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M&M in Tokyo: Day 2 - Part 2

Após a visita ao Tsukiji Fish Market, rumamos para Asakusa. Tentamos fazer um caminho alternativo para não precisar tomar outro metrô e para conhecer algumas ruas pouco turísticas de Tokyo, mas como nosso mapa de ruas não era detalhado (mapa grátis do hotel), chegou um momento em que a gente não sabia mais que caminho tomar num cruzamento de várias saídas. Ficamos na calçada analisando o mapa e os prédios ao redor por um bom tempo. Até que um senhor japonês atravessou a avenida e veio diretamente até nós e perguntou em inglês se podia nos ajudar. Agradecemos e dissemos a ele que estávamos a caminho de Asakusa. Ele também ficou na dúvida de como partir dali de onde estávamos e sugeriu que pegassemos o metrô mesmo. Nos informou até mesmo quanto custaria o tíquete de metrô e quanto custaria ir de táxi também. Caminhou conosco até perto da porta do metrô, onde agradecemos profusamente e ele voltou pro caminho que estava seguindo antes. Supergentil e simpático.

Chegamos a Asakusa, enfim. Vimos o prédio da Asahi Beer com sua Flemme d'Or, projetado por Phillipe Starck. E logo a grande lanterna do templo Sensoji estava à nossa frente. Vou lhes contar uma verdade agora. Não ficamos nenhum pouco animados com esta atração. Não somos religiosos, é certo. Mas há templos que nos atrai por sua história e importância e há outros que não. Sensoji foi um que certamente não nos causou impacto. A rua que leva ao templo, Nakamise Street, é alinhada com mais de 50 lojinhas de souvenirs. E, pelo menos no dia e horário que fomos, estava abarrotada de turistas. Não vi nada naquelas lojinhas que me atraiu, além dos sembei (bolachas de arroz) e manjus, todos feitos na hora (eu sou uma gulosa, eu sei). E que ninguém acredite, por favor, que aqueles robes de poliéster vendidos nas banquinhas são kimonos.

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As ruas perpendiculares à Nakamise Street são mais interessantes. Lá as casinhas de madeira da antiga Tokyo ainda são preservadas, as ruas são charmosas e ali sim alguns alfaiates fazem verdadeiros kimonos por encomenda. Foi numa dessas ruazinhas antigas que almoçamos. Entramos numa casinha pequena que vendia ramen. Perguntei se havia menu com fotos e o moço apontou para a parede dois tipos de ramen, acho que por dia eles fazem apenas duas de suas especialidades. Escolhemos, apontei "kore, futatsu, onegaishimas" (este, dois, por favor). Sentamos assistimos aos cozinheiros prepararem tudo e fomos servidos de tigelas fumegantes de ramen com caldo de shoyu (pronuncia-se sho-yú, não shôyu, please). Os noodles estavam perfeitos, al dente, vários vegetais por cima, cogumelos, fatias de lombo, tudo muito bom mas acho que meu preferido ainda é missô ramen. A casa estava cheia de locais e velhinhos que entravam e olhavam pra nós com ar confuso; até terminarmos, fomos os únicos turistas comendo ali.

Visitamos o templo Sensoji. Foi o primeiro templo que vimos desde que chegamos no Japão então muitas coisas chamaram nossa atenção, como o poço de água com as conchinhas para lavar as mãos e a boca, o incensário onde todos traziam a fumaça para si para purificar a alma, os detalhes dos telhados, as lanternas imensas, tudo. Havia uma missa acontecendo, acho que era de Obon, para os finados. A oração entoada na missa era a mesma do templo em que meus pais freqüentam, na Vila Mariana.

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Tentei minha sorte. Do lado de fora do templo, há uma espécie de Fortune Teller. E funciona assim: você deposita 100 Yens e tira de uma lata uma varetinha. A varetinha contém um número (em japonês). Você então vai até um armário cheio de gavetinhas e abre a correspondente ao número da varetinha. Lá você encontra um folheto que diz sobre seu destino em japonês e inglês. O meu: "Bad Fortune: your wish is hard to come true" (Má fortuna: seu desejo é difícil de ser realizado). Quando eu já estava praticamente a caminho de me jogar do quinto andar da pagoda de Sensoji, descobri que você pode amarrar essa má fortuna num dos racks disponíveis para devolver aos deuses seu mal agouro. Numa cerimônia especial, esses folhetos são incinerados e sua má sorte se transforma em boa. Everything is not lost.

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De Asakusa, caminhamos até Kappabashi Street, que é uma rua especializada em artigos para restaurantes: mesas, cadeiras, menus, comidas de plástico para vitrines (super utilizados no Japão), lanternas, letreiros, panelas e utensílios diversos. Fomos lá com um grande objetivo: visitar a Kamata Knives e comprar nossa faca. No nosso apartamento em Bournemouth temos duas facas japonesas da Japanese Knife Company, que são boas. Aposentei todas as outras facas e só uso essas duas, uma é carving e a outra é para vegetais. E eu queria uma chef's knife, uma multi-uso curvada na ponta, mas não tão grande, nem tão pesada. E principalmente, eu queria algo artesanal. Martin adora facas também e estava animadíssimo para conhecer esta loja tão especial.

Pois bem, entramos na loja Kamata e ficamos maravilhados. As facas são dispostas num mostruário na parede, por trás do vidro. E as escolhas são infinitas. Todos os tipos, espessuras, formatos e tamanhos. Uma senhora muito simpática veio nos atender em inglês e perguntou qual era a nossa necessidade. Expliquei o que queria e a partir daí me senti como Harry Potter comprando sua primeira vareta mágica. Ela observou meu tamanho, o tamanho do meu antebraço, pensou um pouco, pegou uma faca, pediu para eu segurá-la. Tirou a faca da minha mão, balançando a cabeça negativamente. E proclamou: "pra você acredito que o melhor tamanho seja a de 18 centímetros." E trouxe algumas opções no tamanho ideal. E hey, exatamente o tamanho que eu tinha em mente, parece simplesmente a extensão do meu braço, ao contrário das grandes facas européias que eu não consigo ter controle. Difícil foi decidir entre as várias opções. Optamos por uma de aço inoxidável forjada à mão (como todas as da Kamata), feita através de um processo que faz um sanduíche de camadas de aço duras com camadas de aço mole no meio, e as mesmas são aquecidas, unidas, forjadas, marteladas, moldadas e finalmente afiadas. Todas as camadas do aço aparecem na lâmina e a faca é levíssima e ao mesmo tempo bem resistente.

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Voltamos para Shinjuku e lá ficamos testando lentes na fantástica Yodobashi Camera, mas não compramos nada. Depois fomos procurar algum lugar para jantar. Encontramos um restaurante italiano e ficamos animadíssimos porque em Kaohsiung não existe pizza e estávamos há seis meses sem ver uma pizza decente. Entramos e tivemos uma grata surpresa de provar uma pizza muito boa, massa excelente, elástica e crocante, recheio de muzza, alcachofras e parma. Nham, comemos com muito gosto. Antes de voltar ao hotel, fizemos uma parada no Isetan para uma das mais esperadas visitas do dia. Como não temos planos de irmos tão cedo a Paris, visitamos uma das lojas de Pierre Hermé em Tokyo! Hermé é o grande responsável pelo meu enorme carinho e paixão por macaroons e não pude deixar de comprar alguns dos seus mais famosos sabores: dois de chocolate, um Ispahan (pétalas de rosas), um de pistachio, um de baunilha (apesar de parecer simples, um dos melhores!) e um de caramelo au fleur de sel.

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E o melhor comentário que o Martin poderia ter feito foi: "Estes macaroons [de chocolate] não são nem um pouco melhores dos que você faz." Hehe, fiquei contente sim de provar os de chocolate e ver que estou fazendo certinho. Os outros sabores são magníficos, só o de caramelo é que não gostei muito porque não sou fã de buttercream. Final perfeito de um dia muito, muito longo.


8 Comentários

Hummmmm... esses macaroons parecem deliciosos.. e as cores.. lindo!

Estou adorando os posts!
Um grande abraço!

Seus posts estão cada vez melhores! A tua descrição é perfeita.

Espero um dia poder conhecer esse lugar tão mágico.

Estou ansiosa pelo resto da viagem...

bjos

Patricia

Ahhh, os macaroons! Mas eu imagino que sejam caros em Tóquio. Esses papeizinhos eu já vi numa festa japonesa na Liberdade, mas acho que eu não fiz pedido, nem me lembro. Uma faca de qualidade é indispensável numa cozinha, não entendo como pouca gente sabe disso. E que venham os próximos capítulos. Abs,

Olá! Sou nova por aqui! Descobri seu cantinho por acaso e sempre que posso dou uma passadinha por aqui para ler seus posts maravilhosos! Finalmente tomei coragem para escrever um recadinho (e deixar de ser uma anônima que sempre lê o que escreves!).
Adoro mesmo os seus posts (e às vezes até me identifico com alguma situacao que passaste, que coisa né! ). :)
Beijinhos no coracao!

Marcinha,
Tive o privilégio de provar seus macaroons quando lhes visitei em Bournemouth, e pela delícia que eles são, tô com o Martin e não abro, devem ganhar disparado dos franceses!
Por aqui as coisas mudaram bastante, estou morando e trabalhando em São Paulo, e não mais com o Steve. Mas no ano que vem pretendo passar umas férias na Inglaterra!
Beijos e saudades!

Parece que o hábito de lavar as mãos e a boca é comum em todos os templos. Eu estive no Meijii Jingu (Harajuko) e no Narita San (Narita) e ambos também tinham essas conchinhas.

E comi noodles deliciosos num restaurante desses também :)

Como sempre, as fotos estão mágicas!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Os posts estão fantásticos.

Beijos
Andreia Sieczko