal fascínio masoquista. E após uma certa quantidade de ataques gratuitos, mesmo fazendo uso incansável da tecla "delete", mesmo bloqueando IPs, mesmo fingindo ignorar, quem escreve acaba partindo para um fatídico capítulo em que a felicidade fica do lado de fora.
"Felicidade protegida", torna-se o mote de cada post a partir desse capítulo. Nada de planos, nada de empolgações exageradas, nada de muitos confetes. E infelizmente, em quatro anos blogando, percebi que não apenas o meu, mas dezenas de fantásticos blogs que há muito tempo acompanho também já entraram no capítulo "happiness-free". O que é uma grande pena porque eu curtia muito ler como cada um retratava sua própria vida e agora eles vêm com esse lacre de proteção.
Praticamente todos passam pelo mesmo processo de primeiro argumentar, depois insistir, depois ignorar e por fim simplesmente decidem não escrever nada que realmente seja pessoal, importante, empolgante, fascinante só para poupar de ver as pedras voarem. Porque cansa. Chega uma hora que cansa. E a novela se encerra.
Complementando: pessoas do bem, obrigada pelos comentários todos. Não estava me referindo a este blog, mas todos os blogs que eu leio e que parecem seguirem a mesma linha de proteção. Ninguém quer ser alvo de ataques sobre algo que preza muito. Não é mais a questão de deixar "eles" vencerem ou perderem, é simplesmente falta de paciência mesmo, querer preservar o que no final das contas importa para cada um de nós que escreve. Deve ser o preço da popularidade, hohoho. Me aguardem na próxima Caras! Até onde eu sei, este blog continua. Sente aí que a água pro chá tá fervendo. :o)

Isabella said:
Oi Marcinha,
Nossa, só agora li esse post e confesso que mesmo eu não tendo blog, já vi alguns que leio serem alvos desse tipo de gente, que sinceramente, não consigo entender... E aí é exatamente o que vc falou, primeiro a pessoa argumenta, depois tenta ignorar e depois acaba mudando a sua maneira de escrever no blog... é uma pena, mas eu, me colocando no lugar de vocês blogueiras, imagino que deva ser muito chato.
Que raios passa pela cabeça de uma pessoa, que detesta um blog e continua a abrí-lo todos os dias para deixar desaforos?!?! NUNCA vou entender esse tipo de comportamento...
Bom, eu amo o seu blog. Adoro o jeito que você escreve (acho que vc escreve muito bem), gosto da sua maneira de ver a vida e esse seu cantinho é como se fosse meu livro. *Ü*
Desejo que você continue a escrevê-lo como sempre escreveu.
Beijokas de quem virou fã do seu blog, Isabella
paola said:
Oi Márcia,
eu entendo o que vc quer dizer. Eu mesma comecei uma homepage há algum tempo atrás e parei pq ficou muito pessoal e as pessoas comecaram a espalhar o endereco e entrei em panico.
Eu conheci seu blog no link da Maria fabiani. Logo eu fiquei viciada , pois eu tb vim morar na europa, em um país frio, e tive identificacao imediata com sua experiencia. Apesar de nao te conhecer, sempre senti como um bate papo gostoso de amiga, contando suas coisas. Voltei no tempo e li quase o blog todo. Sua estória é muito bonita e romantica. E me deu forca à beca. É verdade que a gente sente como vc é feliz. Torco por vc. Espero que nao fique triste por mudar a linha do blog, mas acho que vc deve pensar no seu bem estar mesmo.
Felicidades e obrigada pelo apoio "involuntário"!
Beijos,
Paola
Cacá said:
Nós, meninas do Bóbis, somos pobrinhas de audiência então é difícil ter este tipo de problema.
No caso do A Vida Escrita a Mão, o mais legal dele é exatamente isso: um cotidiano calmo, agradável, que faz com que sua autora tenha atentos e doces olhos para tudo o que a cerca.
Espero que continue sempre assim, nesta felicidade "irritante" ah ah ah ah!!!
Marycota said:
Ma...
É, o meu blog, que agora também é do Jorge, se tornou algo mais aberto e pra descontrair. Exatamente pelo que vc falou: as pessoas ficam esperando nossas fraquezas, cheguei até a ser analisada por uma psiquiatra, que deixava comentários e não deixava e-mail, alegando que não podia deixar e-mails do trabalho. Fui obrigada a retirar os comentarios por um tempo. Depois, por conta do divórcio, fui perseguida por simpatizantes do ex. Acabei fechando por um tempo. Mudei de endereço SIM, está num diretório FECHADO COM SENHA. Lê quem eu quero que leia o que eu tenho pra dizer de coração aberto. São pouquissimas pessoas. Mas elas lêem. Eu já pensei em voltar o K&P pra esse lado. Mas desisto. Cansei de "dar ouro pra bandido". A gente precisa MUITO se preservar.
Beijos querida, for both of you! :)
Marie said:
Marcinha:
Vc vai mesmo deixar que eles nos vençam???
Pense.
Beijo!
Vellouria said:
"De tudo fica um pouco".
Um pouco de você também fica no meu coração.
E, pela felicidade que te desejo, pelo tempo que te acompanho, é que não me sinto digna de te criticar por sua decisão. Faça o que for melhor, pois, apesar da sua vida ser 'pública', ela só o é enquanto você permitir.
Se isso te incomoda ou está atrapalhando, se pessoas invejosas te prejudicam com pensamentos ou atitudes, melhor deixar claro que a vida ainda lhe permence. Chega uma hora que é preciso impor limites.
Quem te lê, se sente amigo. Mas algumas pessoas não entendem que a recíproca não pode ser verdadeira!! Nós te conhcemos e não o contrário.
Te desejo sorte, independetemente.
Te desejo muita sorte.
E te agradeço por fazer, de alguma forma, parte da minha vida. Isso sempre foi muito importante pra mim.
Nina said:
Olhe, não pare! Adoro vir aqui e ler as suas histórias. Nunca comento porque acho que não tenho intimidade com você pra isso, mas leio sempre que posso.
Não sei como alguém pode implicar com seus textos. Realmente deve ser falta do que fazer.
:)
Mauro said:
É um saco isso né? Desanima mesmo. :-|
Fee said:
É uma pena que a infelicidade das pessoas acabem afetando a vida de tantas outras. O seu canto é tão especial. Eu tenho uma mania de não querer ler blogs de pessoas com as quais não me envolvo mais ... uhm ... digamos que além da leitura diária (por isso que os blogs que sempre visitam são de pessoas que já conheço há tempos e de quem eu me considero "amiga") mas por mais que eu repita para mim mesma "não lê esse blog, não é para vc", eu não consigo parar de te visitar, simplesmente pq seus posts transmitem paz, um sentimento acolhedor, se eu for falar em cores e cheiros, eu vejo o seu blog como um canto azul cheio de nuvens com o leve aroma de flor de cravo no ar. É uma pena, eu repito, que por causa da infelicidade dos outros vc tenha que podar o seu cantinho, mas eu respeito e entendo assim como qualquer outro leitor que apesar de não te conhecer já virou seu "fã".
Bjoks (se eu não fiz sentido, por favor me avise ;o) )
Ana said:
Marcia,
Acho que sou capaz de entender como você se sente, já tive um blog também. No entanto, acho que o A Vida Escrita a Mão é cativante por ser um espaço singelo e feliz, atributos a que algumas pessoas não estão acostumadas e, talvez por isso, se sintam tão incomodadas.
Não permita que a inveja e infelicidade de alguns nos impeçam de ler o que uma alma tão linda e delicada como a tua tem para nos oferecer.
Um beijo e o carinho de uma leitora assídua, mas que raramente comenta,
telinha said:
oh, my.
Karenin said:
Marcinha, faço coro à Mary e CLAPCLAPCLAPCLAP, com direito a urros de BRAVO! Eu já conversei muito sobre essa questão em mails, MSN e afins. Eu sempre mantive uma certa privacidade sobre mim e minha vida, porque jsutamente acho o blog assim, público demais. No entanto, se vale, confeso que muitas vezes me perguntei,mesmo j'a tendo esse caráter umpouco mais distante, mais impessoal, se deveria escrever o que queria ou não. Sempre chego à conclusão de que sim. Porque a bem da verdade, eu não estou muito aí para pancadas de chuva e trovoadas. Mas sim, me espanta emcomo as pessoas levam muita coisa no pessoal, levantam bandeiras e investem o próprio tempo em cruzadas, um caça às bruxas. Tenho pena dessa gente, muita pena. POrque uma discussão sadia é o melhor desse mundo, ao meu ver, agora uma espinafrada de totalitarismo, como muito se vê por aí, é tâo triste, mostra o lado mais pequeno da nossa humanidade. E que vc continue com a sua casa sempre assim, aconchegante. Aliás, se tem uma casa que deveria levar rótulo de bed & breakfast 5 estrelas, 'e a sua. Porque é aconchegante, a gente se instala, fala de visitas, de comida, de passeios e fica numa boa... Brigadim pela hospedagem. Beijocas,
alinE said:
Márcia,
Como alguém já escreveu, espero que esses infelizes não atrapalhem a paz que reina aqui no seu canto...é tão aconchegante vir aqui ler sua vida simples e feliz! Você fala do chazinho com pão, bolo...Dá uma sensação boa daquela conversa gostosa na cozinha ou na mesa do café da tarde...entre pessoas queridas.Não faça o que eles querem...Eles não merecem...Tenha certeza que a gde maioria te admira e torce por vc! Como as pessoas são diferentes entre si, não é mesmo?! Para mim, a sua felicidade só me mostrou que eu tb posso encarar a vida de um jeito mais feliz..Como os aparelhos auditivos...Eu resolvi testá-los, dar mais uma chance, pq vc me mostrou que pode dar certo se tiver energia boa! Veja por esse lado, sua felicidade trouxe muito mais o "bem" do que o "mau"! Espero que minhas palavras ajudem a afastar essa energia negativa que essas pessoas espalharam...Beijos e boa sorte!
Sarah said:
Oi Marcia, nem sempre comento..mas estou sempre por aqui lendo teu blog. Gosto da maneira como escreve.
Eu adotei um pseudônimo e não escrevo nomes de pessoas próximas. Infelizmente perde um pouco de personalidade :O(
Espero que seu blog não se encerre.
Beijos
e-beth said:
a minha opção, pela enésima vez, foi mudar de endereço. dou a quem eu quero que leia, tiro dos robots de busca, e continuo escrevendo o que me dá na telha, sem me preocupar (tanto) com quem está lendo. sei bem como é essa sensação de estar sendo vigiado. não é bom. :-*
Marcia de Souza said:
Sim Marcinha, tem muito blog por ai que parece mesmo uma novela mexicana. As vezes me questiono qual a intencao do dono do blog para que seja assim. Nao me incomodo de ler blogs onde as coisas continuam na mesma, ate acho bom.
Eu sou uma pessoa que hesita em colocar muita coisa sobre a minha vida pessoal no blog, pois ja tive problemas com isso, mas as vezes sinto que nao encontrei o equilibrio certo no meu blog. Como nao quero transformar meu blog num rosario de reclamacoes de onde eu estou, tento me conter. Sinto minha falta de envolvimento emocional as vezes, mas e algo que eu nao consigo evitar. Quando entro aqui, nao espero encontrar grandes arroubos, acontecimentos etc, apenas quero ler sobre seu dia a dia da maneira singela como voce sempre faz. Bjs (espero que esse comentario faca sentido, dormi muito pouco na noite passada e preciso descansar para o cerebro funcionar a todo vapor).
Mauricéia said:
Marcinha essas pessoas como tu tão bem escreveu são uns infelizes, amargos com a vida e como sempre eu digo, com muito tempo de sobra pra ficar incomodando pessoas legais como tu.
Não fique assim, pois dessa forma tu vais fazer exatamente o que eles querem, te atingir.
Beijos e fique firme, nós que gostamos tanto de ti estaremos sempre te mandando energia positiva.
Beijokas.
Mary said:
O que dizer? me resta apenas bater palmas, *CLAP* *CLAP* *CLAP* *CLAP*. E dizer que concordo com tudo o que vocë escreveu, querida, com a beleza de sempre. Também me sinto horrivelmente tolhida. E, muitas vezes desisto de escrever algo mais íntimo (ou melhor, menos público) no Montanha exatamente por temer a saraivada de pedras. E a felicidade incomoda sim. pode crer. Um beijo procê e conte sempre comigo.