fevereiro 17, 2007
Xinnián Kuàilè
![]() |
Happy Year of the Pig!
Sei que estou adiantada, o ano novo chinês começa no dia 18, mas antecipo a felicitação porque quando o ano mudar de cão para javali, estaremos há algumas milhas do território chinês. Duas semanas de folga e logo estaremos de volta a Taiwan, com baterias alcalinas renovadas. Até a volta.
fevereiro 5, 2007
Let the Memory Live Again
Toda a peregrinação e determinação para encontrar o Kaohsiung Cultural Center duas semanas atrás tinha uma grande razão de ser: comprar os ingressos para a apresentação do musical Cats, de Andrew Lloyd Webber e T.S.Eliot. O grupo está em tour mundial e aqui na Ásia, entre todas as cidades além de Tokyo, Kaohsiung foi escolhida para exclusivas performances, tamanha nossa sorte. Eu mal pude acreditar quando vi um anúncio do espetáculo na rua aqui perto, todo em chinês, anúncio no qual fiquei em frente por muitos minutos, em meu desespero de tentar entender quando e onde. A princípio achei que seria em Taipei e estava pronta para viajar até a capital de Taiwan. Quando consegui traduzir que o teatro era aqui, meu esforço em encontrar o lugar e conseguir comprar os ingressos foi redobrado de empolgação.
![]() |
Ontem foi a grande noite. Foi a segunda vez que assistimos a Cats ao vivo. A primeira vez, em Drury Lane (New London Theatre), foi magnífica mas ao mesmo tempo difícil de absorver tudo do muito que acontece no palco (e fora dele). Desta vez, pelo menos para mim, foi uma apresentação mais emotiva e comovente. De uma certa forma nossa atenção conseguiu se fixar mais à atuação e às personalidades de cada personagem.
Assistir a uma performance tão ocidental em Taiwan foi bacana. A platéia começou tímida, sem saber direito se podia aplaudir ou não. Em Londres, onde levas de fãs iam ao espetáculo várias vezes, os aplausos eram mais frequentes e muito mais barulhentos. Mas entendo que aqui não é assim tão fácil porque além do espetáculo acontecer em passo acelerado e cheio de detalhes, muitos precisavam ler as legendas volumosas que traduziam para o chinês tradicional. A timidez porém foi sendo quebrada pouco a pouco, primeiro com a presença dos gatos andando por entre a platéia. Sentamos na ponta de uma das fileiras e para nosso êxtase, um dos gatos, Mungojerrie, parou ao nosso lado e recitou The Name of the Cats olhando fixamente para nós, enquanto outros gatos faziam o mesmo com outros espectadores. Mais tarde, Old Deuteronomy, o ancião e líder dos Jellicle Cats, passeou pela escadria ao nosso lado, sorrindo para uns e outros. Ao passar ao nosso lado, dei uma acenadinha bem discreta e ele acenou de volta, que gentil ele é.
O segundo quebra-gelo veio com a chegada de Rum Tum Tugger, o gato que se acha Don Juan felino do bairro e que rebola e requebra exageradamente, arrancando gargalhadas da platéia. Ele é sempre o personagem mais popular das apresentações. Cheio de carisma, bom humor e ego infladíssimo, está sempre no palco fazendo gracinha pra chamar atenção, com um bando de gatas seguindo os movimentos do quadril em lycra dele.
![]() |
Quase no final do primeiro ato, Jemina, que acompanha Grizabella na versão mais curta de Memory, começa a cantar em chinês! My God, a platéia chacoalhou em aplausos e gritos assim que ela iniciou os primeiros versos. Ao final da canção, Jemina recebeu outra ovação.
Antes de começar o segundo ato, os gatos voltaram e andaram por entre a platéia novamente. Outro gato (não sei quem era esse, não é o da foto abaixo, que é o Munkustrap, mas era um parecido) veio se enroscar na nossa fileira e coçou a cabeça no braço do meu assento. Depois ficou olhando fixamente pra mim por segundos que pareciam eternidades ("que maquiagem linda", foi o que fiquei pensando o tempo todo). Em seguida ele olhou pro Martin e fez uma cara de surpresa porque, sem a menor dúvida, ele era o único caucasiano em toda a platéia.
![]() |
O gato nos deixou e foi bisbilhotar a próxima fileira. Ele então pegou a bolsa de uma menina e saiu correndo. Outra gata se juntou a ele e os dois sentaram e abriram a bolsa e começaram a tirar tudo pra fora, cheirando e fazendo caretas. A menina dona da bolsa tava desesperada, gritando e rindo, tentando pegar a bolsa de volta. Ela tentava colocar alguma coisa de volta na bolsa e enquanto ela tentava pegar outra, eles tiravam pra fora da bolsa algo que ela tinha acabado de pôr e ficavam olhando pra ela com inocente cara felina. Foi bem engraçado. Em vários lugares da platéia outros gatos estavam fazendo similares estipulias ou acrobacias.
De volta ao palco e com o segundo ato em ação, o grupo já se sentia em casa, com a platéia muito mais relaxada e participando de cada cena. E esse ato é realmente o mais teatral, cheio de coreografias fantásticas, mudanças de cenários, personagens interessantes. É também a parte do drama, do conflito e do desfecho de toda a história. É quando sinto uma pontada de tristeza porque não sei quando ou se um dia vou ver o espetáculo novamente nesta vida. É quando os meus olhos desesperadamente tentam memorizar cada instante, passo, nota, gesto de cada um do grupo, porque sei que logo vai terminar.
E foi pensando em tudo isso que assisti à Grizabella, a gata velha, mal-tratada, rejeitada por todos os outros gatos, cantar a versão original de Memory, sozinha, sob uma única luz da lua. Mancando e sem forças, ela relembra dos bons tempos, quando ela sabia o que era felicidade. Hoje, maltrapilha e esquecida, ela sonha com um recomeço, uma segunda chance para reviver suas memórias, hoje tão distantes. E do chão em que ela havia caído, ela se levanta, abre os braços e implora a todo pulmão, numa voz não mais que perfeita: "TOUCH ME! It's so easy to leave... all alone with the memories... of my days in the sun..." E meus olhos se encheram de lágrimas. Pelo drama, pelo sofrimento de Grizabella. E talvez porque a música reverbera dentro de nós dois, Martin e eu, neste particular momento de nossas vidas que têm sido pouco fácil. Ao menos temos um ao outro, ao menos pudemos ver Cats mais uma vez. Então por tudo isso e pela belíssima voz de Grizabella, eu deixei que elas caíssem.
![]() |
O espetáculo terminou com o grupo sendo aplaudido de pé, com bastante barulho da platéia. Fiquei muito contente pelo grupo, por esse reconhecimento caloroso do público de Taiwan. Também fiquei feliz pelo povo taiwanês, por ter tido a rara chance de ver um musical de West End, coisa que para muitos não vai acontecer novamente. E fiquei imensamente emocionada ao perceber que, entre a primeira vez que assistimos a Cats e esta vez, já se passaram cinco anos. Eu nem sequer havia mudado para a Inglaterra ainda, naquela época. E hoje, neste canto do mundo que jamais imaginei que um dia visitaria, prestigiamos a Cats mais uma vez juntos. Agora carregados de memórias que antes não existiam.
"Daylight, I must wait for the sunrise
I must think of a new life
And I mustn't give in
When the dawn comes tonight will be a memory too
And a new day will begin..."
fevereiro 2, 2007
The Striped Spread Snack
Então, fui à Ikea:
![]() |
Na verdade estava indo no Carrefour, que é vizinho, mas dei uma passada rápida no Food Hall da Ikea. Havia três tipos de Kalles e felizmente nosso preferido estava entre eles. Não encontrei aquele pão macio e redondo, que parece base de pizza. Comprei umas torradinhas suecas como prêmio de consolação. E ainda comprei uma baguette no Carrefour. Nham. Fome.






