"Now my Heart is Full..."
"Now my heart is full
and I just can't explain
so I won't even try to..."
Dos meus poucos ídolos desde minha empoeirada, esquecida e grisalha adolescência, a maioria morreu de overdose, AIDS ou câncer. Jim Morrisson (The Doors), Freddie Mercury (Queen), Joe Ramone (Ramones). All gone. Mas há um deles que esteve presente desde sempre, que contribuiu para a trilha sonora de cada fase de minha ordinária existência, que me fez questionar cada assunto de suas obtusas letras, que ganhou para toda eternidade minha admiração açucarada e derretida. E para o meu enorme deleite, ele continua mais vivo, mais sarcástico, inteligente e ousado que nunca. This charming man, Morrissey.
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Eu sei, eu sei que musicalmente The Smiths eram fenomenais com as composições geniais de Johnny Marr e tal e coisa. Mas assim como meus outros ídolos falecidos, The Smiths também morreu. E Morrissey sobreviveu e caminhou com as próprias pernas. Não há como comparar Morrissey de hoje ao The Smiths the outrora, apesar da voz ser a mesma e das letras virem do mesmo autor.
Morrissey hoje tem 48 anos, o topete ficou mais escasso, as linhas no rosto ficaram mais acentuadas, as camisas ficaram mais discretas, porém com a mesma tendência de serem despidas e atiradas à platéia. Seus protestos contra o parlamento inglês, a família real, a igreja e os problemas sociais ainda persistem, embora menos inflamados que antes, agora que Margaret Thatcher é história e levou com ela a Clause 28, que listava como crime qualquer material incentivando o homosexualismo. "My only weakness is a listed crime..." Suas ironias estão ainda mais afiadas, muitas vezes causando ofensas a quem pouco compreende quando uma canção fala na voz de um personagem sendo ridicularizado, ou de uma situação ou de seu próprio autor. Mas há também um outro lado de Morrissey que ficou mais profundo, mais obscuro, que fatia seu coração em lascas finas pela dor da solitude que sangra de suas letras.
E ainda nem cheguei a mencionar a voz. A voz única, só dele, potente, precisa, suave e intensamente emotiva. Os melódicos yodels, afinados e tão significantes. E a vontade inalterável de fazer justiça com sua voz a cada palavra de seus versos. Mais que nunca, Morrissey continua me inspirando e alimentando minha admiração inabalável.
E somente agora, mais de vinte anos desde que ouvi o velho album em vinil The Queen is Dead, somente hoje vou vê-lo ao vivo pela primeira vez. Depois de muitos lamentos e tormentos por perder ainda mais uma turnê por diversos motivos, desta vez estou aqui e ele está aqui também. E nos encontraremos num lugar imensuravelmente especial: o Roundhouse, em Camden Town, Londres. O mesmo palco que uma vez abrigou apresentações memoráveis de The Doors, Ramones, Jimmy Hendrix e Led Zeppelin. Depois de tanto tempo, de tantos anos ouvindo sua voz via headphones, agora finalmente vou ouvi-lo ao vivo. Vê-lo ao vivo. Vivo. And now my heart is full.
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Lilian Moreora said:
Olá Amiga,
Fico muito feliz pôr vc... aproveite e se seja feliz, se divirta muitooooooooooooo
Abraços,
Lilian
Lolla Moon said:
eu ainda lembro quando o vi pela primeira vez, em pleno verão do rio de janeiro. cheguei cedo e, porque a maioria das pessoas só começou a chegar minutos antes de o show começar, fiquei na grade, primeira fila, eeeee. fiquei até com um pedacinho da camiseta que ele jogou na minha direção. inesquecível.
depois disso o vi em manchester, terra onde ele nasceu (para esse mundo e artisticamente também). outra emoção.
eu adoraria vê-lo em camden também, mas dessa vez não deu. espero que vocês se joguem e se acabem nesse show, hehe. curtam ao máximo e depois contem a história. muitos dos meus "ídolos" se foram antes que eu pudesse vê-los; não vale a pena correr esse risco com o Mozz. ;)
Samara said:
Que lindo! Adoro Morrisey também e acho o máximo que vc o veja ao vivo e a cores. Se der, conte-nos sobre o show....fiquei curiosa. Um beijo
Flavia said:
Divirta-se!
Lú said:
AAAiiiiii quuueeee inveeeejjaaaaaa!!! (inveja boa!)
Ines said:
MORRISSEY... O tecladinho do notebook anda meio mal das pernas!
Ines said:
Márcia, eu adoro o teu blog, receitas e fotos. Embora sempre venha aqui, sou do time dos "mudinhos"... :o)
Como toda a safra de bandas daquela época, Morrisey também foi um dos meus "ídolos" da adolescência -- e eu continuo gostando dele, assim como você. Teu post me trouxe memórias muito boas do tempo em que mudamos de casa e eu começava a ter o primeiro contato com o mundo dos góticos, darks e afins. Aquela atmosfera, os sons... Não voltarão mais aqueles anos, infelizmente.
Saudações.