outubro 29, 2013

Bourton-on-the-water Model Village

Passamos uma semana em The Cotswolds, região de Gloucestershire famosa pelos vilarejos pitorescos e tradicionais. Um dos lugares que visitamos por lá foi o Model Village em Bourton-on-the-water, uma réplica miniatura do próprio vilarejo.

Impressionante a atenção nos detalhes, cada telha dos telhados foi colocada cuidadosamente uma a uma. As paredes de pedras são da mesma cor que as cottages do vilarejo. Os musgos e fungos estão crescendo igualmente nas superfícies.









Mas o que mais me fez suspirar foram as plantas, todas reais, podadas em estilo bonsai. As trepadeiras tradicionais na fachada das casas e as árvores de castanhas (que geralmente são imensas) são incríveis.













Para Miss S o mais divertido foi se sentir uma gigante e bater em todas as portinhas, feito coletor de impostos...









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junho 3, 2013

Back to The City

Mr.M voltou do México numa quarta-feira e na quinta, fomos eu, criança de dois anos e cinco meses e marido jet-lagged de novo para Londres. Chegamos às duas da tarde e fomos direto pro Regent's Park com a intenção de levar Miss S no London Zoo. Mas durante a caminhada deliciosa por dentro do parque perguntamos várias vezes se ela queria ver os animais. Quer ir ver o leão? "Não." Quer ir ver os macacos? "Não." Quer ir ver a girafa? "Não." Quer ir ver as lontras? "Não." Que ir ver as borboletas? "Não, eu vi a borboleta ontem."

Então mudamos de planos. Atravessamos a ponte e caminhamos pela área tranquila e agradável do Regent's Canal em direção à Little Venice. Miss S andou bastante pela margem do rio, viu patos com filhotes e as embarcações charmosas.







Voltamos pro Regent's Park em direção ao hotel, com Miss S ainda andando pra todo lado. Paramos para soprar sementes de dandelions e Miss S achou a coisa mais engraçada do universo! Ano que vem todo o parque vai estar coberto de dandelions, you're welcome Your Majesty.






Encontramos um café que estava vazio e entramos para descansar tomando chá e comendo bolo de chocolate que faz tudo ficar melhor.






Fizemos check-in no hotel, adoramos o quarto, bem equipado, com geladeira vazia para as comidinhas de Miss S (e nosso vinho). Pedimos sushi e tempura no restaurante japonês vizinho e Miss S comeu yakisoba e um pedaço de baguette meia-boca do supermercado. E dormiu o sono dos justos, sem se mover a noite inteira.

No dia seguinte nos separamos: eu fui caminhando por meia hora até o Consulado; Mr.M e Miss S foram passear no Boating Lake e Queen Mary's Park. Eu adorei essa caminhada bem de manhãzinha, sozinha pela primeira vez. No Consulado tudo correu bem, fui extremamente bem atendida e já estou de posse de um novíssimo passaporte azul-marinho biométrico e com chip, que ficou pronto em cinco minutos.

Já que estava em Oxford St aproveitei para ir a Selfridges pronta para comprar macarons de Pierre Herme. Mas sendo uma yorkshire lass assim que vi o preço 7 por £17 eu exclamei "HOW MUCH?!?!" e não comprei. Fui para a patisserie Paul e comprei uma baguette de respeito para Miss S e croissant de amêndoas para nós. Caminhei pela Baker Street até chegar ao parque e encontrar com Mr.M e Miss S que estavam sentados na sombra. Quando ela me viu, Miss S veio correndo ao meu encontro me abraçar. Aww. Ela quis saber o que tinha nas sacolas e logo quis sentar e comer a baguette. Mr.M perguntou se estava bom e ela levantou o polegar. My girl.






Almoçamos e voltamos pro hotel para Miss S dormir. Eu fiquei com ela e Mr.M saiu para vasculhar as lojas de Tottenham Court Road. Quando Miss S acordou fomos andar pela região e entramos no British Museum para mostrar a ela a magnífica entrada. Ela ficou admirada, quem não fica, em qualquer idade? Essa deve ter sido nossa quinta visita ao museu e a arquitetura ainda arranca suspiros. De volta pra rua, passamos em frente a um restaurante Wagamama e Miss S reconheceu e apontou e disse que queria comer pasta. Tentamos virar o carrinho mas ela entrou em pânico, pediu pra voltar e entrar. Valeu a pena porque desta vez Miss S comeu tudo que veio no yakissoba: frango, milho, legumes, ovos e todo o noodles. Geralmente ela só come os noodles e deixa todo o resto. Só por isso já ficamos satisfeitos.

Mesmo sabendo que o lugar estaria o inferno na terra resolvemos ir a Covent Garden mostrar os artistas de rua pra Miss S. Fazia anos que não visitávamos o local e pelo que me lembrava tinha uma loja do Peter Rabbit, M&S, algumas de decoração, além do mercado tradicional. Agora tem Chanel, Laduree, Apple Store... how time changes.

Assistimos a um dos artistas de rua, mas Miss S não estava nem um pouco impressionada. Eu fiquei bem na vitrine da Laduree, suspirando ainda sobre os macarons não-comprados de Pierre Herme. Mr.M insistiu para que eu comprasse os Laduree já que "if mama ain't happy, ain't nobody happy". Fui lá, esperei uma eternidade na fila porque, ao contrário de mim, ninguém na fila tinha uma toddler lá fora lhe esperando impaciente, então cada um demorou várias vidas para escolher seus míseros sabores. Chegou a minha vez e pedi rapidamente dois-chocolates-dois-vanilas-dois-amoras-dois-chocolates-de-ghana-please. E comprei uma caixa de 8 por £13. Assim que saí com a minha sacolinha, Miss S mudou a expressão, abriu um sorrisão, pegou a sacola e bradou bem alto: "I'm having a good time!!!" ("eu estou me divertindo!!!") My girl.






No dia seguinte tínhamos pouco tempo além de tomar café da manhã, mas Mr.M e eu seguimos firmes em nosso plano de experimentar os top 10 melhores cafés artesanais de Londres. Já fomos ao Monmouth e nossa idéia era ir ao Tap do lado do hotel. Mas no sábado abria só as 10h, então caminhamos mais um pouco até a Kaffeine. Tomamos flat white que estava muito bom. Havia grãos de café de Minas Gerais a venda. O grande destaque porém ficou para a focaccia com ovos, salame e queijo. Miss S roubou vários pedaços do meu pão.





Voltamos aliviados porque tudo deu certo na minha documentação e porque por tabela nos divertimos bastante. Desta vez a viagem mostrou que precisamos ser ultra-flexíveis com nossos planos e ter sempre uma alternativa para não nos frustrarmos. Foi bom também levar Miss S em lugares que antes evitaríamos por ser muito lotado, sem lugar pro carrinho, sem atração pra ela. Foi bom perceber que é possível.

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outubro 31, 2012

Fall is a Big Orange

Este ano em particular o outono na Inglaterra está absolutamente maravilhoso. Geralmente a gente tem um final de verão com muito vento e chuva, que acaba derrubando as folhas das árvores antes que elas mudem de cor. Este ano, no entanto, choveu e ventou o verão inteiro, mas no final ficou um pouco mais ameno e as árvores estão espetaculares. Algumas Maples estão em degradê que vai da cor vermelha intensa, passando pela laranja, amarela e verde, parecendo em brasa. As Japanese Acers estão vermelhíssimas. Outras estão inteiras douradas ou enferrujadas ou bem amarelas. As folhas caídas são outra atração, por enquanto. Logo as folhas caem todas e as árvores ficam peladas por muitos longos meses e a gente até esquece como elas são com folhas.


















E pra finalizar o post outonal, nossa primeira abóbora de Halloween. Vi a idéia no Pinterest, comprei a dentadura no Tesco por 7p (7 centavinhos da Rainha! E ainda brilha no escuro). Miss S assistiu à minha escultura enquanto almoçava. Não entendeu nada, mas fez um único comentário:

"That's a BIG ojam, Mummy" ("Essa é uma laranja BEM grande, Mummy")

Escrito a mão pela Marcia às 5:11 PM | mais em That British Kingdom | Comente este fragmento(8)

outubro 24, 2012

Ye Olde Friars and the Sweet-Toothed Girl

Sempre que visitamos Lake District é impossível para mim deixar de fazer ao menos uma visita à linda casa de chocolates e confeitos Ye Olde Friars em Keswick.

Quando eu assistia Willy Wonka and The Chocolate Factory nos anos 80, imaginava que aquelas lojas em que Charlie comprava os chocolates Wonka só existiam no filme. Em minha mente infantil, em nenhum lugar no mundo poderia existir uma loja exclusivamente de chocolates e doces como àquelas do filme.

Hoje percebo que não apenas essas lojas existiam (e algumas ainda existem), mas que também Roald Dahl descrevia fielmente essas lojas no livro. Ye Olde Friars é uma dessas casas de doces tradicionais, dessas da época de Roald Dahl, dos velhos moldes ingleses. Tubos de balas coloridas nas paredes, vendidas a granel. Chocolates artesanais e trufas nos balcões de vidro. Pirulitos multicoloridos, gomas de frutas, toffee, fudge, marshmallows. Biscoitos, cookies e shortbreads. Potes de geléias, chutneys, mel sólido, lemon curds. Tudo muito bem apresentado, bem arrumadinho mas ao mesmo tempo tudo ao seu alcance.














Miss S não sabia direito o que fazer naquela casa Ye Olde Friars na primeira vez que entrou. Ela ainda nem sabe o que é pirulito ou bala ou qualquer outro doce que não seja biscoito ou chocolate. Compramos pra ela um pacote de botões de chocolate ao leite. Na segunda visita ela já foi pegando tudo o que via pela frente e colocando dentro do carrinho dela (little shoplifter!). Mas compramos só mais um chocolatezinho em formato de rena de Natal pra ela. E para nós, duas barras de chocolate com granulados de cacau, minha geléia marmalade predileta e um pacote de trufas ao rum. ♥

Espero que essas casas de doces continuem a existir por muitos anos e não fiquem apenas na imaginação de quem um dia ler a história de Willy Wonka and the Chocolate Factory. Porque o charme e o encanto dessas casas transforma a experiência de comprar um simples docinho preferido numa ocasião especial, reservada às férias, às celebrações, às fantasias de um momento perfeito.

Willy Wonka: Try some more. The strawberries taste like strawberries, and the snozzberries taste like snozzberries.
Veruca Salt: Snozzberries? Who ever heard of a snozzberry?
Willy Wonka: [grabbing Veruca's mouth and pinching it a bit to hold it open] *We* are the music makers... and *we* are the dreamers of dreams.



Escrito a mão pela Marcia às 2:20 PM | mais em That British Kingdom | Comente este fragmento(3)

outubro 23, 2012

The Lakes and the Trooper

Passamos uma semana de férias em Lake District. Foi a primeira vez que Miss S visitou a região onde o Daddy dela nasceu e cresceu. E mesmo com a chuva, Lake District não desapontou, não deixou de nos impressionar com sua beleza natural monumental. Quando visitamos o primeiro lago em Brockhole, Miss S exclamou: "Look at THAT!" que fez valer a viagem toda.

Foi também a primeira vez que estive em Lake District no outono (em breve um post sobre o outono deste ano, stay tuned). A beleza das árvores foi uma surpresa à parte, não me cansava de admirar as folhas vermelhíssimas das Maples trees. Eu e, claro, todos os turistas japoneses que fazem a peregrinação ao museu e à cottage de Beatrix Potter.

Miss S brincou muito nos lagos e riachos, jogou pedras, viu peixes, borboletas, passarinhos, colheu folhas, pulou em todas as poças d'água, viu o oceano Atlântico, visitou um Aquarium, um museu de lápis de cor, um Garden Centre mais completo do Reino (ela adora Garden Centres, mais do que playgrounds), comprou seu primeiro livrinho de Peter Rabbit. Mesmo nos dias em que eu e Mr.M estávamos irritados com o mau tempo, ela corria pra todo lado, rindo e gritando "I need umbrellaaaaa" ("eu preciso de guarda-chuvaaaa"). Teve apetite dobrado: "Mummy I want dinner. I want pasta. Dinnertime Mummy. What's on your plate? I want pasta." ("Mummy eu quero jantar. Eu quero pasta. Hora de jantar Mummy. O que tem no seu prato? Eu quero pasta" -- ela está tagarela assim) e dormiu a noite toda como uma pedra. Sinal de férias bem aproveitadas, não?



























Escrito a mão pela Marcia às 3:50 PM | mais em M&M Family | mais em That British Kingdom

julho 29, 2012

"When our time came, we did it right" - Seb Coe

Danny Boyle, diretor da Cerimônia de Abertura das Olimpiadas de Londres 2012, uma vez respondeu a uma entrevista que a melhor coisa de ser os próximos depois de Beijing 2008 é que não é possível superá-los; é um novo começo, uma página branca para criar.

De certa forma, o mundo inteiro não tinha grandes expectativas. E talvez por isso mesmo a Cerimônia foi tão surpreendente. Ou talvez, mais provável, porque foi mesmo espetacular.

E pela repercussão nacional neste arquipélago onde predominam nay-sayers e reclamões, o ponto mais alto da Cerimônia não foram os efeitos especiais ou produções milionárias, mas sim o mais puro e inteligente humor britânico. A capacidade de fazer piada de si mesmo é o que faz esta nação ser tão orgulhosa de seu "Britishness" e acima de tudo ser tão humana.

Para Mr.M, os melhores momentos foram:


  • A homenagem a Isambard Kingdom Brunel (1806-1859), engenheiro mecânico e civil, que revolucionou os meios de transporte e a engenharia moderna em inúmeros projetos inovadores

  • Os anéis olímpicos sendo forjados em aço, representando o trabalho tão característico da história da região de Sheffield

  • A presença de Sir Tim Berners-Lee, inventor da WWW, sem a qual você leitor não poderia ler o que escrevo aqui (não que Berners-Lee se importasse com isso)

  • O design maravilhoso da Pira Olímpica em cobre

Para mim, os melhores momentos foram:


  • A Rainha como Bond Girl! Fantástico exemplo do bom humor e espírito esportivo. Segundo o The Times, o roteirista Frank Cottrell Boyce havia dito ao Palácio que seria possível usar uma dublê e fazer alguns cortes de enquadramento. O Palácio respondeu: "No, the Queen really wants to do it". Brilliant.

  • O hino nacional sendo cantado em linguagem de sinais.

  • A homenagem ao Great Ormond Street Hospital, um dos mais importantes hospitais infantis do mundo, especializado em tratamento e pesquisas de doenças e condições infantis gravíssimas.

  • JK Rowling lendo trechos de Peter Pan. Desde 1929 todos os royalties de Peter Pan (livros, filmes, teatros, merchandise etc) são doados para o Great Ormond Street Hospital.

  • Rowan Atkinson (Mr Bean) fazendo o que ele faz de melhor

Para Little Miss Sophie, que agora acha que dormir é para fracos e assistiu até as 22h, os melhores momentos foram:

  • Os balões estourando na contagem regressiva: "Balloon!! 'Other one! 'Other one! 'Other one! 'Other one! Again?"
  • A chuva de Mary Poppins e seus guarda-chuvas! Miss S está começando a falar frases e uma das frases mais longas que ela sabe falar é "It's raining AGAAAIN, Mummy. Umbrella!!"
  • Os anéis olímpicos: "Ring! It's Bigger!!"
  • O hasteamento da Union Jack Flag: "Flag! It's Bigger!!"
  • As crianças em pijamas: "Jim-jams. Bed. Boing-boing."

E para todos nós, um dos discursos mais bonitos recentemente, feito por Sebastian Coe, chairman dos Jogos Olímpicos 2012:

(...)"To my fellow countryman I say thank you, thank you for making all this possible. In the next two weeks we will show all that has made London one of the greatest cities in the world. The only city to have welcomed the games three times. Each time we have done it the world faces turbulence and trouble, and each time the games have been a triumph.

Our history as a thriving commercial centre, as a place were the people of all nations have for centuries, come to meet as a city that never stands still. This history has prepared us for today. For us too, every Britain just as the competitors this is our time.

And one day, we will tell our children and our grandchildren that when our time came we did it right!

Let us determine, all of us, all over the world, that London 2012 will see the very best of us."


Escrito a mão pela Marcia às 2:46 PM | mais em That British Kingdom | mais em What's on Telly | Comente este fragmento(6)

abril 4, 2012

Springtime Changes



Semana passada rolávamos na grama





Hoje de manhã





Opção 1: Comer na cama assistindo Cbeebies





Opção 2: Levantar e se fazer útil
(ela aponta para a uva passa no chão caso tenha passado despercebido)



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dezembro 6, 2010

One in a Century

Quando aconteceu a nevasca no ano passado, os meterologistas comentaram que foi uma ocorrência rara que deve acontecer apenas uma vez a cada 100 anos.

Well, ou o século passou muito rápido ou tivemos uma nevasca bem pior em menos de 10 meses.

A quantidade de neve e as baixas temperaturas que tivemos na semana passada quebraram todos os records existentes desde que as medidas começaram a ser registradas, em 1854.

Em nosso vilarejo alcançamos 50cm de neve e temperatura mínima de -9.2ºC.

Em Grampian, Escócia, a temperatura mínima marcou -23ºC. Impressionante considerando-se que no mesmo dia o Pólo Norte registrou temperatura de -14ºC.

Algumas fotos daqui de casa:



Os carros ficaram onde estão por dias





Vista da porta da frente





Vista da porta dos fundos





Vista da vizinhança



A paisagem agora está diferente dessas fotos. A neve toda continua por aqui, agora endurecida pela chuva que caiu e pela atual temperatura de -5ºC. Mr.M e os vizinhos limparam a rua, as entradas das casas e os carros e muitos puderam voltar ao trabalho. Ainda estamos sofrendo com o gelo terrível compactado nas ruas e as condições perigosíssimas das calçadas. A prefeitura tem se preocupado em limpar apenas as vias principais por enquanto.

E agora que alcançamos a 36ª semana na gravidez, também conhecida como o nono mês, estamos apreensivos com a inconveniência dessa neve toda. No caso de emergência, uma ambulância 4x4 virá nos resgatar. Ou se essa ambulância não estiver disponível, a polícia nos socorre e nos leva até onde uma ambulância normal pode chegar.

Embora seja bom saber que teremos esse apoio caso precisarmos, seria bem melhor poder ir e vir sem ter que pensar nas condições metereológicas lá fora.

Ah sim, e Pepe the Blackbird continua bem e saudável. Vem pedir suas uvas passas todos os dias e passa o resto do tempo espantando outros blackbirds e mostrando quem é que é o dono do pequeno jardim.




Pepe sobrevivendo à nevasca do século




Escrito a mão pela Marcia às 9:01 AM | mais em That British Kingdom | Comente este fragmento(13)

março 29, 2010

The Hallé Orchestra

Para celebrar o aniversário de Mr.M que é hoje, decidimos de última hora ir assistir a orquestra sinfônica The Hallé, no Sheffield City Hall, no sábado. Essa orquestra é a mais antiga do Reino Unido (e a quarta mais antiga do mundo), fundada em 1858 por Charles Hallé.

O programa da noite incluiu:

Wagner Lohengrin Preludes to Acts I and III
Mozart Oboe Concerto
Tchaikovsky Symphony No.4

Romance melancólico (Wagner), entusiasmo bucólico com ovelhas saltitantes (Mozart) e drama oh-my-god-drama, mais drama, heart-attack-drama (Tchaikovsky).

Nossos assentos não eram dos melhores, na verdade eram um dos últimos lugares para a noite de lotação esgotada: bem na frente do palco, atrás do maestro, o bonitão Nikolaj Znaider:





Estávamos tão próximos do palco que se o maestro caísse para trás cairia no meu colo. Porém não temam, já que tal queda acidental não aconteceu (no such luck).

E para nossa surpresa, adoramos a experiência de estarmos tão, tão próximos da orquestra. A acústica estava excelente, mas mais que isso, pudemos vivenciar o intenso esforço físico de cada músico, a expressão no rosto, a concentração nos olhos ora na partitura, ora no regente. A respiração, os movimentos do corpo, a postura impecável. E a coreografia precisa dos dedos, dos arcos, do ar sendo soprado, dos tambores retumbando.

Pra mim, um dos pontos mais interessantes de estar com o nariz no palco foi ter visto os fios dos arcos dos violinos e dos cellos arrebentando-se durante os frenéticos movimentos, que não faltam quando se trata de Mozart e Tchaikovsky. A concertmaster teve dois fios do arco arrebentados e o primeiro violinista teve quatro! Você está ali assistindo ao violinista e de repente pling!!! O arco ganha um fio longo dançando no ar, junto com o movimento. Na primeira oportunidade o violinista discretamente arranca o fio metido a celebridade e continua tocando.

Porém, fio metido nenhum tira o espetáculo do maestro. Nikolaj Znaider é considerado um dos maiores violinistas da atualidade que recentemente se transformou num aclamado maestro. Cheio de carisma, ele sorri para cada um dos músicos, olha nos olhos de cada um que rege e demonstra toda emoção possível em seus gestos, trazendo toda a orquestra numa certa harmonia que mesmo completos leigos como eu conseguem perceber que se trata de um grande maestro.

No final os aplausos foram infinitos, o maestro voltou para agradecê-los por três vezes!

Enfim foi uma noite memorável. Não era a primeira vez que havia assistido a uma orquestra, amo Mozart e já havia assistido a outros concertos e algumas óperas. Toda vez que estou ali na platéia em meio a toda aquela profusão magnífica de sons sinto-me privilegiada de ainda ter audição suficiente para me encantar com esses momentos tão preciosos.

O melhor de tudo foi ver Mr.M feliz da vida, adorando cada minuto e depois comentando detalhes por dias e dias.

Happy Birthday, my love. ♥

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fevereiro 19, 2010

Old York

No meio desta semana fui participar de um evento perto da cidade de York. Mr.M foi comigo e aproveitamos para passar uma noite na velha cidade de York. Ficamos num Bed & Breakfast bem simpático e Pickles the Bear que foi conosco aprovou o quarto pequeno porém confortável.


The Bed




and the Breakfast




Para quem gosta de história, York é fascinante. Fundada pelos romanos em 71 A.D., York era toda cercada por uma fortaleza militar construída em pedras. Ainda nos dias de hoje boa parte dessas muralhas continuam intactas e preservadas.














Uma das grandes atrações da cidade é a catedral York Minster, uma das maiores catedrais góticas da Europa. Arquiteturalmente é magnífica, mas a não ser que Michelangelo tenha passado uma tinta no teto, eu sinceramente não tenho interesse em visitar igrejas. Muito menos quando cobram entrada de £8 por pessoa.










Em vários pontos da cidade é possível encontrar casas medievais em suas arquiteturas originais, da era Tudor. As famosas estruturas em troncos são impressionantes. E as tortuosidades dão um charme e uma personalidade toda especial. Em toda Inglaterra é possível encontrar arquiteturas Tudor "falsificadas", mas em York elas são the real thing, que sobreviveram muitos séculos.


















Uma das áreas mais charmosas da cidade é uma ruazinha chamada The Shambles, que lembra bastante a descrição de Diagon Alley, dos livros de Harry Potter. Estreita, pavimentada em pedras, estruturas medievais. No século 14 The Shambles era a área comercial dos açougueiros, que exibiam seus produtos nos "shambles", nome dado às prateleiras no parapeito externo das janelas. Hoje é uma área bastante popular entre turistas e sempre muito lotada.






















Um dos "shambles" ainda preservado
















Mrs. Tiggy-Winkle by Steiff




Enfim, adoramos passear por York, esta cidade tão cheia de personalidade, história e charme. Há um grande debate no país sobre o quanto da sua identidade a Inglaterra vem perdendo, mas eu sinceramente acredito que por mais problemas que o país enfrente, há um certo aspeto da história britânica que é e sempre será amplamente preservado. Não apenas por causa da ação incansável de algumas organizações, mas também porque ninguém quer deixar de admirar certos tesouros de épocas tão distantes e que existem em tantas partes deste Reino.





I ♥ Old York.

Escrito a mão pela Marcia às 1:09 PM | mais em That British Kingdom

janeiro 15, 2010

My Winter Gear

Este post não tem a intenção de ser um guia, uma vez que neste meus muitos anos acumulados tenho aprendido às duras penas que "tudo que sei é que nada sei".


Depois de muitos invernos batendo os dentes e ficando azul, finalmente acredito que nos dois últimos invernos estive confortável porque que tenho usado as roupas e os acessórios adequados pro inverno britânico. Não comprei tudo de uma vez, mind you, cada peça foi comprada aos pouquinhos de acordo com a lâmpada que acendia na cabeça. E isso levou uns bons oito anos.

Em meus primeiros invernos nesta terra esquecida pela sol usava minhas roupas do Brasil, que se resumiam em blusas de lã, algodão e um casaquinho. Jamais foram suficientes para enfrentar temperaturas negativas, com geada, vento e chuva ao mesmo tempo. Eu mal podia ficar poucos minutos fora de casa que passava frio e ficava emburrada (ainda fico se passo muito frio ou muita fome, mind you).

Minha irmã, que então morava no Japão, me enviou gentilmente vários casacos de lã e de nylon mais quentinhos e realmente me ajudaram imensamente por algum tempo. Mas ainda assim eu precisava usar muitas blusas por baixo.

O pai do Martin foi o primeiro a sugerir minha mudança de vestimenta: "você precisa de thermals", ele me disse um dia na casa deles que não tem aquecimento central. Thermals são roupas fininhas de uma malha ultra-macia que você usa por baixo das roupas normais. Geralmente são vendidas nas áreas de lingerie das lojas de departamento; existem modelos masculinos e femininos. Na Inglaterra, é bem comum e barato comprar os thermals no Marks & Spencer e foram lá que comprei meu primeiro par.

Então minha vida mudou. Como ficam quase colados no corpo, eles mantém o calor mas sem incomodar. E são discretos para não aparecer por baixo da sua roupa normal. Mas eu sei que falando assim, você leitor já está lembrando da sua tia velha com as ceroulas encardidas. De fato, o princípio é o mesmo. Porém, se você quiser se distanciar da idéia de "roupa da terceira idade", há uma outra opção chamada baselayers, que são thermals voltados para esportistas e montanhistas, disponíveis em lojas de esporte "outdoor". A qualidade e tecnologia envolvida são superiores e, portanto, são mais caros. Mas valem a pena, são excelentes e ao invés de se sentir uma tia velha (o que sou, na verdade), você se sente um atleta olímpico:


O próximo passo foi encontrar um casaco. Na Inglaterra chove. Muito. E você precisa sair na chuva inevitavelmente. E provavelmente sem guarda-chuvas por causa dos ventos. Comprei um bom casaco a prova d'agua e com forro de fleece quando estávamos na África do Sul. Usei por muitos anos e me mantinha aquecida e seca. Porém era pesado. Em caminhadas que demoravam horas, eu chegava em casa morrendo de dores nos ombros e emburrada (provavelmente com fome também). O mesmo acontecia com sobretudos de lã, muito peso e sem proteção contra chuvas.

Nas viagens à Lake District, fui apresentada aos Down Jackets, que são casacos feitos de penas de gansos. Jamais vi nenhum ganso tremendo de frio e provei um. Oh my good lord almighty. Pesa próximo a nada e aquece imediatamente. E é fofo, macio, confortável, delicioso e quentinho. Nunca mais olhei pra trás. Encontrei Jesus e ele é um ganso. O meu é um daqueles que você fica parecendo um boneco Michelin, mas há outros modelos diferentes, em que você fica parecendo uma lagarta:


Na verdade não importa porque como a maioria dos Down Jackets não são à prova d'água, é preciso usar também um outro casaco por cima, os waterproof jackets. Se tiver Gore-tex, excelente, se não há vários sprays pra repelir a água, que funcionam bem também. Há alguns casacos em que o capuz gira com a sua cabeça o que é excelente para atravessar a rua, por exemplo. Os dois casacos juntos (down + waterpoof) não pesam nem um terço do que o meu antigo casaco pesava.


Há ainda os Down Jackets à prova d'agua, geralmente são o topo da linha e portanto, mais caros:

Nas pernas, eu geralmente uso o thermal e calça jeans ou calça de caminhada que é mais flexivel. Porém, assim como o casaco, é crucial ter uma camada à prova d'água. Acredite, não é nada agradável arrastar um jeans enxarcado de chuva, pesado e gelado num dia de frio cortante. Emburração na certa. Mas a salvação está próxima e é barata. São os overtrousers ou rainpants, calças de nylon seladas, que depois de usadas podem ser dobradas e colocadas na bolsa (geralmente são vendidas com uma bolsinha).


Algo que aprendi desde o ano passado é que a neve é linda e tal, mas que com o tempo vira um lamaçal desgramento, cheio de barro, óleo e xixi de cachorro. E que gruda na sua calça. Recentemente adquiri os gaiters, para proteger a barra da calça se eu não estiver usando o overtrouser. É um item essencial também para quem mora na roça, como nós, onde a lama impera. Depois de usado basta colocar na máquina de lavar e seca rapidinho.


O que nos leva finalmente à questão dos calçados. Geralmente boas meias de caminhada e um bom sapato confortável bastam. Porém, em casos extremos em que temos gelo e neve, um bom solado é crucial. Pense num pneu careca no gelo. É preciso um solado com vincos profundos para não escorregar. Lojas outdoor decentes têm sempre rampas e diferentes superfícies para você testar o solado quando estiver provando botas de caminhada. Eu havia testado um par, comprado e levado pra casa. Fiquei com ela o dia todo (andando no carpete) mas não estava contente. Voltei à loja, testei mais algumas e finalmente encontrei uma que serviu bem e troquei. Hoje é meu calçado mais fiel em tempos de chuva, barro, gelo e neve. E longas caminhadas.

Acessórios como luvas, chapéus e cachecóis, são escolhas pessoais, mas não menos essenciais. A perda de calor pela cabeça e colar são grandes, algo que só aprendi aqui na Inglaterra. Manter a cabeça aquecida faz uma enorme diferença. No momento estou a procura de um chapéu ideal. Ainda não encontrei. Como uso os aparelhos auditivos (que não são mais pinks há muitos anos, mudei pra uns mais modernos, que agora são brancos), gorros muito apertados machucam e provocam microfonia. Minha mãe tricotou um pra mim, bem macio e colorido e tem me ajudado bastante. :-)

Ah sim, vale lembrar que toda essa indumentária é para enfrentar o frio lá fora por algumas horas. Dentro de casa, restaurantes, lojas e afins há aquecimento central e a temperatura é agradável. Nosso aquecimento dentro de casa está programado para 19ºC, então mesmo em casa visto uma blusa. As mais confortáveis pra mim são as de fleece, já que o contato direto com a lã, angorá ou cashmere me dão alergia.

Se me cabe dar apenas uma dica aqui: eu tenho 1m56 e sou basicamente petite, calçando size 3 (34 no Brasil). Com essas dimensões, encontro calçados e roupas em tamanho juvenis, voltado para adolescentes. Então quase tudo relacionado acima comprei na área "kids", pagando menos da metade do preço adulto e sem VAT porque vestimentas infanto-juvenis são livres de impostos. E também aproveito para comprar roupas de inverno perto da primavera, quando as lojas estão loucas para se livrar do estoque de inverno. No ano passado comprei um casaco waterproof com 50% de desconto.

Enfim... se você estiver apenas visitando países com climas parecido com os Inglaterra por alguns dias, muito provavelmente vai ficar super bem com as roupas que trouxer, sem precisar comprar nada a mais. Como mencionei no começo, isto não deve servir de guia. São apenas itens que funcionaram comigo, talvez não sirvam pra mais ninguém. Mas, se como eu, você estiver enfrentando um clima miserável dia após dia, mês após mês, décadas após décadas, ter alguns desses itens é a diferença entre viver confortável ou eternamente emburrada.




:o)

Escrito a mão pela Marcia às 11:18 AM | mais em An ordinary life | mais em That British Kingdom

janeiro 8, 2010

From Above



Foto bacaninha tirada do satélite da NASA,
mostrando a extensão da neve no Reino Unido:



Ontem fez -20ºC na Escócia.
A última vez que fez um frio tão intenso na Inglaterra foi em 1963.

A BBC esteve no nosso vilarejo mostrando as imagens da quantidade de neve acumulada e aproveitaram para também fazer uma matéria dos moradores esvaziando as prateleiras do supermercado local. A manchete dizia: "Pânico no vilarejo: pão, leite e ovos em falta".

Aye, we want our breakfast, luv!

No dia seguinte à reportagem o supermercado tinha pão, leite e ovos empilhados até o teto e em todos os corredores.



Icicles






Ameaçando entrar






Sarcástico céu azul



Escrito a mão pela Marcia às 11:21 AM | mais em That British Kingdom | Comente este fragmento(5)

janeiro 6, 2010

Big Freeze

Ontem nevou forte por mais de 14 horas, sem parar. Novo record para a Inglaterra.
Mr.M estava saindo para viajar ontem quando os aeroportos fecharam e ele teve que cancelar. :-)
Hoje passamos a manhã toda tentando remover a neve da entrada da nossa casa e da Misty.
















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janeiro 4, 2010

Hello 2010






































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dezembro 20, 2009

White Christmas

Se a temperatura continuar abaixo de zero durante esta semana, terei meu primeiro Natal com neve na Inglaterra. Hoje nevou muito. Quase tanto quanto a nevasca em Janeiro deste ano. As fotos abaixo mostram só a metade da quantidade de neve que acumulou nesta tarde. Continuou e continua nevando até agora, já de noite.


Nossa árvore holly, a verdadeira árvore de Natal




A ex-casa do Spikey,
abrigando Misty que está hibernando




Blackbird na nossa árvore Silver Birch
adoro o tronco branco




Blackbird com neve nos joelhos




Um conhecido de vocês: Pepe,
mal-humorado com a neve e com a demora da garçonete



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novembro 20, 2009

Cockermouth Underwater

Hoje as manchetes dos jornais trazem a triste notícia sobre as fortes chuvas que causaram enchentes terríveis na região de Cumbria.

Uma das cidades mais seriamente afetadas foi Cockermouth, a cidade em que Martin nasceu, morou e cresceu. A cidade está completamente irreconhecível com quase três metros de água. Três pontes desabaram, Northside, Lorton Bridge e Southwaite. Mais de 200 pessoas foram resgatadas e 11 pessoas estão desaparecidas. Temos amigos e parentes em Cockermouth, felizmente todos estão bem.



Northside Bridge A597 - Photo: BBC





High Street em Cockermouth - Photo: PA



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setembro 16, 2009

Annual Agricultural Show

Todos os anos em Setembro a nossa cidade promove um dos maiores eventos agriculturais do norte da Inglaterra. O evento é uma tradição que acontece há mais de 150 anos, originalmente criado para promover a agricultura, horticultura e interesses associados ao campo. Atualmente, o festival que acontece em apenas um dia, involve além da exposição de animais, música, competição, muita comida regional, demonstrações de ferreiros, construtores de dry walls, artesanato e uma infinita quantidade de comércio local.

Este ano foi o primeiro ano que participamos, já que no ano passado estávamos no Brasil. Os pais do Martin vieram também para nos acompanhar. Não tínhamos muitas expectativas e acabamos nos surpreendendo. O evento ocupa acres e acres de terra, há muito para se ver e se entreter.



Gente de toda parte veio prestigiar o evento



Piggy



Grumpy Pig



Gado do tipo Scottish Highland



Versão menor



Meu canto favorito: magníficas aves de rapina



Falcão Lanner



Corrida de camelos. Yawn....



Exposição dos vários tipos de ovelhas britânicas
com demonstração de corte da lã e apresentação bem engraçada


O dia estava excepcionalmente lindo, céu azul, sol e sem vento (raríssimo aqui em Wuthering Heighs). Encontramos alguns amigos, comprei alguns bulbos de flores, comemos sentados na grama, tomamos sorvetes. Acabamos ficando até o final, nos divertimos bastante. De volta pra casa, fizemos um churrasco e esperamos a esquadrilha Red Arrows voar sobre a nossa cidade. Foi um bom dia.

Escrito a mão pela Marcia às 11:39 AM | mais em That British Kingdom | Comente este fragmento(7)

junho 5, 2009

First Vote





Ontem foi o dia em que votei pela primeira vez como súdita britânica e foi para escolher os membros do Parlamento Europeu. Imensa diferença para quem vem de um país onde o dia de eleição é feriado, com lei seca, voto obrigatório e filas. O dia de eleição aqui não é feriado, mas as urnas ficam abertas até as dez da noite. O voto é facultativo, pode ser feito pelo correio ou por proxy. E o melhor de tudo, o nosso "colégio eleitoral" é o nosso pub local, hooray! Então Mr.M e eu fomos ao pub com nossos cartões eleitorais, pegamos uma mesa, pedimos o jantar, além de uma pint de ale pra ele, uma taça de vinho pra mim e nem me lembro mais se coloquei xis ou coraçãozinho na cédula.

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maio 19, 2009

RHS Chelsea Flower Show

O Reino está em polvorosa. Bem, pelo menos a parte do Reino que curte jardinagem porque nesta semana começou o consagrado festival Chelsea Flower Show realizado pela Royal Horticultural Society. É um enorme evento em que vários designers, cultivadores e paisagistas fazem suas exposições e instalações magníficas, cada um com seu tema de escolha. O primeiro dia do evento, que foi ontem, é apenas aberto aos juízes, à imprensa e à Sua Majestade a Rainha, que visita o festival todos os anos. No segundo dia, hoje, foram distribuídas as medalhas para os melhores da exposição e as portas foram finalmente abertas para o público.

Para quem não pode ir à Londres, a BBC faz uma competente e completa cobertura do evento, com vários especialistas dando seus pitacos. Eu assisto com caneta e bloquinho em mãos para anotar os nomes das plantas e flores.

O que mais chamou minha atenção este ano foi a categoria "Pequenos Jardins" onde os designers não apenas trouxeram suas plantas e idéias, como também construíram partes das casas, com paredes, janelas, portas, telhados, calhas, ruas, postes, tudinho para ficar mais realista. E cada graça de jardinzinhos!

Eis alguns dos meus preferidos (fotos do website da BBC):



Nature Ascending
Designed by Angus Thompson and Jane Brockbank



The Fenland Alchemist Garden
Designed by Stephen Hall and Jane Besser



The Witan Wisdom Garden
Designed by Nicholas Dexter



Entente Cordiale
Designed by Patricia Thirion and Janet Honour


Escrito a mão pela Marcia às 1:38 PM | mais em That British Kingdom | Comente este fragmento(8)

abril 15, 2009

A Good Easter

Melhorei a passos largos e passamos o feriado de Páscoa, que aqui duram 4 dias, fazendo o que mais gostamos: caminhando pelo English Countryside e comendo chocolate.


A primeira trilha foi no vilarejo vizinho, caminhamos 5 km.



Vimos cordeiros.



Mr.M checou o mapa antes de entrarmos na floresta.
Mas acabamos nos perdendo e saindo no meio de um campo de golf.



Encontramos nosso caminho de volta
e fomos recebidos por gansos selvagens.


No dia seguinte caminhamos ao redor do nosso vilarejo.


Caminhamos por 9.5 km ou 16,700 passos.



Vimos galinhas sortudas admirando a paisagem.



Encontramos com um Stoat selvagem fofíssimo.



Stoat é da família de mustelídeos, parente do Ferret.
Apesar do tamanho, eles caçam coelhos e galinhas.



Vimos mais cordeiros.


Atravessamos um riacho com pedras laranjas.


A subida de volta foi exaustiva, quase 100m de altura.
Aqui havíamos alcançado o topo, finalmente, e olhávamos para trás.



E tudo terminou em Real Ale, no nosso pub local.
1 Pint of Old Speckled Hen pro Martin, 1/2 Pint of Yorkshire Tetley's pra mim.



These Boots are Made for Walking.


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março 13, 2009

Red Nose Day

De todos os eventos de caridade que acontecem neste reino, o único que eu adoro é o Comic Relief. O evento, que também é conhecido como Red Nose Day (porque você pode comprar o nariz de palhaço e ajudar a causa) é bienal e foi criado em 1985 por Richard Curtis, escritor de muitos filmes, entre eles Quatro Casamentos e Um Funeral.

Durante o mês do Comic Relief, vários comediantes britânicos se reúnem para fazer quadros cômicos exclusivos e paródias de shows populares para arrecadar fundos para crianças desamparadas na Africa e no Reino Unido. Um deleite para quem curte (e entende) o humor britânico.

Ontem foi a vez de parodiar o programa The Apprentice, com Sir Alan Sugar, algumas celebridades e comediantes. O mais engraçado foi o delicioso comediante mau-humorado Jack Dee falando pro Sir Alan: "eu gostaria que o senhor demitisse o cara que conta as cadeiras aqui no boardroom porque tem sempre alguém de pé e sem água". Tee-heee...

Mas o melhor de todos os sketches feitos para o Comic Relief, na minha opinião, foi o de Ricky Gervais e Stephen Merchant, em 2007. Genius:

Apesar do evento durar o várias semanas, hoje é a grande noite em que os melhores sketches vão ao ar pela BBC, depois das nove da noite que é o horário que pode falar palavrão e ficar pelado na BBC. É uma boa sessão pipoca mesmo quando não é o melhor e eu adoro dar risada.

Pickles the bear, apoiando o Red Nose Day

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fevereiro 9, 2009

Before the Thaw

Ontem fizemos uma pequena caminhada na área rural onde moramos, enquanto a neve ainda está por aqui. Não sei quando teremos a chance de andar com a neve pelas canelas novamente. Logo tudo vai derreter e só restarão essas fotos para lembrar.









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fevereiro 3, 2009

Then it Got Worse...






Tivemos mais 20cm de neve na noite passada sobre os outros 20cm que já estavam por aqui. Fazendo as contas você percebe que a neve já está quase na minha cintura. O caminhão do supermercado não conseguiu entrar na nossa cidade e cancelaram a entrega. Se nevar por mais alguns dias passaremos fome. Mas tudo está tão lindo, tão quieto, tão branco, tão fofo. É raro, bem raro ter tanta neve assim na Inglaterra, por isso o país não está tão preparado quanto os países que têm esse tipo de problema todos os anos. O council não limpa ruazinhas residenciais, só as avenidas principais e obviamente as estradas. Pela manhã nós e nossos vizinhos gente boa tentamos limpar nossa rua. Mas depois de uma hora de trabalho braçal desistimos por causa da camada grossa de gelo por baixo da neve e porque a gente não ia conseguir limpar tudo até a rua principal de qualquer forma. Então em casa estamos. Os pássaros estão bem, todos sobreviveram à noite gélida, inclusive pobre Stumpy na foto. Meu estoque de sementes acabou, estou à espera da entrega para hoje, mas duvido que chegue. Ainda tenho outras guloseimas para oferecer, mas não muitas. Oh, drama, drama.

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fevereiro 2, 2009

So Much for Spring...






Caiu muita muita neve nestes dois dias. A maior nevasca em 18 anos.
Mais neve está prevista para esta tarde e o departamento de transporte pediu para que só saiam de casa aqueles que realmente precisarem.
Mr. M está trabalhando em casa hoje e eu estou servindo de garçonete para um bando de pássaros mau-humorados, famintos e sem modos.

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janeiro 20, 2009

The Old British Post Box

O vilarejo que moramos é muito muito antigo. Os primeiros registros da região datam do século XI. E um dos poucos marcos desse passado distante que ainda existem por aqui é nosso velho e amigo Post Box, a nossa caixa de correio. O estilo é Wall Box, construídas para ficarem acomodadas dentro de uma parede, ao contrário das populares colunas cilíndricas chamadas Pillar Box, que todo mundo compra réplicas de souvenir em Londres. A do vilarejo tem as iniciais "VR", que significam Victoria Regina. E não se trata de um nome composto de personagem da novela das sete. Não, não, não. Victoria Regina quer dizer Rainha Victoria. Concluímos então que nossa querida caixa vermelha do correio data da época do reino de Sua Majestade Vicky, entre 1837-1901.



IMG_0462S.JPG


Então hoje coloco minhas cartas, minhas contas a pagar e meus cartões na mesma caixa em que há muito tempo atrás moradores enviaram longas cartas comentando sobre o novo livro de Karl Marx (1848) e de Charles Darwin (1859). E outros enviaram opiniões sobre a nova teoria de Einstein (1905). Outros escreveram cartas preocupadas ou de incentivo ou de adeus para aqueles que estavam prestes a enfrentar a Primeira (1914) e Segunda (1939) Guerras Mundiais. Outros mandaram cartões só para poder usar o selo que celebrava a coroação da Rainha Elizabeth (1952). Enquanto que alguns mandaram cartões para Winston Churchill felicitando sua aposentadoria (1955). Muitos ainda enviaram comentários sobre a primeira vez que o homem andou na Lua (1969). Outros escreveram seus lamentos sobre a morte de W.H.Auden, Pablo Picasso, J.R.R.Tolkien e Pablo Neruda (1973). Esses últimos, sem saber que nesse mesmo ano, nasciam duas pessoas que viriam a se encontrar e a morar neste mesmo vilarejo e usar esta mesma caixa de correio, enviando assim pedaços de suas histórias também.

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janeiro 5, 2009

Freezing Start

Ano novo, nova era glacial. Começamos o ano com 48 horas de temperaturas negativas na média de -4.5ºC.
Frio dolorido, intermitente e ameaçador. Nos outros dias tivemos temperaturas mais amenas, entre -2ºC e 0ºC, praticamente uma sauna.

Como o de costume, caminhamos bastante durante o feriado de Natal e Ano Novo. Nos encantamos com as paisagens e trilhas que descobrimos, bem ali na soleira de nossa porta.











Num dos dias mais frios, um fortíssimo fog pairou sobre nós. Caminhamos mais do que devíamos e voltei com meus cabelos congelados. Sem dúvida um dos dias mais frios que jamais vivi aqui na Inglaterra.



Hoje nevou bastante e, apesar do sol, a temperatura vem decaindo. Nesta manhã fria faz -2.8ºC e a previsão é chegar a -6ºC ao anoitecer. Muita comida e água à disposição dos passarinhos, que estão numa corrida absurda para encher as mini-barrigas de muitas calorias e sobreviver a mais uma noite.

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outubro 31, 2008

Halloween Treat





Primeiro Halloween aqui no vilarejo, ontem. E, ohmygod, que coisa fofa, todas as crianças estavam fantasiadas. Só tem uma escola aqui e todas se conhecem. A tarde (depois das aulas, qua aqui terminam às três da tarde) houve uma festinha pra elas no cinema da cidade -- pois é, menina, tem até cinema aqui, coisa mais linda toda decorada com azulejos, anúncios dos filmes pintados à mão, feito cinema de cidade do interior. E nessa festa, fantasia era obviamente obrigatória.

Então o resto do dia tinha crianças para todos os lados vestidas em fantasias fantasmagóricas, algumas realmente caprichadas. Passei no Co-op mas já não havia mais abóboras para fazer Jack O'Lantern, fica pro ano que vem. Recebemos mais uma abóbora na cesta desta semana, mas de novo não tive coragem de disperdiça-la, já que a outra estava tão gostosa. Mesmo sem carinha, coloquei a abóbora na janela.

Estávamos preparados com muitos mini-chocolates Twix e mini-caixinhas de uvas passas Marks & Spencer. Nada de mini-muffins caseiros recém-assados porque afinal vivemos num mundo de paranóia.





Às seis e meia começaram a chegar os primeiros Trick or Treaters.

Ouvimos risadinhas atrás da nossa porta.

"Hihihi, bate na porta, hihihi."
"Hihihi, eu não, bate você."
"Hihihi, eu não, você."
"Hihihihihihi" Toc, toc, toc.

Atendi.

"Trick or Treat!!!!!!! Hihihihihi..."

Duas bruxas e um Darth Vader. Demos os doces, as crianças agradeceram, o pai deles agradeceu e deu tchauzinho lá da calçada.

Depois vieram duas coisinhas mais pequenininhas e fofas, dois fantasminhas, uma menina e um menino. Bateram na porta bem fraquinho, quase não ouvimos. Abrimos e os dois ticos de gente falaram bem baixinho:

"Tick o teat..."

Morremos de rir com a pronúncia e a fofura, eles ganharam porção dupla de chocolate, já estavam indo embora quando lembraram, voltaram e disseram "Thank you". E a mãe deles também deu um tchauzinho.

As crianças maiores começaram a chegar, agora desacompanhadas de pai e mãe. Um esqueleto e um monstro vieram e Mr.M atendeu. Eu dava as porções exatas pra cada criança, mas Mr.M não tem muito respeito ao meu esquema estruturado ultra-organizado e estendeu a vasilha de doces pros meninos pegarem o que quiserem. E pro meu espanto, um deles falou pro outro: "Pega um só, um só" E os dois pegaram um chocolate cada. Mas Mr.M insistiu, pega mais, olha aqui, leva essa caixinha também. E um deles perguntou o que era.

"Uva passas", respondeu Mr.M.
"Ah, não, não gosto", falou o "monstro".
"Mas faz bem pra você, leva um" insistiu Mr.M
"Não, não, não gosto. Thanks."

Viram, só? Mr.M é um softie. No meu esquema infalível não há opções: as crianças levam o que eu entrego e pronto, não tem negociação. Mr.M, porém, acredita que no dia seguinte nosso jardim da frente vai estar cheio de caixinhas de uva passas jogadas por crianças indignadas e enfurecidas. Oh well, pelo menos não sou tão estraga-festa quanto aqueles que dão pasta de dente. Ou aqueles que deram pedra pro pobre Charlie Brown. Ainda.

Um grupo de garotas apareceu, bem maquiadas de vampiras e bruxas. E ao invés do "trick or treat" elas disseram Happy Halloween em coro, antes de estender suas sacolinhas. Foram bem educadinhas, agradeceram bem animadas.

Nosso estoque quase acabou. O nosso limite era até oito e meia da noite, depois disso apagaríamos as luzes de fora e fecharíamos as cortinas porque ficar atendendo a porta na escuridão das nove da noite não é lá muito seguro. Mas nem foi preciso. O último grupo veio umas oito horas e depois ninguém mais bateu na nossa porta.

Eu adorei. Me diverti de ver como as crianças capricharam nas fantasias e maquiagem, como foram bem educadas e ordeiras, como fizeram dos bons modos algo natural. Adorei dar presentinhos a desconhecidos e receber o sorriso por trás da boca falsamente ensangüentada.

No ano que vem, quem sabe, estaremos mais preparados, de casa decorada, abóbora esculpida, chapéus de Harry Potter, doces mais variados. E até aquecimento central, mas acho que isso já é pedir demais...

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maio 30, 2008

Chatsworth House - Part II

A segunda parte da visita foi dedicada aos jardins da Chatsworth House. Uma área tão imensa e tão bem cuidada que as horas voam e os pés caminham sem perceber o tempo ou a distância. Levamos mais de três horas para fazer as trilhas e ainda deixamos de caminhar pelos outros campos onde ovelhas pastam livremente perto de um riacho que corta a propriedade do Seu Devonshire.

Todo jardim é extremamente bem desenhado e decorado. Em todo canto há uma escultura, uma árvore, uma fonte ou algo que atrai seus olhos e instiga a curiosidade de ir até lá para ver melhor. Um ponto de interesse em cada curva, cada final de trilha.











No final de semana em que fomos à Chatsworth House houve o Tudor Festival nos jardins do palácio. Um festival tradicional que traz uma pequena amostra de como era a vida nos séculos XV ao XVII, sob o império da Dinastia Tudor. Há teatros, músicas e vários cenários retratando o cotidiano da época. Vários artistas vestidos a caráter mostram e explicam os ofícios de vendedores ambulantes, sapateiros, marceneiros, tecelões e caçadores.







Depois de visitar o festival caminhamos por mais uma hora e enfim sentamos no gramado para descansar e aproveitar o tempo bom da tardezinha, tomando Elderflower Cordial. Foi um bom dia, passeio direferente do que estamos acostumados a fazer, mas muito agradável. Nos distraímos bastante e nos recuperamos para mais uma semana de intensa correria e atribulações.




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maio 25, 2008

Chatsworth House - Part I

Finalmente, Mr.M e eu fizemos algo que há muito tempo não fazíamos desde que nos mudamos aqui para Sheffield e nos atolamos em papelada, burocracia, advogados e planejamentos: saímos para passear.

Desta vez escolhemos visitar a Chatsworth House, o palácio construído no século XVI e atual residência do 11º Duque de Devonshire. É um passeio tipicamente inglês, que mistura história de reis e rainhas, guerra, disputas familiares, ostentação, muita arte e tanta cultura que mal cabe entre suas imensas paredes de madeira esculpida. E acres e mais acres e acres de jardins extremamente bem desenhados e preservados.


Assim que seus pés adentram o palácio seu queixo cai. Seus olhos viajam de cima a baixo tentando inutilmente absorver todos os detalhes, toda riqueza, toda beleza.

Todos os tetos, todas as paredes, todas as escadarias são recobertas de obras de artes magníficas.






Algumas pinturas são retratos, outras contam histórias, outras são simplesmente intrigantes.







Meu canto preferido da casa foi a sala de jantar. Se você tivesse sido convidado em um dos últimos banquetes a ser servido nesta sala, em 1933, teria comido entre outros pratos: sopa de tartaruga e tapioca, linguado pochê, pato recheado de cebolas e sávia, salada Waldorf e mousse de presunto. De sobremesa, morangos embebidos em laranja curaçao e bolo de amêndoas. Nada mal.



Não tiramos fotos de tudo, algumas salas são bem escuras e outras são bem apertadas e cheias de turistas.

Outra área que gostei bastante foi a biblioteca e sua multidão de livros velhos e raríssimos. Alguns são trancados por trás de grades e alarmes. Outros, como as Memórias dos Reis da Espanha, ficam na estante mesmo. Adoro livros antigos, bem antigos, com caligrafia antiga, bem feitinha, adoro.



A última área do palácio é dedicada à coleção de esculturas. A leveza do véu esculpida em pedra nunca deixa de me impressionar.


Deixamos o palácio, fizemos um mini-picnic no jardim perto de uma fonte, descansamos e nos re-hidratamos antes de começar a segunda parte do passeio, que contro na segunda parte.

:o)

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abril 7, 2008

Springtime Snow



Quando me falaram que eu veria muito mais neve aqui em Yorkshire do que no sul, eu achei que era um grandíssimo exagero.

No sábado saímos de Sheffield em direção à Leeds, de manhã. Fazia 6.5ºC, céu ensoralado. Em quinze minutos, o céu escureceu, a temperatura caiu para -1ºC. Quinze minutos, prestou atenção? Começou a chover granizo, depois passou para sleet (neve com chuva) e depois começou a never forte. Achei que a nova era glacial havia começado.

Sem contar que tivemos um White Easter este ano, nevou o feriado inteiro da Páscoa. As montanhas daqui da região ficaram parecendo estações de ski, impressionante.


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março 7, 2008

The Tale of a Bag

Vou contar pra vocês uma historinha verídica baseada em fatos reais da realidade de minha vida ordinária.

Então. Estava eu no Marks Spencer daqui de Sheffield, destraída da vida na fila do caixa. Depois de um certo tempo, percebi a bolsa de tecido rústico no ombro da Moça Elegantérrima que estava na minha frente, na fila. Nessa bolsa havia o slogan "I am NOT a plastic bag". Sim, ela mesma, a bolsa original da designer Anya Hindmarch. Ahá, eu sei que você já havia visto ou pelo menos ouvido falar dessa bolsa, depois de todo furor e estampido causado no seu lançamento, no ano passado. Era a primeira vez que eu via uma delas assim tão pertinho.

Pois bem, não demorou muito e chegou a vez da Moça Elegantérrima no caixa. O Moço do Caixa perguntou "dja wanna bag?" Aliás essa foi uma das mudanças mais marcante que percebemos quando voltamos de Taiwan. Em toda loja, qualquer loja, os vendedores agora perguntam se você precisa ou quer uma sacola de plástico. Aliás, no mês que vem a rede Marks Spencer começa a cobrar por cada sacola de plástico. Uma prática usada há muitos anos em vários outros países para reduzir o desperdício desnecessário.

Mas voltando à historinha. Meus olhos ainda estavam examinando curiosamente a bolsa, quando ouço a Moça Elegantérrima responder: "Yes, please". Hein?! Meus olhos arregalados agora estavam na cara da moça. Comassim? E essa bolsa no seu ombro? O Moço do Caixa, que era menos inquisitor que eu, então abriu uma das sacolas verdes de plástico e começou a empacotar a compra pra ela. E ali lá pelo meio da compra dela, havia um cartão de aniversário. E, precavido, depois de scanear o preço do cartão, o moço do caixa perguntou "cê quer guardar esse cartão separadamente"? No qual a Moça Elegantérrima agora respondeu "claro, mas embrulha num saquinho plástico pequeno antes". Whatahell??? E o moço do caixa atendeu, embrulhou o cartão num saquinho plástico reservado para embrulhar pacotes de carnes frescas e entregou-o para a Moça Elegantérrima, que o enfiou na segunda sacola de plástico, que carregou apenas o ultra-embrulhado supracitado cartão. E assim a Moça Elegantérrima finalmente abriu a Bolsa-Fashion-Olhem-Só-Eu-Tenho-Você-Não-Têm, tirou a carteira, pagou e saiu com duas sacolas de plástico nos braços mais uma que se dizia não ser de plástico no ombro, essa quase vazia e acredito, um tanto que frustrada.

I mean... get lost. Esse povo se estapeia para comprar uma bolsa de edição limitadíssima para fingir viver num mundinho A-list da qual eles não pertecem, se auto-promovem de consumidores éticos ou ambientalmente conscientes, quando na verdade querem mais é que o mundo acabe soterrado em lixo, desde que eles possam estar no topo bebendo vinho rosê e atirando bitucas de cigarro.

Posso estar errada, mas duvido que qualquer pessoa que tenha comprado essa bolsa da Anya Hindmarch tenha feito meramente por causa do meio-ambiente. Porque ser ecológico é acima de tudo não comprar, é reusar o que se tem. Não sou hipócrita, muitas vezes uso as sacolas plásticas gratuitas do supermercado, quando esqueço de levar as minhas Bag for Life. O errado não é a forma de usá-las, mas a forma de reciclá-las. O errado não é ter uma bolsa que se diz "I'm NOT a plastic bag". O errado é não entender o conceito, é não perceber que a bolsa foi feita na China, que não tem sindicato de trabalhadores, que usa energia mais poluente do planeta, que jogou muito mais gás carbônico no ar durante o transporte para a Europa e EUA do que uma sacola de plástico jogaria para ser produzida e posteriormente reciclada. E nem sequer o algodão foi adquirido eticamente de vilarejos que precisam de subsídios do Fairtrade, mas sim comprado do produtor mais barato e capitalista. Porque uma bolsa pode dizer que não é feita de plástico, mas há um longo caminho até que ela possa dizer que é ecologicamente correta. Até lá ela só é feita de pano, nada mais.

Fim da historinha.

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janeiro 29, 2007

The Tale of Beatrix Potter

Fomos ao cinema ontem e assistimos a Miss Potter. Estávamos animados para conferir o filme que é baseado na vida de Beatrix Potter, a autora de diversos personagens de histórias infantis, incluindo o famoso Peter Rabbit. Mais que isso, Potter viveu parte de sua idade adulta em Lake District, na região de Cumbria onde Mr.M morou durante sua infância e adolescência. Não tínhamos muitas expectativas porque não havíamos lido nada a respeito, estávamos apenas curiosos em ver imagens de Lake District e também saber um pouco mais da biografia tão pouco conhecida da autora.

Adoramos. Renée Zellweger ficou bem convincente como Beatrix Potter. E Ewan McGregor, nem é preciso muito esforço para se afeiçoar ao seu personagem, excelente. E as imagens, ahh, festa para os olhos. Cada detalhe, mesmo que distante e fora de foco foi bem pensado e pesquisado. Principalmente quando as cenas são da época Vitoriana, em Kensington, Londres. Sem contar com as paisagem de Lake District e da reconstrução da fazenda Hill Top, onde Potter viveu os últimos anos de sua vida se dedicando a preservar o patrimônio rural da Inglaterra.

O filme todo é bem charmoso, harmonioso e delicado, assim como as ilustrações da autora. Mas não é um filme infantil, já aviso. É um drama, uma biografia, apesar da presença de Jemina Puddleduck, Benjamin Bunny e Mrs. Tiggy-Winkle, entre outros personagens fofos. Os fatos principais são todos verídicos. Desde sua próspera infância, sua opressiva mãe que nunca incentivou ou sequer reconheceu seu precoce talento, sua triste tragédia pessoal, o sucesso do primeiro conto infantil.

Depois de sua morte, em 1943, Potter doou à National Trust quase toda sua propriedade, que inclui 4000 acres de terra, cottages e 15 fazendas, incluindo a belíssima Hill Top, que ainda é preservada com muito do que a autora possuía. Até a horta continua sendo cultivada com os mesmos legumes e vegetais que ela um dia plantou e que foi fonte de inspiração para suas inúmeras ilustrações.


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Num Natal frio, cheio de gelo e pouca neve, ganhei de Mr.M a coleção completa dos contos de Beatrix Potter, numa edição comemorativa do centenário de Peter Rabbit. Considero-a um tesouro, é um fascínio ler as obras em ordem cronológica que foram publicados, bem como ler sobre os eventos da vida da autora na respectiva época de cada conto, o que explica a personalidade pitoresca de muito de seus personagens. Mr.M teve toda a coleção também quando criança, mas a edição dele era dos livrinhos pequeninos, que Beatrix Potter insistiu que fossem feitos para caber nas mãos pequenas das crianças. E por muitas vezes nós lemos os contos juntos, sob o edredon quentinho e à luz fraca do abajour; eu conhecendo muitas estórias pela primeira vez, Mr.M relembrando de seus personagens preferidos. E nós dois rindo, talvez porque os animais eram engraçados, talvez porque aquele momento pra nós era tão único e divertido. Ou talvez porque o frio e as dificuldades desta vida ficavam pra fora da janela fechada, atrás da cortina.

Meus contos favoritos? O delicioso The Tale of Pie and the Patty-Pan (patty-pan é uma forminha de empada, que antigamente era colocada dentro de uma torta grande, por baixo da massa que a cobria, para evitar que o centro da mesma afundasse); o comovente The Tale of the Tailor of Gloucester; e também The Tale of Ginger and Pickles, que reúne vários dos personagens mais famosos. E The Tale of Peter Rabbit, claro, esse coelho sem-vergonha e guloso.

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setembro 6, 2006

Radio, Someone still Loves You

Radio
I'd sit alone and watch your light
My only friend through teenage nights
And everything I had to know
I heard it on my radio

Algumas canções só começam a fazer sentido muito mais tarde em sua vida. Amadurecimento e vivência trazem esclarecimentos dantes nunca sonhados. Estava pensando nisso a respeito da tão aclamada Radio Ga Ga, do Queen. Quantas vezes cantarolei essa canção, quantas vezes bati palmas entre "radio ga ga, radio goo goo", quantas vezes ouvi e ouvi novamente os mesmos versos. Porém, pouco ou quase nada entendia a respeito de seu verdadeiro significado.

Somente agora, após próxima convivência com minha família britânica é que entendo melhor a canção. Somente quando entendi o imenso papel que o rádio ainda tem na vida dos britânicos, principalmente ingleses, é que essa belíssima canção se apresentou a mim, novamente, como um grande manifesto.

Para quem chega em solo britânico agora e liga o rádio acha chato e que tem muita conversa, muito blablabla e pouca música. Mas é exatamente essa a essência das rádios britânicas: informar, emitir opiniões, criar discussões, instigar idéias, além de, inclusive, proporcionar entretenimento. De ser mais que um barulho de fundo, mais que uma vitrola. E essa essência vem de muito tempo atrás.

Outros tempos. Tempos em que comediantes, comentaristas, artistas e apresentadores eram responsáveis por criticar, educar, encorajar e entreter uma nação, livre de interferências políticas ou comerciais. Tempos em que a obra War of Worlds (sobre marcianos invadindo a Terra), de H.G.Wells, era dramatizada na rádio por Orson Welles, causando pânico nos EUA, tamanha era a força do meio de comunicação. Tempos em que igualmente a narração das Aventuras de Superman atingiam níveis tão altos de audiência, que nos fazia acreditar que o homem podia mesmo voar.

You gave them all those old time stars
Through wars of worlds, invaded by Mars
You made 'em laugh, you made 'em cry
You made us feel like we could fly
Radio...

Tempo em que a BBC Radio informava boletins diários sobre a Segunda Guerra Mundial, monitorava transmissões de outras nações para identificar propagandas nazistas e usava sua tecnologia para combater o avanço de Hitler.
Especialmente, tempo em que, quando os aliados estavam prestes a perder a Segunda Guerra Mundial para Hitler, o então Primeiro Ministro britânico Winston Churchill transmitiu, via ondas de rádio, seu discurso "Their Finest Hour" à nação:

"(...) Hitler sabe que terá que nos arrasar nesta Ilha ou perder a guerra. Se pudermos confrontá-lo, toda a Europa estará livre e a vida do mundo poderá se mover para a frente em amplos e iluminados solos. Mas se nós falharmos, então o mundo inteiro, incluindo os Estados Unidos, incluindo tudo que nós conhecemos e nos importamos, vai se afundar num abismo de uma nova Era de Escuridão, talvez ainda mais sinistra pelas luzes da ciência pervertida. Vamos portanto nos firmar em nossos deveres e ter em mente que se o Império Britânico e sua comunidade durarem por mil anos, então homens ainda dirão: 'este foi o mais grandioso momento deles' ('this was their finest hour')."

Com todo esse passado, toda essa história, com toda essa influência positiva, para a geração de Freddie Mercury e para os que hoje têm mais de 40 anos, foi com grande pesar testemunhar a tão fiel rádio se transformar em uma caixa de música ruim, sem nenhuma mensagem, sem nenhum objetivo. Feito para molecada rebolar, sem saber o que acontece mundo afora e muito pior, sem se importar minimamente com isso.

So don't become some background noise
A backdrop for the girls and boys
Who just don't know or just don't care
And just complain when you're not there
You had your time, you had the power
You've yet to have your finest hour
Radio...

Para completar, a chegada da MTV e afins, apesar de grande impacto e importância, teve também sua parte na alienação, na inércia dos espectadores que, abismados com todo visual, pouco dão atenção ao que importa. E tão bem descreve Roger Taylor, autor de Radio Ga Ga, "nós dificilmente precisamos usar nossos ouvidos". As imagens já estão ali prontas e mastigadas, pouco dos ouvidos e menos ainda do cérebro é exigido. "Como a música muda através dos tempos", conclui Taylor sabiamente.

We watch the shows - we watch the stars
On videos for hours and hours
We hardly need to use our ears
How music changes through the years

Mas ao menos por enquanto, ao menos para os britânicos, a Rádio ainda tem seu lugar privilegiadíssimo e insubstituível na vida deles. Ao menos em nossa família, o pai do Martin jamais pode começar seu dia sem ligar na Radio Five Live e saber tudo o que aconteceu nos esportes enquanto ele dormia. A mãe e a irmã do Martin não perdem nenhum capítulo da rádio-novela The Archers, as duas acompanhando tudo olhando para o rádio, como se de lá saíssem as imagens da trama. Martin aqui em Taiwan chega no escritório e conecta-se a BBC Radio 2 pela Internet, assim como absolutamente todos os colegas deles. Há ainda muitos bons programas, excelentes apresentadores e umas poucas bandas que ainda valem a pena. Eu, que ainda engatinho nesse costume, que venho de outra cultura, acostumada a ouvir à rádio mas com outros interesses, também agora sinto falta dos meus comentaristas favoritos Jonathan Ross, Mark Lamarr e Dermot O'Leary, sinto saudades dos tempos em que tinha que ficar acordada até tarde para ouvir Fábio Massari no Lado B da 89FM contar sobre as bandas da longínqua Europa.

Let's hope you never leave old friend
Like all good things on you we depend
So stick around 'cos we might miss you
When we grow tired of all this visual

Só então toda a letra de Radio Ga Ga passou a ter um completo e intenso novo significado pra mim. Houve um tempo de glória e poder da rádio. Houve um tempo de racionamento de papel, de energia elétrica e de informação. Houve um tempo em que a rádio era o único meio de se conectar ao mundo, o único meio capaz de desafiar censura e guerras, mobilizar massas e nações. A rádio criou por mérito próprio uma confiança que ainda, apesar de tudo, tem seu público, tem seu alvo. Que o manifesto Radio Ga Ga persista por anos e esteja sempre na mente de quem a faz mais que uma radio blah blah.

You had your time - you had the power

You've yet to have your finest hour
Radio...

All we hear is radio ga ga
Radio goo goo
Radio ga ga
All we hear is radio ga ga
Radio goo goo
Radio ga ga
All we hear is radio ga ga
Radio blah blah
Radio what's new ?
Radio, someone still loves you

Queria que Freddie Mercury soubesse que a rádio ainda existe, quinze anos após sua morte, que ela ainda é parte tão cotidiana de muitos, como foi na vida dele em Londres. Ontem pensava em tudo isso quando fomos dar uma espiada na loja de DVDs aqui perto. Entre os muitos títulos que estavam arrumados na vertical feito biblioteca, eis que meus dedos puxaram um título aleatório da prateleira. São todos com sobrecapa em chinês, então não sei que título é até ver a capa. Era Red Hot Chilli Peppers. Coloquei-o de volta e o DVD do lado tombou um pouquinho. Fui ajeitá-lo e para minha total surpresa qual DVD era? Queen Live at Wembley Stadium! Fiquei tão encantada com a coincidência, que imediatamente comprei. Quando chegamos em casa, estava pesquisando sobre o show desse DVD, que aconteceu em 1986, no auge da carreira do Queen, logo após a memorável performance deles no Live Aid. E então descobri que ontem, além de todas as coincidências, seria também o aniversário de 60 anos de Freddie Mercury. Senti uma certa presença nos moldes "I can see dead people"....

"Thunderbolt and lightning
Very very frightening me..."

Escrito a mão pela Marcia às 6:13 AM | mais em That British Kingdom

janeiro 22, 2006

The Whale's Statement

Acho que a maioria de vocês acompanhou o triste desfecho da tentativa de devolver ao mar a baleia que estava perdida no centro de Londres. Aqui, a Sky News estava transmitindo imagens do transporte em tempo real durante o dia todo e obviamente toda a nação estava torcendo para o nosso querido visitante ser salvo e reencontrar sua família.

E corações se quebraram às sete da noite com a notícia que a baleia havia morrido a caminho do Atlântico. A embarcação que a carregava apagou todas as luzes, veterinários, biólogos e marinheiros não esconderam as lágrimas de desapontamento e tristeza.

"Quando você está diante de um animal daquele tamanho e ele está olhando diretamente nos seus olhos, você se pergunta no que ele está pensando, se sabe o esforço imenso que todos estávamos fazendo por ele. Havia muitas muitas lágrimas", descreveu o membro da brilhante British Divers Marine Life Rescue.

Triste fim, mas sinceramente acredito que a baleia deixou sua declaração pública pro mundo inteiro bem ali na frente do Parlamento de que há algo muito errado em nosso oceano. Não apenas na quantidade absurda de lixo que jogamos, mas também na poluição sonora com a quantidade excessiva de sonares que desorientam a fauna marinha tragicamente. Mesmo que por acidente, mesmo que sem propósito heróico algum, sua visita desencadeou investigações profundas do desequilíbrio que a trouxe nas águas do Tâmisa. Mais que isso, fomos espectadores de algo incomum nos dias de hoje. Num mundo onde não há mais escrúpulos ou limites para a crueldade contra animais, num mundo onde baleias são nada menos que fonte de renda, assistir a voluntários de várias áreas unindo esforços para resgatar aquela única criatura desorientada e fraca, ouvir a multidão nas margens do rio aplaudindo e fazendo coro "go, boy, go!" torcendo para sua sobreviência, nos faz no mínimo ainda ter esperanças na humanidade.

"Go, boy, go..."

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Escrito a mão pela Marcia às 9:40 AM | mais em That British Kingdom

novembro 25, 2005

One never knows...

Esta é a previsão do tempo para o sábado de acordo com o site da BBC:

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Como o ícone mostra, tudo pode acontecer.

:o)

Escrito a mão pela Marcia às 11:40 AM | mais em That British Kingdom

outubro 15, 2005

We Shall Not Panic. We Shall Not Panic. AAAAAAAAHHHHH!!!

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Acho que muitos de vocês acompanharam a notícia que o depósito da Aardman Animations em Avon foi totalmente destruído por um incêndio que reduziu às cinzas toda a criação de 30 anos da companhia.

Triste, sem dúvida, muitos storyboards originais, curta-metragens raros, cenários e principalmente personagens foram perdidos. Pedaços da história da Aardman que são irrecuperáveis.

No entanto, Nick Park, criador dos personagens que estava em turnê para promover o filme Wallace & Gromit: The Curse of Were-Rabbit quando o incêndio aconteceu, deu uma declaração muito sensível e filosófica à imprensa:

"É uma notícia terrível pra nossa companhia, mas em vista às atuais tragédias [terremoto no Paquistão e tornado Katrina], não foi na verdade grande coisa. Nós temos que olhar pra frente, continuar filmando e não ficarmos presos no passado."

Porém, obviamente nem todos são desapegados e coerentes como Nick Park e muitos não conseguem aceitar o curso dos acontecimentos. Ontem, assistindo a um dos meus programas favoritos Have I Got News For You, que comenta as principais manchetes da semana com bastante humor e sarcasmo, fiquei sabendo que o The Sun publicou várias fotos, na versão impressa do jornal, dos personagens da Aardman com o carimbo: morto. Morri de rir. Rocky & Ginger (Chicken Run): dead. Pickles Guide Dog (Creature Comforts): dead. Morphy & Chaz: dead. Terry the Octopus: dead.

Não se pode mesmo levar a sério um jornal desses. O dramalhão, o pânico, o horror. Como bem disse o apresentador do programa: "Sim, morreram e farão muita falta. Mas também podem ser refeitos num instante, so GET OVER IT!!"

Porém, ninguém tem dúvida de que o responsável pelo incêndio pode ser apenas ele: Evil Penguin, sempre ele.

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Escrito a mão pela Marcia às 10:39 AM | mais em That British Kingdom

setembro 30, 2005

Make Coffee, Change a Life

Hoje é o dia do evento World's Biggest Coffee Morning aqui na Inglaterra, promovido pela McMillan Cancer Relief, e centenas de empresas, entidades, escolas e comunidades pararam por algumas horas para tomar café da manhã juntos e ao mesmo tempo fazer doações para apoiar estudos e pesquisas para combater o câncer.

E foi com muita satisfação que participei do evento preparando com a maior dedicação que já tive os docinhos pro café da manhã da nossa cidade. O que fiz? French macaroons, naturellement.

Algumas fotos da produção em massa (nas fotos apenas metade da produção):

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Não me importa se vão gostar ou não dos meus macaroons, o importante é que quem estiver no evento faça a doação. É só isso que importa. Eu não vou ao evento porque é só entre empresas e fornecedores, mas Mr.M está lá e depois vai me contar como foi. Fiz minha parte e estou muito contente com isso. É sempre uma honra participar de um evento que tem como meta salvar vidas. Mesmo que não imediatamente, mas num futuro no qual famílias e indivíduos poderão ser poupados de sofrimento, dor e saudade.



Escrito a mão pela Marcia às 11:35 AM | mais em That British Kingdom

setembro 15, 2005

Life is Sweet

Cor blimey! Recebi um convite inesperado e inusitado para participar de um projeto bem bacana que me deixou bastante entusiasmada. Inusitado porque desta vez meus modestos dotes culinários é que estarão arrecadando fundos para o Cancer Research UK e McMillan Cancer Relief, para ajudar em suas pesquisas e apoio no combate ao câncer. O evento vai acontecer no final do mês e vai reunir alguns empresários, diretores e gerentes de nossa cidade e Christchurch. Quem quiser provar dos meus quitutes (e de outros bolos, tortinhas e tais, feitos por outras mãos mais competentes e experientes que as minhas) vai ter que fazer uma doação às instituições de caridade. Bacana, né?

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Não vou contar ainda o que vou preparar para que evitar que a massa tenha um colapso, sole, desande e dê dor de barriga. Mas prometo fotos mais tarde.

:o)

Escrito a mão pela Marcia às 8:58 PM | mais em That British Kingdom

setembro 12, 2005

England Regain the Ashes

O jogo, que começou em meados de Julho, teve seu triunfante desfecho hoje a tarde, com a vitória da Inglaterra em 2 a 1.

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O troféu é a réplica da pequena urna de cerâmica que contêm as cinzas dos stumps e bails que foram cremados quando a Austrália fez o que na época, 123 anos atrás, era considerado o impossível: bater o invicto time inglês. Após a trágica partida em 1882, foi publicado nos jornais um anúncio na seção obituária, declarando a morte do críquete inglês.

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Durante esses longos meses e partidas absolutamente eletrizantes, aprendi bastante sobre a história do Ashes, os jogadores, as regras. O pai de Mr.M foi jogador de críquete da liga de Cumbria quando jovem (e por coincidência meu papis Seu Jorge também jogava baseball pra cidade dele) e me ajudou a entender como os arremessos e rebatidas são feitos para causar o efeito desejado. Mas além dos detalhes técnicos, também me divirto com os breaks durante as partidas pros jogadores tomarem água e comer banana, fazerem pausa pro almoço e chá da tarde (!!). E também gosto de ver os jogadores de ambos times sendo solidários quando alguém se machuca, dos aplausos da platéia para os australianos quando eles merecem, dos trejeitos dos juízes, das dancinhas com as mãos quando o time faz 4 ou 6 pontos, das sinceras risadas e abraços entre jogadores rivais, que na verdade são amigos bem próximos fora do campo.

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Enfim, agora sou fã. Também não tinha como ser diferente depois de acompanhar entusiasmadamente cada dia de partida em três meses. Mesmo quando saíamos para nossas caminhadas cada vez mais longas, que agora chegam a 15km, dávamos um jeito de perguntar prum sorveteiro quanto estava o placar. Durante este último test, Hugh Grant (acima) também estava prestigiando na platéia do Oval, em Londres. Bom saber que nós dois temos tempo de sobra pra torcer pro time inglês. Se alguém tem que fazer essa tarefa árdua, que sejamos nós não vocês.

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E entre os momentos emocionantes da partida de hoje, uma imagem marcou o dia: o australiano Shane Warne (acima), que é considerado o melhor jogador de críquete dos últimos tempos, se despediu do campo, da platéia e do Ashes, agora que chegou a hora de se aposentar. Well done, Warne.

Mas nem Shane Warne, nem Brett Lee foram suficientes para segurar os três leões ferozes. Merecida vitória do time de Vaughan, que realmente jogou fenomenalmente bem e revelou grandes heróis como Flintoff, Jones e Pietersen. Até a Rainha, Dona Beth, enviou uma mensagem congratulando a atuação do grupo neste verão: "My warmest congratulations to you, the England cricket team and all in the squad for the magnificent achievement of regaining the Ashes."

As cinzas voltaram para casa depois de humilhantes 18 anos sem vencer os rivais australianos e delas renasce o velho e bom críquete inglês. Oh jolly good day!

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Escrito a mão pela Marcia às 9:37 PM | mais em That British Kingdom

agosto 23, 2005

The Piano Man - The Epilogue

Encerrou-se o mistério que envolvia aquele que se tornou conhecido como o Piano Man. Ele quebrou o silêncio pela primeira vez em quatro meses e revelou que é alemão, que seu nome é Andreas Grassl e que foi encontrado na praia de Kent logo após ter tentando cometer suicídio no mar. Recebeu alta do hospital e foi enviado à Bavaria, onde vivem seus familiares.

Sua identidade e outros detalhes não foram revelados à impressa logo de início para preservar o sigilo do paciente. Porém, mais do que depressa, os tablóides já começaram a encher suas páginas dizendo que o tal Piano Man enganou a todos, que fingiu o tempo todo, que nem sabe tocar nenhuma nota no piano. E conseqüentemente, já existe uma porção da população que faz dos tablóides suas próprias opiniões, condenando-o a pagar de volta todo o dinheiro gasto em seu tratamento.

Que mundo mais mesquinho, este. Então alguém tentou se matar, foi encontrado em estado de choque, depressivo e assustado, passou por baterias de exames, os psiquiatras indicaram o internamento por tempo indeterminado. Não é pra isso que o sistema de saúde existe? Não é isso que se espera que um paciente tenha, sejam lá quais forem suas razões?

Agora a mesma mídia que criou toda a fantasia ao redor dele está puta porque o final cinematográfico não aconteceu? Quando desde o começo todo mundo sabia, ou deveria saber, que tudo a respeito dele não podia ser mais do que especulações porque não havia fontes para confirmar absolutamente nada da vida dele. Já está mais do que muito tarde para as pessoas entenderem que notícias não são novelas. Ninguém sabe e ninguém nunca saberá o que é ou o que foi estar na pele do Piano Man. Julgar é muito fácil num mundo no qual se aprende apenas o que passa na TV. Get a life.


"(...)
No you don't know what it's like
When nothing feels all right
You don't know what it's like
To be like me
To be hurt
To feel lost
To be left out in the dark
To be kicked when you're down
To feel like you've been pushed around
To be on the edge of breaking down
And no one's there to save you
No you don't know what it's like
Welcome to my life"

Escrito a mão pela Marcia às 5:40 PM | mais em That British Kingdom

agosto 8, 2005

A Gentlemen's Game

Eu nunca liguei, nem nunca me importei e muitas vezes até tirei o barato daqueles moços com seus coletes de lã. Mas ontem a partida de cricket England vs Australia estava tão emocionante e tão tensa que não deu para ignorar mais. A mesma partida já durava quatro dias e podia terminar em cinco minutos, como podia demorar mais um dia inteiro. Martin me explicou o básico e ficamos esperando pelo desfecho da partida. Até que finalmente, quando a vitória já parecia encaminhar para os australianos, num lance perfeito vencemos!

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Cricket não tem absolutamente nada a ver com baseball, como uma vez pensei. Nada de gente mascando chiclete no campo, nem cuspindo na areia, nada de lucky socks, nada de luvas feito cestas, nada de coaches berrando, nada de hot dogs na torcida, nada disso. É um esporte centenário e que condena qualquer incidente de violência. Porque cricket é sobretudo um esporte de cavalheiros.

E o cavalheirismo do cricket inclui também vencedores consolando os perdedores logo no final de uma partida, como o inglês Andrew Flintoff fez com o australiano Brett Lee, contratulando-o 'You have got to be proud of what you have done there', na foto acima.

A partida de ontem, aliás, faz parte de um campeonato chamado The Ashes e existe desde 1882 quando a Austrália venceu a Inglaterra em casa, levando embora "as cinzas do cricket inglês". Desde então a Inglaterra pede revanche para recuperar "suas cinzas". As partidas são, portanto, somente entre esses dois países. Vence o país que ganhar 3 das 5 partidas, sendo que cada partida dura em média quatro dias. A de ontem foi a segunda e a Inglaterra está empatada com a Austrália. Há dezoito anos a Inglaterra não vence seus rivais e está mais que na hora das cinzas voltarem pra casa.

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Mais tarde, Martin me explicou mais detalhadamente as regras e os nomes de cada item que compõe o cricket. Eu fiz os desenhos e ele se encarregou das explicações. Agora que estou entendendo melhor, estou até gostando de assistir e principalmente de torcer! Tem um campo de cricket aqui perto de nossa casa e qualquer dia levo minhas pipocas por lá com uma garrafa de Pimms.

Escrito a mão pela Marcia às 2:16 PM | mais em That British Kingdom

julho 30, 2005

Newspapers' Headlines

Manchetes de alguns dos principais e mais populares jornais do Reino Unido, na data de hoje. Não é preciso muito esforço pra advinhar qual deles é tablóide sensacionalista.

The Telegraph: "Bombing suspects seized"

The Guardian: "Entire alleged bomb ring held after raids in London and Rome"

Financial Times: "Four London bomb suspects in custody"

The Times: "All 21/7 suspects captured"

The Sun: "Got the bastards"


Some things never change.

Escrito a mão pela Marcia às 2:38 PM | mais em That British Kingdom

julho 16, 2005

London United in Grief

Então estivemos em Londres por dois dias para comemorar o aniversário da Mary, como havíamos combinado semanas antes do atentado. Ficamos hospedados justamente em King's Cross, centro de toda confusão e em nenhum momento pensamos em desistir ou cancelar nossos planos.

Visitamos grande parte dos principais pontos turísticos, andamos pelas ruas mais famosas, vimos a maioria dos ícones da cidade, num bom tour que, espero, tenha agradado muito aos dois. Londres dificilmente decepciona. Logo a Mary deve contar por onde andamos e o que fizemos.

Para mim, esta visita à Londres porém, teve um gosto diferente. A cidade continua tão maravilhosa e intensa como sempre foi, mas andando por suas ruas, usando o metrô, olhando para os londrinos, senti um imenso pesar pairando no ar, de uma cicatriz ainda sangrando e derramando lágrimas.

Não senti medo em nenhum momento, não desconfiei de ninguém nos metrôs, não entrei em pânico com nada. Nem mesmo quando ouvimos ao anúncio no metrô: "por medida de segurança, a linha Metropolitan vai ser fechada em ambos sentidos" seguida de "por medida de segurança, a linha Central vai ser fechada". Nem mesmo vendo a rua que ia para a Tavistock Square fechada e evacuada, ainda com velhos respingos de sangue seco nas calçadas.

Senti mesmo só uma grande tristeza pelas vítimas, pelas famílias delas, pelos londrinos que precisam conviver com tudo isso dia após dia e por toda nação.

As inúmeras flores na estação King's Cross fazem tudo parecer muito mais real e dolorido do que acompanhar noticiários. Não foram apenas "52 pessoas mortas", mas foram James, Anne, David, Phil, Adrian, Shahara, Jennifer, Laura, e tantos, tantos outros que eram pais ou mães, que eram filhos e filhas, que eram maridos e esposas, que eram sobretudo, inocentes. Se eu me engasguei vendo as flores, Martin me contou que sentiu o mesmo nó na garganta ao ver os apelos das famílias grudadas nas paredes da estação, desesperadamente à procura dos seus parentes desaparecidos. Pessoas que ainda não foram encontradas e que talvez nunca serão, dependendo de sua proximidade no momento da explosão.

Nos dois minutos de silêncio que foram feitos em todo Reino Unido ao meio-dia da quinta-feira, estávamos na frente do Palácio de Buckinham. E no meio de toda aquela enorme multidão que se aglomera para ver a Troca da Guarda, no meio do tráfego intenso e barulhento com seus taxistas impacientes, no meio disso tudo, o silêncio foi feito. Os policiais tiraram seus chapéus e capacetes, a população baixou a cabeça, os turistas mostraram sua solidariedade, os carros pararam e desligaram os motores. E o silêncio se instalou. Apertei a mão de um inglês que sente muito pelo seu povo, que viu sua terra sofrer similares ataques com o IRA e que agora assiste a mais esta tragédia atingindo aos seus. Durante todo o longo minuto, segurei na mão do Martin e fizemos nosso silêncio.

Estranho mundo, este em que vivemos.


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Escrito a mão pela Marcia às 7:58 AM | mais em That British Kingdom

julho 9, 2005

The Day After

Estamos todos bem aqui.

Maria, Stefan, Mr.M e eu, colocando conversas em dia, contando novas e velhas histórias, rindo, passeando, comendo, vendo TV e nos divertindo.

A vida continua em toda Inglaterra, inclusive em Londres. Principalmente em Londres. Um ataque daquelas proporções nunca é apenas regional. Quando os terroristas explodiram as sete bombas levando a vida de mais de 50 pessoas, não atacaram apenas Londres, mas toda uma nação, se não toda uma civilização moderna. E Tony Blair pode ter seus defeitos e ter feito seus erros, mas não há que discorde de que sempre foi e ainda é um grande estadista. Em seu discurso à população, Blair pediu a todos a não se sucumbirem ao terrorismo.

Mas antes disso já era possível ver nas ruas de Londres e no resto do país uma certa calma, apesar de tudo. Não havia aquele pânico generalizado, aquele corre-corre de gente comprando galões de água para levar para seus bunkers. Não havia gente gritando, protestando, jurando vingança. Havia sim um silêncio. Não um silêncio permissivo. Mas um silêncio no meio da indignação, no meio do pesar pelas vítimas e misturada no meio de uma imensa força interior dentro de cada cidadão de não deixar os terroristas nos aterrorizarem.

Eu me orgulhei deste povo como nunca. Pela solidarierade, pela ajuda voluntária, pelas flores nos pontos de ataque, pela determinação de erguer a cabeça.

Eu me orgulhei de ver tantos trabalhadores voltando a pé, caminhando por horas, no mesmo silêncio, por um momento dava para adivinhar o pensamento de cada um em seus passos surdos: "Até quando?"

Eu me orgulhei também dos barqueiros, que lucram nas margens do Rio Tâmisa fazendo passeios turísticos, oferecerem viagens de graça para a população se locomover e voltar para casa.

Eu me orgulhei de, no dia seguinte, ver as manchetes nos jornais tablóides ou não, dizendo "We won't let them win", "They won't take charge of our lives".

We shall not be terrorized. We won't.

Escrito a mão pela Marcia às 5:59 PM | mais em That British Kingdom

julho 7, 2005

London 7/7


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We shall not be terrorized


Escrito a mão pela Marcia às 7:45 PM | mais em That British Kingdom

... and The Hell Broke Lose


8h50 - Série de explosões em Londres deixam vários feridos.

9h30 - Toda a linha de transporte público foi interrompida depois das primeiras explosões, a policia já avisou que vai haver várias "explosões controladas" nos próximos minutos.

Não há pânico em Londres. A equipe de emergência, que tem sido extensivamente treinada desde 9/11, agiu rapidamente e está no momento vasculhando a cidade e atendendo às casualidades. As vítimas estão sendo levadas aos hospitais e outras em estado de choque estão sendo levadas aos hotéis mais próximos para receber atendimento médico, usar o telefone, banheiro etc.

10h30- O comissário da Polícia Metropolitana acredita que trata-se de atentados terrorista pelo número de sucessivas explosões, na mesma área da cidade, durante a reunião do G8. Mas são apenas especulações, por enquanto.

12h00 - Tony Blair acabou de anunciar e confirmar os ataques terroristas. Ele volta para Londres enquanto os outros dirigentes continuam com a reunião do G8.

12h57 - Um grupo entitulado "Secret Organisation al Qaeda in Europe" assumiu o ataque.

E da mesma forma que ontem chorei ao ver a população em Londres vibrando de alegria, hoje me solidarizo com eles e choro ao ver inocentes feridos e sangrando.

:(

Escrito a mão pela Marcia às 10:55 AM | mais em That British Kingdom

julho 6, 2005

THE GAMES ARE COMING!

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est-ce des indigestions, monsieur Chirac?


HOORAY!!

Fantástica vitória de Sebastian Coe e de toda equipe olímpica britânica que contrariaram todas as probablilidades e trouxeram os Jogos para cá.

E eu preciso dizer que chorei, chorei quando o presidente do Comitê Olímpico anunciou que a cidade a hospedar as Olimpíadas de 2012 era Londres e toda a Trafalgar Square explodiu em gritos, aplausos e confetes e toda vibração inesperada. Porque existe uma nação dentro de mim que é aquela onde eu nasci. E existe uma outra nação em mim que é aquele que eu adotei.

Oh jolly good news!


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Clique aqui para assistir ao vídeo da reação popular no Trafalgar Square.

:o)

Escrito a mão pela Marcia às 12:53 PM | mais em That British Kingdom

London vs Paris

Estamos na final.

Refiro-me à final da votação da próxima cidade a hospedar os Jogos Olímpicos de 2012.

Daqui a pouco será anunciada a cidade que recebeu mais votos do membros do comitê olímpico. De todos os países participantes, Londres está concorrendo com nada menos que Paris.

E com todo o fuss causado por Chirac esses dias, vencer ou perder de Paris não vai ser fácil.

tectectectectec...

Escrito a mão pela Marcia às 12:02 PM | mais em That British Kingdom

julho 5, 2005

How dare you, Chirac?

O pouquíssimo popular presidente francês Jaques Chirac, fez piadas com seus vizinhos ingleses.

"You can't trust people who cook as badly as that. After Finland, it's the country with the worst food"

"Não se pode confiar em um povo que cozinha tão mal como aquele. Depois da Finlândia, é o país com a pior comida"

How DARE him?! Vem aqui, enche a pança em jantares oficiais, arrota salmão, rosbife e yorkshire pudding e depois cospe no prato que comeu. Haggis nele, black pudding nele, Marmite nele!

A piadinha velha e sem graça podia ter ficado só por aí mas Chirac foi mais além e acrescentou:

"The only thing they (the English) have ever done for European agriculture is mad cow"

"A única coisa que eles (os ingleses) fizeram pela agricultura européia foi a doença da vaca louca"

O que definitivamente tocou em um ponto bastante delicado e dolorido da história da Inglaterra. Se você estiver visitando este país, jamais, NUNCA, em hipótese alguma faça piada sobre a mad cow disease ou principalmente foot and mouth disease. Foi um desastre de proporções gigantescas, que devastou famílias honestas, que perderam não apenas toda sua produção, mas também suas terras, que ficaram contaminadas e improdutivas; suas casas, que perderam valor; seus empregados, que não podem mais trabalhar na mesma terra; seu sustento e seu amor pela profissão.

"(...) Well I'm afraid
it doesn't make me smile
I wish I could laugh
but that joke isn't funny anymore
it's too close to home
and it's too near the bone
it's too close to home
and it's too near the bone
more than you'll ever know..."

- That Joke isn't Funny Anymore, The Smiths

:-/

Escrito a mão pela Marcia às 1:14 PM | mais em That British Kingdom

julho 2, 2005

Live 8 - Justice, not Charity

É hoje! 14h00 aqui na Inglaterra, 10h00 aí no Brasil, 15h00 pro resto da Europa. Stay tunned!

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E M&M estarão lá!

Well, na verdade não estaremos em Hyde Park, mas assistiremos em nossa cidade num dos oito únicos gigantes telões instalados na Inglaterra! Woohoo!!

Nem pude acreditar quando Mr.M anunciou nesta manhã "We're going". Já estou prontinha, daqui a pouco vamos comprar água e nos instalar no Meyrick Park com o povo de nossa região.

Live 8 é um projeto liderado por Sir Bob Geldof para exigir dos governantes do G8, que se reúnem dia 06 de Julho em Endinburgh, atitudes para acabar com a miséria na África, e também exigir maior apoio ao Fair Trade, que ajuda na subsistência de muitos países pobres.

Às 15h00 horário da Europa, haverá um minuto de silêncio para a população miserável da África, onde a cada 3 segundos um ser humano morre.

Quer fazer parte também de alguma forma? Acesse o site do Live 8, clique em Sign The Live 8 List e dê seu nome para o abaixo-assinado aos líderes do G8.

Com a palavra, Sir Bob:

"This is without doubt a moment in history where ordinary people can grasp the chance to achieve something truly monumental and demand from the 8 world leaders at G8 an end to poverty.

The G8 leaders have it within their power to alter history. They will only have the will to do so if tens of thousands of people show them that enough is enough.

By doubling aid, fully cancelling debt, and delivering trade justice for Africa, the G8 could change the future for millions of men, women and children."

Rock'n'Roll all around the world...

:o)

Escrito a mão pela Marcia às 10:42 AM | mais em That British Kingdom

maio 17, 2005

The Piano Man

Pianoman.jpg

Como a Bia Badaud havia pedido maiores informações sobre o caso, aqui vai a história deste pobre moço da foto acima. Ele foi encontrado vagando pela praia de Kent, com roupas bem alinhadas, terno preto, camisa branca, gravara, todas ensopadas, e um maço de partituras nas mãos. A polícia e o serviço social recolheram a pobre alma e tentaram descobrir quem ele era. Mas o moço, aparentemente em estado de choque, não pronuncia nenhuma palavra e permanece em silêncio catatônico.

Ele foi levado para o Medway Maritime Hospital para fazer exames e lá recebeu papel e caneta para tentar se comunicar, caso fosse estrangeiro ou surdo ou mudo. E para a surpresa dos médicos e enfermeiros, o moço que não diz nenhuma palavra produziu este desenho:

Pianoman2.jpg

Espantados, os médicos então o levaram para a capela do hospital e colocaram-no de frente a um velho piano. E então, mais inesperadamente ainda, o silencioso paciente deu um verdadeiro espetáculo, tocando música clássica ao piano magnificamente por várias horas seguidas.

Até o presente momento, ninguém tem nenhuma pista de quem ele é ou de onde vem. Alguns intérpretes da Europa Oriental foram chamados para tentar falar com ele, mas o silêncio continua sendo sua linguagem quando não está ao piano. Ele parece, no entanto, entender inglês e talvez seja um britânico mesmo e não um refugiado, como foi a primeira suspeita.

Orquestras do mundo todo estão sendo contactadas para ver se alguém conhece este cidadão. E também a National Missing Persons Helpline está fazendo um apelo para que qualquer pessoa que o reconheça traga alguma luz ao caso.

Os psiquiatras que estão tratando do Piano Man, como ele está sendo chamado, disseram que ele está muito assustado, muito estressado e traumatizado. Vai ficar sob custódia da clínica psiquiátrica até quando for necessário.

Segundo o serviço social, há a possibilidade de que o próprio pianista deseje ser um anônimo para sempre. Suas roupas tiveram as etiquetas cortadas e seus sapatos também não têm marcas. Resta saber se isso foi sua vontade própria ou por alguma razão fizeram isso a ele. Mas se ninguém reconhecê-lo e confirmar seus dados, corre-se o risco de jamais sabermos o seu nome ou de onde ele vem.

Seja por um trauma, por amnésia ou mesmo por vontade própria, a história do Piano Man não deixa de ser muito, muito triste.

:-|

Update 18/05: um polonês que mora em Roma reconheceu o Piano Man e alega que ele é um músico de rua francês. A polícia diz que é uma possibilidade, mas até que se prove, isso continua sendo apenas uma possibilidade. Os médicos acreditam que ele sofre de algum grau de autismo. Austistas têm a capacidade de desenvolver habilidades de forma espantosa, ao mesmo tempo que não conseguem interagir com o mundo. Arrancar etiquetas das roupas também é um indício de comportamento obsessivo comum aos autistas. Mas nada disso ainda foi provado no caso do Piano Man, que simplesmente se esconde visivelmente aterrorizado embaixo do edredon ou se recolhe encolhido num canto da sala quando alguém tenta falar com ele.

Update 18/05: a irmã do músico de rua francês negou a informação e eu tirei o suposto nome do update acima porque o pobre coitado não tem nada a ver com a história. Estaca zero novamente para o Piano Man.

Escrito a mão pela Marcia às 10:55 AM | mais em That British Kingdom

maio 6, 2005

Labour Wins!

Labour venceu as eleiçõs inglesas e vão manter o poder por mais quatro anos, o terceiro e último mandato de Tony Blair como Primeiro Ministro.

Estou muito satisfeita de ver o Labour ganhar.

Eleições parlamentares são um pouquinho diferentes das que temos no Brasil. Aqui não se vota diretamente para Tony Blair ou Michael Howard ou Charles Kennedy. Eles são os líderes dos partidos, mas os eleitores votam na verdade para os Membros do Parlamento (MP's). O Casa do Parlamento (Parliament's House of Commons) possui 646 assentos que devem ser preenchidos por MPs. Cada 'constituency', cada uma das 646 regiões geográficas do Reino Unido, vota para colocar seu MP num dos assentos do Parlamento. Quando a maioria dos assentos é preenchida por determinado partido, então declara-se a vitória de seu líder como Primeiro Ministro.

A nossa cidade por exemplo, para o meu desespero mas não para minha surpresa, elegeu um MP do partido Conservador. Então, não há exatamente perdedores. O Parlamento é sempre uma mistura em desiguais proporções entre Labours (Trabalhadores), Lib Dems (Liberais Democratas) e Torries (Conservadores).

Na eleição passada, em 2001, o Labour Party tinha uma maioria esmagadora nos assentos do Parlamento. Nesta eleição, apesar de ganharem a maioria, o Labour perdeu muitos assentos para os Torries e um dos grandes desafios de Tony Blair vai ser governar com cerca de 33% dos MPs fervorosamente contra ele, o que na verdade muitas vezes faz bem.

Agora vamos aguardar para ver como serão estes próximos quatro anos. Da minha parte, já peguei o nome do MP da nossa região. O conservador John Butterfill. Mal sabe o coitado que entre sua 'constituency' estou eu aqui. Medo, muito medo eu teria, se fosse ele. Huahua.

:o)

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maio 5, 2005

Election Day

Hoje foi o dia de eleição aqui na Inglaterra. A primeira eleição que presencio, porém ainda sem direito a participar. As urnas foram abertas às sete e meia da manhã e ficaram assim até agora a pouco, às dez da noite. Isso porque o voto aqui não é obrigatório e todos devem ter o direito a votar no horário que puder. E não, não existe urna eletrônica aqui ainda. Só um xis no papelzinho mesmo.

Martin dormiu duas horas, acordou e se arrastou até o posto de votação, completamente bêbado de cansaço. Mas exerceu seu papel de cidadão e votou. Eu fui com ele, vi ele entregar o cartão, pegar a cédula, votar, dobrar e depositar na urna. Mas fiquei láaaa da porta... Do lado de fora, segurando o batente, olhando com cara de cachorro com fome, vendo todo mundo entrando, votando e indo embora dando risadinha.

Setter.jpg

Eu queria também... ah pôuxa... :o(

Escrito a mão pela Marcia às 10:28 PM | mais em That British Kingdom

abril 12, 2005

Eleições no Império Britânico

Está marcada para 5 de Maio a data para escolher o Primeiro Ministro do Parlamento.

A disputa vai ser, como sempre, entre dois partidos: Conservative (de Michael Howard) e Labour (do qual Tony Blair faz parte). Há outros partidos menores como o Liberal Democrats e o controverso Sinn Féin, partido irlandês que esteve envolvido em violentos ataques para a libertação da Irlanda do Norte durante os anos 80.

Mas a grande corrida mesmo vai ser entre Howard e Blair.

Na minha humilde opinião de quem nem pode votar ainda, eu espero que entre esses dois, Tony Blair vença. Ou que aconteça algum milagre e dêem uma chance aos liberais democratas, mas não aposto meu dinheiro nisso. Apesar da grande besteira que foi se envolver com a invasão do Iraque e arcar com suas conseqüências, o governo de Blair foi uma enorme revolução política e econômica para o Reino Unido, depois do conservadorismo ferrenho de Margareth Tatcher.

Mas o que me faz querer que o Labour vença é que não quero ver o país de volta às rédeas do Convervative, que espera fazer uma "Inglaterra para os ingleses". Só nesse slogan já dá para perceber que a principal meta para os conservadores vai ser atacar a imigração. Segundo as palavras de Howard, seu partido pretende "criar quotas anuais de refugiados que podem entrar no país, controlar os imigrantes que entram e criar um novo work permit". Palavras que fazem tudo parecer organizado e certo, mas que por trás vem carregada de rascismo, discriminação, ignorância e preconceito. Fechar as fronteiras só vai fazer crescer o número de imigrantes ilegais e tornar a população ainda mais xenófoba do que já é.

E ao que refiro imigrantes, não estou falando de brasileiros que se casam com ingleses ou de brasileiros que vêm trabalhar aqui legalmente. Falo de perseguidos políticos, refugiados de guerra, exilados das mais diversas e cruéis razões. Esse tipo de gente que perdeu total confiança de viver em seu próprio país, ameaçados de morte por severas leis religiosas, e que espera receber de um outro país mais rico e mais democrático ajuda para sobreviver. E some-se a isso a real e indiscutível necessidade que o Reino Unido tem de adquirir mais mão-de-obra, especializada ou não, para fazer o país continuar crescendo. Um precisa do outro. Nick Hardwick, atual membro do Refugee Council no governo de Blair, sabe da importância dos imigrantes para o país e tem lutado para regularizar a situação de quem pede asilo aqui.

Agora o que o Conservative quer é aumentar ainda mais o medo do desconhecido que a população tem a respeito da imigração. Há obviamente casos em que os refugiados são largados num canto e como não falam a língua, não podem trabalhar, nem nada, acabam enchendo a cara e entrando pro mundo do crime. É essa a única imagem que vêm a cabeça de quem é pouco informado a respeito e é também a única imagem que os conservadores querem que a população tenha. Imagem extremamente injusta porque nem todo imigrante é problema, nem todo refugiado é criminoso, nem todo exilado é lixo. Muitos dos que imigram pra cá trazem com eles força de trabalho, dedicação, respeito, cultura e divisas.

E por fim, para um partido que séculos atrás invadiu e conquistou territórios na África do Sul, Hong Kong, India, Austrália e Falklands (?), fazer discurso de que cada um deve ficar em seu lugar é no mínimo hipocrisia. Muitos dos que aqui pedem asilo vêm de países cuja própria política invasiva dos países ricos tornou o lugar insuportável de se viver.

É isso.

Escrito a mão pela Marcia às 11:55 AM | mais em That British Kingdom

abril 9, 2005

Who Cares?

Hoje realiza-se um casamento real no Reino Unido. O príncipe herdeiro da coroa real une laços matrimoniais.

And who cares?!?

Quase ninguém aqui no solo britânico está interessado no que acontece hoje. Muitos sequer sabem do acontecimento. A BBC tem o direito à transmissão, mas nem fez grandes alardes. A Rainha Elizabeth II também nem vai atender à cerimônia civil.

E a bem verdade mesmo, mesmo é que Charles, o noivo, é extremamente mal visto e pouco querido em seu próprio reino. E ninguém vê os noivos como pombinhos ou coisa que valha.

Se era pra ficar juntos, por que não casaram antes de fazer da vida de Diana um inferno? Se a rainha não aceitava antes, por que aceitar agora? Existe esse gosto amargo na boca da maioria dos plebeus. E também a lembrança do suntuoso casamento de Charles & Diana, os affairs intermináceis de Charles & Camila PB, as declarações horripilantes de Diana sobre sua depressão, bulimia e tentativas de suicídio. Sua estranha e inexplicada morte em Paris. E finalmente os soluços e lágrimas de William e Harris.

Tudo isso ficou para trás, claro. Charles e Camila têm o direito de ficarem juntos, claro. Eles não precisam da aprovação do público para casarem, claro. Vai ter uma porção de gente acenando bandeirinhas durante o cortejo, claro.

Mas está longe, muito loge de ser um evento que vai manter a população na frente da TV como há 23 anos atrás.

Update: Acabamos de chegar de uma longuíssima caminhada e o casamento acabou de começar. Então deixei a TV ligada porque não se pode perder nenhuma oportunidade de ver William vestido em fraque completo!

Ing, ing, ing Will is our King!
Ing, ing, ing Will is our King!
Ing, ing, ing Will is our King!

:o)

Escrito a mão pela Marcia às 9:54 AM | mais em That British Kingdom

fevereiro 21, 2005

Food Alert

Estamos vivendo um dos maiores recalls de alimentos da história do comércio do Reino Unido. Uma substância para coloração artificial, chamada Sudan I e possível causadora de câncer, foi encontrada em centenas de produtos britânicos. A maioria dos supermercados já tirou os produtos das prateleiras e a FSA - Food Standards Agency está investigando mais potenciais alimentos que possam ter sido contaminados.

A lista vai desde um pacotinho de batata frita, até noodles, pizzas e comidas prontas, de supermercados simples e também dos mais populares e sofisticados. Asda, Tesco, Iceland, Sainsbury's e Waitrose estão na lista, bem como muitos outros.

Essa lista pode ser acessada pelo site da FSA ou no site da BBC.

A FSA já divulgou à população que "o consumo de Sudan I não traz riscos imediatos de doença e a exposição à substância que pode contribuir para o desenvolvimento de um câncer não quer dizer que necessariamente vá acontecer".

Escrito a mão pela Marcia às 5:30 PM | mais em That British Kingdom

dezembro 18, 2004

3 ANOS NA INGLATERRA

3Years.jpg

Hoje comemoro 3 anos vivendo feliz na Inglaterra. Três anos domando emoções que sempre são cavalos selvagens. Não tenho muito discurso a fazer, apenas posso dizer que foram os três anos mais intensos e mais felizes da minha vida.

Escrito a mão pela Marcia às 11:41 AM | mais em That British Kingdom

novembro 21, 2004

Enquanto isso na rua de trás

As janelas dos quartos do nosso apartamento dão de frente para o condomínio de casas vizinho. Hoje de manhã levantei e abri a cortina e vi algo diferente na frente de uma das casas. Achei que fosse decoração de Natal brega, mas assim que puxei o véu, pude ver melhor e o ar até me faltou. A casa havia sido completamente vandalizada com tinta branca em palavras nada amigáveis, slut, whore -- que o analfabeto escreveu duas vezes "hore", não sabe nem xingar direito --, prostitute, HIV, etc. Tudo escrito em letronas para ler de longe. A polícia já estava lá falando com a dona da casa, que é novinha e estava revolta, tremendo e fumando feito louca. Tiraram várias fotos e depois a moça limpou o que conseguiu das janelas e da porta. As paredes continuam escritas. Não é a primeira vez que a polícia aparece por lá, o ex dessa mulher vive esmurrando a porta, fazendo escândalos no meio da madrugada, um horror. Baixaria bretã. Eu, hein?


Escrito a mão pela Marcia às 8:58 PM | mais em That British Kingdom

novembro 18, 2004

Band Aid 20

"Twenty years ago I performed at Live Aid. You saw me and my generation demanding a change. Once again, here we are 20 years later and more people die of hunger in Africa than war and Aids put together. In a world of plenty, it is hard to imagine that there are African children going to bed tonight hungry. Bob Geldof and his friends are here to remind you that none of us can forget. Not ever. Feed the world. I am honoured to introduce Band Aid 20."

Foi assim que Madonna apresentou a estréia mundial do projeto Band Aid 20, hoje a noite. Novos rostos, novos artistas, mesma música e mesmo objetivo: ajudar aos miseráveis na África que morrem de fome em números mais gritantes que as guerras e a AIDS juntas.

Quando a música começou a tocar, foi impossível não comparar com a versão anterior. Lá pelas tantas eu pensei "ihhh vou sentir falta da voz do Bono". E eis que quando a estrofe chegou, ele e seus óculos azuis apareceram para cantar o mesmíssimo trecho "well tonight thank God is them instead of yoooouuuu...", acompanhado de Paul McCartney na guitarra.

Achei bacana esse remake para as gerações que nunca ouviram falar de Bob Geldof. Não sei se para essa geração está sendo tão emocionante de ver seus ídolos como Robbie Williams, Kate Melua, Sugarbabes, Coldplay, Jamelia, Busted, entre outros, quanto foi para nossa geração com Duran Duran, U2 e George Michael. Os velhacos da minha geração já estão criticando bastante a nova versão. Mas não tem jeito, como eu disse antes, música naquele tempo era música. Mas hey, ainda assim é bacana para arrecadar fundos para o Sudão, entre outros países africanos em estado de calamidade humana.

O projeto espera vender 500.000 cópias na primeira semana.

Feed the world.

Escrito a mão pela Marcia às 6:23 PM | mais em That British Kingdom

outubro 13, 2004

Chuvas de Outono

Hoje choveu muito. Bastante mesmo. E eu precisava ir ao correio sem falta hoje para despachar uns documentos. Mas com a chuva e o vento forte, fiquei presa em casa comendo meu novo mingau de aveia e chocolate, que apesar do nome CocoPops, é muito bom. A chuva parou um pouquinho, mas o céu ainda estava negro. Esperei mais um pouco, almocei, papeei com a Mary (desculpa o atraso, viu queridoca?) e choveu de novo.

Agora a tarde as nuvens foram todas embora, o sol brilhou e o céu azulou. Fui correndo pro correio, que fica a uma distância de quinze minutos andando no meu passo apressado. Peguei fila lenta, despachei tudo e quando saí o céu já estava com algumas nuvens ameaçadoras de novo. Voltei correndo para não ser pega na chuva no meio do caminho. Ufa, consegui.

Outono é assim mesmo nestas terras, até aonde sei. Chove um pouco, pára, chove mais um pouco, pára. Até chegar o inverno quando então não pára de chover nunca mais até maio. Oh dear.

:o)

Escrito a mão pela Marcia às 3:23 PM | mais em That British Kingdom

setembro 15, 2004

Caça aos Caçadores de Raposa

Há tempos que a Inglaterra não via uma manifestação tão violenta.

O Parlamento inglês hoje viveu dias de confusão, revolta e fúria. Hoje foi o dia da primeira votação entre os ministros para banir a caça à raposa como "esporte". Centenas de protestantes, a maioria vindos das áreas rurais (e nobres) do país encheram as ruas de Londres para mostrar sua indignação contra a votação. De outro lado, mais uma outra centena de manifestantes a favor do fim da caça também se fizeram presente.

Os mais enfurecidos, claro, eram os que estavam lá para defender a caça, já que a única alegria da vida deles é vestir um fraque vermelho, colocar a bunda em cima de um cavalo e ir matar animais indefesos. Em um momento vários tentaram invadir o Parlamento e a polícia desceu o cacete neles, como há muito tempo não se via. Vieram reforços, uns loucos conseguiram invadir, mas felizmente não estavam armados e logo foram controlados.

Um dos pró-caça falou pra BBC que independente da lei ser aprovada ou não, eles vão continuar caçando semanalmente e não estão nem aí pra Tony Blair. E ainda complementou: "Existe coisa melhor do que você passar o seu final de semana com as crianças caçando?!?"

Eu assisti a isso e pensei: "Peraí. Perdi o caminho ou esse infeliz tá dizendo que num tem coisa melhor do que ensinar suas crianças a matar um animal à toa, cruelmente, debilmente???" Ah, vá pros quintos que te carregue de cavalo e fraque vermelhinho pro inferno. Perdi a finesse, pronto. Bando de gente ostentadora, esnobe, cruel, nojenta. E como diria Golum, murdererssss!!

Não há desculpa que justifique essa ação elitista e cruel, não há. Raposas não são pragas, não são superpopulosas, não matam indiscriminadamente. Se fosse assim bem que eles poderiam ir caçar ratos, que tal? Caçar ratazanas em áreas pobres e sem saneamento básico vestindo seus casaquinhos de merda??

Raposas ou qualquer animal que seja têm o direito à vida, têm o direito a um controle populacional correto, têm direito à ir e vir em terras que sempre pertenceram à eles, mutualmente com outros tantos.

Agora vem esse bando de gente encher as ruas de Londres com cartazes dizendo "Freedom", "No Prejudice" (O que? Ser contra a matança agora é preconceito??) e "No Ban". A faça me o favor.

Ban sim. Ban. Ban. Ban. Bem na cabeça deles. Ban.

A primeira votação foi hoje. A maioria do Parlamento votou A FAVOR DO FIM DA CAÇA À RAPOSA. Vai haver uma segunda votação, com os Lords. Mas já estamos na frente. Yeah.

Pronto, falei.

Escrito a mão pela Marcia às 10:51 PM | mais em That British Kingdom

abril 3, 2004

Grand National

GrandNational.jpg

Hoje acontece um dos mais tradicionais eventos da Inglaterra: a anual corrida de cavalos chamada Grand National. Eu me lembro que de vez em quando a TV no Brasil mostrava uma notícia ou outra sobre o evento, sempre destacando o glamour das mulheres e seus chapéus exóticos.

GrandNational2.jpg

E hoje de manhã um comentarista da BBC fez o seguinte esclarecimento para o benefício da humanidade: "a grande maioria das pessoas acha que o público do Grand National é composta basicamente por elegantes membros da aristocracia. Mas na verdade, são um bando de gente comum usando roupas ridículas".

HOHOHOHOHOHOHOHOHOHOHO!

:p

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abril 1, 2004

House of Lords

Algo que me surpreende e me enche de admiração aqui no Reino Unido é ver como o Parlamento, ou House of Lords, funciona. E como funciona bem, na maiorida das vezes. Obviamente que, como todo governo de qualquer parte do mundo, está longe de ser perfeito ou de ter políticos perfeitos. E longe de mim querer comparar o sistema parlamentar inglês com o sistema republicano brasileiro. São dois mundos diferentes, duas realidades distintas.

Porém, me enche os olhos quando assisto aos inflamados confrontos na House of Lords, chamados de Starred Questions, onde o partido do governo fica frente a frente com a oposição para responder à quatro questões na segunda e na quinta, e cinco questões na terça e na quarta de cada semana.

Todos os ministros do atual partido governista sentam de um lado e os ministros da oposição sentam do outro. Então um dos minitros da oposição fica em pé e exige respostas e justificativas de uma determinada ação feita pelo governo, sobre um determinado assunto. O ministro governamental responsável pela questão então se levanta para responder, enquanto que o da oposição deve se sentar e ficar calado até que o outro ministro termine de falar e volte a sentar. É então a vez do ministro da oposição ficar em pé novamente e rebater as justificativas do governo. E assim sucessivamente. A cada parte é dado o direito à resposta, respeitosamente.

Dessa forma, a todo instante, todas as ações do governo são revistas, debatidas, criticadas ou examinadas. Não importa se Tony Blair é o Primeiro Ministro porque na House of Lords ele não é o rei da cocada preta. Deve justificar e explicar aos ministros e principalmente à nação o porquê de seus atos, mostrar evidências, provar quando necessário, ser julgado se for preciso.

Além de ser o lugar dos mais importantes debates políticos do Reino Unido, o House of Lords funciona também como corte judicial, a Suprema Corte de Apelação. Cabe à Casa praticar também as votações contra ou a favor que dê poderes ao atual governo para agir em questões polêmicas, como foi a invasão ao Iraque.

E esse é um bom exemplo para mostrar que nem sempre a House of Lords age de acordo com a vontade da nação. Nem sempre funciona bem, nem sempre suas ações tem o desfecho desejado ou esperado.

Mas de uma certa forma, é impossível deixar de admirar a seriedade de alguns políticos que lutam diariamente para fazer o Parlamento funcionar como se deve, de forma democrática, respeitosa e civilizada. É óbvio que não fazem mais que a obrigação, mas não deixa de ser admirável.

Notem que em nenhum momento fiz qualquer referência ou comparação com outra forma de governo de qualquer outro país. Há prós e contras de cada forma de governar, levando em conta a realidade de cada sociedade. Esta é a forma que funciona no Reino Unido desde o século 14, muito antes do Brasil sequer ser descoberto. A House of Lords é parte da mais velha democracia parlamentar do mundo. Neste aspecto, há muito o que se aprender com os ingleses.

Escrito a mão pela Marcia às 12:17 PM | mais em That British Kingdom

fevereiro 27, 2004

Neve, neve, neve

Quando neva aqui no sul geralmente dura meia horinha, no máximo uma hora. E eu fico pulando de janela em janela para não perder nadinha. Ontem porém, começou a nevar no comecinho da tarde e nevou, nevou, nevou, nevou por hoooooras a fio. Quando fomos dormir ainda nevava forte, com flocos grandões e eu ainda estava na janela, espiando tudo. Hoje de manhã estava tudo branquinho, telhados, carros, árvores, jardins, tudo. Lindo! Agora o sol voltou e está derretendo tudinho. A temperatura está entre 0ºC e 1ºC. Mas nem me importo com o frio, pelo menos o sol está por aqui! :o)

Escrito a mão pela Marcia às 10:46 AM | mais em That British Kingdom

janeiro 29, 2004

Blizzard

Ontem a noite vivi meu primeiro blizzard, ou tempestade de neve, na Inglaterra. Lindo e assustador ao mesmo tempo. Trovões, relâmpagos, ventos violentos assobiando alto e muita neve. Demorou mais ou menos uma hora e, por sorte, Mr.M havia acabado de chegar em casa quando começou. A neve acumulou um pouco, não muito a ponto de enterrar os passos. Porém, quando o blizzard parou, a neve derreteu e o frio intenso (chegamos a uma sensação térmica de -8ºC) acabou condensando e as ruas ficaram lisinhas de gelo. Hoje de manhã ainda está tudo branquinho. Parece neve, mas não é. É puro gelo solidificado.

Blizzard1.JPGBlizzard2.JPG

Os pais dos Martin, que estavam trabalhando na casa da irmã dele, não conseguiram voltar para casa e preferiram dormir por lá mesmo para não ter que dirigir em pleno gelo.

Hoje amanhecemos com temperatura de -3ºC e com sensação térmica de -7ºC. A prefeitura está jogando sal nas estradas e nas ruas principais e tentando limpar o gelo. Estamos na expectativa de que a temperatura se eleve e derreta tudo pelo bem da segurança de todos. Ufa.

Escrito a mão pela Marcia às 9:27 AM | mais em That British Kingdom

janeiro 9, 2004

Fluência, where art thou?

Para quem acha que eu já deveria estar completamente fluente na língua inglesa por morar aqui por mais de dois anos e estar casada com um espécime britânico, sinto muito decepcionar, mas ainda não cheguei lá (seja "lá" onde quer que seja).

Devo confessar que tenho completa pânica-pavora-horrora de falar no telefone em inglês. Não, na verdade não é de falar, mas sim de ouvir em inglês. Por telefone não há expressão corporal, não há lábios para ler, não há nenhuma dica para facilitar as coisas. Alguns telefonemas eu entendo bem, outros são completos e totais fiascos. Quando eu posso, passo o telefone para Mr.M decifrar, mas geralmente tento decodificar por mim mesma.

Hoje precisei ligar para o hospital para confirmar meu exame de ressonância magnética. Ensaiei mil vezes, pedi para Mr.M me explicar exaustivamente tudo o que poderia ser perguntado para mim. Já havia ligado antes mas não consegui ter certeza de ter confirmado. Fiascão. Então desta vez não queria errar, precisava confirmar o exame, principalmente porque o dia do exame já está se aproximando, depois de ter esperado desde junho o hospital marcar a data. Talk about pressure? Daí hoje de manhã liguei. A atendente perguntou meu nome, número de referência do exame, tipo do exame, hora e data marcada. Respondi tudo certinho e ela agradeceu. Mas antes que ela desligasse ainda perguntei se estava tudo mesmo confirmado. Ela disse que sim, que estava. Pheeeeeew. Passou. Consegui.

Obs: A ressonância magnética é parte dos exames de audiologia que estou fazendo. Finalmente vou poder saber o que há dentro da minha cabeça além do vento.

Escrito a mão pela Marcia às 9:38 AM | mais em That British Kingdom

dezembro 23, 2003

The English Way

Natal é quase o mesmo na maioria dos países ocidentais. Mas alguns detalhes são bem característicos de certos países. A Inglaterra, que está se tornando a cada dia mais um país multicultural, ainda preserva várias tradições no seu dia-a-dia e não poderia deixar de ser diferente quando o assunto é o Natal. A maioria de vocês já deve ter visto em filmes ou lido em livros, então vou descrever aqui só os costumes mais peculiares.

Mistletoe.jpg A começar pela decoração da casa. Além da tão previsível árvore de Natal e das guirlandas na porta, é muito comum encontrar pendurado na porta de entrada, um ramo de galhos de folhinhas verdes e pequenas flores branquinhas. É o mistletoe. Diz a tradição anglo-saxônica, que um homem deve beijar uma garota que, sem ter idéia, se encontrar acidentalmente embaixo de um ramo de mistletoe pendurado no teto. Na verdade este costume vem da época dos druidas, que acreditavam que o beijo trocado embaixo da árvore mistletoe era sinal de amizade e boa vontade.

É comum também expor todos os cartões recebidos dos amigos e parentes. Não há regra. Eles podem ficar no parapeito da janela ou embaixo da árvore na Natal. Mas é bem comum estender um longo barbante na parede e colocar todos os cartões pendurados nele.

Xmascards.jpg

Do lado de fora, Christmas Carols batem na sua porta e oferecem um coro de músicas natalinas em troca de alguns pencies para instituições de caridade.

Na véspera de Natal, o Christmas Eve, não há ceia, mas há ótimos filmes na TV, hehehehe. A celebração fica para o dia seguinte. A manhã do Natal é reservada para abrir os presentes (oohh, you shouldn't have!), abraçar as pessoas queridas e desejar Feliz Natal. Panetone ainda não é um costume natalino. É possível comprar o panetone, mas os britânicos não sabem ao certo o que fazer com ele, então preferem fazer um chá com torradas mesmo para o café da manhã.

Mincepie.jpg E então, para acompanhar o chá e começar a comilança, entram em cena os mincepies, extremamente apreciados pelos bretões. São tortinhas doces recheadas de frutas secas embebidas em rum, imitando tortas salgadas de carne moída, daí o nome. Porém, eu passo bem longe deles já que não gosto de frutas secas. E já que a comilança começou, melhor mesmo abrir uma garrafa de vinho. Ainda não chegamos ao meio dia, mas em muitos lares o vinho já reina absoluto, enquanto o almoço está sendo preparado. Até o final do dia, vários litros serão ingeridos.

Turkey.jpg Há muito tempo, o prato principal do Natal britânico nunca fora o peru. O ganso era o prato de centro da mesa. Mas com a influência americana, hoje o peru é o rei e quanto maior, melhor. Turkey and all trimmings é o tema da celebração natalina britânica, que inclui: peru assado e recheado com carne de linguiça, batatas assadas, cenouras cozidas, repolho roxo refogado, couve de bruxelas, Yorkshire puddings, tudo regado com o gravy, que é o molho feito do caldo que sobrou na forma em que o peru foi assado.

Crackers.jpg Mas antes que todos sejam servidos, um singelo presentinho descansa sobre os pratos. Parece uma bala em tamanho gigante, feito de papel brilhate. São so famosos crackers! E devem ser aberto por duas pessoas. Cada um segura uma ponta do cracker e puxam em direção oposta. O cracker então se abre, fazendo um pequenino estouro quando a tira explosiva se rompe. Todos os convidados têm direito a um cracker. Dentro de cada cracker há um chapéu de papel, um brinquedo e uma piada ou um ditado.

Começa então o tão esperado almoço de Natal, com toda fartura de comida e bebida possível, que dura até o entardecer. Uma pausa para a digestão, uma longa caminhada no frio de inverno, assistir ao pronunciamento de Natal da Rainha Lilibeth e logo todos estão novamente de volta a mesa, mas com outro objetivo. Começam então os jogos! Trívia, um jogo de perguntas e respostas, é também a tradição entre as famílias britânicas, aficcionadas por esse tipo de desafio.

Xmaspudding.jpg E quando você pensa que não pode comer mais nada, as luzes são apagadas e da cozinha você vê alguém trazendo algo em chamas, fumegando. É o tão esperado Christmas Pudding!! Um bolo muito rico e compacto, feito de especiarias e frutas secas, regado de brandy e aceso em chamas para causar impacto. Hey! E não é que ainda cabe mais um pedaço desse bolo no seu tão estufado estômago? Uma fatia de de Christmas Pudding e muito creme custard em volta. Sempre levo outra opção de Christmas Pudding para a festa, na versão chocolate, para os aversos às uvas passas como eu. Para acompanhar? Vinho, claro!

Ao final da comilança, chega a hora de assistir ao capítulo especial da novela EastEnders, que tradicionalmente tem um casamento acontecendo no dia de Natal, bem como diversos outros desastres, um dramalhão enorme para um dia feliz.

E o dia termina com mais conversas, mais vinhos e algumas taças de vinho do Porto para celebrar dignamente. Nessa hora do vinho do Porto, que já avança para o dia 26, eu já me retiro para colocar meu pijama quentinho e me esticar para hibernar e digerir tudo até o Boxing Day, que é comemorado no dia 26. Muitos sanduíches de peru com molho de cranberry ainda nos aguardam no dia seguinte. E o Ano novo já está então quase chegando e outro almoço especial está por vir, junto com os fogos de artifício, a champagne, os abraços e os desejos de um ano muito melhor.

E tudo isso que escrevi aqui é para dizer que tenho muitas saudades dos Natais com minha família, dos amigos-secretos, do monte de risadas, da confraternização, dos amigos telefonando, das crianças pulando com os presentes, de tudo.

Para mim tudo aqui ainda é novo, diferente, estranho. Mas não reclamo, curto bastante o Natal com as tradições desse povo tão tímido e ao mesmo tempo tão bem-humorado. Aproveito o Natal ao lado do meu marido e é por ele também (além de mim) que me sinto feliz no Natal comemorado aqui. Entro na mesma dança, faço parte da família, me divirto com eles. Não me sinto culpada de não estar no Brasil, não me sinto triste de forma alguma. Porque na verdade estão todos presentes na minha vida, estão todos aqui comigo, para onde quer que eu for.

E para vocês todos, pai, mãe, meus irmãos, meus cunhados e meus sobrinhos, para vocês todos meus amigos, para vocês todos leitores, desejo de todo meu coração que vocês tenham um Natal encantador, seja lá como for, seja lá qual sua tradição, seja qual for sua crença, mas que seja recheado de sentimentos bons, de sorrisos sinceros e de coração leve.

E um Ano Novo de 2004 de muitas coisas boas acontecendo em nossas vidas, de mudanças positivas, de crescimento pessoal e principalmente de muita paz no coração e de muito amor para fora dele.

Xmasbaby.jpg

Um grande beijo a todos, e nos "vemos" novamente nas palavras escritas em 2004.

FELIZ NATAL E JOLLY GOOD 2004!!

Márcia & Mr.M

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setembro 11, 2003

Chelsea

Eu não sei por que a gente perde tempo, viu. Tsc. Ontem a gente poderia muito bem ter desligado a TV e ido ler um livro, conversado sobre uma coisa qualquer, ter jogado Scrabbles ou simplesmente ter dormido.

Mas não, ficamos na sala assistindo pela BBC um programa sobre o bairro londrino chamado Chelsea. Absolutamente deplorável, desprezível (toda vez que uso essa palavra me lembro do Patolino falando pro Pernalonga "você é desprezível"; só quando assisti ao desenho aqui que percebi que em inglês ele tenta dizer you're disgusting, com sua língua presa! Por que que eu tô falando disso??).

Chelsea não pode ser chamado de um bairro rico. Não pode porque muitos bairros em Londres são ricos. Chelsea é um bairro milionário, de gente que tem muitos zeros à direita na conta bancária. Os apartamentos valem em torno de £5mi a £8mi e não há nem tradução desse dinheiro em português.

Se o programa se limitasse a mostrar a riqueza, ou melhor, a milionardeza do bairro, dos prédios, das lojas e dos carros, tudo bem. Mas não, eles focaram os holofotes diretamente nos milionários.

Gente que não consegue formular uma frase sem fazer referência a uma marca famosa. Cartier, Gucci, Lamborguine, Chanel. Chega a ser patético. Gente que precisa mostrar que merece o status de viver em Chelsea. Gente extremamente, tristemente desinformada, completamente fora da realidade.

Argh. Daí veio a melhor parte. Uma americana que se mudou para a Inglaterra exclusivamente para que seu filho estudasse em Chelsea. Ela sofreu de um câncer que hoje está controlado, ela está no final do tratamento. Nessa hora, nós pobres mortais, estávamos angustiados em nosso sofá sem marca, assistindo à nossa TV que não é de plasma, esperando que ela finalmente nos dissesse que na verdade a prioridade das nossas vidas não é o dinheiro e que o câncer ensinou a ela a enxergar a vida com outra perspectiva. Você havia pensado isso também? Ah, pobre de ti, tsc... sabe de nada. A lady vai diretamente na Harrods, pega uma bolsa e diz: "Quem é que conhece alguém que não tem uma bolsa Chanel? Não existe. TODO MUNDO tem uma bolsa Chanel". Aaaargh.

E obviamente não parou por aí. A lady e a amiga vão a um restaurante e começam uma conversa "intelectual", para mostrar às câmeras que há algo por baixo da cabeleira cheia de adornos. O programa foi gravado na época da invasão ao Iraque e as ladies estavam pra lá de preocupadas.

Lady: "...então, Fulana, esse negócio de guerra me preocupa intensamente. Sabe que Chelsea é um bairro muito eclético, onde vivem muitos americanos como eu, não é? Pois então, meu medo é que os terroristas escolham justamente nosso bairro como alvo! Eles são bem capazes de fazer isso, não são??"
Amiga da Lady: "...por isso meus filhos nunca vão usar transporte público aqui. Nunca, muito arriscado, eu não deixo".

AAAAAAARRRGGGGGHHHHH!!!! Alguém jogue uma bomba lá na mesa delas imediatamenteeeee!!!

Mr.M ficou gritando pra TV: "e desde quando algum terrorista tá preocupado com a *piiiiii* de Chelsea?!?" Hahahahahahaha

Completamente sem noção de nada. Depois teve outra garota mais novinha, que trabalha com promoção de desfiles de moda. Fez questão de tocar ao piano e mostrar a marca Steinway estampada. E ainda comentou: "Uma vez contei numa classe que tinha um Steinway e as pessoas não acreditaram!! Eu tenho um, tenho sim, olha aqui". E ainda completou dizendo que num jantar na Suíça, com um grupo de alemães e suiços, a professora teve que ensinar algumas meninas a como segurar os talheres. "Mas ela não falou nada para mim porque mami me ensinou boas maneiras desde pequena".

Oh God... Não tenho absolutamente nada contra quem tem milhões na conta bancária, nadinha contra. Algumas pessoas descendem de empreendedores que um dia acertaram na vida. Mas é totalmente deprimente ver que alguns vivem fora da realidade, num conto de fadas ridículo, sem sentido. De certa forma, é muito bom não fazer parte dessa elite.

Escrito a mão pela Marcia às 9:36 AM | mais em That British Kingdom

setembro 3, 2003

Cozinha Maravilhosa de Delia

Os ingleses também têm a Ofélia deles. Ela se chama Delia, seus livros estão sempre no topo de vendas. Em seu programa televisivo How To Cook, ela explica desde para que serve um liqüidificador até como usar um maçarico. Anteontem ela ensinou em detalhes a extrema arte de como cozinhar um ovo (!!).

Escrito a mão pela Marcia às 8:43 AM | mais em That British Kingdom

agosto 14, 2003

MC Blair, Yo!

Recebi esta notícia da minha querida amiga Samara, que é, assim como o marido Milton, bípede de estimação do Tamuz e da Cassy. A primeira-dama Cherrie Blair é a rainha dos micos aqui na Inglaterra, impressionante. Paga cada gorilão! A mais recente novidade é que numa viagem que ela fez acompanhando Tony Orelhudo na China, ela desatou a cantar num karaokê. Daí para um DJ fazer uma versão remix foi um pulo. E agora esse é o hit do verão europeu! Cada uma... O Channel 4 conseguiu as imagens dela cantando desafinada no karaokê, so embarassing...

Escrito a mão pela Marcia às 9:52 AM | mais em That British Kingdom

julho 21, 2003

BBC e Dr. David Kelly

Foi um almoço informal.

Dr. David Kelly era um cientista renomado, consultor do Ministério da Defesa Britânico. Passou várias semanas no Iraque na época em que o dossiê sobre as armas de destruição em massa foi elaborado.

Um jornalista da BBC, Andrew Gilligan, o procurou e pediu a Kelly que o encontrasse para um almoço informal porque precisava da ajuda dele para se preparar antes de partir para uma reportagem em Bagdá.

Dr. Kelly já conhecia Gilligan e concordou em recebê-lo e dar instruções sobre o Iraque. No almoço, conversa vai, conversa vem, Gilligan tocou no assunto do dossiê. E Dr. Kelly acabou vazando a informação que o dossiê foi "transformado" de maneira exagerada, tornando possível levar a invasão ao Iraque a diante.

Com esse dossiê "transformado", Tony Blair fez seu discurso inflamado no Parlamento, onde explicou que Saddam Hussein poderia mobilizar armas de extermínio em massa 'em apenas 45 minutos'.

De volta à BBC, Gilligan detona a bomba. No dia seguinte, a manchete nos telejornais explode: "Funcionário de alto escalão da inteligência britânica reconhece que dossiê das armas de destruição em massa foi manipulado".

Começa então a investigação no Parlamento para saber quem é o tal funcionário. Jornalistas se transformam em detetives. Toda a mídia investiga todos os passos dos principais membros da defesa.

Gilligan informa o dia, o horário e o local do encontro com o "funcionário da inteligência britânica", mas não o nome. Não muito tarde, cruzando os dados com as agendas dos membros da defesa, o provável nome do Dr. Kelly está em todos os jornais.

O parlamento interroga Dr. Kelly duramente, exigindo explicações pela entrevista não-autorizada, colocando-o como alvo de todas as acusações. Dr. Kelly entrou em choque quando os parlamentares o colocaram à frente de oficiais de alto escalão para eximi-los de culpa. Dr. Kelly era um cientista, afinal. Não era o Primeiro Ministro (Blair), nem chefe de comunicações (Campbell), nem o responsável por escrever o dossiê. Mas a implacável mídia britânica acendeu seus holofotes intensamente no cientista, a polícia lacrou sua casa, o Parlamento o escolheu como Cristo.

Dois dias depois de seu depoimento no inquérito do Parlamento, Dr. Kelly foi encontrado morto, em um bosque perto de sua casa em Oxfordshire, com o pulso cortado e pílulas analgésicas no bolso.

A investigação sobre o dossiê continua, assim como o da morte do cientista. Mas a repercussão agora está na ética da mídia britânica e o seu preço. O que mais se ouve aqui é que jornalismo precisa ser revisto. Porque uma coisa é investigação jornalística, a outra é exterminar uma vida. O público tem direito a informação, mas quem em sua sã consciente ainda achava que o Iraque tinha mesmo armas de destruição em massa, quando nada foi provado? A declaração de Dr. Kelly não trouxe nenhuma surpresa.

Um chefe de estado e um Primeiro Ministro continuaram suas rotinas livres, leves e soltos. Enquanto isso, um cientista foi acusado. Forçado a lembrar das mortes, dos ataques, das famílias destruídas, das criancinhas retalhadas.

E outra vida se foi. Era um almoço informal, a princípio. Uma declaração, um 'furo de reportagem', um suicídio, talvez um homicídio.

No final de seu depoimento, os parlamentares perguntaram a Dr. David Kelly o que ele havia aprendido como lição neste caso. E Dr. Kelly respondeu: "nunca confie num jornalista". Mais uma mancha para marcar as páginas não tão limpas da mídia britância.

Escrito a mão pela Marcia às 10:04 AM | mais em That British Kingdom

abril 9, 2003

Jeitinho Inglês

O programa Who Wants to Be a Millionaire, que deu origem ao Show do Milhão do Seu Sílvio, teve seu dia de podridão aqui na Inglaterra. O mesmo formato do programa é produzido em diversos países e até hoje, apenas 50 pessoas no mundo conseguiram a façanha de ganhar o prêmio de um milhão.

Em Setembro de 2001, no entanto, o major das Forças Armadas Britânica, Charles Ingram, foi um dos competidores que alcançou o
prêmio maior aqui na Inglaterra. Porém, a equipe do programa desconfiou de maracutaia. O engraçadinho do major combinou com seu amigo e sua esposa o seguinte esquema: quando ele ou o apresentador Chris Tarant falasse a resposta certa, dentre as outras de múltipla escolha, eles deveriam "tossir" para dar a dica de que aquela era a resposta certa. A façanha deu certo, o major foi muito aplaudido pela platéia e congratulado pelo apresentador. Mas a equipe do programa desconfiou de armação, chamou a polícia e suspendeu o cheque. Este programa nunca foi ao ar, desde então.

O caso foi para os tribunais, os acusados alegaram ser inocentes, mas foi provado que houve mesmo fraude. A última questão, valendo um milhão, foi a decisiva para o encerramento do caso. A questão era:

O número 1 seguido por 100 zeros é conhecido por que nome?
a) Googol
b) Megatron
c) Gigabit
d) Nanomol

O major, chegou a comentar "hmmm, eu acho que é Nanomol, mas poderia ser Gibabit também... nunca ouvi falar em Googol". E, assim que ele mencionou a palavra Googol, cofffcaufcaufcof, uma tosse clara e forte foi ouvida. E o major escolheu a resposta certa (Googol), sem pestanejar. Elementar, meu caro!

Ontem saiu a sentença da justiça: o casal, que obviamente não ganhou milhão nenhum, foi multado em 30.000 Libras e o amigo que os ajudou, em 10.000 Libras. Eles também haviam sido condenados à 12 meses de prisão, mas o juiz suspendeu a pena.

Que pôca vergonha!

Escrito a mão pela Marcia às 8:20 AM | mais em That British Kingdom

março 15, 2003

Not in My Name

Hoje lá no centro da cidade teve uma passeata enorme com o pessoal da Bournemouth and Poole College (a universidade local), protestando contra a guerra iminente. Fizeram muito barulho, muitos cartazes bacanas, muitos gritos de guerra em alto e bom tom. Nada como uma juventude para protestar com mais ânimo, força e voz. A maioria dos protestos que acontecem aqui na Inglaterra carregam o tema "Not in My Name" ("não em meu nome"), para deixar muito claro ao mundo que a decisão de Tony O Orelhudo não reflete a opinião de uma nação.

Escrito a mão pela Marcia às 8:55 PM | mais em That British Kingdom

fevereiro 18, 2003

Marmite

E há tempos eu queria comentar sobre o Marmite, mas simplesmente não consigo. Toda casa tem uma. Toda família inglesa tem um pote de Marmite na geladeira. Trata-se de uma pasta fermentada de cor marrom-cocô, cheiro quase idem, que eles espalham em suas bolachas cream cracker junto com uma camada de manteiga. Ainda não entendi qual é a finalidade do produto, que não seja auto-flagelo. Preciso confabular com minha vizinha do leste, a Leticia de Canterbury, para saber se ela já entendeu o que é o Marmite.

Esses bretões são mesmo loucos.

Escrito a mão pela Marcia às 4:12 PM | mais em That British Kingdom

Marmelada de Banana, Bananada de Goiaba...

Um café da manhã típico inglês inclui, entre outras coisas estranhas, uma geléia muito inusitada. Eles chamam de Marmalade, porém, ao contrário do que o nome possa sugerir, é feita de laranjas. Desde a primeira vez que vi um potinho de Marmalade, fiquei pensando: "como pode uma marmelada ser feita de outro fruto que não seja o marmelo?" Inútil perguntar a Mr.M ou a qualquer outro inglês, já que o mais certo para eles é ter uma marmelada de laranja por cima de suas delicadas torradas matinais.

Esses Bretões são loucos.

Escrito a mão pela Marcia às 4:04 PM | mais em That British Kingdom

abril 5, 2002

O Cortejo

Há poucos minutos aconteceu o cortejo da Rainha Mãe nas ruas de Londres, saindo do Palácio de Buckingham até a Catedral de Westminster. Foi muito bonito de se ver, o mesmo ritual desde a Idade Média.

O corpo seguiu sobre um carro antigo de rodas grandes de carruagem. Sobre o caixão, pousava a coroa da Rainha Mãe, a mesma que fica em exposição na Torre de Londres, e também um arranjo de flores brancas com um cartão escrito à mão pela Rainha Elizabeth II, onde se lê "In loving memory, Lilibet", detalhe que comoveu a todos.

Toda a guarda real estava presente durante o cortejo, em passos precisos, usando aqueles chapelões de pelo de urso. Todos os homens da Família Real seguiram a pé, o Rei Philip, o Príncipe Charles, o Príncipe Andrew, o Príncipe Edward, o Príncipe William e o Príncipe Harris.

As ruas por onde o cortejo passava estavam completamente tomadas pela população, mas todos em completo e absoluto silêncio, ninguém acenando, ninguém gritando, nenhuma bandeirinha sendo agitada.

Quando o corpo chegou à Catedral de Westminster, a Rainha Elizabeth II aguardava ao lado do Bispo. O caixão foi carregado no ombro de oito guardas reais. A Família Real seguiu logo atrás e por onde eles passavam, todas as mulheres presentes na Catedral faziam uma reverência dobrando os joelhos e os homens abaixavam a cabeça. Uma rápida prece feita pelo Bispo, velas acesas e quatro guardas apareceram para manter o caixão.

A Família Real se retirou e os carros levando a Rainha e os Príncipes voltaram pelo mesmo caminho do cortejo. Com uma diferença. Agora a população que estava silênciosa, aplaudia em salvas de palmas para o carro da Rainha. Nem ela esperava essa reação espontânea. Depois de muitos anos, a Rainha voltava a acenar para o seu povo, enquanto o Rei batia continência aos mesmos. E as palmas não eram para a Rainha, não eram para a figura imperadora de Elizabeth II. Os aplausos eram a solidariedade do povo para uma filha que perdera sua mãe.

Escrito a mão pela Marcia às 12:56 PM | mais em That British Kingdom