setembro 14, 2007
Homecoming
Desde que chegamos na ensolarada Inglaterra não tivemos sequer um dia de descanso. Nem. Um. Dia. Eu já não sei mais o que é ter a roupa guardada no mesmo lugar por mais de três dias. Vou entediá-los à morte, mas acompanhem a saga até agora.
Once upon a time, nós estávamos ainda em Taiwan, morando num apartamento. Passado um ano e mais um pouco, o contrato de aluguel venceu e precisamos devolver o imóvel. Empacotei tudo, fiz as malas, separei o que ia pra Inglaterra via DHL, o que ia ficar conosco, o que ia ficar pra empresa (eletrodomésticos, utensílios, louças laranjas e azuis, tudo). Mudamos pro hotel. O quarto que havíamos reservado estava em reformas e nos colocaram num quarto executivo. Óquei, desempacotei nossas roupas, DVD player, livros, todas toiletries, tudo. Duas semanas depois, o hotel comunicou que o quarto executivo em que estávamos seria reformado, mas que o outro quarto que havíamos reservado previamente estava finalmente pronto e que mudáriamos para lá assim que possível. Rats. Empacotei tudo novamente. Mudamos. Desempacotei todas as coisas.
Daí recebemos um telefonema da Inglaterra dizendo que deveríamos voltar pra Inglaterra um mês antes do previsto. Na época, tínhamos apenas duas semanas restando em Taiwan. Eis que comecei a empacotar todas as tralhas. Duas malas de viagem, duas caixas de 25kg, duas bagagens de mão, um porquinho cor-de-rosa-quase-cinza. Despachamos as caixas. Nos despedimos emocionados da querida Jo. Voamos, chegamos. Desempacotei algumas coisas para sobreviver por três dias no apartamento.
Nesse breve período nos curamos do jet-lag e nos preparamos para viajar novamente. Empacotei bagagens para duas semanas, além de colchão inflável, roupa de cama. Em Leicester ficamos por três dias, mas não foi descanso propriamente dito, uma vez que o pai do Martin foi operado e estavamos indo e vindo do hospital pra ter certeza que ele estava bem. Então empacotamos nossas tranqueiras todas e viajamos até outra cidade, onde Mr.M teve reuniões a semana toda.
Ficamos num hotel meia-boca (como todo hotel agora vai ser depois de morar no Grand Hi-Lai). E advinhem. Isso mesmo, desempacotei e empacotei as malditas malas depois de uma semana. E chegamos em casa.
Acabou? Não! Porque ao pisar meus pés cansados em nosso lar, comecei a empacotar a mala de viagem de Mr.M que no momento está de volta à Ásia. E fiquei por aqui com nada mais do que o apartamento inteiro pra empacotar. I kid you not. O apartamento vai entrar no mercado em poucas semanas. E embora toda nossa mudança vai ser feita por uma empresa que vem e empacota tudo, eu preciso checar cada coisinha e decidir se é preciso jogar fora, doar, reciclar ou manter. Outras coisas só confio em mim mesma pra empacotar. Algo muito frágil ou muito querido recebe o cuidado e o dobro de plástico-bolha que jamais teria de outros. Até aqui você, leitor amargurado e perdendo a razão de viver com esse relato, já percebeu que a função de empacotar cabe a mim. Isso mesmo, um dos meus neurônios é control freak e adora malas e caixas de papelão. O outro neurônio restante, porém, só sabe estourar plástico-bolha. *plec*
Encurto a história, tá bem? Estamos deixando o Sul e indo pro Norte da Inglaterra. Subimos na vida, pelo menos geograficamente. Não sei ainda em que cidade vamos morar, precisamos visitar vários lugares, pesquisar imóveis disponíveis, vizinhança, risco de enchentes pós-degelo das calotas polares, aquelas coisas todas. Até a gente decidir, vamos morar numa casa alugada, que também não sei onde vai ser.
A única coisa que eu sei é que estamos bastante animados com essas mudanças todas. Foi bom viver em Dorset durante esses cinco anos, foi bacana descobrir pequenos tesouros aqui e ali, conhecer a costa, dar tchau pro povo do outro lado do English Channel. Mas viver no norte sempre foi uma idéia bastante atraente, principalmente porque as raízes da metade da nossa família estão lá. E espero que essa mudança seja mesmo uma volta pra casa. Pra nossa casa.
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