agosto 28, 2006

Genesis

In the beginning there was nothing but soft darkness....

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Heaven and Earth...

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...and all things therein.

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Editado para acrescentar a legenda.

Na penúltima foto, da esquerda para a direita, atrás: azeite de oliva, a garrafinha cor-de-rosa de plástico é onde guardo uma pequena porção do azeite para usar mais fácil; fish sauce, óleo a base de peixe, bastante popular e imprescindível para fazer pratos tailandeses, nham; e molho de soja (shoyu) escuro. Na frente: men tsuyu, molho a base de shoyu, mirim e dashi, simplesmente a espinha dorsal da culinária japonesa, uso para fazer caldo de noodles, refogados de vegetais, cassarolas, para mergulhar gyozas e muito mais; pequeno vidro de óleo de gergelim, que eu gosto quando usado com moderação; linda fantástica garrafa de premium oyster sauce da tradicional marca Lee Kum Kee, um molho especialíssimo feito de suco de ostras defumadas, shoyu, vinho, açúcar, gengibre, cebolinha verde e feijão preto fermentado, usado em quase todos os refogados chineses; por último meu querido vidrinho de yuzu ponzu, molho de soja claro com suco de uma fruta cítrica chamada yuzu, cultivada somente no Japão, e produz um excelente aroma cítrico misturado com o sabor do shoyu para instigar qualquer paladar.

Na última foto, quase não é necessária nenhuma explicação: sal, pimenta, Worcestershire Sauce (molho inglês), Tabasco, vinagre de arroz, cardamon pods, páprica doce, canela, sementes de cumin e tumeric.

Notem ainda que o espaço total que tenho para cozinhar é o que aparece nas duas primeiras fotos. Um mínimo retângulo onde cabe apenas uma pequena tábua de uns 30cm de largura. É aí que tenho que descascar, picar, empilhar e me virar. Na frente desta bancada existe uma parede. Nunca mais reclamo da minha cozinha, na longínqua Inglaterra.


Escrito a mão pela Marcia às 7:42 AM | mais em M&M in Taiwan | Comente este fragmento(5)

agosto 14, 2006

Kaohsiung from the Sky

O sábado começou com terremoto de 3.0 pontos e terminou com uma noite de jantar no TGIF + Pub + Outro Pub + Karaokê com nossos colegas mais animados que chegaram há uma semana. Rimos, bebemos, cantamos músicas velhas, dançamos e pulamos com um pouco de rock'n'roll e voltamos pra casa às três da manhã. Acordamos tarde no domingo, tomamos litros de água de café da manhã e depois nos arrastamos até nosso restaurante preferido de missô ramen. Recuperados, fomos até o Tuntex Sky Tower, que é o maior arranha-céu de Kaohsiung, com seus 85 andares.

A bordo de um dos elevadores mais velozes do mundo, visitamos o observatório do prédio, com ampla vista de toda cidade. A luz, porém, ainda estava bastante intensa para fotografar, então resolvemos ir até o bar panorâmico e lá relaxamos até o entardecer.

Clique e Amplie.

Kaohsiung, urbana com seus telhados anti-typhoon.
O prédio mais alto à esquerda, é o hotel HiLai, onde uma vez moramos.
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Vista do porto. Mais além, o mar chinês.
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Grolsch para Mr.M e chá com sorbet de morango, menta e limão para mim.
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Finalmente o sol se pôs, calmo e dourado.
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Nosso bairro, sob imenso céu de Kaohsiung.
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Mr.M, my favourite photographer.
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Escrito a mão pela Marcia às 8:40 AM | mais em M&M in Taiwan | Comente este fragmento(5)

agosto 9, 2006

Typhoon Saomai

Para minha amiga Samara, que gosta dos meus boletins metereológicos.

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Mais um typhoon se aproximando, desta vez Catagoria 3, intensificando para 4. Para ter uma idéia do que isso significa, o ciclone Katrina que atingiu New Orleans foi Categoria 4 e intensificou para 5. Até agora, os muitos typhoons que passaram por aqui foram no máximo Categoria 2 e foram impressionantes. Este, chamado Saomai (e que a gente o apelidou de Saruman), deve atingir apenas o norte de Taiwan (estamos no sul), mas deve trazer muita chuva e ventos fortes em todo país. Pela foto do satélite dá pra ver o olho do typhoon, sinal de que os ventos ao redor dele estão ficando cada vez mais velozes e devastadores.

A rota deste typhoon Saomai está voltada para a província chinesa Fujian e parte da população costeira deve ser evacuada nos próximos dias. A destruição é sempre pior na China do que em Taiwan, parte porque as áreas perto da costa são mais pobres, de casas de madeiras e próximas a barrancos e sem nenhuma infra-estrutura que suporte typhoons.

Amanhã de manhã Saomai atinge Taiwan e à tarde, a China.

Update: O typhoon acabou de se intensificar para a categoria SuperTyphoon (Categoria 5). Nenhuma notícia sobre evacuação na China. Vão, pelo jeito, deixar novamente para a última hora. Que talvez seja mesmo, última. Tsc.

Escrito a mão pela Marcia às 12:47 PM | mais em M&M in Taiwan | Comente este fragmento(7)

agosto 7, 2006

Banquet II - The Saga Continues

Fomos convidados a mais um banquete no sábado passado. Eu sei. Eu sei, eu posso lhe ver, sádico leitor, já se ajeitando melhor na cadeira para saber no que foi que eu me meti desta vez. Mas já adianto que nada mais será mais chocante do que a lagosta servida viva do banquete passado.

Mas vamos começar com os fatos: geralmente somos convidados pelos fornecedores de equipamentos pro projeto em que Mr.M está trabalhando. É um jantar formal, de socialização, as esposas são convidadas e tal. A principal razão de toda pompa é agradecer aos funcionários da empresa de Mr.M por terem escolhido os mesmos como fornecedores e também formar laços para que em subseqüentes projetos eles sejam escolhidos novamente. Em outras palavras, eles querem é puxar nossos digníssimos sacos mesmo. O anfitrião era um moço de 26 anos e com ele vieram o chefão dele e a esposa, mais dois funcionários e duas amigas do moço anfitrião.

Ao contrário do outro banquete que foi mais íntimo, em sala VIP e uma única mesa enorme, este foi no saguão do restaurante mesmo e nos dividimos a princípio em duas mesas. O chefão logo fechou a cara e começou a reclamar com o anfitrião e os garçons. Logo providenciaram uma terceira mesa, só para os "mais velhos", então da nossa mesa foram arrastados Mr.Monkeyman, M. e R., que saiu sobre protestos de "oh f* hell", haha, porque ele queria ficar conosco. Então na nossa mesa ficamos Mr.M, eu, nosso amigo D. e o trainee N., dois funcionários do fornecedor e as meninas amigas do anfitrião. Logo nos apresentamos, as meninas começaram a fazer milhões de perguntas e começamos a conversar e logo estávamos brincando, fazendo piadas e tirando sarro um dos outros. Os outros dois funcionários não falavam inglês mas mesmo assim foram supergentis o tempo todo, brindando e enchendo nossos copos, explicando os pratos servidos e rindo das nossas bobagens na mesa. Sem dúvida a mesa mais barulhenta.

O banquete foi num restaurante de culinária cantonesa, o que significa muita, muita carne, molhos elaborados, preparo impecável e ingredientes únicos e exclusivos. E eis que o banquete começa, sem aflições e sem circo, para o nosso alívio. Primeiro encheram nossos copos de suco, cerveja e vinho. E o primeiro curso veio com os aperitivos de carnes frias: frango branco cozido, fatias de pés de porco assadas, joelho de porco grelhado. Logo recebemos tigelinhas com sopa quentinha. Para mim, parecia simples sopa com frutos do mar. Reconheci camarões, pedaços de caranguejo e outra carne branca meio desfiada, mas não tinha como saber o que era. Muito boa, cheia de cebolinha verde por cima, a consistência da sopa era um tiquinho gelatinosa mas bem saborosa e achei que a carne branca deveria ser de algum peixe.

O próximo curso veio com broto de bambu cozido ao vapor e grelhado, com uma fina camada de maionese por cima. Os pedaços estavam bem tenros, como nunca havia experimentado antes. Uma bandeja enorme chegou à mesa com os mais maravilhoso camarões grelhados e depois mergulhados em vinagrete. Eles eram tão grandes, que a carne estava bem parecida com a de lagosta. Um peixão cozido no vapor foi o próximo prato, carne macia, molho cítrico divino, pak choi verdinha para acompanhar.

Outro prato chegou, no meio de um anel feito de motis fritos (bolinhos glutinosos de arroz), cubinhos de uma carne branca e outra mais escura, cogumelos e castanhas cozidas, em molho de shoyu. Peguei uma porção de cada e comi um pedaço da carne branca. Olhei pro Martin e perguntei "Monkfish?" (Peixe-diabo? Lophius piscatorius). Martin concordou mas não estava bem certo. Nossos outros colegas também acharam que era monkfish. Resolvemos então perguntar para as meninas mas elas não sabiam o nome em inglês.

E então a luz se fez. O moço taiwanês que estava sentado à minha frente fez uma imitação de que bicho que havíamos acabado de engolir. Ele colocou as duas mão abertas, uma de cada lado do rosto e fez a cabeça dele subir e descer, subir e descer bem devagar. Ohmyfuckinglord. Tartaruga. Carne de tartaruga ensopada. Olhamos um para outro e rimos. Já tinha ido mesmo. E pra falar a verdade a carne é bastante saborosa, a textura parece de camarão. Delicada, macia, agradável.

O próximo prato (vocês ainda estão contanto? este é o nono) foi de bolinhos fritos de carangueijo, que é auto-explicativo, agradou todo mundo. Os molhos picantes e de gengibre foram a atração. E o outro prato salgado a ser servido foi de costelas de porco grelhadas e glaceradas. Este eu não experimentei porque eu precisava de espaço para a sobremesa, uff. E para finalizar e ajudar a digestão, outra sopa, com sete cogumelos diferentes, um pedaço de carne de porco e um ovo de codorna. Tomei duas colheradas do caldo e não comi nada, uff.

Tortinhas de custard, melancia, melão, maçã e uva. Passaram todos por mim despercebidos, não me servi de nada. E enfim serviram uma sobremesa que chamou minha adocicada atenção. Em ramekins individuais, um pudim branco, branquíssimo, quase neve, coberto por uma boa camada de purê de manga. Ah, o aroma da manga madura, a cor laranja escura, ah! Peguei minha colher e mergulhei-a no pudim. Textura como nunca vira antes. Seda, essa é a sensação. Leve, lisa, lisa, lisa. A colher não corta, mas desliza. O caldo de manga entra nos reinos nunca dantes desvendados. Certamente cremoso, mas sem ser nem pudim, nem gelatina, nem flan. Algo entre esses três. E o sabor, ah o sabor. Coco, leite, manga, combinação divina. Fiz altos elogios, enalteci a sobremesa, estava visivelmente satisfeitíssima com o final elegante e delicioso do nosso banquete.

E porque estávamos já cheios de etílicos e brincando há várias horas, e porque também tenho fama entre os colegas do Martin de dessert monster (a monstra verde de olhos esbugalhados devoradora de sobremesas), virei pro N., que tinha começado a sobremesa dele mais tarde porque tinha ido no banheiro antes, e perguntei "are you going to finish that or not?" ("cê vai comer isso aí tudo sozinho?") e ele riu e D. riu também fazendo mímica da monstra, Mr.M tentou me segurar para não avançar no prato alheio. E rimos e rimos. E eis que eu nem vi, mas o moço taiwanês que estava na miha frente se levantou e foi no buffet dos garçons e trouxe mais um pudim extra pra mim! Gaaaaaaaaaaaaaaaahh!! Era o que eu precisava para todo mundo tirar o barato da minha cara e rimos até não agüentar mais. E eu realmente, realmente não tinha condições de comer mais nada. Mas dei duas colheradas por educação, agradeci ao moço que me trouxe a porção extra e ele estava rindo de mim também, maldito.

Descobri mais tarde que esta sobremesa dos deuses chineses é chamada de Dofu-fah e sua base é feita com leite de soja e tofu, que explica a leveza e textura sem igual. Foi um dos pratos que mais me surpreendeu até agora, pela simplicidade e combinação de sabores.

Ah, em tempo, descobri também qual era a carne branca da tal sopa no começo do jantar: barbatanas de tubarão. Politicamente incorreto, eu sei, fiquei surpresa também, mas já não fico mais chocada com nada nesta vida. A gente sente até um certo alívio de saber que era algo assemelhado a um peixe do que saber que era alguma criatura gosmenta, repelente, com mais de oito pernas e três olhos ou coisa do tipo. Tubarão? Ah tá, no worries.

Escrito a mão pela Marcia às 6:08 AM | mais em M&M in Taiwan | Comente este fragmento(7)

agosto 1, 2006

In Season - Kumquat


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Adoro estas pequenas frutinhas cítricas chamadas Kumquat. Parecidas com seus parentes limões, mas bem diferente no sabor porque são mais suaves e delicadas. Diferente das kumquats populares que têm formatos ovais, estas kumquats que encontramos aqui são da espécie Fortunella japonica e são redondinhas.

Taiwaneses adoram kumquats e fazem diversas sobremesas com elas, entre elas as compotas e marmeladas. Já eu adoro chá verde com kumquat e gelo que servem nos restaurantes. E aqui em casa fiz uma grande jarra de kumquatnada, esmagando as frutas com açúcar granulado não-refinado e adicionando água gelada.

A temperatura aqui continua nos insupertáveis 32-33ºC, umidade de 80%, e há quem diga que nada melhor do que um bom copo de limonada geladinha para refrescar. Well, depende. De acordo com a medicina chinesa, alimentos podem ser ying (frios) ou yang (quentes), dependendo da reação que causa em seu corpo. O limão amarelo, que é chamado de lemon na Inglaterra, é alimento yang e aquece o corpo. Já o limão verdão, que é chamado de lime na Inglaterra, é ying e refresca o corpo. Então, dizem os chineses, é preciso escolher a fruta certa, senão o tiro sai pela culatra.

Não sei exatamente aonde o kumquat se encaixa, mas o suco já está pronto e o ar-condicionado ligado.

Para finalizar, comentário de Mr.M: "You know what would be nice? Caipirinha de kumquat!"
He knows everything. :o)

Escrito a mão pela Marcia às 9:57 AM | mais em M&M in Taiwan | Comente este fragmento(6)