janeiro 23, 2014

Butter in a jar

Por alguma razão irracional eu sempre considerei a manteiga algo de produção complicada que envolvia uma fazenda, uma casa grande, vários serviçais, um pilão e talvez uma vaca.

Eu não poderia estar mais errada, com a exceção da vaca. Fazer manteiga em casa, quando se tem creme de leite, é tão fácil, tão simples, tão gratificante. E se você tiver uma criança que precisa gastar energia, fazer manteiga pode ser a brincadeira que você precisava. Por alguns minutos.

Você precisa de:





Creme de leite fresco (daqueles de fazer chantilly - double/whipping cream)
Um frasco vazio esterilizado
Água gelada, uma tigela, uma espátula

Modo de preparo:

Coloque o creme de leite no frasco vazio, deixe um bom espaço para que o creme dance dentro dele. Feche bem e chacoalhe, my friend, chacoalhe.

Shake it up baby, now:




Twist and shout:




E quando você perceber que está sendo usada, passe a jarra para outra pessoa chacoalhar.




E então, caro leitor, depois de muitos chacoalhões e braços mais fortes, a alquimia se faz e o creme de leite se transforma em manteiga e buttermilk.









Escorra o buttermilk em outro recipiente e use para fazer panquecas ou bolos.

A manteiga agora precisa de um banho. Numa tigela coloque a manteiga e água gelada. Esprema a manteiga com uma espátula, nas laterais da tigela. Jogue a água fora, coloque mais água gelada e esprema de novo. Repita até que a água se mantenha limpa e transparente. Essa etapa é importante porque se a manteiga ainda tiver buttermilk, ela azeda e estraga mais rapidamente.





Depois do banho, acrescente o sal (uma pitada basta). Leve para gelar por uma hora.





E pronto, manteiga.









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Muito obrigada aos meus (mais de 5!) caros leitores que deixaram recadinhos no post anterior. Não foi a minha intenção me fazer de coitadinha solitária feito Gasparzinho, queria mesmo era expressar como estava aliviada e satisfeita por pagar alguém para fazer o upgrade por mim. De qualquer forma, é muito bom saber que os olhos de vocês percorrem meus parágrafos, ler sobre suas próprias experiências. Vocês são bem-vindos. Obrigada.

Escrito a mão pela Marcia às 5:43 PM | mais em Greedy Cow | Comente este fragmento(19)

outubro 19, 2010

The Scent of Autumn

Para não desperdiçar nenhuma lasca das preciosas maçãs da nossa árvore, fiz um bolo com as últimas das nossas frutas. A receita é do maravilhoso livro The Kitchen Diaries, do Nigel Slater. Fácil de fazer, despretencioso e muito perfumado. O aroma das maçãs com a canela e a baunilha que sai do forno é tão aconchegante, tão outonal, tão doce, tão puramente irresistível.

Já fiz este bolo duas vezes, uma com nossas maçãs e a outra com as maçãs que a irmã de Mr.M trouxe da árvore dela. Ambas foram daquelas vermelhas docinhas, mas você pode tentar fazer com as maçãs mais azedas se preferir. Na primeira vez, fiz a receita respeitando as quantidades, mas achei que ficou um tanto doce para o nosso gosto. Na segunda vez reduzi a quantidade de açúcar e ficou um bolo ideal pro chá da tarde ou para ser acompanhado de um creme com baunilha ou sorvete.






English Apple Cake - Nigel Slater

130g manteiga (usei margarina sem problemas)
130g açúcar (na segunda vez reduzi para 110g pro meu paladar)

3 maçãs pequenas
1/2 colher de chá de canela em pó
2 colheres de sopa de açúcar (reduzi para uma só)

2 ovos
130g farinha de trigo
1 colher de chá de fermento em pó

Açúcar extra para polvilhar (omiti essa fase)

(extra: adicionei na massa 1/2 colher chá de bicarbonato de sódio e 1/2 colher de chá de essência de baunilha)

Pré aqueça o forno em 180ºC.
Forre uma forma de 24cm com papel manteiga.

Na batedeira, bata o açúcar com a manteiga até ficar cremoso.

Enquanto isso, corte as maçãs em pequenos pedaços (eu cortei cada maçã em oito gomos, depois fatiei grosseiramente cada gomo).
Misture os pedaços de maçã com a canela e o açúcar. Reserve.

Bata os ovos com um garfo e misture-os aos pouquinhos à manteiga e o açúcar com a batedeira ainda ligada.
Misture a farinha e o fermento (e bicarbonato, se usar) e adicione-os à massa.
Desligue a batedeira.
Adicione a essência de baunilha, metade das maçãs e misture delicadamente.

Despeje a massa na forma e cubra-a com os pedaços restantes de maçã. Polvilhe açúcar por cima, se desejar.

Asse por 50 minutos até ficar dourado-marrom nas bordas e firme no centro. Prestenção: no meu forno, isso demorou 35-40 minutos apenas, vá checando o seu. Retire do forno e espere esfriar por uns 10 minutos antes de desenformar o bolo. Sirva morninho.

Escrito a mão pela Marcia às 12:55 PM | mais em Greedy Cow | Comente este fragmento(9)

julho 26, 2010

The Return of the Chocolate Cake

Andava cansada e entediada com as receitas que tenho de bolos de chocolate. Ou são aqueles ultra calóricos, embora deliciosos, feitos com barra de chocolate e muita manteiga ou são uns fofos que não tem lá muito gosto de chocolate. Queria um bolo de chocolate bem escuro, sabor forte, mas ao mesmo tempo aerado, úmido e fofo para comer acompanhado de um chazinho. Sem cobertura nem recheio, sem ser enjoativamente doce. E também fácil de fazer, sem ter que derreter o chocolate em banho-maria, sem ter que bater açúcar e manteiga por uma eternidade e meia. Procurei, procurei, procurei. E finalmente encontrei uma receita excelente, no blog Sunday Nite Dinner. Dividi a receita pela metade e mesmo assim deu um bolo de tamanho respeitável. Usei café espresso feito na hora e, apesar do sabor do café não se sobressair, o sabor do chocolate fica ainda mais intenso. A massa crua fica bastante líquida, mas assa e cresce bem, não se assuste. No blog acima você encontra a receita inteira, fotos passo-a-passo e também o recheio de buttercream, se você gostar. Eis a meia receita:





Update: Prestenção, eu havia cometido um erro fatal e digitado "1/2 xícara (chá) de fermento" ao invés de "1/2 colher (chá) de fermento". O correto é 1/2 colher (chá) de fermento em pó. Já corrigi na receita abaixo. Ninguém adicione 1/2 xícara de fermento em nada deste mundo, por favor.

Good Ol' Chocolate Cake

Secos:
1 xícara (chá) de farinha de trigo
1 xícara (chá) de açúcar (acrescente mais se preferir)
1/2 xícara (chá) de cacau em pó da melhor qualidade (aqui em UK usei Green & Blacks)
1 colher (chá) de bicarbonato de sódio
1/2 colher (chá) de fermento em pó
1 pitada de sal

Líquidos:
1/2 xícara (chá) de buttermilk (eu usei leite integral)
1/4 xícara (chá) de óleo vegetal
1 ovo grande
1/2 colher (chá) de baunilha
1/2 xícara (chá) de café feito na hora (usei uma pequena xícara de espresso)

1. Pré aqueça o forno em 180ºC.
2. Unte e enfarinhe uma forma de ~20cm de diâmetro (usei aquela com furo no meio).
3. Peneire e misture os ingredientes secos numa tigela grande
4. Num outro recipiente, misture os ingredientes líquidos
5. Junte as duas misturas, secas e líquidas, até combiná-las bem (nesta etapa usei a batedeira em velocidade mínima).
6. Despeje a massa na forma untada
7. Asse por ~30 minutos (no meu forno 25 min foram suficientes, faça o teste do palito)
8. Retire do forno e esfrie por 30 minutos antes de desenformar o bolo

Essa receita é agora a minha favorita e a padrão daqui pra frente.

Escrito a mão pela Marcia às 9:23 AM | mais em Greedy Cow | Comente este fragmento(11)

novembro 25, 2009

Uncomplicated

Outro dia preparei um certo prato pro jantar e Mr.M devorou e pediu para que repetissemos o mesmo prato durante a semana. Acabei esquecendo e fiz outros jantares diferentes. Mas depois de alguns dias Mr.M lembrou e perguntou se ainda estava nos meus planos refazer o tal prato. Fiz então o jantar tão esperado e requisitado por Mr.M, que comeu com satisfação e deleite.

O prato em questão? Arroz temperadinho, ovo frito e salada de tomates.

Easy peasy.

Escrito a mão pela Marcia às 5:45 PM | mais em An ordinary life | mais em Greedy Cow

agosto 5, 2009

Duotone and Polychrome



Linguine com Favas e Aspargos

Favas e aspargos levemente fervidos. Peles das favas removidas, aspargos picados. Favas e aspargos refogados em manteiga e alho. Vinho branco, sal e creme de leite acrescentados. Linguine cozido adicionado.



Ratatoullie au Four

Receita do blog da Fanny. Melhor molho de tomate no fundo da forma. Rodelas finas de berinjela, abobrinha, cebola, tomate. Tomilho, alho e sal polvilhados por cima. Forno baixo, 140C, por duas horas coberto com aluminio e por 30 minutos descoberto.


Escrito a mão pela Marcia às 11:59 AM | mais em Greedy Cow | Comente este fragmento(8)

abril 23, 2009

Death by Ice Cream

No Brasil, nos idos e sepultados anos 80, havia um outra moda além das ombreiras e roupas de cores cítricas. Era uma moda de fazer uma certa receita de sorvete "caseiro" que levava uns ingredientes estranhos, de nomes esquisitos e que nem eram vendidos no supermercado. Emulsificantes (hã?), pó de sabor (hein?), liga neutra (come again?). E como era de se esperar com tanta tralha artificial, o sabor era duvidoso, a textura era uma desgraça e o trabalho e os custos não justificavam.

Desde aquela época eu jamais tive vontade de fazer sorvete em casa. Tão mais fácil comprar um potinho pronto. Há alguns anos, porém, uma certa curiosidade aguda me atacou, muito provavelmente por conta dos inúmeros foodblogs que leio. Quase todos fazendo seus sorvetinhos em casa. E quase 100% deles usando o mesmo livro e as mesmas receitas, de um autor que também é blogueiro, David Lebovitz. Fiquei morrendo de vontade de provar um verdadeiro sorvete caseiro, sem absolutamente nada artificial.

Além disso, recebemos de presente na cesta de legumes três favas de baunilhas lindas e perfumadíssimas. Eu queria usá-las para fazer algo bem especial e o sorvete era a oportunidade ideal. Perambulando pelo blog do David acabei encontrando um link que ensina a "fazer sorvete sem máquina sorveteira", perfeito.

Há algumas semanas tentei pela primeira vez. Usei a receita de Stracciatella. Deu tão certo, ficou tão bom, mas tão bom que nos impressionou e nos surpreendeu imensamente. A textura fica tão cremosa, sem nenhum cristalzinho de gelo e sem precisar de nenhum aditivo artificial.

Devoramos o primeiro pote e Mr.M perguntou se eu iria fazer novamente. Respondi que provavelmente sim. E Mr.M, mais enfaticamente, esclareceu que gostaria que eu fizesse logo, o quanto antes, ao invés de mais tarde. Eu não sei do quê a antiga escrava morreu, mas fiz outra vez atendendo a pedidos insistentes e aproveitei pra tirar fotos, que é a parte mais divertida de fazer sorvete.

Quando faço algo pela primeira vez sempre faço meia receita para não desperdiçar ingredientes em caso de fiascão total. Foi uma boa ideia porque nesta segunda vez fiz com creme de leite "light" e não ficou tão delicioso quanto da primeira vez. Mas já acabou rapidinho e agora posso fazer novamente, usando creme de leite full fat.

Para completar o nosso festival Death by Ice Cream particular, hoje meu livro Perfect Scoop chegou e não vejo a hora de tentar outras receitas de sorvete do David.



Poucos e bons ingredientes fazem toda a diferença do mundo



Valiosas sementes da baunilha de Uganda.
Presente da cesta de orgânicos.



Sorvete de baulinha nada mais é que um Custard congelado.



Várias sessões de batedeira pra evitar cristais de gelo.



Assim que começar a ficar consistente...



...é a hora de derramar fiozinhos de chocolate derretido
que vão se solidificar imediatamente.



Basta misturar para quebrar os flocos.
Demorei tanto para acertar a luz e o foco
que o sorvete acabou derretendo mais do que devia aqui.



Stracciatella na casquinha (to keep it jolly).
To Die For.



Stracciatella
Sorvete de Baulinha e Flocos de Chocolate
(Meia receita)

1/2 xícara (chá) de leite
pitadinha de sal
1/3 xícara (chá) de açúcar (usei 1/4 apenas)
1 fava de baunilha OU gotas de essência de baunilha a gosto
2 gemas de ovo
1 xícara (chá) de creme de leite (não use light, nem com soro, nem nada muito aguado; double cream pros britânicos)

1. Numa panelinha, aqueça o leite com o sal, açúcar e baunilha em fogo baixo.
2. Bata as gemas levemente e acrescente um pouco desse leite morno. Junte essas gemas à panelinha com o restante do leite.
3. Cozinhe em fogo baixo mexendo SEMPRE. Use uma espátula de silicone, se tiver, para mexer e raspar todo o fundo. A mistura deve engrossar um pouquinho a ponto de cobrir as costas da colher ou da espátula. Este creme é chamado de custard.
4. Retire o custard do fogo, retire a fava de baunilha. Numa tigela grande, coloque o creme de leite e uma peneira grande por cima.
5. Agora atenção: com uma mão você segura a peneira sobre o creme de leite, com a outra mão você despeja o custard na peneira e com a terceira mão você mistura bem os dois cremes.
6. Coloque a mistura num recipiente que caiba no seu freezer e leve para congelar.
7. Depois de 45 minutos, leve a mistura na batedeira ou num mixer e bata por alguns minutos (se não tiver nada disso, use um batedor e força nos braços). Coloque a mistura de volta ao recipiente e volte a congelar.
8. Repita o processo a cada 30 minutos (um timer ajuda) por 2 ou 3 horas (4-6 vezes) até ficar com consistencia bem cremosa de sorvete.
9. Derreta uns pedaços de chocolate no microondas, pegue colheradas e derrame no sorvete desenhando fiozinhos. Misture quebrando os fios e leve para congelar pela última vez antes de servir.
10. Retire o sorvete do freezer uns 10 minutos antes de servir porque o sorvete caseiro fica mais sólido que o comercial.


Escrito a mão pela Marcia às 12:49 PM | mais em Greedy Cow | Comente este fragmento(23)

janeiro 23, 2009

Eat Yer Veggies

Muitas vezes eu comento com Mr.M que eu tenho muita sorte por ele não ser um fussy picky eater, um fresco com a comida, aquele que não gosta de nada, não quer saber de nada novo no prato. Mr.M come de tudo, prova tudo, experimenta coisas novas, gosta de uma porção de coisas. Até quando eu não tenho a menor coragem de experimentar, por exemplo, queijos de cheiros duvidosos e pimentas desconhecidas, Mr.M já se prontifica "let me try, deixa eu provar". E lambe a pimenta com sementes e tudo, morde o queijo fedorento, sem medo.

E quanto se trata de legumes e verduras, ele adora a grande maioria e sente falta quando não as vê no seu prato. Mas há sempre alguns que não causam lá grande impressão. Ele até come tudinho mas não se entusiasma. Eu também tenho os meus preferidos e outros que não sou muito fã. Os legumes e as verduras que não estão na lista dos mais amados desta casa são: salsão e repolho liso. Na lista de Mr.M também estão as beterrabas e o quiabo, mas eu adoro ambos.

Então uma das boas vantagens de ter a cesta de legumes é receber e preparar algo que nós não faríamos por vontade própria. Mas hoje quando recebemos algo que não somos muito fãs, aceito o desafio e começo a pensar por que tal leguminoso ou verdolengo não nos agrada. Quase que 99% das vezes algo não é muito agradável ao nosso paladar por causa da textura de como os legumes são normalmente preparados.

Até poucos anos atrás eu não suportava erva doce. Recentemente descobri que assadas com um pouquinho de azeite até ficarem douradinhas o sabor é totalmente maravilhoso. Continuo não gostando de erva doce crua, porém. Abobrinhas refogadas são abomináveis para mim, mas de qualquer outro jeito eu as amo de paixão. Couve-flor super-cozida também não me agrada e acho que elas não combinam nada, nada com molho de tomate. Gosto delas al dente, principalmente assadas com alho, limão, azeite e parmesão até ficarem douradas e macias. Ou em forma de tempurá que minha mamis faz tão bem.

Enfim, acho que a forma de preparar certos vegetais é crucial para agradar certos paladares. Nunca desista de um vegetal, pobre coitado. Dê a ele mais uma chance, numa nova roupa e encontre a forma mais interessante para você. E se você ou sua família estiver experimentando um novo legume pela primeira vez, faça-o como acompanhamento de algo que vocês adoram de paixão, assim a ansiedade é reduzida.

Nessas semanas que passaram tive muito muito prazer de cozinhar nossos jantares porque todos os legumes e verduras que tínhamos aqui preparei de forma diferente do que estávamos acostumados. Eis alguns:



Pesto com ervilhas. Molho pesto normal, batido com 200g de ervilhas cozidas.
Certamente uma receita a repetir no verão.






Linguiças com purê de batatas. Metade do purê foi misturado com purê de beterrabas. A outra metade foi misturada com repolho refogado com alho. Palitinhos de swede (nabo sueco) assadas. Um potinho com ketchup (to keep it jolly) e cenouras queimadas (não foi de propósito...). Teve também molho gravy de cebolas e alho-poró caramelizadas. Exagerei nas quantidades, deixamos um pouco dos purês, mas estavam bons.






Hamburguer feito em casa, rodelona de tomate e alface litte gem. Palitinhos de batata doce vermelha, parsnips (parente da mandioquinha, acho) e nabo sueco, tudo assado. Potinho de maionese extra light e pickles (to keep it jolly)






Jerusalem Artichokes (Alcachofras de Jerusalém) gratinadas com uma mistura de creme de leite, alho, limão e tomilho (lemon thyme). Coberta com farelo de pão e parmesão. Tem como ficar ruim? Textura bem parecida com a raiz japonesa Gobo (bardanas).






Eis o tal Jerusalem Artichoke (Alcachofras de Jerusalém). Não é de Jerusalém, nem é alcachofra. É a raiz de um tipo de girassol (daí o nome errado "jerusalem", tsc tsc). Quebra o carboidrato em inulin ao invés de insulina, ótimo para diabéticos. E por essa razão também pode causar os maiores e mais altos arrotos do mundo. Ótimo para fazer competição com as crianças e com aqueles que nunca deixaram de ser. :o)






O grande sucesso da semana: Torta de tomates. Massa folhada comprada pronta, uma camada de cebola caramelizadas, rodelas de tomates, queijo e manjericão fresco por cima (se não tiver, orégano fica excelente). Pincelada de ovo nas bordas e forno até ficar bem assado (mais de meia hora). Super fácil, deliciosa e Mr.M elogiou muitíssimo e pediu para que eu fizesse de novo.




Não fotografei a lasanha verde com abóbora, que também ficou muito boa. E há pouco fui atender à porta para receber nossa cesta de orgânicos. Veio muita coisa que a gente adora, então vai ser fácil. Mas veio também um grande arredondado celeriac (raiz de aipo??). Lembro de ter experimentado antes e de não ter gostado. Mas darei essa segunda chance ao redondão.

Escrito a mão pela Marcia às 10:32 AM | mais em Greedy Cow

dezembro 19, 2008

The Way it Crumbles

Uma das coisas, entre muitas, que aprendi a gostar morando nesta terra congelada foi o prazer de saborear uma sobremesa quentinha. Sobremesas quentes têm um inexplicável efeito reconfortante que me acolhe nas noites frias, nos dias de chuvas e nas tardes nubladas. E não me refiro ao tempo.

E ingleses são naturalmente grandes experts em fazer excelentes sobremesas quentes: bread and butter pudding, custard pie, sticky toffee pudding, rhubarb pie, tudo regado com o melhor custard, também aquecido, que puder cair em suas mãos.

Nos dias de inverno, adoro assar os crumbles, que são sobremesas ultra-simples, feitas com qualquer fruta que estiver pela sua cozinha pulando com o bracinho estendido e gritando "eu, escolhe eu, eu aqui, eu eu!".

Crumbles foram criados na Inglaterra durante a Segunda Guerra Mundial, quando o racionamento de alimentos não permitia ninguém a sequer sonhar com sobremesas sofisticadas, quanto mais uma torta de frutas. A solução era então usar uma pequena quantidade de manteiga, farinha e açúcar e fazer uma farofa para cobrir uma porção de frutas (geralmente maçãs, que são abundantes aqui) e levar ao forno. O resultado é uma sobremesa facílima de fazer, cheia de sabor e textura.

Para mim, crumble tem que ter a maçã como fruta principal. Se outras frutas quiserem se juntar à festa podem ficar à vontade, se não, só a maçã já faz o espetáculo sozinha.

A receita que eu sempre faço é adaptada da revista delicious (o link tem a receita original).

Classic Apple Crumble

Crumble:
80g de manteiga gelada
80g de açúcar demerara (ou use o que você tiver)
125g de farinha com fermento (se não tiver, use a normal, não é pra crescer mesmo)

Misture tudo num processador, modo pulsar, até virar uma farofa.
Adicione:
3 colheres de sopa de aveias em flocos
Especiarias do seu gosto: canela, cravo, gengibre em pó, noz moscada. (eu uso só canela e uma pitada de cravo em pó)
Misture, reserve.

Recheio:
500g de maçãs descascadas e cortadas em cubinhos
Canela em pó
3 colheres de sopa de açúcar

Misture tudo, coloque o recheiro num refratário, cubra-o com o crumble e asse por 40 minutos, em 200ºC ou até ficar douradinho. Sirva com custard ou sorvete de baunilha.

Variações: infinitas. No crumble você pode acrescentar coco, nozes, sementes, granola, chocolate. E o recheio pode ser com peras, rhubarb, banana, nectarinas, ameixas, pêssegos. Mas o gostinho tradicional é mesmo com as maçãs. E quando combinadas com berries, framboesas, blueberries, blackberries, morangos, a receita dá um salto de elegância porque as frutinhas explodem e borbulham na superfície e dão um colorido irresistível.

Este da foto eu fiz com maçãs e abóboras porque tinha que usar abóboras da cesta orgânica. Tive que cozinhar os cubinhos de abóbora numa panela com manteiga e açúcar, antes de juntar às maçãs, ao crumble e levar ao forno. Servida com uma generosa porção de custard do Waitrose, cheio de pedacinhos das sementes da baunilha.


Escrito a mão pela Marcia às 5:00 PM | mais em Greedy Cow

outubro 29, 2008

The Pumpkin's Fate

Algumas pessoas me perguntaram qual seria o destino da bela abóbora que veio na nossa cesta: Jack O'Lantern ou Panela?

Esse tipo de abóbora, Sugar Pumpkin, não é uma das mais saborosas da família abobrística. E quanto maior, menos saborosa é. A que recebemos era bem pequenininha, orgânica, fresquinha. Então Jack O'Lantern fica para uma próxima vez (estou louca para fazer um, nunca fiz na vida), talvez com uma abóbora comprada no Co-Op mesmo, que está pela metade do preço esta semana.

Mas a abóbora que tínhamos teve outro destino mais nobre.

Primeiro foi assada

Depois foi amassada. Deu duas xícaras de purê.

Uma xícara virou Pumpkin Pie com base de biscoito.
Não ficou muito boa, preciso tentar de novo.

A outra xícara se transformou
na grande atração: Pumpkin Muffins

Fofos, cheirosos, deliciosos. Nham!

Em vias de serem devorados:
mini-muffins recém-assados e livros novos recém-chegados.

Pumpkin Muffins
Receita da Elise, que a Fer traduziu e eu modifiquei:

1 1/2 xícara de farinha de trigo (eu usei uma de trigo e meia de aveia em flocos)
1/2 colher de chá de sal
1 xícara de açúcar
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
1 xícara de purê de abóbora
1/3 xícara de manteiga derretida
2 ovos caipiras batidos
1/4 xícara de água (usei leite)
1/2 colher de chá de noz moscada (não usei)
1/2 colher de chá de canela
1 colher de chá de gengibre em pó (troquei por uma pitada de cravo em pó)
2 colheres de sopa de gengibre cristalizado picado (não usei)

Preparo:

1. Pré-aqueça o forno em 180ºC. Mise en place.

2. Misture a farinha, aveia, sal, açúcar e o bicarbonato.

3. Numa outra tigela misture a abóbora, a manteiga, os ovos, o leite, a canela e o cravo.

4. Junte as duas misturas, mexa ate incorporar tudo.

5. Despeje a massa nas formas de muffin. Dica: se voce tiver aquelas xícaras de medidas (1, 3/4, 1/2, 1/3 e 1/4) use a de um quarto de xícara para pegar porções da massa e despejar nas forminhas. Elas têm a medida exata para encher as forminhas e já vão estar a mão porque você provavelmente a usou para medir o leite. See, I'm not just a pretty face.

6. Asse por 30 minutos, ou até os muffins ficarem dourados. Esfrie-os numa grade.

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outubro 17, 2008

Guess Who's Back?

Agora que temos a incrível mordomia de um endereço fixo, voltamos a receber a nossa esperada, vitaminada, fotogênica e enlameada Cesta Orgânica de Legumes. Hooray!

É a mesma empresa que nos fornecia no sul,
agora com produtos vindos das fazendas daqui de Yorkshire.

Tudo colhido ontem.

Cores do Outono.

Turma do fundão (da cesta): Batatas (Nicole new potatoes),
cogumelos (um deles quis aparecer na foto, fungo metido...) e ovos free-range.

Não faltou a abóbora (sugar pumpkin) para o Halloween.

Nham! :o)

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julho 29, 2008

Groseilles Rouges

A única vez que havia provado as redcurrants foi um cacho congelado que veio no pacote de frutas de verão. Achei extremamente azedas e fiquei com a idéia na cabeça de que não havia gostado. Porém, no canteiro de berries, os pés de groselhas estavam carregadíssimos e apesar das minhas tentativas de ignorá-las enquanto estavam verdes, fiquei tentada a prová-las assim que começaram a ficar vermelhíssimas e brilhantes. Comi algumas do pé e fiquei impressionada. Sabor totalmente diferente das congeladas, um gosto fresco ultra-agradável, muito suco explodindo das pequenas pérolas, ainda um tanto azedinha mas totalmente tolerável, como a pitanga.

Passamos a devorá-as todos os dias. Os pássaros não dão a mínima pra elas, uma vez coloquei um cacho madurinho na bandeja dos pássaros e Pepe pegou o cacho pelo cabo e jogou no chão, como quem diz "quer fazer o favor de não colocar essa porcaria no meu prato, francamente!". Mas os pés de groselhas estavam em produção máxima e mesmo consumindo-as todos os dias e mesmo depois de presentear (leia-se, empurrar) vizinhos com uma caixa de cachos colhidos na hora, não estávamos dando conta. Então para panelas elas foram e hoje elas são a atração do café da manhã.







Redcurrant Jelly

500g de groselhas vermelhas
500g de açúcar

Leve as frutas em fogo baixo com um pouco de água, até borbulhar. Cozinhe por 10 minutos, até as frutas derreterem. Adicione o açúcar, aumente um pouco o fogo e cozinhe por 8 a 10 minutos, mexendo sempre. Retire do fogo, deixe esfriar. Peneire a geléia. Esterilize potes e tampas (via lava-louças ou colocando-os no forno 60ºC por 5 minutos, bocas para baixo). Despeje a geléia nos potes, cubra com um círculo de papel-manteiga, tampe e conserve-a na geladeira.

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Não, não tem gosto de groselha-vitaminada-millani-iarrú, não.

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maio 2, 2008

Alchemy


Merguez Sausage with Dijon, mayo and caramelized onions

Belly Pork a.k.a. Heart Attack on a Plate

Amalfi Lemon Tart


Impressionadíssima com a qualidade dos produtos, principalmente dos limões amalfitanos, que têm um aroma maravilhoso sem serem ácidos ou azedos demais.

E não, não comemos tudo no mesmo dia. E sim, o nível de colesterol no sangue continua normal, obrigadapassebem.


Escrito a mão pela Marcia às 12:28 PM | mais em Greedy Cow

abril 23, 2008

Heaven by Post



Amalfi Lemons. Limões da Costa Amalfitana, Itália.
Porque algumas coisas ainda são melhores importadas.




Merguez Sausages. Linguiças de Cordeiro.




Soon to be crispy, crackling, delicious.




Jack O'Shea. Eu e Heston Blumenthal usamos o mesmo açougueiro. :)



Tudo da magnífica Natoora. Tudo orgânico, artesanal, cultivado ou criado com extremo respeito aos animais, ao meio-ambiente e ao paladar daqueles que notam a diferença.

Escrito a mão pela Marcia às 11:23 AM | mais em Greedy Cow

março 13, 2008

Souvenirs from Cumbria

Fotos velhas e empoeiradas. Alguns vidros já estão vazios, algumas frutas revestidas em chocolate são hoje apenas vagas lembranças.






Não procuro cartão postal, nem artesanato local, nem camisetas. Meus souvenirs são outros.

Escrito a mão pela Marcia às 11:42 AM | mais em Greedy Cow

janeiro 14, 2008

The Choice of Freedom

Na semana passada, a maior discussão nacional ficou por conta das galinhas. Dois chefs, Hugh Fearnley-Whittingstall e Jamie Oliver, exibiram em mínimos detahes a crueldade da produtividade em massa de ovos, frangos e galinhas em dois programas que duraram quatro dias, respectivamente chamados Hugh's Chicken Run e Jamie's Fowl Dinners, exibidos no Channel 4.

A proposta de ambos programas não é de condenar o comércio de frango. Nem tão pouco de incentivar o vegetarianismo em favor dos animais, mesmo porque o ovo-lacteo-vegetarianismo também contribui na produção ainda mais cruel que é a indústria de ovos. Vamos ser bem realistas aqui: o mundo inteiro não vai virar vegetariano da noite pro dia. A demanda por carne sempre vai existir e a realidade é que ficar catequisando carnívoros a se tornarem vegans não resolve os problemas de maus-tratos a animais.

A grande proposta é de mudar hábitos, é de se manter consciente de como o animal chega à sua mesa. É de informar e alertar os consumidores de fatos quase secretos dentro do comércio de frangos e ovos. É de incentivar a escolha pelos animais free-range, criados soltos no pasto, atingindo seu peso naturalmente. É de pagar mais por melhor qualidade e comprar menos.

Que a produção de galinhas confinadas é cruel todo mundo de uma certa forma já sabia, mas o que ambos programas exibiram foram quão miseráveis são as condições em que as mesmas são submetidas, em todos os mínimos detalhes.

Por exemplo: quanto tempo você acha que um frango dessa produção confinada em celeiro leva para engordar, desde que nasceu do ovo até o dia do abatimento para ser vendido no supermercado? Um ano? Seis meses? Três meses?

E nessas produção confinada quantas galinhas você acha que vivem num metro quadrado? Imagine um metro quadrado no chão, quantas galinhas você acha que caberiam ali? Seis? Oito? Nove?

E sabendo-se que o preço médio de um frango inteiro aqui na Inglaterra custa £2,99 quando você acha que o produtor recebe de lucro desse valor, por cada frango? £0,99? £0,50? £0,25?

Pois então, eu achava que sabia todas essas respostas, com meu bom-senso. Estava bem, mas bem errada.

Cada frango criado em confinamento em celeiro leva 39 dias para crescer e engordar, desde o ovo até o abate. Os animais são expostos à luz artificial por 23 horas por dia. Então eles comem, bebem, fazem cocô, comem, bebem, fazem cocô por todo esse tempo. Dormem por uma hora e tudo começa novamente. Assim engordam de forma pouco natural, e em poucos dias não conseguem mais andar porque os ossos não se desenvolveram na mesma velocidade que a carne. Mas há ainda uma outra razão porque eles não conseguem andar.

Em um metro quadrado de confinamente, são criados 17 frangos. E conforme vão crescendo o espaço vai ficando menor e os frangos ficam praticamente imóveis, com membros atrofiados, pés queimados pela amônia dos cocôs acumulados, penas caindo.

O produtor desses infelizes frangos recebe de lucro, em média, £0,03 por cada frango. E quando chegamos a este ponto, encontramos as raízes de toda essa produção cruel, a razão desse comércio insano. As grandes vilãs dessa história são as grandes redes de supermercados, que atendem pelos nomes de Tesco, Asda (Wal-Mart), Morrisson, Sainsbury's e afins.

São essas redes que exigem do produtor um número enorme de frangos, oferecendo margem de lucros irrisórias. Caso o produtor recuse, os supermercados começam a importar frangos de outros países, como Tailândia, China, India e países do oriente médio. Para não perder mercado, os produtores se vêem forçados a produzir frangos em larga escala, no menor espaço de tempo possível.

Hugh e Jamie atacaram diretamente cada rede de supermercado por toda essa situação. Tesco, Asda e Morrisson se recusaram a filmar entrevistas, despejando a culpa nos consumidores, dizendo que eles vendem esses produtos porque a demanda exige e porque o público-alvo deles não podem pagar por frangos free-range.

Sainsbury's, que aliás patrocina Jamie Oliver, se comprometeu a exterminar de suas prateleiras qualquer frango que não esteja dentro das normas de Animal Welfare ou que não sejam free-range até o final de 2008. O Waitrose foi o único que participou de todos os programas, uma vez que eles têm orgulho de ser o único supermercado que vende frangos e ovos exclusivamente free-range e pagam seus fornecedores de forma ética e sustentável.

Nesse ponto a discussão estava correndo o risco de ser elitista: quem pode pagar free-range, paga. Quem não pode, come o frango frankenstein do Tesco, que come e caga 23 horas por dia. E foi então quando a RSPCA entrou na história para informar que há um meio-termo, há uma forma de se criar frangos em larga escala e ainda assim oferecer bem-estar para esses animais durante todo o período de suas vidas penosas.

Há um programa criado pela RSPCA, chamado Freedom Food. Nesse programa, os animais ainda são confinados em grandes celeiros, mas em menor escala, com 25% mais espaço do que nas indústrias comuns. A iluminação do celeiro é natural, com períodos de luz e escuridão normais, com janelas abertas quando o tempo permite. Além disso, todo o ambiente é preparado com poleiros, móbiles de CD's, bolas coloridas, espigas de milho e outros objetos para que os animais continuem ativos, voando, bicando e ciscando em tudo o que achar interessante.

Muitos supermercados já participam desse programa e vendem frangos com o selo Freedom Food, mas as vendas são irrisórias comparadas com os frangos infelizes. A diferença de preço do frango infeliz confinado e do frango do RSPCA Freedom Food é de apenas £1. E a RSPCA implora para que os consumidores que podem pagar essa Libra a mais pelo frango Freedom Food que pensem em quanta diferença essa Libra faz para a criação justa e sem crueldade, pelo pagamento ético ao produtor e obviamente pela qualidade superior do produto final.

É claro que há muitos que não podem pagar por esse tipo de frango, famílias em difíceis condições onde o frango é o último de seus problemas. E na realidade, acredito que por muitos anos ainda vai haver frangos baratos nas prateleiras do supermercado, vindos de industrias intensivas, exclusivamente para essa fatia de mercado. Mas há também uma grande parcela de consumidores que podem pagar mas que não compram por pura falta de informação. Ninguém gosta de passar horas lendo rótulos no supermercado (só eu). No máximo uma rápida comparação de preços e pronto, coloca o frango mais barato no carrinho. Agora com todas essas campanhas acredito que muitos vão parar por mais alguns segundos e procurar pelos orgânicos, free-range ou Freedom Food. E se dentre esses, pelo menos a metade escolher os free range, grandes mudanças virão pela frente.

E não há como negar que este país ainda é uma ilha, que idéias espalham rápido de norte a sul e que mudanças ainda são possíveis de se realizar. Há pouco tempo atrás houve a mesma discussão a respeito de ovos produzidos de maneira intensiva e cruel. Os consumidores acabaram concordando com a campanha e hoje 27% dos ovos vendidos no Reino Unido são free range. A partir de 2012 toda produção de ovos com galinhas presas em gaiolas será banida e proibida na Inglaterra, pelas leis de Animal Welfare da União Européia. A grande esperança é que o mesmo aconteça com os frangos, mesmo que de grão em grão.

Do filme Chicken Run:

Ginger: You know what the problem is? The fences aren't just round the farm. They're up here, in your heads. There's a better place out there, somewhere beyond that hill, and it has wide open places, and lots of trees... and grass. Can you imagine that? Cool, green grass.
Babs: Then, where does the farmer live?
Ginger: There is no farmer, Babs.
Babs: Is he on holiday?
Ginger: He isn't anywhere! Don't you get it? There's no morning head count, no farmers, no dogs and coops and keys, and no fences.
Bunty: In all my life, I've never heard such a fantastic load of tripe. Oh, face the facts, ducks. The chances of us getting out of here are a million to one.
Ginger: Then there's still a chance.
Ginger: Listen. We'll either die free chickens or we die trying.
Babs: Are those the only choices?

Update 28/02/2008: Matéria de primeira página do The Independent afirma que as vendas dos frangos infelizes confinados caíram para mais de 10 milhões de unidades e que as vendas dos frangos free-range aumentaram em 35%, comparando com o mês anterior ao da campanha.

Escrito a mão pela Marcia às 1:11 PM | mais em Greedy Cow

janeiro 9, 2008

"Cheesecake?! A Cake... of Cheese?!"

Minha irmã sempre foi muito fã de cheesecake e sempre me falava maravilhas dos chesecakes que ela comia no Japão, quando ela morava lá. E eu sempre tive a impressão de que estava comendo os cheesecakes errados, já que jamais havia provado nenhum que tivesse me surpreendido. E realmente percebi que estava mesmo provando todos os errados quando minha irmã me esclareceu que os melhores são os assados, bem fofinhos e levinhos. Até então eu havia provado, e desgostado, de apenas dois tipos:

1) os cheesecakes que não são assados, mas endurecidos com gelatina
2) os cheesecakes do Starbucks, que são assados, porém secos, duros e um pouco salgados pro meu gosto (tanto na quantidade de sal como no preço).

Em Taiwan cheguei a provar um (porque eu nunca desisto) da patisserie do hotel Hi-Lai e estava melhorzinho, mas ainda não era algo digno de nota. Aliás, a maioria dos bolos que comi em Taiwan (e foram muitos) eram fantasticamente decorados mas com gosto de absolutamente nada. Hoje sei que gosto tem morder o Nada.

Resolvi então pesquisar e procurar receitas do verdadeiro chessecake, fazer um do princípio e provar a diferença. Percorri algumas histórias, alguns diferentes métodos e muitas versões (New York style, Italian, French...), além de várias dicas para não fazê-lo rachar ou ficar seco. Nessa busca, me deparei com uma versão clássica de cheesecake, da Lesley Waters, no site da BBC Food, que agora tem estes bacaníssimas vídeos interativos Get Cooking. Assisti ao vídeo dela fazendo o cheesecake de limão, e me pareceu bem facinho de fazer.

Usei os ingredientes básicos, mas fiz apenas meia receita porque somos foodies, mas moderação e bom senso continuam em moda nesta casa. Troquei as raspas de limão por baunilha, e na cobertura usei creme Elmea Double Cream Light e fiz uma calda de blueberries. Eis o resultado:



O sabor? Ahh, muito, mas muito diferente de tudo o que havia provado antes. O perfume da baunilha, dos biscoitos, do creme não deixa dúvidas de que se trata de uma sobremesa rica. Já na primeira garfada você sente o prazer da textura crocante da base, macia do recheio, cremosa da cobertura. E logo em seguida vem o sabor levemente salgado do cream cheese, levemente adocicado do açúcar, levemente picante do gengibre e arrematado com um leve frescor das frutinhas. Agora tambéms sou grande fã, desde que seja esse o meu tipo de cheesecake. Martin também não parou de elogiar até agora. Ainda temos as últimas fatias na geladeira.


Baked Cheesecake

(Esta é a receita completa, suficiente para 8-10 pessoas. Eu fiz apenas metade e usei uma forma menor)

Pré-aqueça o forno em 150ºC.
Forre a base de uma forma de fundo removível, de 24cm, com papel-manteiga.

Base:
10 biscoitos digestivos (Maria ou Maizena servem também)
6 biscoitos de gengibre
85g de manteiga derretida

Triture os biscoitos num processador até formar uma fina farinha. Misture a manteiga derretida e processe por poucos segundos, só para misturar. Forre o fundo da forma com essa mistura, alisando levemente com as costas de uma colher, até cobrir todo fundo. Leve ao forno e asse por 15 minutos. Retire e deixe esfriar por pelo menos 5 minutos.

Recheio:
600g de cream cheese (usei Philladelphia full fat)
150ml de creme de leite (*acho* que o creme de leite em lata do Brasil é grosso demais, recomendo o fresco)
140g de açúcar
3 ovos grandes
1 colher de chá de baunilha ou raspas de limão ou outro sabor a gosto

Bata tudo em velocidade baixa, até combinar tudo. Não bata demais, alguns pedacinhos de cream cheese na massa são perfeitamente aceitáveis. Despeje esse recheio sobre a base, leve ao forno por 1 hora. Retire do forno, espere esfriar completamente e leve o cheesecake à geladeira por 1 hora. Desenforme e decore.

Cobertura:
Creme de leite batido em chantilly
Frutas de sua escolha

Recomendo muitissimo o vídeo Baked Lime Cheesecake do Get Cooking para ver a consistência do creme, a textura da base e também em como checar se o cheesecake está assado no ponto exato.

Escrito a mão pela Marcia às 11:53 AM | mais em Greedy Cow

janeiro 7, 2008

For a Snowy(ish) Day

Na semana passada tivemos a primeira neve do ano. Pouquíssima, quase uma fraude. Mas qualquer desculpa é uma boa desculpa para assar mini-madaleines fresquinhas e devorá-las todas, acompanhadas de chá e leite na sua caneca mais brega, de preferência com vaquinhas, assistindo pela janela os flocos de neve mais fajutos do inverno. Minha fascinação por formas em tamanhos minúsculos continua em ascenção e esta foi a primeira vez que usei minha nova forma de silicone de mini-maddies (garimpada na TK Maxx), que funcionou muito bem.


Mini-Madeleines de Chocolate

2/3 (dois terços) de xícara de farinha de trigo
1/4 (um quarto) de xícara de cacau
1/2 colher de chá de fermento em pó
pitada de sal
2 ovos grandes
1/2 xícara de açúcar
1/2 colher de chá de essência de baunilha
6 colheres de sopa de manteiga sem sal, derretida e fria (eu usei bem menos, cerca de 40 gramas e achei mais que suficiente)

Nota: Eu odeio, odeio, odeio receitas que usam em volume (xícaras, colheres) ao invés de quantidade métrica (gramas, litros).

Peneire juntos a farinha, o cacau e o fermento. Reserve.
Na batedeira, bata os ovos, a baunilha e o açúcar até formar um creme clarinho e espumoso. Retire a vasilha da batedeira.
Agora usando uma colher flexível, misture o creme com os ingredientes secos peneirados, seguido da manteiga derretida. Cubra a vasilha com filme plástico (eu coloquei a massa num saco de confeitar, bico liso, grande)
Leve a massa à geladeira por no mínimo 3 horas.
Na hora de serví-las, aqueça o forno em 175ºC.
Unte e enfarinhe a forma de madeleines se não estiver usando formas de silicone.
Coloque a massa às colheradas (ou com o saco de confeitar) na forma , até encher 3/4.
Leve a forma ao forno e diminua a temperatura para 150ºC.
Asse por 8-10 minutos se estiver fazendo mini-madeleines ou por 13-15 minutos se estiver fazendo madeleines no tamanho normal.
Retire do forno e bata a base da forma algumas vezes em uma superfície coberta com uma toalha.
As madeleines devem pular pra fora com o susto.
Devore-as o quanto antes, sem demora.

Escrito a mão pela Marcia às 12:45 PM | mais em Greedy Cow

novembro 20, 2007

Bread and Wine

Ainda tenho a sensação de que acabei de voltar de Taiwan, mesmo já se tendo passados quase três meses desde que deixamos Kaohsiung (três meses, já?!). E uma das minhas maiores alegrias desde o retorno foi ter de volta um forno. Damn, I lead a dull life. Desde então tenho usado o forno quase todos os dias, seja para fazer um jantar ou uma sobremesa. Morando agora no norte, os dias são mais frios e as noites são mais longas e o prazer de ter o forno ligado aquecendo o ambiente e perfumando o ar é um grande prazer. Pra mim. Pros meus vizinhos universitários famintos que só compram baked beans deve ser um suplício. E com o forno, posso voltar também ao meu querido hobby de fazer pães.



Hoje fiz um pão facinho, rápido e bem fofo. É um pão é bastante atraente pela mistura doce do mel, salgada das azeitonas, com o perfume do alecrim. Excelente para acompanhar o Beef Stew in Red Wine que fiz também no forno, por horas e horas.

Rosemary, Olive & Honey Bread
Pão de alecrim, azeitonas e mel

1 1/2 xícaras de farinha de trigo
3/4 de xícara de farinha integral (usei malted brown com sementes)
1/2 colher de chá de sal

1 pacote de 7g de fermento de pão granulado (fast action dry yeast)
1 xícara de leite levemente morno

1/4 de xícara de mel
1/4 de xícara de azeite de oliva
1 colher cheia de alecrim fresco picado
3/4 de xícara de azeitonas picadas

Misture os três primeiros ingredientes numa vasilha grande, abra uma cova no centro.
Misture o fermento com o leite e despeje-os na cova.
Adicione o mel e o azeite.
Combine tudo, vai ficar uma massa pegajosa.
Trabalhe a massa por alguns minutos até formar uma quase-bola (acrescente um pouco mais de farinha se for preciso, eu tive que acrescentar umas duas colheradas).
Cubra a vasilha com uma toalha e deixe descansar por meia hora.
Acrescente as azeitonas e o alecrim, incorpore-os à massa.
Forme uma bola e coloque-a numa forma de pão de 20cmx10cm.
Descanse (a massa, não você) por outra meia hora.
Pincele o topo com ovo batido.
Asse em forno a 180C por 30-45 minutos. Se o topo começar a ficar muito escuro, cubra com papel alumínio até terminar o cozimento. Desenforme e esfrie.
Nham.

Escrito a mão pela Marcia às 6:09 PM | mais em Greedy Cow

novembro 19, 2007

Courgettes Latkes


Adoro abobrinha, zucchini, courgettes, em qualquer nome, em qualquer língua. Dá pra fazer tanta coisa com o legume e sempre fica bom. E um dos pratos que mais agrada a população deste lar são esses bolinhos achatados, que parecem panquecas, parecem hamburguer. Não tem como não gostar. O cheiro invade a casa toda com o delicioso aroma de comida bem feita, cozida sem pressa. A receita original é servida com vodka, mas eu não costumo ter vodka nesta respeitável casa de família. Só vinho. E algumas Ales. Mas vodka não.

mais ou menos 400g de abobrinhas raladas
cenoura ralada
cebola pequena ralada
meia xícara de farinha de trigo
1 ovo grande, levemente batido
sal a gosto
pimenta a gosto

Esprema as abobrinhas raladas para retirar o excesso de líquido. Repita se necessário. Coloque-as numa vasilha grande. Adicione a cenoura e a cebola, junte o ovo, a farinha, sal, pimenta. Misture até combinar tudo.

A partir daí você pode fritar colheradas dessa mistura numa frigideira de ferro com um pouco de óleo, até dourar dos dois lados. Eu fiz no forno pré-aquecido a 200C. Unte levemente uma assadeira anti-aderente com óleo e coloque umas colheradas da mistura, achatando-as com as costas da colher. Coloque a assadeira no forno e esqueça da vida até ficar dourado embaixo. Vire e doure o outro lado.

Note: eu não ralei nada. Coloquei cada legume separado no processador de alimentos e bzzzzzzzz, no modo pulsar. E pronto. Em trinta segundos tudo ralado.

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Minhas Latkes estão aqui prontinhas. E também estão prontos o arroz, as lentilhas, as couves-flores assadas (é assim o plural?). E Mr.M está preso no trânsito e ainda vai demorar uma meia hora pra chegar. É minha chance de comer todas as latkes e fingir que jamais fiz nenhuma delas.

Escrito a mão pela Marcia às 6:12 PM | mais em Greedy Cow

outubro 20, 2005

Jamie and the Cabbage

Ontem começou a nova série do programa de Jamie Oliver. Desta vez sem projetos de caridade nem batalhas pra salvar as crianças do entupimento de artérias. Não, agora Jamie se mandou pra Itália com a desculpa de que precisa de um tempo. Não me engana, que eu não sou silly nem nada, aliás sou smartíssima e sei que o programa é nada mais que uma grande alavanca pra promover o novo livro de culinária do moço.

Mas mesmo assim não deixa de ser um programa ótimo, dei muitas risadas, principalmente porque a produção do programa não precisa se preocupar com nada, já que Jamie se encarrega de fazer tudo dar errado. Então ele está lá, por enquanto em Palermo, com um livro de italiano nas mãos, tentando explicar que ele é um chef londrino. Ninguém dá a mínima, reclamam que ele usa ervas demais, que não entende nada.

E Jamie já anda ainda mais arrepiado de ver que italianos não gostam de experimentar absolutamente nada novo ou estrangeiro e mesmo quando experimentam algo regional, ainda reclamam que não é igual o de suas mães. Diversão pura.

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Agora entra o repolho, mais especificamente o savoy cabbage, que é esse repolho crespo, folhudo, verdão. (Péra só um pouquinho que tá passando o vídeo Creep, do Radiohead, na êmetivi). (Pronto). Outro dia estava vendo um antigo programa do Naked Chef, da época em que ele era só um moleque, e ele fez uma pasta em uns cinco minutos. Parecia ótima. E ele ainda disse que se você não gosta de repolho, vai comer a pasta e mudar de idéia. Hum, pensei comigo, eu não sou fã de repolho, Martin também não, mas savoy cabbage até que não é mal. Testei, fiz a receita e adorei. Facinha, saborosa, já fizemos duas vezes.

Não tenho as medidas porque o programa é da fase que Jamie fazia tudo na base do pukka-suppa-bit-of-this-bit-of-that. Mas é mais ou menos assim, faça a proporção que mais lhe apetecer:

Jamie's Cabbage and Bacon Pasta

1. Escolha algumas folhas de repolho crespo (use savoy cabbage, não pode ser outro, tem que ser esse), use tanto as folhas verdes quanto as brancas, retire os talos brancos do meio, corte em tiras finas, mais ou menos do mesmo tamanho da pasta, pra ficar fácil de comer. Reserve.
2. Corte mozzarela de búfala em cubinhos. Rale uma boa porção de parmesão, uma mão cheia pelo menos. Pique o alho. Reserve.
2. Cozinhe a pasta farfale (gravatinha).
3. Numa frigideira, frite bacon em cubinho no azeite. Quando estiver bem frito, adicione alho picadinho.
4. Junte o repolho e refogue. Abaixe o fogo, tampe a panela para o repolho cozinhar com o vapor.
5. Quando o repolho estiver numa cor bem verdinha, macia de comer mas ainda um tantinho crocante, retire do fogo. A maioria das pessoas que não gostam de repolho só experimentou o mesmo supercozido, molenga e amarelado. Adicione a pasta, os cubinhos de mozzarella de búfula, bastaaaaante parmesão ralado e misture tudo muito bem. Adicione algumas colheradas da água em que a pasta foi fervida para tudo ficar mais cremoso. Como diria o chef, beauthiful.

Já fiz sem o bacon, fica muito bom também e toneladas de vezes mais saudável. Aliás, sair para comprar um pé de savoy cabbage é excelente pra auto-estima da sua alimentação consciente. Porque a savoy é meio escandalosa, né? Aquela coisa abrindo, folhas grandes, verdes, verdonas, VERDE. Você ali prestes a comer um amontoado de vitaminas, fibras, nutrientes, tudo de bom e de melhor (ninguém precisa saber que você vai usar bacon, queijo e pasta também). Você ali na fila do caixa, segurando sua savoy feito um troféu, assobiando "we are the champions, my friend..." cumprimentando estranhos com um balanço de cabeça, feliz consigo mesma e a savoy ali verdona, pra confirmar tudo. Oh joy. Oh ordinary life.

No mais, ainda no que diz respeito ao Jamie Oliver, sua campanha Feed me Better, que chamou atenção para a podre dieta das crianças nas escolas, foi muito apoiada em todo o país e hoje o governo já baniu todo e qualquer tipo de junk food das cantinas. Foram pro lixo hamburgueres, nuggets, pizza e turkey twizzlers. Batata frita é só servida uma vez por semana, as máquinas que antes vendiam refri e doces agora vendem frutas e sucos. As verbas para alimentação escolar aumentaram e as serventes vão ter os salários ajustados para a nova demanda de preparar almoços mais saudáveis. Aos céticos, uma banana.

Escrito a mão pela Marcia às 8:12 PM | mais em Greedy Cow

outubro 14, 2005

Exotic Gourmet Green Squash: Chuchu

Eu nunca gostei de chuchu. Nunca vi a menor graça no legume mais aguado do planeta. Aquele legume que no Brasil tem sempre alguém te oferecendo de baciada. Como o amigo do meu pai, que tinha pé de chuchu na horta e deixava um balde de chuchu no portão da nossa casa e ia embora sem nos dar a chance de dizer "não, obrigada". Uma vez até pensei em sair correndo atrás do carro dele com o balde de chuchu nas mãos, suando e gritando "não, obrigada! não, obrigaaaaaaada!!" Mas nunca o fiz porque tinha uma reputação (cof, cof) a preservar. E também porque, bem, era supergentil da parte dele. Na verdade, claro que os chuchus e todos os outros legumes que o tal amigo do meu pai deixava no portão eram sempre muito bem-vindos, principalmente pela minha mãe que adora chuchu. Eu é que nunca me animei com o tal leguminoso com cara de banguela.

Enfim, chuchu por todos os lados, sempre foi a lei. Mas não aqui, of course. Chuchu gosta de calor e sol, portanto tá ferrado e mal pago aqui. Não crescem, ninguém conhece, só vêm importado com assustadores nomes. Mas o que é que isso me importava se eu não gosto de chuchu?

Pois então. Certo dia li um post da Ana e outro post da Zel, ambas falando do famigerado chuchu. Pronto. Tô absoluta e completamente morta de vontade de comer chuchu. E exatamente do jeitinho que a Zel descreveu a salada maravilhosa que a mãe dela faz: chuchu e cebola sauteé com ovo cozido. O dia que uma dessas duas fizer um post dizendo que vão pular da ponte devo seguir também tamanha copycat desavergonhada que sou.

Passei dias vasculhando as prateleiras do Waitrose (nem em um milhão de anos vou encontrar chuchu no Asda) para ver se encontrava o tal Exotic Gourmet Green Squash, mas sem sorte. Até que hoje fomos na nossa tão querida lojinha indiana local e finalmente encontrei o tal objeto de desejo! Paguei quase trêrreal por um único chuchu tamanho médio, mas comprei. Só um porque Mr.M já declarou que não quer salada de chuchu não.

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Escrito a mão pela Marcia às 5:55 PM | mais em Greedy Cow

setembro 26, 2005

The Hunt for the Glorious Muffin

Vi a receita no delicioso blog da Ana e não parei de pensar nos muffins num só segundo. Minha forma de silicone tamanho fairy cup cakes estava emburradíssima porque desde que a compramos, em Junho, ainda não havia usado nenhuma vez. Esta seria uma boa chance de inaugurá-la, pensei eu.

Fui ao supermercado ávida por um pacote de Scotish Oats, que nada mais é que aveia de grãos grossos. Geralmente tenho aveia aqui, mas só daquela fininha pra fazer meu mingau quentinho pras manhãs frias e nubladas. Então fui hoje fazer compras sozinha no Sainsbury's e comprei a aveia mais que rapidamente. E também uma verdadeira montanha de legumes, vegetais e frutas. E ainda mais ingredientes para os quitutes do evento desta semana.

Voltei pra casa e terminei de preparar o frango tandoori pro jantar (empolgada pra cozinhar or what?). Jantamos, papeamos e botei toda a bagunça pra lavar -- porque eu não consigo cozinhar com louça suja na pia -- e pude finalmente me dedicar aos muffins.

Eu quase nunca compro muffins porque são exageradamente doces, exageradamente gordurosos e amanteigados (que dá pra perceber pela forminha de papel), cheio de refinados e chocolate de quinta categoria. Queria uma receita com ingredientes mais saudáveis, integrais, porém não menos tentadores e que dessem água na boca. E esta receita da Ana tem tudo o que eu procurava. Tão facinha, tão simples e a textura é absolutamente tão surpreendente. Como a Ana escreve o blog dela na língua de Shakespeare, reproduzo aqui:

Ana's Oatmeal Muffins

2 xícaras de aveia em grãos grossos
2 xícaras de farinha de trigo (ou 1 de trigo e 1 de integral - eu, como a Ana, usei assim meio a meio)
1 xícara de açúcar (usei mascavo claro)
1 colher (sopa) fermento em pó químico
1/2 colher (chá) sal
2 colheres (chá) canela (eu ainda acrescentei 1/4 de colher (chá) de cravo moído -- o perfume dessas duas especiarias juntas quando os muffins assam, aaaahhhhh... tão fantástico)
2 ovos
1 xícara de leite
4 colheres (sopa) óleo
1 colher (chá) de essência de baunilha

Misture os ingredientes secos. Faça uma cova e coloque nela os ingredientes úmidos. Adicione seu toque pessoal, que faz dos muffins algo tão especial e diferente: passas, chocolate em pedacinhos, damascos, cranberries, blueberries, nozes, maçã. Misture delicadamente. Coloque nas forminhas e asse em 200ºC por 15-20 minutos. Esfrie-os numa grade e sirva.

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Perfeito para acompanhar uma boa xícara de chá de jasmim. Como minha forma não é de muffins e sim de cup cakes, eles ficaram menorzinhos que o padrão, mas eu gosto mesmo é de tudo em miniaturazinha. A Nutella é completamente dispensável, já que o sabor e o aroma do muffin sozinho é bastante indulgente. Mas alguns, como eu, can never have enough of the good thing.

Ana, obrigada por dividir essa receita fantástica. Minha busca se encerrou.

:o)

Update: para fazer o Chicken Tandoori: receita de Madhur Jaffrey.

:o)

Escrito a mão pela Marcia às 8:56 PM | mais em Greedy Cow

maio 27, 2005

Butternut Squash Gnocchi

Gnocchi.jpg

Ontem testei a primeira receita do livro vegetariano que comprei. Ficou muito bom, um gostinho de outono, macio, levinho e cheiroso. Não fiz o molho de sage, como pedia a receita porque o tempo aqui está ensolarado e quente até tarde da noite e o gnocchi não precisava de mais nada por cima. Servi assim do jeitinho que aparece na foto, só a massa, queijo parmesão por cima e manjericão. Sem molho, sem nada e mesmo assim não faltou sabor. Na foto coloquei só uma porçãozinha ridícula no prato para vocês pensarem que eu como feito um passarinho e não como uma hiena no meio do açougue.

Adaptei a receita com a própria versão do nhoque que costumo fazer, porque acho que fica mais leve. E ficou muito boa.

Butternut Squash Gnocchi

350g de abóbora butternut descascada (no Brasil equivale à abóbora pescoçuda)
225g de batata descascada
1 gema (eu usei um ovo inteiro)
125g farinha de trigo (eu usei metade farinha e metade maizena)
sal e pimenta a gosto

Modo de Fazer:

1. Corte os legumes em cubos e coloque-os para cozinhar em água fervente. Deixe cozinhar por uns 15 minutos até ficarem macios. Vá ler uma revista enquanto isso.
2. Escorra bem a água e passe os legumes cozidos por um amassador de batatas.
3. Junte aos legumes o ovo, a farinha, meia colher de chá de sal e um pouco de pimenta. Misture bem, vai ficar um creme grosso pegajoso.
4. Coloque uma panela grande com água para ferver. Vá checar seu e-mail enquanto espera ferver. Quando começar a ferver coloque umas pitadas de sal.
5. Coloque a massa do gnocchi num saco de confeitar, ou se você for chique como eu, use um saco qualquer e corte a ponta. Eu usei um saco com fecho hermético (Zippy), para a massa não escapar.
6. Aperte o saco de confeitar sobre a água fervente e corte os pedacinhos com uma faca qualquer. Os gnocchis vão cair lá pro fundo da panela. Não encha a panela com muitos pedaços, faça em etapas.
7. Eles vão começar a flutuar na superfície. Deixe cozinhar por uns 4 ou 5 minutos, mexendo de vez em quando. Retire-os com uma escumadeira e passe-os para uma travesa.

Voilá!

Molho de Sage (não fiz, não sei se fica bom)

125g manteiga sem sal
folhas de sage frescas

Derreta a manteiga numa frigideira e junte as folhas de sage. Rapidamente adicione o gnocchi e cozinhe por 30 segundos. Sirva a seguir.

Serve 2 pessoas
Calorias por porção: 455 (com o tal molho)

Escrito a mão pela Marcia às 11:38 AM | mais em Greedy Cow

maio 24, 2005

Oh Glorious Veggies

VeggieBook.jpg

Nem sempre uso livros de culinária para seguir as receitas. Muitas vezes preciso apenas de umas idéias diferentes e novas para usar na cozinha. E quando se trata de legumes nem sempre sei ser criativa com eles, precisava de um bom livro de receitas vegetarianas. A mãe do Martin tem um bom da Delia, mas achei os pratos muito básicos e clássicos, nada de diferente do que eu já faço.

Dei uma folheada neste livro de receitas vegetarianas (foto acima) na livraria Waterstone e adorei. Cheio de boas idéias, todo passo-a-passo, com uma ou duas receitas por página, ou seja, coisas simples de fazer. Comprei.

Ainda não testei nenhuma receita, mas estou bem entusiasmada lendo tudo. Na lista das receitas que pretendo testar estão: Squash Gnocchi with Sage (nhoque de abóbora e molho de... sage), Spinach and Potato Mascarpone Gratin (Gratinado de espinafre, batata e queijo mascarpone), Aubergine Cannelloni (cannelloni de berinjela, meu legume favorito), Egyptian-style Lentils (lentilhas à egípicia) e Baked French Onion Soup (sopa de cebola francesa assada).

Nham! Se der certo publico alguma receita aqui.

Só preciso ir comprar todos os legumes e vegetais primeiro, já que a geladeira está vazia da silva sauro. Hoje de jantar tivemos arroz, feijão e salada de tomate com manjericão, tudo ficou simples mas tãoooo bom. Nham.

Escrito a mão pela Marcia às 5:06 PM | mais em Greedy Cow

abril 7, 2005

Aprendendo a fazer pão, por Nina Horta

Recebi o texto abaixo da querida Telinha, no comentário do post anterior. Achei tão lindo e tão condizente com o momento de minha vida que resolvi colocar aqui. Obrigada Telinha! Aí vai:

"Mulheres e trabalho caseiro dão uma boa série para começo de ano. Quem é essa baixinha, vestida de branco? O que é, o que é, esse fiapo de gente de cabelo vermelho, arretada, difícil, fechada? O que é, o que é, reclusa, apaixonada, monja, pagã, noiva sem noivo, homem ou mulher, o que é?

Dizem que é a maior poeta americana, alguns a comparam a Shakespeare na consistência das palavras. O que tinha na cabeça para se esconder uma existência inteira na casa dos pais, esconder seus quase 2.000 poemas, nunca publicados em vida, guardados em saquinhos de pano?

Não aprendeu o recato do lar na escola. A diretora tinha fogo nas ventas e afirmava que um dos grandes perigos para o cérebro das mulheres era a cozinha. Concentravam toda a atenção nessa área do conhecimento e não lhes sobrava tempo para cultivar a mente. O que as donas-de-casa tinham que fazer era simplificar a lida e aproveitar a vida (com leituras edificantes). E que se danassem os maridos, esses tiranos, diante dos quais as mulheres se curvavam em servidão sem esperança. (Opa, isso em 1850!)

Mas a poeta só achava da vida o que queria achar, depois de muito pensar. Tratou de transformar a religião da família e do colégio numa coisa só sua, estudou bastante, apaixonou-se pelos livros e depois, já que podia escolher, escolheu voltar para casa, para a fortaleza paterna, de onde começaria uma imensa viagem para dentro de si mesma. Lutou sempre para reconciliar seus dons de imaginação com o papel de mulher, com a realidade doméstica, sem deixar que o fogão, a agulha e a vassoura a fizessem menor. Completou a grandeza de seu projeto poético lavando louça na pia.

"Viver é um êxtase, o mero sentir a vida é alegria bastante."É um lugar-comum comparar a casa a um cadinho de alquimia, mas os lugares-comuns existem para serem repetidos à exaustão. A transformação das matérias, a fibra se fazendo fio, o fio tecido, as aranhas trabalhando em círculos de luz, o fim e o começo, circunferências, tarefa interminável. O barro, bilha e vaso, o bulbo, flor.

Os detalhes mais comezinhos se transformavam em metáforas, palavras unidas ou separadas por traços inconfundíveis e escritas em papeluchos guardados no bolso, em meio à faina.

Não era preciso atravessar a rua, largar a horta, a estufa ou o jardim para saber o Vesúvio, Veneza, Vera Cruz, Vevay. "Fechar os olhos é viajar. Gosto de viajar, mas minha casa tem encantos só dela." Andando de cá para lá, mãos ativas, cabeça no mundo da lua. As coisas do dia-a-dia tinham um halo sagrado. Rosa-abelha-borboleta, pássaros-morcegos, bolos-sopas, bordados-costuras, uma religião de domesticidade (feroz). Na verdade, não adorava o trabalho todo da casa e, imagino, muita empregada ao redor. Sanguessuga, tensa, erótica, gostava mesmo era de juntar palavras, retratar a vida e a morte, bordar em sangue, chorar por dentro, trepanar o mundo, destampar a cabeça para ver o cérebro. Mas, já que tinha que escolher um serviço mais afável, que fosse a cozinha ou o jardim. Adorava escrever cartas, nos dias de hoje seria uma internauta viciada e empedernida.

Aos 14 anos, conta a uma amiga: "...Hoje vou aprender a fazer pão". Daí em diante, tornou-se a padeira da casa, o pai não comia outro pão que não o dela. Num lance incongruente de sua biografia de mito, ganhou um concurso de bolos na feira de gado de sua cidade. O prêmio era de 75 cents, mas ganhou e continuou a fazer o pão ou bolo vida afora. "As pessoas querem doces, então é preciso fazê-los." Quatro xícaras de farinha de centeio - 1/2 xícara de manteiga - 1/2 xícara de creme - uma colher de sopa de gengibre - uma colher de chá de soda - uma colher de chá de sal. Confeitar com melado. E sempre batendo a massa, com a cabeça rodando, tentando transformar o indizível em articulado, rabiscando, rabiscando.

Flashes do dia-a-dia furando e machucando os olhos. A irmã com a vassoura na mão - o avental sujo - o vestido que havia que ser branco impoluto - o balde as flores no vaso - é hora de fazer o jantar - costuro o mais depressa que posso para ter tempo de te amar - está na hora do chá - viver é tão emocionante que não sobra tempo para mais nada - os pêsames a carta - os pequenos desejos de mamãe, ler para ela, abaná-la, prometer que sua saúde vai voltar amanhã.

Paisagem que a alma triturou, descascou, escalpelou, rachou, soldou em versos."

Emily Dickinson. Amherst, Nova Inglaterra, 1830-1886

Escrito a mão pela Marcia às 11:24 AM | mais em Greedy Cow

abril 3, 2005

Wild, wild yeast

Há mais de cinco semanas estou tentando cultivar wild yeast, que é um fermento natural para fazer o pão crescer. Um verdadeiro teste para a paciência, um exercício contínuo de alquimia, de cuidado, de tentativa e erro. Mas também um desafio apaixonante para quem ama fazer pão.

O fermento de pão comercial, que a gente compra fresco, em pó ou graulado, é composto das mesmas células vivas de fermento que entram na fabricação da cerveja, Saccharomyces cerevisiae.

Já o wild yeast é composto de duas frágeis comunidades: uma de células vivas de fermento chamadas Saccharomyces exiguus e outra de bactérias lactobacillus e acetobacillus, que criam respectivamente ácidos lácteo e acético. As duas comunidades são importantes para fazer o pão crescer e também para dar o sabor característicos aos chamados Sourdough Breads. O Sourdough Bread é o nome de qualquer pão que utilize o wild yeast para fazer crescer. O nome é errôneo (Pão Azedo) porque apesar do ácido lácteo e acético estarem presentes, o pão não é necessariamente azedo.

Se por um lado é fácil comprar um fermento de pão comercial em qualquer supermercado, o mesmo não é verdade no caso do wild yeast. Não se compra. E aí é que entra o mais fascinante dos aspectos desse fermento selvagem. Não se compra, mas captura-se, cultiva-se, alimenta-se este organismo vivo.

Basta juntar uma farinha integral e água. E esperar. E alimentar com mais farinha e mais água. E jogar fora metade e alimentar o restante com mais farinha e mais água. E esperar, observar, repetir, deduzir.

Parece simples. E é. Mas diferentes condições do clima, da água e da temperatura ambiente mudam completamente o resultado. Equilibrar o frágil sistema das comunidades praticamente invisíveis é algo bem complicado. Para mim, foram três tentativas intensas. Duas acabaram descartadas depois de muito insistir e alimentar cuidadosamente todos os dias. Dois pães foram assados com cada uma das tentativas e, apesar de crescerem bem, o miolo não havia fermentado como deveria.

Mas finalmente, na terceira vez, a recompensa chegou. Levou mais tempo, mas o resultado foi visivelmente melhor do que as outras tentativas. A mistura de água e farinha finalmente se tornou numa espuma borbulhante, ativa e forte, como se fosse mágica, como se houvesse algo que a despertasse de um sono profundo. Fiquei absolutamente feliz e fascinada com o sucesso. Essa mistura agora ativa, chama-se mother starter ou chef. Ela fica na geladeira e de tempos em tempos preciso alimentá-la para que continue ativa. Algumas das padarias mais famosas da França e dos EUA usam o mesmo starter há mais de cem anos, alimentando-a diariamente.

A primeira mistura de centeio e água não parece nada promissora. Depois do segundo ciclo de alimentação, Pickles ficou vigiando para o monstro não escapar!
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Com mais diluições a mistura mostrou uma queda acentuada de atividade. Mas depois de alguns dias, as bolhas voltaram com força total. E temos finalmente um starter!

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Mas por quê fazer pão com o wild yeast? Pergunte a qualquer baker e a resposta vai ser que a complexidade do sabor de um sourdough é incomparável. Várias áreas da sua língua e do seu palato são ativadas. Doce, azedo, salgado, crocante, quente, tudo enchendo sua boca de água e ativando as papilas do fundo da sua língua para finalmente fazer você suspirar um "hummm" de satisfação, sem qualquer esforço.

Mas pra mim, o que mais me encanta é a simplicidade. É fazer o pão como há milênios o ser humano vem fazendo. É transformar grão em sabor e em prazer, sem recorrer aos processados industriais. É principalmente ter o conhecimento dessa técnica que vai estar comigo para onde quer que eu for. Onde quer que eu esteja, com um pouco de farinha, sal e água eu faço um pão. Faço o pão como os egípicios faziam há 10.000 anos atrás.

Para fazer o meu starter, usei farinha de centeio comprada em Leicestershire, moída num dos poucos moinhos de vento que ainda existem na Inglaterra. E para as primeiras alimentações, usei farinha integral que a irmã do Martin nos deu, tambem moída em moinho de vento, com método frio, usando pedras. Agora para as subseqüentes alimentações, estou usando farinha orgânica Carrs, da região de Cumbria, onde Martin nasceu. É portanto, um starter puramente britânico.

No entanto, nenhum starter é completamente feliz se não for usado para fazer pão! É o momento crucial e também mais divertido. É frustrante quando o pão até cresce mas o miolo se mostra cinza, pesado e com forte aroma de álcool que o fermento não-ativo começa a produzir. Mas a quantidade de aprendizados que se adquire quando algo dá errado é fenomenal. É quando você começa a procurar respostas para os erros, pesquisa, pergunta para especialistas, lê muito, começa a entender o que antes era um mistério. E claro, começa a pensar em tentar de novo. Um erro é frustrante sem dúvida, mas fracasso, isso jamais será.

Enfim, depois de vários starters no lixo e duas fornadas de pães que foram na mesma direção, finalmente consegui obter o êxito que esperava: um pão sourdough saboroso e cheiroso, crocante, de miolo extremamente leve e consistência tão feliz que ativa todos os nervos que me fazem sorrir.

O pré-fermento do pão que formou uma boa teia com o novíssimo starter. E a massa com os cortes pouco antes de ir pro forno.
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O pão assado, bem vermelho por causa da caramelização do açúcar gerado na fermentação. E finalmente o pão fatiado que me brindou com essa consistência levinha e bem saborosa.

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Por tudo isso que estudei, tentei, errei, pesquisei, constatei e aprendi é que não coloco receita dos pães que faço aqui. Não basta simplesmente misturar, sovar, moldar e botar no forno. Não. Assim como aprender a fazer e degustar um vinho leva tempo e muita dedicação, fazer pães requer antes de mais nada conhecimento. E ainda tenho uma estrada inteira pela frente para aprender. Esse sourdough, por exemplo, leva na receita farinha, água e sal. Sem absolutamente nada a mais. O desafio de transformar esses ingredientes em algo que surpreende o paladar vem de muito controle de várias coisas: fermentação, bactérias, temperatura, tempo, entre outras variáveis.

No mais, meu prazer por fazer pão é o mesmo daquele que faz da argila uma escultura. Criar e evocar vida num bloco de massa. Não tenho, em hipótese nenhuma, intenção de fazer disso um comércio. É meu hobby, meu prazer e minha própria arte. Divido meu pão com meu vizinho, mas vender, lucrar, não, não isso.

" ...Mas que me seja permitido sonhar com outra vida e outro mundo, em que um homem batesse à porta do outro e dissesse: "Vizinho, são três horas da manhã e ouvi música em tua casa. Aqui estou". E o outro respondesse: "Entra, vizinho, e come de meu pão e bebe de meu vinho. Aqui estamos todos a bailar e cantar, pois descobrimos que a vida é curta e a lua é bela". (Rubem Braga)

Escrito a mão pela Marcia às 9:55 AM | mais em Greedy Cow

fevereiro 10, 2005

Pane Siciliano: My Big Fat S Bread

Foram três dias para fazer este pão. Um dia para fazer a massa de fermento e descansá-la na geladeira. Outro dia para fazer a massa do pão em si. E mais uma noite com a massa na geladeira para retardar a fermentação e melhorar o sabor. E finalmente o dia de assar o tão esperado Pane Siciliano. Eu não tinha gergelim, então usei sementes de papoula, espero que não seja uma ofensa aos sicilianos ortodoxos.

Enfim, com a consciência tranqüila posso dizer que este foi definitivamente o melhor pão que fiz até o momento. Ficou crocante, o miolo bem poroso, leve (pela primeira vez, hooray!) e bastante saboroso. O gostinho de nozes por causa da fermentação longa é ainda mais especial quando se junta com as sementinhas de papoula.

Fiz a broa principal no formato do tradicional "S" italiano e mais alguns pãezinhos de lanche, inclusive um "s", que ficou ao contrário mas que eu comi rapidinho pra ninguém ver.

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Acho que agora finalmente estou entendendo melhor cada processo de se criar um pão. E também começo a sentir nas mãos quando a massa já está boa para fermentar, se precisa sovar mais, se precisa crescer mais antes de entrar no forno.

E nosso forno também está mais preparado. Outro dia fomos no B&Q para comprar uns azulejos de cerâmica rústica, sem verniz, sem nada, daqueles bem baratos que o povo pavimenta o quintal, jardim e outras áreas externas. Compramos uma caixa e pagamos baratíssimo. Coloquei duas camadas deles na grade do meio do forno e deixei nossa pizza stone na grade do topo. Tem funcionado muito bem.

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A satisfação de partir um pão, servir e comer sabendo que foi vocêzíssima quem fez, usando farinha orgânica, vocêzíssima quem transformou um monte de farinha indigesta num monte grudento e depois fez dessa massa um alimento cheiroso, bonito, prazeroso de comer, que há muitos milênios o ser humano vem fazendo em todas as culturas. Essa satisfação entra na sua boca junto com os pedacinhos da casca fina que se quebra na mordida, junto com o miolo fofinho que logo se desfaz e lá no fundo da sua garganta o gostinho do pão se derrete em essência de mais puro aconchego. Ahhh, a sensação é mesmo indescritível, se é que ainda não me fiz entender.

:o)

Escrito a mão pela Marcia às 5:20 PM | mais em Greedy Cow

janeiro 27, 2005

French Macaroons

Não sei como era a minha vida antes de hoje. Porque hoje finalmente cruzei uma fronteira que divide um doce de uma iguaria. Porque hoje finalmente aprendi a fazer e experimentei pela primeira vez um clássico das patisseries francesas: macaroons.

Como a maioria das receitas francesas, são poucos ingredientes, poucos passos e quinhentos mil truques para fazer dar certo.

E como Martin acabou de voltar da sua viagem à França, me empenhei para caprichar na sobremesa de hoje!

Eles parecem simples biscoitos recheados. Mas na primeira mordida você é fisgado por uma avalanche de texturas, sabores e sensações, muito além do que poderia esperar.


French Macarrons:

200g de açúcar de confeiteiro
110g de farinha de amêndoa (bem fina e seca)
57g de açúcar granulado
3 claras previamente deixadas em temperatura ambiente por uma noite ou no mínimo 8 horas
2 colheres (sopa) cacau em pó (opcional)

1. Misture o açúcar de confeiteiro, a farinha de amêndoa (se ambos estiverem meio úmidos, aqueça no forno brando por 5-10 minutos) e o cacau. Reserve.

2. Bata as claras em neve. Adicione o açúcar granulado até formar picos firmes.

3. Agora vem a parte mais crucial, que faz o macaroon dar certo ou não. Misture muito e o macarron não cresce; misture pouco e o macaroon fica deformado e racha no forno. Misture as claras em neve com a outra mistura de amêndoas. Mexa delicadamente com uma espátula flexível até ficar na "consistência de magma". Faça o teste: afunde a ponta do seu dedo na massa, tire e observe o pico que formou. Este pico deve praticamente sumir em 30 segundos. Se permanecer firme, misture mais um pouco. Coloque a massa num saco de confeitar com bico redondo, liso, de 2cm de diâmetro.

4. Numa forma com papel manteiga, faça discos de 3cm com a massa, deixando espaço entre eles. Deixe-os descansando por 1-2 horas até formar uma pele resistente na superfície.

5. Asse em 160ºC com a porta entreaberta se puder (meu forno desliga com a porta aberta, o chatonildo), por 10-11 minutos.

6. Deixe esfriar e recheie. Os nossos, como os clássicos, foram recheados de ganache (creme de leite + chocolate amargo).

Para um macaroon ser chamado de macaroon e não de biscoito, no momento em que está no formo é preciso formar o "foot", que é a base do macaron; e o "dome", que é o teto côncavo, a abóbada. E, claro, é preciso ficar delicioso também.

Na primeira mordida o dome quebra em pedadinhos finos. O foot é concentrado em amêndoa, parecendo um micro-bolo-brownie, que se mistura com o recheio e derrete na boca com todo o resto, mudando para sempre a sua vida inteira.

Vive La France!

More Pictures:

Triangles of baking parchment can make nice pipping bags.



Nice circles, nice macaroons. Just remember to turn the sheet over later.



So simple. Almond and sugar and a hint of cocoa.



So snowy. Egg whites and demerara sugar.



Flowing like magma? Maybe.



A good rest makes wonders for your skin.



Meanwhile Ganache is all you need.



Under the dome, the feet stand up and the aplauses are not far.



United by universal love: chocolate.



The most crunchy, chewy, soft and creamy sensation you could ever wish for.



After the first bite you've could never been so sure: life IS sweet.

Escrito a mão pela Marcia às 7:19 PM | mais em Greedy Cow

janeiro 26, 2005

French Bread

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Escrito a mão pela Marcia às 6:06 PM | mais em Greedy Cow

janeiro 20, 2005

Pain a L'Ancienne

Ontem foi o dia em que assei meu primeiro pão francês com certo sucesso. Ficou leve, com consistência de ciabatta e muito bom de comer. E pela primeira vez, sem gosto de fermento. Aliás, o gosto estava surpreendente de bom, levando em conta que a receita não levou nada além de farinha, água, fermento e sal.

Com vocês, Mademoiselle Pain a L'Ancienne:

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:o)

Escrito a mão pela Marcia às 3:49 PM | mais em Greedy Cow

janeiro 14, 2005

Aprendendo a Fazer Pão

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Este é meu mais novo livro, ganhei do Martin de Natal: The Bread Baker's Apprentice, de Peter Reinhart. O autor é um dos mais consagrados nomes na área de pães artesanais, aqueles que fazem pão sem usar nada além de suas próprias mãos. O livro recebeu várias premiações e não foi por menos: é um tesouro.

Reinhart explica detalhadamente cada mínimo processo que ocorre quando a farinha encontra com a água e as moléculas de glúten começam a fazer uma cadeia complexa, criando enzimas que vão se alimentando das moléculas de açúcar e produzindo gás carbônico, formando milhares de bolhas que vão dar leveza ao que depois de assado vai se chamar simplesmente de pão. É fascinante entender como tudo isso acontece, o que influencia, o que destrói, o que modifica.

E ontem mesmo, empolgadíssima, decidi fazer um Pão de Forma branco, porque no livro dizia ser o mais fácil de ser feito. Cada passo teve um novo significado pra mim, agora que eu entendia o que estava acontecendo. Desde fazer o fermento "acordar", até sovar a massa e perceber que as proteínas gliadin e glutenin se juntaram de mãozinhas dadas e criaram o complexo glúten, que fez minha massa parecer um lençol transparente quando esticada com com os dedos, na hora do teste.

A massa descansou, cresceu, depois recebeu um novo formato e descansou outra vez. Até aí tudo ia bem de acordo com o que o livro pedia. Porém, como já era hora de fazer o jantar, comecei a cozinhar as lentilhas e logo a cozinha ficou mais quente do que deveria, alterando a temperatura da massa do pão que estava descansando, fazendo-a crescer mais do que devia. E como resultado do descuido, o gosto ficou levemente azedo, com cheiro do fermento.

Mas ele ficou bonito, a textura ficou excelente, do jeitinho que deveria, bem fofinho e levinho, com bolhas pequenas e regulares por todo pão. Por isso acho que meu primeiro Pão de Forma merece suas fotinhos sim (aliás, a nossa câmera querida acabou de voltar do médico, ai que saudades que estávamos dela!!!). Mesmo que o gosto e o aroma não tenham ficado nem perto de satisfatórios, esse pão é um grande marco para mim, neste longo caminho que ainda se encontra na minha frente de desvendar os mistérios do pão perfeito. Com vocês, Sir White Bread Loaf:

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Escrito a mão pela Marcia às 12:06 PM | mais em Greedy Cow

dezembro 19, 2004

Propina

Mr.M: Let's go for a walk?
Me: Nah...
Mr.M: C'mmon it's sunny outside!
Me: Nah, too cold.
Mr.M: It's good. Let's have some fresh air and excercise.
Me: Nah...
Mr.M: We can walk to Waitrose and you can buy some Nutella.
Me: I'm gonna put my boots on.

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Não sei o que é pior: saber que eu sou facilmente comprável ou saber que meu preço é tão barato!

Escrito a mão pela Marcia às 8:11 PM | mais em Greedy Cow

dezembro 18, 2004

The Baker's Apprentice - Final

Chegamos ao final da minha saga Baking Bug. Com a outra parte da massa fiz dois pães. Eu já sabia de antemão que reproduzir baguetes em casa é muito difícil porque o forno tem que ser muito mais quente e também tem que ter vapor a toda hora. Mas tentei, né? Era pra isso mesmo que esse experimento foi feito: tentar.

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O resultado ficou bom. Bom pra fazer farinha de rosca, quis dizer. Muito pesado, denso, fermento demais e gosto azedo. Tsc. Comemos torradas desses pães hoje de manhã, não tava mal, mas já comi pães ingleses melhores que esse (gaaaaaahahahaha).

Enfim, nem tudo acaba em pizza, não é mesmo?

Novas tentativas em 2005. Agora preciso fazer a mala, tô atrasada de novo!

Escrito a mão pela Marcia às 10:46 AM | mais em Greedy Cow

dezembro 17, 2004

The Baker's Apprentice - Part II

Então hoje foi o tão esperado dia de assar!

A massa fermentou bem durante a noite e hoje de manhã já havia murchado um pouco e mudado de cor para levemente acinzentada e o cheiro também ficou menos azedo e mais doce.

A tarde fiz um molho de tomate para a base com azeite, alho e... bem, tomates. Deixei apurando até o molho se reduzir a uma pasta, e minha cozinha, em um show de tomate respingado. Mas valeu a pena e ficou bom e brilhante.

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Esperei o Martin chegar para a gente se divertir abrindo os discos de pizza (uma para o jantar e outra para congelar). Para não esmagar as bolhas da fermentação, usamos o método que não utiliza o rolo de massa. E é aí que entra a diversão porque vale fazer de tudo para esticar a massa, menos usar o rolo. Pizzaiolos feras jogam a massa pra cima fazendo uma espiral e com esse movimento a massa se estica igualmente. Martin bem que tentou e até esticou a massa um pouco, mas depois preferiu achatar com as mãos mesmo. Eu fiz um disco com a palma da mão e depois ergui a massa verticalmente e deixei a gravidade puxar o resto. E assim ia virando e fazendo a massa se esticar sozinha. Aconteceram alguns acidentais buracos, claro, mas tuuudo bem. E então meu disco ficou propositalmente disforme e feio, mas satisfatório para o que eu queria: uma pizza rústica.

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Fizemos a cobertura com molho de tomate, queijo muzzarela (de vaca, não aquela coisa redonda boiando em água que vende aqui), orégano e bacon torradinho. E pro forno! Nossa BakingStone já estava a postos, forno na máxima temperatura. Só tivemos dificuldade de colocar a pizza na pedra quente, já que a gente não tem daquelas pás enormes de deslizar o disco no forno. Mas conseguimos.

Em poucos minutos a borda começou a crescer e o cheiro maravilhoso da massa assando nos encheu de fome!

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Adoramos a pizza, o sabor ficou excelente, exata quantidade de sal, cheiro de fermento. But... not there yet. Ainda não fiquei 100% satisfeita, a borda não ficou cheia de ar e bolhas como deveria. Ficou mais para pão. Não foi de todo mal, ficou crocante, levinha e um maleável, só não ficou napolitana!

Mas esse é só mais um incentivo para continuar tentando!! Enfim, tivemos um ótimo jantar, com vinhozinho Shiraz e boa diversão.

Escrito a mão pela Marcia às 9:45 PM | mais em Greedy Cow

dezembro 16, 2004

The Baker's Apprentice - Part I

Novo amor esse de assar pão. Já li tanto sobre fazer pães e pizzas em casa! E tudo começa a ficar cada vez mais e mais fascinante. Entender como o fermento biológico funciona é incrível. As bactérias precisam de três coisas para serem ativadas: calor, comida e umidade. Mas tudo em proporções certas, senão elas morrem. Então água morna e açúcar é o que elas recebem. E em troca, elas nos dão a fermentação que o pão precisa para ficar fofinho.

Hoje comecei a fazer a primeira parte do que vai ser uma pizza e alguns pãezinhos. Ativei o fermento biológico que foi crescendo e crescendo na água morna e doce e fez uma espuma bonita e espalhou o perfume azedo por todo apartamento. Tem gente que não gosta do cheiro, que lembra cerveja, mas eu gosto.

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Enquanto o fermento crescia, pesei e peneirei as farinhas -- strong branca e semolina --, aqueci-as por uns minutinhos no forno e preparei um buraco no meio para receber a espuma de fermento. Estava tão entusiasmada com essa fase que esqueci até de fotografar.

E então veio o momento mais significante da preparação: sovar a massa. E my goodness gracious me, sovei, sovei, sovei por vários minutos. Que canseira, meu god. No começo quando a massa está pesada com o líquido e a farinha e meus pobres músculos sedentários precisaram trabalhar intensamente até finalmente tornar a massa numa bola lisa, maleável e não-grudenta.

Depois de muito empurra-puxa-vira-empurra-puxa-vira, a massa ficou do jeito que deveria e foi para o merecido descanso no Tupperware untado com azeite. E eu também fui para meu merecido descanso por alguns minutos antes de começar a fazer o jantar de hoje, uff.

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Como disse antes, li um bocado e pesquisei todo canto em busca da massa de pão/pizza ideal e resolvi fazer uma receita-base de Jamie Oliver junto com as boas dicas de vários bakers do fórum de culinária que participo. Por isso esta receita é diferente do que geralmente encontramos nos livros. Ao contrário dos usuais 5 minutos sovando e 15 minutos descansando em lugar aquecido, esta receita exigiu da minha pobre pessoa 30 minutos sovando e agora vai passar a noite inteira dentro da geladeira para a fermentação acontecer beeeem devagar e dar mais sabor à massa.

Mas como é possível perceber na foto abaixo, a massa não quis saber de fermentar devagar coisa nenhuma e partiu para a missão balão inflável ninguém me segura sem nenhum escrúpulo. E está no momento inflando sem parar, quase explodindo o filme plástico.

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Terei eu criado um montro de vontade própria? Oh NooOoOo!!

De qualquer forma, o resultado a gente vai saber amanhã. O próximo passo é sovar novamente e tirar as bolhas da massa, descansar novamente (mas só por uns 10 minutinhos) e finalmente fazer as pizzas!! Nham, mal posso esperar.

Nosso objetivo é fazer uma base de pizza napolitana: fina, crocante, mas também macia, um tiquinho elástica, com borda (cornicione) cheia de bolhas dentro e levemente tostada. Nhamnhamnhamnhamnham!

E amanhã vamos também usar nossa BakingStone, que é um disco de cerâmica para colocar dentro do forno. A intenção é de ter uma temperatura mais elevada para assar, quase que imitando o forno a lenha. Vamos ver no que vai dar.

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Se der certo, jantaremos bem. Se não, já valeu pela diversão.


Escrito a mão pela Marcia às 10:25 PM | mais em Greedy Cow

outubro 28, 2004

Agrados sob Medida

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Ganhei de Mr.M ontem uma barra de Cooking Chocolate 72% da Green & Black's! Às vezes me surpreendo como Mr.M presta atenção nas coisas que vão me agradar em cheio, quando menos espero. Como meu desespero por micro bolos de chocolate ainda não passou, ele voltou pra casa com mais matéria prima para eu continuar minhas experiências. Fiquei tão contente, adorei a surpresa, a embalagem é super chique e eu não canso de olhar pra aquela barra e ficar imaginando o que fazer com ela. Ainda não a usei, não decidi ainda o que fazer, talvez o mesmo bolo, talvez outra sobremesa. E para evitar o risco de eu abrir essa barra e comer tudo (mesmo sendo 72%) e depois chorar que não tenho chocolate pra cozinhar, ele trouxe também uma barrinha de Lindt normal e já abrimos ontem. A vida é mais fácil com Mr.M por perto.

Thanks dear.

Escrito a mão pela Marcia às 3:43 PM | mais em Greedy Cow

outubro 25, 2004

Mini Foods

Choveu muito no final de semana todo. No sábado saímos para o centro da cidade embaixo de chuva forte e vento chatérrimo, voltamos ensopados. No domingo tivemos mais sorte e saímos quando o céu abriu e até o sol deu as caras. Quando voltamos a tempestade desabou mas também já era hora da corrida de F1 em Interlagos e a gente não ia sair mesmo. Tivemos um bom final de semana, enfim.

Na semana passada fiz alguns testes gastronômicos aqui em casa. Primeiro testei a receita que tanto estava querendo com minhas forminhas de papel, enquanto não tenho as de silicone (já falei isso, né? sorry). Então. Fiz uma fornada de mini-chocolate-bites, micro bolinhos de chocolate absolutamente sem escrúpulos de tão irresistíveis. Receita é da brilhante Clotilde, que gentilmente publicou a mesma em seu delicioso food blog Chocolate & Zucchini e ainda me deu as dicas para fazer as pequenas doçuras. Thanks, Clotilde!

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Essa aí de cima foi a primeira fornada. Ficou bom e acabou rapidinho. A parte de cima fica bem sequinha e crocante e dentro continua fofinho e derrete na boca em segundos. Exatamente como eu esperava que ficassem, sucesso total.

A segunda fornada, porém foi um completo desastre. Achei que os bolinhos ainda precisavam ficam um pouco mais consistentes, juntei mais um ovo e um tico a mais de farinha. Foi um desastre completo. A massa ficou muito líquida e, com o calor do forno, transbordou das forminhas que ficaram praticamente um prato raso. Felizmente eu já havia previsto o desastre e havia forrado a forma principal com papel manteiga. Mas daí eu já estava morrendo de pressa de tirar do forno e acabei fazendo os bolinhos entrarem em colapso.

Queria fazer a receita mais uma vez, desta vez com as quantidades certas, já que no experimento fiz apenas meia receita. Ainda não sei se espero minhas formas chegarem ou se faço um bolão, como é a receita original. O importante é que fique bom, gostoso e principalmente que continue delicioso nos dias seguintes também, caso sobre um pouco ou caso seja necessário fazer um dia antes.

Enfim, foi bastante divertido fazer o teste, mesmo com o desastre que se seguiu.

Depois de tanto chocolate passei o resto dos dias da semana stuffing my face (como disse Mr.M) com mini (sim, ainda com mania de miniaturas) pitta breads e low-fat-low-cal houmous.

Houmous.jpg

Hmmmmm. Adoro. Principalmente quando coloco os pittas na torradeira e deixo eles estufarem bem gordinhos e depois coloco uns pinguinhos de azeite ultra-virgem por cima do houmous, junto os dois e como com grandes mordidas. Nham!

O próximo experimento deve ser um prato salgado que há dias não me sai da cabeça: Pão de Abobrinhas. É quase um bolo, quase um pão, quase uma torta. Bem úmida e com o aroma e o sabor inconfundível das abobrinhas. Preciso tentar. Não tenho forma de pão, então provavelmente vou assar pequenas mini broas de pão de abobrinhas. Bliss!!

:o)

Escrito a mão pela Marcia às 4:51 PM | mais em Greedy Cow

outubro 19, 2004

Delicatessen e TV

Ontem foi uma segunda-feira atípica e deliciosa. Martin tirou o dia de folga e tomamos café da manhã juntos, com cappuccino pra ele e latte pra mim. Um pouquinho mais tarde, eu ainda estava tagarelando a respeito das formas de petit-four e Mr.M teve a idéia de darmos um pulinho bem rápido em Westbourne, que fica a uns dez minutinhos daqui.

Fomos à minha lojinha querida com bilhões de coisinhas indispensáveis pra cozinha. Não encontrei nenhuma forma de silicone, mas também estava tão entretida com o mundo de outras mini-distrações que nem liguei. Acabei desenterrando um tubo de forminhas de brigadeiro entre o monte de outros moldes de papel. Pelo menos elas vão servir para eu fazer os testes com a receita que quero fazer, até comprar definitivamente minha forma francesa.

Cups.jpg

E quando eu já estava mais que satisfeitas com meus copinhos de papel, meus olhos logo bateram em algo que reconheci de imediato, já que minha mãe Dona Wal tem uma semelhante, porém bem melhor.

Este molde que mais parece uma feroz mandíbula é para fazer uma iguaria japonesa muito apreciada aqui em casa, chamada gyoza. São pequenas trouxinhas de massa bem fininha, com recheio de vegetais, que primeiro são fritas e depois cozidas no vapor e ficam absolutamente crocantes e derretentes na boca, mmmmmm.

Gyoza.jpg

Paguei nossas quinquillharias por menos de 3 Libras e saí da loja já querendo voltar. Mas o melhor ainda estava por vir.

Em Wesbourne há uma delicatessem linda chamada The Fridge, especializada em ingredientes e comidinhas finas. Um verdadeiro paraíso pra quem gosta de comer com os olhos antes de usar os dentes. Vários tipos de azeitonas, anchovas, queijos de todos os tipos, patês incríveis, chutneys ambiciosos, geléias glamorosas, um espetáculo!

Nós tinhamos entrado lá só para dar uma olhadinha, apesar da fome quase horário de almoço e da profusão de cheiros, cores e vidrinhos que falavam sussurrando no meu ouvido: "cooooompre-me".

Ah, quem disse que a gente resistiu a esses vidrinhos absolutamente cheios de presença aqui?

Jam.jpg

Este foi o primeiro que me conquistou, com seu potinho arredondado, papel recobrindo lindamente e o lacinho dourado-avermelhado arrematando tudo. Quando finalmente li do que se tratava não tive mais dúvida, ele voltaria para nossa casa conosco: Geléia de Morango com Champagne.

Pate.jpg

O segundo potinho conquistou Mr.M, que ama um bom patê bem feito. Eu gosto de patê também, mas não como muito por causa da alta concentração de Vitamina A. Mas este Patê de Pato com Armagnac, com pouquíssima carne de fígado também me cativou em cheio.

Voltamos e tivemos um almoço com fatias de pão torrado sobre os quais espalhamos generosas camadas do novo patê. Uma delícia.

E logo chegaram os instaladores da SKY TV, motivo pelo qual Mr.M estava em casa para supervisionar tudo. Em menos de uma hora eles instalaram nossa antena parabólica e nos conectaram a um mundo completamente novo para nós.

Couch Potatoes, é o que somos a partir de hoje.

:o)

Escrito a mão pela Marcia às 2:46 PM | mais em Greedy Cow

setembro 30, 2004

Pão com Sementes

Tô aqui tomando meu café da manhã. Eu normalmente não gosto de pão integral, não gosto do cheiro nem do gosto. Mas tem um que eu adoro, feito no supermercado Asda, que tem sementes de girassol e gergelim. Hummm. Adoro. É fofinho e tem um aroma delicioso. Daí passo manteiga e pronto, meu café da manhã está completo, obviamente acompanhado do chá com leite.

As obras estão paradas aqui em casa, ainda não fomos comprar a tinta e os materiais para vedar a parede e os azulejos. Então ainda estamos morando dentro do canteiro de obras.

Vou ali fazer mais uma fatia de pão com manteiga. *Ai que saudades do requeijãooo*....

Escrito a mão pela Marcia às 9:25 AM | mais em Greedy Cow

setembro 20, 2004

Filosofia Wagamama

Enquanto meu chá de camomila tá em infusão vou tentar escrever aqui o que estou tentando há algum tempo.

Já falei algumas vezes durante nossas excursões à Londres sobre o restaurante japonês chamado Wagamama, né? Cêis lembram? Num lembram? Tudo bem.

Na primeira vez que fomos eu havia gostado da comida mas não tinha gostado daquelas mesas comunitárias, todo mundo na mesma mesa, sentados no mesmo banco, sem muita privacidade. Mas a comida era boa.

Apesar de ser um restaurante japonês, não tem sushi nem sashimi. E não é lá amigo das rígidas regras culinárias japonesas. E também não se interessa a ser um restaurante 'típico' japonês, muito pelo contrário. Wagamama é atípico.

Voltamos numa outra vez e, como eu já conhecia o esquema, me senti melhor entre todo mundo. Na terceira e quarta vez comecei a amar o ambiente, a entender a proposta do lugar e relaxar com meu fartos pratos deliciosos.

(Com licença que preciso tirar o saquinho de chá da xícara. Pronto.)

O restaurante funciona mais ou menos assim: você entra, senta em uma das mesas comunitárias disponíveis, faz seu pedido para os atendentes (geralmente estudantes universitários fazendo bico) que carregam pequenos palmtops e em poucos minutos seu prato está na sua frente, fresco e quente. Há hashi e garfos disponíveis, pequenas conchas de bamboo para tomar o caldo dos noddles e todas as tigelas são laqueadas, de forma que a mesma não conduz calor mesmo com o caldo quente dentro. Então você tem a liberdade de segurar com as duas mão e levar a tigela até a sua boca para tomar o caldo, se quiser.

(Fuuu. fuuuuuuu. Quase esqueço de tomar o chá)

Nessa descontração encontra-se a filosofia do Wagamama. Positive thinking + positive eating. Mais ou menos como pensar positivamente e comer positivamente.

Fiquei tão encantada com essa idéia que acabei comprando o livro recém-lançado por eles.

Li com muito gosto (hihi) e passei a entender melhor o que eles propõem. Eles encorajam o que há algum tempo estamos perdendo, como a celebração, a união, em volta da mesa. Estamos cada vez mais individualistas, mais reservados, mais fechados. No wagamama não há reservas, não há ordem de entrada, prato principal e sobremesa. Não há regras e quase não há etiqueta. Tudo isso fica pra fora da porta. No interior da casa, há uma profusão de pessoas comendo juntas, conversas que se misturam, olhares que desviam, que se cruzam, que cumprimentam. Todo mundo vê e respira a comida que todo mundo pediu, os aromas se misturam, o paladar fica mais instigado. Pelo menos pelo curto espaço de tempo que dura a sua refeição, é possível ao menos ter uma idéia de como é bom estar em um ambiente onde a maioria quer mesmo isso para a vida: idéias positivas, pensamentos positivos e uma alimentação igualmente positiva em todos os sentidos.

(Ihh, o chá ficou frio)

Comecei a adotar a mesma filosofia aqui em casa. Ando meio cansada de ver a todo instante notícias e artigos desfilando listas de calorias, de dietas, de perigosos carboidratos, de açucares vilões, de artérias entupidas, de obesidade, de vigilantes, de vigiados, de Atkins, de aaaaargh! É um terrorismo tão grande, tudo faz mal, engorda ou mata. Mesmo quem segue uma dieta de bom senso fica apavorado. Não quero ter medo de comida, não quero ter culpa por aquilo que como e nem quero proibir nenhum alimento.

Eu quero sinceramente, para nós aqui em casa, é comer bem, saudavelmente e sentir prazer em comer bem. Comer suspirando e dizendo "hummmm, tá gostoso isso aqui". Terminar a refeição e pensar, "ahhh, tô tão feliz depois dessa refeição!"

E para isso, como aprendi no livro, é preciso preparar tudo com a mente positiva muito antes de ligar o fogão. Comprar poucos e bons alimentos, bem frescos, ao invés de estocar para durar o mês todo. Ter a cozinha limpa e arrumada antes mesmo de começar a cozinhar. Lavar bem as mãos, sentir-se bem de preparar o alimento pro corpo. Aí sim cortar e picar tudo com antecedência e usar o fogão o mínimo de tempo possível.

(O chá acabou e Mr.M comeu o resto do meu bolo)

No final de semana fomos à lojinha sul-coreana aqui perto de casa e compramos muitas muitas coisinhas japonesas. Ontem fizemos um jantar excelente, Martin me ajudou a picar uma porção de legumes bem fininhos que foram juntados às tirinhas de frango com molho teriyaki que estavam sendo cozidas em uma frigideira bem quente, por não mais que 10 minutos. Arroz japonês macio e grudadinho para acompanhar. Não deu nem tempo de perceber, já estávamos bem servidos de toda positividade possível.

(Hora de ir preparar o jantar, nhaaam!)

Escrito a mão pela Marcia às 4:56 PM | mais em Greedy Cow

abril 23, 2004

Muitos chefes em minha cozinha

Esta vida moderna às vezes se torna por demais exigente e demanda demais minha atenção ultimamente. É claro que é sempre em nome da segurança, da economia e da funcionalidade, mas muitas vezes me sinto patronizada, comandada, chefiada por eletrodomésticos estressados.

Tô aqui com minha vida tranqüila e minha cabeça de vento e tem sempre algum eletrodoméstico me atazanando os pacovás (onde ficam os pacovás, afinal de contas?? pensando bem, melhor nem perguntar). Tô ali na cozinha, linda, livre, leve e faminta para fazer qualquer coisinha e chegam os bosses apitando na minha cabeça, com deadline pra anteontem!

Se estou descongelando algo no microondas, na metade do tempo ele começa piiii, piiii, piii... e o letreiro nada simpático já vai logo mandando: "vire-do-outro-lado, vire-do-outro-lado, vire-do-outro-lado..." Nem um "por favor", "por obséquio", "por gentileza", nada. O que aconteceu com as boas maneiras, hum? Até eu perceber que o microondas está falando do alimento em não de minha pessoa, vou ali virar o tal para descongelar o outro lado. Mal abro a porta e o visor já começa piscar com outro mandato: "feche-a-porta, feche-a-porta, feche-a-porta..." De vez em quando eu respondo bem alto pro visor: "COMÉ QUE CÊ QUER QUE EU VIRE O PRATO SEM ABRIR A PORTA, INTÃO?!?!?" Humpf. Tenho paciência não. Daí eu viro o prato, mal fecho a porta e lá vem o visor comandando: "press-start, press-start, press-start..." E lá vou eu também: "EU SEEEI. EU SEI! HELLO-OU?"

Paciência, não.

Abro a geladeira, querida e silenciosa. Pego isso, pego aquilo, jogo fora aquele pacote plástico com um gremilin verde-musgo dentro que outrora fora um pé de alface, abro um pote de geléia pra ver se ainda tá boa, chacoalho a caixa de suco para ver quanto ainda tem e de repente piiiiiiiiii, piiiiiiiiiii, piiiiiiiiiii, piiiiiiiiiii... a geladeira que antes estava tão comportada agora se esgoela para que eu feche a porta neste instante, sem demora, já.

A máquina de lavar roupa, que por sinal fica na cozinha também, terminou o ciclo? Ah, por que não então fazer um pi-pi, pi-pi, pi-pi, pi-pi interminável e alto até a escrava correr e girar o botão para desligar? Por que não?

O forno terminou o tempo de assar? Vamos lá, todos juntos: piiii, piii, piii, piii... Abriu o forno e a fumaça do assado foi pro teto? Lá vem o todo poderoso supremo detector de fumaça a todos pulmões: PIIIIIIII PIIIIIIIIII PIIIIIIIIII PIIIIIIIII.

Argh. Não dá. Ou eu tô passando muito tempo na cozinha ou esses eletrodomésticos neuróticos precisam de um floralzinho de Bach. Assim não pode. Assim não dá.

:o)

Escrito a mão pela Marcia às 9:15 AM | mais em Greedy Cow

março 26, 2004

Esfomeados!

Vejam bem. Eu aqui falando desse fato inédito, anormal e incomum que é ter visita em minha casinha. Uma visita de conversar hoooooooras, de brincar com bebezinho novo, de ter alguém para falar português. Uma visita da maior importância para minha alma solitária.

E o que é que eu recebo de comentário? O que, meu God??? "Receita, queremos receita. Receita! Receita! Fome. Comida. Receita. ET. Phone. Receita." !!!!!!! Bando de gulosos, mortos de fome, esfomeados.

Cêis num sabem fazer torta de liquidificador não, é? Essa torta é daquelas que não cresce, a massa é pesada e densa. Muita gente não gosta, outros, mais desavidados, comentam "aahh, pena que não cresceu, né? " ou então "ihh, não deu certo, foi?". Ela é assim. Deixa a torta. Eu adoro ela pesada e densa (mas não com gosto de farinha, plis), pra comer fria a qualquer hora, cortada em cubinhos.

Vamos então à receita, que é de Dona Wal, aliás. Anotem aí:

TORTA DE LIQUIDIFICADOR

Massa:
3 ovos
1 xícara (chá) de óleo
2 xícaras (chá) de leite
2 xícaras (chá) de farinha de trigo
3 colheres (sopa) rasas de queijo parmesão ralado
1 colher (sopa) fermento em pó
1 colher (chá) de sal

Preparo: Bata tudo no liquidificador até formar um creme homogêneo.

Recheio: Pode ser qualquer um: atum, frango, legumes em cubinhos. Eu prefiro de frango e faço da seguinte forma. Desfio (quando tenho paciência) ou pico dois pedaços de peito de frango cozido. Numa panela refogo cebola com azeite, junto o frango, uma lata pequena (ou meia lata grande) de milho verde ou ervilhas (ou meia lata dos dois). Junto um pouco de molho de tomate (se tiver, se não coloco extrato de tomate mesmo ou até mesmo catchup). Tempero com sal, salsinha e pimenta. Deixo esfriar.

Montagem: numa forma untada e polvinhada com farinha de trigo, despeje metade da massa líquida. Coloque por cima todo o recheio e espalhe bem uniforme. Despeje o restante da massa líquida por cima do recheio e alise a superfície com uma colher. Polvilhe com queijo parmesão ralado. Asse em forno pré-aquecido a 180 graus, por mais ou menos 30 minutos, até ficar dourada e começar a rachar. Desenforme a torta quando estiver morna.

Pronto. Pode comer, seus gulosos.

ChickenPie.JPG

Ah, a tarde com minhas visitas foi deliciosa, by the way. :p

:o)

Escrito a mão pela Marcia às 6:17 PM | mais em Greedy Cow

março 19, 2004

Tea

--- pequena aula de inglês ---

TeaCrumpets.jpg

Havia um tempo na velha Inglaterra em que se fazia muitas refeições por dia. Comer pouco e sempre era a regra. O dia começava com uma ou duas canecas de chá, de preferência algo de sabor agradável sem ser muito forte, como o English Breakfast. Para acompanhar, muffins era uma boa pedida. Mas muffin para os ingleses não é aquele bolinho de chocolate e sim uma espécie de pãozinho macio para se comer com manteiga. Ou então a crumpets, que utiliza na sua produção uma massa bem igual à panqueca com o acréscimo do fermento, que faz o bolinho crescer e ficar cheio de buracos na superfície (foto acima).

Esta era a primeira refeição, nas primeiras horas da manhã. E para quem estava no trabalho pesado desde cedo, logo mais as 10 horas da manhã era preciso parar por um breve período pra recarregar as energias. E então vinha o breakfast propriamente dito. Agora o chá já poderia ser um pouco mais forte e se você vinha do norte, o Yorkshire Tea era a melhor escolha. E a refeição tinha que ser cheia de proteína, mas não tão grande que estragasse seu apetite no almoço. Então tínhamos: ovos, bacon, feijão (baked beans), linguiça, torradas, tomates assados e cogumelos. E mais uma xícara de chá, if you please.

De volta a labuta até a hora do almoço, que poderia ser de qualquer tipo, desde que no final fosse servido o digestivo chá Earl Grey.

Cinco da tarde era (e é até hoje) o horário que de largar o trabalho e ir finalmente para casa. O chá das cinco era mesmo uma instituição inglesa, a hora de relaxar e apreciar uma boa xícara da infusão. Afternoon Tea, como era conhecido, constituía-se na verdade de uma refeição farta com sanduíches, tortas de queijo, torradas com Marmite, bolo, geléias, compotas, cremes e, óbvio, uns dois bules de chá. E não é incomum de se ouvir nos dias de hoje alguém perguntar "what's for tea tonight?" e não, esta pessoa não está perguntando o que há para o chá esta noite e sim, o que há para o jantar já neste horário hoje em dia é quando fazemos nosso última refeição do dia.

Mas não na Inglaterra antiga. Não. Porque depois do Afternoon Tea, que eu me esqueci de mencionar, era servido com o chá de mesmo nome, vinha o Dinner, o jantar mesmo, com direito a puddings de sobremesa, que na verdade não tem nada a ver com pudim, mas sim com a forma que a sobremesa era feita: se era assada, então era um pudding. E uma xícara de chá para encerrar o tea, opa, o dinner, antes de ir ao pub encontrar os amigos e tomar litros de cerveja à temperatura ambiente.

E para quem já está estufado com tantas refeições, trate de arrumar mais um espacinho porque na volta do pub e antes de ir para a cama havia finalmente a última refeição do dia, menor que o jantar, mas igualmente importante. E esta última refeição era então chamada carinhosamente de Supper ou Suppa, que poderia ser qualquer coisa que você tivesse na dispensa. E daí você conclui o porquê do supermarket ter este nome.

:o)

--- fim da pequena aula de inglês ---

Obviamente, esses eram os tempos em que a maioria das pessoas trabalhavam pesadamente nas fazendas ou nas fábricas advindas da Revolução Industrial. Hoje a maioria das pessoas trabalham na frente do computador e estão cada vez mais cientes dos riscos de uma alimentação altamente calórica. Mas alguns costumes continuam muito vivos, como o full english breakfast uma vez ou outra e o tea a toda hora, a todo instante.

Se você prestar uma visita à um inglês, esteja preparado para aceitar pelo menos uma xícara de chá na sua chegada. Uma das primeiras frases que seu anfitrião vai dizer após chacoalhar sua mão é "I will put a kettle on, shall I?" ("Vou colocar a água pra ferver, tá bom?") com todo o entusiasmo. Seja um simpático convidado e aceite o chá. Com um pingo de leite, se lhe agrada. Cheers. :o)

Escrito a mão pela Marcia às 9:53 AM | mais em Greedy Cow

março 12, 2004

Presentes da Áustria

Apesar da correria e dos contratempos na viagem de volta, Mr.M não esqueceu de comprar presentinhos para mim. E não poderia ser melhor: chocolates da Lindt, a marca suíça que na minha opinião faz o melhor chocolate do mundo.

Lindt1.JPG

Lindt2.JPG

Thanks, my love! You are a dear.

:o)

Escrito a mão pela Marcia às 9:27 AM | mais em Greedy Cow

março 10, 2004

Jamie's Blog

Você sabia que Jamie Oliver também é um blogueiro?
Oh yeah, confira: www.jamieoliver.com/diary/
Pukka!

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março 4, 2004

Mamão

Dificilmente compro mamão aqui. É até relativamente fácil de encontrar, mas geralmente encontro uns bem verdes e não dá vontade de comprar. Mas no domingo passado encontrei uns mamões papaya no Sainsbury's que estavam mais amarelinhos. Quando vi a procedência -- product from Brazil -- decidi comprar. Agora a pouco fiz uma vitamina de mamão, banana e maçã, com leite. Huuuummmm, o sabor dos trópicos!

Escrito a mão pela Marcia às 11:06 AM | mais em Greedy Cow

fevereiro 24, 2004

Shrove Tuesday

Hoje é comemorado o Shrove Tuesday aqui na Inglaterra. Não é feriado, mas para os religiosos é o último dia de indulgência antes do início da Quaresma. Mas não é bem o aspecto religioso que me chama a atenção, mas sim o fato que o Shrove Tuesday é celebrado como o Pancake Day! Hooray! Sim, porque na época medieval, essa data era a época em que era preciso consumir todo o tipo de alimento de origem animal: gordura, derivados de leite, carne e ovos. E assim evitar o desperdício de comida durante o jejum da quaresma. E a maneira mais eficiente de fazer isso era preparando panquecas, que usam de uma só vez ovos, leite e gordura, além de alguma carne como recheio. A partir de então surgiu a tradição de comer panquecas especialmente neste dia.

Hoje aqui em casa teremos panquecas de frango e milho para o jantar e para a sobremesas teremos duas opções: discos de panquecas bem fininhas com Maple Syrup canadense ou com açucar e limão. Nhaaaam!!

Estava até pensando em fazer crepes suzetes, mas... oh preguiça.

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fevereiro 13, 2004

Banana, banana, banana

Dia desses fomos ao Asda fazer compra de coisas básicas para casa e no meio dos mantimentos todos coloquei também uma penca de banana. Uma dúzia. Porque eu gosto de banana, porque fazia tempo que não comia banana.

E esqueci completamente de checar o conteúdo da cesta orgânica desta semana.

Para o meu espanto, eis que recebemos outra penca de bananas. Agora temos uma dúzia e meia de bananas numa casa de duas pessoas, sendo que além de mim, o outro elemento que mora aqui não é lá chegado numa banana. "I don't do bananas", nas palavras do indivíduo.

E eu não tô afim de fazer bolo de banana ou doce de banana ou o que for porque sei que no fim vou ter que comer tudo sozinha mesmo, além das bananas que restarem. No máximo vou fazer uma vitamina de frutas que contenha, obviamente, a banana.

Pensei em enviar para o Monkey World como doação, mas como sei que eles são extremamente rigorosos com o controle de qualidade nutricional dos bichinhos e provavelmente teriam que mandar as bananas doadas para análise e certificar que eu não sou uma monkey serial killer.

Então fico com as bananas mesmo. Como uma por dia, gosto de colocar rodelinhas no meu cereal pela manhã. Mas sei que logo não vou querer mais ver banana nenhuma. Uff.

---- pequena aula de inglês ----

Vitamina de frutas igual a que temos no Brasil é chamada aqui na Inglaterra de smoothie. Ou então se a vitamina for feita apenas de banana e leite é chamanda de banana milkshake.

Então pelamordedeus não me vá entrar num pub, bater no balcão e dizer "gimma capricious vitamin, bródi!" ("me vê aí uma vitamina no capricho, mano"). Não, não, não. O máximo que você vai receber é a indicação da Boots mais próxima para comprar seus complexos vitamínicos. E nem vai adiantar reclamar "which one?!" ("qualé?!"), não, não.

Aliás nem entre num pub para sequer pedir uma smoothie porque pub não é bar de vitamina e sim, de cerveja morna. Alguns cafés ou lanchonetes oferecem, mas geralmente smoothie é algo que se faz na privacidade do seu lar.

E para finalizar nossa aula, banana aqui também é sinônimo de crazy, de loucura. Não é incomum de se ouvir "oh dear, she went bananas..." ("vixi, ela enlouqueceu de vez...").

Got it?

---- fim da pequena aula de inglês ----

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janeiro 8, 2004

Ano Novo, Cesta Nova

Este ano mudamos nossa cesta de legumes para cesta de legumes e frutas. É mais cara e vem menos legumes. Não sei se vai valer a pena, vamos testar por algumas semanas. Hoje já chegou nossa primeira nova cesta e veio banana, kiwi, maçãs, cogumelos, brócolis roxo, espinafre, alface, alho-poró e pimentão verde. Hum, até que não vem tão poucos legumes... Na outra cesta, estavamos desperdiçando muita batata e cenoura, não dávamos conta de comer tudo o que vinha, uff.

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janeiro 5, 2004

Refeição de Ano Novo

Com exceção de uma bacalhoada que fiz em Leicester, pouco cozinhei durante esses dias. De volta a nossa casinha, estava cheia de energia para voltar a pôr a mão nas panelas.

Ontem, nossa primeira refeição no nosso lar neste ano (e também ontem comemoramos 2 anos morando neste apartamento), preparei uma deliciosa lentilha!

Encontrei linguiça "calabreza" de Portugal no supermercado e estava ansiosa para preparar nosso prato de Ano Novo.

Primeiro refoguei as cebolas, o alho, pedacinhos de bacon e rodelinhas de calabresa. Depois coloquei as lentilhas lavadas (e previamente deixadas de molho) e cobri tudo com água. E então adicionei um cubinho de caldo de legumes. Deixei cozinhando em fogo baixo e lento até as lentilhas ficarem molinhas. Temperei com um pouco de pimenta moída na hora e adicionei um tiquinho de Thickening, que é um engrossante igual à maisena e deixei apurar por mais alguns minutos. Não coloquei sal porque não foi preciso e esqueci da folha de louro. Servi com arroz branco temperado e um beijo.

O resultado foi um jantar de inverno bem aconchegante, saboroso e com desejos de que o ano seja de muita prosperidade. :o)

Escrito a mão pela Marcia às 12:20 PM | mais em Greedy Cow

dezembro 22, 2003

Pato escandaloso

Na sexta-feira, estava eu preparando um jantar especial para nós dois: le canard à l'orange, ou pato com laranja. Comprei todos os ingredientes necessários e estava acompanhando direitinho todos os passos do livro de culinária francesa.

Duck1.JPG

Lá pelas tantas, a receita pedia para aumentar o calor do forno e regar o pato várias vezes com uma mistura de caramelo, suco de laranja, raspas de laranja e Grand Marnier. Reguei a primeira e a segunda vez. Quando fui regar a terceira vez, abri o forno -- que é elétrico já estava em seu calor mais quente -- e este juntamente com a mistura caramelada do fundo da forma, jogou pra fora da porta uma nuvem de fumaça enorme, que imediatamente subiu para o teto e acionou o alarme de incêndio do apartamento.

Enquanto eu desligava o forno e tirava o pato para fora, Mr.M já havia corrido para a cozinha para ver o que tinha acontecido e correu para desligar o alarme que já estava se esgoelando no piiiii, piiiiiii, piiiiii, piiiiiiiiiii.

Foram alguns segundos de pânico.

Duck2.JPG

Mas enfim, o pato estava assado, regado e incrivelmente saboroso! Ele não precisava ter feito todo o escândalo que fez, porque sua carne em si já tem um sabor muito distinto e o caldo de laranja com Grand Marnier fez a sua coroação dignamente. :o)

Escrito a mão pela Marcia às 12:00 PM | mais em Greedy Cow

outubro 8, 2003

Mr.M na Cozinha: Chicken Madras

Este post foi sugerido por Mr.M, que pediu que eu colocasse aqui as fotos do jantar indiano que ele preparou e fotografou.

Fennel Seeds sendo tostados e especiarias diversas sendo processadas



Cebolas na manteiga e especiarias sendo acrescentadas



Sobrecoxas fritas na mistura e leite de coco sendo adicionado



Panela tampada em fogo baixo e voilá, Chiken Madras sendo servido com arroz pilao e bolinhos de cebola

Ficou divino, uma delícia! Well done, my love!

Comentários para Mr.M são bem-vindos (e muito esperados!). Pode ser em português porque ele já é praticamente um brazilero. :o)

Escrito a mão pela Marcia às 9:15 AM | mais em Greedy Cow

setembro 25, 2003

Comida de Outono

Hummm, estou preparando para o jantar uma sopa que vi ontem no programa Rick Stein's Food Heroes. Claro que calculei tudo errado e a quantidade dá para alimentar a vizinhança inteira.

Soupe au Pisto
Soupe au Pistou.JPG


Apesar de ser fã incondicional de Luís Fernando Veríssimo, não, eu não concordo que a salsinha seja um mero confete verde que poderia ser cruelmente descartada do prato. Eu gosto muito dela! :o)

Depois eu conto o resultado!

PS: Eu sei, eu sei que o fogão tá sujo!

Update: ficou ótima! O pesto dá um sabor bem acentuado na sopa, não deve ser para todos os paladares, creio.

Escrito a mão pela Marcia às 5:16 PM | mais em Greedy Cow

setembro 19, 2003

Ontem, ao anoitecer

Ontem tivemos risoto de cogumelos e alho poró para o jantar.




Nham! :o)

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setembro 9, 2003

Isto existe?

Estava eu tranqüila e feliz com meu potinho de mel orgânico comprado depois de horas escolhendo entre todos os potinhos de mel da gôndola do Sainsburys.

Daí vem Mr.M me atazanar. Me perguntou como é que se poderia garantir que o mel é mesmo orgânico. E quem é que garante que uma das abelhinhas espertonas não fugiu do apiário e foi buscar o pólen lá na fazenda do vizinho que usa agrotóxico?

Não contente com minhas respostas sobre certificação e blablabla, Mr.M insistiu em achar que é impossível controlas as abelhas desgarradas.

Daí gastei toda minha carga de 1.5 segundos de paciência e fiz uma pesquisa nas intirnetis. Pois bem.

O mel para ser creditado como orgânico deve obedecer as seguintes regras:

• deve ser produzido, transportado, distribuído e embalado com total ausência de pesticidas sintéticos, adubos químicos, hormônios sintéticos de crescimento, e sem exposição aos raios radioativos;
• as colméias devem ser colocadas somente em plantações e pomares também declarados orgânicos;
• num raio de 3 milhas as culturas não poderão ser tratadas com pesticidas, e no raio de 2 milhas não podem existir estações de tratamento de esgoto, campos de golf e estradas principais;
• todas as superfícies de equipamento de contato com o mel devem ser de aço inox ou recoberta com camadas de cera;
• elementos químicos para repelir insetos estão proibidos.

Para mim ficou explicado que nenhuma abelha vai ser tão dãã de viajar mais de três milhas para colher o pólen enquanto ela tem toda uma cultura propícia para o mel à sua disposição. Mas Mr.M continua cético.

Enfim, mel orgânico existe sim e eu espalho-o nas minhas torradas de manhã. No chá não, odeio mel no chá. Só um pingo de leite, if you please.

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agosto 7, 2003

Cesta de Verão

Ai que maravilha. Nossa cesta de legumes desta semana acabou de chegar. Cozinhar neste calor tem sido um horror, quero distância do fogão. Temos comido muita salada, mas nosso estoque estava bem ralinho, só alface-tomate-pepino.

Hoje recebemos alface roxa, couve-flor, tomates-cereja, abobrinhas, swiss chard, cogumelos e um maço de manjericão que logo vai virar um pesto no jantar. Que alívio, vamos poder variar um pouco e sair do salada-frango, salada-peixe, salada-salada. Ou como Mr.M diz, rabbit food.Ufa!

E como fazia um tempão que eu não mostrava uma foto dos nossos orgânicos, aqui vai:

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Nham!

Escrito a mão pela Marcia às 11:21 AM | mais em Greedy Cow

julho 24, 2003

Os Chillies de Mr.M

Algumas semanas atrás, Martin comprou quatro vasinhos de pimenta, para ajudar um colega que cultiva as plantinhas para arrecadar fundos para caridade.

As plantinhas vieram em vasos do tamanho de um potinho de iogurte. Em pouco tempo tivemos que replantá-las em vasos maiores. Mr. M cuidou do replantio, das regas diárias, da adubação e das conversas. E agora as "plantinhas" estão virando árvores! Enormes, ocupam todo o parapeito da janela, não é possível nem fechar mais a persiana.

Mas o que é mais delicioso é ver as plantas darem frutos. Com um cotonete, Martin foi o responsável dela disseminação do pólen entre as flores e logo as primeiras pimentas começaram a nascer.

Em breve os chillies já poderão ser usados nos nossos jantares indianos e mexicanos. Eu estarei de perto controlando para que Mr.M não exagere na quantidade, já que ele adora pratos apimentados e alguns chillies são realmente, mas realmente muito fortes.

Eis as fotas das plantinhas:

Super Habanero, um dos chillies mais potentes do mundo
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Christmas Bell, começando a crescer
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Hot Mexican (Red Hot Chili Pepper), cheirinho de Tabasco
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Scotch Bonnet Big Sun, que ainda está começando dar flores
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Como vocês podem ver, as pimentas ainda estão bem verdinhas. Algumas vão se tornar amarelas e vermelhas, outras vão permanecer verdes mesmo. El Mexico és aquí!

Escrito a mão pela Marcia às 3:50 PM | mais em Greedy Cow

junho 27, 2003

Para Falar das Abobrinhas

Ontem, em nossa cesta de legumes, recebemos abobrinhas. Bem bonitas, lisas e lustrosas. Fiz uma receita que há tempos vinha pensando em fazer: Pasta com Molho Cremoso de Abobrinha. A receita é do chef Hugh Fearnley-Whittingstall, especializado em culinária rural (seja lá o que isso significa). É bem rápida e simples de fazer.

3 colheres (sopa) de azeite
2 dentes de alho picados
500g de abobrinhas fatiadas bem finas
3 colheres (sopa) de creme de leite
50g de queijo parmesão ralado
pasta cozida de sua preferência (fica bom com espaguete, penne e tagliatele)

1. Aqueça o azeite em uma panela grande e adicione o alho.
2. Frite o alho até dourar e junte então as abobrinhas cortadas em pedacinhos finos.
3. Adicione um pouco de sal
4. Cozinhe as abobrinhas devagar, mexendo sempre que pegar no fundo. Continue cozinhando até que as abobrinhas se transformem num creme concentrado, um pouco oleoso, mas de forma alguma aguado. Até atingir esse ponto vai demorar uns 20 minutos ou mais.
5. Dê uma misturada mais forte com a colher de pau, até as abobrinhas desmancharem por completo.
6. Adicione o creme de leite e o queijo parmesão ralado e cozinhe por mais um ou dois minutos. Teste o sal.
7. Junte a pasta cozida, misture bem até aderir todo o molho.
8. Sirva com mais um pouco de queijo parmesão ralado por cima.

Nós aqui adoramos a receita, ficou um molho bem cremoso e saboroso. É bom poder variar e sair do tradicional molho tomate. :o)

Escrito a mão pela Marcia às 10:40 AM | mais em Greedy Cow

abril 1, 2003

Roast Beef

(Para minha amiga Mary)

Como faz tempo que eu não publico nenhuma receitinha aqui e porque também a Mary me pediu umas dicas, vou escrever aqui o Roast Beef que faço em casa nas ocasiões especiais. Fazer é mais simples do que descrever, na verdade.

A Carne
Obviamente, o ingrediente mais importante deste prato. Escolha uma carne macia, de cozimento fácil, não pode ser dura. No Brasil, o filé mignon é o melhor corte para assar rosbife. Eu, porém, prefiro carnes mais firmes e de sabor mais forte, gosto de fazer juz aos meus caninos protuberantes. Aqui na Inglaterra é fácil, em qualquer supermercado se encontra o corte próprio, com a etiqueta de "Roast Beef", todo amarradinho, bonitinho para ir ao forno. Mas é possível fazer com os seguintes cortes europeus de carnes: Sirloin, Topside ou Rolled Rib. Eu fiz com Silverside, que é mais barato que os anteriores, e ficou muito bom também.

O Tempero
Muita gente gosta da carne só temperada com sal, para não alterar o sabor. Eu gosto assim, muitas vezes. Mas também fica muito bom fazendo uma crosta de tempero em volta da carne. Dá a impressão que vai ficar muito temperado, mas na verdade, o miolo da carne vai continuar inalterado, só as bordas é que vão dar um gostinho especial. Geralmente eu faço assim: numa tigelinha, esfarelo pedaços de pimenta preta moída na hora, junto sal marinho, alho picado e alecrim (ou qualquer outra erva da sua preferência). Reservo. Limpo bem a carne, mas não tiro a camada de gordura! É só não comer depois, mas é crucial assar com a gordura. Dou uma regada na carne com molho inglês (Worcestershire Sauce) e logo em seguida besunto-a com mostarda. Pressiono os temperos secos da tigelinha contra a carne, cubro e levo para a geladeira por algumas horas.

A Assadeira
Numa assadeira larga e funda, eu coloco quatro rodelas grossas de cebolas. Essas cebolas vão ser um berço para a carne, uma barreira de proteção contra o calor da assadeira, evitando assim queimar o fundo da carne (super-dica de Mr. Gary Rhodes). Despejo então mais ou menos duas xícaras de caldo de carne (daqueles de cubinho sem-vergonha mesmo), o suficiente para cobrir o fundo, mas não submergir as cebolas! A umidade vai fazer que a carne fique tenra e não-ressecada. Mas não deite a carne na assadeira ainda. Há um passo antes disso.

A Selagem
Numa frigideira funda ou numa panela grande, aqueça um pouco de óleo. Quando o óleo estiver bem quente, retire a carne da geladeira e frite-a por alguns segundos, de todos os lados. Bastam poucos segundos, até a carne mudar de cor. Pronto, dessa forma, a carne vai manter boa parte do seu suco em seu interior, mantendo-a saborosa e suculenta. Nham!

A Assadura
Deite a carne sobre as cebolas da assadeira, cubra com papel alumínio e leve ao forno à 180ºC por 20 minutos. Retire o papel alumínio e asse até atingir o ponto que você gosta. Uma forma de saber o ponto da carne é furando com uma faca até o centro. Coloque uma colher perto do orifício feito pela faca e pressione a carne, de forma que o suco interno escorra para a colher. Se o suco estiver vermelho, a carne está mal-passada. Se estiver rosa-claro, está ao ponto. Se estiver um marrom-aguado, está bem-passado.

O Descanso
Retire a carne do forno, cubra-a novamente com papel alumínio e deixe descansar por 15 minutos, para que as fibras relaxarem. A carne se mantém quente por bastante tempo, não se preocupe.

É isso. Depois é só fatiar e comer. Com o que restou na assadeira, dá para fazer um gravy, que é um molho muito, mas muito apreciado aqui. Basta adicionar um pouco de maisena dissolvida em água e misturar bem até formar um caldo grosso, para ser servido sobre o rosbife e os legumes que o acompanha.

:o)

Escrito a mão pela Marcia às 4:03 PM | mais em Greedy Cow

março 20, 2003

São Paulo Imports

Por que eu sou sempre a última a saber? Por que ninguém me contou isso antes?? Por que o Consulado Brasileiro não me mandou panfletos sobre isso??? Por quê a Rainha não fala disso na TV???? Por quê, meu God, por quê??

Enfim, vamos explicar. Descobri hoje que desde 1989 há um estabelecimento em Londres que responde pelo nome São Paulo
Imports
, ou simplesmente www.spi-london.com. Um nome que não diz quase nada, mas trata-se de uma loja. Mas não uma loja qualquer. Essa loja é simplesmente um paraíso para os brazucas desesperados nesta
terra que vive de Baked Beans. Um oásis, eu diria. A mais próxima definição do céu, indeed.

Tudo, tudo, tudo que você pode imaginar de produtos brasileiros que certamente fazem falta para um imigrante que visita sua terra natal esporadicamente. Tudo. Imagine você, caro leitor, os espasmos que tive lendo a listinha dos produtos vendidos na SPI. Confira:

Bombom SONHO DE VALSA Lacta (nhaaaaaaam!)
Farinha de Mandioca Torrada (e o meu feijão, como fica sem isso??)
Fubá granulado (cuscuz! cuscuz!)
Farinha Láctea Nestlé (AAAAAAAAHHHHHHHH, pricisu!!!)
Feijao Carioquinha (não se pode confiar num feijão similar vendido no Sainsbury's com o nome de Pinto Beans...)
Gelatina em Pó Royal (sobremesa light, muito, muito melhor que a porcaria do Jelly-O)
Goiabada em Lata (AAAAAAAAAAAHHHHHHHH, romeu-e-julietaaaaaaaa!!)
Guarana em Lata Antártica (não dá para não sentir saudades, mesmo não sendo mais fã de refrigerantes)
Mistura para Pão de Queijo Yoki (preciso dizer que esse pacotinho equivale a caixas e mais caixas de Prozac-Lexotan-Diazepan??)
Suco Maguary de Maracuja (AAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHH)

Viu, mãe, não precisa mais se arriscar mandando alimentos proibidos para sua filha nesta terra onde o sol nasce apenas cinco dias por ano bissexto, nem precisa mais descrever para o correio que está me enviando "livros, presentes, CDs" quando na verdade está me mandando salame, biscoitos, pão de queijo e tudo mais que é proibida a entrada.

Agora, estou em paz! Preciso só alugar um carreto para carregar minhas compras todas, quando for para Londres. Os preços são
adaptados para a realidade britânica, ou seja, são bem mais caros do que no Brasil, of course. Mas uma vez ou outra por ano, vale a pena! E como vale. O endereço é esse aqui:

Queensway Market - Unit E3 23-25 Queensway - Bayswater - London W2 4QJ Loja : 020 8599 8382 Escritorio Tel: 020 8599 8382 Fax 020 8548 3836 E-mail: spi_london@compuserve.com Homepage: http://www.spi-london.com

Eles ainda vendem produtos de cuidados pessoais, revistas, CDs, livros e jornais, todos brasileiros. Fazem até assinatura de
revistas, bem mais em conta do que via Editora Abril, que cobra preços exorbitantes pela entrega internacional. AAAAAAAAHHHHHHHHHHHH, eu quero tudoooooo! Quando parte o próximo trem para Londres, hã??

Ah, sim!!! Muito importante dizer que eles fazem entregas de todos os produtos em toda Europa!! Basta dar um telefonema, mandar um e-mail ou um fax para o manager Juarez Eduardo Regis ou para a Brenda, para se informar melhor. Belezinha, não??

:o)

Escrito a mão pela Marcia às 10:49 AM | mais em Greedy Cow

março 12, 2003

Chicken Soup for the Soul

Jantamos uma sopinha que fiz bem ralinha, bem basiquinha, frango, cenoura, parsnips e salsão. Não ando boa esses dias, precisava de uma sopinha para me aconchegar.

Escrito a mão pela Marcia às 7:14 PM | mais em Greedy Cow

março 9, 2003

Bolo de Chocolate sem Ovos

Aqui vai a receita traduzida para quem quiser tentar fazer o bolo que fiz. No Brasil, talvez fique melhor usando aquele chocolate em pó da Nestlé, que tem os dois frades na embalagem, deve ser mais suave do que o cacau puro. E para o paladar brasileiro, acredito que vai ser preciso também adicionar mais açúcar.

450g farinha de trigo
6 colheres (sopa) de cacau em pó
2 colheres (chá) de fermento em pó
2 colheres (chá) de bicarbonato de sódio
300g de açúcar
125ml óleo vegetal
300ml água
2 colheres (sopa) vinagre branco destilado (geralmente usado para fazer picles e conservas)
2 colheres (chá) essência de baunilha

1. Pré-aqueça o forno em 180ºC. Peneire a farinha, o cacau, o fermento e o bicarbonato de sódio numa tigela grande.
2. Misture todos os ingredientes líquidos em outra vasilha. Despeje os líquidos na mistura seca de uma só vez e bata até ficar uma massa homogênea.
3. Coloque a massa numa forma de 23cm de diâmetro e asse por mais ou menos uma hora, ou até que espetando uma faca até o fundo ela saia limpa. Coloque um disco de papel alumínio no topo do bolo se começar a ficar muito escuro. Retire do forno e deixe esfriar na forma.
4. Vire o bolo e espalhe uma cobertura de chocolate de sua preferência.

:o)

Escrito a mão pela Marcia às 10:52 AM | mais em Greedy Cow

março 7, 2003

Eggless Cake

Hoje finalmente vou tentar fazer um bolo de chocolate que há semanas venho pensando em fazê-lo. O problema é que eu precisava de alguns ingredientes que não tinha aqui e tive de adiar a estréia dele.

Peguei a receita assistindo ao programa Tony & Giorgio, na BBC2. Na TV, o bolo ficou espetacular, fofíssimo, levinho e bem escuro. Ah, sim! E quem fez a receita foi a filha do Giorgio, a italianinha Margherita, de cinco anos.

Se tudo der certo e se o bolo for realmente tão bom quanto estou esperando que seja, colocarei a receita aqui, traduzida. :o)

Update: AAARRRGH!!! Ficou muito amargo, acho que coloquei muito cacau! O bolo ficou enorme e agora quem é que vai comer tudo aquilo, hã???

Escrito a mão pela Marcia às 11:29 AM | mais em Greedy Cow

Prazeres de Preparar um Prato com Carinho

Ontem fiz, meio que às pressas, uma mini-bacalhoada. Por incrível que pareça tinha todos os ingredientes à mão: cod (o peixe), batatas, cebolas, pimentões, azeitonas pretas, azeite e leite de coco.

Todas as vezes que preparo o bacalhau, sempre faço com muito carinho, arrumando as camadas com cuidado e fervendo em fogo médio. E em todas as vezes, recebo como cumprimento de Mr.M: "Humm, este é meu prato favorito".

Fico bem feliz! :D

Aliás, Mr.M, este belezinha, sempre que termina o jantar me dá um beijo e agradece pelo prato. Um cute-cute, é isso que ele é. :o)

Escrito a mão pela Marcia às 11:21 AM | mais em Greedy Cow

março 4, 2003

Pancake Day

Êêêê!!! Hoje é o Dia da Panqueca! Fala a verdade, só uma cuca torta bretã para ter um dia para comemorar a panqueca. Na verdade é uma data internacional e deve ser realizada na véspera da Quarta-feira de Cinzas, na primeira refeição após o Jejum Cristão. E por que justamente a panqueca? Simplesmente porque ela contém quatro pontos de crucial significância para esta época do ano, simbolizados por:

• Ovos = criação
• Farinha = parte da vida
• Sal = integridade
• Leite = pureza

Enfim, hoje é dia em que toda a nação vai fazer panquecas. A preferida deles é: um disco de panqueca regada de limão e
polvilhada de açúcar. Mas eu vou fazer panqueca de frango para o jantar, normalíssima. A receita que eu tenho é básica e bastante simples. Quer tentar?


Massa de Panqueca

2 ovos inteiros
2 gemas
2 colheres (sopa) de manteiga derretida
1 1/2 xícara (chá) de leite
1 xícara (chá) de farinha de trigo
1 colher (chá) de sal

Bata tudo no liqüidificador. Unte uma frigideira com um pouquinho de manteiga e frite as porções de panquecas.

:o) Happy Pancake's Day para você!

Escrito a mão pela Marcia às 12:54 PM | mais em Greedy Cow

fevereiro 23, 2003

Esfiha

A receita ficou boa, mas usei bem menos farinha do que pedia. Acho que a farinha daqui é muito mais seca. Fizemos uma versão
geração-saúde com ricota, que ficou bem sem graça. Matei minha vontade. Agora só no ano que vem!

Escrito a mão pela Marcia às 6:33 PM | mais em Greedy Cow

Esfiha


Estou à procura de uma boa receita de esfiha. De repente me lembrei da rede Habib's e agora estou morrendo de vontade de comer esfiha aberta.

Update: encontrei uma boa receita de esfiha na Cláudia Cozinha. Vou tentar à tarde. Agora vamos para a academia perder as calorias que logo mais iremos ingerir. :o)

Escrito a mão pela Marcia às 11:54 AM | mais em Greedy Cow

fevereiro 18, 2003

Receita enviada pela Dona Walkíria


Minha mãe me mandou a receita por e-mail e disse que já fez duas vezes e ficou ótimo! Amanhã vou no supermercado para tentar encontrar algo similar ao biscoito de maisena.

Falso Pudim de Leite

Ingredientes
4 ovos
2 xícaras (chá) de leite
3/4 de xícara (chá) de açúcar
8 biscoitos tipo maizena

Para o Caramelo
1 xícara (chá) de acúcar
1/2 xícara (chá) de água

Modo de preparar
Derreta o acúcar para o caramelo, junte água e deixe formar uma calda. Caramelize uma fôrma para pudim e reserve.
Deixe os biscoitos de molho no leite até amolecer. Junte os ovos e o acúcar e bata tudo no liquidificador. Despeje na fôrma caramelizada e leve a assar em banho- maria por aproximadamente 40-45 minutos, ou até que espetando um palito ele saia seco. Bom apetite!

Parece fácil e barato. :o)

Escrito a mão pela Marcia às 1:20 PM | mais em Greedy Cow