agosto 9, 2014

One potato, two potatoes, three potatoes, four...

Plantas de batatas não são muito fotogênicas. Que elas não me levem a mal, as folhagens são fartas, as flores são púrpura. Mas não são fotogênicas como os brilhantes tomates, os verdíssimos Cavolo Nero, as reluzentes abobrinhas. Não, simplesmente não há nada para enquadrar em detalhes, sorry dear.





As plantas de batatas em nosso jardim crescem em sacos próprios pra elas. No início colocamos uma camada de terra, duas ou três batatas-sementes e cobrimos com mais uma camada de terra. Assim que as folhas começam a crescer cobrimos totalmente com mais uma camada de terra e assim sucessivamente por mais duas ou três vezes. Batata não é algo particularmente barato de se plantar, é preciso muita terra adubada. Mas também é só disso que elas precisam.

Colher batatas porém é uma das tarefas mais gratificantes da horta. Porque por meses e meses você rega a planta e não vê nada, não dá para checar nada durante esse tempo. E quando o dia da verdade chega você não sabe o que esperar, sucesso ou fracasso. Primeiro cortamos todas as folhas, que vão pra compostagem. Alguns jardineiros simplesmente tombam o saco ou o vaso. Eu vou retirando as camadas de terra aos pouquinhos e descobrindo no processo as jóias que vão surgindo. Mais ou menos como abrir presentes de Natal, só que melhor pela promessa de batata assada com gravy.









Este ano temos duas variedades crescendo, em quatro sacos: Albert Bartlett Apache e Rooster. Minha primeira colheita foi dessas coloridas Apache. 1.800kg, nada mal para três batatas-sementes.





E para celebrar a colheita, uma trilha sonora correspondente:








One potato, two potatoes, three potatoes, four

Five potatoes, six potatoes, seven potatoes more

Hey!



Escrito a mão pela Marcia às 4:29 PM | mais em Tales of the Garden | Comente este fragmento(9)

agosto 1, 2014

One man's glut is another man's dinner

A frase acima é um velho ditado jardineiro que diz "a abundância de um homem é o jantar de outro".

Nosso vizinho tem um jardim enorme, cinco hortas e uma greenhouse. Todas as vezes que eles viajam de férias durante o verão, eu e Miss S somos encarregadas de regar as hortas deles, sobretudo os tomates que ficam na greenhouse. Eles até compraram um mini-regador pra Miss S, que fica lá na greenhouse esperando por ela. Regamos duas vezes por dia nos dias mais quentes, abrindo e fechando a ventilação da estufa, de acordo com a necessidade.

Invariavelmente, todo ano eles nos dão parte da produção deles: tomates, abobrinhas, pepinos, cebolas, o que eles tiverem em abundância. Nós recebemos com muito prazer, tudo recém-colhido e fresco. Eu aprendo muito com eles porque a gente vive trocando experiências nas conversas pela cerca que divide ambos os jardins.

Este ano, finalmente tive algo em abundância na horta. Ervilhas Sugar Snaps cresceram mais do que eu esperava. Colhi todas, congelei algumas, comemos muitas delas. E reservei dois pacotes para dar aos nossos vizinhos. As plantas de ervilhas deles foram completamente destruídas pelas lesmas este ano e eles ficaram bem contentes de receber as nossas. Dividir teve um sabor mais doce que as próprias ervilhas.













E uma colheita que abriu um sorriso em minha alma emburrada foi a de alho. As quatro plantas que estavam na raised bed cresceram bem e deram cabeças de alho enormes e bem firmes e perfumadas. Porém, as doze plantas de alho que estavam crescendo num vaso grande decidiram não criar bulbos. As doze plantas ficaram só nas folhas mesmo. No ano que vem me lembrem de plantar 48 dentes de alho também.

De qualquer forma, plantar alho é sempre lucrativo, um único dente dentro da terra produz uma cabeça com mais de dez dentes, 1000% de lucro.





A espiga de milho continua crescendo devagar, agora temos outras duas espigas apontando para fazer companhia, mas não temos muitos dias de sol até o Outono chegar. Planos de fazer um curau estão suspensos.





Feijão borlotti finalmente decidiu dar as caras mesmo tendo sido vítima do Grande Massacre das Lesmas no começo da primavera. Porém ainda não há o suficiente para encher uma colher de sopa. Planos de fazer uma feijoada estão suspensos.





Tomates estão indo bem até agora. Poderiam estar melhores se eu lembrasse de alimentar com Tomorite com mais regularidade.





A grande expectativa tem recaído sobre os tomates Costoluto Fiorentino, que são tomates do tipo beef steak, grandes, cheios de personalidade. Demoraram uma eternidade para fertilizar e finalmente temos alguns frutos crescendo.





Há outras plantas não-fotografadas em míseras quantidades ridículas. Meia dúzia de cenoura, meia dúzia de parsnips, três brócolis, duas beterrabas, três abobrinhas. E ainda não investiguei para saber a situação das batatas, se vamos ter colheita ou fiasco.

Enquanto isso meu vizinho colheu um carrinho de mão lotado de cebolas, já trançou e pendurou-as na garagem para consumir durante todo o inverno. E nos deu meia dúzia de abobrinhas, que cortamos em palitos, empanamos à milanesa, assamos no forno e devoramos avidamente no jantar, fazendo jus ao sábio ditado.



Escrito a mão pela Marcia às 6:10 PM | mais em Tales of the Garden | Comente este fragmento(4)

julho 22, 2014

A basket full

Finalmente tivemos nossa primeira colheita decente para fazer uma refeição. Couve kale, Cavolo Nero, tomates, alface e ervilhas estão abundantes. Comemos tudo ontem no jantar (menos as flores Cosmos, que enfeitaram o vaso), acompanhados de arroz e feijão preto.

Pela terceira vez estou tentando cultivar milho, temos uma única espiga crescendo, num total de seis plantas. Ano que vem me lembrem de plantar 48 plantas de milho. De qualquer forma estou bastante satisfeita de cuidar da única espiga de milho, assim como da única maçã que restou na árvore. Minha abóbora Kabocha continua crescendo, agora com direito a rede de suporte. Não é a única, mas as outras estão crescendo bem devagar e acredito que não vai dar tempo delas amadurecerem antes do Outono chegar.

Ainda me falta a experiência e a disposição de semear sucessivamente e manter um fluxo contínuo de colheita. Por enquanto minha produção tem sido meramente decorativa, se fôssemos depender dela estaríamos famintos.





















Escrito a mão pela Marcia às 9:48 AM | mais em Tales of the Garden | Comente este fragmento(5)

julho 8, 2014

Blooming Colours



Wollerton Old Hall Rose





Poppy









Cosmos





Marigold





Morango 'Alice'





Autumn Raspberries



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A rosa cor de pêssego da primeira foto foi meu presente de aniversário dos pais de Mr.M. É uma English Rose de uma família de cultivadores especialista em rosas, chamada David Austin Roses. Ela tem esse formato arredondado e um perfume delicioso.

Poppy (papoulas) são flores-simbolo das duas Grandes Guerras Mundiais. Ganhei um pacotinho na revista Gardener's World e entre as típicas poppies vermelhas, cresceu essa cor-de-rosa e branca, que eu nunca tinha visto antes.

As berries estão crescendo em pequena quantidade, nossa colheita se resume a uma ou duas por vez. As poucas cerejas que sobreviveram estão sendo devoradas avidamente pelos pássaros blackbirds que não têm planos de dividir nenhuma comigo. Como o paladar deles é menos exigente, eles comem antes delas amadurecerem, então não sobra nada pra mais ninguém.


Escrito a mão pela Marcia às 11:47 AM | mais em Tales of the Garden | Comente este fragmento(4)

julho 4, 2014

Garden Hopefuls

Eu ainda tenho esperanças de comer alguma coisa que plantei este ano. Lettuce hope (sorry!).



Ervilhas 'Sugar Snaps'





Abóbora 'Kabocha'





Tomates 'Sungold'





Alface Arctic King





Couve 'Red Russian' entre as flores Cosmos




Escrito a mão pela Marcia às 3:51 PM | mais em Tales of the Garden | Comente este fragmento(4)

maio 9, 2014

May is green

Não importa como foram Março e Abril. Maio não espera, Maio não decepciona. Em Maio, faça chuva ou faça chuva, as árvores finalmente explodem em folhas novas, a grama cresce a olhos vistos.

Em nosso jardim estamos assim em Maio:



The Ugly

Continuo fazendo minhas camadas de compostagem. Uma parte de verdes (grama cortada, cascas e restos de frutas, legumes, verduras, saquinhos de chá, pó de café, casca de ovos)



Para uma parte de marrons (papel picado, caixas de ovos, papelão flexível picado, galhos triturados).





The Pretty


Minhas tulipas Apricot Beauty, plantadas no gelado Outono do ano passado.



Macieira Scrumptious. Este ano não deu muitas flores porque podei os galhos severamente no inverno.



Macieira Crab Apple Laura. Nem me lembro se já falei dela aqui. Ela foi comprada junto com a outra macieira para ajudar na polinização. Todo ano ela dá flores e frutas em abundância, que sempre acabam desperdiçadas (crab apples são bastante azedas e ácidas, cheias de pectina para fazer geléias). Passou anos em vaso, mas decidi plantá-la ao lado de sua parceira.



Japanese Acer Osakazuki sobreviveu ao inverno. Exale.





The Good


Brotos crescendo lentamente.



Vagens.



Batatas.



Raised bed enchendo novamente: alho, couve, ervilha, rabanetes. Swiss Chard e beterrabas que passaram o inverno inteiro ali, pequenos tocos quase sem nenhuma folha, agora cresceram e se encheram de folhagem nova e brilhante. Vale a pena tê-las só pelas cores



Colheita: salada todo dia.



Colheita: couve.





The Bad

Não há nada para ver na foto seguinte porque Miss S encontrou uma tesoura e cortou a planta de abobrinha que estava crescendo felizinha e ingênua ali.



A mesma mãozinha arrancou da Raised Bed vários rabanetes que ainda estavam crescendo e uma beterraba. Como se não bastassem lesmas, temos também Sophiead Horribilis atacando o jardim.




Escrito a mão pela Marcia às 8:39 AM | mais em Tales of the Garden | Comente este fragmento(8)

abril 17, 2014

Slow to Bloom

Apesar de um ou dois dias de sol e temperaturas amenas, a maioria dos dias aqui em Wuthering Heights continua na máxima de 10ºC e mínima de 0ºC. E vento, claro. Porque se não ventasse tanto, tanto, TANTO aqui, Heathcliff seria um cavalheiro amável e caridoso e Catherine jamais assombraria sua casa, soprando em sua janela. But alas.

Nossa cerejeira começou a dar flores. Nossa Amelanchier começou a perdê-las.









No conservatory, sementes ainda estão a passos lentos. Algumas desistiram de germinar. Os tomates precisam ser replantados, mas ainda está muito frio para mudá-los pro jardim. O pé de feijão está crescendo bem, rumo ao gigante. Batatas foram plantadas em sacos, lá fora. É tradicional plantar batatas durante a Páscoa. Este ano estou plantando muitas sementes de flores, algo que nunca fiz nos anos anteriores. A falta de cores no jardim por tantos meses frios e cinzas tinha que trazer consequências de alguma forma.













Finalmente usei nosso próprio composto. Durante a reestruturação do jardim ano passado jogamos fora nossa caixa de compostagem que estava quebrada e inútil. E guardamos o composto em dois sacos plásticos de 30 litros cada. Como eu ainda não sabia nada de compostagem fiz muitos erros: proporções erradas, pedaços de plantas muito grandes, não reguei quando secou, não remexi quando precisou, não fiz nada, deixei tudo por conta da Garden Goddess Who Will Bestow Upon Us.

E toda essa negligência obviamente teve seu custo e nesse caso o preço foi a demora. Demorou muitos anos até que todo material fosse decomposto. Mas esta semana finalmente usei o composto em um dos canteiros que estou reformando. O composto estava bem fofo, cheirando a terra fresca molhada. Esse tipo de composto feito em casa é dedicado a enriquecer o solo de nutrientes, atrair minhocas e humus e, portanto, bastante precioso.

Agora quero recomeçar a fazer composto, com mais atenção e esforço. Já comecei a juntar cascas e restos da cozinha (exceto alimentos cozidos ou carnes), tudo picadinho para decompor mais rápido. Ainda não tenho uma nova caixa de compostagem, mas um recipiente qualquer no jardim vai quebrando o galho, literalmente.









E por fim, mas não menos relevante: Pepe the Blackbird está de volta e já é pai novamente. Dear Pepe, eu sei que não sou sua mãe. Mas você não vem nos visitar desde o verão passado. Quase um ano sem notícias, sem saber se você estava vivo ou morto. Um telefonema, um email, custava?






Flores na cerejeira, sementes brotando, composto pronto, Pepe voltando. Esperas recompensadas. I'm a slow learner, a slow bloomer too.


Escrito a mão pela Marcia às 9:40 AM | mais em Tales of the Garden | Comente este fragmento(7)

abril 5, 2014

Bad oranges and recycled candles

No final de semana anterior a esse que passou foi o aniversário de Mr.M e também Dia das Mães. Meu pai e a minha sogra passaram por cirurgias naquela mesma semana e, apesar de tudo ter corrido bem com dois, não fizemos nenhuma celebração por aqui. Já estávamos satisfeitos que ambas as cirurgias foram bem-sucedidas.

Eu ganhei um cartãozinho desenhado pelas próprias mãos de Miss S. Pedi para ela explicar o desenho e ela esclareceu:

"This is Daddy. He's sad because he ate a bad orange and a bad banana."
("Este é o Daddy. Ele está triste porque comeu uma laranja podre e uma banana passada.")





Oh dear! Então compramos um bolo de chocolate, laranjas e bananas frescas. Não tínhamos velas, mas Miss S resolveu o problema e colocou as velas dos seus poucos aniversários anteriores no bolo.





Apesar de Mr.M ter feito 10 anos mais do que as velas do bolo mostravam, ninguém notou a diferença. Happy Birthday, dear Martin.





No jardim, duas novas convidadas chegaram. Amelanchier Grandiflora Robin Hill, que chegou já medindo 2 metros. Ela dá flores rosadas na primavera, frutos comestíveis (parecidos com blueberries) no verão e folhas vermelhas no outono. Too good to be true. Como ela veio do sul, já está toda bela e florida, enquanto que as árvores de toda região continuam peladas.





A outra é mais uma árvore frutífera, Greengage Oullins Gage, uma fruta tradicional do outono aqui, que só recentemente comecei a apreciar. Bem parecida com a ameixa, mas as frutas são verdes, levemente amareladas quando maduras, bem docinhas. Nossa árvore é "minarette", bem pequena para ser cultivada em vaso. Não sei quanto tempo vai levar para dar frutos, já que essa espécie Oullins Gage é meio lenta.





Mas quando derem vão ser assim:





Espero que ambas decidam ficar por aqui.

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março 24, 2014

The elusive spring

Março é um mês difícil. Equinócio da primavera nos faz acreditar que o clima mudou. Um mísero dia de sol sem vento enganou a joaninha e eu. Achávamos que o inverno estava pra trás. Joaninha se posicionou na planta do lado sul do jardim para se banhar no calor dos raios de sol. E eu fui correndo comprar florezinhas primrose Apple Blossom Pink, pra colocar um pouco de cor no jardim ainda pelado de folhas.










Daí brum! Vento, chuva, vento. Todos os dias. A chuva parou, o vento não. Ontem tivemos temperatura de -3ºC e chuva de granizo a tarde inteira. Estranha, esquisita essa chuva de granizo que não pára. Geralmente quando chove granizo logo muda pra chuva normal, mas ontem não. Foi gelo, gelo, gelo. Minhas flores crocus mal nasceram e já foram apedrejadas. Clima vândalo.

















Em nosso conservatory, já comecei minha produção pra horta deste ano. Março é o mês de plantar sementes por aqui. Nesta época em que tudo ainda está adormecido no solo é uma gratificação ver as sementes brotarem, crescerem e se transformarem em refeição, como no caso das sementes de salada aqui embaixo:













E um dos meus pequenos prazeres desta fase do plantio é replantar os brotos assim que as folhas verdadeiras começam a nascer. Trabalho calmo e repetitivo que eu poderia fazer o dia inteiro.









Não sei o quão interessada pelas plantas Miss S vai estar este ano. "Plantamos" feijão no algodão molhado, do mesmo jeitinho que plantei uma vez com minha sobrinha Juliana, num potinho de Danoninho, lá na casa da Batian e do Ditian. Todos os dias a gente rega o feijão, percebe que ele está inchando, ficando diferente. Todas as vezes lembro da Juliana.

Plantamos ervilhas Sugar Snap (que a gente come com a casca) e girassóis, que são fáceis de germinar e o tempo de espera não é tão longo. Precisamos de um pouco mais de luz, um pouco mais de calor e um pouco menos de gelo para que tudo comece a ficar mais interessante pra Miss S. E pra pobre da joaninha e pra mim.

















Escrito a mão pela Marcia às 8:23 AM | mais em Tales of the Garden | Comente este fragmento(6)

fevereiro 18, 2014

Winter that never came

Eu nem me sinto no direito de reclamar deste inverno quando tanta casas no sul do país ainda estão alagadas com as enchentes desde Dezembro. Dezembro, caro leitor, imagine. Este está sendo um inverno de neve zero, temperaturas altas, ventos de 144km/h e muita chuva, enchentes nunca antes vistas, ondas gigantescas na costa.

Até poucas semanas atrás ainda torcíamos por um pouco de neve. Agora cansamos, queremos mesmo é que o inverno que nunca veio assuma a sua ausência, dê uma desculpa qualquer e finja que ninguém notou.

Afinal eu tenho planos. Eu tenho pacotinhos de sementes. Tenho visões da minha horta cheia de legumes e verduras. Frutas nas árvores. Café da manhã, almoço e jantar ao ar livre. Flores silvestres inesperadas. Folhas verdes. Joaninhas, passarinhos, abelhas.

Já comecei o que pude começar. Um pouco de sementes de batatas, um pouco de semente de flores Cosmos. Uma camada de composto fresco na horta. Os alhos que plantamos no Ano Novo já estão brotando, assim como as tulipas e os bulbos de crocus. A couve Cavolo Nero continuou crescendo durante todo o inverno. Nosso solo está saturado de água de chuva, o que prejudica até as pobres minhocas. Poças de chuva já perderam a graça da novidade. Botas cheias de lama já perderam seu charme. Mas eu não me sinto no direito de reclamar. Meus pés estão secos, meu chão está seco, não produzimos nada no solo que não seja apenas por hobby. Então reclamo apenas o suficiente para manter um certo britishness que me cabe. E aguardo dias menos aguados.






























Escrito a mão pela Marcia às 4:11 PM | mais em Tales of the Garden | Comente este fragmento(2)

setembro 15, 2013

Late Blossoms

Nem só de verduras esburacadas vive meu jardim. Há flores esburacadas também. E folhagens tão esburacadas que são basicamente buracos em talos. Mas algumas flores persistem e sobrevivem. E aparecem no Outono, quando todo o oba-oba do verão já acabou. Eis algumas delas:

Cosmos Purity.
Ganhei um pacotinho de sementes na revista Gardener's World. Plantei, germinou rápido mas esperamos eternidades até o inverno acabar, por volta de Maio, para plantá-las no canteiro. Daí cresceram mais de um metro e desandaram a dar flores branquíssimas. Agora estou colhendo e guardando as sementes pro ano que vem. Lucro.









Phlox.
Já existia no jardim. Forma muitos desses buquês arredondados. Miss S adora arrancar, mas as flores se recuperam num instante.





Dalias.
Recém-compradas, adorei as cores listradas e o miolo levemente amarelado.





Japanese Anemone Queen Charlotte.
Outra aquisição que estava na minha lista dos desejados. Comprei a planta ainda com os botões fechados e a etiqueta dizia ser "cor de rosa pastel", que era a cor que eu queria. Alguém do setor de etiquetas deveria ser demitido por justa causa. Fucsia.




Crocosmia.
Temos tantas, tantas dela! A ex-moradora era a "louca da Croscosmia" e plantou bulbos delas em tudo quanto é canto do jardim.




Rosas.
São minhas flores favoritas. Todas que temos foram plantadas pela ex-moradora que era a "louca das Rosas Trepadeiras" também. Temos cinco rosas trepadeiras (das quais não sou fã do trabalhão de podá-las) e duas normais. Dessas últimas uma das mais bonitas são essas brancas, de perfume delicado, que a gente adora colocar o nariz e suspirar: "aaaahhh...!"












E nossa Japanese Maple Osakazuki está vermelhíssima. Hoje tivemos nossa primeira ventania de Outono e ela resistiu bem.








E como nem tudo são flores, a maior perda que tivemos este ano foi da macieira. Segundo ano consecutivo que ela pegou "scabs", um fungo bem comum em árvores de frutos. Este ano preciso ser sistemática e jogar no lixo todas as folhas da árvore para evitar contaminação no solo.




Escrito a mão pela Marcia às 3:58 PM | mais em Tales of the Garden | Comente este fragmento(6)

setembro 10, 2013

Gardener's Wisdom

Das coisas que aprendi com a nossa horta este ano. Dear diary, este ano aprendi que:

1) Eu não sei de nada.

2) Plantar 3 pés de couve não significa colher e comer 3 pés de couve. Porque 1 e 3/4 de pés de couve foram consumidas pelas lagartas de borboletas brancas (cabbage white)*.

3) Um segundo e meio com a horta descoberta é tudo que a borboleta branca precisa para depositar seus ovos.

4) Lesmas, lagartas e outras pestes simplesmente existem. É preciso aceitar perder parte da sua produção para elas. Controle orgânico (leia-se: eu catando as pestes manualmente e jogando-as no lixo) tem funcionado para nós.

5) Abobrinhas tomam muito espaço e as folhas gigantescas fazem muita sombra nas outras plantas. Plantar fora da raised bed no ano que vem. E 1 planta só é suficiente para nós.

6) Regar, regar, regar é preciso.

7) O único aprendizado que conta mesmo é o número 1.


*Nos divertimos imensamente colhendo as lagartas das couves e colocando-as na caixa de observação de Miss S. Alimentamos, esperamos, logo elas fizeram casulo e em poucos dias a metamorfose aconteceu e deixou Miss S admirada. Tão incrível como uma pequena lagarta se transforma em uma borboleta tão grande! A melhor parte era sempre abrir a caixa e dizer bye-bye para a mais nova borboleta.

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Mais colheitas. Finalmente folhas de Swiss Chard! E duas de couve. Não deu pra nada, obviamente, mas alegrou nosso macarrão fusilli com linguiça, tomates, Swiss Chard e duas folhas de couve.





E tomates foram prolíficos este ano no jardim dos M&M&S! Tão deliciosos, ainda quentinhos pelo sol, só com uma pitada de sal Maldon.









E uma nova adição ao jardim: nossa tão desejada árvore Japanese Maple Osakazuki. Já mudou as cores das folhas desde que a plantamos. Não é uma árvore que gosta de vento e frio, algo que temos em abundância no inverno daqui. Mas tentaremos. Porque eu sempre quis essa espécie. Please stay, tree.





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agosto 27, 2013

The Princess and The Pea

A colheita de ervilhas é tarefa exclusiva de Little Miss S. Uma vez tentei colher eu mesma sozinha. Vamos apenas dizer aqui que não farei novamente. Ever.

Miss S avalia o tamanho das ervilhas todos os dias. E arranca-as da planta quando estão no ponto (muitas vezes quebra a planta no processo). E os dedinhos abrem com cuidado a casca para descobrir as jóias super doces dentro. E come todas as ervilhas lá do lado do pé mesmo, com as cascas caindo aos pés.

As mesmas ervilhas que se eu cozinhar e colocar no prato são ignoradas solenemente. Mas assim, abertas segundos depois de colher, vão pra boca em mãos cheias.

Só por isso, por esse delicioso momento, valeu a pena termos construído a horta.












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agosto 9, 2013

Last Bit of Summer

Definitivamente o verão já está nos deixando. Os dias estão mais curtos, a temperatura já caiu pros 15ºC esta semana. E as minhas plantas da horta estão numa corrida contra o tempo. Algumas já desistiram (pepinos, sempre eles). E, com as plantas, eu também estou melancólica com o final desse verão. Principalmente porque amei cultivar a horta este ano, uma pena que começamos um pouco tarde demais e já não dava mais tempo para plantar muita coisa. Porém, ao contrário dos pepinos, eu ainda não desisti. Comecei novas sementes de plantas que *podem* crescer durante o outono para colher no inverno: couve kale, couve-flor, beterraba, cenoura.















Apesar da inclinação do eixo da Terra, tivemos mais uma pequena colheita: abobrinhas, mais rabanetes franceses, alguns tomates.





E oh, caro leitor, batatas! Ah, as batatas. Eu nunca falei delas, nem tirei nenhuma foto da planta, então sinta-se à vontade, leitor, de duvidar da existência das minhas batatas. Ganhamos as batatas-sementes da mãe de Mr.M, deixei-as no parapeito da janela até brotarem (ou quase apodrecerem), depois plantei-as num saco com buracos do fundo. De vez em quando eu colocava mais composto. De vez em quando eu agüava. Em geral eu negligenciava. Certamente plantarei batatas novamente no ano que vem. Uma alegria tão grande revolver a terra escura e dela aparecerem essas jóias rosadas... E tivemos uma colheita suficiente para uma salada de batatas com rabanetes e cebolinha verde. Tudo, exceto a maionese, vindos da horta.








E uma colheita bonus aconteceu com um único pé de framboesa sobrevivente. O resto cortamos porque não íamos ter tempo de fazer suporte (não fique com pena delas porque elas crescem novamente todo ano). E essa que ficou cresceu e deu frutos. Que eu só percebi porque num dia de vento a planta esfregou alguns dos frutos na parede, que ficou parecendo cenário de Hitchcock.





Ah, verão, se você pudesse ficar só mais um pouquinho... ♥

Escrito a mão pela Marcia às 7:55 PM | mais em Tales of the Garden | Comente este fragmento(5)

julho 29, 2013

First Harvest

Primeira colheita da horta: French Breakfast Radish.





E como os franceses, pro café da manhã: fatias finas por cima do pão fresco com manteiga e um nadinha de flor de sal por cima.




Escrito a mão pela Marcia às 10:52 AM | mais em Tales of the Garden

julho 27, 2013

Growth Spurt

Então, caro leitor, lá vem mais um post sobre a horta. Estamos tendo o verão mais quente desde que o sol foi inventado. E em poucos dias a horta se transformou. Como ainda sou inexperiente em raised beds e em plantas em geral, eu não sei quanto espaço cada planta precisa e no momento há uma disputa de espaço entre as folhas desembestadas das abobrinhas. Outro erro de iniciante foi que eu esnobei as regras de plantar em fileiras e quis dar um ar mais natural à horta. Umas sementes aqui e ali. Pois então... Agora eu não sei o que é planta e o que é erva daninha crescendo.

E eu estou morrendo de vontade de plantar mais! Cada centímetro quadrado vazio lá estou eu enfiando só mais uma sementinha. Já é tarde demais na estação para plantar sementes, mas estou apostando num verão longo e um outono quente e estarei colhendo espinafre, couve-flor e feijão em Novembro. We'll see.

























E pela primeira vez na história dos tomates este ano eu não matei nenhum tomateiro, let's rejoice! Todos os anos eu me empolgo, planto a semente, replanto a plantinha, replanto a plantona, depois ou esqueço de regar, ou deixo no sol direto, ou esqueço de nutrir, ou seja o que for, as plantas morrem. Ano após ano. Se você quiser algum tomateiro mortinho da silva, eu sou a pessoa que você precisa. Mas, veja só caro leitor, este ano meus tomates estão crescendo em vasos e já estão quase, quase amarelos para colher (são Sungold, ficam amarelos quando maduros, não vermelhos). Só preciso cuidar que outras mãozinhas não arranquem os frutos ainda verdes da planta.





Escrito a mão pela Marcia às 3:21 PM | mais em Tales of the Garden

julho 12, 2013

These days in our garden


Quando nos mudamos para esta casa, cinco anos atrás, nosso jardim estava completo com tudo o que a antiga dona da casa queria, gostava e tinha tempo para cuidar. Para nós, recém-saídos de apartamentos em cidades grandes, tudo parecia lindo e florido. E no início tentamos manter tudo o que estava plantado.

Aos poucos fomos percebendo que muitas plantas consumiam energia, tempo e paciência para manter. Rosas trepadeiras, Ivy trepadeiras, Clematis trepadeiras, Virgina Creeper trepadeiras, Honeysuckle trepadeiras. Todas elas podem ir com seus hábitos libidinosos pro diabo que as carregue. Basta um pouco de descuido e elas invadem, tomam conta, sobrecarregam e matam plantas vizinhas. Ficam bonitinhas cheias de flores na primavera, mas o tanto de trabalho que dão posteriormente só causam ressentimento e dedos espetados. Todo meu amor para quem gosta de podar galhinhos, amarrar galhinhos, treinar galhinhos. Mas é uma dedicação que eu reservo para plantas que nos alimentam.

Quando Miss S nasceu o jardim ficou num estado terrível por dois anos. Mal tínhamos energia para limpar a casa, o que dirá o jardim. Quando ela começou a brincar no jardim percebemos o quanto queríamos muda-lo. Precisávamos de um lugar com sombra pra sentar, ler, jantar ao ar livre. Precisávamos de uma hortinha para Miss S aprender a plantar e cultivar. Precisávamos de um jardim nosso, com as nossas escolhas, com o nosso gosto, com o nosso novo ritmo.

O trabalho imenso de reestruturação começou assim que a neve derreteu. Eu fui colecionando fotos de cantos de jardins que me agradavam. Mr.M desenhou:





Ele e o pai dele (aka Grandpa) limparam a área, quebraram o antigo pátio de piso desnivelado, cortaram árvores cheias de fungos, escavaram e prepararam o solo. Mr.M desenhou o decking, comprou madeira, cortou, instalou (com ajuda de Grandpa), lixou, encerou.













Nesse tempo todo eu peneirei, peneirei, peneirei uma montanha da terra escavada cheia de pedras e rochas de um solo que nunca foi cultivado. Toneladas de terra. Toneladas de pedras.Trabalho escravo, I tell you. Eis a foto da montanha de terra finamente peneirada (com Miss S photobombing):





Numa manhã de sábado Mr.M comprou mais madeira, cortou e montou nosso "raised bed", nossa tão desejada hortinha. Ele ensinou Miss S a checar o nivelamento, trabalho que ela levou muito a sério. Uma vez tudo nivelado, enchemos com a terra peneirada.





Então agora temos esse canto privado, longe dos olhos vizinhos. Ainda está meio alien, ainda há muito para fazer. Quando comparo as fotos do jardim antes com as de agora obviamente o jardim atual parece pior, vazio, urbano. Mas estamos apenas no começo. Um dia as arvores novas vão crescer, um dia vamos entrar num consenso sobre que tipo de cadeiras comprar, um dia vamos encher o decking de vasos e plantas. Um dia.










Por hora, Miss S e eu plantamos abobrinha, ervilhas, feijões, french radishes (pro Peter Rabbit, segundo ela), pepinos, Swiss Chard e Cavolo Nero na horta nova. E regamos todos os dias, juntas. Nem sempre tudo é um conto saído das paginas de Beatrix Potter, no entanto. Miss S pouco se interessa com as verduras crescendo. Muitas vezes ela escava as sementes que plantei. Ou arranca o tomate verde da planta. Outro dia ela trouxe a tesourinha dela e cortou todas as folhas dos brotos recém-nascidos.

E falando em Little Miss Sophie, oh my... neste verão quente e ensolarado, ela com seus dois anos e meio tem aproveitado tanto, tanto do jardim! Acorda cedo, oito da manhã já está de botas (roupas são opcionais) e vasculhando o jardim à procura de criaturas. Demos a ela uma lente de aumento e uma caixa de acrílico com tampo perfurado para examinar as tais criaturas do jardim. E um livro sobre as mesmas criaturas (My First Book of Minibeasts); livro este que ela coloca debaixo do braço e sai com caneta em punho para marcar os que ela encontra. Melhores £10 que já gastamos.
















setembro 16, 2011

Bountiful

Apesar da total negligência e falta de cuidados, nossa macieira deu muitas frutas este ano. Pequenas por falta de chuva e de adubo, mas docinhas, suculentas e perfumadas. As maiores foram colhidas e estamos comendo, as menores ainda estão na árvore e logo viram torta quentinha.


















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março 23, 2011

Springtime


Pequenos sinais da primavera em nosso jardim:


Joaninhas tomando sol



Sempre presentes Daffodils



Imperfeitos Winter Windmills



Pés descalços na grama

Escrito a mão pela Marcia às 2:03 PM | mais em Tales of the Garden | Comente este fragmento(20)

setembro 25, 2010

First Apples

Para quem ainda se lembra e para os que não lembram ou nunca viram como minha macieira era no ano em que a plantei, ela era assim:



Fevereiro de 2009



No verão passado ela deu alguns frutos, mas como regra precisei eliminar todos para que a macieira concentrasse sua energia criando raízes e fortalecendo os galhos. Este ano, ainda tive que eliminar boa parte dos frutos, mas pude permitir alguns poucos escolhidos a ficarem. Foi um grande prazer admirar essas primeiras maçãs crescendo e amadurecendo no pé:

*Apologies for the poor depth field in the pictures*



Setembro de 2010




Em altura não deve crescer muito mais que isso




Amadurecendo com o pouco sol do verão que passou




Vermelhas




Primeira colheita



E o mais importante, provamos as nossas primeiras maçãs! O sabor é exatamente como o cultivador a descreveu: casca fina, aroma intenso, suculenta, doce e de baixa acidez. Scrumptious indeed. Deliciosas. Estou muito satisfeita com elas. Pra falar a verdade, nem precisei me esforçar em cuidar da macieira. Plantei e deixei ela lá crescendo. Definitivamente prefiro plantar frutas do que legumes, muito menos trabalho e manutenção. E frutos por muitos anos pela frente, assim espero.




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Totalmente fora do assunto, mas queria também postar algumas fotos desses ladybugs do nosso jardim. São joaninhas britânicas (Coccinellidae 7-spots) que por incrível que pareça, estão ameaçadas de extinção por causa da invasão de outra espécie de joaninhas vindas dos EUA (Harmonia axyridis) que se alimentam, entre outras coisas, dos ovos e larvas das joaninhas nativas.







Escrito a mão pela Marcia às 4:25 PM | mais em Tales of the Garden | Comente este fragmento(19)

julho 16, 2010

And the Fruits Follow



Cerejas




Blackcurrants (Cassis)




Redcurrants (Groselha)




Primeiras maçãs




Morangos mirrados




E mais uma rosa



Escrito a mão pela Marcia às 9:08 AM | mais em Tales of the Garden | Comente este fragmento(9)

junho 2, 2010

New Tenants

No ano passado comprei uma casinha para os passarinhos fazerem seus ninhos. Ultra-moderna, madeira tratada, entrada com placa de cobre, cheia de estilo. Nenhum penoso que preste se interessou por ela. Alguns entravam e saíam, traziam a esposa, ficavam um tempo lá dentro, mas nada de alugar em definitivo. Ao lado dessa casa nova há uma outra casa-ninho que parece um barraco, deixada pela antiga dona. Tá velho, todo acabado, quase destruído. Mas foi nele que um casal de Blue Tits resolveu se instalar nesta primavera. E agora os filhotes nasceram e os dois estão numa corrida enlouquecida para alimentá-los. Não tenho idéia quantos são, mas eles já devem estar quase grandes para deixar o ninho.











Escrito a mão pela Marcia às 5:35 PM | mais em Tales of the Garden

abril 21, 2010

Nothing Says Spring Better Than...



Sementes brotando




Daffodils




Tulipas




Musgo no pé da árvore




Orvalho da manhã




Snails




Primulas




Violas




Forget-me-not




E porcos-espinhos sendo soltos depois de meses de cuidados e hibernação






Escrito a mão pela Marcia às 12:54 PM | mais em Tales of the Garden | Comente este fragmento(9)

dezembro 20, 2009

White Christmas

Se a temperatura continuar abaixo de zero durante esta semana, terei meu primeiro Natal com neve na Inglaterra. Hoje nevou muito. Quase tanto quanto a nevasca em Janeiro deste ano. As fotos abaixo mostram só a metade da quantidade de neve que acumulou nesta tarde. Continuou e continua nevando até agora, já de noite.


Nossa árvore holly, a verdadeira árvore de Natal




A ex-casa do Spikey,
abrigando Misty que está hibernando




Blackbird na nossa árvore Silver Birch
adoro o tronco branco




Blackbird com neve nos joelhos




Um conhecido de vocês: Pepe,
mal-humorado com a neve e com a demora da garçonete



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novembro 16, 2009

Muffin the Sweet Hedgehog

Meet Muffin:









Muffin foi encontrada pesando 300g está conosco há quase um mês. Até agora ela dobrou de peso mas ainda está pequena para sobreviver à hibernação, então ela deve ficar conosco até a primavera. Essas fotos foram tiradas quando ela havia sido resgatada. Ela estava coberta de "nymphs ticks" que são carrapatos ainda na fase minúscula, dá para ver alguns deles perto do olho direito dela na primeira foto. Removi 59 desses mini-carrapatos (com um gancho especial "O'Tom" para retirá-los inteiros e evitar a Doença de Lyme) e 3 pulgas (pulgas essas exclusivas de porcos-espinhos, não passam para humanos ou outros animais). Muffin ficou quietinha e bem comportadinha enquanto eu removia os parasitas e deve ter se sentido imensamente aliviada depois.

Muffin enfim é um docinho, bastante tímida, não gosta de contato, mas não me morde, nem me dá cabeçadas e às vezes deixa eu fazer carinho no focinho. Ela só come comida seca, não gosta de nenhum tipo de comida com molho ou gelatina. Já tentei milhares de alternativas, mas ela sempre recusou. Não quer saber de frutas, nem de leite sem lactose. A dieta dela tem sido então dois sabores de comida seca para gatos, mealworms e amendoins. E bastante água para evitar a inevitável prisão de ventre.

Escrito a mão pela Marcia às 4:22 PM | mais em Tales of the Garden | Comente este fragmento(9)

julho 7, 2009

Harvesting


Feijões Borlotti




Ervilhas




Cabeças de Alho



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junho 2, 2009

My Veggie Plot

Não era a melhor hora para tirar fotos, mas se eu fosse esperar, só iria poder fotografar melhor depois das nove da noite, quando o céu fica finalmente azul e rosa. Mas enfim, eis as fotos da minha horta em vasos.

Os vasos ficam no conservatory, mas como está muito quente coloquei-as na sombra. Na primeira foto estão as abobrinhas tricolores, as berinjelas redondas, os tomates Brandywine, as ervilhas, os feijões borlotti, alface mista, cebolinha verde e os alhos. Alguns estão dando frutos, outros ainda não. Todos foram plantados desde a semente. Na bandeja verde estão varias ervas que ainda estão crescendo e mais dois tomates que precisam ser replantados com urgência. Mas, ah preguiça...


Veggies in Pots

Alho

Uma abobrinha amarela nascendo

Pé de Ervilhas

Pé de Feijão

Pé de Pepe

Escrito a mão pela Marcia às 3:36 PM | mais em Tales of the Garden | Comente este fragmento(12)

maio 29, 2009

Gloriousness





Morango é sem dúvida uma das minhas frutas preferidas. Tendo dito isso, todo ano no verão compro várias caixinhas de morango dos mais diversos produtores. No supermercado, no farmers market, nas fazendas pick-your-own, na vendinha da esquina, sempre à procura do morango mais delicioso. Alguns são bons, outros meia-boca, outros completamente terríveis.

No ano passado, provei os morangos do nosso jardim mas infelizmente eles estavam com gosto de nada, sem sabor nenhum. Acabei deixando-os para os pássaros devorarem. No inverno, replantei algumas mudas numa floreira retangular, com terra adubada. Deixei a floreira no jardim, porque li num dos livros de jardinagem que os morangos precisam de um inverno bem frio para renascerem bem na primavera. No final do inverno mudei a floreira pro conservatory, onde é bem ensolarado e quente, regando bem raramente. Na primavera as mudas cresceram e produziram muitas flores. Quando os morangos começaram a crescer comecei a regar todos os dias e também alimentei-os com fertilizante de tomate orgânico.

Agora estamos colhendo os primeiros frutos vermelhíssimos, da foto acima. São os melhores e mais doces morangos que comi em muitas décadas. Dulcíssimos, suculentos, acidez inexistente, tenros, uma delícia indescritível.

Como a floreira ficou em ambiente com temperatura controlada, os morangos começaram a crescer bem mais rápido do que os que estão no jardim, que por sua vez só agora é que começaram a dar flores. Preciso lembrar de fazer mais floreiras com mudas de morango neste inverno. Frutos valiosíssimos, de graça.

PS: Qualquer dia preciso mostrar como meus legumes, vegetais e tomates que plantei desde a sementinha estão crescendo bem. Uma satisfação imensa para uma jardineira wannabe.

Escrito a mão pela Marcia às 8:25 AM | mais em Tales of the Garden | Comente este fragmento(9)

maio 22, 2009

Pepe's New Family

Pepe, o ingrato blackbird que encheu a pança no nosso jardim durante o longuíssimo e gelado inverno e depois se mudou para o jardim maior e mais arborizado do vizinho, continua nos visitando. Não sei quantos pepeletes ele está cuidando este ano, mas ele vem todos os dias, me procura de janela em janela até fazer contato e exigir suas porções diárias de dried mealworms para levar pro ninho.


Faça sol...


...ou faça chuva.



Pepe está competindo para entrar no Livro Guinness com o record de mais minhocas carregadas no bico de uma vez só. Vê-lo catar uma e derrubar duas é um episódio cômico a parte.

Escrito a mão pela Marcia às 2:29 PM | mais em Tales of the Garden

maio 14, 2009

Warm Up the Cockles of My Heart



Minha macieira Scrumptious dando flores.



Escrito a mão pela Marcia às 2:30 PM | mais em Tales of the Garden | Comente este fragmento(9)

abril 30, 2009

Water & Compost





Apesar da aparência, este é um canto do jardim que gosto muito. É aqui que coletamos a água da chuva que desce pela calha e também é onde faço nosso próprio composto pro jardim.

Lembro muito bem que desde muito tempo atrás, quando não se falava em aquecimento global, minha mãe sempre armazenou água da chuva com vários baldes e containers diversos que ela tinha em mãos. E usava essa mesma água para lavar o quintal, a garagem, o "banheiro" das minhas cachorras, regar as plantas. A água coletada jamais ficava parada, obviamente, e aos poucos fui aprendendo o quão gratificante é colher a água das nuvens.

A água que sai das nossas torneiras, é tratada, filtrada, fluorada e cara, que não deve e não pode ser desperdiçada. E com o tanto de chuva que cai neste país, seria no mínimo indigno não colher toda essa água fresca e gratuita.

Todos esses containers estavam aqui quando nos mudamos. Estavam quase jogados, sujos, sem uso. Re-montei a caixa de composto, lavei bem os reservatórios de água, instalamos torneirinha e conectores novos. Hoje tudo funciona muito bem.

Adoro regar o jardim com o regador. Nunca uso a mangueira. Gosto de carregar o regador, despejar a água em forma de chuva. É como meditar, quase. As plantas adoram porque a água da chuva é ácida e faz bem pro solo, mais do que a da torneira.

Quando a água dos meus reservatórios se esgota fico ansiando pela chuva. É uma satisfação ir checar depois do temporal e ver que temos água até a boca outra vez, tudo grátis. Estamos planejando instalar mais dois reservatórios porque esses dois que temos enchem muito rapidamente e ainda sinto que há muito sendo desperdiçado. E preciso encontrar uma tampa grande para o reservatório preto. Normalmente eu coloco madeiras para tampar e evitar que animais caiam acidentalmente dentro dele, mas quero algo que feche totalmente e impeça que pernilongos se engracem no meu jardim.

Sobre o composto, ainda estou aprendendo a fazer. Coloco grama cortada, cascas e legumes crus, cascas de ovos, café, chá, folhas de árvores, papelão, galhos, plantas secas, frutas passadas, terra. É impressionante a quantidade de "restos" da cozinha que pode virar composto ao invés de ir pro lixão. Basicamente tudo que não seja cozido serve para ir pro composto. De vez em quando coloco umas minhocas grandes que cavo do solo para tentar acelerar o processo. Acho que está funcionando, veremos daqui alguns meses. Queria ter também um wormery, que é um sistema de fazer composto líquido com a ajuda de umas minhocas amigas bacaníssima. Ultimamente tenho me simpatizado bastante com esses invertebrados que servem de refeição pros pássaros, nutrem meu solo, fazem adubo da melhor qualidade. E não pedem nada em retorno. How nice of them.

Note to self: uma coisa que me escapou das sinapses neurais e que bobeei fenomenalmente foi não ter colhido aquela neve toda que caiu no inverno. Como não é comum termos muita neve na Inglaterra, eu demorei para associar a idéia "neve = água". Poderia ter enchido muitos containers, mas ao invés disso, fiquei só assistindo a neve derreter e ir embora, sem guardar nada.


Escrito a mão pela Marcia às 11:41 AM | mais em Tales of the Garden | Comente este fragmento(9)

abril 21, 2009

Sakura

Quando nos mudamos, no ano passado, estávamos no alto verão e a cerejeira já estava com frutos. Por muitos e muitos meses fiquei me perguntando como seriam as flores da nossa cerejeira. Rosa, fúcsia, branca? Foi uma longa espera, mas agora finalmente descobri.

São brancas, puríssimas brancas. Toda vez que olho pela janela penso que o jardim está decorado para um casamento.




E a outra boa notícia é que as macieiras começaram a brotar suas primeiríssimas folhas. Sinal de que ainda estão vivas. Bem-vindas.


Escrito a mão pela Marcia às 8:52 AM | mais em Tales of the Garden | Comente este fragmento(7)

março 18, 2009

First Blossoms

Hellebore Niger

Hellebore

Narcissus

Também conhecida como Daffodils

Fagioli Nani (Feijão Borlotto)

I heart beans

Escrito a mão pela Marcia às 4:37 PM | mais em Tales of the Garden | Comente este fragmento(7)

março 5, 2009

Meet the Song Thrush

Esses dias tenho me encantado com esta criaturinha aqui:





Um pássaro simpático chamado Song Thrush, de tamanho bem parecido com o Blackbird. Mas com pernas mais longas e ágeis e cérebro mais acurado e bem usado. A população do Song Thrush vem caindo vertiginosamente e hoje a espécie está em Alerta Vermelho nos registros da RSPB. Em nosso jardim recebemos a visita de dois deles. Eles não comem os alimentos que eu ofereço, mas se esbaldam em lesmas (que em si já é um motivo para idolatrá-los), snails (caracóis?), minhocas, larvas e outros insetos.

Quando os Song Thrushes encontram um caracol eles levam a presa até uma pedra mais próxima e começam a bater a concha nesta pedra até que a concha se quebre e eles possam degustar o escargot. Vou deixar um potinho de manteiga e alho do lado da pedra na próxima vez que eles vierem jantar aqui no Chez M&M.





Pepe, que é um ranzinza, não deixa os Song Thrushes ficarem no jardim dele por muito tempo. Mas os Songs Thrushes são espertos, se escondem nos arbustos e Pepe acha que eles foram embora (Pepe é uma lâmpada de baixa voltagem - não é muito brilhante). E muitas vezes os Song Thrushes saem dos arbustos já carregando uma lesma suculenta, que é onde elas se escondem também.

As vezes tenho vontade de exterminar todas as lesmas do jardim, sem misericórdia (mas sem agrotóxico também). Mas as vezes também paro, penso e reconheço que sem lesmas não vai haver Song Thrushes visitando o jardim. É preciso conviver com ambos.




Escrito a mão pela Marcia às 8:33 PM | mais em Tales of the Garden | Comente este fragmento(8)

março 3, 2009

Anticipation

Brotos, brotos e muitos brotos pelo jardim. Alguns eu sequer sei do que sao. Apesar do gelo, da neve, do frio, e da previsao de nova frente fria, as plantas comecam a brotar do solo e dos troncos adormecidos, para espiar se ha chances de vida para mais uma estacao.





Escrito a mão pela Marcia às 2:54 PM | mais em Tales of the Garden | Comente este fragmento(6)

fevereiro 19, 2009

Sweet and Tender Apple Tree



Escolher uma variedade de árvore de maçã não foi tarefa fácil e aqui conto como foi a saga de eleger apenas uma entre literalmente milhares.

Existem mais de 2.000 diferentes tipos de maçãs na Grã-Bretanha. E cada um deles recebe nomes cheios de orgulho e pompa: Egremont Russet, Laxton Superb, Lord Lambourne, Flower of Kent (aquela que caiu na cabeça de Isaac Newton), Worcester Pearmain, entre muitos outros.

Eram tantos nomes, tantas diferenças, tantas peculiaridades que no começo fiquei bastante confusa. Mas aos poucos fui aprendendo a separar por categoria: maçãs para cozinhar, maçãs para fazer cider ou maçãs de sobremesa. Eu queria uma maçã para comer a qualquer hora, então maçã de sobremesa foi escolhida. Easy.

O passo seguinte foi escolher o sabor, algo infinitamente subjetivo. Mr.M adora Cox Apples, uma variedade pequena, crocante e levemente azedinha, mas nenhum pouco ácida. Eu gosto de maçãs suculentas, docinhas e de casca fina, como a Golden Delicious. Antes que eu enlouquecesse tentando juntar todas essas características numa só fruta, Mr.M me deu carta branca para escolher o que eu quisesse já que eu é que cuidarei das árvores. Easy.

Só me restaram agora mais ou menos umas 1.537 variedades para escolher... Not easy.

Comecei a fazer uma lista do que era importante ter na árvore:

1. Resistente ao clima frio do Norte, maçãs que crescem no Everest de preferência
2. Resistente à pestes e doenças, não quero encontrar larva ou meia larva nos frutos
3. Frutos vermelhos, meu grande sonho de ver maçãs vermelhinhas na árvore
4. Frutos doces e suculentos
5. Tamanho ideal para meu jardim pequeno


Minhas escolhas começaram a ficar mais reduzidas mas ainda havia um enorme e importantíssimo ponto a ser minuciosamente estudado: a polinização. A maioria das árvores de maçãs precisa de uma árvore parceira para polinizar suas flores e gerar fruto. E cada macieira pertence a um determinado grupo que cruzam entre si. Então se eu escolher uma macieira do grupo A, preciso escolher também uma parceira do grupo A, que por sua vez DEVE florescer na mesma época da primeira macieira.

A coisa complica quando você escolhe uma macieira de caráter polinizador Triploid, que produz pólen, mas é incapaz de polinizar outra parceira. Então você precisa de uma parceira para cruzar com a Triploid e uma outra macieira do mesmo grupo para cruzar com essa parceira. Três árvores, todas do mesmo grupo, florescendo na mesma época.

Não perca a razão de viver ainda, caro leitor, estou chegando lá.

Risquei as macieiras Triploids das minhas opções.
Descobri que há também macieiras auto-férteis, que não precisam necessariamente de parceiras, mas que dão muito mais frutos se tiverem uma.

E foi estudando polinização que aprendi também que as Crab Apples são capazes de polinizar todas as macieiras, de qualquer grupo. Sempre amei crab apples, são delicadas, compactas, florescem por vários meses, seus frutos só servem para fazer geléias, mas também alimentam várias espécies de pássaros, inclusive blackbirds. Ao contrário das macieiras, as crab apples só têm uma meia dúzia de variedades. A minha preferida foi a Laura, de flores brancas e rosas e frutos redondinhos e bem vermelhos. Escolhidíssima.


Crab Apple Laura. Foto: Ken Muir




Ainda me restava, porém, entender a categorização do tipo de raiz de cada espécie. Oh my goodness gracious me... Existem macieiras para pomares e para áreas selvagens, que crescem desembestadas por mais de cinco metros de altura por seis de largura. Felizmente há outras treinadas e podadas pelas nurseries, de forma que seu crescimento é controlado e só precisam de uma poda anual para manter o tamanho e formato.

Cada tamanho tem um código: M27 cresce até um metro de altura. M9, um metro e meio. M26, um metro e oitenta. M7, dois metros. E MM106, M2, M4 e MM111 crescem até 4-5 metros. Até achei a M27 bonitinha, dá para cultivar em vaso e tal. Mas eu queria mesmo era uma macieira com cara de árvore, tronco e copa arredondada, bem clássica. Então M26 foi a opção para ambas árvores.

Agora só faltava escolher o tipo da macieira principal, a grande estrela do meu minúsculo jardim. Finalmente encontrei uma auto-fértil, que vive bem no frio, resistente à doenças, que dá frutos vermelhinhos, doces e suculentos, tamanho M26. Ticked all the boxes! O nome dela é Scrumptious Apple e foi a escolhida entre outras mil.


Scrumptious Apples. Foto: Keepers Nursery




Hoje as duas estão plantadas aqui, depois do descabelamento do post anterior, na esperança de crescerem e sobreviverem aos meus cuidados. Ainda é muito cedo para saber se uma vai cruzar a outra ou se vão dar frutos. O tempo dirá e na pior das hipóteses terei que adquirir mais uma macieira. Elas tem por volta de um ano de idade e devem demorar mais um ou dois anos para darem os primeiros frutos. Por enquanto tudo o que espero é que não morram. Grow, little buggers, grow.











Guardei todas as pedras imensas que escavei do solo e coloquei-as em círculo ao redor da Scrumptious para não esquecer do cuidado que tive antes de replantá-la.



Cultivador (Nursery): Ken Muir
Para escolher tipos de maçãs: Orange Pippin
Como plantar uma macieira: GardenAction

Escrito a mão pela Marcia às 11:32 AM | mais em Tales of the Garden | Comente este fragmento(17)

fevereiro 16, 2009

Planting a Tree or Two

No começo de Janeiro encomendei duas arvorezinhas frutíferas: uma de maçã e uma chamada crab apple, que são mini-maçãs bem pequenininhas, nível 10 na escala cuteness. O processo da escolha das árvores é um assunto imenso para um outro post. Quando finalmente me decidi pela variedade das árvores, encomendei-as e comecei a preparar o solo para recebê-las. A crab apple é anã e vai ficar num vaso grande. Já a macieira é de tamanho médio-pequena e vai ser plantada no jardim. Guardei em minha mente o grande conselho que jardineiros profissionais dão para plantar uma árvore com sucesso: "gaste £0.5 na árvore e £50 na cova". Tirei do canteiro muitas plantas que já estavam no fim da vida, arranquei ervas daninhas pela raiz e dei de encontro com uma raizona da cerca viva. Continuei removendo raízes e pedras, algumas poucas larvas, tomando cuidado para não machucar nenhuma minhoca preciosa, colocando-as de volta na pilha de terra.





E no meio do processo veio a era glacial. Minha cova e meus planos foram enterrados pela neve. Algumas vezes retirei a neve da cova para evitar o congelamento do solo, cobri com plástico, mas daí veio mais e mais neve e não me restou muito a não ser esperar quase três semanas para a never começar a derreter.





A nursery em que as árvores foram compradas fica na costa sudeste da Inglaterra. E lá, apesar de ter nevado bastante também, a neve não ficou por tanto tempo e então a nursery resolveu que já estava na hora de enviar as árvores. Recebê-las no meio da nevasca foi como receber o melhor dos presentes no Natal e ao mesmo tempo decobrir que sua prova de física é no mesmo dia e que você não estudou nadinha. Entusiasmo, surpresa, alegria e pavor. As árvores são de raízes nuas e não podem secar nem que seja por 10 minutos.





Talvez na costa sudeste a neve derreta rapidinho, mas aqui há 227 metros de altitude (estamos na cidade mais alta da Inglaterra), as condições de plantio não estavam, digamos... propícias.





Mas a nursery havia enviado todas as informações de como proceder caso o solo ainda estivesse congelado ou alagado. Todos os dias precisei checar como as raízes estavam, mergulhá-as num balde d'água quando preciso, embrulhá-las em jornais e cobrí-las com plástico e mantas para evitar que pegassem a geada da noite.

E depois de longa espera, no final de semana passado a temperatura subiu e a neve começou a derreter aqui neste Everest particular. Removi a neve, comecei a cavar novamente, até que atingi uma camada de rochas. E quase quebrei minhas costas removendo o número de pedras do subsolo. Trabalho escravo, algumas pedras eram tão enormes que tive que usar uma marreta para quebrá-la em pedaços menores antes de removê-las.





Quando me dei por satisfeita, finalmente pude alimentar o solo como deveria. Segundo minha vizinha de uns 156 anos, nossa vizinhança fora outrora uma grande fazenda de ovelhas, então o solo nunca fora cultivado propriamente. No Valentine's Day, eu e Mr.M passamos a manhã num Garden Center, escolhendo a melhor terra adubada possível. A tarde misturei um pouco dela à terra reservada, instalei a estaca, afofei o fundo da cova, adicionei uma colherada de feritilizante. Choveu e a lama me cobriu da bota ao topo da cabeça. Mas enfim, as arvorezinhas estavam prontas para serem replantadas.





to be continued...


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fevereiro 3, 2009

Then it Got Worse...






Tivemos mais 20cm de neve na noite passada sobre os outros 20cm que já estavam por aqui. Fazendo as contas você percebe que a neve já está quase na minha cintura. O caminhão do supermercado não conseguiu entrar na nossa cidade e cancelaram a entrega. Se nevar por mais alguns dias passaremos fome. Mas tudo está tão lindo, tão quieto, tão branco, tão fofo. É raro, bem raro ter tanta neve assim na Inglaterra, por isso o país não está tão preparado quanto os países que têm esse tipo de problema todos os anos. O council não limpa ruazinhas residenciais, só as avenidas principais e obviamente as estradas. Pela manhã nós e nossos vizinhos gente boa tentamos limpar nossa rua. Mas depois de uma hora de trabalho braçal desistimos por causa da camada grossa de gelo por baixo da neve e porque a gente não ia conseguir limpar tudo até a rua principal de qualquer forma. Então em casa estamos. Os pássaros estão bem, todos sobreviveram à noite gélida, inclusive pobre Stumpy na foto. Meu estoque de sementes acabou, estou à espera da entrega para hoje, mas duvido que chegue. Ainda tenho outras guloseimas para oferecer, mas não muitas. Oh, drama, drama.

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fevereiro 2, 2009

So Much for Spring...






Caiu muita muita neve nestes dois dias. A maior nevasca em 18 anos.
Mais neve está prevista para esta tarde e o departamento de transporte pediu para que só saiam de casa aqueles que realmente precisarem.
Mr. M está trabalhando em casa hoje e eu estou servindo de garçonete para um bando de pássaros mau-humorados, famintos e sem modos.

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janeiro 29, 2009

For When Spring Comes

Assim como qualquer outro jardineiro, seja inciante, amador, profissional ou metido a besta, eu estou aqui tamborilando meus dedos na mesa, olhando pela janela e esperando pela primavera. Adoro o inverno e seus dias de gelo e neve, mas quero começar a plantar no meu jardim. Like, now?

Tenho muitos planos e nenhuma experiência ou conhecimento. Já limpei os canteiros do jardim de muitas plantas que não funcionavam para nós. Não quero mais cuidar do jardim dos ex-moradores, quero cuidar do nosso jardim, com nossas escolhas.

Duas arvorezinhas de frutas foram encomendadas e estão sendo cuidadas na nursery para serem transplantadas em algumas semanas. Mas depois conto mais sobre elas.

Meu outro objetivo nesta primavera é plantar alguns legumes e vegetais. Alguns de vocês podem até fazer cara de limão e dizer "ah, mas essazinha aí é sortuda porque tem jardim pra prantá o que ela quer". É aí que lhe passo a perna. Porque todos os legumes vão ser plantados em vasos e cultivados indoor.

A razão principal de plantar assim (além da óbvia falta de espaço) é de poder ter mais controle das inevitáveis pestes. Não sei se vocês sabem, mas a Inglaterra é a capital mundial das lesmas. Duzentas lesmas por metro quadrado, por causa das intermináveis chuvas o ano todo. Fiz armadilhas de cerveja no verão passado e todas as manhãs sempre encontrava umas 30 lesmas indecentes, bêbadas e mortas. E elas comeram tudo: morangos, girassóis, folhagens, flores, até a comida que eu deixava pro porco-espinho ou pros pássaros. Tudo. Então decidi que este ano não tem moleza não. Quer comida de graça, vai no vizinho.

E as lesmas são apenas o começo da história que ainda inclui passarinhos que comem os brotos, gatos que fazem
cataratas de xixi nas minhas plantas, milhares de outros insetos e invertebrados oportunistas.

Já estou com meu arsenal de vasos, terra, sementes, suportes, tudo pronto. Escolhi plantar alguns produtos diferentes, só para ficar mais divertido de acompanhar o crescimento. Um deles é o tomate Brandywine, que é uma variedade considerada "heritage" ou "heriloom", e que quer dizer que sua qualidade é puramente herdada, que nunca foi modificada por humanos. Outro tomate no mesmo estilo que vou plantar é o Costoluto Fiorentino. Ambos são disformes, como tomates eram antigamente, antes de exigirmos tudo redondinho e perfeitinho.

E falando em arredondados, vou tentar cultivar também umas abobrinhas e berinjelas italianas redondinhas, só porque são fofas e porque quero fazer Ratatouille au Four. E não pode faltar o feijão: Fagioli Nani Splendido, para pôr no minestrone e outros ensopados. E French Breakfast Radish, rabanetes vermelhinhos para comer em fatias finíssimas na baguete com manteiga. Na lista também há saladas de alface mista e ervas que sempre uso, como o manjericão, coentro, tomilho.

Alguns eu já plantava mesmo morando em apartamento, porém a maioria vai ser a primeiríssima vez que vou tentar cultivar. Estou preparada para falhar miseravelmente por falta de experiência, mas não vejo a hora de começar. Só falta a primavera chegar...







Escrito a mão pela Marcia às 4:06 PM | mais em Tales of the Garden

janeiro 26, 2009

Big Garden Birdwatch Weekend

Neste final de semana que passou o RSPB realizou o evento anual de observação de pássaros. Todo mundo pode participar. Durante o período de uma hora, basta escolher um lugar (jardim, parque, área florestal, qualquer lugar onde há pássaros silvestres) e marcar num papel o número máximo de pássaros de cada espécie que você vir de uma só vez. Por exemplo, se num momento você vir um grupo de 3 blackbirds e depois de um tempo você vir um grupo de 5 blackbirds, o número que você deve registrar é 5. E assim por diante com todas as espécies que aparecerem na sua frente. Não valem pássaros sobrevoando no céu, apenas os que estiverem pousados ou nos comedouros.

Enquanto Mr.M reformava o banheiro, eu fiquei com a cansativa tarefa de sentar com minha xícara de café com leite na frente da janela, contando passarinhos. Nosso resultado em dois períodos de meia hora foi:

10 Goldfinches, 6 Blackbirds, 5 Starlings, 5 Housesparrows, 3 Carrion Crows, 2 Magpies, 2 Woodpigeons, 2 Collared Doves, 2 Greenfinches, 2 Robins, 2 Blue Tits, 2 Chaffinches, 1 Song Thrush, 1 Coal Tit e 1 Wren.

E como não tem a menor graça listar nomes sem saber como os penosos são, fiz este quadro com os pássaros que nos visitam todos os dias. As ilustrações são todas do site da RSPB, todas fora de proporção real:


E raramente, estes outros pássaros abaixo nos dão o imenso privilégio de admirar sua beleza. O Sparrowhawk já vimos uma meia dúzia de vezes, uma vez pousou com uma presa no nosso jardim, sempre ameaçador e sempre belíssimo. As fofuras dos Long-tailed Tits é contagiante, eles são minúsculos, redondinhos e com uma cauda bem comprida, parecem pirulitos voadores, vimos um grupo de seis deles, três vezes apenas. Só uma única vez vimos o Less Spotted Woodpecker, o pica-pau, que não ficou por muito tempo. E há duas semanas tivemos a grande sorte de ver dois Waxwings pousarem na nossa árvore; são bem raros fora da costa leste da Inglaterra e muitos amantes de pássaros viajam até a costa para poder vê-los, certamento os pássaros de penteados mais punks da natureza.


Os resultados da observação devem ser enviadas à RSPB, que vai avaliar e divulgar o resultado em Março. Os cientistas dessa entidade vão poder então usar esses dados para pesquisar migração e padrões no número de cada espécie para poder ajudar na conservação e proteção dos mesmos. Este é o trigésimo ano deste evento e o primeiro que participo.

Escrito a mão pela Marcia às 10:16 AM | mais em Tales of the Garden

dezembro 17, 2008

Meet Stumpy and the Mean Sparrowhawk



Stumpy com seu pézinho direito defeituoso


Stumpy beating the odds

Temível caçador Sparrowhawk
que de vez em quando pousa por aqui

Escrito a mão pela Marcia às 3:47 PM | mais em Tales of the Garden

dezembro 2, 2008

Icy Cold


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Os dias mais frios da Inglaterra nem sempre são aqueles em que nevam. Os dias mais frios são aqueles que combinam frio vindo do Ártico e umidade. São aqueles dias que amanhecem e anoitecem cheios de gelo, camadas grossas de gelo por todos os lados, que nunca derretem.

Esta semana tem sido assim aqui no Norte. Temperatura negativa, chove, esfria, congela, neva. No dia seguinte a mesma coisa. E no outro e no outro também. O gelo não descongela, o frio fica cada vez mais intenso, principalmente quando o vento chega para se juntar à festa.

Os pássaros silvestres do jardim estão numa luta incessante pela sobrevivência. A maior parte da energia eles gastam no frio da noite, tentando manter a temperatura do corpo. Pela manhã eles estão famintos e enfraquecidos. Outro problema é a desidratação. Quase todas as fontes de água estão congeladas e muitas espécies que se alimentam só de sementes sofrem para conseguir algumas míseras gotas de água.

Neste cenário pouco ensolarado, eis que agora me encontro todas as manhãs, na escuridão das sete e meia da madrugada, de bota e uma montanha de roupas, carregando comida e água fervendo para descongelar a banheira e o bebedouro dos pássaros. Uma missão arriscada já que o piso está congelado e escorregadio e eu estou sempre semi-adormecida. A comida dos penosos inclui sementes variadas, invertebrados secos (que ficaram de molho durante a noite), uvas passas (também previamente rehidratadas), maçãs em cubinho e pedaços de fat cake, que são bolinhos especiais para alimentar os pássaros no inverno, feitos de gordura, frutas e sementes.

Os pássaros têm ingerido tudo o que é servido aqui no Chez M&M. Pepe e Pepelete estão bem, acho que são os mais gordos de todos os blackbirds que voam por aqui.

Outro dia vimos um outro blackbird comendo no pratinho secreto de Pepe. Ele nos viu mas nem tentou voar e continuou comendo como se não houvesse amanhã. Olhando mais cuidadosamente, percebi que ele tinha um dos pézinhos quebrado. Ele voa bem, mas pula num pézinho só e arrasta o outro. Chamamos o pobrezinho de Stumpy e ele já tem vindo com mais freqüencia no jardim. Pepe no começo não dava bola, mas agora que ele sabe que Stumpy come do pratinho dele, ele não está muito feliz e começou a espantar o intruso. O que me obriga a colocar um outro pratinho extra num outro lugar quase secreto e esperar que Stumpy consiga se alimentar ao menos quando Pepe não estiver por ali.


Escrito a mão pela Marcia às 10:03 AM | mais em Tales of the Garden

novembro 14, 2008

Pepe is Back

Desde que voltamos do Brasil não recebíamos mais a distinta visita de Pepe e seus Pepeletes. Depois de três semanas sem comida grátis era de se esperar que a família se mudasse para campos mais férteis e com refeições mais regulares.

Todos os dias, desde nossa chegada, eu continuava a colocar o pratinho com as comidinhas preferidas de Pepe no mesmo lugarzinho secreto que só nós sabemos onde fica (para evitar que os Starlings, Pombos e Pardais comam toda a comida dele). Mas a comida ficava lá por dias e dias, sem ninguém comer nenhum grãozinho, nenhuma frutinha. Achei que não mais nos encontraríamos e parei de desperdiçar comida no pratinho dele.

Os dias passaram e percebi alguns blackbirds no jardim. Não havia como saber se era Pepe ou não porque eram uns quatro ou cinco visitando o jardim. Mas fiquei observando, na esperança de revê-lo. Percebi que um dos blackbirds começou a defender o território (aka meu jardim) mais fervorosamente, espantando os outros blackbirds. Fiquei de olho nele. Parecia muito com Pepe, mas de penas trocadas (eles trocam em Outubro/Novembro), agora bem pretinho, bem bonitão. Finalmente, numa manhã chuvosa e fria, eu vi esse blackbird sentadinho na cerca viva, vigiando o front. Depois de uns minutos ele desceu da cerca e ficou piando no chão, ainda olhando pra cerca. E eis que das folhagens da cerca, sai uma fêmea blackbird, muito parecida com um dos Pepeletes, com as pintinhas mais claras no peito tão características dela. O Pepelete macho, porém, não estava entre eles; é normal irmãos se separarem em territórios bem distantes um do outro para evitar cross-breeding.

Começamos a observar Pepe e Pepelete todos os dias e poucas dúvidas restaram. Como Mr.M bem apontou, Pepe tem um ar "denso" no olhar e na forma de andar, inconfundível. Mas a maior prova de todas foi quando um dia eu estava preparando meu café da manhã no conservatory, onde tudo da cozinha se encontra empilhada lá, e o blackbird estava de novo sentadinho na cerca viva. Ele me olhava, olhava, a cabecinha acompanhando meus movimentos indo e voltando da geladeira. E então, finalmente, para minha surpresa e total alegria, Pepe voou até o nosso velho, conhecido e secreto cantinho onde eu colocava a comidinha dele e esperou do lado do pratinho dele. Eu abri a porta, ele se afastou, coloquei as uvas passas mais suculentas do mundo e ele voltou para comê-las. E assim tem sido todas as manhãs. Como antes. Como sempre. I missed you, Pepe.







Escrito a mão pela Marcia às 11:17 AM | mais em Tales of the Garden

agosto 7, 2008

Evade

O interior da casa está no pior estado possível nesta fase do meio da reforma. Para terminar os encanamentos do banheiro precisamos primeiro trocar o boiler, que fica na cozinha. E para trocar o boiler precisamos demolir uma das paredes da cozinha, onde ficam a geladeira, a máquina de lavar roupa e os armários. Parede esta que também é parede da sala. As caixas da mudança continuam por todo lado porque não temos onde colocar absolutamente nada. Os materiais de construção se empilham em imensas montanhas cujo topo tem ar rarefeito.

Então eu passo mais tempo no jardim e no conservatory do que em qualquer outro lugar. Escapo da desordem insana e finjo que não é nada comigo.















Escrito a mão pela Marcia às 12:08 PM | mais em Tales of the Garden

julho 24, 2008

CSI Yorkshire - Aye!

Paciência é a virtude imposta aos jardineiros. Não há como apressar a natureza. E com paciência cuidei dos morangos, desde às flores.


Água, afofamento da terra, mais água e paciência. Os morangos foram crescendo em passo lentos mas constantes.


Um pouco de sol e logo os morangos começaram a ficar vermelhos. Senti que a colheita estava próxima.


No entanto, os morangos, que estavam destinados a ter lugar de honra dentro da salada de frutas, encontraram seu cruel final estraçalhados na terra . Um assassino em série começou a atacar os morangos um a um, nem mesmos esperou o total amadurecimento dos indefesos frutos. Sem misericórdia ou escrúpulos, devorou as vítimas impiedosamente.


Tive algumas pistas: as mordidas eram pequenas e afiadas, atingindo uma vítima de cada vez, em vários golpes. Seja lá o tamanho do criminoso, a barriga do mesmo deveria estar protuberante com a quantidade de vítimas ingeridas.

Com tais evidências, só nos restou um suspeito: o mais arredondado, insaciável e glutão das espécies do jardim. O terrível famigerado Pepelete, que posteriormente fora flagrado em ação!


Caso encerrado.

Aye, we're cleverer than Miami and NY together.

Escrito a mão pela Marcia às 2:05 PM | mais em Tales of the Garden

julho 22, 2008

Pepe the Blackbird


Conheçam Pepe, o Blackbird



E Pepina, a patroa



Por muitas semanas os dois trabalharam sem descanso colhendo minhocas e insetos pra alimentar o ninho. Foram vários dias de intensa dedicação. Numa semana, porém, Pepina foi embora. É comum entre blackbirds a fêmea deixar o ninho e os filhotes aos cuidados do macho e ir embora para fazer outro ninho num outro lugar. Então Pepina se foi e deixou Pepe com seu coração partido para criar os Pepeletes.



Pepe trabalhou dobrado para levar ao ninho a minhoca de cada dia



Em compaixão ao pobre pai solteiro, ajudei Pepe oferecendo uvas passas, sementes, cereais e minhocas desidratadas



Houve até dias em que eu saí pro jardim com capa de chuva e bota, no meio do temporal, com minha pázinha para procurar minhocas frescas nos canteiros. Tudo pela sobrevivência dos Pepeletes.

Os dias passaram e nos perguntávamos se veríamos os Pepeletes algum dia ou se eles simplesmente deixariam o ninho sem ao menos nos dar a chance de conhecê-los.

Mas Pepe não é mal-agradecido e aos pouquinhos, em brevíssimas e raras oportunidades, ele trouxe um Pepelete para nos apresentar.



Uma das primeiras aparições de Pepelete fora do ninho, incentivado por Pepe, que oferecia uma uva passa



Pepe também encojarou Pepelete a voar



Depois de alguns momentos de indecisão e incerteza...



...Pepelete usou as asas e voou



Gradativamente Pepelete começou a sair mais do ninho e explorar o mundo que o cerca. Às vezes eu achava que Pepelete estava se movendo rápido demais pros meus olhos; num instante estava na cerca, no outro segundo estava no canteiro.



E então na semana passada Pepe revelou que na verdade Pepelete não é um, mas dois!



Hoje ambos estão saudáveis, grandões, gulosos, voadores. Continuam dependentes do Father of The Year Pepe, mas também já andam procurando as suas próprias minhocas, comendo meus morangos e experimentando sementes caídas. Ainda é cedo para saber se são machos ou fêmeas ou um de cada. Tenho uma certa parte na nutrição dos três, mas nada tira o mérito de Pepe de ter se dedicado com tanta determinação na alimentação e proteção contra predadores. E tenho certeza, a satisfação de Pepe deve ser dez vezes maior que a minha de vê-los assim, em boa saúde, sobrevivendo por mais uma geração.

Well done, Pepe!

Note from the author: As fotos estão péssimas, a maioria foi tirada por trás da janela, com o vidro fazendo terríveis reflexos. A lente também não é longa o suficiente para fotografar pássaros, uma telephoto seria um presente de muito bom grado *hint hint*

Escrito a mão pela Marcia às 1:42 PM | mais em Tales of the Garden