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Second Trip to Hong Kong

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Fomos à Hong Kong novamente. A razão dessas nossas curtas viagens para o continente chinês se dá pelo fato que Taiwan tem esta estranha e inconveniente política de que os vistos devem ser emitidos somente fora do país. Esta foi a segunda vez que precisei extender meu visto e por isso tivemos que ir até a vizinha Hong Kong. Martin tem o Alien Resident Card, então ele não precisa renovar vistos (aliens podem morar em Taiwan, mas eu não). Mesmo assim ele precisa ir comigo já que meu visto é Visitors Business (uma vez que eu o acompanho nesta viagem à trabalho) e preciso provar que ele existe e é meu marido.

Enfim, já sabíamos de tudo isso, a empresa paga as despesas de vôo, acomodação, taxas e tudo mais. Também já havíamos feito isso antes, em Junho. Desta vez, como já sabíamos aonde ir e como proceder, a empresa organizou pra partirmos a Hong Kong no domingo e nos aconselhou a fazer a renovação do visto na manhã da segunda-feira, pagando a taxa extra para ficar pronto no mesmo dia e, assim, voltaríamos no mesmo dia pra Taiwan e Martin perderia apenas um dia no trabalho.

OK, preenchi o formulário, conferi duas, três vezes se estava tudo certo, Martin checou também; revi os documentos necessários, passaportes, carta-convite da empresa, carta-convite de Taiwan, fotos, certificados de casamento, Alien Card do Martin, tudo certo.

Chegamos no domingo, sol forte, neblina de vapor, calor, claridade irritante. Estávamos com um colega do Martin que também teve que sair do país para ganhar outro visto de visitante, mas ele não precisava ir ao escritório de vistos como eu. Ele só precisa ficar mais uma semana em Taiwan, então só sair e entrar com um visto de turista servia. Levamos este colega, que estava em Hong Kong pela primeira vez, em alguns dos pontos turísticos, vimos a baía, o porto, os arranha-céus. Subimos no The Peak, o alto de uma montanha de onde se vê toda cidade, mas era um horário ingrato, cheio de turistas e visibilidade terrível, como dá pra perceber na foto acima. Almoçamos num restaurante quase italiano (estamos cansados de shoyu), comemos pizzas deliciosas na beira da baía, passeamos em Kowloon e no centro de Hong Kong. Levamos o colega de volta à estação (porque somos bacanas), demos entrada no hotel e saímos para jantar num restaurante fusion japonês. Comemos sushis e rolinhos inovadores excelentes. Seja lá quem foi que inventou de misturar salmão cru com abacate maduro tem todo meu respeito, oh joy, como adoro os "california sushis".

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Andamos na área Causeway Bay, que é lotada de gente e lojas. Não sei qual é o grande barato do famoso cruzamento de Shibuya (em Tokyo), quando o cruzamento de Causeway Bay na frente do Sogo é muito mais densamente populoso, muito mais cheio, muito mais confuso, muito mais desesperador. Fomos até o Food Hall do Times Square, compramos chocolate Valhona e sake. É, eu sei.

Dia seguinte acordamos bem cedo, tomamos café da manhã no hotel, conferi meus documentos, formulário, tudo certo. Pegamos o metrô, estava estranhamente calmo. Andamos pela rua, o trânsito estava calmo também. Entramos no prédio onde fica o escritório de vistos e logo na saída da escada rolante tinha dois guardinhas numa mesa, que perguntaram para onde estávamos nos dirigindo. Respondi sorridente que ia até o quadragésimo andar. E ele respondeu:

Moço guarda: Not possible. (Não é possível)
Eu: Hein?
Martin: Beg your pardon?
Moço guarda: Not opened today, national holiday (Não está aberto hoje, feriado nacional)
Eu: What...?
Martin: WHAT?!?!?
Moço guarda: Chinese holiday, open tomorrow, come tomorrow (Feriado chinês, abre só amanhã, venham amanhã)
Eu: well... ok, thank you very much.
Martin: WHAAAT?!?!?

Muitos, muitos outros ocidentais chegavam no prédio e recebiam a mesma notícia e faziam cara de perdidos como nós. A partir daí Martin teve uns minutos de pânico. Primeiro porque era feriado, obviamente, e não íamos conseguir fazer nada a respeito do visto. E segundo que teríamos que ficar mais um dia em Hong Kong e ele perderia mais um dia de trabalho. Talvez não fosse um problema se no momento ele não estivesse atravessando um período monstruoso no projeto, onde tudo tem dado errado. Para completar, dois especialistas foram contratados para chegar em Taiwan no dia seguinte só para ter reunião com o Martin. Depois de muitos telefonemas, a Jo mudou nossas passagens aéreas e reservou o mesmo hotel novamente. Ela geralmente sabe todos os feriados e nos avisa quando podemos ou não viajar, mas esse em particular ela não sabia.

Tivemos mais um dia livre, mas foi estranho. Martin estava preocupado e a todo momento os outros colegas ligavam pra ele tirando dúvidas. Obviamente que não queríamos ir pra Hong Kong Disneyland, atender ao celular e fazer os gerentes ouvirem "ele é o maior, viva o Mickey Mouse!" tocando ao fundo. É certo que não era nossa culpa, nem culpa de ninguém, só da China mesmo. Ficamos no centro, sem rumo, sem destino, sem muita empolgação para fazer nada turístico. Compramos cuecas, calcinhas e meias novas, que é só o que importa no final das contas.

Terça-feira, nosso humor já tinha melhorado. Acordamos ainda mais cedo, abrimos mão do café do hotel e fomos até um lugarzinho quase francês onde comemos croissants muito bem feitos, daqueles que formam uma teia por dentro, delicados, sem serem gordurosos e bem macios.

Chegamos no escritório de vistos antes de abrir e havia uma fila com cinco pessoas. Nos juntamos a eles, muitos outros se juntaram a nós e esperamos abrir. Assim que os funcionários chegaram, um guardinha nos guiou para pegar senhas. Todos com senhas e sentados, o guardinha veio distribuir os formulários de vistos. Todos os que estavam na minha frente, assim como os que estavam atrás de mim pegaram o formulário e começaram a preencher ali na hora. E eu fiquei com a minha cara abismada olhando praquele povo todo de cabeça abaixada preenchendo os campos. Pensei comigo, comassim??? Cêis vem aqui no escritório de vistos, sem formulário preenchido?? Jurapordeus que cêis conseguem fazer isso?? E como eu era a única com formulário preenchido e com todos documentos, fui a primeirona a ser atendida. A funcionária checou tudo, conferiu tudo, disse que tudo estava OK e que era para voltar depois das quatro da tarde para retirar meu passaporte.

Atrás de mim um povo já fazendo barulho e confusão porque não sabiam que precisavam disso e daquilo pra dar entrada no visto, gente saindo correndo para buscar documento, gente se descabelando. Antes de sair Martin comentou como é bom que às vezes vale a pena sermos organizados. Very true. Voltamos às quatro da tarde, meu passaporte já esperava com o visto prontinho.

Neste interim, Martin recebeu e fez dúzias de ligações para a empresa, conversou horas com os especialistas que esperavam por ele. E por causa disso, encontramos mais um "problema" para resolver. Como originalmente iríamos ficar apenas uma noite em Hong Kong, Martin trouxe só o celular dele (velho, caquético, da empresa), sem o carregador de bateria. A bateria estava cheia, porém, com tantos telefonemas recebidos e tantas explicações dadas, a bateria idosa logo começou a dar sinais de morte iminente. Precisávamos comprar um carregador de bateria, mas daí precisaríamos também encontrar algum lugar para conectar à energia e já havíamos feito o chekout do hotel de manhã.

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Diante das opções, ganhei um celular novinho, hooray!!! Veio com meia bateria carregada e o Martin pôde usar o SIM card dele e continuar trabalhando remotamente. No final tudo deu certo, voltamos pra Taiwan exaustos, depois de três longos dias. Tudo seria tão mais descomplicado se a gente pudesse simplesmente resolver o visto aqui mesmo em Taiwan... Mas "descomplicado" e "Taiwan" não são palavras que combinam entre si. Pelo menos por mais alguns meses ainda estou aqui legalmente.


8 Comentários

Esse negocio de visto e realmente um saco em qq lugar do mundo, mas essa de ter que sair do pais, eh nova pra mim, geralmente eles querem vc la no pais pra ter certeza que vc eh quem vc diz que eh e tudo mais.

Celular fofo, e pelo lado positivo vcs tiveram 2 dias em Hong Kong, mais uma viagensinha...

Bjs e se cuide!

Flavia

Quanto meu esposo foi a trabalho para USA no inicio era por 3 meses e acabou sendo 3 anos e sempre que o visto estava para vencer tinhamos que sair do pais para renovar as vezes iamos ate o Canada e as vezes para o Mexico mais sempre tinhamos que sair da america para que o visto fosse renovado.O bom disso (quando nao e' um momento critico e' claro)e'
que vc acaba conhecendo outros paises o que pra mim sempre e' encantador.
PS:Marcia nao fique muito tempo sem escrever.
Ps2:Sempre abro meu email na esperanca de ver um recadinho seu .
Ps3:desculpe a falta de acentos e cedilhas,meu computer nao tem.
Bjs

Puxa, pelo menos deu tudo certo, e vocês tiveram mais um dia para passear ou descansar... Valeu também pelo celular novinho, que aliás achei lindo!!!
Não fique tanto tempo sem escrever, venho até seu site sempre, prá ver se tem novidades.

Beijo,
Andreia

Marcinha,

Fotos de fazer inveja a qualquer um sao as suas...como gostaria de fazer uma viagem assim...mas pelo menos por enquanto, com a isa, fica dificil.
Fico feliz de saber que esta descobrindo suas raizes nesse pais encantador.
Com afeto,
Ane

Marcinha, os meus colegas brasileiros que tem visto de trabalho precisam ir ao Canada para renovar tambem, que nem voce fez. Eles vao em um dia e voltam no outro, pelo menos aqui estamos pertinho da fronteira e da pra ir de carro tranquilamente. Mas todo mundo reclama tambem :)

Pena que voces nao foram na Disney!

Márcia,
faço minhas as palavras da LU qndo ela diz "Marcia nao fique muito tempo sem escrever." hahaha
é q isso aqui é tão bommmmmmmm!
bjos

p.s.: vcs se amarram num sakêzinho! hahaha nunca experimentei, deve ser forrrrrrrrrrrte.
p.s2: lindo seu novo celular!

Márcia, você é o Máximo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Obrigada pelo comentário que você deixou lá no blog. Amei. Sempre fico muito feliz com a sua visitinha, queridoca!

Tudo, tudo de bom!
Beijocas

Mas que celular lindinho! Finalmente acabei de ler seu relato sobre o Japao. Fiquei encantada, e espero ter um dia a oportunidade de conhecer esse pais fascinante. Hong Kong? Para ser sincera, nem sei bem o que tem de bom la, mas fico feliz que voce resolveu o problema do visto. Bjs,