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maio 31, 2005

Anda, anda, anda

Dias de sol e Mr.M de folga.

Andamos muitas milhas neste feriado prolongado, cerca de três horas por dia, saindo de nossa casa, até o centro da cidade e a praia. Cansativo mas muito bom. A gente passa o caminho todo conversando sobre o tudo e sobre o nada, sonha e faz planos. Paramos de vez em quando para ver uma flor interessante num jardim ou um passarinho diferente cantando na árvore ou um esquilinho pedindo nozes. As idéias parecem encontrar lugares, o corpo cansado ganha mais energia.

Hoje devemos fazer algo diferente, visitar alguma cidade vizinha e andar por lá.

Temos usado o carro o mínimo possível nos finais de semana, geralmente usamos nossas pernas ou quando muito, transporte público. Melhor para nós, que nos movimentamos um pouco, melhor pro meio ambiente que fica livre dos poluentes do nosso carro, melhor pro carro que desgasta menos, melhor pro mundo todo que precisa parar com esse consumo desenfreado de combustível.

Off we go then.

Nota da autora: às minhas queridas visitas que estão para vir aqui não pensem que a gente obriga todo mundo à marchas forçadas, ok? Com as nossas visitas usamos o carro e levamos todos para todos os cantos com o maior prazer do mundo. :o)

Escrito a mão pela Marcia às 9:38 AM | mais em On the Road Again | Comente este capítulo (6)

maio 28, 2005

Pretty in Pink, isn't She?

Depois de longa espera, a Siemens finalmente entregou meus queridíssimos aparelhos, os primeiros pinkies do mundo! Hooray! São perfeitos, moderníssimos e alegres. Hoje de manhã abri a caixinha onde eles passam a noite e na hora me deu uma vontade de sorrir de vê-los ali tão coloridos! Mr.M tirou essas fotos abaixo especialmente para eu colocar aqui no blog. Ei-los:

Pinkies2.jpg
A concha é feita em plástico transparente e fosco, só o compartimento da bateria não pôde ser pink, mas gostei bastante do acabamento. Estava apreensiva de que fosse tudo feito às pressas e de má-vontade mas está tudo perfeitinho e a Siemens fez mesmo um grande trabalho!


Pinkies.jpg
Minhas amadas pequenas jóias. Tão preciosas que vão entrar numa das apólices do seguro da nossa casa.


Pinkies3.jpg
Nenhum piercing ou brinco me faria mais feliz!

Fizemos alguns ajustes e o médico diminuiu o volume de todas as freqüências do lado direito, que eu estava achando muito alto. E também adicionamos um programa especial para ouvir à TV e outras formas de sons artificiais e estou adorando. Preciso testar durante esta semana e ver se continuo ouvindo às vozes com o volume agora mais baixo. Se não, vou ter que voltar e ajustar as freqüências altas e baixas uma por uma, até acertar. É um processo normal, até que eu encontre o nível certo para minha necessidade. Mas pelo menos agora, já percebo uma grande diferença. Não mais tenho vontade de chorar cada vez que uma mulher de salto alto anda perto de mim com os sapatos martelando no chão e nos meus pobres ouvidos. E também assisto à TV naturalmente com Martin ao meu lado. Só preciso mesmo testar com vozes de outras pessoas. E como o Martin vai estar de mini-férias até quara-feira, vamos passar o máximo de tempo fora de casa para eu poder testar e perturbar todo mundo com perguntas para ver se eu as entendo. E também, obviamente, para desfilar com meus novíssimos pinkies! I'm so happy!

"Caroline laughs and
It's raining all day
She loves to be one of the girls
She lives in the place
In the side of our lives
Where nothing is
Ever put straight
She turns herself round
And she smiles and she says
'This is it'

'That's the end of the joke'
And loses herself
In her dreaming and sleep
And her lovers walk
Through in their coats

Pretty in pink
Isn't she?
Pretty in pink
Isn't she...?"

Pretty in Pink - Psychedelic Furs

:o)

Escrito a mão pela Marcia às 12:08 PM | mais em An ordinary life | Comente este capítulo (23)

maio 27, 2005

Butternut Squash Gnocchi

Gnocchi.jpg

Ontem testei a primeira receita do livro vegetariano que comprei. Ficou muito bom, um gostinho de outono, macio, levinho e cheiroso. Não fiz o molho de sage, como pedia a receita porque o tempo aqui está ensolarado e quente até tarde da noite e o gnocchi não precisava de mais nada por cima. Servi assim do jeitinho que aparece na foto, só a massa, queijo parmesão por cima e manjericão. Sem molho, sem nada e mesmo assim não faltou sabor. Na foto coloquei só uma porçãozinha ridícula no prato para vocês pensarem que eu como feito um passarinho e não como uma hiena no meio do açougue.

Adaptei a receita com a própria versão do nhoque que costumo fazer, porque acho que fica mais leve. E ficou muito boa.

Butternut Squash Gnocchi

350g de abóbora butternut descascada (no Brasil equivale à abóbora pescoçuda)
225g de batata descascada
1 gema (eu usei um ovo inteiro)
125g farinha de trigo (eu usei metade farinha e metade maizena)
sal e pimenta a gosto

Modo de Fazer:

1. Corte os legumes em cubos e coloque-os para cozinhar em água fervente. Deixe cozinhar por uns 15 minutos até ficarem macios. Vá ler uma revista enquanto isso.
2. Escorra bem a água e passe os legumes cozidos por um amassador de batatas.
3. Junte aos legumes o ovo, a farinha, meia colher de chá de sal e um pouco de pimenta. Misture bem, vai ficar um creme grosso pegajoso.
4. Coloque uma panela grande com água para ferver. Vá checar seu e-mail enquanto espera ferver. Quando começar a ferver coloque umas pitadas de sal.
5. Coloque a massa do gnocchi num saco de confeitar, ou se você for chique como eu, use um saco qualquer e corte a ponta. Eu usei um saco com fecho hermético (Zippy), para a massa não escapar.
6. Aperte o saco de confeitar sobre a água fervente e corte os pedacinhos com uma faca qualquer. Os gnocchis vão cair lá pro fundo da panela. Não encha a panela com muitos pedaços, faça em etapas.
7. Eles vão começar a flutuar na superfície. Deixe cozinhar por uns 4 ou 5 minutos, mexendo de vez em quando. Retire-os com uma escumadeira e passe-os para uma travesa.

Voilá!

Molho de Sage (não fiz, não sei se fica bom)

125g manteiga sem sal
folhas de sage frescas

Derreta a manteiga numa frigideira e junte as folhas de sage. Rapidamente adicione o gnocchi e cozinhe por 30 segundos. Sirva a seguir.

Serve 2 pessoas
Calorias por porção: 455 (com o tal molho)

Escrito a mão pela Marcia às 11:38 AM | mais em Food Talk | Comente este capítulo (9)

maio 26, 2005

Blooming

2Herbs.jpg

Lembram das sementes que eu havia plantado e em começo de Abril estavam brotando? Hoje são essas plantas grandes e fortes da foto acima que têm enfeitado e nos dado bons aromas na cozinha. A planta da esquerda é cayenne pepper que está começando a dar os primeiros frutinhos e da direita é o famoso manjericão, já muito usado e abusado. O coentro não entrou na foto porque desembestou-se a dar flores e mais flores, já cortei um monte, mas ele insiste em ser um vaso de flores ao invés de ervas para cozinhar. Entendo que seja primavera e tal, mas o coentro aparecido foi comprado com outra intenção e até agora nada de me dar folhinhas cheirosas, só flores. Taí vou chamar o coentro de Cido. :o)

Escrito a mão pela Marcia às 4:50 PM | Comente este capítulo (5)

maio 24, 2005

Oh Glorious Veggies

VeggieBook.jpg

Nem sempre uso livros de culinária para seguir as receitas. Muitas vezes preciso apenas de umas idéias diferentes e novas para usar na cozinha. E quando se trata de legumes nem sempre sei ser criativa com eles, precisava de um bom livro de receitas vegetarianas. A mãe do Martin tem um bom da Delia, mas achei os pratos muito básicos e clássicos, nada de diferente do que eu já faço.

Dei uma folheada neste livro de receitas vegetarianas (foto acima) na livraria Waterstone e adorei. Cheio de boas idéias, todo passo-a-passo, com uma ou duas receitas por página, ou seja, coisas simples de fazer. Comprei.

Ainda não testei nenhuma receita, mas estou bem entusiasmada lendo tudo. Na lista das receitas que pretendo testar estão: Squash Gnocchi with Sage (nhoque de abóbora e molho de... sage), Spinach and Potato Mascarpone Gratin (Gratinado de espinafre, batata e queijo mascarpone), Aubergine Cannelloni (cannelloni de berinjela, meu legume favorito), Egyptian-style Lentils (lentilhas à egípicia) e Baked French Onion Soup (sopa de cebola francesa assada).

Nham! Se der certo publico alguma receita aqui.

Só preciso ir comprar todos os legumes e vegetais primeiro, já que a geladeira está vazia da silva sauro. Hoje de jantar tivemos arroz, feijão e salada de tomate com manjericão, tudo ficou simples mas tãoooo bom. Nham.

Escrito a mão pela Marcia às 5:06 PM | mais em Food Talk | Comente este capítulo (11)

maio 23, 2005

On Strike

BBC inteira em greve.

Nada funciona, a TV tá vazia de apresentadores.
Os programas passam com o aviso "reprise" porque não tem ninguém na casa.
Os rádios passam música sem parar.
Não tem noticiário hoje.

Tudo parado. Os empregados da Beebee estão todos de braços cruzados em protesto ao anúncio do diretor geral Mark Thompson de cortar 3,780 funcionários.

Oumaigód! :O

Escrito a mão pela Marcia às 10:33 AM | Comente este capítulo (7)

maio 22, 2005

Eurovision - Eu também quero falar!

Hoje a maioria dos blogs europeus devem estar falando sobre a final do festival de música Eurovision, que aconteceu ontem. E eu também quero me incluir dentro desta! Espera eu!

A Grécia venceu, foi tudo bem divertido, até cantei com os moços da Noruega "you are the only one living in my fantasy...", na privacidade do meu lar, of course. Os comentários de Terry Wogan da BBC não foram tão engraçados como sempre são. No ano passado morri de rir, mas este ano ele estava de saco cheíssimo que ninguém ama nóis em UK.

A nação em si, como todo ano, também nem deve ter se ligado no festival. Ainda mais ontem que foi a final do Campeonato Inglês, com o classicão Manchester United x Arsenal (que aliás, Arsenal venceu nos pênaltis). Eurovision certamente não faz parte dos acontecimentos do ano para os britânicos.

O Reino Unido ocupou o esquecido antepenúltimo lugar, dividindo a lanterna com França e Alemanha, curiosamente, as grandes (ex)-potências européias. Como nas votações que decidem a competição cada país vota em seu vizinho mais próximo, o Reino Unido sambou bonito, porque além do mare britanicum que não vota, temos como vizinhos um país pão-duro (Irlanda) que deu 8 pontos quando poderiam ter dado 12 e também um vizinho invejoso e mal-educado (França) que não deu nenhum ponto. Agora, pergunta se a gente vai dar uma xícara de açúcar da próxima vez que eles precisarem?

Enfim, mesmo com essa política da boa vizinhança, o festival é divertido e ganha quem agrada o povo mesmo, no final das contas. Se a música é boa, já é outra história. Mas a gente torce, canta junto, dá gargalhadas com a grandma de Moldova e das perucas e calças de lycra da Noruega. A gente faz pipoca, fecha as cortinas deixando a luz clara das nove da noite lá fora. Depois que tudo acaba, inclusive a pipoca, a gente se dá conta que passaram-se três horas e quanta porcaria engolimos, inclusive na TV.

No ano que vem tem mais. Eba!

:o)

Escrito a mão pela Marcia às 4:45 PM | mais em What's on Telly | Comente este capítulo (7)

maio 18, 2005

Basic Mistake

Hoje fez um dia lindo, sol e céu azul apesar de uma brisa fria o tempo todo. Fui dar minha passeadinha pelo centro e aproveitei para comprar as toiletries que precisava, principalmente shampoo que o meu tá quase acabando.

Fazia um tempão que eu não botava meus pés na Boots, nesta época de contenção de despesas. Mas hoje fui lá já que estava sem pressa e desacompanhada e portanto tinha todo o tempo do mundo para vasculhar as prateleiras, comparar preços, checar as novidades e tal e coisa.

Eis que nessas minhas vasculhações sempre muito pertinentes, avistei uma nova linha da Boots chamada simplesmente de Basics. E não tem muito o que explicar sobre a linha porque ela é isso mesmo, basic: embalagens básicas brancas, etiquetas básicas contendo o nome do produto e os ingredientes, nada de firulas nem florzinhas, tudo basicão. Mas o preço? O preço, meu povão, lá embaixo.

Basics.jpg

Por essas coisinhas da foto acima paguei:

100 lenços umedecidos = 0.41p
500ml sabonete líquido para as mãos = 0.59p
250ml shower gel = 0.39p

Uma barganha das boas, né não? Tudo bem que vou ficar cheirando desinfetante de hospital, mas vejam pelo lado da economia. Com o dinheiro economizado, fui comprar as outras toiletries que eu precisava, como o shampoo, vocês lembram, né?

Rodei mais um tempo na Boots, encontrei meu desodorante Oxygen porque eu gosto de ficar fresca e bem cheirosa ao contrário da maioria da população britânica. Também fiquei encantada de encontrar uns mini-sabonetes, mini-hidratantes, mini-tudo para levar para viagens, bacana né? Tudo pequenininho para caber na necessarie, mas quase no mesmo preço que do tamanho original. Não comprei nada disso, só tava olhando, obrigada. Comprei o resto que precisava, usei meu cartão de fidelidade Boots, que daqui a pouco tem pontos suficiente para comprar uma casa, paguei tudo, dei umas voltas na cidade e voltei pra casa.

Desempacotando tudo no sofá da sala, no meio do entusiasmo que eu estava com meus basics, tive uma infeliz constatação: o shampoo que comprei não era shampoo e sim um condicionador. Um condicionador! E agora considerando que o preço para ir até a Boots de novo é duas vezes o preço do condicionador, significa que tenho dois condicionadores e nenhum shampoo pra usar. Argh, argh!

Rastafari aqui vamos nós.

Escrito a mão pela Marcia às 4:04 PM | Comente este capítulo (15)

maio 17, 2005

The Piano Man

Pianoman.jpg

Como a Bia Badaud havia pedido maiores informações sobre o caso, aqui vai a história deste pobre moço da foto acima. Ele foi encontrado vagando pela praia de Kent, com roupas bem alinhadas, terno preto, camisa branca, gravara, todas ensopadas, e um maço de partituras nas mãos. A polícia e o serviço social recolheram a pobre alma e tentaram descobrir quem ele era. Mas o moço, aparentemente em estado de choque, não pronuncia nenhuma palavra e permanece em silêncio catatônico.

Ele foi levado para o Medway Maritime Hospital para fazer exames e lá recebeu papel e caneta para tentar se comunicar, caso fosse estrangeiro ou surdo ou mudo. E para a surpresa dos médicos e enfermeiros, o moço que não diz nenhuma palavra produziu este desenho:

Pianoman2.jpg

Espantados, os médicos então o levaram para a capela do hospital e colocaram-no de frente a um velho piano. E então, mais inesperadamente ainda, o silencioso paciente deu um verdadeiro espetáculo, tocando música clássica ao piano magnificamente por várias horas seguidas.

Até o presente momento, ninguém tem nenhuma pista de quem ele é ou de onde vem. Alguns intérpretes da Europa Oriental foram chamados para tentar falar com ele, mas o silêncio continua sendo sua linguagem quando não está ao piano. Ele parece, no entanto, entender inglês e talvez seja um britânico mesmo e não um refugiado, como foi a primeira suspeita.

Orquestras do mundo todo estão sendo contactadas para ver se alguém conhece este cidadão. E também a National Missing Persons Helpline está fazendo um apelo para que qualquer pessoa que o reconheça traga alguma luz ao caso.

Os psiquiatras que estão tratando do Piano Man, como ele está sendo chamado, disseram que ele está muito assustado, muito estressado e traumatizado. Vai ficar sob custódia da clínica psiquiátrica até quando for necessário.

Segundo o serviço social, há a possibilidade de que o próprio pianista deseje ser um anônimo para sempre. Suas roupas tiveram as etiquetas cortadas e seus sapatos também não têm marcas. Resta saber se isso foi sua vontade própria ou por alguma razão fizeram isso a ele. Mas se ninguém reconhecê-lo e confirmar seus dados, corre-se o risco de jamais sabermos o seu nome ou de onde ele vem.

Seja por um trauma, por amnésia ou mesmo por vontade própria, a história do Piano Man não deixa de ser muito, muito triste.

:-|

Update 18/05: um polonês que mora em Roma reconheceu o Piano Man e alega que ele é um músico de rua francês. A polícia diz que é uma possibilidade, mas até que se prove, isso continua sendo apenas uma possibilidade. Os médicos acreditam que ele sofre de algum grau de autismo. Austistas têm a capacidade de desenvolver habilidades de forma espantosa, ao mesmo tempo que não conseguem interagir com o mundo. Arrancar etiquetas das roupas também é um indício de comportamento obsessivo comum aos autistas. Mas nada disso ainda foi provado no caso do Piano Man, que simplesmente se esconde visivelmente aterrorizado embaixo do edredon ou se recolhe encolhido num canto da sala quando alguém tenta falar com ele.

Update 18/05: a irmã do músico de rua francês negou a informação e eu tirei o suposto nome do update acima porque o pobre coitado não tem nada a ver com a história. Estaca zero novamente para o Piano Man.

Escrito a mão pela Marcia às 10:55 AM | mais em Little Britain | Comente este capítulo (17)

maio 16, 2005

New Arrival

BabyFeet.jpg

Nasceu a Isabella, filha da minha querida amiga Anelise, que mora em Roma com o super maridão Alfredo.

Minha querida amiga Anelise, parabéns pelo nascimento da sua princezinha. Muita saúde e bastante alegria para sua tão linda e especial família.

Seja bem-vinda, Isabella!

:o)

Escrito a mão pela Marcia às 3:35 PM | Comente este capítulo (5)

maio 13, 2005

Os Mimos de Mary

MarysGifts.jpg

Minha amiga queridoca Mary me mandou de presente as mais lindas e maravilhosas capas de almofadas de todo o planeta. Coloridas, alegres e com esses pomponzinhos mais fofos que existem. L-I-N-D-O-S. Ainda ganhei um livro que já estava de olhão espichado para ler, um postal das terras suecas e cartinhas escritas à mão, cheias de muito carinho, como sempre.

Amiga Mary, obrigada, obrigada, todo agradecimento é insuficiente, ainda assim, obrigadão. Martin adorou o recadinho pra ele e ficou empolgadíssimo para usar as capas agora-mesmo-já! Eu não me canso de olhar meus presentinhos coloridos!

Feliz, feliz, feliz!!

:o)

Escrito a mão pela Marcia às 6:09 PM | Comente este capítulo (9)

maio 11, 2005

Diet Posts

Meus posts andam muito longos e grandes ultimamente. Então hoje teremos apenas aperitivos como prato principal.

quadrado_verde.gif Devo ser a única mais uma vez, mas adorei o Código DaVinci. Gostei mesmo, me divertiu deveras, os personagens foram bem construídos, a trama convincente e todas as teorias sobre Maria Madalena muito bem desenvolvidas. Gostei do final também, que deixou muitos decepcionados, mas eu gostei. E fiquei morrendo de vontade de visitar o Louvre.

quadrado_verde.gif Li no suplemento Body & Soul do jornal The Times uma coluna que dizia que com o decorrer das décadas, as mulheres passaram a se exigir demais para manter a casa em ordem, num masoquismo sem tamanho. E que o melhor mesmo era aprender com os homens a viver na bagunça. Então há alguns dias estou aprendendo com o moço que mora aqui que o melhor lugar para guardar suas roupas é mesmo o carpete.

quadrado_verde.gif Ontem Mr.M foi reconhecido na cerimônia anual da empresa pelo bom desempenho na África do Sul no ano passado e ganhou uma garrafa de champagne de verdade (nada de Cidra Cereser). Perguntei se a gente ia guardar a garrafa para abrir no Ano Novo e ele me respondeu: "that's crazy talk". Binge drinking aqui vamos nós.

quadrado_verde.gif Falando em África do Sul, eu também deveria ter recebido uma champagne e uma placa de honra ao mérito por todos os trash food e toffee sauces que fui obrigada a comer durante mais de 80 dias. Urgh, posso nem lembrar.

quadrado_verde.gif Instalamos persianas no studio e agora o sol não queima mais a mão dos nerds aqui quando estes usam o mouse.

quadrado_verde.gif Tsc. Acabei de carbonizar a tortinha de legumes que estava esquentando no microondas. Malditas programações inúteis. O forno tem um botãozinho "pastry" e pela primeira vez usei, programei o peso e deixei a tortinha congelada lá. Em dois minutos senti um cheiro de carvão e a torta estava completamente torrada. Tsc. Pelo menos não disparou o alarme de incêndio outro vez.

quadrado_verde.gif Se um dia tiver um incêndio aqui no apartamento nenhum vizinho vai vir me acudir porque vão pensar "ihhh, é aquela louca do segundo andar de novo", de tanto que esse alarme de incêndio dispara. E eu vou ser encontrada duas semanas depois, carbonizada com minhas pantufas de coelhos nos pés. :o(

Escrito a mão pela Marcia às 12:40 PM | mais em An ordinary life | Comente este capítulo (15)

maio 10, 2005

Food Phobia

Para aqueles que pediram para saber o que aconteceu com o menininho da The House of Tiny Tearways, que morria de medo de qualquer comida, vou contar aqui como foi a participação da família dele no programa.

O menino se chama Lewis e tinha dois anos e meio na época da produção do programa. Os pais dele são adoráveis, pessoas comuns, simples, casal apaixonado e extremamente amáveis com o garoto. E Lewis é um doce de menino, muito inteligente, bem articulado e simpático.

Porém seus pais se sentiam completamente arrasados com seu problema alimentar. A pobre criança não podia nem ver pedacinhos de comida que não fosse mousse de chocolate ou batata frita de pacotinho, que chorava em desespero, tremia e colocava as mãos nos olhos como se estivesse escondendo de um monstro. E também não suportava a idéia de ter nada que grudasse ou molhasse seus dedos, causando pânico e mais lágrimas.

A psicóloga observou o comportamento da família na casa deles por uma semana antes do programa começar e já teve as primeiras pistas do que estava acontecendo para que Lewis agisse daquela forma. No casarão do programa, a família se comportava da mesma forma e a terapeuta pôde gravar e mostrar aos pais aonde estavam os principais problemas:

Limpeza excessiva
Para onde Lewis ia, a mãe dele ia atrás carregando um pote de lenços umedecidos. Ao menor sinal de sujeira, ela logo limpava a mão dele com o lenço. Se ele chorava, mais lenços. Se comia, mais lenços. Se brincava de pintar, muitos mais lenços. Logo Lewis começou a associar que qualquer coisa que grudasse em suas mãos era sujo e errado. Não foi difícil para ele estender essa idéia em suas refeições, recusando a tocar alimentos úmidos.

Como se fosse um bebê
Porém, como a psicóloga já havia previsto, o problema da limpeza era apenas a ponta do iceberg. Havia uma razão muito mais importante e relevante no caso de Lewis que era o principal causador de todos os distúrbios que ele vinha tendo. Os pais deles simplesmente não aceitavam ver que o bebê deles tinha crescido e agora era um menino grande, com necessidades de menino grande. Lewis ainda tomava mamadeira, sentava no cadeirão, era alimentado por colheradas pelos pais. Quando os pais tentavam alimentá-lo com outro tipo de comida, faziam algum purê bem batido no liquidificador. Ou ofereciam potinhos de comida pra bebê. Tudo fervorosamente recusado por Lewis. Os pais também usavam linguagem de bebê para falar com ele. E nunca soltavam da mão dele quando iam ao playground, fazendo com que Lewis pouco interagisse com outras crianças e também morresse de medo de ficar sozinho em qualquer ambiente.

Mas inevitavelmente Lewis percebeu que havia crescido e que não era mais parte dos pais e sim um ser humano independente. Isso o assultava e causava uma insegurança monumental. E para completar, ele captava de seus pais os medos que eles tinham de perder o bebê que Lewis fora. Cada vez que os pais tentavam empurrar alguma comida sólida com uma certa tensão, ele sentia que havia algo muito errado e que certamente era aquele pedaço de comida. Ele não era mais um bebê, mas se os pais dele o amavam como bebê apenas, ele tinha medo de crescer, de comer como um menino grande e perder o amor dos pais.

A Solução
Reconhecido o problema, a psicóloga explicou aos pais tudo o que ela havia observado, mostrando como a atidude deles contribuía para o comportamento do filho e fazendo-os assistir às imagens deles interagindo com Lewis. Os pais ficaram abismados, perderam a fala e perceberam o quanto as palavras da psicóloga fazia completo e total sentido para tudo o que estava acontecendo. Ambos choraram cachoeiras e foram bastante consolados pela terapeuta, que reforçava que o bebê havia apenas crescido, mas Lewis sempre seria o menino adorável que sempre foi.

A partir daí o trabalho da psicóloga foi direcionado aos pais, com atividades para dizer adeus ao bebê e bem-vindo ao menino Lewis.

Ela ensinou a eles a deixar Lewis brincando sozinho, sem a presença deles. No começou Lewis chorou bastante e não conseguia dar um passo para brincar. Mas os pais foram mais fortes e disseram que iam ficar ali perto tomando chá e que Lewis podia brincar. E foram. Mas Lewis chorou. E berrou e se esgoelou. A mãe dele mais uma vez falou que eles estavam ali tomando chá e que ele podia ir brincar. Ele continuou berrando, mas os pais sentaram numa mesinha, tomaram seu chá e fingiram conversar sem olhar para Lewis. Aos poucos Lewis se acalmou e chegou perto do escorregador. O pai dele, lá da mesa onde estava, incentivou dizendo "Vamos ver se você consegue escorregar! Vai Lewis!" E Lewis foi e escorregou sozinho. Os pais bateram palmas e deram vivas e disseram que ele era um bom garoto. E Lewis sorriu e foi pro outro brinquedo. Sucesso!

Mas o maior desafio seria vencer a fobia de comida que Lewis tinha. A psicóloga havia instituído a abolição do cadeirão. Lewis já estava grande o suficiente para se juntar ao casal na mesa de jantar. E para que essa transação fosse calma, ela presenteou Lewis com um presente bem embrulhado com papel festivo e laços e disse que ele mereceu aquele presente porque ele é agora um menino grande tão bonzinho. Lewis ganhou o que aqui chamamos de "booster seat", que é um assento de plástico para colocar sobre a cadeira de jantar e a criança fica na altura apropriada para usar a mesa. Ele ficou entusiasmado para usar.

Na hora do jantar, a psicóloga se juntou a eles e enquanto os pais jantavam, ela propôs uma negociação com Lewis, que já estava chorando ao ver um pote com purê de batatas na frente dele. A negociação era: se ele colocasse o dedo indicador no purê, ganhava uma batata frita do pacote. Ele enfiou e todo mundo fez "êêêê!!", bateram palmas e ele ganhou uma batatinha. Ele olhou pros pais com uma expressão de "uau, sou bom mesmo". Daí a psicóloga foi avançando, agora ele precisava enfiar o dedo no purê e lamber o dedo. Ele fez e todo mundo "êêêê!!", mais salvas de palmas e mais uma batatinha. E finalmente a psicóloga pediu que ele fizesse um gancho com o dedo pra trazer mais purê e colocasse na boca. E ele fez. E fez de novo e de novo. E os pais choraram. A psicóloga pediu aos pais para não usarem mais nenhuma colher para alimentá-lo e deixar que Lewis usasse suas mãos para comer, sem se preocupar com a bagunça e que mantivessem as refeições mais relaxadas possíveis.

Nas refeições seguintes, os pais ficaram sozinhos com Lewis e usaram a mesma técnica das batatinhas. Porém, desta vez no prato dele havia: frango, batata cozida, o mais temido couve-flor, ervilhas e yorkshire pudding, ou o que chamamos de roast dinner, que Lewis não podia nem ver pela frente porque contém muitos pedações. Primeiro ele começou a chorar e empurrar o prato pra longe. Os pais foram instruídos a ignorar as manhas e continuar conversando como se ele não estivesse ali. Lewis percebeu que sendo mal comportado não estava tendo nenhuma atenção. Então ele pegou um pedacinho de frango, comeu e depois bateu palmas para ele mesmo dizendo "good boy, good boy". Os pais bateram palmas para ele também e disseram que ele era muito bom mesmo. E Lewis ganhou uma batatinha porque consistência é tudo. A partir daí ele começou a comer mais e mais e muito mais. Até a temida couve-flor foi devidamente engolida com muito gosto. Seu medo havia se dissipado porque os pais batiam palmas e elogiavam toda vez que ele comia como um menino grande e também sua mãe estava mais relaxada e não ligava mais se ele se melava com a comida.

Até mesmo a psicóloga não esperava esse progresso tão rápido no caso de Lewis. Ela havia comentado que geralmente essas fobias demoram até meses para serem devidamente tratadas e que o público provavelmente não veria nenhuma mudança durante o programa. Ao final ela não pôde deixar de parabenizar os pais e dizer o quanto o pequeno Lewis foi espetacularmente fenomenal aprendendo e testando novas comidas em tão curto espaço de tempo.

O último passo foi dizer adeus à mamadeira. Para isso a produção trouxe uma dúzia de balões de hélio bem coloridos, feitos um buquê com um balde de plástico amarrado na ponta. O pai de Lewis colocou a mamadeira dentro do balde e soltou os balões que subiram pro céu. Lewis mal olhou pra cima, só falou um distante "bye bye bottle". Mas seu pai caiu de joelhos em soluços e lágrimas, cheio de tristeza de dizer adeus ao bebê que Lewis fora.

Logo em seguida fizeram uma caça ao tesouro e Lewis corria para todos os lados para procurar seu "tesouro". Quando finalmente encontrou a arca, abriu e nela havia pratinhos coloridos, garfos e facas com seu personagem favorito e um copo infantil bem bacana. Não sei se no Brasil também tem, mas aqui existem centenas de copos específicos para essa idade (2-3 anos), todos com anti-vazamento, anti-abertura, anti-choque, anti-pinga-pinga. Têm um bico de borracha firme, que a criança tem que morder para beber. Com isso, a língua não precisa mais trabalhar para apertar o bico e fazer o líquido fluir e a criança aprende a beber em copos mais facilmente. Foi esse copo que Lewis ganhou e ficou todo feliz, ergendo em cima de sua cabeça como se fosse um troféu.

Essa série terminou de ser exibida na sexta-feira passada. Duas semanas depois do experimento, a produção foi visitar as famílias que participaram e ver se realmente havia dado resultado. Todas as famílias continuam muito bem. E Lewis, em particular, está mais ativo, mais sociável e comendo tudo o que os pais servem. Adora usar seu próprio garfo e seu copão. E quando alguém pergunta qual o seu prato favorito, ele responde: "roast dinner!!"


Lewis.jpg

Well done, Lewis!


:o)

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maio 7, 2005

I Can Hear You

Ufa...

Eu ia escrever ontem, mas estava tão confusa e cansada que nem consegui juntar minhas palavras em ordem.

Então fomos no audiologista buscar meus aparelhinhos digitais ontem. Minhas jóias pink não ficaram prontas, ainda vai demorar duas semanas. A Siemens me enviou expressas desculpas pela demora e disse que o fornecedor de matéria prima para meu aparelho pink foi repreendido por não ter entregue no prazo. Completaram dizendo que o primeiro pedido mundial de aparelhos na cor pink não deveria sofrer nenhum contratempo de nenhuma espécie, uma vez que a empresa oferece essa opção e deveria cumprir com o desejo do consumidor e por isso pediam muitas desculpas.

I beg your pardon? Perguntei eu ao audiologista. E ele confirmou que sim, este foi o primeiro pedido de aparelhos pink que a Siemens recebeu em todo universo. Hahaha, eu vou ser mesmo the only gay in the village*!!

Enfim, não estão prontos ainda e eu havia ficado um tico decepcionada. Mas a Siemens me enviou um outro, cor de pele (argh!), para usar neste período de adaptação. Ficamos cerca de meia hora aprendendo a colocar, mudar os programas, limpar, trocar baterias, armazenar. E então finalmente pude ligá-los e testá-los pela primeira vez.

E por mais que minhas expectativas estivessem confusas, o choque foi enorme. Acho que essa foi minha primeira impressão: estarrecimento. Achei o volume muito alto. Mas o médico me explicou que há muito tempo eu não ouço várias freqüências e de repente volto a ouvi-las e isso realmente choca inicialmente. Nesses dias de adaptação eu uso e tento perceber o máximo de sensações possíveis. O médico disse que os aparelhos nunca devem ser uma tortura, então eu devo tirar quando achar que devo. Daqui duas semanas vou discutir com ele minhas impressões e faremos ajustes nas freqüências altas e baixas se for preciso.

O som é um pouco artificial, mas isso eu já esperava. O que eu não esperava era ser completamente sobrecarregada de sons vindos de todas as partes. Tudo chama a minha atenção, tudo.

Nas ruas eu agora ouço todo mundo falando ao mesmo tempo, os saltos dos sapatos batendo no chão, crianças chorando, músicas tocando, celulares tocando, carros passando, sinais de pedestre apitando, avião sobrevoando, passarinhos cantando, meu cabelo no vento, o tecido da minha calça, tudo tudo tudo ao mesmo tempo agora. E instintivamente minha cabeça gira em diração aos sons o tempo todo. E isso me dá um cansaço enorme no final do dia. Meu cérebro agora precisa reaprender a ignorar sons de fundo e sons que não me interessam, mas por enquanto ainda é muito cedo para esperar por essas mudanças.

Não me entendam errado, estou simplesmente AMANDO os aparelhos. Fantásticos, me dão real sensação de profundidade e me fazem entender 100% melhor o que as pessoas falam. Martin fez vários testes comigo, em vários ambientes e consigo agora entender praticamente tudo. E estou imensamente feliz com isso, ele está feliz por não precisar mais repetir o que diz. Aliás ele percebeu que agora estou falando muito baixo e ele não consegue me ouvir, hohoho.

Televisão, rádio e telefone ainda não são possíveis de ouvir bem com os aparelhos. Para isso preciso de um transformador em Telecoil, mas não vou pensar nisso agora.

Por fim, o que mais tem passado pela minha cabeça nesses dois dias de adaptação é o quanto nosso ouvido e nosso cérebro funcionam bem naturalmente, ajustando de acordo com nossas necessidades e nossos interesses. E o quanto é difícil e complicado reproduzir isso tecnologicamente, o quanto custa para a gente ter de volta o que antes era natural. Porém estou muito feliz e me sinto muito privilegiada por ter a chance de ter acesso a esse tipo de tecnologia. A comunicação sem fio entre os dois aparelhos funciona de forma incrível e os ajustes são todos feitos automaticamente em pouquíssimo tempo.

Só falta mesmo, mesmo, serem pink!

Desde ontem, 06 de Maio de 2005, voltei a ouvir.

Little Britain

:o)

Escrito a mão pela Marcia às 5:36 PM | mais em An ordinary life | Comente este capítulo (20)

maio 6, 2005

Labour Wins!

Labour venceu as eleiçõs inglesas e vão manter o poder por mais quatro anos, o terceiro e último mandato de Tony Blair como Primeiro Ministro.

Estou muito satisfeita de ver o Labour ganhar.

Eleições parlamentares são um pouquinho diferentes das que temos no Brasil. Aqui não se vota diretamente para Tony Blair ou Michael Howard ou Charles Kennedy. Eles são os líderes dos partidos, mas os eleitores votam na verdade para os Membros do Parlamento (MP's). O Casa do Parlamento (Parliament's House of Commons) possui 646 assentos que devem ser preenchidos por MPs. Cada 'constituency', cada uma das 646 regiões geográficas do Reino Unido, vota para colocar seu MP num dos assentos do Parlamento. Quando a maioria dos assentos é preenchida por determinado partido, então declara-se a vitória de seu líder como Primeiro Ministro.

A nossa cidade por exemplo, para o meu desespero mas não para minha surpresa, elegeu um MP do partido Conservador. Então, não há exatamente perdedores. O Parlamento é sempre uma mistura em desiguais proporções entre Labours (Trabalhadores), Lib Dems (Liberais Democratas) e Torries (Conservadores).

Na eleição passada, em 2001, o Labour Party tinha uma maioria esmagadora nos assentos do Parlamento. Nesta eleição, apesar de ganharem a maioria, o Labour perdeu muitos assentos para os Torries e um dos grandes desafios de Tony Blair vai ser governar com cerca de 33% dos MPs fervorosamente contra ele, o que na verdade muitas vezes faz bem.

Agora vamos aguardar para ver como serão estes próximos quatro anos. Da minha parte, já peguei o nome do MP da nossa região. O conservador John Butterfill. Mal sabe o coitado que entre sua 'constituency' estou eu aqui. Medo, muito medo eu teria, se fosse ele. Huahua.

:o)

Escrito a mão pela Marcia às 12:08 PM | mais em Little Britain | Comente este capítulo (3)

maio 5, 2005

Election Day

Hoje foi o dia de eleição aqui na Inglaterra. A primeira eleição que presencio, porém ainda sem direito a participar. As urnas foram abertas às sete e meia da manhã e ficaram assim até agora a pouco, às dez da noite. Isso porque o voto aqui não é obrigatório e todos devem ter o direito a votar no horário que puder. E não, não existe urna eletrônica aqui ainda. Só um xis no papelzinho mesmo.

Martin dormiu duas horas, acordou e se arrastou até o posto de votação, completamente bêbado de cansaço. Mas exerceu seu papel de cidadão e votou. Eu fui com ele, vi ele entregar o cartão, pegar a cédula, votar, dobrar e depositar na urna. Mas fiquei láaaa da porta... Do lado de fora, segurando o batente, olhando com cara de cachorro com fome, vendo todo mundo entrando, votando e indo embora dando risadinha.

Setter.jpg

Eu queria também... ah pôuxa... :o(

Escrito a mão pela Marcia às 10:28 PM | mais em Little Britain | Comente este capítulo (3)

My Family

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Família reunida outra vez. Mr.M acabou de entrar em nosso lar, cheio de saudades, de malas e de chocolates! Depois de um dia inteiro atravessando o mundo de leste à oeste, ele está visivelmente exausto, mas sorri de orelha a orelha e me abraça o tempo todo. Aaahhh, quanta falta senti dele...

E eu estou TÃO feliz, feliz, feliz!! Hooray! Hooray!

Welcome home, my love!

:o)

Escrito a mão pela Marcia às 9:46 AM | mais em M&M Family | Comente este capítulo (7)

maio 4, 2005

Tapa de amor não dói desde que não seja na sua bunda

Eu estava respondendo nos comentários, mas começou a ficar tão grande que resolvi fazer um post.

Por muito tempo eu também pensava assim, que um tapinha às vezes é bem corretivo. Que criança precisa. Eu também, como vocês, levava em conta a minha própria educação pessoal como algo comum e aceitável ("não é porque apanhei que sou psicopata", "não é um tapa que torna alguém agressivo" etc). Mas mudei de idéia depois de muito ler (e believe me, não foram poucos os livros que li), participar de forums e assistir a muitos programas desse tipo.

Eu gostaria que vocês pudessem ver o Little Angels pelo menos e mantivessem a mente aberta sobre esse assunto, percebendo ao longo dos programas como os tapas não fazem bem e como na verdade são desnecessários. Lá eles mostram cerca de 8 famílias por série e estão na terceira temporada. E porque essas crianças estão no extremo do mau comportamento é muito comum vê-las levando esses "tapas corretivos" e sim, muitos pais explicam antes de bater, na hora que batem e depois que batem. A criança chora, se cala e pára de fazer o que estava fazendo antes. Efetivo? Pode até ser. Ideal? Eu acho que não.

O programa mostrou mais de 20 famílias até agora, a grande maioria defensora de dar tapas na bunda, na mão, na perna. Com essa disciplina nenhuma dessas famílias conseguem ter o controle de suas crianças. A criança continua mau-comportada, os pais estressadíssimos e a casa cheia de tensão.

Quando os terapeutas entram em cena, eles não vão apontando o dedo acusando os pais. Não é assim, nenhum terapeuta é assim. Se vocês nunca tiveram a chance de fazer terapia, nunca vão saber o quanto esses profissionais podem ajudar. Enfim, eles entram na casa dessas famílias com o objetivo de ajudar, restaurar a harmonia, trazer de volta a alegria de viver em família.

Eles dão as diretrizes de como cada família pode lidar com específicos problemas que causa conflito entre a criança e os pais. São atitudes simples que muitos pais jamais pensaram em fazer e que realmente funcionam.

Por exemplo: um escândalo comum é quando uma criança está brincando num playground e não quer ir embora. Na disciplina de tapas, os pais chamam uma vez, duas, três. A criança ignora. Os pais tentam carrega-la. Ela esperneia, chora e solta dos braços deles. E corre. Os pais correm atrás, já putos da vida. Alcançam a criança e dão bronca. A criança se esgoela e chuta a perna do pai/mãe. O pai/mãe então dá-lhe um tapa na bunda, fim da estória. É sempre mais fácil bater. Plaft. Você fez isso, isso e isso e agora você vai ver. Plaft. Criança chorando, pais emputecidos.

Na disciplina sem violência, antes de sair de casa a criança recebe informações de quanto tempo vai ficar no playground e o que vai fazer quando sair de lá (um lanche, alimentar os patos, apostar corrida com o pai, etc.). Já quase na hora de ir embora, um dos pais avisa a criança: "daqui dez minutos a gente vai embora, o que você vai fazer nos seus dez minutos?". Passados os dez minutos um dos pais sugere: "vamos ver se você consegue sair do playground e tocar na minha mão em 20 segundos? Eu aposto que você não consegue ser tão rápido! 20, 19, 18, 17..." Eu achava que nenhuma criança ia cair nesse truque. E em cinco famílias que eu assisti que fizeram o mesmo com crianças de até 4 anos, todas as crianças saiam correndo com o desafio. Assim que elas tocavam a mão do pai/mãe, esses abraçavam e diziam o quanto ela era uma boa garota ou bom garoto, davam um abraço e um beijo e iam fazer o que haviam combinado a seguir. Criança satisfeita, pais menos estressados. Mais trabalhoso? Sem dúvida. Mas quem disse que ia ser fácil?

Isso é só um exemplo de uma situação banal. Há obviamente muitos outros problemas além de deixar um playground. E para cada caso, para cada criança, há opções de disciplina que são efetivas e controladoras. Basta pesquisar, basta ler, basta manter a cabeça um pouco mais além dos nossos próprios conceitos arraigados.

O mundo deu muitas voltas desde a nossa geração e muito mais voltas desde a geração anterior. Antes era comum ajoelhar no milho. Antes era comum sentar na frente da classe com um chapéu em formato de cone escrito "burro". Antes era comum levar reguada da professora. Antes era normal o marido bater na mulher para mantê-la nos eixos. "Ah, mas é diferente". Diferente como? Desde a criança que vai parar no pronto socorro com o nariz quebrado até a criança que ficou com a bunda rosada por causa de um tapinha, todas elas têm o mesmo em comum: o medo. Medo da dor, medo de apanhar de novo, medo dos pais não a amarem mais, medo.

Sinto muito, mas não concordo com esse discurso de que a criança que apanha e recebe explicações de porquê está apanhando vai entender e aprender. Se ela tem capacidade de entender e aprender, então por que não explicar, com voz firme, com bronca, com castigos (sentar sozinha, confiscar brinquedo, tirar privilégios), ao invés de bater? Aonde foi que eu perdi a explicação que prega que sentir dor diz mais do que palavras e atitudes?

Quanto ao que as crianças se tornam depois que crescem é uma outra história. Crescemos e nos tornamos adultos com diferentes atitudes, diferentes traumas e diferentes formas de pensar levando em conta um mundo de diferentes aspectos do nosso ambiente e acontecimentos da nossa vida. Mas pensar que a criança que apanha não vai carregar nenhum trauma por causa disso -- porque afinal é tão normal! -- na sua vida adulta é muito errado. Há traumas em menores escalas, mais brandas, mais escondidas, mais enterradas lá no fundo do seu subconsciente. Medo, dor, estarrecimento e humilhação são grandes ferramentas para desequlibrar qualquer auto-estima. Não é porque isso não aconteceu com você que apanhou e é supernormal e confiante em si que não vai acontecer com quem você bate. Porque você não é a outra pessoa e não sabe nem nunca vai saber como a mente do agredido funciona ou vai funcionar.

Anyway, tudo isso que eu escrevi aqui não é para agredir ninguém e nem fazer ninguém se sentir culpado por ter eventualmente usado a disciplina da chinelada. Cada um faz o que é o melhor para a sua família, levando em conta a informação que tem ou teve em seu tempo. Cada um escolhe como educar e disciplinar seus filhos, netos, sobrinhos, afilhados e eu não tenho absolutamente nada com isso. Como você foi educado ou como educou seus filhos já é passado, ninguém pode mudar. Mas há muitas famílias que podem se beneficiar com essas novas formas disciplinares. Há muitas famílias que precisam desesperadamente de ajuda de terapeutas. Há muitas famílias que simplesmente não querem dar tapa, mas querem crianças disciplinadas. E por que não darmos algum apoio? Por que não aceitar o novo? Por que não incentivar essas famílias a ao menos tentarem? Por que em tudo temos que ser "contra ou a favor"? Por que não podemos simplesmente entender que há outros meios atualmente?

A minha intenção aqui, é chamar a atenção para algo que está mudando. Ao invés de rebater tudo o que escrevi aqui diarréicamente, tentem ao menos refletir sobre o assunto, tentem ao menos ler os links do post anterior, ler os conselhos dos especialistas, os casos de cada familia. Antes de abrir a janela de comentários, pare e pense se realmente você já estudou os dois lados para defender suas idéias ou se sua opinião é apenas baseada na sua experiência, que sinto dizer, mas pode estar um pouco defasada.

Conhecimento nunca é em vão. Converse nos fórums, fale com especialistas, conheça as famílias, assista aos programas. Deixe de lado a idéia de que terapeutas são idiotas que só querem ganhar dinheiro. Deixe de lado a idéia de que o que você acredita é sempre o certo. Deixe de lado a rigidez da opinião popular. Porque o mundo muda, as idéias surgem, o ser humano evolui.

Eu talvez não sobreviva para ver isso, mas quero um mundo mais consciente de suas atitudes e conseqüências, um mundo que respeite os limites e direitos de cada ser vivo, um mundo onde levantar a mão para bater seja só para fazer pão. Eu devo mesmo estar atirando uma só estrela-do-mar de volta no oceano. Mas mesmo assim. Ainda assim.

Escrito a mão pela Marcia às 12:02 PM | mais em What's on Telly | Comente este capítulo (14)

maio 3, 2005

The Tiny Tearways

De uma hora para outra a TV britânica se inundou de programas sobre disciplina infantil. Existe o Little Angels da BBC, que trata de crianças entre dois ("the terrible two") a cinco anos, que têm problemas graves de birras, violência e desobediência. Existe também o Supernanny do Channel 4, que é uma "babá", na verdade uma terapeuta infantil, que fica na casa da família, aprende a dinâmica e faz as mudanças necessárias para corrigir o mau comportamento das crianças. E mais recentemente a BBC3 lançou o Teens Angels, que também trata de controlar terríveis teenagers indisciplinados.

Agora, a BBC se empolgou e resolveu produzir The House of Tiny Tearways num formato de Big Brother, com famílias que têm crianças difíceis de serem controladas. Num casarão enorme, todo childfriendly (protegido para a criança não se machucar), estão morando três famílias com suas respectivas crias de dois a cinco anos. A psicóloga infantil Tanya Byron (do Little Angels e Teens Angels) é quem ajuda e explica aos pais como ter de volta o controle sobre as crianças que estão firmes e fortes no objetivo de perfurar os tímpanos dos mesmos.

E todos os programas, sem excessão, são muito interessantes. As crianças geralmente apresentam os mesmos problemas: escândalos em supermercados, recusa ao fazer suas refeições, dramas na hora de ir dormir, brigas na hora de trocar de roupa, violência, gritos, mordidas, tapas, cuspes, chutes e palavrões. E o mais impressionante, ao meu ver, é que em todos os programas, absolutamente todos, quem precisa mudar de comportamento são os pais, não os pequenos. E em todos os casos, quando os pais mudam a atitude, os filhos mudam de forma espantosa. Sim, exatamente, a culpa é dos pais, sinto muito. Para os psicólogos, não existe essa coisa de "ah, minha filha é geniosa mesmo, não posso fazer nada". Pode sim. Pode fazer muito.

Uma das primeiras regras que todos os psicólogos que produzem as séries impõem é de nunca, jamais bater em sua criança. A não ser que você queira ter um mini pitbull em casa que vai aprender a bater nos irmãos, nos colegas, na professora e em tudo mais que estiver pela frente. Geralmente os pais que batem (com um tapa na bunda ou espancam até sangrar), querem simplesmente "mostrar quem manda" ou então "mostrar que a criança merece ser punida". Mas no fundo, a grande verdade é que em cada tapa os pais estão dizendo "eu não sei mais o que fazer e estou frustrada e com raiva, então eu bato em você porque você provocou esse sentimento de impotência em mim que eu não suporto admitir". E para a criança agredida, a mensagem é "se tudo mais falhar, parta para a violência física".

A partir dessa primeira regra, o resto é disciplina em si. Quase todas as crianças problemáticas estão gritando a todo pulmão o mesmo: me dê limites, me dê atenção, me dê seu amor. Elas precisam desses três aspectos, em doses iguais. Dê muito limite e pouco amor e elas se revoltam. Dê muita atenção e nenhum limite ("ai filhinho, não fura o olhinho da mamãe não, tá bom..?") e elas se revoltam. Dê limite, dê amor, mas nunca tenha tempo pra brincar e elas se revoltam.

E para dar conta desse delicado equilíbrio, os pais precisam ser determinados em manter suas atitudes sempre coerentes: punir sem violência física ou voz alterada quando o comportamento for inaceitável, elogiar efusivamente quando o comportamento for bom e verbalizar "eu amo você" sempre que seu coração disser.

Para punir sem violência existem um bilhão de recursos em milhares de livros de disciplina, cada família tem que escolher o que melhor funciona para si. Mas e quanto aos outros dois aspectos? Muitos pais dizem "ah ele sabe que eu o amo, não preciso dizer" e não conseguem pôr esse sentimento em palavras. Surprise, surprise mas a criança não, não sabia que os pais a amava e por isso se mostrava tão violenta. Ou então, frente ao bom comportamento, muitos não se dão ao trabalho de elogiar, como se fosse a obrigação mesmo da criança se comportar. "Olha, olha, comi essa cenoura", dizia a menina, cheia de orgulho. "Mmf, termina o resto, anda", foi a resposta que recebeu. Por que diabos eu iria comer outra cenoura??

Há casos mais específicos e crônicos, que levam muito tempo e dedicação dos pais para a criança mudar. Na House of Tiny Tearways existe um menininho de uns dois anos e meio, lindinho, bem comportado mas que morre de medo de comida. Tem pavor, tadinho. Tudo o que ele engole é uma papa de batata batido no liquidificador. Todo tipo de comida que de certa forma molhe seus dedinhos faz ele chorar e balançar os braços apavorado. Nenhum chocolate, iogurte, fruta, verdura, nada. Tudo causa tremores nele. A psicóloga tentou fazer um pic-nic só pra brincar com as comidas, não para comer. Ela enfiava o dedo até o fundo do mousse de chocolate, pintava o rosto com iogurte, amassava banana com os dedos, tudo brincando e rindo. O menino até tentou, deu umas risadinhas, mas bastou um pedacinho grudar no dedo dele e começou a chorar e não ver graça mais em nada. Estou bem curiosa para saber como a história dele vai se desenrolar. Parece que desde pequenininho os pais sempre corriam para limpar a mãozinha dele toda vez que ele se sujava de comida. De certa forma parece que ele agora acha que sujar a mão com comida é algo pavoroso, sujo e errado. Mas a psicóloga acha que há mais por tras disso. Veremos.

Enfim, adoro assistir a esses programas. E acho excelente que o grande público tenha acesso a esse tipo de apoio pedagógico, assistindo a outras famílias que passam pelo mesmo e recebendo conselhos e regras de especialistas. E aprendo bastante também, hohoho. Agora ao invés de oferecer opções de sim ou não como por exemplo "você quer alguma verdura?", eu agora pergunto pro Martin "você quer salada ou verdura com o jantar?" Daí ele pensa e responde: "salada". E eu saio rindo escondida. Depois ele vem atrás dizendo "cê me enganou, eu não queria nenhum dos dois". Hohoho. Útil, muito útil. Daqui a pouco vou instalar o "naughty corner" pra ele sentar e refletir no que fez de errado, me aguardem.

:o)

Escrito a mão pela Marcia às 12:27 PM | mais em What's on Telly | Comente este capítulo (17)

maio 1, 2005

May Day, May Day

O feriadão mais sem-graça dos últimos tempos.

Muito sol e calor nesta cidade praiana e muita gente embriagada na areia e nas ruas. E eu não acho mais a menoooor graça em nada. Já fiz tudo o que eu queria fazer sozinha, cuidei da pele e do cabelo, fiz a limpeza de primavera no apartamento, arrumei o guarda-roupas, reguei as plantas, comi tudo o que eu queria, li um bocado.

Agora tô de saco cheíssimo de ficar sozinha.

Mr.M poderia ter voado de volta pra casa ontem e chegado hoje aqui. Mas os clientes resolveram fazer birra na última hora e agora ele vai ter que ficar mais uma semana.

E eu tô de saco cheio.

Não tem graça sair sozinha, não tem graça cozinhar só pra mim, nem tem graça assistir TV sem poder comentar, não tem graça ir dormir na cama grande e fria. A minha exclusiva companhia a mim mesma já anda me irritando.

Porque, afinal, tô de saco cheio, já falei? Pois.

Então fui comprar jornal e o único The Times in the village estava todo amassado, sujo e rasgado. Isso me enche, essa vizinhança que só compra Daily Mail. Comprei o The Observer, que não é mal, já que o Times as vezes me enche.

E eu que conseguia fazer palavras cruzadas nível "difícil" no Brasil não consigo fazer nenhuma linha nem nenhuma coluna das crosswords do jornal. Tsc, que saco.

Enfim, me enchi.

Escrito a mão pela Marcia às 4:49 PM | mais em M&M Family | Comente este capítulo (14)

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