janeiro 29, 2007

The Tale of Beatrix Potter

Fomos ao cinema ontem e assistimos a Miss Potter. Estávamos animados para conferir o filme que é baseado na vida de Beatrix Potter, a autora de diversos personagens de histórias infantis, incluindo o famoso Peter Rabbit. Mais que isso, Potter viveu parte de sua idade adulta em Lake District, na região de Cumbria onde Mr.M morou durante sua infância e adolescência. Não tínhamos muitas expectativas porque não havíamos lido nada a respeito, estávamos apenas curiosos em ver imagens de Lake District e também saber um pouco mais da biografia tão pouco conhecida da autora.

Adoramos. Renée Zellweger ficou bem convincente como Beatrix Potter. E Ewan McGregor, nem é preciso muito esforço para se afeiçoar ao seu personagem, excelente. E as imagens, ahh, festa para os olhos. Cada detalhe, mesmo que distante e fora de foco foi bem pensado e pesquisado. Principalmente quando as cenas são da época Vitoriana, em Kensington, Londres. Sem contar com as paisagem de Lake District e da reconstrução da fazenda Hill Top, onde Potter viveu os últimos anos de sua vida se dedicando a preservar o patrimônio rural da Inglaterra.

O filme todo é bem charmoso, harmonioso e delicado, assim como as ilustrações da autora. Mas não é um filme infantil, já aviso. É um drama, uma biografia, apesar da presença de Jemina Puddleduck, Benjamin Bunny e Mrs. Tiggy-Winkle, entre outros personagens fofos. Os fatos principais são todos verídicos. Desde sua próspera infância, sua opressiva mãe que nunca incentivou ou sequer reconheceu seu precoce talento, sua triste tragédia pessoal, o sucesso do primeiro conto infantil.

Depois de sua morte, em 1943, Potter doou à National Trust quase toda sua propriedade, que inclui 4000 acres de terra, cottages e 15 fazendas, incluindo a belíssima Hill Top, que ainda é preservada com muito do que a autora possuía. Até a horta continua sendo cultivada com os mesmos legumes e vegetais que ela um dia plantou e que foi fonte de inspiração para suas inúmeras ilustrações.


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Num Natal frio, cheio de gelo e pouca neve, ganhei de Mr.M a coleção completa dos contos de Beatrix Potter, numa edição comemorativa do centenário de Peter Rabbit. Considero-a um tesouro, é um fascínio ler as obras em ordem cronológica que foram publicados, bem como ler sobre os eventos da vida da autora na respectiva época de cada conto, o que explica a personalidade pitoresca de muito de seus personagens. Mr.M teve toda a coleção também quando criança, mas a edição dele era dos livrinhos pequeninos, que Beatrix Potter insistiu que fossem feitos para caber nas mãos pequenas das crianças. E por muitas vezes nós lemos os contos juntos, sob o edredon quentinho e à luz fraca do abajour; eu conhecendo muitas estórias pela primeira vez, Mr.M relembrando de seus personagens preferidos. E nós dois rindo, talvez porque os animais eram engraçados, talvez porque aquele momento pra nós era tão único e divertido. Ou talvez porque o frio e as dificuldades desta vida ficavam pra fora da janela fechada, atrás da cortina.

Meus contos favoritos? O delicioso The Tale of Pie and the Patty-Pan (patty-pan é uma forminha de empada, que antigamente era colocada dentro de uma torta grande, por baixo da massa que a cobria, para evitar que o centro da mesma afundasse); o comovente The Tale of the Tailor of Gloucester; e também The Tale of Ginger and Pickles, que reúne vários dos personagens mais famosos. E The Tale of Peter Rabbit, claro, esse coelho sem-vergonha e guloso.

Escrito a mão pela Marcia às 12:22 AM | mais em Little Britain | mais em M&M in Taiwan | Comente este fragmento(5)

janeiro 25, 2007

And Yet Another Earthquake

Tivemos mais um terremoto ontem. Fraco, um pouco mais longo desta vez. Sentimos o apartamento chacoalhar, assistimos às luminárias do teto balançarem de lado a lado. Foi fraco. Mas o suficiente para nos trazer más memórias. Suficiente para trazer de volta a inconfortável sensação de que outro forte terremoto está para acontecer.


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Escrito a mão pela Marcia às 11:44 PM | mais em M&M in Taiwan | Comente este fragmento(2)

janeiro 22, 2007

Accomplishments

Bom domingo, ontem. Mr.M de folga, um dia depois da chuva, com sol, mas ainda agradável para caminhar. Eu estava com uma missão a cumprir na minha cabeça: encontrar o Centro Cultural de Kaohsiung. Passei dias e dias vasculhando a Internet pelo endereço, mas em inglês a busca foi infrutífera. E em chinês eu não conseguia encontrar o endereço. No final, consegui saber que o tal Centro Cultural ficava perto de um restaurante, cujo endereço eu sabia onde era. Então logo de manhã, depois do café da manhã em pijamas, saímos para começarmos a expedição.

Caminhamos até uma rua que é o mercado das flores da cidade. Várias bancas de flores, plantas e arranjos. Nessa rua também há a nossa banca preferida de frutas. As frutas de lá são sempre frescas, maduras e muito mais baratas que no supermercado. Lá também encontro suco de laranja lima. Compramos mexiricas, maçãs, frutas do conde e uma garrafa do tal suco.

Continuamos no nosso caminho, parando aqui e ali para conhecer lugares que nunca tínhamos visto antes. Percebi que tinha esquecido o mapa no apartamento. Pegamos ruas diferentes só para ver se encontrávamos algo interessante e inédito. Continuamos andando, sem saber se estávamos no caminho certo, mas mentalmente me lembrava da localização.

E no meio das ruazinhas bagunçadas e sujas a que estamos já tão acostumados, eis que surgiu à nossa frente uma área cheia de árvores, algo extremamente raro na cidade. Antes de avançarmos, Mr.M sugeriu que a gente comprasse um lanche e sentássemos à sombra para almoçar. Grande idéia, compramos sandubas e nos dirigimos à área arborizada. E antes de cruzar o grande portal do "parque", eis que nos deparamos com a grande placa: "Kaohsiung Cultural Centre". Hooray!!

Lanchamos e bebemos nosso suco de laranja lima e ficamos apreciando a àrea e também a um grupo de adolescentes que estavam fazendo alguma atividade escolar por lá. Adolescentes aqui são tão gente boa, sempre em grupo, sempre se divertindo. Diferentes dos muitos delinqüentes e vândalos de Bournemouth. Terminamos nosso almoço, ficamos perambulando entre as árvores, mas eu ainda não estava satisfeita porque eu tinha um objetivo neste Centro Cultural, que era comprar ingressos para uma apresentação.

Pois bem, entramos no centro, que parecia tudo fechado. Achei estranho porque afinal domingo é um dia para se visitar um lugar desses, não? Já estava me conformando que teria que voltar um outro dia, quando Mr.M percebeu uma porta beeeem distante, que parecia aberta. Fomos até lá e encontramos uma atendente. Mostrei para ela o eu queria e ela foi muito gentil em nos indicar o caminho certo, que era no andar de baixo.

Lá chegando, mostrei o folheto novamente, juntamente com as anotações que havia feito em casa, para não ter erro do dia, horário e tipo de assentos que queríamos. A atendente também foi super gentil e tinha até um monitor disponível para a gente escolher os assentos. Escolhemos, tudo certo. Tirei meu cartão pra pagar e ela me comunicou: "cash only". Alright-o, perguntei onde havia um caixa eletrônico e ela nos indicou. Fomos até lá, caixa meio estranha, a transação não funcionou. Decidimos ir até a 7Eleven, onde sempre tudo funciona. Conseguimos sacar a quantia e voltamos para pegar nossos esperados tíquetes, hooray!

Missão cumprida! Atualmente, decidimos tentar fazer absolutamente tudo por nossa conta, sem a ajuda da Jo. Isso me força a fazer mais pesquisas, mais buscas, nos faz planejar, comunicar, sair, explorar, nos perder, nos encontrar. A satisfação de finalmente chegar ao resultado é infinitamente maior do que ter um favor atendido. A Jo ainda faz muito por nós, principalmente quando envolve algo burocrático. Mas desde alguns meses atrás já conseguimos andar com nossas próprias pernas e contatamos a Jo só para sair para jantar com a gente.

Depois de terminar a minha dança da felicidade da missão cumprida, entramos numa galeria do Centro Cultural para vermos uma exposição de fotografia e design. As fotos eram lindas paisagens da Nova Zelândia, que nos trouxe lembranças da bela Lake District, na Inglaterra. Montanhas, pastos verdinhos, céu azul e ar fresco. E nenhuma scooter à vista. Muitas saudades disso tudo.

Na saída encontramos uma lanchonete e sorveteria chamada BigTom. Escolhemos sorvetes de raspberries e chocolate, que vieram numa cestinha de waffle. Sentamos numa mesa com a vista pras árvores e lá ficamos preguiçosamente dando colherados no nosso sorvete, conversando e passando o tempo.

Voltamos pra casa depois dessa longa caminhada, visitamos a exposição da Sony que está acontecendo no shopping aqui da frente. Babamos nas TVs HD, nos Vaios e no Playstation 3.

Foi um domingo atípico e demos um grande passo. Quero frequentar mais o Centro Cultural, agora que sabemos onde fica. Por várias e várias vezes perguntamos pra um monte de taiwaneses onde é que a gente poderia ir, onde poderíamos visitar, o que poderíamos fazer em Kaohsiung. Ninguém jamais mencionou o Centro Cultural e foi uma pena porque há apresentações de ballet, teatro, sinfonias, óperas chinesas e muito mais. Mas antes tarde do que nunca, ainda temos um tempo pela frente.

Escrito a mão pela Marcia às 2:18 AM | mais em M&M in Taiwan | Comente este fragmento(2)

janeiro 17, 2007

Bustin' Out

Neste tempo todo que estamos morando neste apartamento já quebrei quatro copos, duas tigelinhas, uma tigelona. No entanto, desafiando todas as minhas pragas, o Prato Horroroso Azul e o Prato Pavoroso Cor-de-Laranja continuam por aqui firme e fortes e sem nenhuma lasquinha.

Para combinar com eles, temos também canecas nas mesmas cores, que chegam a ser uma aberração do mau-gosto quando colocadas juntamente com seus respectivos pratos, num café da manhã de domingo.

Dia desses, cansamos. Já falei aqui que estamos cansados? Pois. Abriu uma Ikea há poucos passos daqui. Durante mais de um mês havia filas de mais de muitos metros para entrar na loja que estava um formigueiro. Finalmente quando o auê da novidade passou pudemos colocar nossos pés ali.

Posso não ser muito popular depois desta confissão, mas na verdade não gosto muito da Ikea. Gosto das coisinhas miúdas, das coisas de cozinha, das louças, de algumas idéias para armazenar quinquilharias. Disso eu gosto. Mas dos móveis, não. Não gosto do estilo, nem da qualidade. E nos deu um frio na espinha de ver móveis poucos comuns de se encontrar em Taiwan como guarda-roupas, gabinetes, beliches e estantes, tudo baratinho, tudo sem pregar na parede, tudo de madeira fraquinha, que num terremoto grave pode causar terríveis acidentes. E o povo todo comprando em massa, porque é baratinho, porque é europeu, olha que chique! Sem se dar conta que a realidade é diferente pra eles.

Mas enfim, visitamos a loja e nos divertimos. Adorei dar uma olhada em tudo, vasculhar tudo. E minha área preferida foi mesmo a de coisinhas pra cozinha. Lá encontramos pratos branquinhos mas a preços pouco convidativos. Pensei um pouco. Já temos quatro pratos e achei melhor não comprar mais nenhum, sendo que vamos deixar tudo aqui. Mas compramos umas canecas bem bacanas, porque é preciso um pouco de dignidade. Compramos também panos de pratos para substituir as tenebrosas toalhas taiwanesas. E por fim compramos também um escorredor de talheres. Três simples objetos que imediatamente fizeram toda a diferença, ninguém nem imagina o quanto.

No final de semana passado descobrimos que uma das livrarias aqui perto está fazendo uma queima de estoque de revistas americanas do ano passado. Fui lá e comprei um bom estoque de revistas de decoração Better Homes e Natural Homes, além de algumas da Martha Stewart, Living. São de dezembro/2005 ou janeiro/2006, mas novinhas, ainda no plástico e pouco me importa quando foram editadas.

Tendo dito tudo isso, não tenho do que reclamar da vida aqui em Kaohsiung. Fizemos grandes melhorias. O supermercado mais perto do apartamento era um que eu não gostava muito, vendia coisas estranhas, não tinha frutas nem verduras. Fechou, reestruturou e abriu um excelente, com absolutamente tudo que precisamos. Ao lado da Ikea também surgiu um Carrefour. Em poucas semanas vai ser inaugurada a primeira linha de metrô da cidade. E mês passado foi inaugurado um trem-bala, da mesma companhia de transportes do Japão, que liga o norte e o sul do país. No entanto, Martin está trabalhando praticamente sem folga e vai ficar ainda pior no decorrer dos próximos meses. Não dá para se ter tudo. Ao menos posso tomar meu chá e ler minhas revistas.


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Escrito a mão pela Marcia às 1:42 AM | mais em M&M in Taiwan | Comente este fragmento(9)

janeiro 12, 2007

Kaohsiung at Night

Quando esta terra não está chacoalhando ou sendo levada por vendavais, há até algum atrativo aqui e ali. Completamos nove meses e uma semana em Taiwan e muito do que antes achávamos interessante e pitoresco hoje já foge do nosso olhar. Então ficam aqui algumas imagens daquele tempo, de uma primavera longínqua, quase esquecida. Kaohsiung é melhor vista à noite, quando a luz não ilumina tanto o que a gente já não agüenta mais ver. Estamos cansados, eu sei. Todas as fotos são de Mr.M, aquele meu fotógrafo preferido.


Love River e os arranha-céus de Kaohsiung



Artesãs de coisinhas de palha



Artistas fazendo retratos de crianças impacientes



Artesão de coisinhas de vidro



Cinema ao ar livre no melhor estilo Cinema Paradiso



Músicos talentosos em instrumentos incomuns



Olhar em tons pastéis



Escrito a mão pela Marcia às 2:12 AM | mais em M&M in Taiwan | Comente este fragmento(6)

janeiro 1, 2007

2007

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FELIZ ANO NOVO!

Hoje é dia em que minha família se reúne para comer uma sopa especial com mochi, que minha mãe faz. Muitas saudades. Da sopa com mochi e da minha família.

Taiwan celebra o Ano Novo com fogos de artifício e festa, mas não chega a ser um grande evento. Comemoramos com os colegas do Martin novamente, mas não ficamos até a meia-noite porque hoje, apesar de ser feriado, todos eles estão trabalhando desde às sete da manhã.

O ano novo chinês começa só em 18 de Fevereiro.

Escrito a mão pela Marcia às 2:02 AM | mais em M&M in Taiwan | Comente este fragmento(20)