agosto 24, 2007
Fallen Rocks
*blows the dust*
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Então, alguns meses se passaram.
O caminho que tomamos muitas eras atrás deu mesmo num precipício. E caímos. Duas vezes. Mas não é sobre isso que quero escrever. O que quero anotar aqui é que em poucas horas deixaremos esta pequena ilha chamada Taiwan pra sempre, depois de dezessete meses vivendo aqui.
Há algumas semanas estamos morando de volta ao hotel Hi-Lai. E quando olho pela janela lembro que, um ano e cinco meses atrás, admirava a mesma vista, sem saber o que esperar deste lugar, sem saber quanto tempo ficaríamos aqui. Hoje olho para as ruas, os prédios, o rio, o mar, o cais, as montanhas que agora me são tão familiares e é estranho saber que em breve tudo isso vai ficar para trás e talvez eu nunca volte a vê-los novamente.
Viver na Ásia foi uma experiência magnífica por tudo o que aprendemos, pelas pessoas que conhecemos, pela barreira de linguagem que ultrapassamos, pelos recursos limitados, pela natureza inédita, pela arte, cultura, culinária e diferentes formas de entretenimento que absorvermos tão rapidamente. Houve dias difíceis, houve momentos de dor, houve vontade de ir pra casa, mas suportamos a tudo até o final, até concluirmos o que precisava ser feito, muito bem feito.
Agora vamos pra casa com a sensação de dever cumprido. E, dear lord, tantas mudanças já nos aguardam na Inglaterra, tantos planejamentos, tantas organizações, tantas caixas de papelão. Assim que desembarcarmos já vamos começar a pular de cidade em cidade, casa em casa, hotel em hotel. Na verdade não vejo a hora. Enquanto tenho minha mala colorida numa mão, a mão de Mr.M na outra, i'm ready to rock.
"Where taxi drivers never stop talking
Under slate gray Victorian sky
Here you'll find, my heart and I
And still we say come back
Come back to Camden"
abril 4, 2007
The RoadRunner
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Eu sei, eu sei. O blog está abandonado, cheio de tumbleweeds voando de um lado pro outro e só o vento quebrando o silêncio. Temo, porém, que essa situação vai persistir. Martin e eu estamos com os quatro pés numa estrada longa, desconhecida, literalmente esburacada e não sabemos ainda aonde este caminho vai dar. Talvez dê num precipício tão imenso que vamos demorar para cair e bater no fundo, levantando um círculo de poeira feito Wile E. Coyote nos desenhos do Papaléguas. Ou talvez não.
Talvez um dia eu volte aqui para contar aonde chegamos, talvez eu fique lá no precipício mesmo, tentando entrar em contato com a Acme.
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Bye for now.
março 29, 2007
Only You

You
...are my partner in all the silliest, funniest and most absurd moments
...are my rock upon which I stand
...are this clever, witty and cheerful friend of mine
...are this incredible caring, thoughtful and beautiful human being.
You, Martin, are just wonderful.
Happy Birthday, my beloved.
março 7, 2007
Back "Home" from Home
Voltamos. Estivemos na velha Inglaterra por alguns dias. Não foram férias propriamente falando, mas algo como uma folga paga pela empresa para a gente checar se ainda temos teto e paredes no país de residência. Ainda temos teto e parede. E o bonus de uma colônia de mofo no canto do teto da suíte. Mas providenciamos a imediata ação de despejos dos invasores. E fizemos uma limpeza geral, trocamos o ar, deixamos a água correr das torneiras. Também tive que jogar algumas plantas fora, inclusive minha querida ficus tree, que morava conosco desde que nos mudamos.
Uma vez instalados de volta ao nosso lar, foi uma delícia redescobrir tudo o que temos lá. Pequenas coisinhas que já havia esquecido completamente que possuía. A todo instante abríamos um armário ou uma gaveta e nos maravilhávamos ao encontrar cada utensílio mais fantástico! Pratos branquíssimos! Talheres! Amassador de batatas! Concha de sorvete! Espátula de silicone! Sem contar os eletrodomésticos. Forno, my god, forno, forno, que saudades, forno, forno!! Lava-louças, kiss, kiss, love, love, kiss, kiss, I heart dishwasher!!
E nesses momentos de reencontro e êxtase percebi como aqui em Taiwan vivemos com rigidamente o mínimo necessário. E como temos sorte de termos tudo o que temos em nosso verdadeiro lar. Não apenas bens materiais, mas também natureza, quietude, ar puro de Dorset, privacidade, acesso.
Demos um rápido passeio pelo centro de Bournemouth, dormimos fantasticamente bem em nossa querida cama e depois de alguns dias seguimos para Leicestershire onde passamos boa parte do tempo na casa dos pais de Mr.M. A empresa havia alugado um carro para usarmos durante nossa estadia: um coupé conversível (??). Lá fora, frio de 8 graus, chuva, vento e um pouco de geada. O teto do carro ficou onde estava.
O tempo continuou fechado e chuvoso, a desculpa perfeita para passarmos os dias comendo tudo o que sentíamos saudades. Foi um deleite ir ao supermercado e às feiras livres e encontrar tanta verdura, tantos legumes orgânicos, ovos free-range, um mundo de sucos frescos (adorei um de romã, blueberries e framboesa do Waitrose). Comprei favo de mel orgânico, queijos brie, port-salute e cheddar maduro inglês, muita rúcula, muita lamb's lettuce (não sei como traduzir essas folhinhas arredondadas e macias, que parecem um buquêzinho na salada), muita aveia para fazer mingau de manhã.
Nos últimos dois dias de nossa folga fomos à beloved Londres para um curto passeio, sem pretensões. Primeiro fomo ao aeroporto, devolvemos o carro alugado, deixamos nossa mala no depósito. Pegamos o trem expresso até Paddington de onde andamos até o Hyde Park, passeamos pelo parque e almoçamos no Wagamama, onde dividimos a mesa comunitária com o apresentador da BBC, Ben Fogle, que sentou ao lado do Martin, enquanto a esposa dele sentou ao meu lado. Te contar, viu? A gente cuidando da nossa própria vida e essas celebridades ficam o tempo todo querendo dividir a mesa conosco... O tal apresentador é bonitão, famoso e tal, mas tinha um papo de fazer boi dormir. Na verdade tivemos a impressão de que ele queria ser reconhecido, queria dar autógrafo ou sei lá, porque só se ouvia "quando eu fiz tal e tal programa/ quando eu apresentei isso e aquilo..." e um blablabla vazio de comprar uma casa maior, de um milhão de libras pra cima (casas na região central de Londres, custam mesmo mais de um milhão). Yaaawn. Mr.M disse que sentiu vontade de falar: "oi, are you the bloke off the telly? I know you from X-Factor" só pra irritar, hehe. ("Oi, cê é o moço da tevê? Te conheço do X-Factor" -- X-Factor é programa popular da ITV e o apresentador também chama-se Ben, mas é Ben Sheppard, hohoho).
De barriga cheia, caminhamos até Knightsbridge, demos uma passada na Harvey Nichols Food Hall, que não nos impressionou em nada. Passamos pela Harrods, onde havia um comitê do PETA pedindo ao público boicotar a loja pela venda de pele de animais. Duvido que quem compre pele tenha ficado um centímetro abalado com o protesto. Caminhamos então até South Kensington, onde ficava nosso hotel. Percebeu que não tomamos o metrô nenhuma vez? Passamos o dia todo usando nossas pernas apenas, foi excelente, não fazíamos isso há muito tempo. Jantamos num restaurante italiano divino, especialisado em pizza em forno de lenha. Massa divina, molho de tomate divino, tudo na divina medida certa, sem exageros.
O dia seguinte amanheceu com chuva, tomamos um maravilhoso café da manhã na patisserie Paul e visitamos mais uma vez a exposição Wildlife Photographer of The Year, que acontece todo ano no belíssimo Natural History Museum. Este ano a exibição está fantástica.
Ainda nesse museu, seguindo a dica da minha amiga Samara, testamos o simulador de terremoto Great Hanshin, de Kobe, no Japão. Queríamos comparar com o terremoto que sentimos no dia 26 de Dezembro, em Kaohsiung. Mas nos decepcionamos. Não é de forma nenhuma uma simulação da potência real de um terremoto de escala 7.3 Richter. No way. O que o simulador faz no museu é apenas balançar de um lado pro outro horizontalmente, fraquinho, talvez pra não causar acidente mesmo. A vibração do chão, o ruído do metal sendo torcido, a força de ser jogado no chão contra sua vontade, não estão presentes. Mas as imagens do vídeo que mostra o real terremoto acontecendo em Kobe, essas sim são de arrepiar e impressionar.
E na saído do museu, passamos pela obrigatória área de dinossauros e dei muitas risadas com os banners da exposição Dino Jaws, que explica os hábitos alimentares das diversas espécies de dinos. Um deles tem um dino herbívoro dizendo: "Meat? It's soooooooo not me..." ("Carne? Não é a minha meeeeesmo..."). Outro tem um T-Rex dizendo: "I've tried leaves once. It gave me wind..." ("Eu provei folhas uma vez. Me deu gases..."). E outro herbívoro: "What? Rotten meat? You mean meat, like, left to rot? Eeeeeewww..." ("O quê? Carne em decomposição? Você quer dizer carne, tipo, apodrecida? Ecaaa").
Deixamos o museu, fomos até a Selfridge para almoçar sanduíche de salt beef no Brass Rail. Atendimento horroroso, preço ridículo de caro, mas o sanduba estava bom. De lá caminhamos mais um pouco, mas com a chuva tudo ficou mais difícil e desconfortável. Logo rumamos pro aeroporto, para recolhemos nossa mala e pegarmos o vôo para Hong Kong. Aliás, Heathrow está insuportável. Na área de embarque agora é necessário:
- ter apenas 01 (um) item como bagagem de mão. Laptop e bolsa? Não. Câmera e maleta? Não. Um item, escolha quem vai, quem fica. Ou coloque um dentro do outro, se couber.
- separar o laptop e colocá-lo em saco plástico fornecido pelo aeroporto
- separar suas toiletries como mini-pasta de dente, mini-shampoo, mini-cremes hidratantes e qualquer outro mini-produto líquido e colocá-lo num saco plástico zip, também fornecido pelo aeroporto. Produtos não-mini? Pro Lixo.
- garrafa de água? Lixo.
- mamadeiras só com leite em pó. Leite materno? Abra e dê um gole na frente dos agentes.
- tirar os sapatos e colocá-los na esteira de raio-X, junto com seu único item de bagagem de mão.
Nossa sorte é que cada vez mais estamos nos esforçando na concepção "travel light". Viajamos com uma única mala, um item de bagagem de mão cada, sendo que a de Mr.M era só a câmera, a minha só uma bolsa. Usamos três diferentes companhias aéreas nessa viagem e, de todas, a British Airways foi a pior. Atendimento pouco prestativo (quando atendem), aeronave desconfortável, refeição meia-boca, lista de filmes velhos (o mais recente era 007 Cassino Royale). A Cathay Pacific (de Hong Kong), porém, tem todos nossos elogios, atendimento fantástico, refeição agradável, filmes ótimos (assistimos a The Queen). E a pequena Dragon Air também, não podemos ser injustos, já que o vôo estava quase vazio e nos colocaram na business class, êba.
Passamos uma noite em Hong Kong, tiramos novos vistos e voltamos ontem a noite a Kaohsiung. Ainda estamos sofrendo bastante com o jet-lag porque é sempre pior voando a leste, mas estamos nos sentindo bem por estarmos de volta. O recepcionista do prédio nos saudou e quis saber como foram nossas férias, perguntou do frio e tudo mais. Dizem que a melhor parte de uma viagem é sempre a volta. Desta vez viajamos de volta ao nosso lar, que foi bom, depois viajamos de volta ao outro lar temporário, que também é bom. Então voltamos e voltamos. E essa deve ser a melhor parte. Ainda temos bons meses pela frente aqui em Taiwan. Bring 'em on.
fevereiro 17, 2007
Xinnián Kuàilè
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Happy Year of the Pig!
Sei que estou adiantada, o ano novo chinês começa no dia 18, mas antecipo a felicitação porque quando o ano mudar de cão para javali, estaremos há algumas milhas do território chinês. Duas semanas de folga e logo estaremos de volta a Taiwan, com baterias alcalinas renovadas. Até a volta.
fevereiro 5, 2007
Let the Memory Live Again
Toda a peregrinação e determinação para encontrar o Kaohsiung Cultural Center duas semanas atrás tinha uma grande razão de ser: comprar os ingressos para a apresentação do musical Cats, de Andrew Lloyd Webber e T.S.Eliot. O grupo está em tour mundial e aqui na Ásia, entre todas as cidades além de Tokyo, Kaohsiung foi escolhida para exclusivas performances, tamanha nossa sorte. Eu mal pude acreditar quando vi um anúncio do espetáculo na rua aqui perto, todo em chinês, anúncio no qual fiquei em frente por muitos minutos, em meu desespero de tentar entender quando e onde. A princípio achei que seria em Taipei e estava pronta para viajar até a capital de Taiwan. Quando consegui traduzir que o teatro era aqui, meu esforço em encontrar o lugar e conseguir comprar os ingressos foi redobrado de empolgação.
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Ontem foi a grande noite. Foi a segunda vez que assistimos a Cats ao vivo. A primeira vez, em Drury Lane (New London Theatre), foi magnífica mas ao mesmo tempo difícil de absorver tudo do muito que acontece no palco (e fora dele). Desta vez, pelo menos para mim, foi uma apresentação mais emotiva e comovente. De uma certa forma nossa atenção conseguiu se fixar mais à atuação e às personalidades de cada personagem.
Assistir a uma performance tão ocidental em Taiwan foi bacana. A platéia começou tímida, sem saber direito se podia aplaudir ou não. Em Londres, onde levas de fãs iam ao espetáculo várias vezes, os aplausos eram mais frequentes e muito mais barulhentos. Mas entendo que aqui não é assim tão fácil porque além do espetáculo acontecer em passo acelerado e cheio de detalhes, muitos precisavam ler as legendas volumosas que traduziam para o chinês tradicional. A timidez porém foi sendo quebrada pouco a pouco, primeiro com a presença dos gatos andando por entre a platéia. Sentamos na ponta de uma das fileiras e para nosso êxtase, um dos gatos, Mungojerrie, parou ao nosso lado e recitou The Name of the Cats olhando fixamente para nós, enquanto outros gatos faziam o mesmo com outros espectadores. Mais tarde, Old Deuteronomy, o ancião e líder dos Jellicle Cats, passeou pela escadria ao nosso lado, sorrindo para uns e outros. Ao passar ao nosso lado, dei uma acenadinha bem discreta e ele acenou de volta, que gentil ele é.
O segundo quebra-gelo veio com a chegada de Rum Tum Tugger, o gato que se acha Don Juan felino do bairro e que rebola e requebra exageradamente, arrancando gargalhadas da platéia. Ele é sempre o personagem mais popular das apresentações. Cheio de carisma, bom humor e ego infladíssimo, está sempre no palco fazendo gracinha pra chamar atenção, com um bando de gatas seguindo os movimentos do quadril em lycra dele.
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Quase no final do primeiro ato, Jemina, que acompanha Grizabella na versão mais curta de Memory, começa a cantar em chinês! My God, a platéia chacoalhou em aplausos e gritos assim que ela iniciou os primeiros versos. Ao final da canção, Jemina recebeu outra ovação.
Antes de começar o segundo ato, os gatos voltaram e andaram por entre a platéia novamente. Outro gato (não sei quem era esse, não é o da foto abaixo, que é o Munkustrap, mas era um parecido) veio se enroscar na nossa fileira e coçou a cabeça no braço do meu assento. Depois ficou olhando fixamente pra mim por segundos que pareciam eternidades ("que maquiagem linda", foi o que fiquei pensando o tempo todo). Em seguida ele olhou pro Martin e fez uma cara de surpresa porque, sem a menor dúvida, ele era o único caucasiano em toda a platéia.
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O gato nos deixou e foi bisbilhotar a próxima fileira. Ele então pegou a bolsa de uma menina e saiu correndo. Outra gata se juntou a ele e os dois sentaram e abriram a bolsa e começaram a tirar tudo pra fora, cheirando e fazendo caretas. A menina dona da bolsa tava desesperada, gritando e rindo, tentando pegar a bolsa de volta. Ela tentava colocar alguma coisa de volta na bolsa e enquanto ela tentava pegar outra, eles tiravam pra fora da bolsa algo que ela tinha acabado de pôr e ficavam olhando pra ela com inocente cara felina. Foi bem engraçado. Em vários lugares da platéia outros gatos estavam fazendo similares estipulias ou acrobacias.
De volta ao palco e com o segundo ato em ação, o grupo já se sentia em casa, com a platéia muito mais relaxada e participando de cada cena. E esse ato é realmente o mais teatral, cheio de coreografias fantásticas, mudanças de cenários, personagens interessantes. É também a parte do drama, do conflito e do desfecho de toda a história. É quando sinto uma pontada de tristeza porque não sei quando ou se um dia vou ver o espetáculo novamente nesta vida. É quando os meus olhos desesperadamente tentam memorizar cada instante, passo, nota, gesto de cada um do grupo, porque sei que logo vai terminar.
E foi pensando em tudo isso que assisti à Grizabella, a gata velha, mal-tratada, rejeitada por todos os outros gatos, cantar a versão original de Memory, sozinha, sob uma única luz da lua. Mancando e sem forças, ela relembra dos bons tempos, quando ela sabia o que era felicidade. Hoje, maltrapilha e esquecida, ela sonha com um recomeço, uma segunda chance para reviver suas memórias, hoje tão distantes. E do chão em que ela havia caído, ela se levanta, abre os braços e implora a todo pulmão, numa voz não mais que perfeita: "TOUCH ME! It's so easy to leave... all alone with the memories... of my days in the sun..." E meus olhos se encheram de lágrimas. Pelo drama, pelo sofrimento de Grizabella. E talvez porque a música reverbera dentro de nós dois, Martin e eu, neste particular momento de nossas vidas que têm sido pouco fácil. Ao menos temos um ao outro, ao menos pudemos ver Cats mais uma vez. Então por tudo isso e pela belíssima voz de Grizabella, eu deixei que elas caíssem.
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O espetáculo terminou com o grupo sendo aplaudido de pé, com bastante barulho da platéia. Fiquei muito contente pelo grupo, por esse reconhecimento caloroso do público de Taiwan. Também fiquei feliz pelo povo taiwanês, por ter tido a rara chance de ver um musical de West End, coisa que para muitos não vai acontecer novamente. E fiquei imensamente emocionada ao perceber que, entre a primeira vez que assistimos a Cats e esta vez, já se passaram cinco anos. Eu nem sequer havia mudado para a Inglaterra ainda, naquela época. E hoje, neste canto do mundo que jamais imaginei que um dia visitaria, prestigiamos a Cats mais uma vez juntos. Agora carregados de memórias que antes não existiam.
"Daylight, I must wait for the sunrise
I must think of a new life
And I mustn't give in
When the dawn comes tonight will be a memory too
And a new day will begin..."
fevereiro 2, 2007
The Striped Spread Snack
Então, fui à Ikea:
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Na verdade estava indo no Carrefour, que é vizinho, mas dei uma passada rápida no Food Hall da Ikea. Havia três tipos de Kalles e felizmente nosso preferido estava entre eles. Não encontrei aquele pão macio e redondo, que parece base de pizza. Comprei umas torradinhas suecas como prêmio de consolação. E ainda comprei uma baguette no Carrefour. Nham. Fome.
janeiro 29, 2007
The Tale of Beatrix Potter
Fomos ao cinema ontem e assistimos a Miss Potter. Estávamos animados para conferir o filme que é baseado na vida de Beatrix Potter, a autora de diversos personagens de histórias infantis, incluindo o famoso Peter Rabbit. Mais que isso, Potter viveu parte de sua idade adulta em Lake District, na região de Cumbria onde Mr.M morou durante sua infância e adolescência. Não tínhamos muitas expectativas porque não havíamos lido nada a respeito, estávamos apenas curiosos em ver imagens de Lake District e também saber um pouco mais da biografia tão pouco conhecida da autora.
Adoramos. Renée Zellweger ficou bem convincente como Beatrix Potter. E Ewan McGregor, nem é preciso muito esforço para se afeiçoar ao seu personagem, excelente. E as imagens, ahh, festa para os olhos. Cada detalhe, mesmo que distante e fora de foco foi bem pensado e pesquisado. Principalmente quando as cenas são da época Vitoriana, em Kensington, Londres. Sem contar com as paisagem de Lake District e da reconstrução da fazenda Hill Top, onde Potter viveu os últimos anos de sua vida se dedicando a preservar o patrimônio rural da Inglaterra.
O filme todo é bem charmoso, harmonioso e delicado, assim como as ilustrações da autora. Mas não é um filme infantil, já aviso. É um drama, uma biografia, apesar da presença de Jemina Puddleduck, Benjamin Bunny e Mrs. Tiggy-Winkle, entre outros personagens fofos. Os fatos principais são todos verídicos. Desde sua próspera infância, sua opressiva mãe que nunca incentivou ou sequer reconheceu seu precoce talento, sua triste tragédia pessoal, o sucesso do primeiro conto infantil.
Depois de sua morte, em 1943, Potter doou à National Trust quase toda sua propriedade, que inclui 4000 acres de terra, cottages e 15 fazendas, incluindo a belíssima Hill Top, que ainda é preservada com muito do que a autora possuía. Até a horta continua sendo cultivada com os mesmos legumes e vegetais que ela um dia plantou e que foi fonte de inspiração para suas inúmeras ilustrações.
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Num Natal frio, cheio de gelo e pouca neve, ganhei de Mr.M a coleção completa dos contos de Beatrix Potter, numa edição comemorativa do centenário de Peter Rabbit. Considero-a um tesouro, é um fascínio ler as obras em ordem cronológica que foram publicados, bem como ler sobre os eventos da vida da autora na respectiva época de cada conto, o que explica a personalidade pitoresca de muito de seus personagens. Mr.M teve toda a coleção também quando criança, mas a edição dele era dos livrinhos pequeninos, que Beatrix Potter insistiu que fossem feitos para caber nas mãos pequenas das crianças. E por muitas vezes nós lemos os contos juntos, sob o edredon quentinho e à luz fraca do abajour; eu conhecendo muitas estórias pela primeira vez, Mr.M relembrando de seus personagens preferidos. E nós dois rindo, talvez porque os animais eram engraçados, talvez porque aquele momento pra nós era tão único e divertido. Ou talvez porque o frio e as dificuldades desta vida ficavam pra fora da janela fechada, atrás da cortina.
Meus contos favoritos? O delicioso The Tale of Pie and the Patty-Pan (patty-pan é uma forminha de empada, que antigamente era colocada dentro de uma torta grande, por baixo da massa que a cobria, para evitar que o centro da mesma afundasse); o comovente The Tale of the Tailor of Gloucester; e também The Tale of Ginger and Pickles, que reúne vários dos personagens mais famosos. E The Tale of Peter Rabbit, claro, esse coelho sem-vergonha e guloso.
janeiro 25, 2007
And Yet Another Earthquake
Tivemos mais um terremoto ontem. Fraco, um pouco mais longo desta vez. Sentimos o apartamento chacoalhar, assistimos às luminárias do teto balançarem de lado a lado. Foi fraco. Mas o suficiente para nos trazer más memórias. Suficiente para trazer de volta a inconfortável sensação de que outro forte terremoto está para acontecer.
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janeiro 22, 2007
Accomplishments
Bom domingo, ontem. Mr.M de folga, um dia depois da chuva, com sol, mas ainda agradável para caminhar. Eu estava com uma missão a cumprir na minha cabeça: encontrar o Centro Cultural de Kaohsiung. Passei dias e dias vasculhando a Internet pelo endereço, mas em inglês a busca foi infrutífera. E em chinês eu não conseguia encontrar o endereço. No final, consegui saber que o tal Centro Cultural ficava perto de um restaurante, cujo endereço eu sabia onde era. Então logo de manhã, depois do café da manhã em pijamas, saímos para começarmos a expedição.
Caminhamos até uma rua que é o mercado das flores da cidade. Várias bancas de flores, plantas e arranjos. Nessa rua também há a nossa banca preferida de frutas. As frutas de lá são sempre frescas, maduras e muito mais baratas que no supermercado. Lá também encontro suco de laranja lima. Compramos mexiricas, maçãs, frutas do conde e uma garrafa do tal suco.
Continuamos no nosso caminho, parando aqui e ali para conhecer lugares que nunca tínhamos visto antes. Percebi que tinha esquecido o mapa no apartamento. Pegamos ruas diferentes só para ver se encontrávamos algo interessante e inédito. Continuamos andando, sem saber se estávamos no caminho certo, mas mentalmente me lembrava da localização.
E no meio das ruazinhas bagunçadas e sujas a que estamos já tão acostumados, eis que surgiu à nossa frente uma área cheia de árvores, algo extremamente raro na cidade. Antes de avançarmos, Mr.M sugeriu que a gente comprasse um lanche e sentássemos à sombra para almoçar. Grande idéia, compramos sandubas e nos dirigimos à área arborizada. E antes de cruzar o grande portal do "parque", eis que nos deparamos com a grande placa: "Kaohsiung Cultural Centre". Hooray!!
Lanchamos e bebemos nosso suco de laranja lima e ficamos apreciando a àrea e também a um grupo de adolescentes que estavam fazendo alguma atividade escolar por lá. Adolescentes aqui são tão gente boa, sempre em grupo, sempre se divertindo. Diferentes dos muitos delinqüentes e vândalos de Bournemouth. Terminamos nosso almoço, ficamos perambulando entre as árvores, mas eu ainda não estava satisfeita porque eu tinha um objetivo neste Centro Cultural, que era comprar ingressos para uma apresentação.
Pois bem, entramos no centro, que parecia tudo fechado. Achei estranho porque afinal domingo é um dia para se visitar um lugar desses, não? Já estava me conformando que teria que voltar um outro dia, quando Mr.M percebeu uma porta beeeem distante, que parecia aberta. Fomos até lá e encontramos uma atendente. Mostrei para ela o eu queria e ela foi muito gentil em nos indicar o caminho certo, que era no andar de baixo.
Lá chegando, mostrei o folheto novamente, juntamente com as anotações que havia feito em casa, para não ter erro do dia, horário e tipo de assentos que queríamos. A atendente também foi super gentil e tinha até um monitor disponível para a gente escolher os assentos. Escolhemos, tudo certo. Tirei meu cartão pra pagar e ela me comunicou: "cash only". Alright-o, perguntei onde havia um caixa eletrônico e ela nos indicou. Fomos até lá, caixa meio estranha, a transação não funcionou. Decidimos ir até a 7Eleven, onde sempre tudo funciona. Conseguimos sacar a quantia e voltamos para pegar nossos esperados tíquetes, hooray!
Missão cumprida! Atualmente, decidimos tentar fazer absolutamente tudo por nossa conta, sem a ajuda da Jo. Isso me força a fazer mais pesquisas, mais buscas, nos faz planejar, comunicar, sair, explorar, nos perder, nos encontrar. A satisfação de finalmente chegar ao resultado é infinitamente maior do que ter um favor atendido. A Jo ainda faz muito por nós, principalmente quando envolve algo burocrático. Mas desde alguns meses atrás já conseguimos andar com nossas próprias pernas e contatamos a Jo só para sair para jantar com a gente.
Depois de terminar a minha dança da felicidade da missão cumprida, entramos numa galeria do Centro Cultural para vermos uma exposição de fotografia e design. As fotos eram lindas paisagens da Nova Zelândia, que nos trouxe lembranças da bela Lake District, na Inglaterra. Montanhas, pastos verdinhos, céu azul e ar fresco. E nenhuma scooter à vista. Muitas saudades disso tudo.
Na saída encontramos uma lanchonete e sorveteria chamada BigTom. Escolhemos sorvetes de raspberries e chocolate, que vieram numa cestinha de waffle. Sentamos numa mesa com a vista pras árvores e lá ficamos preguiçosamente dando colherados no nosso sorvete, conversando e passando o tempo.
Voltamos pra casa depois dessa longa caminhada, visitamos a exposição da Sony que está acontecendo no shopping aqui da frente. Babamos nas TVs HD, nos Vaios e no Playstation 3.
Foi um domingo atípico e demos um grande passo. Quero frequentar mais o Centro Cultural, agora que sabemos onde fica. Por várias e várias vezes perguntamos pra um monte de taiwaneses onde é que a gente poderia ir, onde poderíamos visitar, o que poderíamos fazer em Kaohsiung. Ninguém jamais mencionou o Centro Cultural e foi uma pena porque há apresentações de ballet, teatro, sinfonias, óperas chinesas e muito mais. Mas antes tarde do que nunca, ainda temos um tempo pela frente.
janeiro 17, 2007
Bustin' Out
Neste tempo todo que estamos morando neste apartamento já quebrei quatro copos, duas tigelinhas, uma tigelona. No entanto, desafiando todas as minhas pragas, o Prato Horroroso Azul e o Prato Pavoroso Cor-de-Laranja continuam por aqui firme e fortes e sem nenhuma lasquinha.
Para combinar com eles, temos também canecas nas mesmas cores, que chegam a ser uma aberração do mau-gosto quando colocadas juntamente com seus respectivos pratos, num café da manhã de domingo.
Dia desses, cansamos. Já falei aqui que estamos cansados? Pois. Abriu uma Ikea há poucos passos daqui. Durante mais de um mês havia filas de mais de muitos metros para entrar na loja que estava um formigueiro. Finalmente quando o auê da novidade passou pudemos colocar nossos pés ali.
Posso não ser muito popular depois desta confissão, mas na verdade não gosto muito da Ikea. Gosto das coisinhas miúdas, das coisas de cozinha, das louças, de algumas idéias para armazenar quinquilharias. Disso eu gosto. Mas dos móveis, não. Não gosto do estilo, nem da qualidade. E nos deu um frio na espinha de ver móveis poucos comuns de se encontrar em Taiwan como guarda-roupas, gabinetes, beliches e estantes, tudo baratinho, tudo sem pregar na parede, tudo de madeira fraquinha, que num terremoto grave pode causar terríveis acidentes. E o povo todo comprando em massa, porque é baratinho, porque é europeu, olha que chique! Sem se dar conta que a realidade é diferente pra eles.
Mas enfim, visitamos a loja e nos divertimos. Adorei dar uma olhada em tudo, vasculhar tudo. E minha área preferida foi mesmo a de coisinhas pra cozinha. Lá encontramos pratos branquinhos mas a preços pouco convidativos. Pensei um pouco. Já temos quatro pratos e achei melhor não comprar mais nenhum, sendo que vamos deixar tudo aqui. Mas compramos umas canecas bem bacanas, porque é preciso um pouco de dignidade. Compramos também panos de pratos para substituir as tenebrosas toalhas taiwanesas. E por fim compramos também um escorredor de talheres. Três simples objetos que imediatamente fizeram toda a diferença, ninguém nem imagina o quanto.
No final de semana passado descobrimos que uma das livrarias aqui perto está fazendo uma queima de estoque de revistas americanas do ano passado. Fui lá e comprei um bom estoque de revistas de decoração Better Homes e Natural Homes, além de algumas da Martha Stewart, Living. São de dezembro/2005 ou janeiro/2006, mas novinhas, ainda no plástico e pouco me importa quando foram editadas.
Tendo dito tudo isso, não tenho do que reclamar da vida aqui em Kaohsiung. Fizemos grandes melhorias. O supermercado mais perto do apartamento era um que eu não gostava muito, vendia coisas estranhas, não tinha frutas nem verduras. Fechou, reestruturou e abriu um excelente, com absolutamente tudo que precisamos. Ao lado da Ikea também surgiu um Carrefour. Em poucas semanas vai ser inaugurada a primeira linha de metrô da cidade. E mês passado foi inaugurado um trem-bala, da mesma companhia de transportes do Japão, que liga o norte e o sul do país. No entanto, Martin está trabalhando praticamente sem folga e vai ficar ainda pior no decorrer dos próximos meses. Não dá para se ter tudo. Ao menos posso tomar meu chá e ler minhas revistas.
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janeiro 12, 2007
Kaohsiung at Night
Quando esta terra não está chacoalhando ou sendo levada por vendavais, há até algum atrativo aqui e ali. Completamos nove meses e uma semana em Taiwan e muito do que antes achávamos interessante e pitoresco hoje já foge do nosso olhar. Então ficam aqui algumas imagens daquele tempo, de uma primavera longínqua, quase esquecida. Kaohsiung é melhor vista à noite, quando a luz não ilumina tanto o que a gente já não agüenta mais ver. Estamos cansados, eu sei. Todas as fotos são de Mr.M, aquele meu fotógrafo preferido.
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janeiro 1, 2007
2007
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Hoje é dia em que minha família se reúne para comer uma sopa especial com mochi, que minha mãe faz. Muitas saudades. Da sopa com mochi e da minha família.
Taiwan celebra o Ano Novo com fogos de artifício e festa, mas não chega a ser um grande evento. Comemoramos com os colegas do Martin novamente, mas não ficamos até a meia-noite porque hoje, apesar de ser feriado, todos eles estão trabalhando desde às sete da manhã.
O ano novo chinês começa só em 18 de Fevereiro.
dezembro 30, 2006
Our Christmas Do
Ok, chega de assuntos desastrosos.
Vou contar como foi nosso Natal. Martin trabalhou das sete às cinco, voltou pra casa com febre alta, tossindo, garganta pegando fogo. Jantamos sopa, ele foi dormir cheio de Paracetamol, eu assisti tevê e fui dormir em seguida. Tá, então esse Natal não conta.
Mas no sábado anterior, fizemos nossa festa de confraternização. Só entre nós aqui que estamos com contrato a longo termo. Foi bem bacana. Confraternização mesmo, no melhor sentido da palavra. Ao contrário daquelas festas forçadas das empresas, com discursos vazios, sorriso amarelos. Comemos bem, bebemos melhor ainda, demos risadas, brindamos várias vezes, por várias razões. Foi emocionante ver os colegas do Martin abraçando-o e dizendo "é um grande prazer trabalhar com você, Marty", sem estarem bêbados. Porque eles discutem todo dia, se desentendem, discordam um do outro, perdem a calma, brigam até por causa do chá que acabou e ninguém comprou. Mas no fundo, são competentes, pró-ativos, ninguém tem nada contra ninguém pessoalmente. E foi essa a essência da nossa festinha. Palavras sinceras, abraços, honestidade, nos sentimos tão bem!
Escolhemos o restaurante do hotel HiLai que costumávamos morar. Nós havíamos pesquisado antes e este era o que tinha o menu de Natal mais atraente. Além do que, os garçons já nos conhecem a um tempão, são sempre simpáticos e o lugar é agradável sem ser muito pomposo demais. Foi uma ótima escolha.
O primeiro curso foi de salmão norueguês marinado em dill, muito muito bom. Pãezinhos quentinhos assados na hora, irresistíveis. Eu estava faminta comi tudo e não tirei foto. O segundo curso foi de sopa de couve-flor com patê de fígado de ganso. Nhammm, cremosa, aveludada. Ainda estava faminta e comi tudo sem tirar foto outra vez. Rats.
Oh sim, a bebida, não esqueçamos. Ian, que é um gentleman, já havia organizado todas as bebidas e nos presenteou com uma garrafa de Moët & Chandon Brut Impèrial. Oh my good lord almighty! Que delícia, que coisa mais delicada, suave, elegante, fantástica. Fiquei apaixonadíssima. Amei, amei, amei. Pro resto do jantar foi servido um vinho branco um pouco maduro demais pro meu gosto, um leve cheiro de barril de carvalho. Ian disse que se eu quisesse poderia beber champagne com todos os cursos porque é uma ótima bebida que combina com tudo. E eu concordei e fui muito feliz. Mas meu vinho não foi desperdiçado, já que Mr.M se encarregou do sacrifício de esvaziar minha taça.
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Enquanto esperávamos o próximo curso, uma grata surpresa. Um coral de meninas do primário entraram no restaurante e cantaram maravilhosamente afinadas várias canções de Natal. Terminaram desejando "Merry Christmas" com o melhor sorriso nos rostinhos. E eu fiquei com os olhos cheios d'água. Que graça.
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O terceiro curso era salada de folhas verdes, nada especial, mas difícil de se ter em Taiwan. Chineses em geral gostam de verduras cozidas, quentinhas, saladas são raras. O quarto curso foi de scallops com molho de maracujá e cenoura ralada e frita por cima. Combinação ótima, scallops fritos na medida, molho delicado, texturas diferentes, mas o sous chef perdeu vários pontos por não ter limpado a borda do meu prato. O que custava passar um paninho, eh?
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E finalmente o esperado prato principal: peru assado com molho de castanhas. A carne estava tenra e úmida, bem temperada. E o molho foi uma ótima surpresa, excelente combinação que agradou todo mundo. De sobremesa tivemos um triffle de morango e framboesas, com carinha do Papai Noel.
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Falando nele, logo entrou um Papai Noel taiwanês restaurante adentro, com uma assistente balançando sinos de Natal, ho ho ho, aquela coisa. Eu pedi um Playstation 3 pro Santa Claus e tudo o que ele me trouxe foram essas balas de toffee. Passem a garrafa, sim? She's a boozer, she's a boozer.
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dezembro 29, 2006
Speckle
As placas tectônicas que convergem por aqui parecem finalmente terem entrado num acordo. Houve um total de seis terremotos em dois dias. Sentimos todos eles. O saldo foi de duas vítimas fatais e 42 pessoas feridas. As linhas de telecomunicação submarinas foram bastante afetadas, ainda estamos tendo problemas com a Internet e telefone.
O terremoto principal, chamado de Hengchun, já foi adicionado na lista dos maiores terremotos do mundo, no Wikipedia. Um colega taiwanês do Martin, que tem seus mais de 40 anos, nos contou que este foi o segundo pior terremoto que ele já passou na vida. O primeiro dever ter sido certamente o de 1999, chamado Chi-Chi, que levou a vida de mais de 2 mil pessoas e destruiu mais de 44 mil residências. Até hoje encontramos rachaduras no solo em alguns pontos turísticos de Kaohsiung que se abriram durante esse terremoto.
Desde então, muito foi feito para proteger a população de uma tragédia natural como essa. Só depois de termos passado por este terremoto Hengchun é que compreendemos a razão de muita coisa que nos cerca. Moramos em dois apartamentos diferente aqui em Kaohsiung. Os dois eram apartamentos novos. E ambos tinham todas suas mobílias, como guarda-roupas, armários da cozinha, bancada de TV, estantes, espelhos e criados-mudos, tudo, tudo cimentado na parede e no chão. No começo achamos estranho esse layout, estranha essa forma fixa, essa impossibilidade de alterar a mobília de acordo com nosso gosto ou necessidade. Agora tudo faz sentido. Se nossa mobília não estivesse cimentada, o estrago certamente teria sido enorme, sem contar o risco de nos machucarmos, de algo cair sobre nós.
O prédio em si é à prova de terremotos e typhoons, todo em concreto e aço, com vidros temperados. O único grande risco é acontecer algum incidente no encanamento de gás. Foi por essa razão, entre outras, que precisamos ser evacuados dos apartamentos. Mas nada aconteceu e logo pudemos voltar.
Nessa hora, principalmente para quem nunca viveu uma situação como essa, a sensação é de total impotência contra a força da natureza. Por mais que a gente leia e decore os procedimentos de segurança, quando o tremor começa, não dá para planejar nada, pensar em nada. O tremor dura cerca de 20 segundos e, morando no décimo quarto andar, não dá pra fazer nada nesse tempo além de esperar. Não há como descer pro térreo em 20 segundos. Hell, não dá nem para andar até um lugar relativamente seguro dentro de um único quarto! O melhor mesmo é estar onde você acha que vai estar mais seguro e esperar.
Foi o que fizemos. Ficamos juntos, olhando um pro outro, sem saber o que poderia estar prestes a acontecer. "(...) to die by your side oh such a heavenly way to die..." Felizmente absolutamente nada aconteceu. No dia seguinte ainda estávamos mais traumatizados do que haviamos imaginado. O corpo dolorido pela tensão nos músculos e pelo sobe-e-desce nas escadas. A sensação estranha de que algo estava pra acontecer novamente. E essa sensação era tão forte, que no meio da manhã Martin me ligou e conversamos sobre como ambos estávamos nos sentindo esquisitos. E no meio do telefonema, outro tremor começou, um pouco mais fraco (5.9), mas ainda forte o suficiente para nos abalar. Não só os cães prevêem tremores, vejam só.
Agora já estamos nos sentindo melhores. Nada como um dia sem tremor para nos sentirmos com os pés no chão novamente. As vezes a gente perde a perspectiva do grão de areia que somos no universo. Desordeiros grãos de areia, mas grãos, ainda assim.
dezembro 26, 2006
Shaken
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Antes de mais nada: estamos bem.
Mr.M e eu estamos bem, nosso apartamento está inteiro, nada que é nosso quebrou.
Tudo bem. Just fucking terrified.
Para quem não sabe o que aconteceu, houve um fortíssimo terremoto em Taiwan. Mais especificamente, na península Hengchung, há meros 90km daqui de Kaohsiung. Segundo o U.S. Geological Survey, a magnitude do tremor de terra foi de 7.1 na escala Richter. A mesma magnitude do terremoto que destruiu a cidade de Kobe, no Japão, em 1995. A grande e importante diferença é que o epicentro desse tremor que tivemos aqui foi no fundo do mar, não na terra, como em Kobe.
Se esse tremor já havia nos assustado o suficiente, o pior para nós foi o aftershock, o segundo terremoto que aconteceu 10 minutos mais tarde, cujo o epicentro foi aqui, 27km ao sul de Kaohsiung, magnitude de 6.4 pontos. Scared the living shit out of us. Começou com uma vibração no chão como se um caminhão pesado estivesse passando no quarto ao lado. Ficou mais intenso e tudo que estava nas mesas e bancadas começou a andar e a fazer batuque. A sensação era de que estávamos dentro de um veículo rodando por uma estrada cheia de pedras e buracos. E então o prédio inteiro começou a mover. As luminárias do teto balançaram tanto que bateram suas bordas no teto. Ficamos de quatro no chão porque nem de pé conseguíamos ficar. Lá fora barulho de algo quebrando, se espatifando no chão. Tentamos engatinhar até o quarto e o apartamento chaoalhava tanto para frente e para trás que demoramos um tempo imenso (aparentemente) para avançarmos um metro. Colocamos travesseiros nas cabeças e nucas e esperamos. No chão, ajoelhados, peitos no colchão, cabeça abaixada, olhos esbugalhados um no outro. E esperamos. Miseráveis, longos, intermináveis, sonofabitch 20 freaking segundos.
Quando o tremor começou a ficar mais fraco, o comunicador de emergência do prédio convocou todos os moradores a evecuarem os apartamentos. Evacuamos. Descemos 14 anda
Shit! Neste exato momento, mais um tremor está acontecendo. Parece pequeno (update: foi 5.5). Shit. Shit. Shit.
Shit.
Sh...
Parou. Mas até quando?
Enfim, estava dizendo que tivemos que descer pelas escadas, 14 andares. E o que nos deixou ainda mais assustados foi ver que muitos taiwaneses estavam realmente preocupados. Ficamos todos no hall e o fato de não entendermos a língua nesta hora foi terrível porque seja lá o que o segurança falava para acalmar os moradores, a gente não entendia. Voltamos há pouco para o nosso apartamento. Tudo em ordem, mas estamos abalados, assustados, confusos. Como o Martin bem disse, para nós poucas coisas são mais sólidas do que o chão que a gente pisa. Quando a confiança nesse mesmo chão se perde, o que nos resta? Pra onde correr? Pra onde ir?
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dezembro 24, 2006
dezembro 14, 2006
Christmas is a Paper Crane
Não há muitas opções de decoração natalina de bom gosto neste país asiático; tudo de plástico, com purpurina e tinta dourada. Mas pelo conseguimos encontrar uma arvorezinha de Natal de uns 30 centímetros. De papel e plástico, totalmente environment unfriendly. Minhas tentativas de decorá-la, no entanto, foram bastante prazeirosas uma vez que tive que encontrar meus próprios recursos. Fiz uma porção de origami de tsurus com papéis de presente. Sim, os mesmos papéis que fiz o Advent Calendar. Pendurei-os na árvore e fiz até um ninho pra uma família deles, com papel picotado daqueles que vêm dentro de embalagens. Comprei fita e fiz uma laçarote grandão para enfeitar a ponta da árvore. O cordão vermelho que segura a fita usei de uma embalagem de bolo. Mr.M colocou luzinhas coloridas. E eis que agora estamos nos sentindo mais Christmasssy que nunca.
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Aliás, nosso Advent Calendar tem sido uma grande diversão. Toda manhã abrimos um envelopinho com muita expectativa de saber o que iremos fazer à noite. Já fomos jantar fora, jogar sinuca, jogar air hockey, já fizemos massagens nos pés, fizemos sushi juntos, saímos pra comprar revistas britânicas, uma porção de mini atividades que têm nos feito muito bem, principalmente quando incluem vinho. Faltam poucos envelopes na caixa, os dias passaram rápido.
dezembro 2, 2006
M&M's Advent Calendar with Activities
É Dezembro, finalmente. Jingle bells, Santa smells and all that. Não temos muito a esperar deste Natal de 2006. Taiwan é um país predominantemente taoísta e budista, então Natal é algo tão estranho para eles quanto comemorar Halloween é para os brasileiros. Para completar, Mr.M vai trabalhar normalmente no dia 25, o que significa que vou passar a maior parte do dia all by myseeeeelf... don't wanna be... aaall by myseeeeeeeelf... Óquei, parei.
Mas para que a gente não se enforque em tinsels (festão?), estamos fazendo de tudo para criar um clima natalino entre nós. Basta estar privada de algo para começar a desejar por isso intensamente. Eu estava desanimada com a história, mas Mr.M, que é mais doce que mince pie, começou a me incentivar, comprou umas decorações natalinas e me contagiou com a empolgação.
E então lembrei dos Advent Calendars, que conta os dias de dezembro até a chegada do Natal. Na Inglaterra esses calendários são geralmente associados com mini chocolates, como descobri há quatro anos. Porém, existem milhares de outras idéias sugar-free pelo mundo, bem mais criativas que chocolates de má qualidade numa caixa de papelão. Inspirada pela Claire, comecei a planejar um Advent Calendar with Activities.
Listei uma porção de atividades para tirarmos nossos traseiros deste apartamento e fazer uma coisinha bacana todo dia até a chegada do Natal. Comprei papéis de presente para recortar em retângulos, adesivinhos de Natal e uma caixa bonitinha. Em cada envelopinho escrevi uma atividade para fazermos em cada dia. Mr.M não sabe quais são. Mas as atividades são todas simples e fáceis de realizar; vão desde dar um passeio nas margens do rio, falar só em português o dia todo, até disputar Daytona Race ou abrir uma garrafa de vinho pro café da manhã, essas coisas que nos deixam felizes, vocês me entendem.
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Todas as manhãs antes de Mr.M sair pro trabalho ele me acorda, sorteia um envelope e nós abrimos e descobrimos o que temos que fazer no dia de hoje. E como ontem eu ainda estava ocupada com a produção dos envelopinhos, só começamos o Advent 'Calendar' hoje. E o primeiro envelopinho diz para irmos jantar no nosso restaurante japonês preferido, hooray! Mr.M riu e perguntou se todos os envelopes envolvem eu não cozinhar durante o mês todo, haha. Me espanta a rapidez dele descobrir as nuances do meu plano...
novembro 21, 2006
I Predict a Riot
Às vezes me pergunto por quê, neste mundo liderado pela infame guerra do Bem contra o Mal, nenhuma ação é feita a respeito do atual governo chinês. Mas esta pergunta dura apenas um segundo e meio porque a resposta é clara: a China não tem petróleo. E por essa simples razão, as atrocidades cometidas pelo partido comunista chinês continuam acontecendo explicitamente, sem que ninguém faça nenhum esforço para mudar a situação.
Em países ocidentais, raramente lemos ou ouvimos notícias sobre essa verdadeira crise asiática. O Ocidente, quando muito, se preocupa com a Gripe Aviária como se essa sim fosse uma ameaça asiática à humanidade. Muitos sequer tem idéia do que vem acontecendo neste canto do mundo.
Porém, em Taiwan, onde a população luta para ter sua soberania e liberdade, as notícias são mais intensas e constantes, mesmo sofrendo censura. Aqui, o tempo todo percebemos que o pior ainda está por vir e acontecer. Para quem não tem idéia do que eu estou falando, listarei aqui alguns fatos:
1. Censura e Tortura - Em país com governo comunista, nada é divulgado sem a aprovação do censo. Jornalistas, políticos, escritores, intelectuais e estudantes que ousam escrever sobre democracia e liberdade são perseguidos, presos, torturados e jogados em campos de concentração. Que ninguém se esqueça do massacre em Tiananmen Square, quando o povo chinês saiu às ruas para protestar contra o opressivo governo e o exército abriu fogo contra eles, utilizando atiradores automáticos e tanques de guerra. Que ninguém se esqueça do solitário protestante, conhecido como Unknown Rebel, que enfrentou sozinho o avanço dos tanques de guerra que estavam a caminho da praça. Segundo a Cruz Vermelha, mais de 2.600 civis morreram no massacre e mais de 10.000 ficaram seriamente feridos. O paradeiro do solitário protestante é desconhecido, uns dizem que ele foi executado poucos dias depois, outros, que ele atualmente mora em Taiwan.
Milhares de protestantes como esses foram confinados em condições similares a dos campos nazistas. São esses o tipo de presidiários chineses, os que ousaram a lutar pela democracia, não são criminosos ou assassinos. São os mesmos presidiários que são forçados a trabalhar de graça, produzindo todo tipo de bugiganga para exportação. Da próxima vez que você encontrar brinquedinhos fajutos e baratos Made in China, lembre-se deles. Nem tudo que é barato e chinês vem do trabalho de presidiários, mas sim da política de subsídios que deixa tudo a preços muito baixos, mas ainda assim muitos produtos vêm desse trabalho escravo, então lembre-se deles. Lembre-se dos presidiários de pele cinza, ossos à mostra, desesperança nos olhos, sacos de ossos à espera da dolorosa morte por tortura.
Ainda sobre a censura, sites como Yahoo e Google estão o tempo todo sob vigília e são proibidos de exibir qualquer resultado para busca de palavaras-chaves como "democracia", "Tiananmen Square", "Dalai Lama" e "Falun Gong" que incitem o povo a se manifestar contra o governo. O Google, aliás, foi duramente acusado de ajudar o governo chinês a perseguir sites e seus webmasters, shame on you.
Por último e não menos importante, Movable Type e Blogspot também são domínios bloqueados. Livros e filmes com idéias "subversivas" são também proibidos. DaVinci's Code? Brokeback Mountain? Memoirs of Geisha? Tomb Raider?!?! You must be joking, tudo banido dos cinemas.
2. Religião - Durante a visita do presidente Hu Jintao na Casa Branca, houve um incidente que saiu em todos os noticiários. Antes de executar o hino nacional, uma mulher, jornalista do The Epoch Times, subiu na área onde os cinegrafistas estavam e fez seu protesto em chinês dirigido aos presidentes que estavam a postos. Ela pedia para Bush fazer o presidente Jintao parar com a perseguição contra os religiosos da seita Falun Gong. Em Hong Kong, vimos um enorme grupo dessa seita fazendo um protesto com fotos dos presos religiosos sendo torturados, algo que jamais terei capacidade de descrever. Bush pediu desculpas à Jintao pelo incidente e a jornalista foi processada. Way to go... Da mesma forma, centenas de católicos, tibetanos, monges e freiras foram presos por causa de suas lealdades ao Papa ou Dalai Lama.
3. Tibet - A China invadiu, matou muitas centenas de civis e militares tibetanos, forçando o Dalai Lama Tenzin Gyatso a pedir asilo político à India para que seu povo fosse poupado. A China tomou posse do país, tirou os tibetanos de seus empregos, instituiu o chinês como língua oficial, proibiu que a bandeira do Tibet fosse usada, assim como seu hino nacional. Tibet agora é parte da China, que agora também elegeu seu próprio Dalai Lama, desrespeitando toda tradição sobre reencarnação que reje a escolha do mesmo.
4. Taiwan - Sobre isso eu já contei aqui. Taiwan luta por sua independência e liberdade de expressão, enquanto que a China insiste em lembrar que o país é parte de seu território. Para reforçar esse lembrete, mais de 800 mísseis estão voltados para Taiwan.
5. India - No momento o presidente chinês Hu Jintao está em visita à India, então é capaz de sair uma ou duas notas nos noticiários ocidentais. A China invadiu e entrou em guerra contra a India para ter o controle do estado Arunachal Pradesh, ferida aberta e dolorida na história dos indianos.
6. Arsenal Nuclear - A China mantém laços próximos com o Irã. E de lá que a China compra petróleo e é de lá também que vem o interesse do governo chinês em armas nucleares. Da mesma forma, a China também mantém laços com a Córeia do Norte e Paquistão. Se você achava até agora que nada disso que a China vem fazendo afeta seu rabo, agora você pode começar a se preocupar.
7. Aquecimento Global - A China é hoje o segundo maior poluidor do mundo, em emissão de CO2. E o governo planeja para os próximos anos, a abertura de centenas de usinas de energia que utilizam a queima de carvão. Mesmo que o Reino Unido inteiro pare completamente de produzir CO2, os níveis mundiais de poluentes continuarão aumentando por conta do progresso industrial chinês. Existem esforços na China para conter a poluição, mas como em qualquer país, mesmo o Brasil, os interesses pelo meio ambiente sempre são atropelados pelo interesse governamentais e financeiros.
Admiro o povo chinês, admiro sua cultura, sua história, sua arte, suas glórias. Admiro o senso de comunidade, de família, de hospitalidade. Há muitos outros aspectos admiráveis na China e principalmente entre chineses. Os fatos listados aqui não devem em nenhum momento mudar o conceito desse grande país. Porque os fatos listados são criados e executados por pequenos e poderosos grupos, que infelizmente estão no poder atualmente. E eles não são tão diferentes dos outros poderosos grupos que outrora fizeram as mesmas atrocidades em outras terras, EUA e Inglaterra incluídos. E eu não consigo imaginar nenhuma mudança, não consigo ver a história da China mudar de rumo. O incidente de Tiananmen Square aconteceu há vinte anos, desde então nada mudou no que diz respeito à liberdade e democracia. Talvez um dia isso mude, não sei como, não sei quando. Mas pelo povo chinês, tibetano, taiwanês e indiano, pelos meus amigos chineses que guardo no coração, eu espero que um dia a liberdade chegue.
novembro 6, 2006
Obentô
Alguns de vocês devem se lembrar quando falei aqui sobre o sistema de educação alimentar das escolas japoneses e taiwanesas, chamado de Kyushoku. Bacana, civilizado e tal. Porém, nem todas as escolas oferecem o mesmo sistema e muitas delas pedem para que os alunos tragam seus próprios lanches. E é nesta hora que entra o famoso obentô (ou bentô, mas é mais polido dizer obentô, i'm a lady), que nada mais é que uma refeição completa disposta dentro de um caixa. Apesar de ser usado nas refeições escolares, o obentô não é, no entanto, voltado exclusivamente para crianças, muito pelo contrário. A grande maioria dos adultos japoneses preparam e levam seus próprios obentôs para trabalhar, ir a escola, viajar, assistir a eventos esportivos.
Parece tão simples como fazer uma marmita e é, com a diferença de que no Japão, preparar um obentô é uma expressão artística.
Muitos japoneses acordam bem cedo, antes do sol nascer, para preparar os obentôs para a família, filhos ou para si mesmos, sempre seguindo as regras que o obentô precisa ser apetitoso, saudável e... fofíssimo. Sim, precisa ser kawaii, cute, bonitinho, coisa fofa. E para isso hoje existe um mercado imenso de acessórios para criar os obentôs de deixar qualquer ocidental totalmente perdido. A começar pelas próprias "caixas de obentô", que podem ser desde um simples Tupperware retângular, passando por formatos de personagens como Hello Kitty, Snoopy, Shinkansen, UltraSeven, AmpanMan entre muitos outros; há "caixas de obentô" térmicas, há outras empilháveis, há umas luxuosas, com vários compartimentos. E então há um mundo inteiro de cortadores, moldes, furadores, além de divisores coloridos, bandeirinhas, tubos para molhos, tudo o que puder adicionar fofurice na refeição.
O resultado? Obras como estas tiradas dos bento-blogs Cooking Cute e E-obento:
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Note que o conteúdo de um obentô não precisa ser necessariamente elaborado. A razão de um obentô equilibrado é de uma porção de proteína para duas porções de vegetais ou frutas (fibras e vitaminas) e três poções de arroz (ou outro carboidrato) . E nem sempre é preciso acordar no raiar da manhã, como muitos japoneses, para fazer seu obentô. Há vários sites e blogs sobre o assunto dando dicas de como planejar e não gastar muito tempo preparando. Geralmente é possível usar o que restou no jantar e pronto. Basta fazer uma porçãozinha a mais quando fizer o jantar, além de ter na geladeira, na despensa e no freezer algo fácil para incrementar a refeição (tomates cerejas, ovos, frutas, sopas).
Eu, que adoro todas as coisinhas em miniatura, sempre achei o obentô o ápice da apresentação de uma refeição. Formatos diferentes, alimentos com sorrisos e carinhas, flores de legumes, cores, diversão. Quando voltamos do Japão, Mr.M decidiu que queria levar seu próprio obentô pro trabalho porque ele já estava cansado dos sanduíches comunitários que os colegas dele fazem (um rodízio de sanduba de queijo, bacon ou spam *argh*). Fizemos um mini planejamento, comprei uns acessórios no Japão (hooray!!), compramos um novo bento box (por alguma razão desconhecida, Mr.M se recusa a usar o meu do Snoopy).
E então há mais de um mês Mr.M tem se alimentado melhor durante o almoço e eu tenho me divertido na cozinha (apesar das limitações de equipamentos e espaço). Eis algumas de minhas primeiras criações:
No começo eu estava empolgada e procurava encher cada espacinho do bento box com alguma coisinha diferente. Mas logo nos primeiros dias Mr.M me avisou que era comida demais ("way too much food") e que ele não conseguia comer tudo durante o almoço. Também sugeriu que eu não fizesse muitos ursinhos, florzinhas e sorrisinhos na comida dele. Rats... Então hoje o bento box dele não é tão recheado assim como nas fotos acima, cortamos a quantidade pela metade. O que vai no bento box dele é geralmente o que tivemos pro jantar. Embalo, espero esfriar e coloco tudo na geladeira. No escritório ele tem microondas e esquenta tudo. Mas não preparo obentôs diariamente. Muitas vezes ele prefere levar sanduíche que ele mesmo escolhe como fazer. O nosso preferido é um pedaço de baguete recheado de pesto, mussarella de búfala e tomates. Nham. E quando estamos ambos com preguiça vai um sanduba de atum com cenoura mesmo.
Achei que fosse perder o interesse dos obentôs com o tempo, mas tem sido prazeroso e na verdade me ajuda a pensar no que fazer pro jantar também. Começo a pensar nos três potinhos e no que vou colocar em cada um deles. O mais fácil é o de vegetais ou frutas, então já começo escolhendo esses primeiro. Depois penso na proteína e aí decido se faço arroz ou pasta. E pronto.
Nos últimos anos os obentôs começaram a ficar mais populares e o interesse pelas caixinhas criativas começou a atrair adeptos de todo mundo. Tem até sua própria TV. Mania ou não, enquanto o conteúdo respeitar a proporção de carboidratos, vegetais e proteínas, o obentô sempre vai ser uma fonte de alimentação equilibrada e saudável, muitas vezes ridiculamente, desavergonhadamente fofa ou algumas vezes doentemente estranhas.
setembro 20, 2006
Futile Attraction
Então fui cortar meu cabelo. Evitei o quanto pude ir ao cabelereiro sem saber falar chinês, mas já estava tropeçando na minha juba, então resolvi que não dava mais para esperar. Fui. É aqui na esquina, todos os cabelereiros desse lugar são bem jovens e moderninhos. Bom sinal. Marquei horário, a menina falava um bocadinho de inglês. Fui na hora marcada, sentei e o cabelereiro veio conversar, em inglês. Eu só queria aparar as pontas, o mais simples possível para não ter erro.
O moço perguntou:
- Do... you... want... to... keep it... erm... long?
Eu olhei bem pra ele e respondi balançando a cabeça afirmativamente:
- YES.
O moço:
- OK.
Eu:
- OK.
De início ele até cortou as pontas na altura que eu queria, mas depois de um certo tempo, não sei bem se por tédio ou empolgação, o moço começou a usar a tesoura na vertical e foi arrancando grandes cachos de meus pobres cabelos que dantes foram longos. E o resultado é que agora estou praticamente máquina zero. Não, claro que não tô falando sério. Mas definitivamente deixei de ter cabelos longos e cacheados (hahaha) e agora tenho cabelos médios ali beirando pro curto.
Ficou bom, não posso negar, acho que foi um dos melhores cortes desde que me mudei de São Paulo. O moço tirou bastande do volume e fez várias camadas, minha cabeça está leve feito o vento que habita dentro dela. Mas ainda assim eu não estava preparada para mudar de estilo. Ainda não sei qual foi a parte do "YES" que ele não entendeu, mas deixa.
Daí quando o moço estava secando ele me explicou exatamente como segurar o secador, como puxar minhas pontas com os dedos, sempre trazendo as mechas para frente. Eu fiquei ali concordando com ele e não tive coragem de contar que eu não possuo um secador. E também não contei a ele que nem na Inglaterra, onde eu possuo um secador, não uso também. Paguei, voltei pra casa.
Martin ficou todo contente com meu novo corte. Isso foi anteontem. Hoje lavei -- e não sequei com secador -- e pareço o telhado de um cottage inglês. Mas deixa.
Não tenho fotos ainda do meu novo layout. Mas tenho esta foto que tirei hoje deste item de necessidade básica em tempos de crise capilar. Oh, como meu dia voltou a ficar ensolarado. Meu novíssimo exclusivo lipstick MAC Amplified Crème. Existem batons e batons. E existe MAC acima de todos. Este é novinho, polido, sem marca nenhuma, cheirando a baunilha. Não preciso dizer mais. Eu sei que muitas de vocês me entendem:
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< /futile mode off >
setembro 15, 2006
The Most Cutest Thing
As coisas andam um pouco complicadas por aqui. Mas preciso, necessito urgentemente gastar meu tempo com coisas doces come esta: Komaneko. Animação japonesa mais delicada do planeta, que foi vencedor do 2003 Japan Media Arts Award, na categoria de curta-metragens. Komaneko é um talentoso gato que adora artesanato e principalmente artes cênicas, sabe fazer storyboard e tudo mais. Dica do delicioso craftblog Little Mochi.
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Confira estes vídeos e gaste todo seu tempo indisponível também:
Video 1
Video 2
Video 3
Video 4
Video 5
Vídeo 4 particularmente partiu meu coração. Awwww...
setembro 4, 2006
Easy like Sunday Mornings
Ontem tivemos um café da manhã bem especial e delicioso. Fiz panquecas com blueberries, maple syrup e, como já fazia 33ºC, um tantinho de sorvete de baunilha. Para acompanhar, café com leite feito na hora e uma porçãozinha de bananas e blueberries.
Estava tudo muito bom e nos manteve bem alimentados para agüentar a caminhada de quase quatro horas. Não almoçamos e tivemos um jantar bem saboroso no restaurante japonês que costumamos freqüentar. Foi um bom domingo.
Ontem foi também aniversário do meu irmão artista e surfista. Parabéns, meu irmão!
agosto 28, 2006
Genesis
In the beginning there was nothing but soft darkness....
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Heaven and Earth...
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...and all things therein.
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Editado para acrescentar a legenda.
Na penúltima foto, da esquerda para a direita, atrás: azeite de oliva, a garrafinha cor-de-rosa de plástico é onde guardo uma pequena porção do azeite para usar mais fácil; fish sauce, óleo a base de peixe, bastante popular e imprescindível para fazer pratos tailandeses, nham; e molho de soja (shoyu) escuro. Na frente: men tsuyu, molho a base de shoyu, mirim e dashi, simplesmente a espinha dorsal da culinária japonesa, uso para fazer caldo de noodles, refogados de vegetais, cassarolas, para mergulhar gyozas e muito mais; pequeno vidro de óleo de gergelim, que eu gosto quando usado com moderação; linda fantástica garrafa de premium oyster sauce da tradicional marca Lee Kum Kee, um molho especialíssimo feito de suco de ostras defumadas, shoyu, vinho, açúcar, gengibre, cebolinha verde e feijão preto fermentado, usado em quase todos os refogados chineses; por último meu querido vidrinho de yuzu ponzu, molho de soja claro com suco de uma fruta cítrica chamada yuzu, cultivada somente no Japão, e produz um excelente aroma cítrico misturado com o sabor do shoyu para instigar qualquer paladar.
Na última foto, quase não é necessária nenhuma explicação: sal, pimenta, Worcestershire Sauce (molho inglês), Tabasco, vinagre de arroz, cardamon pods, páprica doce, canela, sementes de cumin e tumeric.
Notem ainda que o espaço total que tenho para cozinhar é o que aparece nas duas primeiras fotos. Um mínimo retângulo onde cabe apenas uma pequena tábua de uns 30cm de largura. É aí que tenho que descascar, picar, empilhar e me virar. Na frente desta bancada existe uma parede. Nunca mais reclamo da minha cozinha, na longínqua Inglaterra.
agosto 14, 2006
Kaohsiung from the Sky
O sábado começou com terremoto de 3.0 pontos e terminou com uma noite de jantar no TGIF + Pub + Outro Pub + Karaokê com nossos colegas mais animados que chegaram há uma semana. Rimos, bebemos, cantamos músicas velhas, dançamos e pulamos com um pouco de rock'n'roll e voltamos pra casa às três da manhã. Acordamos tarde no domingo, tomamos litros de água de café da manhã e depois nos arrastamos até nosso restaurante preferido de missô ramen. Recuperados, fomos até o Tuntex Sky Tower, que é o maior arranha-céu de Kaohsiung, com seus 85 andares.
A bordo de um dos elevadores mais velozes do mundo, visitamos o observatório do prédio, com ampla vista de toda cidade. A luz, porém, ainda estava bastante intensa para fotografar, então resolvemos ir até o bar panorâmico e lá relaxamos até o entardecer.
Clique e Amplie.
O prédio mais alto à esquerda, é o hotel HiLai, onde uma vez moramos.
agosto 9, 2006
Typhoon Saomai
Para minha amiga Samara, que gosta dos meus boletins metereológicos.
Mais um typhoon se aproximando, desta vez Catagoria 3, intensificando para 4. Para ter uma idéia do que isso significa, o ciclone Katrina que atingiu New Orleans foi Categoria 4 e intensificou para 5. Até agora, os muitos typhoons que passaram por aqui foram no máximo Categoria 2 e foram impressionantes. Este, chamado Saomai (e que a gente o apelidou de Saruman), deve atingir apenas o norte de Taiwan (estamos no sul), mas deve trazer muita chuva e ventos fortes em todo país. Pela foto do satélite dá pra ver o olho do typhoon, sinal de que os ventos ao redor dele estão ficando cada vez mais velozes e devastadores.
A rota deste typhoon Saomai está voltada para a província chinesa Fujian e parte da população costeira deve ser evacuada nos próximos dias. A destruição é sempre pior na China do que em Taiwan, parte porque as áreas perto da costa são mais pobres, de casas de madeiras e próximas a barrancos e sem nenhuma infra-estrutura que suporte typhoons.
Amanhã de manhã Saomai atinge Taiwan e à tarde, a China.
Update: O typhoon acabou de se intensificar para a categoria SuperTyphoon (Categoria 5). Nenhuma notícia sobre evacuação na China. Vão, pelo jeito, deixar novamente para a última hora. Que talvez seja mesmo, última. Tsc.
agosto 7, 2006
Banquet II - The Saga Continues
Fomos convidados a mais um banquete no sábado passado. Eu sei. Eu sei, eu posso lhe ver, sádico leitor, já se ajeitando melhor na cadeira para saber no que foi que eu me meti desta vez. Mas já adianto que nada mais será mais chocante do que a lagosta servida viva do banquete passado.
Mas vamos começar com os fatos: geralmente somos convidados pelos fornecedores de equipamentos pro projeto em que Mr.M está trabalhando. É um jantar formal, de socialização, as esposas são convidadas e tal. A principal razão de toda pompa é agradecer aos funcionários da empresa de Mr.M por terem escolhido os mesmos como fornecedores e também formar laços para que em subseqüentes projetos eles sejam escolhidos novamente. Em outras palavras, eles querem é puxar nossos digníssimos sacos mesmo. O anfitrião era um moço de 26 anos e com ele vieram o chefão dele e a esposa, mais dois funcionários e duas amigas do moço anfitrião.
Ao contrário do outro banquete que foi mais íntimo, em sala VIP e uma única mesa enorme, este foi no saguão do restaurante mesmo e nos dividimos a princípio em duas mesas. O chefão logo fechou a cara e começou a reclamar com o anfitrião e os garçons. Logo providenciaram uma terceira mesa, só para os "mais velhos", então da nossa mesa foram arrastados Mr.Monkeyman, M. e R., que saiu sobre protestos de "oh f* hell", haha, porque ele queria ficar conosco. Então na nossa mesa ficamos Mr.M, eu, nosso amigo D. e o trainee N., dois funcionários do fornecedor e as meninas amigas do anfitrião. Logo nos apresentamos, as meninas começaram a fazer milhões de perguntas e começamos a conversar e logo estávamos brincando, fazendo piadas e tirando sarro um dos outros. Os outros dois funcionários não falavam inglês mas mesmo assim foram supergentis o tempo todo, brindando e enchendo nossos copos, explicando os pratos servidos e rindo das nossas bobagens na mesa. Sem dúvida a mesa mais barulhenta.
O banquete foi num restaurante de culinária cantonesa, o que significa muita, muita carne, molhos elaborados, preparo impecável e ingredientes únicos e exclusivos. E eis que o banquete começa, sem aflições e sem circo, para o nosso alívio. Primeiro encheram nossos copos de suco, cerveja e vinho. E o primeiro curso veio com os aperitivos de carnes frias: frango branco cozido, fatias de pés de porco assadas, joelho de porco grelhado. Logo recebemos tigelinhas com sopa quentinha. Para mim, parecia simples sopa com frutos do mar. Reconheci camarões, pedaços de caranguejo e outra carne branca meio desfiada, mas não tinha como saber o que era. Muito boa, cheia de cebolinha verde por cima, a consistência da sopa era um tiquinho gelatinosa mas bem saborosa e achei que a carne branca deveria ser de algum peixe.
O próximo curso veio com broto de bambu cozido ao vapor e grelhado, com uma fina camada de maionese por cima. Os pedaços estavam bem tenros, como nunca havia experimentado antes. Uma bandeja enorme chegou à mesa com os mais maravilhoso camarões grelhados e depois mergulhados em vinagrete. Eles eram tão grandes, que a carne estava bem parecida com a de lagosta. Um peixão cozido no vapor foi o próximo prato, carne macia, molho cítrico divino, pak choi verdinha para acompanhar.
Outro prato chegou, no meio de um anel feito de motis fritos (bolinhos glutinosos de arroz), cubinhos de uma carne branca e outra mais escura, cogumelos e castanhas cozidas, em molho de shoyu. Peguei uma porção de cada e comi um pedaço da carne branca. Olhei pro Martin e perguntei "Monkfish?" (Peixe-diabo? Lophius piscatorius). Martin concordou mas não estava bem certo. Nossos outros colegas também acharam que era monkfish. Resolvemos então perguntar para as meninas mas elas não sabiam o nome em inglês.
E então a luz se fez. O moço taiwanês que estava sentado à minha frente fez uma imitação de que bicho que havíamos acabado de engolir. Ele colocou as duas mão abertas, uma de cada lado do rosto e fez a cabeça dele subir e descer, subir e descer bem devagar. Ohmyfuckinglord. Tartaruga. Carne de tartaruga ensopada. Olhamos um para outro e rimos. Já tinha ido mesmo. E pra falar a verdade a carne é bastante saborosa, a textura parece de camarão. Delicada, macia, agradável.
O próximo prato (vocês ainda estão contanto? este é o nono) foi de bolinhos fritos de carangueijo, que é auto-explicativo, agradou todo mundo. Os molhos picantes e de gengibre foram a atração. E o outro prato salgado a ser servido foi de costelas de porco grelhadas e glaceradas. Este eu não experimentei porque eu precisava de espaço para a sobremesa, uff. E para finalizar e ajudar a digestão, outra sopa, com sete cogumelos diferentes, um pedaço de carne de porco e um ovo de codorna. Tomei duas colheradas do caldo e não comi nada, uff.
Tortinhas de custard, melancia, melão, maçã e uva. Passaram todos por mim despercebidos, não me servi de nada. E enfim serviram uma sobremesa que chamou minha adocicada atenção. Em ramekins individuais, um pudim branco, branquíssimo, quase neve, coberto por uma boa camada de purê de manga. Ah, o aroma da manga madura, a cor laranja escura, ah! Peguei minha colher e mergulhei-a no pudim. Textura como nunca vira antes. Seda, essa é a sensação. Leve, lisa, lisa, lisa. A colher não corta, mas desliza. O caldo de manga entra nos reinos nunca dantes desvendados. Certamente cremoso, mas sem ser nem pudim, nem gelatina, nem flan. Algo entre esses três. E o sabor, ah o sabor. Coco, leite, manga, combinação divina. Fiz altos elogios, enalteci a sobremesa, estava visivelmente satisfeitíssima com o final elegante e delicioso do nosso banquete.
E porque estávamos já cheios de etílicos e brincando há várias horas, e porque também tenho fama entre os colegas do Martin de dessert monster (a monstra verde de olhos esbugalhados devoradora de sobremesas), virei pro N., que tinha começado a sobremesa dele mais tarde porque tinha ido no banheiro antes, e perguntei "are you going to finish that or not?" ("cê vai comer isso aí tudo sozinho?") e ele riu e D. riu também fazendo mímica da monstra, Mr.M tentou me segurar para não avançar no prato alheio. E rimos e rimos. E eis que eu nem vi, mas o moço taiwanês que estava na miha frente se levantou e foi no buffet dos garçons e trouxe mais um pudim extra pra mim! Gaaaaaaaaaaaaaaaahh!! Era o que eu precisava para todo mundo tirar o barato da minha cara e rimos até não agüentar mais. E eu realmente, realmente não tinha condições de comer mais nada. Mas dei duas colheradas por educação, agradeci ao moço que me trouxe a porção extra e ele estava rindo de mim também, maldito.
Descobri mais tarde que esta sobremesa dos deuses chineses é chamada de Dofu-fah e sua base é feita com leite de soja e tofu, que explica a leveza e textura sem igual. Foi um dos pratos que mais me surpreendeu até agora, pela simplicidade e combinação de sabores.
Ah, em tempo, descobri também qual era a carne branca da tal sopa no começo do jantar: barbatanas de tubarão. Politicamente incorreto, eu sei, fiquei surpresa também, mas já não fico mais chocada com nada nesta vida. A gente sente até um certo alívio de saber que era algo assemelhado a um peixe do que saber que era alguma criatura gosmenta, repelente, com mais de oito pernas e três olhos ou coisa do tipo. Tubarão? Ah tá, no worries.
agosto 1, 2006
In Season - Kumquat
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Adoro estas pequenas frutinhas cítricas chamadas Kumquat. Parecidas com seus parentes limões, mas bem diferente no sabor porque são mais suaves e delicadas. Diferente das kumquats populares que têm formatos ovais, estas kumquats que encontramos aqui são da espécie Fortunella japonica e são redondinhas.
Taiwaneses adoram kumquats e fazem diversas sobremesas com elas, entre elas as compotas e marmeladas. Já eu adoro chá verde com kumquat e gelo que servem nos restaurantes. E aqui em casa fiz uma grande jarra de kumquatnada, esmagando as frutas com açúcar granulado não-refinado e adicionando água gelada.
A temperatura aqui continua nos insupertáveis 32-33ºC, umidade de 80%, e há quem diga que nada melhor do que um bom copo de limonada geladinha para refrescar. Well, depende. De acordo com a medicina chinesa, alimentos podem ser ying (frios) ou yang (quentes), dependendo da reação que causa em seu corpo. O limão amarelo, que é chamado de lemon na Inglaterra, é alimento yang e aquece o corpo. Já o limão verdão, que é chamado de lime na Inglaterra, é ying e refresca o corpo. Então, dizem os chineses, é preciso escolher a fruta certa, senão o tiro sai pela culatra.
Não sei exatamente aonde o kumquat se encaixa, mas o suco já está pronto e o ar-condicionado ligado.
Para finalizar, comentário de Mr.M: "You know what would be nice? Caipirinha de kumquat!"
He knows everything. :o)
julho 28, 2006
Kyushoku
Taiwan tem muitas influências de seus países vizinhos. Boas e más, mas outro dia falo das más porque preciso usar muitos neurônios e no momento o estoque está às moscas. E da parte boa, muita coisa vem da cultura japonesa, deixada aqui após a invasão nipônica que durou 51 anos (1894-1945).
Entre tantos aspectos intelectualmente e culturalmente fascinantes, meu cérebro só conseguiu registrar um, obviamente porque diz respeito à alimentação. Mais especificamente, diz respeito ao sistema de merenda escolar, que no Japão é chamada de kyushoku. E Taiwan adota o mesmo método em algumas de suas escolas.
Pois bem, mas o que existe de diferente nesse sistema, você leitor, que já não tem merenda escolar há pelo menos duas décadas, me pergunta. Então eu lhe respondo caro leitor ancião: é muito, mas muito diferente de qualquer sistema de refeição escolar ocidental. A filosofia que involve é totalmente diferente.
A começar pelo fato que eles não relacionam a merenda escolar como um "intervalo" para estudantes e professores se verem livres um dos outros e fazerem o que bem entendem. Não. E a comida não é para encher a barriga e aplacar a fome, encher o vazio. Não. A hora da refeição nas escolas é como qualquer outra atividade curricular e é levada com o mesmo respeito que qualquer outra disciplina. É a hora da educação alimentar, é a hora em que a escola se esmera para ensinar o que é uma alimentação balanceada. É um assunto tão sério, que cada cidade no Japão tem suas secretarias políticas que coordenam todo o processo, de nutrientes à procedência dos ingredientes.
Escolas que usam esse sistema kyushoku cobram taxas diárias (mais ou menos US$1.85) pelas refeições. Todas as crianças de cada cidade comem a mesma refeição, sejam ricos ou pobres. E todos os pais recebem uma cópia do menu que lista as quantidades, calorias, proteínas, ingredientes e formas de preparo de cada item. Crianças alérgicas recebem lanches sem o produto que causa reação ou então, em casos mais graves, podem levar seus próprios lanches feitos em casa. Vegetarianos também. Uma vez por ano os pais são convidados a experimentar uma amostra do que vai ser servido aos alunos e são também informados sobre como os menus são decididos, como as cozinhas funcionam e tudo mais.
Um exemplo de um menu típico de uma semana na cidade de Yokohama é:
SEGUNDA -- pão, leite, bolinho de peixe, ensopado com porco, batata, nabo, cenoura e espinafre, gelatina de pêssego e suco 100% natural.
TERÇA -- arroz branco, leite, tofu com porco, salada chinesa com broto de feijão, pepino, cenoura e amendoim, laranja de sobremesa.
QUARTA -- pão com passas, leite, macarrão bolognesa com cebola, cenoura, salsão e cogumelos, salada de nabo, pepino e cenoura, maçã de sobremesa.
QUINTA -- arroz branco, leite, sukiyaki com carne, tofu e vegetais, sobremesa de ougiage, que eu não sei o que é.
SEXTA -- leite, sanduíche de ovo com maionese, sopa de vegetais com porco, bacon, batata, repolho, cebola e cenoura, sorvete de sobremesa.
Daí vem a parte interessante. As crianças comem suas refeições na sala de aula, em suas próprias carteiras. Geralmente duas ou três crianças vão até o refeitório e trazem o carrinho com as merendas, as bandejas e talheres. As mesmas crianças, vestidas de aventais, luvas e máscaras, servem todos os seus colegas. E então quando todos foram servidos e estão em suas carteiras prontas para começarem a comer, as crianças juntam as palmas de suas mãos, fazem uma reverência e dizem bem alto "Itadakimasu", que em japonês quer dizer algo como "eu agradeço e aceito o que me foi servido". E comem. Crianças que geralmente não comem isto ou aquilo em casa, na escola, vendo os outros colegas comendo, acabam comendo também. A magia de se comer em grupo.
Elas não são obrigadas a comer tudo, comem o que querem, deixam o que não querem, ninguém força absolutamente nada, ao contrário do que acontecia no passado. Porém, as crianças mais novinhas do primário, se não comerem tudo, precisam levar suas bandejas para a professora ver se elas comeram o suficiente ou não. A professora então pode encorajar a criança a comer mais um ou dois items da refeição ou então decidir que sim, ela comeu o suficiente.
Quando todos terminam, as mesmas três crianças que trouxeram a refeição recolhem tudo e levam para o refeitório. Quando elas voltam pra sala de aulas, todos os colegas levantam e reverenciam dizendo bem alto "Gochisousama" que ao mesmo tempo quer dizer "foi uma grande fartura" pela refeição e também é uma forma de agradecer aos três coleguinhas que fizeram todo o trabalho de distribuição. No outro dia outras crianças são convocadas para fazer o mesmo trabalho, sucessivamente. Com isso, a escola busca ensinar que ninguém está acima desse tipo de serviço e que eles devem sempre, sempre ser muito agradecidos a quem lhe serve.
Mas ainda não terminou. As crianças agora partem para os lavatórios, todas escovam os dentes. E então chega o momento de limpar a escola. De lenço na cabeça, eles limpam desde os corredores aos banheiros (com exceção dos vasos sanitários que precisam usar desinfetantes considerados perigosos para crianças), com ajuda de todos os professores e alguns pais que queiram participar. É parte da mesma educação e disciplina de cuidar de seu ambiente e nunca esperar que alguém menos privilegiado faça por você.
Então aí estão todas as diferenças das merendas escolares que alguns países asiáticos adotam. Algumas escrevi explicitamente, outras você mesmo pode deduzir. O que as crianças aprendem nesse sistema vai muito além do que aparece em suas bandejas. Senso de comunidade, de nutrição, de gentileza, de gratidão, de cidadania. E muito, muito mais. Não se trata simplesmente de uma refeição e é isso que muitos países ocidentais sequer conseguem entender. A refeição é apenas o começo de toda a educação. Jamais consigo imaginar tal sistema ser aplicado em países como Inglaterra e EUA, onde um bando de pais estariam processando a escola (o quê? limpar o banheiro? meu filho, não!). Cada um com seu cada qual, não é um sistema para todas as culturas mesmo. Mas funciona e funciona muito bem para países como Japão e Taiwan. Chega a ser bem bonito de se ver, na verdade.
Neste link aqui você pode ver um dia típico de uma escola de ensino elementar. E neste outro link, as crianças sendo servidas pelos seus coleguinhas. Nem todas as escolas no Japão adotam o kyushoku, em muitas delas as crianças levam seus próprios almoços feitos em casa, mas nunca deixam de ser refeições balanceadas, chamadas de obentô. Mas isso é imenso assunto para outro post.
julho 22, 2006
In Season
Acabou de passar a temporada das Lychees, comemos vários cachos dessa delicada frutinha por vários dias. Depois veio a temporada dos kiwis amarelos, tão diferente dos verdes, bem mais suculentos. E há outras frutas que estão sempre em temporada, como o abacaxi, que é vendido no supermercado e tem sempre uma atendente que descasca, corta em cubinhos e coloca num pacote para você poder levar pra casa. Banana, melancia e maçã também existem em abundância. Agora a temporada é de mamão papaya, fruta do conde (que o Martin chama de "a fruta que seu pai comprou pra mim no Brasil"), caqui, grapefruit, manga, pêssego.
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Obviamente, quando em estação, as frutas estão em seu melhor, maduras, mas ainda firmes e bastante suculentas. Em poucos dias elas passam a ficar supermaduras e o preço despenca. É quando percebemos que a estação está passando. É ótimo ter essa variedade, mesmo que a gente tenha que se despedir de alguma frutinha em tão pouco tempo, como as lychees. Mas outras vêm em seguida e animam o dia. Tão diferente da Inglaterra, onde temos praticamente os mesmos tipos de frutas o ano inteiro e todas com o mesmo gosto de nada, salvas algumas berries.
Sempre que corto uma fruta aqui em Taiwan admiro a cor viva, o suco escapando de fininho, o perfume doce que finalmente se liberta de seu interior. Às vezes dá vontade de tirar uma foto para guardar o momento. Outras vezes (a maioria das vezes) a gula é maior e não sobra nenhuma para posar para a câmera. A manga e o pêssego tiveram seus momentos porque havia bastante deles suficiente para fotografar e comê-los ao mesmo tempo.
Tentando focalizar a pele aveludada do pêssego, lembrei de uma entrevista que Gordon Ramsay havia dado a uma revista. O repórter havia perguntado se ele tinha algum truque para tirar a pêle do pêssego facilmente. E Ramsay respondeu: "Yes, buy a nectarine". Haha. Porquê alguém vai querer tirar o fino manto da única fruta vestida de veludo é algo que me escapa da compreensão.
As fotos não estão muito boas. Câmera nova, lente nova, Márcia velha. Treinando depth of field e saturação. Não fui feliz em nenhum dos dois treinos. E sim, além do Mr. Prato Horroroso Azul, também temos o Mr. Prato Pavoroso Cor de Laranja. Monstros marca Carrefour, comprados pela empresa porque eram os mais baratos do mundo. Não, não os defendam. Eles podem até sair decentes nas fotos (não por mérito deles, diga-se) mas odeio-os. Brancos sempre. No máximo um filete dourado na borda para dar a ilusão de que a comida é maior (ah-há, sabia dessa?). Mas brancos, elegantes, discretos, pano de fundo pra comida, que esta sim, precisa ser colorida. Pratos querendo chamar atenção para si mesmos me irritam. Profudamente. Pratocídio é a única solução.
julho 17, 2006
Storm's Eye
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Teve de tudo um pouco. Muitas enchentes por todo país, alagamentos diversos, pontes destruídas, deslizamentos de terra. E não foi pra menos. Como mostra o quadro pluviométrico acima, choveu tanto que até saiu dos níveis máximos da tabela. Três dias de tempestades intermináveis. Pequenas pausas de uma meia hora ou menos entre elas. De resto, choveu torrencialmente por horas e horas, nos três dias. Ventos fortíssimos quebraram várias árvores do nosso bairro, arrancaram outdoors, levaram nossa paciência. E nosso apartamento não ficou ileso: por uma rachadura no canto da janela da sala de estar entrou água, muita água da chuva, que se espalhou pelo chão inteiro. A sorte é ter piso de cerâmica e sofá com pezinhos, só tivemos que dar conta dos panos-de-chão, mas não deu muito mais trabalho que isso.
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Enquanto isso, na longínqua São Paulo, onde a tempestade de violência e impunidade parece nunca ter fim, meu querido pai Seu Jorge, que voltava a pé de seu honesto trabalho, se chocou com uma moto (que sequer parou) e ficou machucado. Então fica aqui meu querido abraço a ele, cheio de carinho e afeto e muitos Band-Aids, com desejos de que ele se recupere bem. Beijos, pai.
julho 13, 2006
Bilis
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Esta é a foto do satélite desta manhã, a tempestade tropical Bilis quase engolindo a pequena Taiwan. O país todo recebeu alerta do Central Weather Bureau para se preparar para severas tempestades. Mas pela previsão, não haverá ciclone, por isso o Typhoon mudou de nome para "severa tempestade tropical". Apenas forte vendaval, enchente, mar em ressaca e deslizamento de terra. Ah tá, então tudo certo.
No exato momento chove um pouco, troveja um pouco, venta bastamte. O Bilis está previsto para atingir com força total esta noite e na manhã da sexta-feira.
julho 10, 2006
Random thoughts
Três meses e uma semana aqui em Kaohsiung, Taiwan. Neste mesmo tempo na África do Sul nós já tínhamos voltado pra casa exaustos. No entanto, em Taiwan ainda parece que acabamos de chegar. Talvez porque mudamos tantas vezes, só agora é que parece que finalmente estamos mais acomodados numa rotina. E talvez porque também não estamos sentindo a menor vontade de voltar pra casa. Ainda.
Quando mudamos para este apartamento, eu não estava muito satisfeita porque é bem menor do que o outro em que estávamos. Mas agora passadas algumas semanas, percebo que é muito, muito melhor. O chuveiro é decente, a água quente é constante e forte, o banheiro em si é muito mais espaçoso. O apartamento inteiro é bem iluminado, a vista daqui de cima é linda, os donos compraram um colchão excelente novinho pra nós. Compraram também nova cortina para deixar o quarto mais escuro e agora estamos dormindo com muito mais conforto e sossego. O andar inteiro é silencioso e acima de nós só a chuva faz barulho.
Descobrimos um canal que está passando Smallville (Season 5) e para o nosso delírio, encontramos esse canal no episódio que havíamos parado de ver na Inglaterra e agora estamos acompanhando na seqüência diariamente. Tem sido ótimo porque estávamos ansiosíssimos para saber o que havia acontecido depois do centésimo episódio da série.
Quase não vemos muita TV aqui, aliás. Além dos canais de filme que passam pouca coisa nova, temos só uns três ou quatro canais de variedades e notícias, que nem sempre são interessantes. O resto é tudo em chinês e a NHK em japonês.
Sinto falta dos programas ingleses, principalmente de dar risada com Catherine Tate, Have I Got News for You, Never Mind the Buzzcocks, Jonathan Ross, entre muitos outros. Se soubéssemos do Slingbox um pouco antes, teríamos comprado e configurado, mas no nosso apartamento na Inglaterra cancelamos todos os serviços de TV, telefone, internet, tudo.
Falando ainda em TV, não acompanhamos a nenhum jogo da Copa. Só lia as manchetes no dia seguinte e via quem ganhou, quem perdeu. Não que a gente não ligue (na verdade não ligamos mesmo, nenhum de nós dois gosta de futebol), mas a principal razão é que os jogos eram todos transmitidos depois da meia-noite aqui. E o país inteiro também parece que não estava muito interessado na Copa (Taiwan perdeu nas eliminatórias com 3 gols favoráveis e erm... 26 gols desfavoráveis), dificilmente se via alguma propaganda a respeito. Só nos bares, tentando atrair o bando de expats.
Mais um typhoon passou raspando por aqui, trazendo tempestades fortíssimas, mas sem destruição. Outro typhoon vêm se aproximando e a sua rota está voltada diretamente para Taiwan. A previsão é de atingir a ilha na quinta-feira. Ainda é cedo para saber a intensidade, precisamos acompanhar nos noticiários. Um dos colegas do Martin passou por um forte typhoon no ano passado aqui em Taiwan e teve que ficar em casa por três dias sem sair pra absolutamente nada, até tudo passar. Por isso que precisamos acompanhar a cada dia a evolução e a rota do typhoon. Se for certo que vai atingir o país inteiro e a força dos ventos é muito perigosa, então um dia antes precisamos estocar galões de água (água da torneira não é potável) e comida para não precisar sair de casa no meio do furacão. Pelo menos dá tempo de se preparar sem pânico.
Ah, antes que eu me esqueça: o blog está com os comentários fechados. Meu servidor avisou que há um buraco no script dos comentários e uns hackers estavam tentando explorar essa brecha para inundar com spam. Desabilitamos o script, instalei uns plugins mas por enquanto os comentários vão precisar ficar fora do ar. O tempo realmente pesa diferente nas mãos de uns do que de outros. Tsc.
Update: Comentários de volta agora com um bom plugin que verifica se você é humano ou idiot-robot, que deve resolver o problema.

























































