outubro 29, 2005
FELIZ ANIVERSÁRIO, MÃE!

Hoje é aniversário da minha querida mommy, Dona Wal.
Êêêêê!! Parabéns, mãe! Muitos beijos!!!
outubro 24, 2005
Muddy Paws
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Nosso final de semana foi divertido, porém cheio de lama. Depois de caminhar/escalar seis quilômetros em Swanage com chuva indo e vindo, voltamos pra casa com as botas e as canelas completamente cheias de barro, folhas, galhos e pedras.
O ponto alto foi que pela primeiríssima vez vi uma raposa! Linda, grande, bem vermelha, rabo fofinho. Atravessou na nossa frente, parou, olhou pra trás e entrou na floresta. Bem bacana.
E então descobrimos que nossa câmera estava com a bateria descarregada. Oh well. Vimos paisagens bucólicas lindas, comemos sandubas naturebas, depois caminhamos até um animal santuary, onde muitos animais que são resgatados ficam ali esperando um novo lar. Vontade de adotar todos.
Pegamos nossa caminho de volta, mas desta vez morro acima, depois morro abaixo. Uff.
Antes de chegar em casa, no entanto, tivemos que passar no Sainsbury's de Poole pra comprar pão, leite e queijo. Martin, que é precavido e troca as botas pelo tênis para dirigir, não teve problema nenhum. Já eu fui deixando minhas pegadas por todo supermercado, feito cachorro desatento.
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outubro 22, 2005
Sim
Fui assaltada três vezes em São Paulo, uma delas com um revólver na minha nuca. Meu pai já foi violentado agressivamente por ladrões armados. Meus irmãos também foram vítimas dessa criminalidade. Meu primo foi vítima de um seqüestro relâmpago. E tantas outras histórias, que nos afetaram diretamente. Em nenhum dos casos consigo imaginar que uma arma teria ajudado ou evitado tais assaltos. Em nenhum momento imaginei que o desarmamento mudaria esses acontecimentos.
Eu não acredito em auto-defesa armada, não acredito em justiça pelas próprias mãos. O que eu acredito é que ter uma arma é ter a intenção de usá-la. Pra gerar medo, coibir, ameaçar, atirar, acabar com uma vida. Não só do ladrão, mas da esposa, do filho, do genro, do vizinho, do estúpido motorista no trânsito e do inocente leiteiro. O que eu espero é que as mudanças comecem pela educação, condições de vida, emprego, moradia, dignidade. Para que a necessidade de usar uma arma cesse, antes de mais nada. O que eu espero é que essa distração de referendo não embace a vista da nação para o que realmente importa.
A Telinha publicou e eu reproduzo aqui o que Drummond há muito tempo já dizia.
A Morte do Leiteiro
Carlos Drummond de Andrade
a Cyro Novaes
"Há pouco leite no país,
é preciso entregá-lo cedo.
Há muita sede no país,
é preciso entregá-lo cedo.
Há no país uma legenda,
que ladrão se mata com tiro.
Então o moço que é leiteiro
de madrugada com sua lata
sai correndo e distribuindo
leite bom para gente ruim.
Sua lata, suas garrafas
e seus sapatos de borracha
vão dizendo aos homens no sono
que alguém acordou cedinho
e veio do último subúrbio
trazer o leite mais frio
e mais alvo da melhor vaca
para todos criarem força
na luta brava da cidade.
Na mão a garrafa branca
não tem tempo de dizer
as coisas que lhe atribuo
nem o moço leiteiro ignaro,
morados na Rua Namur,
empregado no entreposto,
com 21 anos de idade,
sabe lá o que seja impulso
de humana compreensão.
E já que tem pressa, o corpo
vai deixando à beira das casas
uma apenas mercadoria.
E como a porta dos fundos
também escondesse gente
que aspira ao pouco de leite
disponível em nosso tempo,
avancemos por esse beco,
peguemos o corredor,
depositemos o litro...
Sem fazer barulho, é claro,
que barulho nada resolve.
Meu leiteiro tão sutil
de passo maneiro e leve,
antes desliza que marcha.
É certo que algum rumor
sempre se faz: passo errado,
vaso de flor no caminho,
cão latindo por princípio,
ou um gato quizilento.
E há sempre um senhor que acorda,
resmunga e torna a dormir.
Mas este acordou em pânico
(ladrões infestam o bairro),
não quis saber de mais nada.
O revólver da gaveta
saltou para sua mão.
Ladrão? se pega com tiro.
Os tiros na madrugada
liquidaram meu leiteiro.
Se era noivo, se era virgem,
se era alegre, se era bom,
não sei,
é tarde para saber.
Mas o homem perdeu o sono
de todo, e foge pra rua.
Meu Deus, matei um inocente.
Bala que mata gatuno
também serve pra furtar
a vida de nosso irmão.
Quem quiser que chame médico,
polícia não bota a mão
neste filho de meu pai.
Está salva a propriedade.
A noite geral prossegue,
a manhã custa a chegar,
mas o leiteiro
estatelado, ao relento,
perdeu a pressa que tinha.
Da garrafa estilhaçada,
no ladrilho já sereno
escorre uma coisa espessa
que é leite, sangue... não sei.
Por entre objetos confusos,
mal redimidos da noite,
duas cores se procuram,
suavemente se tocam,
amorosamente se enlaçam,
formando um terceiro tom
a que chamamos aurora."
outubro 20, 2005
Jamie and the Cabbage
Ontem começou a nova série do programa de Jamie Oliver. Desta vez sem projetos de caridade nem batalhas pra salvar as crianças do entupimento de artérias. Não, agora Jamie se mandou pra Itália com a desculpa de que precisa de um tempo. Não me engana, que eu não sou silly nem nada, aliás sou smartíssima e sei que o programa é nada mais que uma grande alavanca pra promover o novo livro de culinária do moço.
Mas mesmo assim não deixa de ser um programa ótimo, dei muitas risadas, principalmente porque a produção do programa não precisa se preocupar com nada, já que Jamie se encarrega de fazer tudo dar errado. Então ele está lá, por enquanto em Palermo, com um livro de italiano nas mãos, tentando explicar que ele é um chef londrino. Ninguém dá a mínima, reclamam que ele usa ervas demais, que não entende nada.
E Jamie já anda ainda mais arrepiado de ver que italianos não gostam de experimentar absolutamente nada novo ou estrangeiro e mesmo quando experimentam algo regional, ainda reclamam que não é igual o de suas mães. Diversão pura.
Agora entra o repolho, mais especificamente o savoy cabbage, que é esse repolho crespo, folhudo, verdão. (Péra só um pouquinho que tá passando o vídeo Creep, do Radiohead, na êmetivi). (Pronto). Outro dia estava vendo um antigo programa do Naked Chef, da época em que ele era só um moleque, e ele fez uma pasta em uns cinco minutos. Parecia ótima. E ele ainda disse que se você não gosta de repolho, vai comer a pasta e mudar de idéia. Hum, pensei comigo, eu não sou fã de repolho, Martin também não, mas savoy cabbage até que não é mal. Testei, fiz a receita e adorei. Facinha, saborosa, já fizemos duas vezes.
Não tenho as medidas porque o programa é da fase que Jamie fazia tudo na base do pukka-suppa-bit-of-this-bit-of-that. Mas é mais ou menos assim, faça a proporção que mais lhe apetecer:
Jamie's Cabbage and Bacon Pasta
1. Escolha algumas folhas de repolho crespo (use savoy cabbage, não pode ser outro, tem que ser esse), use tanto as folhas verdes quanto as brancas, retire os talos brancos do meio, corte em tiras finas, mais ou menos do mesmo tamanho da pasta, pra ficar fácil de comer. Reserve.
2. Corte mozzarela de búfala em cubinhos. Rale uma boa porção de parmesão, uma mão cheia pelo menos. Pique o alho. Reserve.
2. Cozinhe a pasta farfale (gravatinha).
3. Numa frigideira, frite bacon em cubinho no azeite. Quando estiver bem frito, adicione alho picadinho.
4. Junte o repolho e refogue. Abaixe o fogo, tampe a panela para o repolho cozinhar com o vapor.
5. Quando o repolho estiver numa cor bem verdinha, macia de comer mas ainda um tantinho crocante, retire do fogo. A maioria das pessoas que não gostam de repolho só experimentou o mesmo supercozido, molenga e amarelado. Adicione a pasta, os cubinhos de mozzarella de búfula, bastaaaaante parmesão ralado e misture tudo muito bem. Adicione algumas colheradas da água em que a pasta foi fervida para tudo ficar mais cremoso. Como diria o chef, beauthiful.
Já fiz sem o bacon, fica muito bom também e toneladas de vezes mais saudável. Aliás, sair para comprar um pé de savoy cabbage é excelente pra auto-estima da sua alimentação consciente. Porque a savoy é meio escandalosa, né? Aquela coisa abrindo, folhas grandes, verdes, verdonas, VERDE. Você ali prestes a comer um amontoado de vitaminas, fibras, nutrientes, tudo de bom e de melhor (ninguém precisa saber que você vai usar bacon, queijo e pasta também). Você ali na fila do caixa, segurando sua savoy feito um troféu, assobiando "we are the champions, my friend..." cumprimentando estranhos com um balanço de cabeça, feliz consigo mesma e a savoy ali verdona, pra confirmar tudo. Oh joy. Oh ordinary life.
No mais, ainda no que diz respeito ao Jamie Oliver, sua campanha Feed me Better, que chamou atenção para a podre dieta das crianças nas escolas, foi muito apoiada em todo o país e hoje o governo já baniu todo e qualquer tipo de junk food das cantinas. Foram pro lixo hamburgueres, nuggets, pizza e turkey twizzlers. Batata frita é só servida uma vez por semana, as máquinas que antes vendiam refri e doces agora vendem frutas e sucos. As verbas para alimentação escolar aumentaram e as serventes vão ter os salários ajustados para a nova demanda de preparar almoços mais saudáveis. Aos céticos, uma banana.
outubro 15, 2005
We Shall Not Panic. We Shall Not Panic. AAAAAAAAHHHHH!!!
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Acho que muitos de vocês acompanharam a notícia que o depósito da Aardman Animations em Avon foi totalmente destruído por um incêndio que reduziu às cinzas toda a criação de 30 anos da companhia.
Triste, sem dúvida, muitos storyboards originais, curta-metragens raros, cenários e principalmente personagens foram perdidos. Pedaços da história da Aardman que são irrecuperáveis.
No entanto, Nick Park, criador dos personagens que estava em turnê para promover o filme Wallace & Gromit: The Curse of Were-Rabbit quando o incêndio aconteceu, deu uma declaração muito sensível e filosófica à imprensa:
"É uma notícia terrível pra nossa companhia, mas em vista às atuais tragédias [terremoto no Paquistão e tornado Katrina], não foi na verdade grande coisa. Nós temos que olhar pra frente, continuar filmando e não ficarmos presos no passado."
Porém, obviamente nem todos são desapegados e coerentes como Nick Park e muitos não conseguem aceitar o curso dos acontecimentos. Ontem, assistindo a um dos meus programas favoritos Have I Got News For You, que comenta as principais manchetes da semana com bastante humor e sarcasmo, fiquei sabendo que o The Sun publicou várias fotos, na versão impressa do jornal, dos personagens da Aardman com o carimbo: morto. Morri de rir. Rocky & Ginger (Chicken Run): dead. Pickles Guide Dog (Creature Comforts): dead. Morphy & Chaz: dead. Terry the Octopus: dead.
Não se pode mesmo levar a sério um jornal desses. O dramalhão, o pânico, o horror. Como bem disse o apresentador do programa: "Sim, morreram e farão muita falta. Mas também podem ser refeitos num instante, so GET OVER IT!!"
Porém, ninguém tem dúvida de que o responsável pelo incêndio pode ser apenas ele: Evil Penguin, sempre ele.
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outubro 14, 2005
Exotic Gourmet Green Squash: Chuchu
Eu nunca gostei de chuchu. Nunca vi a menor graça no legume mais aguado do planeta. Aquele legume que no Brasil tem sempre alguém te oferecendo de baciada. Como o amigo do meu pai, que tinha pé de chuchu na horta e deixava um balde de chuchu no portão da nossa casa e ia embora sem nos dar a chance de dizer "não, obrigada". Uma vez até pensei em sair correndo atrás do carro dele com o balde de chuchu nas mãos, suando e gritando "não, obrigada! não, obrigaaaaaaada!!" Mas nunca o fiz porque tinha uma reputação (cof, cof) a preservar. E também porque, bem, era supergentil da parte dele. Na verdade, claro que os chuchus e todos os outros legumes que o tal amigo do meu pai deixava no portão eram sempre muito bem-vindos, principalmente pela minha mãe que adora chuchu. Eu é que nunca me animei com o tal leguminoso com cara de banguela.
Enfim, chuchu por todos os lados, sempre foi a lei. Mas não aqui, of course. Chuchu gosta de calor e sol, portanto tá ferrado e mal pago aqui. Não crescem, ninguém conhece, só vêm importado com assustadores nomes. Mas o que é que isso me importava se eu não gosto de chuchu?
Pois então. Certo dia li um post da Ana e outro post da Zel, ambas falando do famigerado chuchu. Pronto. Tô absoluta e completamente morta de vontade de comer chuchu. E exatamente do jeitinho que a Zel descreveu a salada maravilhosa que a mãe dela faz: chuchu e cebola sauteé com ovo cozido. O dia que uma dessas duas fizer um post dizendo que vão pular da ponte devo seguir também tamanha copycat desavergonhada que sou.
Passei dias vasculhando as prateleiras do Waitrose (nem em um milhão de anos vou encontrar chuchu no Asda) para ver se encontrava o tal Exotic Gourmet Green Squash, mas sem sorte. Até que hoje fomos na nossa tão querida lojinha indiana local e finalmente encontrei o tal objeto de desejo! Paguei quase trêrreal por um único chuchu tamanho médio, mas comprei. Só um porque Mr.M já declarou que não quer salada de chuchu não.
outubro 8, 2005
...and She's Dangerous
Este post não tem intenção de ser revival, mas vamlá. Vai ficar enorme.
Duas pessoas em minha vida foram meus grandes influenciadores no que diz respeito ao meu gosto musical. Meus dois irmãos, Júlio e Claudinei. Eles são respectivamente sete e seis anos mais velhos que eu.
Quando eu era uma pequena garotinha de 12 anos que -- god forgive me -- gostava de dançar Não Se Reprima, mesmo quando não estava vestida de colant rosa pós-aula de jazz (que segundo a Clau, era super cool, sub-zero, fazer Jazz na década de 80). Mesmo com essas tendências doentias, me juntava aos meus irmãos pra assistir Som Pop, na Band e FM TV, na Manchete (somos anciões ou o que??) todos-os-dias-sem-falta. E eu assistia tudo de olhão enorme, sem ter a menor idéia do que estavam cantando. E achava graça aquele moço de cabelão cantando "Mamma Mia, Mamma Mia, Mamma Mia let me go..." Hahaha, era engraçado e eu ficava repetindo "Mamma Mia, Mamma Mia" porque era o único trecho que eu sabia cantar. Na verdade acho que até hoje não sei cantar mais que isso em Bohemian Rhapsody.
No meu aniversário de 13 anos, porém, ganhei do Júlio uma fita cassete original. Kiss - I Love it Loud. Eu estava salva para sempre.
Meus pais, queridos que são, perceberam que os filhos eram mesmo fãs de música, seja lá o que andavam ouvindo, e compraram nosso primeiro aparelho estéreo Gradiente. E então abriram-se as portas para uma avalanche de diferentes ruídos em nossa casa.
Júlio começou a comprar álbuns que eu jamais tinha ouvido falar. The Smiths, foram um dos primeiros, se não me engano. Não lembro qual foi exatamente o primeirão que chegou em casa, mas The Queen is Dead foi certamente um dos primeiros. Echo & The Bunnymen não tardou a chegar com seu Songs to Learn and Sing. Jesus & the Mary Chain e sua microfonia inacreditavelmente doce em Just Like Honey. Desses, tivemos toda a coleção completa. Joy Division, U2, Everything But The Girl, The Police, Felt, entraram timidamente pela nossa porta da frente. Todos, se você ainda não notou, britânicos.
E então Claudinei um dia voltou pra casa com um álbum de The Cure - The Head on the Door. Lembro todos nós em casa ouvindo ao álbum quietos, de boca aberta. O que era aquilo? Nos tornamos grandes fãs e marcamos na memória quando fomos os quatro juntos ao show deles em São Paulo, o primeiro show que fui, aliás, ainda aos meus 14 anos. Já sabia as letras de cor e de trás pra frente. Sabia também a tradução, porque já tinha traduzido todas as letras com um dicionário de bolso (tempo abundava na época), que aliás explicam meu atual vocabulário e pronúncia em inglês.
A partir de Head on the Door, meus irmãos começaram a ter gostos distintos de música. Claudinei começou a me apresentar bandas, digamos, um tanto que condizentes ao meu então momento teenager. Em pouco tempo meu repertório preferido consistia em Never Mind the Bollocks (Sex Pistols), Pleasant Dreams (The Ramones), The Story of The Clash e principalmente infinitas doses de Dead Kennedys. Toquei tantas vezes o vinil branco de Fresh Fruit for Rotting Vegetables, que até hoje consigo cantar California Übber Ales. Aos quinze, não era tão fácil decorar tal letra:
"Knock knock at your front door
It’s the suede denim secret police
They have come for your uncool niece
Come quietly to the camp
You’d look nice as a drawstring lamp
Don’t you worry, it’s only a shower
For your clothes here’s a pretty flower
DIE on organic poison gas
Serpent’s egg’s already hatched
You will croak, you little clown
When you mess with President Brown
(...)"
Ahhh lovely little girl I was... Jackie, minha cunhada, que foi punk na hora certa e no lugar certo e fez careta de nojo pra Rainha Elizabeth II quando o pai deles foi condecorado, dá risada e não acredita quando canto Kill the Poor ou quando conto que eu e Claudinei fomos ao show the Toy Dolls.
Mais de vinte anos se passaram desde a época em que eu era ricamente influenciada pelo bom gosto dos meus irmãos, cada um com sua característica. Claudinei seguiu para o lado do punk-surf-rock, depois pro surf-rock, depois pro surf-surf (ele é excelente surfista, se é que não ficou claro) e eu não o acompanhei porque, well, no mar só sei catar conchinha. Júlio continuou por muito tempo a me apresentar bandas interessantíssimas, de Kraftwerk e Nick Cave à REM e Lou Reed. Ainda sinto muitas saudades dos álbuns dele e tento comprá-los em CD agora, mas não tem a mesma graça dos idos tempos das descobertas.
No entanto comecei a andar com minhas próprias pernas, com a vantagem que tinha o conhecimento suficiente para distinguir o que realmente me agradava ou o que era passageiro. Ou o que era total rubbish.
Todo esse discurso enorme surgiu de uma só vez em minha cabeça quando ontem Martin me deu de presente o American Idiot, a ópera de Green Day. Banda que eu gosto desde 1996, época do álbum Dookie. Banda que nenhum dos meus irmãos me apresentou, mas que de uma certa forma me faz lembrar dos dois, seus antigos álbuns, todos os shows assistidos, todas as revistas Bizz lidas em turnos, as noites ouvindo Lado B na 89FM, todos os arcordes que acostumei a gostar.
Na época em que morávamos juntos, meus irmãos eram minha MTV, meus iTunes. Da melhor qualidade. Um legado riquíssimo que carrego, que importa só a mim, que faz sentido só pra mim. Ouvir CDs para mim é como abrir um álbum de fotografias. Bons tempos, boas memórias, velhas histórias e cabelos ridículos.
Enfim, nas décadas que se passaram e eu e meus irmãos tomamos diferentes rumos na vida, muitas novas bandas vieram e passaram, outras ficaram. Mas apesar de ter experimentado novos sons, uma vez ou outra, continuo com o mesmo gosto pungente para o bom rock'n'roll e o expressivo punk-rock. Quem lê esse blog aqui pensa que eu curto música de elevador ou -- god forbid -- pop music, erra tão feio quanto imagina que essa é minha personalidade. Porque boazinha é a puta que pariu.
She's a saint
She's the salt of the earth
And she's dangerous..."

She's a Rebel - Green Day
Segundo Martin, my song.
outubro 3, 2005
Old Harry still Rocks
Ontem fizemos uma caminhada de oito quilômetros nas bordas dos belíssimos precipícios de Old Harry Rocks. Em algumas fotos dá para ter uma idéia do quanto a gente se aproximou do edge. Ventava muito forte. Diz a lenda que o Diabo adormeceu nessas rochas.
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