setembro 24, 2006

M&M in Japan

Hay Domo, domo!

Férias! Uma semana no Japão. Chegamos hoje a tarde em Tóquio e o país dos meus avós e meus antepassados nos recebeu de céu azul e sol dourado de outono. Já caminhamos por várias horas por entre as ruas de Shinjuku e Harajuku. Até agora nossa impressão é a melhor possível: ordem nas ruas, civilidade nos trens, gentileza delicadíssima de todos os japoneses que tivemos contato até agora.

Não devo atualizar a blog com fotos porque meu espaço no servidor está praticamente esgotado e vou pensar em resolver isso mais tarde, quando voltarmos. Aliás, depois destas férias voltamos para Taiwan, porque nossa temporada por lá ainda não terminou.

Agora já são altas horas nesta terra onde o sol nasce primeiro, então oyasuminasai (descobri hoje que sei falar mais japonês do que jamais imaginei).

Escrito a mão pela Marcia às 3:29 PM | mais em M&M in Japan | Comente este fragmento(7)

setembro 20, 2006

Futile Attraction

Então fui cortar meu cabelo. Evitei o quanto pude ir ao cabelereiro sem saber falar chinês, mas já estava tropeçando na minha juba, então resolvi que não dava mais para esperar. Fui. É aqui na esquina, todos os cabelereiros desse lugar são bem jovens e moderninhos. Bom sinal. Marquei horário, a menina falava um bocadinho de inglês. Fui na hora marcada, sentei e o cabelereiro veio conversar, em inglês. Eu só queria aparar as pontas, o mais simples possível para não ter erro.

O moço perguntou:

- Do... you... want... to... keep it... erm... long?

Eu olhei bem pra ele e respondi balançando a cabeça afirmativamente:

- YES.

O moço:

- OK.

Eu:

- OK.

De início ele até cortou as pontas na altura que eu queria, mas depois de um certo tempo, não sei bem se por tédio ou empolgação, o moço começou a usar a tesoura na vertical e foi arrancando grandes cachos de meus pobres cabelos que dantes foram longos. E o resultado é que agora estou praticamente máquina zero. Não, claro que não tô falando sério. Mas definitivamente deixei de ter cabelos longos e cacheados (hahaha) e agora tenho cabelos médios ali beirando pro curto.

Ficou bom, não posso negar, acho que foi um dos melhores cortes desde que me mudei de São Paulo. O moço tirou bastande do volume e fez várias camadas, minha cabeça está leve feito o vento que habita dentro dela. Mas ainda assim eu não estava preparada para mudar de estilo. Ainda não sei qual foi a parte do "YES" que ele não entendeu, mas deixa.

Daí quando o moço estava secando ele me explicou exatamente como segurar o secador, como puxar minhas pontas com os dedos, sempre trazendo as mechas para frente. Eu fiquei ali concordando com ele e não tive coragem de contar que eu não possuo um secador. E também não contei a ele que nem na Inglaterra, onde eu possuo um secador, não uso também. Paguei, voltei pra casa.

Martin ficou todo contente com meu novo corte. Isso foi anteontem. Hoje lavei -- e não sequei com secador -- e pareço o telhado de um cottage inglês. Mas deixa.

Não tenho fotos ainda do meu novo layout. Mas tenho esta foto que tirei hoje deste item de necessidade básica em tempos de crise capilar. Oh, como meu dia voltou a ficar ensolarado. Meu novíssimo exclusivo lipstick MAC Amplified Crème. Existem batons e batons. E existe MAC acima de todos. Este é novinho, polido, sem marca nenhuma, cheirando a baunilha. Não preciso dizer mais. Eu sei que muitas de vocês me entendem:


IMG_3602.jpg

Luxúria. Cobiça. Poder. Me deixa.

< /futile mode off >

Escrito a mão pela Marcia às 9:35 AM | mais em M&M in Taiwan | Comente este fragmento(6)

setembro 15, 2006

The Most Cutest Thing

As coisas andam um pouco complicadas por aqui. Mas preciso, necessito urgentemente gastar meu tempo com coisas doces come esta: Komaneko. Animação japonesa mais delicada do planeta, que foi vencedor do 2003 Japan Media Arts Award, na categoria de curta-metragens. Komaneko é um talentoso gato que adora artesanato e principalmente artes cênicas, sabe fazer storyboard e tudo mais. Dica do delicioso craftblog Little Mochi.

pic01.jpg

Confira estes vídeos e gaste todo seu tempo indisponível também:

Video 1
Video 2
Video 3
Video 4
Video 5

Vídeo 4 particularmente partiu meu coração. Awwww...

Escrito a mão pela Marcia às 6:59 AM | mais em M&M in Taiwan | Comente este fragmento(9)

setembro 6, 2006

Radio, Someone still Loves You

Radio
I'd sit alone and watch your light
My only friend through teenage nights
And everything I had to know
I heard it on my radio

Algumas canções só começam a fazer sentido muito mais tarde em sua vida. Amadurecimento e vivência trazem esclarecimentos dantes nunca sonhados. Estava pensando nisso a respeito da tão aclamada Radio Ga Ga, do Queen. Quantas vezes cantarolei essa canção, quantas vezes bati palmas entre "radio ga ga, radio goo goo", quantas vezes ouvi e ouvi novamente os mesmos versos. Porém, pouco ou quase nada entendia a respeito de seu verdadeiro significado.

Somente agora, após próxima convivência com minha família britânica é que entendo melhor a canção. Somente quando entendi o imenso papel que o rádio ainda tem na vida dos britânicos, principalmente ingleses, é que essa belíssima canção se apresentou a mim, novamente, como um grande manifesto.

Para quem chega em solo britânico agora e liga o rádio acha chato e que tem muita conversa, muito blablabla e pouca música. Mas é exatamente essa a essência das rádios britânicas: informar, emitir opiniões, criar discussões, instigar idéias, além de, inclusive, proporcionar entretenimento. De ser mais que um barulho de fundo, mais que uma vitrola. E essa essência vem de muito tempo atrás.

Outros tempos. Tempos em que comediantes, comentaristas, artistas e apresentadores eram responsáveis por criticar, educar, encorajar e entreter uma nação, livre de interferências políticas ou comerciais. Tempos em que a obra War of Worlds (sobre marcianos invadindo a Terra), de H.G.Wells, era dramatizada na rádio por Orson Welles, causando pânico nos EUA, tamanha era a força do meio de comunicação. Tempos em que igualmente a narração das Aventuras de Superman atingiam níveis tão altos de audiência, que nos fazia acreditar que o homem podia mesmo voar.

You gave them all those old time stars
Through wars of worlds, invaded by Mars
You made 'em laugh, you made 'em cry
You made us feel like we could fly
Radio...

Tempo em que a BBC Radio informava boletins diários sobre a Segunda Guerra Mundial, monitorava transmissões de outras nações para identificar propagandas nazistas e usava sua tecnologia para combater o avanço de Hitler.
Especialmente, tempo em que, quando os aliados estavam prestes a perder a Segunda Guerra Mundial para Hitler, o então Primeiro Ministro britânico Winston Churchill transmitiu, via ondas de rádio, seu discurso "Their Finest Hour" à nação:

"(...) Hitler sabe que terá que nos arrasar nesta Ilha ou perder a guerra. Se pudermos confrontá-lo, toda a Europa estará livre e a vida do mundo poderá se mover para a frente em amplos e iluminados solos. Mas se nós falharmos, então o mundo inteiro, incluindo os Estados Unidos, incluindo tudo que nós conhecemos e nos importamos, vai se afundar num abismo de uma nova Era de Escuridão, talvez ainda mais sinistra pelas luzes da ciência pervertida. Vamos portanto nos firmar em nossos deveres e ter em mente que se o Império Britânico e sua comunidade durarem por mil anos, então homens ainda dirão: 'este foi o mais grandioso momento deles' ('this was their finest hour')."

Com todo esse passado, toda essa história, com toda essa influência positiva, para a geração de Freddie Mercury e para os que hoje têm mais de 40 anos, foi com grande pesar testemunhar a tão fiel rádio se transformar em uma caixa de música ruim, sem nenhuma mensagem, sem nenhum objetivo. Feito para molecada rebolar, sem saber o que acontece mundo afora e muito pior, sem se importar minimamente com isso.

So don't become some background noise
A backdrop for the girls and boys
Who just don't know or just don't care
And just complain when you're not there
You had your time, you had the power
You've yet to have your finest hour
Radio...

Para completar, a chegada da MTV e afins, apesar de grande impacto e importância, teve também sua parte na alienação, na inércia dos espectadores que, abismados com todo visual, pouco dão atenção ao que importa. E tão bem descreve Roger Taylor, autor de Radio Ga Ga, "nós dificilmente precisamos usar nossos ouvidos". As imagens já estão ali prontas e mastigadas, pouco dos ouvidos e menos ainda do cérebro é exigido. "Como a música muda através dos tempos", conclui Taylor sabiamente.

We watch the shows - we watch the stars
On videos for hours and hours
We hardly need to use our ears
How music changes through the years

Mas ao menos por enquanto, ao menos para os britânicos, a Rádio ainda tem seu lugar privilegiadíssimo e insubstituível na vida deles. Ao menos em nossa família, o pai do Martin jamais pode começar seu dia sem ligar na Radio Five Live e saber tudo o que aconteceu nos esportes enquanto ele dormia. A mãe e a irmã do Martin não perdem nenhum capítulo da rádio-novela The Archers, as duas acompanhando tudo olhando para o rádio, como se de lá saíssem as imagens da trama. Martin aqui em Taiwan chega no escritório e conecta-se a BBC Radio 2 pela Internet, assim como absolutamente todos os colegas deles. Há ainda muitos bons programas, excelentes apresentadores e umas poucas bandas que ainda valem a pena. Eu, que ainda engatinho nesse costume, que venho de outra cultura, acostumada a ouvir à rádio mas com outros interesses, também agora sinto falta dos meus comentaristas favoritos Jonathan Ross, Mark Lamarr e Dermot O'Leary, sinto saudades dos tempos em que tinha que ficar acordada até tarde para ouvir Fábio Massari no Lado B da 89FM contar sobre as bandas da longínqua Europa.

Let's hope you never leave old friend
Like all good things on you we depend
So stick around 'cos we might miss you
When we grow tired of all this visual

Só então toda a letra de Radio Ga Ga passou a ter um completo e intenso novo significado pra mim. Houve um tempo de glória e poder da rádio. Houve um tempo de racionamento de papel, de energia elétrica e de informação. Houve um tempo em que a rádio era o único meio de se conectar ao mundo, o único meio capaz de desafiar censura e guerras, mobilizar massas e nações. A rádio criou por mérito próprio uma confiança que ainda, apesar de tudo, tem seu público, tem seu alvo. Que o manifesto Radio Ga Ga persista por anos e esteja sempre na mente de quem a faz mais que uma radio blah blah.

You had your time - you had the power

You've yet to have your finest hour
Radio...

All we hear is radio ga ga
Radio goo goo
Radio ga ga
All we hear is radio ga ga
Radio goo goo
Radio ga ga
All we hear is radio ga ga
Radio blah blah
Radio what's new ?
Radio, someone still loves you

Queria que Freddie Mercury soubesse que a rádio ainda existe, quinze anos após sua morte, que ela ainda é parte tão cotidiana de muitos, como foi na vida dele em Londres. Ontem pensava em tudo isso quando fomos dar uma espiada na loja de DVDs aqui perto. Entre os muitos títulos que estavam arrumados na vertical feito biblioteca, eis que meus dedos puxaram um título aleatório da prateleira. São todos com sobrecapa em chinês, então não sei que título é até ver a capa. Era Red Hot Chilli Peppers. Coloquei-o de volta e o DVD do lado tombou um pouquinho. Fui ajeitá-lo e para minha total surpresa qual DVD era? Queen Live at Wembley Stadium! Fiquei tão encantada com a coincidência, que imediatamente comprei. Quando chegamos em casa, estava pesquisando sobre o show desse DVD, que aconteceu em 1986, no auge da carreira do Queen, logo após a memorável performance deles no Live Aid. E então descobri que ontem, além de todas as coincidências, seria também o aniversário de 60 anos de Freddie Mercury. Senti uma certa presença nos moldes "I can see dead people"....

"Thunderbolt and lightning
Very very frightening me..."

Escrito a mão pela Marcia às 6:13 AM | mais em Little Britain | Comente este fragmento(9)

setembro 4, 2006

Easy like Sunday Mornings

Ontem tivemos um café da manhã bem especial e delicioso. Fiz panquecas com blueberries, maple syrup e, como já fazia 33ºC, um tantinho de sorvete de baunilha. Para acompanhar, café com leite feito na hora e uma porçãozinha de bananas e blueberries.

IMG_3507.jpg

Estava tudo muito bom e nos manteve bem alimentados para agüentar a caminhada de quase quatro horas. Não almoçamos e tivemos um jantar bem saboroso no restaurante japonês que costumamos freqüentar. Foi um bom domingo.

Ontem foi também aniversário do meu irmão artista e surfista. Parabéns, meu irmão!

Escrito a mão pela Marcia às 4:47 AM | mais em M&M in Taiwan | Comente este fragmento(7)

setembro 1, 2006

My Six Little Things

A Giorgia pediu (=intimou) e eu obedeço senão ela me processa (hahaha). Ela quer saber "seis coisinhas" sobre mim. Pelo que entendi, devo apontar seis verdades sobre minha pessoa que nem sempre ficam muito claras para quem pouco me conhece. Hmm.

Coisa Número Um: Sou essencialmente uma pessoa bem-humorada. Adoro rir, melhor ainda gargalhar, adoro estar entre pessoas alegres e inteligentes, que sabem fazer piada de si mesmos, que têm raciocínio rápido para rir e tirar o barato na hora certa. Gosto de rir de besteiras, mas não gosto de nada forçado ou que não seja natural. Odeio ter que sorrir amarelo e sou péssima para fazer isso.

Coisa Número Dois: Sou ultra-mega organizada em vários aspectos da minha vida. No entanto, meu guarda-roupas e minhas gavetas são uma bagunça. Passo as camisetas e guardo-as nas gavetas, mas junto com elas as camisetas sem passar também dividem o mesmo ambiente e elas se organizam num Movimento Sem Ferro e logo uma está por cima das outras, invadindo território, amassando propriedade alheia.

Coisa Número Três: Sou extremamente caseira e isso não me entedia. Eu gosto do meu canto, gosto de ficar em paz, gosto de ter-me como minha própria companhia. Exercito minha mente, exercito minhas habilidades, cuido dos nossos interesses e das nossas necessidades na tranqüilidade do nosso lar, sem ter que provar ou explicar nada a ninguém.

Coisa Número Quatro: Em momentos de crise, coloco meus dois pés no chão e procuro ser mais racional possível. Procurar uma solução é o que sempre me vem à cabeça. Odeio drama queens perto de mim. Ou ajuda a encontrar uma solução ou cai fora. Gente que tem faniquito, que faz que vai desmaiar (e nunca desmaia) ou que chama atenção para si ao invés de se concentrar no problema me dá nos nervos. Porque pra mim isso tudo soa egoísmo. Já temos um problema, se você desmaiar porque não sabe dar conta da crise, daí eu vou ter dois problemas enquanto você dorme até passar. Get a grip or get lost. Não, não tenho paciência com drama queens, muito menos com egoístas.

Coisa Número Cinco: Tenho boa memória. Guardo frases exatamente como elas foram ditas. Guardo momentos e acontecimentos com todos os detalhes. Guardo sentimentos, cheiros, sabores, texturas. Guardo rostos, nomes e personalidades. Mas não sei guardar números, datas de aniversário ou endereços. Lembro de passado muito antigo, lembro de muita coisa. Por isso mesmo, muitas vezes perdôo, mas nunca esqueço. "Forgetting you but not the time..."

Coisa Número Seis: Sou omnívora e bastante consciente de tudo o que passa pela minha boca. Não tomo refrigerante há vários anos a não ser quando é a única opção segura, mas não gosto, não compro. Sal e açúcar uso com extema moderação porque aprendi o quando ambos escondem o sabor do alimento. Café para mim só precisa de açúcar quando é de baixa qualidade, café bom não precisa. Um pedaço de chocolate com pelo menos 60% de cacao é para mim muito mais rico, saboroso e satisfatório do que um quilo de Cadsbury (arghhh!). Na Inglaterra compro orgânicos da fazenda local, compro frangos e ovos só free-range, preparo refeições simples mas sem fritura, sem molhos de saladas prontos (arghhh x2!), sem queijos processados ou temperos artificiais. Não incentivo ninguém a fazer o mesmo, é uma coisa minha mesmo.

Escrito a mão pela Marcia às 5:23 AM | mais em An ordinary life | Comente este fragmento(7)