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The place that has never been mine...

Ontem finalmente, depois de 9 tortuosos meses, a venda do meu apartamento em São Paulo foi encerrada. Recebi o valor que restava e a escritura foi registrada e lavrada em nome do novo dono, que era nosso inquilino.

Não vou aborrecê-los com os detalhes infinitamente irritantes que foi esse processo, sendo obrigada a lidar com um corretor burro e uma despachante estúpida, desonesta e acéfala. Grande parte da imensa dor de cabeça se deu também por conta que comprei o imóvel quando era solteira e agora sou casada com um estrangeiro e sem pacto pré-nupcial. Todos os míseros documentos precisaram ser duplamente lavrados em tabelião britânico e legalizados no Consulado antes de serem enviados pro Brasil para serem lavrados em cartório brasileiro.

Obviamente que estávamos preparados para irmos pro Brasil para resolver tudo, mas como mencionei, foram 9 meses de lenga-lenga. O máximo que Mr.M poderia tirar de férias seriam duas semanas e jamais resolveríamos nada no Brasil porque a assinatura e os documentos dele não valem nada sem o reconhecimento de um tabelião britânico, então precisávamos estar aqui também. Por sorte tivemos ajuda de uma grande advogada (que é da nossa família) que foi nossa procuradora e que resolveu muito mais do que era o dever dela, a quem seremos eternamente gratos.

Enfim, acabou e tudo o que eu quero agora é seguir a diante. Não tenho o menor vínculo afetivo com aquele apartamento. Foi um marco grande na minha vida e na minha carreira poder escolher e comprar sozinha um imóvel pra mim, só pra mim. Comprei-o ainda em construção, acompanhei as etapas, recebi as chaves, instalei piso. Cheguei a dormir algumas vezes lá, tomei banho, curti a varanda e a vista fantástica. Mas nunca cheguei a me mudar pra lá porque no meio do caminho Mr.M e eu decidimos tomar outros rumos, juntos.

Agora mais essa etapa ficou para trás e eu respiro aliviada, finalmente. No fundo da minha mente, sempre me preocupei se algo acontecesse comigo e Mr.M fosse obrigado a resolver tudo isso sozinho num país onde ele não entende a língua; a complicação seria inimaginável. Não preciso mais pensar nisso.

Apesar de tudo, não me arrependo de ter comprado o apartamento porque no final ele valorizou tanto que tivemos um lucro decente na venda. Mas apartamentos e casas são apenas isso, paredes e tetos que vêm e vão. O apartamento 111 não é mais meu, mas também nunca foi, nunca pude chamar de lar. E nunca fui tão feliz por decidir nunca morar nele.

:o)


5 Comentários | Deixe um comentário

Esse negócio de ter que resolver assuntos legais em outro país é um horror mesmo, né? Ainda bem que tudo se resolveu. Agora é guardar o dinheirinho da venda. :-)

Oi Marcinha...
Ufa, que bom que chegou ao fim, a burocracia brasileira é de enlouquecer quem está aqui imagino quem está fora.
Parabéns por mais uma fase vencida.....
Beijos aos dois....

Oi, Marcinha.

Alívio, hein? Sinto até coceira quando penso nessas burocracias todas envolvidas em venda de imóveis. Eca, eca, eca, mil vezes. Parabéns, enjoy the moment.

Rita

Marcinha, quanto tempo... há mais de 5 anos eu encontrei "acidentalmente" esse blog, que lia constantemente. Passar do tempo deixei de lado. Mas hj simplismente lembrei de vc e percebi que ele continua uma delícia. rsss... Parabéns! Adorei o final da mensagem sobre o ap. Sua percepção sobre o que é verdadeiramente um lar é a chave para entender a diferença entre morar e viver.

Oi, Márcia!

Quando comecei a acompanhar seu blog, ele existia há alguns anos. Mas, como li desde o primeiro post, fiquei feliz demais com essa notícia!

Quero aproveitar a oportunidade para contar o quanto a sua experiência tem sido inspiradora para mim. Estou prestes a me casar e, de vez em quando, lembro alguma reflexão que você postou aqui, anos atrás...

Faço terapia, são mil coisas para olhar de frente e outros milhões que precisam ficar pra trás. Seus relatos me ajudam a reconhecer meus próprios avanços, limites, valor... acho que só quem fez/faz análise entende o quanto isso tudo mexe com a gente. =)

E claro que ultimamente tenho pensado muito sobre casamento e a mudança que ele traz. Ontem, uma música me lembrou você, que já postou parte da letra no blog. Eu estava dirigindo e ouvi Legião Urbana: "Quero ouvir uma canção de amor / que fale da minha situação / de quem deixou a segurança do seu mundo / por amor".

Enfim... eu só queria agradecer sua generosidade e dizer que, em BH, existe uma pessoa positivamente influenciada pelos seus relatos. Torço muito por vocês, rezo por vocês e vibro sempre que há um post novo por aqui.

Um grande abraço,
Letícia.

Letícia, que bacana, obrigada. Espero que você também escreva muitos capítulos felizes na sua vida de casada!

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