novembro 1, 2006

Second Trip to Hong Kong

IMG_4151.jpg

Fomos à Hong Kong novamente. A razão dessas nossas curtas viagens para o continente chinês se dá pelo fato que Taiwan tem esta estranha e inconveniente política de que os vistos devem ser emitidos somente fora do país. Esta foi a segunda vez que precisei extender meu visto e por isso tivemos que ir até a vizinha Hong Kong. Martin tem o Alien Resident Card, então ele não precisa renovar vistos (aliens podem morar em Taiwan, mas eu não). Mesmo assim ele precisa ir comigo já que meu visto é Visitors Business (uma vez que eu o acompanho nesta viagem à trabalho) e preciso provar que ele existe e é meu marido.

Enfim, já sabíamos de tudo isso, a empresa paga as despesas de vôo, acomodação, taxas e tudo mais. Também já havíamos feito isso antes, em Junho. Desta vez, como já sabíamos aonde ir e como proceder, a empresa organizou pra partirmos a Hong Kong no domingo e nos aconselhou a fazer a renovação do visto na manhã da segunda-feira, pagando a taxa extra para ficar pronto no mesmo dia e, assim, voltaríamos no mesmo dia pra Taiwan e Martin perderia apenas um dia no trabalho.

OK, preenchi o formulário, conferi duas, três vezes se estava tudo certo, Martin checou também; revi os documentos necessários, passaportes, carta-convite da empresa, carta-convite de Taiwan, fotos, certificados de casamento, Alien Card do Martin, tudo certo.

Chegamos no domingo, sol forte, neblina de vapor, calor, claridade irritante. Estávamos com um colega do Martin que também teve que sair do país para ganhar outro visto de visitante, mas ele não precisava ir ao escritório de vistos como eu. Ele só precisa ficar mais uma semana em Taiwan, então só sair e entrar com um visto de turista servia. Levamos este colega, que estava em Hong Kong pela primeira vez, em alguns dos pontos turísticos, vimos a baía, o porto, os arranha-céus. Subimos no The Peak, o alto de uma montanha de onde se vê toda cidade, mas era um horário ingrato, cheio de turistas e visibilidade terrível, como dá pra perceber na foto acima. Almoçamos num restaurante quase italiano (estamos cansados de shoyu), comemos pizzas deliciosas na beira da baía, passeamos em Kowloon e no centro de Hong Kong. Levamos o colega de volta à estação (porque somos bacanas), demos entrada no hotel e saímos para jantar num restaurante fusion japonês. Comemos sushis e rolinhos inovadores excelentes. Seja lá quem foi que inventou de misturar salmão cru com abacate maduro tem todo meu respeito, oh joy, como adoro os "california sushis".

IMG_4165.jpg

Andamos na área Causeway Bay, que é lotada de gente e lojas. Não sei qual é o grande barato do famoso cruzamento de Shibuya (em Tokyo), quando o cruzamento de Causeway Bay na frente do Sogo é muito mais densamente populoso, muito mais cheio, muito mais confuso, muito mais desesperador. Fomos até o Food Hall do Times Square, compramos chocolate Valhona e sake. É, eu sei.

Dia seguinte acordamos bem cedo, tomamos café da manhã no hotel, conferi meus documentos, formulário, tudo certo. Pegamos o metrô, estava estranhamente calmo. Andamos pela rua, o trânsito estava calmo também. Entramos no prédio onde fica o escritório de vistos e logo na saída da escada rolante tinha dois guardinhas numa mesa, que perguntaram para onde estávamos nos dirigindo. Respondi sorridente que ia até o quadragésimo andar. E ele respondeu:

Moço guarda: Not possible. (Não é possível)
Eu: Hein?
Martin: Beg your pardon?
Moço guarda: Not opened today, national holiday (Não está aberto hoje, feriado nacional)
Eu: What...?
Martin: WHAT?!?!?
Moço guarda: Chinese holiday, open tomorrow, come tomorrow (Feriado chinês, abre só amanhã, venham amanhã)
Eu: well... ok, thank you very much.
Martin: WHAAAT?!?!?

Muitos, muitos outros ocidentais chegavam no prédio e recebiam a mesma notícia e faziam cara de perdidos como nós. A partir daí Martin teve uns minutos de pânico. Primeiro porque era feriado, obviamente, e não íamos conseguir fazer nada a respeito do visto. E segundo que teríamos que ficar mais um dia em Hong Kong e ele perderia mais um dia de trabalho. Talvez não fosse um problema se no momento ele não estivesse atravessando um período monstruoso no projeto, onde tudo tem dado errado. Para completar, dois especialistas foram contratados para chegar em Taiwan no dia seguinte só para ter reunião com o Martin. Depois de muitos telefonemas, a Jo mudou nossas passagens aéreas e reservou o mesmo hotel novamente. Ela geralmente sabe todos os feriados e nos avisa quando podemos ou não viajar, mas esse em particular ela não sabia.

Tivemos mais um dia livre, mas foi estranho. Martin estava preocupado e a todo momento os outros colegas ligavam pra ele tirando dúvidas. Obviamente que não queríamos ir pra Hong Kong Disneyland, atender ao celular e fazer os gerentes ouvirem "ele é o maior, viva o Mickey Mouse!" tocando ao fundo. É certo que não era nossa culpa, nem culpa de ninguém, só da China mesmo. Ficamos no centro, sem rumo, sem destino, sem muita empolgação para fazer nada turístico. Compramos cuecas, calcinhas e meias novas, que é só o que importa no final das contas.

Terça-feira, nosso humor já tinha melhorado. Acordamos ainda mais cedo, abrimos mão do café do hotel e fomos até um lugarzinho quase francês onde comemos croissants muito bem feitos, daqueles que formam uma teia por dentro, delicados, sem serem gordurosos e bem macios.

Chegamos no escritório de vistos antes de abrir e havia uma fila com cinco pessoas. Nos juntamos a eles, muitos outros se juntaram a nós e esperamos abrir. Assim que os funcionários chegaram, um guardinha nos guiou para pegar senhas. Todos com senhas e sentados, o guardinha veio distribuir os formulários de vistos. Todos os que estavam na minha frente, assim como os que estavam atrás de mim pegaram o formulário e começaram a preencher ali na hora. E eu fiquei com a minha cara abismada olhando praquele povo todo de cabeça abaixada preenchendo os campos. Pensei comigo, comassim??? Cêis vem aqui no escritório de vistos, sem formulário preenchido?? Jurapordeus que cêis conseguem fazer isso?? E como eu era a única com formulário preenchido e com todos documentos, fui a primeirona a ser atendida. A funcionária checou tudo, conferiu tudo, disse que tudo estava OK e que era para voltar depois das quatro da tarde para retirar meu passaporte.

Atrás de mim um povo já fazendo barulho e confusão porque não sabiam que precisavam disso e daquilo pra dar entrada no visto, gente saindo correndo para buscar documento, gente se descabelando. Antes de sair Martin comentou como é bom que às vezes vale a pena sermos organizados. Very true. Voltamos às quatro da tarde, meu passaporte já esperava com o visto prontinho.

Neste interim, Martin recebeu e fez dúzias de ligações para a empresa, conversou horas com os especialistas que esperavam por ele. E por causa disso, encontramos mais um "problema" para resolver. Como originalmente iríamos ficar apenas uma noite em Hong Kong, Martin trouxe só o celular dele (velho, caquético, da empresa), sem o carregador de bateria. A bateria estava cheia, porém, com tantos telefonemas recebidos e tantas explicações dadas, a bateria idosa logo começou a dar sinais de morte iminente. Precisávamos comprar um carregador de bateria, mas daí precisaríamos também encontrar algum lugar para conectar à energia e já havíamos feito o chekout do hotel de manhã.

710.jpg

Diante das opções, ganhei um celular novinho, hooray!!! Veio com meia bateria carregada e o Martin pôde usar o SIM card dele e continuar trabalhando remotamente. No final tudo deu certo, voltamos pra Taiwan exaustos, depois de três longos dias. Tudo seria tão mais descomplicado se a gente pudesse simplesmente resolver o visto aqui mesmo em Taiwan... Mas "descomplicado" e "Taiwan" não são palavras que combinam entre si. Pelo menos por mais alguns meses ainda estou aqui legalmente.

Escrito a mão pela Marcia às 1:14 AM | mais em M&M in Hong Kong

junho 3, 2006

A Trip to Hong Kong

Passamos intensos três dias em Hong Kong. Os arranha-céus são impressionantes, não só pela altura, mas pela quantidade deles em todo país. Desde instituições financeiras a apartamentos residenciais, luxuosos, humildes ou caindo aos pedaços, a maioria dos prédios têm mais de 50 andares. Por todos os lados grandes colunas que ultrapassam as nuvens, pilhas e pilhas de andares. E gente. Muita gente. Estivemos em Kowloon (no continente chinês) e Hong Kong Island e por todos os cantos, por todos os lados, gente aglomerada, gente indo e vindo em massas, multidões. Quase sete milhões de habitantes e todos eles estavam nas ruas nestes três dias que passamos lá.

E se em Taiwan o sorriso é marca registrada da população, em Hong Kong o mesmo desaparece. Aparências sisudas e comportamento idem são predominantes. Os colegas do Martin que já moraram em Hong Kong nos alertaram do contraste e realmente notamos a diferença nas primeiras horas. Mas três dias são poucos para se ter uma impressão justa de uma comunidade.

Sem contar que choveu. Choveu torrencialmente sem parar. E nosso plano de subir nas montanhas e apreciar os pontos turísticos ao ar livre foram jogados pela janela. Mas mesmo com chuva caminhamos. E como andamos e andamos e andamos. Não há, para nós, melhor maneira de se conhecer um lugar do que andar a pé pelas suas ruas. Usamos o metrô algumas vezes também, que é excelente, principalmente para atravessar o estreito onde o mar divide a ilha de Hong Kong do continente.

Visitamos os fantásticos shopping centers que abrigam lojas Chloé, Manolo Blahnik, Versace, D&G. Nos perdemos nas inúmeras lojas de rua, tudo duty & tax free, que atrai uma multidão de consumidores de todo mundo. Aliás, em Hong Kong, grande parte da população fala inglês muito bem, é bastante fácil se comunicar. No entanto, particularmente, achamos que nem tudo é lá tão barato quanto se espera de um país tax-free.

Assistimos à Sinfonia das Luzes, que acontece todas as noites às oito horas, quando vários dos arranha-céus que ficam na borda da baía fazem um espetáculo com holofotes coloridos. E no final, vimos uma embarcação lindíssima chamada Junk, que parece saída dos filmes de samurais, navegando pela Victoria Harbour.

Comemos muito bem, em restaurantes com culinária japonesa e outro de Singapura (culinária local, pelo que entendi, é chinesa cantonesa). Passeamos num parque chamado Kowloon Park, que tinha tartarugas no lago, flamingos, cisnes e patos (e uma ratazana enorme que passou correndo e me fez correr na direção oposta). Resolvemos os assuntos burocráticos que tínhamos para resolver em Hong Kong. Tomamos toda a chuva possível no meio de uma tempestade que caiu ontem. Compramos dois DVDs para assistir no aconchego do nosso lar temporário, paramos para tomar café e comer um petit gateau maravilhoso e nos despedimos de Hong Kong.

E foi com um imenso sorriso e um suspiro de alívio que chegamos à nossa querida Taiwan, à querida Kaohsiung. Viajar é bom, mesmo que seja só para ter certeza de que seu lugarzinho é ainda o melhor.

HKJUN3.jpg

HKJUN2.jpg

HKJUN1.jpg
Fotos: Mr.M
Escrito a mão pela Marcia às 3:18 AM | mais em M&M in Hong Kong